Nascer e viver na pobreza (casa de madeira, sem casa de banho, sem água canalizada e sem electricidade, em Almerim), não são sinónimos de fraqueza nem de inferiores quoficientes de inteligência e emocional. Há ricos-pobres como há pobres-ricos. Pedro Choy, 53 anos de idade, médico, vem dessas origens pobres: “passei fome enquanto estudante universitário”, em Coimbra. Reconhece que comeu o pão que o diabo amassou e que desde muito cedo teve que ir trabalhar para ajudar a família muito pobre. Chegou ao 4.º ano de Medicina mas depois interessou-se mais por um curso de Medicina Tradicional Chinesa, na Universidade de Marselha. Os outros dois irmãos são médicos e a irmã é bióloga e uma das mais reputadas investigadoras na área da genética. Quando pediu uma bolsa de estudo e a viu recusada, Pedro Choy sentiu uma revolta grande.
“Eu era a pessoa mais pobre do meu curso. Se eu não tinha direito à bolsa, quem é que tinha? Investiguei e descobri que os bolseiros eram filhos de empresários, que pura e simplesmente não faziam declarações de rendimentos.” Durante o tempo de estudante universitário, “comia uma vez por dia, ao almoço, na cantina da universidade de Coimbra. Não tocava na maçã e no pão. Embrulhava-os e levava para casa, para me servirem de ceia. É difícil dormir quando se tem fome”. Ontem como hoje, as assimetrias impedem que a sociedade seja pautada por valores confirmados e que a dita democracia seja uma fachada ambígua, manipulada por poderes pouco transparentes. Quando a incompetência reina a ruína de um qualquer país é inevitável.
Para ler:
http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=185&id=17880&idSeccao=2377&Action=noticia
http://coconafralda.clix.pt/2010/03/pedro-choy.html
Música>https://www.youtube.com/watch?v=C1KtScrqtbc

Um médico conceituado que admite ter passado fome enquanto estudante universitário.

João Godim
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