
Funchal sempre teve plátanos em quase todas as ruas, alamedas e praças da cidade.
Há cerca de uma década a Câmara do Funchal (Madeira) tomou a inédita decisão de abater plátanos centenários porque faziam “mal à saúde das pessoas”. Nós assistimos a esse atentado que deixou os mais antigos residentes da “zona velha” sem palavras. A Autarquia gastou cerca de 200 mil contos (um milhão de euros) para transformar o antigo campo de Almirante Carlos, também conhecido por campo D. Carlos I, em altos e baixos, ondas de pedra, cimento e erva, sem qualquer utilidade pública a não ser para os consumidores de drogas. Só agora, por iniciativa do ex-governante João Carlos Abreu, as inúteis ondas foram desfeitas e um plano e atractivo jardim volta a dar vistas para o mar e a ter dignidade. Que tão bem ficavam os plátanos centenários no renovado jardim!
A decisão de abater os plátanos centenários foi tão cruel e “criminosa” quando pela Europa mais evoluída vemos ruas, parques, alamedas, praças, avenidas, estradas, jardins públicos, com milhares de plátanos, alguns com muitos anos outros de recente plantação. Estamos a situar-nos em grandes cidades como Amesterdão, Madrid, Colónia, Dusseldorf, Haia, Barcelona, Roterdão, entre outras, com populações residentes e flutuantes (visitantes/turistas) da ordem de milhões de pessoas de todo o mundo. Foi um erro primário abater plátanos centenários na cidade do Funchal.

Os plátanos "abatidos" no Almirante Reis tinham mais de um século.

João Godim
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