
A música tem o palco do mundo para se fazer ouvir mas há outrossim escravatura sob a luz artificial no universo da música. Há músicos (grandes músicos) a esmolar pelos hotéis, casinos, discotecas, pubs, por um contrato modesto, por meias-notas. Em Portugal, há músicos de craveira a ganhar 25 euros por noite em hotéis de 5 estrelas (três horas, por noite, com intervalo de 1/2 hora), o que os coloca na linha da exploração/sobrevivência profissional. Mas eles aceitam ou então não têm palco para tocar!!! Pois não, dizem. Em muitas cidades alemães, belgas, húngaras, francesas, holandesas e polacas, deparamo-nos com grupos (como a foto documenta) com seis ou mais elementos (munidos de saxofone, violoncelo, bateria, acordeão, etc.), músicos de barba rija, em plena idade sénior, que fazem da rua, numa esquina qualquer, o seu palco de actuações, onde há grande movimento de pessoas. Nalgumas noites da semana, até podem actuar nos palcos mais luxuosos da cidade, mas não se deixam abater pela tão propalada crise, agravada pela monstruosidade de CD´s que proliferam como cogumelos. Eles tocam os grandes êxitos e todos os géneros musicais, desde salsa, bolero, tango, blues, hip pop, hard-rock, ritmos latinos, música do mundo. Têm audiência e… alguma receita compensadora! O palco da música existe sempre, há público e retorno compensador, com ou sem laço ao pescoço, indumentária a preceito, sem fachadas e sem falsas grandezas. Grandes são estes músicos (professores, mestres, talentos firmados) que à luz do dia tocam para auditórios multidimensionais que lhes retribuem louvores por tais momentos extraordinários.

João Godim
FREELANCER
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