Isto aconteceu num Instituto Superior, sediado em Lisboa, no 1º ano do curso superior de Relações Internacionais. A cadeira é Ciência Política. O professor é um distinto deputado da Assembleia da República. A aluna, com rara convicção, explica ao examinador tudo o que se passou no 25 de Abril de 1974:
"A revolução de 74 significou a queda de um regime militar dominado pelo
almirante Américo Tomás e pelo marechal Marcelo Caetano, que
governava o país depois de deposto o último rei de Portugal, Oliveira
Salazar. O 25 de Abril foi uma guerra entre dois marechais: o marechal
Spínola e o marechal Caetano". Obviamente, chumbou.
Esta é daquelas “coisas” que não dá para acreditar. Omite-se, como é óbvio, o nome do Instituto. De quem é a culpa? Para entrar no Instituto público a aluna teve que concluir, com aproveitamento, todos os anos de estudo - básico, 1.º e 2.º ciclos e secundário -, fez o 12.º ano e a prova de acesso ao ensino superior. Surpresa maior quando se trata de um exame de uma cadeira de um curso de Relações Internacionais. Catrapum!, catrapum!
Já agora (apenas para recordar): Américo Tomás, foi o último presidente da República do anterior regime; António Spínola foi o primeiro presidente, por nomeação, do actual regime. Ramalho Eanes, foi o primeiro presidente eleito democraticamente, o mesmo acontecendo com as eleições de Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva.
Américo Tomás António Spínola Ramalho Eanes
Mário Soares Jorge Sampaio Cavaco Silva
De Jose António Camacho a 25 de Abril de 2009 às 10:12
Já nada me surpreende sobre a história do 25 de Abril de 1974, tantas são as mentiras e as verdades por dizer. A aluna é mais vítima que culpa.
De Maria José Baptista a 25 de Abril de 2009 às 17:19
De facto é triste que isto aconteça. Custa-nos a aceitar mas é a realidade. Isto não é uma questão de ensino, de aulas na escola, de professores, é a estúpida forma como muitos alunos encaram a educação e o ensino. "Encornam" a matéria para os testes e para os exames e assim conseguem ludibriar os professores, só que mesmo com notas altas são analfabetos puros. Isto só muda quando se mudar a mentalidade.
De João Manuel A. Pereira a 25 de Abril de 2009 às 22:23
Na verdade trata-se de uma cena triste, tendo em conta o manancial de fontes de consulta actualmente existentes, nomeadamente a Internet. As gerações anteriores aprendiam, até à 4ª Classe, a História de Portugal desde a fundação, por D. Afonso Henriques, até aos tempos próximos da sua infância. Mas a culpa desta triste realidade não é dos alunos. Parece-me que boa parte da responsabilidade do estado de Ensino tem de ser atribuída aos responsáveis pelos Programas e respectivos conteúdos.
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