O Estado foi feito para o Homem...
"Jesus Cristo (JC) nunca foi, nem quis ser, um político ou governante, porque o seu reino não era deste mundo (...); e, no entanto, "é reconfortante verificar como são modernas e actuais as palavras de JC sobre a liberdade religiosa, o amor ao próximo, a justiça social, etc." Esta citação pertence ao livro "As Ideias Políticas e Sociais de Jesus Cristo", do Professor Diogo Freitas do Amaral (falecido no passado dia 3 de Outubro), obra póstuma, de 89 páginas, publicada pela Bertrand Editora, em forma de ensaio.
Partindo dos quatro Evangelhos que formam o Novo Testamento (Mateus, Marcos, Lucas e João), o autor analisa o contexto histórico da vida de Jesus e transporta algumas das suas ideias para a actualidade.
Assumindo-se como "católico, apostólico, romano" e admitindo "não ter credenciais para escrever sobre problemas teológicos, exegéticos ou hermenêuticos", o saudoso Professor universitário, político e governante, faz uma análise política e social do pensamento de Cristo, assumindo que poderá ter "uma dupla utilidade".

Para os cristãos, "chamar de novo a atenção para o facto de que, como Jesus avisou, nem todo o que diz 'Senhor, Senhor' entrará no reino do céu". Para os não cristãos, seguidores de outras religiões e não crentes, "sublinhar que Jesus Cristo não tinha intenção de pregar aos convertidos, mas sim aos que se sentiam perdidos ou incompletos na sua vida".
Outro "aspecto fundamental" analisado é o de "uma nova concepção de autoridade, do Poder e do Estado". Lembra que: "O Sábado foi feito para servir o Homem, e não o Homem para servir o Sábado", conforme escreveu São Marcos no Evangelho, o que o ex-líder do CDS se encarrega de traduzir para os dias de hoje: "O Estado foi feito para o Homem, e não o Homem para o Estado", ou melhor, os poderes da autoridade do Estado são apenas "um meio para alcançar um fim, o bem comum é que é o fim a atingir".

Freitas do Amaral não esquece também os apelos de Jesus Cristo à paz, entre os homens, entre as famílias, entre as nações. "Não há nos Evangelhos uma condenação formal da guerra entre nações. O que, aliás, permitiu a vários doutores da Igreja, a partir dos séculos XVI e XVII, elaborar a doutrina da 'guerra justa' e da 'guerra injusta' , hoje consagrada - em larga medida - no artigo 51.º da Carta das Nações Unidas", invoca, numa alusão ao direito da legítima defesa quando um dos países for atacado.
Mas Jesus foi também pioneiro na "aceitação da distinção entre governantes e governados, ou seja, a rejeição do anarquismo" - quando defendeu que "Todo o poder vem de Deus" - bem como da ideia de "obediência às leis e decisões legítimas dos governantes" ou a "condenação da fuga aos impostos" - "a César o que é de César", ou seja, "o pagamento dos tributos tinha o rosto de César, os impostos eram devidos ao titular do Império Romano".

Em suma, Cristo "não foi um líder político, nem exerceu qualquer cargo, função ou actividade política", e até afirmou, para dissipar todas as dúvidas: "o meu reino não é deste mundo". Mas "se não tinha ambições políticas, não ocupou cargos políticos, nem criou nenhum movimento político, o certo é que tinha, como é natural, ideias políticas".
Destaca ainda a importância, e a actualidade, da Doutrina Social da Igreja, para concluir que "é uma pena - é mesmo motivo de escândalo - que um número considerável de católicos convictos (professores, empresários, gestores, políticos, jornalistas) não se sintam obrigados em consciência a seguir essa doutrina, e a ignorem ou menosprezem na sua vida profissional, sem fazerem o que têm o dever de fazer ou agindo contra as proibições que devem acatar".

Quando eu era jovem, acreditava que na vida o dinheiro era mais importante. Agora que sou velho, dou mais importância à vida. (Oscar Wild)
Museus há muitos mas nem todos dispõem de planos concisos e objectivos. Os grandes museus valorizam a arte com conteúdo de fácil leitura, dão a informação precisa, satisfazem a curiosidade e enriquecem o saber dos visitantes. O Museu de África é um desses exemplos.
O ano 60 do século XX detém o recorde da história da independência de estados. Entre janeiro e novembro 18 países obtiveram a independência, Chipre e 17 países africanos. Visitámos o Museu de África e em cada ponto de paragem lá está a informação em curtas palavras. África em toda a sua dimensão histórica.

No ano 60 (séc.XX) dezassete países africanos obtiveram a independência. 
A "batalha" do ensino foi prioridade para os novos países.
O Museu de África leva-nos ao conhecimento de um "mundo novo".
Cozinha portuguesa é das mais ricas do mundo
Nunca é demais afirmar que a "cozinha portuguesa" é das mais ricas do mundo. Há produtos, experiências culinárias, receitas e estudos que provam à saciedade esta evidência. E sobre este tema, acaba de sai o livro "Comer como uma Rainha - O receituário real do século XVI ao século XX", de Guida Cândido, investigadora da Universidade de Coimbra (UC), obra distinguida com o prémio internacional de Literatura Gastronómica 2019.
O prémio, atribuído pela Academia Internacional de Gastronomia, destaca um livro que “resulta de um longo trabalho de investigação realizado na área da história da gastronomia”.
Guida Cândido consultou “fontes antigas” para estudar “os hábitos alimentares dos últimos cinco séculos em Portugal, fazendo uma contextualização histórica de alguns pratos icónicos que se destacaram no receituário português ao longo de diferentes épocas e reinados”.

“É uma história da alimentação e dos patrimónios alimentares enquanto cultura de identidade”, diz a autora. Assim, “Comer como uma Rainha – O receituário real do século XVI ao século XX” analisa cinco períodos relativos a cinco rainhas distintas – Catarina de Áustria, Maria Francisca de Sabóia, Maria Ana de Áustria, D. Maria I e D. Maria Pia – e inclui 50 receitas “adaptadas aos tempos atuais”, revela.
“Não é exactamente o que comiam à época, porque isso é impossível de recriar, os produtos alteram-se e não podemos ter a veleidade de fazer receitas exactamente iguais. São receitas de acordo com o que se publicava à época, a cozinha é dinâmica”, defende Guida Cândido.
“O meu trabalho é tentar mostrar o que era possível fazer à época e a hierarquia da alimentação, porque comer é muito mais do que um acto de sobrevivência, é um acto social”, considera a autora de "Comer como uma Rainha", obra disponível para os mais versados em culinária ou simples curiosos do que se fazia nos tachos e panelas de outros tempos. Bom apetite!
Campanhas de Natal duvidosas

Por estes dias, ao aproximar-se a época das festas por excelência - Natal e fim de ano - há campanhas e promoções para todos os gostos, no sentido de se estimular o consumo e o lucro. Há intimações que orientam o consumidor para dias exclusivos, disto e daquilo, publicidades de várias formas, cores e feitios..., qual feira medieval com uma multiplicidade de produtos à mão de semear... E no meio da barafunda, é preciso reflectir ou ter um pouco de bom senso, como alertou o ministro do Ambiente e Acção Climática.
À margem de uma conferência sobre financiamento sustentável, que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, João Pedro Matos Fernandes considerou, por exemplo, que a tão badalada "Black Friday" - dia de descontos nas lojas, é um "contra-senso" e classificou-a de "expoente máximo e negativo de uma sociedade capitalista", quando há "evolução de consumidores para utilizadores".
Esta "óptica de consumo de produtos e serviços", como se verifica actualmente, leva a fazer diferenças entre “ter uma lâmpada ou ter luz”, “ter uma máquina de lavar roupa ou ter ciclos de lavar roupa”, ou entre “ter um berbequim ou um furo na parede", apontou o ministro. “O que eu quero é mesmo um serviço e não necessariamente um bem. E por isso cada vez mais vamos ter uma sociedade orientada a serviços que têm bens lá dentro”, prosseguiu.

Matos Fernandes catalogou, por isso, a ‘Black Friday’ como “um expoente máximo e negativo de uma sociedade capitalista”, sem antes dizer que acredita “na livre escolha e na iniciativa” numa “democracia aberta”.
“Acho que é fundamental nós mudarmos de hábitos para podermos aguentar esta mesma democracia e este regime aberto e de livre iniciativa e de livre oportunidade”, continuou, manifestando também receio de que “alguém o faça por nós e o faça mal”.
O responsável pela pasta do Ambiente e Acção Climática no actual Executivo da República lamentou ainda ver “muitas entidades financeiras a dizerem como é que vão apoiar as compras que nós vamos fazer no ‘Black Friday'” (isto é, o dia em que várias lojas promovem produtos com grandes descontos; será na próxima sexta-feira e visa "inaugurar" a época das compras natalícias; mas é preciso estar de olhos bem abertos, porque nem tudo o que luz é ouro, e como disse o ministro Matos Fernandes, o consumo excessivo é um vício que se pode pagar caro, porque é o "expoente máximo e negativo de uma sociedade capitalista".
Retrato colectivo da pintura europeia
Os Painéis de São Vicente, a peça mais importante do Museu Nacional de Arte Antiga e da pintura portuguesa, serão alvo de restauro no âmbito de um projecto previsto para 2020. Segundo o director desta entidade, Joaquim Caetano, o restauro deverá decorrer durante três anos e envolve um custo da ordem dos 350 mil euros. O último grande restauro aconteceu entre 1909 e 1910 pela mão do pintor Luciano Freire.
Os Painéis de São Vicente - que reúnem pinturas atribuídas ao artista Nuno Gonçalves, entre 1450 e 1491 - são uma obra de enorme importância simbólica para a cultura portuguesa e considerada um singular “retrato colectivo” na história da pintura europeia. O conjunto, pintado a óleo e têmpera sobre madeira de carvalho, mantém até hoje um espírito enigmático porque o entendimento sobre a intenção e significado da obra nunca ficou totalmente claro para os especialistas em História da Arte.
As seis pinturas estão datadas de cerca de 1470 e apresentam um agrupamento de 58 personagens, em torno da dupla figuração de São Vicente, que participam numa solene e monumental assembleia representativa da corte e de vários estratos da sociedade portuguesa da época. As personagens são apresentadas em ato de veneração ao patrono e inspirador da expansão militar quatrocentista portuguesa no Magrebe.
Os especialistas acreditam que o autor das tábuas é o pintor régio de Afonso V, Nuno Gonçalves, e que estariam originalmente integradas no retábulo de São Vicente da capela-mor da Sé de Lisboa.

Os painéis foram descobertos em finais do século XIX, no Paço Patriarcal de São Vicente de Fora, em Lisboa, e, na altura, por não terem assinatura e datação visíveis e inequívocas, suscitaram um enorme mistério e fascínio por parte de várias gerações de estudiosos e académicos.
A autoria dos painéis foi descoberta por José de Figueiredo e atribuída a Nuno Gonçalves através da interpretação de um monograma revelado durante o primeiro restauro da pintura na década de 1930, localizado na bota da figura ajoelhada no Painel do Infante, que se presume ser do rei D. Duarte, e que é coincidente com outras assinaturas utilizadas pelo autor em documentos e obras contemporâneas.
Um pedaço do Muro de Berlim, derrubado há 30 anos, em 9 de Novembro de 1989, permanece no Santuário de Fátima para celebrar a paz. O muro de triste memória, foi inaugurado em 1961 para impedir a passagem de cidadãos da Alemanha Oriental para a Alemanha Ocidental e caiu 28 anos depois, sob a pressão de milhares de pessoas nas ruas, o que permitiu reunificação do país.
“A leitura de que este pedaço do Muro é um símbolo da liberdade religiosa para um mundo de paz é assumida pelo Santuário, desde a sua hierarquia até àqueles que peregrinam neste espaço”, explicou o responsável pelo Departamento de Estudos e do Museu do Santuário de Fátima.
Marco Daniel Duarte, historiador, recordou que, “até à queda do Muro de Berlim, era impossível do outro lado da Cortina de Ferro assumir-se a comunidade como crente, acreditar naquilo que é uma leitura sobrenatural da História”.

O fragmento do Muro no Santuário de Fátima foi oferecido por um emigrante português radicado na Alemanha, tendo sido colocado num monumento inaugurado em 1994, localizado nas entradas do Santuário. .
Para Marco Daniel Duarte, o monumento recorda “a mensagem de paz que Fátima tem desde a primeira hora, em 1917, sobretudo quando ela é olhada a partir de uma leitura crente da História”.
“O papa João Paulo II, quando vem aqui em 1999, diz claramente que Fátima está ligada de forma umbilical ao desmoronamento desse império soviético que tinha como leitura da História o pilar do ateísmo”, sublinhou. Ainda na sua opinião, o emigrante “captou a importância do Muro e a relação que aquilo pode ter com Fátima”, em especial “a liberdade relativamente ao jugo comunista da Rússia”.

Em princípio dispensam apresentações, mas é de uma grandíssima justiça recordar quem muito fez pelo jornalismo, pela política e pela religião. Valha-nos Deus! Aqui, lado a lado, Fernando Dacosta, natural de Angola, e Vera Luza, portuguesa, com todas as letras impressas no jornalismo da imprensa e da rádio. Dacosta também notabilizado como escritor, Luza só agora escreveu o seu primeiro livro, bem-sucedido. De resto, desde que nasceram, celebram o aniversário no outono, faça chuva ou faça sol. Parabéns.
As eleições na Guiné-Bissau (antiga colónia portuguesa) sempre têm decorrido sob um mar de suspeição. Desde o primeiro acto eleitoral, anunciado como de livre e democrático, que os candidatos e os eleitores andam às avessas. A prova está nos nove golpes de estado que o país sofreu desde 1974, a par de outras contrariedades políticas, factos que só têm empobrecido o país.
Hoje, domingo, 24 de novembro/2019, o acto foi para a eleição do presidente da República ao qual concorreram 12 candidatos para um universo de 760 mil eleitores. Antes, durante e depois de conhecidos os resultados já todos estão em discordância, até mesmo o vencedor! A começar por não haver um censo global sobre o número de habitantes e de eleitores, depois porque a iliteracia e a alienação põem seriamente em causa a veracidade do acto eleitoral.

A Guiné-Bissau é um país pobre, económico e financeiramente débil, a corrupção está institucionalizada e o comércio da droga e outros minam toda e qualquer plano político democrático. Nem a ONU nem os analistas internacionais têm confiança na governação do país, mas pedem que as eleições sejam livres e justas, quando sabem que é praticamente impossível.
Trovoadas... Fogos-de-artifício
Fogos-de-artifício riscando o céu.
Aflição, aquele espectáculo de fogo.
Labaredas, chamas vermelhas
disparadas numa noite de breu.
Trovoadas...
E eram os sons, as saídas...
Os rebentamentos, distantes...
Ou tão perto como um toque
Que te enchia de pavor...
Deu-se o estrondo e os estilhaços
Já entravam pelas frestas das janelas...
Trovoadas...
Na terra, surgindo do nada
Trazendo o caos e o medo
Num cenário de luto e tragédia...
Episódios de guerra.
De relatos, de vivências inesperadas.
Homens que saem para o mato...
Para matar, para morrer.
Tudo lhes pode acontecer!
Saem “para as minas” os que as têm
no seu caminho, no seu destino!
> Rosa Maria Figueiredo Quadros (ROMI)

A tradição vem de longe: em cada época natalícia o Funchal veste-se de "luz e cor". As "iluminações" nesta cidade com 511 anos de História constituem um forte cartaz turístico, deixando satisfeitos residentes e estrangeiros perante "um milhão de lâmpadas", que serão distribuídas pelo centro e arredores. As luzes só vão acender no dia 1 de Dezembro, mas a montagem dos respectivos suportes já vem desde o mês de Outubro.

O tema "Natal Madeirense" dá o mote aos motivos desenhados o ano passado, como uma “homenagem aos 600 anos do descobrimento da Madeira e do Porto Santo". Neste contexto, por exemplo, o cais da cidade vai exibir um "padrão luminoso" inspirado nos navegadores portugueses e orientado sobretudo para o turismo.
Junto à Sé, estão colocados três anjos, com a altura de três metros e meio cada um e com instrumentos musicais que darão "concertos" diários, entre as 18h e as 21 horas.
O plano de decoração da cidade volta também a ter pinheiros em três locais da cidade e com referência directa a três países com quem a região tem fortes relacionamentos: Reino Unido, Brasil e África do Sul.

Um muro de cimento e ferro com 2 metros de altura
Polícia protesta contra o patrão governo com ameaças de voltar a protestar, a 21 de janeiro de 2020, se as suas reivindicações não forem satisfeitas. Ver cerca de 13 mil polícias frente à Assembleia da República é ver também quantas esquardas e quartéis terão ficado sem polícias e quanta comunidade sem segurança. Ou há polícias a mais ou parte do país ficou vulnerável aos malfeitores. Não conhecemos manifestações de polícias em países europeus, sem que o caso português seja único no mundo, mas é um direito com riscos para a população em geral.
Segurança à parte, o muro de cimento e ferro, com dois metros de altura, à volta do Parlamento, foi a pior imagem de vergonha, a fazer lembrar tempos da ditadura (muro de Berlim, na Alemanha). Quem teve tal ideia viu nos polícias uns perigosos criminosos dispostos a cometer actos selvagens, assim pensando o melhor foi blindar o acesso às escadarias da Assembleia da República. Os polícias em todos os momentos não deixam de ser polícias, cidadãos civilizados.
No global, a manifestação foi pacífica. Reparo para o aproveitamento político do deputado André Ventura, do partido de direita "CHEGA", que vestiu a camisola zero, discursou e andou no meio da multidão em protesto, como se fosse mais um polícia. Foi o herói a aproveitar a onda filmada pelas televisões. Portugal, ao que diz o governo, é o país mais seguro do mundo... será? É que não conhecemos todos os 193 países que há no mundo.
A busca perpétua do questionamento
Em homenagem a Voltaire, pseudónimo de François-Marie Arouet (1694-1778) escritor e filósofo francês, autor de "Cândido ou o Optimismo" e do "Tratado sobre a Tolerância", nascido a 21 de Novembro, assinala-se hoje o Dia Mundial da Filosofia. Uma efeméride para valorizar o conhecimento crítico e a reflexão mais profunda, sem preconceitos, com a ajuda dos grandes pensadores.
Na sua mensagem para este ano (2019), a directora-geral da UNESCO (agência das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura) sublinha que: “A Filosofia nasceu do nosso assombro pelo mundo e pela nossa existência”. Existem várias definições de filosofia, mas a de Arthur Schopenhauer, na sua obra-prima 'O Mundo como Vontade e Representação', é talvez uma das mais brilhantes. A Filosofia consistiria assim numa busca perpétua do questionamento que, em vez de ver o mundo como uma certeza, o vê antes como uma interrogação. Através do seu gosto por paradoxos, do seu constante questionamento dos preconceitos, a filosofia é um convite para pensar o mundo em toda a sua riqueza e complexidade".
Audrey Azoulay lembra ainda que: "Esta habilidade para o assombro remonta a uma tradição milenar, que surgiu há mais de 3 mil anos na China, no Médio Oriente e na Grécia Antiga; mas, apesar do seu carácter ancestral, o questionamento filosófico em nada perdeu a sua actualidade." Assim: "Num momento em que o extremismo e a rapidez das grandes transformações do mundo por vezes nos confundem, a Filosofia é extremamente útil. Permite-nos distanciarmo-nos e, simultaneamente, vermos mais além, observarmos o horizonte sem perdermos de vista o presente.

A revolução da inteligência artificial, em particular, é um terreno propício ao questionamento filosófico. Como conciliar tecnologia e humanidade? Como garantir uma ética da ciência? Estes questionamentos, tradicionais no domínio da filosofia ética ou científica, estão a encontrar um novo eco neste início do século XXI."
"A Filosofia é uma ferramenta valiosa para reflectirmos sobre a mudança; é também uma abordagem que promove o diálogo e a tolerância. Ler as obras de Chuang-Tzu, o pai do Taoismo, Nagarjuna, o virtuoso dialéctico do Budismo, Avicena, o médico e filósofo, Moisés Maimónides, o filósofo Talmudista, ou Hannah Arendt e Simone Weil, é tomar consciência da universalidade dos seus questionamentos e envolver-se num exercício propício à abertura, à tolerância e in fine à paz entre os povos."
"Por todos estes motivos, a UNESCO sempre alentou a Filosofia. A UNESCO é uma instituição que põe em prática um projecto filosófico – a Filosofia dos direitos humanos que foi a de Emmanuel Kant ou de Bernadin de Saint-Pierre. De certa forma, pode dizer-se que a UNESCO, cujo mandato reflecte a vocação universal da filosofia, é ela própria uma Filosofia."
"Neste Dia Mundial da Filosofia, a UNESCO convida-vos também a experimentar este assombro pelo mundo e pelo ambiente, a desmascarar os dogmas e os preconceitos, em suma, a descobrir a universalidade da condição humana", conclui a directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.
Museu do Aljube promove, mensalmente, visitas orientadas à sua exposição permanente e exposição temporária Jaime Cortesão - Cidadão, Patriota, Resistente, dirigidas a toda a comunidade.
> Próxima visita: 23 novembro 2019 – sábado, 15h; Rua Augusto Rosa, 42, Lisboa.
O Museu do Aljube – Resistência e Liberdade é dedicado à memória do combate à ditadura e à resistência em prol da liberdade e da democracia.
É um museu municipal que pretende preencher uma lacuna no tecido museológico português, projetando a valorização dessa memória na construção de uma cidadania responsável e assumindo a luta contra a amnésia desculpabilizante e, quantas vezes, cúmplice da ditadura que enfrentámos entre 1926 e 1974.
No âmbito dos 450 anos da chegada da Companhia de Jesus ao Funchal, o Museu de Arte de Sacra do Funchal (MAS) tem aberta ao público uma exposição sobre o acontecimento, inaugurada no passado mês de Outubro. Ao mesmo tempo, está a promover iniciativas paralelas que decorrerão até Janeiro de 2020.
Uma delas, de parceria com a Associação Académica da Madeira e da Igreja de São João Evangelista (Igreja do Colégio), irá acontecer já no próximo dia 22 de Novembro: uma conferência à volta do tema "Violência, Verdade e Tradição: O que se pode esperar da Igreja no séc. XXI?" (ver sinopse), sendo orador o padre jesuíta Francisco Mota, autor Da Catástrofe às Virtudes: a Crítica de Alasdair MacIntyre ao Liberalismo Emotivista.
A sua investigação “tem-se centrado nos últimos anos em temas de teoria política e de teoria moral". Estudou e viveu em Boston, Londres, Maputo e Oxford; e actualmente, em Lisboa, é o responsável pela abertura de um novo centro cultural relacionado com a famosa Revista Brotéria.

Sinopse da conferência da próxima sexta-feira, dia 22 de Novembro:
“A palavra que provavelmente mais une nos nossos dias a Igreja e o mundo político, empresarial, ou académico, é "Missão". As organizações falam de Mission Statements, as escolas de Missão Pedagógica, as empresas da Missão do Líder Empresarial. A Igreja, como sempre, continua a falar da Missão que recebe à luz do Evangelho.
Nesta conferência, o P. Francisco Mota, jesuíta e Diretor-Geral da Brotéria, falará de três grandes temas que têm visto significativa evolução no seu entendimento ao longo das últimas décadas. O que pensa a Igreja hoje em dia sobre o tema da guerra, paz e violência? Como se pode educar nas virtudes - e em especial na relação com a verdade? E qual a melhor forma de pensar na tradição que recebemos à luz dos desafios do mundo moderno?
Esta conferência insere-se na celebração dos 450 anos (da chegada dos Jesuítas à diocese do Funchal) e pretende ser uma oportunidade para reflectir e discutir sobre aquilo que se pode esperar da Igreja em pleno século XXI.”

José Mário Branco, músico, faleceu, hoje, aos 77 anos, vítima de AVC. Foi um dos mais importantes autores e renovadores da música portuguesa, em particular no período da Revolução de Abril de 1974, cujo trabalho se estende também ao cinema, ao teatro e à ação cultural.
Natural do Porto, José Mário Branco foi um dos fundador do Grupo de Ação Cultural (GAC), fez parte da companhia de teatro A Comuna, fundou o Teatro do Mundo, a União Portuguesa de Artistas e Variedades e colaborou na produção musical para outros artistas, nomeadamente Camané, Amélia Muge, Samuel e Nathalie. No ano passado, José Mário Branco completou 50 anos de carreira.

O Papa Francisco inicia, esta terça-feira, mais uma visita apostólica ao continente asiático, desta vez a dois países de fortes tradições religiosas e cujas populações têm sido vítimas de guerras e outros dramas: a Tailândia e o Japão.
O tema escolhido para a esta visita – a decorrer entre 19 e 26 de Novembro - é "Proteger toda a Vida", anunciou o Papa Francisco na mensagem que ontem enviou aos povos destas duas nações. “Este forte instinto que ressoa no nosso coração, de defender o valor e a dignidade de cada ser humano, adquire particular importância diante das ameaças à convivência pacífica que hoje o mundo deve enfrentar, especialmente nos conflitos armados”, sublinhou.
“Junto com vocês, rezo para que o poder destrutivo das armas nucleares nunca mais volte a ocorrer na história da humanidade. Usar as armas nucleares é imoral. Sabeis também como é importante a cultura do diálogo, da fraternidade, especialmente entre as diversas tradições religiosas, que podem ajudar a superar as divisões, promover o respeito pela dignidade humana e avançar no desenvolvimento integral de todos os povos”, considera o Papa.
O Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa, vai acolher a partir da próxima quinta-feira (21 de Novembro) a exposição “Orto di Incendio – 27 artistas a partir de Al Berto”, uma exposição de gravura artística, que ficará patente ao público até Fevereiro de 2020, inspirada no livro “Horto de Incêndio” do poeta português Al Berto (1948-1997). Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares, foi poeta, pintor, editor e animador cultural.
Para lá dos vários livros de poesia que publicou em vida, Al Berto dedicou-se também ao estudo de Belas-Artes, quando esteve exilado em Bruxelas, entre 1967 e 1975, entre outras actividades.

É PRECISO REPENSAR A NOSSA VIDA
> É preciso repensar a nossa vida. Repensar a cafeteira do café, de que nos servimos de manhã, e repensar uma grande parte do nosso lugar no universo.
Talvez isso tenha a ver com a posição do escritor, que é uma posição universal, no lugar de Deus, acima da condição humana, a nomear as coisas para que elas existam. Para que elas possam existir… Isto tem a ver com o poeta, sobretudo, que é um demiurgo. Ou tem esse lado.
Numa forma simples, essa maneira de redimensionar o mundo passa por um aspecto muito profundo, que não tem nada a ver com aquilo que existe à flor da pele. Tem a ver com uma experiência radical do mundo.
Por exemplo, com aquela que eu faço de vez em quando, que é passar três dias como se fosse cego. Por mais atento que se seja, há sempre coisas que nos escapam e que só podemos conhecer de outra maneira, através dos outros sentidos, que estão menos treinados… Reconhecer a casa através de outros sentidos, como o tacto, por exemplo. Isso é outra dimensão, dá outra profundidade. E a casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí, da casa, percebe-se tudo. Tudo. O mundo todo."
Al Berto, in "Entrevista à revista Ler (1989)".
Eça de Queiroz em reportagem jornalística
“O Canal do Suez”, que une o Mediterrâneo e o Mar Vermelho, sempre “teve uma história agitada, repleta de guerras”, e foi objecto de muitos projectos. Com 154 quilómetros de extensão, o “Canal do Suez”, tal como hoje o conhecemos, foi oficialmente inaugurado em 17 de Novembro de 1869 e "não é prerrogativa de uma nação: deve o seu nascimento e pertence a uma aspiração da humanidade", disse o diplomata francês Ferdinand de Lesseps, quatro mil anos depois dos primeiros planos imaginados pelos Faraós do antigo Egipto.
A sua construção contou com fundos franceses e ingleses, foi apoiado por Napoleão III e pela Imperatriz Eugênia, que presidiu à sua inauguração após dez anos de trabalhos e com milhares de operários mortos.
Em 1888, um tratado outorgou ao Canal o estatuto internacional, ou seja, podia ser utilizado por todos os barcos sem exceção, em tempos de guerra e paz, embora isso nem sempre tenha sido respeitado; até que se deu a sua nacionalização, em 1956, pelo então presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, para financiar a construção da barragem de Assuão, no sul do país, após a recusa dos Estados Unidos em conceder um empréstimo.

Na actualidade, o “Canal do Suez”, é continuamente transformado e ampliado para receber navios cada vez maiores, com a passagem aproximadamente 10 por cento do comércio marítimo internacional.
No dia da sua inauguração, a 17 de Novembro de 1869, esteve também presente um português: o escritor Eça de Queiroz (1845-1900), que sobre a cerimónia escreveu uma reportagem jornalística. Para assinalar este acontecimento, está a decorrer na Sociedade de Geografia de Lisboa um Congresso: “Eça de Queiroz, nos 150 anos do Canal do Suez” (15-18 de Novembro de 2019), com a participação de vários especialistas na obra do autor de “Os Maias” e no contexto histórico da época.

FUNCHAL, Casa-Museu Frederico de Freitas
Os esforços dos espaços culturais de criar relações com pessoas que normalmente não os frequentam podem provocar tensões com os habitués, ou seja, com quem já se sente em casa. Desde o tipo de programação às regras de comportamento, as tentativas de mudança e inovação podem ser recebidas com forte resistência pelo público tradicional.
Exemplos não faltam, quer em Portugal, quer no estrangeiro: espectáculos chamados “comunitários” que criam fricções entre a comunidade local e espectadores habituados a outros contextos de apresentação e formas de fruição; alunos com telemóveis na mão nas visitas a museus e pessoas a “twitar” nas salas de espectáculos;
A diversificação da programação em espaços que se dedicavam a um determinado género; a presença de espectadores com calções no La Scala; a visita de uma família que apresentava falta de higiene ao Musée d´Orsay; a agitação de uma pessoa com autismo na fila da bilheteira; a jovem com deficiência intelectual que manifestou o seu prazer durante um concerto de música clássica.
Como gerir esta tensão? Tudo se justifica em nome do chamado “desenvolvimento de novos públicos”? Uns terão mais razão que outros? Há uma forma correcta de estar num espaço cultural?
> Ana Margarida Araújo Camacho

João Godim
FREELANCER
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