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Sexta-feira, 10 de Julho de 2020

PORTUGAL, VINHO DA MADEIRA

Marcelo como Bonaparte e Jefferson marcelo 2.jpg

Sempre que vai à Madeira, Marcelo Rebelo de Sousa não dispensa bons tragos de Poncha e de Vinho da Madeira. São bebidas exclusivamente produzidas na ilha, muito saborosas, e de elevado grau alcoólico. A sua fabricação está nos néctares do sono, inviolável: "o segredo é da uva local de excelente qualidade e os tonéis em que são envelhecidos, madeira local da ilha, com sabor de mar". São muitas as histórias sobre o Vinho da Madeira relacionadas com personalidades políticas mundiais. Napoleão Bonaparte foi dos que mais se “embebedou” com o vinho madeirense.

Outra marca histórica registou-se a 4 de Julho de 1776 em que na cerimónia da independência dos Estados Unidos da América (EUA) fez-se o brindo com um “Madeira”, vinho de eleição do eleito presidente Thomas Jefferson. Dos políticos portugueses, Marcelo Rebelo de Sousa parece levar vantagem sobre os seus antecessores, consta que na garrafeira da sua residência, em Cascais, lá estão garrafas de Malvasia, Sercial, Boal e Verdelho, as quatro castas nobres da zona vinícola demarcada da Madeira.

publicado por j.gouveia às 18:18

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PORTUGAL, OFÍCIO DO CARRASCO

Abolição da pena de morte

A pena de morte para crimes civis foi abolida em Portugal, em 1867, de acordo com o decreto parlamentar, datado do dia 1 de Julho desse ano, no reinado de D. Luís, e após debates favoráveis que colocaram o nosso país no grupo dos pioneiros nessa matéria. Foram quase sete meses de profunda e justificada discussão, na sequência de uma proposta do então Ministro dos Negócios Eclesiásticos e de Justiça, Barjona de Freitas, sobre a reforma penal das prisões, em que se previa a “abolição da pena de morte para os crimes comuns”.

Este assunto, no entanto, há muito que se apresentava como necessário e urgente, devido também ao interesse legislativo em acabar com o “ofício de carrasco”.  Foi o que aconteceu em 1863, por exemplo, quando o deputado Aires de Gouveia apresentou iniciativas para eliminar o “ofício de carrasco” e para “abolir a pena capital”, considerando a condenação à morte "ilegítima", "desnecessária", "inútil" e "absurda".3-Patio_do_Carrasco-02-Placa.JPG

No seu entendimento, a função da pena é corrigir o culpado, o criminoso, e não proceder por vingança: "A pena de morte, decerto, que não corrige; o cadáver não se corrige. Todo o facto que não tiver por consequência necessária e imediata a correção moral do sujeito culpado, não pode denominar-se pena. Chamem-lhe castigo, satisfação social, vingança, o que quiserem, mas nunca pena. Corrigir, moralizar, regenerar, reabilitar para a vida social deve ser o fim supremo da penalidade (…)", argumentou André Gouveia.

Ou seja, mandar enforcar, castigar o criminoso com a “pena capital”, não resolvia nada, nem reabilitava o bem, a justiça, e o interesse da sociedade em geral, seria apenas mais uma “vingança”, um “ajuste de contas”, um “olho por olho, dente por dente”. Com a abolição da pena de morte, também acabou a profissão de “carrasco”, que tinha por obrigação ajudar o criminoso a morrer na forca, num cenário bem visível, “aplaudido” por muitos espectadores, antes do cadáver (muitas vezes já mutilados de mãos, etç.) ser levado para o cemitério…ab.jpg

Pátio do Carrasco, Limoeiro (Lisboa)

Isto era habitual em muitas regiões do País, mas é em Lisboa que esta prática e esta profissão ganharam direitos de toponímia. Podemos ver isso mesmo no “Pátio do Carrasco”, junto à Cadeia do Limoeiro, onde trabalhava Luís Alves (1806-1873), conhecido por “Luís Negro”, o homem “mais odiado de Lisboa”. Foi o último “carrasco” ou “algoz” de Portugal, cuja profissão era paga pelo Estado, e cujo executor era geralmente recrutado de entre os próprios criminosos que, em vez de serem condenados à forca, viam a sentença, a pena, comutada em troca do emprego público…

No caso de Luís Alves, o Negro, natural de uma aldeia de Vila Pouca de Aguiar, estava acusado de inúmeros crimes, mas “apenas confessou duas mortes em legítima defesa.” Mas, se foi possível livrar-se da acusação de “criminoso” e da forca, jamais conseguiu desligar-se do “estigma” de “carrasco” ou executor público de uma sentença de morte.

publicado por j.gouveia às 10:23

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