.Novembro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.Sondagem

.ROINES RUTIS

O site - www.rutis.org

.Comentários

Uma visita a um museu por norma ajuda-nos a compre...
Valeu ouvir uma matéria que diz qualquer coisa a t...
Saramago é mais lido lá fora, nomeadamente em Espa...

.Arquivos

AGENDA ROINESXXI

.Links

.SENIORS - MAYORES - ANZIANI - 前輩 > SENIOR LIFE IN THE WORLD

ROINESXXI = SÉNIOR do século XXI | Journal du XXI siècle - Journal of XXI century - Diario del siglo XXI – Jornal do século XXI - Journal di XXI secolo | Portugal tem 245 universidades seniores, 35 mil alunos e 4.500 professores voluntários | Museu do Louvre (Paris) recebe 10 milhões de turistas/ano, Portugal recebe 18 milhões de turistas | Portugal apresenta o mais baixo nível salarial dentro da Zona Euro | Lisboa é das cidades mais "baratas" da Europa, Zurique é a mais cara | Mais de 455 mil pessoas já viram este blog | Tríade para ser feliz: QUERER, APRENDER, FAZER | A Constituição Portuguesa tem 296 artigos | Portugal tem 308 municípios e 3 091 freguesias | Dia dos roinesianos é a 19 de Fevereiro | Existem no mundo mais de 2.700 línguas, a mais falada é o mandarim | Cabo Girão (na Madeira) é o promontório mais alto da Europa e o 2.º mais alto do Mundo | A igreja Católica em Portugal tem 52 bispos e 3.797 padres | Blog ROINESXXI / address > https://roinesxxi.blogs.sapo.pt/
Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Conto de Natal - N.Sr.a de Fátima na guerra da Guiné

Foi por estes dias, em 1971, que a minha vida esteve por um fio. Uma emboscada nas matas da Guiné surgiu estrondosamente como se fosse o apocalipse. Foram minutos infernais debaixo de fogo cerrado, mortos, feridos, carros militares a arder, vozes imperceptíveis, gemidos, o aproximar do fim da vida terrena para cerca de três dezenas de jovens militares amadores obrigados a irem para a Guiné combater os inimigos dos militares profissionais e do Governo da República. Num ápice despejei as cinco cartucheiras da G3, disparando na direcção do inimigo. A meu lado vi colegas gravemente feridos, vi o braço chamuscado separado do corpo de um outro colega, vi um jovem negro com sangue pela cara abaixo e a dor expressa nos olhos aterradores, vi atrás de mim um carro a arder, ouvi vozes do inimigo cada vez mais próximo de nós, vi que já não tinha balas nas cartucheiras e que a G3 fervia devido a tanto disparo. O inimigo tinha o controlo da situação.

Foi então que fiquei sem saber o que fazer. Sabia que podia ser feito prisioneiro e levado para a mata, sabia que podia ser morto à queima-roupa, sabia que podia ser torturado. Já não tinha arma útil, já não tinha balas, tinha apenas uma granada presa à cintura. Num flash fiquei com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, fiz o sinal da cruz na testa, agarrei na granada pronta para o arremesso ou deixá-la explodir junto de mim, pondo fim à vida. Não queria, de modo algum, ser levado prisioneiro pelo inimigo. Já não haveria mais Natais. Ainda preso à imagem de Fátima, oiço o barulho de aviões, oiço novos bombardeamentos, era a ajuda “vinda do céu” pelos caças da força área que entretanto vieram em nosso auxílio. O inimigo foi silenciado e nós, os que escaparam à morte, estavamos aparentemente salvos. Ao sair do lugar onde estivera debaixo de fogo, à distância de dois metros, talvez nem tanto, vi um pequeno monte de invólucros da arma automática que o inimigo usava. Isto é, o inimigo passou praticamente a meu lado e não me viu.

Era o meu dia… num cenário de tragédia vagueei durante alguns minutos pela estrada rodeada de capim sem saber o que fazer. Era um vivo-morto! O Natal de 1971 nunca me sai da memória. Era eu um puto com 23 anos, forçado a ir para a Guiné, como amador, defender os militares profissionais que ficavam comodamente nos quartéis e os governantes da República nos seus ricos palácios em Lisboa.  

João Godim

publicado por j.gouveia às 10:09

link do post | comentar | favorito
11 comentários:
De Cecília Gonçalves Pestana a 6 de Dezembro de 2009 às 13:45
Que cenário, meu Deus!Só me resta felicitar-te e agradecer á Mãe por ainda estares entre nós...Pena aqueles que pereceram, que hoje não podem dar vida à sua voz, mas que certamente são lembrados, em cada Natal, pelos seus familiares e amigos.Um número infinito de "Nãos" à guerra,mas paz a todos os homens. São os votos que faço neste Natal de 2009
De Filomena Pascoal a 6 de Dezembro de 2009 às 15:57
Chorei, ao ler este seu relato da guerra. Chorei porque ainda hoje não sei como morreu meu filho que também foi obrigado a ir para a guerra da Guiné, em 1967. Chorei pela sua coragem, pela sua pessoa e por todos os jovens que morreram porque alguém os enviou para a absurda guerra. Tenho a mesma opinião quando diz que os militares profissionais ficavam nos quartéis, que Salazar e seus comparsas vivam à grande nos palácios de Lisboa. Dou-lhe um abraço sentido pela sua coragem ao aproveitar o Conto de Natal para escrever uma história de guerra vivida na Guiné. Um forte abarço e Feliz Natal.
De comecardenovopt.blogspot.com a 6 de Dezembro de 2009 às 18:51
Oi Amigo
Só como nós, podemos absorver as suas palavras, gente que viu navios embarcarem superlutados de filhos e mães chorando ,sem saberem se os tinham de volta.
Dias de luto, natais sem luzes nem presépios, natais onde só o terço percorria as mãos já encarquilhadas .
Parabéns amigo , conseguiu levarme à emoção.
Até breve
Herminia
comecardenovopt.blogspot. com
De Carina C. Folhadal a 6 de Dezembro de 2009 às 19:40
Felicito-o por ter escrito o que escreveu, um drama que ceifou a vida a muito jovens, milhares de mortes precoces que deixaram famílias destroçadas. Você diz em poucas palavras o que muitos em muitos livros, por muito que quiseram, não conseguiram dizer. Estou convencida que a guerra de África nunca foi contada na sua verdade, verdade, tal como vivida como você viveu e escreveu e que muitos outros milhares de jovens viveram e sofreram.
De A.F. a 6 de Dezembro de 2009 às 20:23
Fizeste-me recordar um momento de dor e terror. Faço por esquecer mas tal como tu não consigo. Até parece um sonho mas é um curla pesadelo. Vamos vivendo. Um abraço, A.F.
De José Paulo Viveiros a 6 de Dezembro de 2009 às 21:38
É o que nunca se houve dizer pelos próprios e este Conto de Natal vem dizer que a guerra não é para ser contada por quem nela não passou. O comentário da Hermínia vem também recordar os navios superlotados de jovens para a guerra, carne para canhão, com as famílias angustiadas e a rezar o terço. Estas coisas doem mas vale a pena falar, mais ainda como fez o João Godim neste Conto de Natal.
De António Fernandes a 6 de Dezembro de 2009 às 22:00
É impressionante o seu relato... Uma memória viva que faz pensar ainda hoje sobre a utilidade da guerra armada...., sobre os senhores que decidem a guerra e telecomandam os assassínios em massa, seja no Iraqe, no Afeganistão... Que crueldade, meu Deus! O se relato faz pensar muito, mas é caso para dizer que a sua fé o salvou. Bem haja!
De Vera Rodrigeus a 6 de Dezembro de 2009 às 23:57
Louvável a sua iniciativa de partlhar connosco esse "episódio" tão marcante na sua vida e que regista marcas indeléveis...
Realmente, "A fé move montanhas!"...
De Bernardo Matias a 7 de Dezembro de 2009 às 12:29
A crueldade da guerra está bem explicada no seu Conto de Natal. Quantas mortes na guerra sem se saber como aconteceram, matar jovens e quem são os culpados? Morreram milhares de jovens na guerra para depois se entregar as colónias aos inimigos, bandos de facínoras. O seu conto faz-nos pensar e ver melhor o lado cruel da guerra. Desejo-lhe um Santo Natal 2009
De Rodrigo Salvado a 7 de Dezembro de 2009 às 20:47
Meu Deus, como foi possível mandar para a guerra tantos jovens na flor da idade. O que o Salazar fez foi um crime mas há outros criminosos que devia ser julgados, aqueles que foram os informadores e deram conselhos para que o governo de Salazar decidisse. Esses tinham a noção do que faziam ao contrário de Salazar que nem conhecia as colónias em África. Fez bem em contar o que se passou e outros que passaram por casos semelhantesz deviam também contar, só assim se ajuda a compreender o que se passou na guerra do ultramar. Um abraço e tenho um bom Natal.

Comentar post



REDE
UNIVERSAL
DE NOTÍCIAS

João Godim

FREELANCER


contador de visitas
Contador de visitas
Diseño Web Sevilla



Mil Canções
dos últimos 30 anos


>REPORTAGENS

>EUROPA DIRECT

>METEOROLOGIA

>SOS URGENCIAS

>AEROPORTO LISBOA

>AEROPORTO MADEIRA

>TABELA DE MARÉS

.Fotos


GALERIA ROINESXXI
ROINES NOS MEDIA

.subscrever feeds

.pesquisar

 

EUROMILHÔES


BLOGS RECOMENDADOS


Ecclesia
Museu da Imprensa
Regador do Frei Boléo
Começar de Novo
Contextos Históricos
Portugalidade
USTV
Diversidades
Motivo(s) em foco
Guiné - Bart 1914
A TERRA E A GENTE
Actualidade
O Guardião
Fernando Pessoa
Eça de Queiroz
Laurinda Alves
Livros
Leituras
Livros em português
Hábito de Leitura
Casa dos Poetas
Biblioteca Nacional
Observatório da Língua
Língua Portuguesa no Mundo
NOVA ORTOGRAFIA
Português no Mundo Árabe
Observatório da Emigração


José Régio/João Vilaret
A Procissão/João Vilaret
Pablo Neruda
Gabriel Garcia Marques


Coro da Catedral
Projecto Tio
Televisão Saloia
U.Sénior Machico
U.Sénior Funchal
Academia Sénior
Gastronomia Madeirense

PAISES DO MUNDO

11 DE SETEMBRO 2001

ENCICLOPÉDIA UNIVERSAL

FILMES DE OURO

FILMES PORTUGUESES

LA BALLADE DES GENS HEUREUX
LA VIE EN ROSE
ODE TO MAASTRICHT

VIDEOS MUSICAIS

Amália Rodrigues
Conjunto Académico João Paulo / Sérgio Borges
Manuel Freire
António Prieto
Love Story
Demiss Roussos
Frank Sinatra
Sinatra e Jobim
Vinicius de Moraes
Roberto Carlos
Julio Iglesias
Chico Buarque
Elvis Presley
Conjunto João Paulo
Música árabe
Música céltica
Maria Callas
Laura Pausini
Andrea Bocelli
Música relaxante
Vangelis
Mozart
You light up my Life
Beethoven
Franz Liszt
BeachBoys
Beatles
Elton John
Gigliola Cinquentti
Edith Piaf
Celine Dion
Pavarotti
Louis Armstrong
Nat King Cole
Dont Worry Be Happy

AS MAIS FAMOSAS CANÇÕES DE NATAL

VIOLA OK
Viola clássica Viola/Guitarra
Guitarra/Carlos Paredes
Viola/Gips Kings
Viola/intantil!
Viola/genial!!!
Guitarra Espanhola
Viola:Over the Rainbow
Viola: Kenny Rogers
Viola:José Feliciano