Parece-nos haver alguma confusão na opinião pública quanto aos pressupostos que presidem as universidades séniores. Não há diplomas, certificados, licenciaturas ou qualquer "canudo", permitem-nos a expressão. Há, isso sim e com subida honra, o gosto pela valorização do conhecimento empírico, pelo aprofundar do saber e pela cultura geral no seu mais alto expoente possível. As habilitações académicas, em qualquer grau e nas diferentes áreas, há muito que foram obtidas e sócio-profissionalmente exercidas.
Os alunos das universidades séniores são cidadãos com mais de 55 anos de idade, aposentados, que durante décadas exerceram funções profissionais aos mais diversos níveis. Na Universidade Sénior da CMF encontram-se inscritos alunos que fizeram carreira no ensino, na banca, no jornalismo, na função pública, no exército e noutras áreas. Foram e são cidadãos que, apesar de estarem na condição de aposentados, por mérito do tempo de trabalho que tiveram, alguns com mais de 40 anos no activo profissional, estão no pleno das suas inesgotáveis faculdades.
A aprendizagem ao longo da vida sempre existiu e assim continuará. Importante é atender aos "novos desafios" favoráveis aos séniores para que estes possam se sentir permanentemente activos e reconhecidamente úteis à sociedade. Como refere Pascoal Montigneu: "muito ficaria o mundo a ganhar se a voz dos séniores fosse ouvida por quem pensa que já tudo sabe" .
Em síntese: os alunos das universidades séniores não estão à espera que lhes digam para que lado fica o horizonte nem o caminho a seguir. Querem, apenas, aprofundar o saber acumulado, querem viver em permanência com a evolução do conhecimento, porque o mais já foi e continua a ser feito. Os nossos azimutes há muito que estão bem estudados e globalmente bem preenchidos.

João Godim
FREELANCER
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