Ao longo de 45 anos, os discursos na Assembleia da República alusivos ao 25 de abril de 1974 repetem-se. Mais do mesmo ou alinhavados em função das ideologias e dos interesses partidários. As unânimes críticas ao antigo regime são inevitáveis como democraticamente aceites são as críticas aos governos actuais por parte de quem está na oposição. Estamos cheios de tanto discurso sobre a mesma matéria porque entendemos que há liberdade para abordar e debater outros horizontes de que tanto Portugal ambiciona.
Desde logo a igualdade das oportunidades, de uma democracia plena e de uma liberdade efectiva. O 25 de abril não foi obra de palavras soltas mas sim de actos destinados à mudança que não meramente ideológica. A sociedade portuguesa está muito aquém da sociedade europeia não somente nos salários e nas pensões como nos padrões educativos e culturais. São os relatórios internacionais a darem a notícia, a história democrática enriqueceu mas também empobreceu Portugal.
Perguntas de sempre e nunca esclarecidas: Onde foram parar as milionárias riquezas que saíram do país logo após o 25 de abril de 1974? Onde estão as valiosíssimas barras de ouro que estavam à guarda do Banco de Portugal? Para onde foram os espólios da Pide/DGS e da UN/ANP? etc. Os males da ditadura já todos conhecemos, os bens da democracia ainda não chegaram a todos.
Não gostaríamos de continuar a ver uma democracia controlada pelos partidos nem apregoada de liberdades que timidamente apresentam-se alienadas. Os discursos do 25 de abril nada trazem de novo, repetem-se e o povo já há muito que entendeu a mensagem que traz. Continuamos a acreditar que a democracia é melhor que a ditadura desde que esteja empenhada no bem de todos e não apenas metaforicamente ao alcance de alguns.
Por uma democracia plena. Por uma liberdade responsável. Tal como dantes: A BEM DA NAÇÃO!

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS