
A escrita literária está a passar por uma fase de transição da ficção para o realismo! Do imaginário para o concreto. Os livros mais vendidos na Europa e no mundo, desde início deste século (XXI), são os que narram factos em concreto, que contêm "matéria viva", o acontecido. Livros com títulos de capa onde a palavra "reportagem" se destaca suscitam à leitura, por relatarem episódios sobre o que, na realidade, terá sucedido num determinado período. Uma consulta (leitura rápida) por alguns destes livros-reportagem rapidamente entendemos o porquê de tanto interesse dos leitores por esta objectiva narrativa. É que somos (leitores) confrontados com dados informativos que nos levam a conhecer melhor o que se passou, como, onde e quando, sequências e consequências. Não é por opção que se diz que o livro "Memorial do Convento", de José Saramago, foi e continua a ser a grande obra do Nobel (1998). A investigação que o escritor fez sobre o Convento de Mafra foi notável, diremos, memorável. Diz-se que, nos últimos sete anos, o escritor português que mais livros vendeu foi José Rodrigues dos Santos, todos os seus livros são incidentemente reportagens, investigação o mais pormenorizadamente possível. Investe milhares para colher milhões. Já não parece haver tempo nem dinheiro para a ficção, mais agora em que o tempo anda mais rápido e o níquel é mais valorizado.

João Godim
FREELANCER
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