
A população sénior europeia é cada vez mais numerosa. A sociedade está a passar de uma sociedade de três gerações para quatro gerações, se equivalermos uma geração a um quartel de vida (25 anos). A “Idade d’Ouro” começa sensivelmente aos 50 e vai até aos 100. Meio século sobre meio século. Quando estivemos em África (Guiné-Bissau), anos 70/72, vimos que o sénior (ancião) era quem, junto da comunidade, ocupava a “cadeira do poder”. Ainda hoje, em muitos países africanos, é o ancião que faz o elo de união entre o passado e o futuro, o condutor da vida, é ele que possui o repositório da sabedoria popular e o principal educador dos jovens. Em África diz-se que quando um sénior morre é uma biblioteca que arde.
Na Europa mais evoluída esta filosofia de vida começa a ser discutida, a outro nível e com outra dimensão, como é óbvio. É o que nos revela a Federação Independente dos Seniores franceses, uma associação pluralista de educação permanente e de cultura para maiores de 50 anos, fundada em1951. A voz dos seniores faz-se ouvir e é levada em conta. O calendário anual de actividades é vastíssimo e de baixo custo. A cota anual é de 14 euros. Cursos de línguas, novas tecnologias, grupos temáticos, entretenimento da memória, cinema, teatro, fotografia, história, ateliers criativos, cultura física e desporto, viagens, conferências, semanas culturais, tudo programado ao pormenor para o ano inteiro. Uma publicação mensal com 24 páginas é distribuída gratuitamente, com toda a actualidade informativa sobre temáticas que mais interessam aos seniores. Os anciãos europeus estão a ter uma vida muito mais activa na sociedade actual.

João Godim
FREELANCER
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