Portugal não tem juízo! Não é o que é e vive no ser do que não sabe o que será! Crises e dívidas ancestrais. Viver acima das suas possibilidades, sem rei nem roque. Quem fez a dívida? Qual o montante da dívida? São contas obscuras, fora do alcance dos que pagam a crise e não pelos que delipidaram o bem público. Não é de agora que a dívida pública e privada é gigantesca; os juros exigidos pelos empréstimos que contraímos são descomunais; a crise está aí em todo o seu esplendor. Sobre a CRISE, ou crises, escreveu Fernando Pessoa na Mensagem o poema «Nevoeiro», precisamente o que encerra a obra:
NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!

João Godim
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