Não gosto de números mesmo sabendo que em tudo estamos numerados. Tudo é número, altura, largura, peso, pé, braço, cabeça, seio, pulso, músculo, toda a numerologia está no corpo humano. Extra corpo mas para o corpo estão os números dos sapatos, das luvas, das camisas e camisolas, das blusas e blusões, dos casacos e gabardines, das calças e shorts, dos cintos, dos chapéus e dos bonés com pala e sem pala, e por adiante. Os números são a modos de “capitão do mundo”, quanto mais números mais poder, mas há também os soldados e os peões que valem números mesmo que sejam números expressos na subalternidade, válidos para a quantidade estatística, de cima para baixo ou de pirâmide invertida.
Mas também sei que os números valem mais que os abecedários. Aquela velha metáfora do rico que conta uma anedota e todos riem, mesma que a mesma nada tenha de piada, quando a mesma anedota é contada pelo pobre os mesmos torcem o nariz. Hipócritas, fingidores, capados da tola. Não gosto de números mas gosto de abecedários. Ver a letra a letra formar palavra, a tomar significado, a dar expressão sintáctica e semântica às frases. Mais fascinado fico quando deparo-me com uma palavra que faz mudar pensamentos, decisões, aptidões, direcções e percepções. Deus é grande. Jesus é o meu ídolo. Céu. Ámen. Mãe. Pai. A mente é fértil em números e em letras. Prefiro estas.
Declamação > http://www.youtube.com/watch?v=OXn8FdEH5ck&feature=related


João Godim
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