Em Portugal, a presença da mulher no ensino superior é relativamente recente, quando comparado com a data da criação das primeiras universidades. A 9 de Março de 1290, foi fundada, por D. Dinis, a universidade de Lisboa, que viria a ser transferida para Coimbra, em 1537. A nação portuguesa foi fundada em Março de 1143 e, em 1088, na cidade de Bolonha (Itália), era criada a primeira universidade do mundo.
Pois bem, a primeira mulher portuguesa a obter o doutoramento foi Domitila Hormizinda Miranda de Carvalho, natural de Aveiro, com 16 valores, no curso de medicina, em 1904, pela universidade de Coimbra. No entanto, só a 23 de Novembro de 1944 (quatro décadas decorridas), na Universidade do Porto, se doutorava a primeira mulher, em ciências biológicas, Leopoldina Ferreira Paulo. Faz hoje, precisamente, 68 anos.
Os pólos universitários, durante anos/séculos, estiveram centrados em Lisboa, Coimbra e Porto, o que beneficiava apenas quem tinha residência nestas cidades ou vivesse em Portugal continental. Os portugueses a viver fora destes centros, nas ilhas ou nas ex-províncias ultramarinas (em África), estavam impossibilitados de frequentar o ensino superior, excepto para aquelas famílias que excepcionalmente tinham meios económicos. O "luxo" universitário inacessível à grande maioria dos portugueses fez com que Portugal perdesse os horizontes da evolução europeia. O Portugal do "aqui e agora" vem de um passado político cheio de feridas e de resquícios históricos castradores. São, apenas, achas para as andanças universitárias.
Música> http://www.youtube.com/watch?v=kGvY4tqcgUQ&feature=related
Domitila Miranda de Carvalho e Leopoldina Ferreira Paulo, as primeiras mulheres a obter o doutoramento em Portugal (universidades de Coimbra e do Porto).

João Godim
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