
Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses antes da tempestade de 20.02.2010
Só hoje consegui olhar para a minha cidade (Funchal), após o dia da catástrofe (20 de Fevereio de 2010). Pois, naquela manhã, sob uma chuva torrencial, atravessei-a, rumo ao Norte da Ilha. Longe sequer de imaginar que, horas mais tarde, ela seria tão inclementemente maltratada. Talvez a incomunicação possibilitasse a preparação psicológica para poder encarar tamanha destruição, nalguns pontos da cidade. Atónita, ouço as notícias, o ruído das máquinas, dos camiões a passarem cheios de entulho, 24 horas por dia. Quereria estar sempre de olhos fechados, a guardar a imagem da beleza, tranquilidade e felicidade do seu passado.
Urge, porém, ver...avançar por lugares que já não mais existem, por entre escombros e admirar o trabalho árduo dos que encontram ainda forças para lutar. Aos poucos vou tomando conhecimento da dor de pessoas, algumas conhecidas, do luto que lhes bateu à porta. Aqui faltam as palavras....o dicionário não as regista, nem o coração pode bater mais forte...Que resta? Olhar para o Alto, o Infinito e pairar por lá. É o lugar onde me sinto melhor.
Cecília Pestana
membro do roines

Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses após a tempestade, na tarde do dia 20.02.2010

João Godim
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