A primeira intervenção da deputada Joacine Katar Moreira, do partido “Livre”, na Assembleia da República, deixou-nos, humanamente perturbados. Se há situações que não nos deixam ficar indiferentes é ver alguém querer expressar as suas ideias e não conseguir como tanto desejava que acontecesse. Joacine Moreira é gaga (sofre de gaguez) desordem da fala que atinge mais de um milhão de pessoas no mundo.
É verdade que todas as pessoas têm direito à igualdade, a terem os mesmos acessos e a não serem desconsideradas por qualquer motivo, sobretudo de ordem física. Porém, há funções que requerem condições, que não apenas qualidades, para que o exercício tenha efeito cabal. Joacine Moreia, à parte a sua idoneidade intelectual e cultural, vê-se em notórias dificuldades nos seus discursos, o que muito a penaliza e deixa o parlamento em estado de alguma estupefação.
Não sabemos se algum outro parlamento no mundo tem deputados com disfemia, pelo menos com a limitação que a deputada do partido “Livre” revela, o certo é que tal gaguez influencia as suas intervenções. Até agora fez-se silêncio, surpresa e respeito, mas todos sabemos quanto o estranho é perturbador.
A Joacine merece o lugar de deputada, foi eleita, é personagem culta, irradia simpatia, resta esperar pelas próximas intervenções parlamentares. Ao revés dos outros deputados tem pela frente um caminho que exige muita oratória acutilante e na hora. Sem hesitações… está em desvantagem.
Halloween... Num país da utopia
Neste tempo de pensar líquido e politicamente correto é frequente não dar pela questão: e depois? A transição do mês de outubro para o de novembro funciona como um “não esqueças”. Ainda recentemente um amigo que até se declarou cristão dizia que Deus era tão bom e misericordioso que era impossível haver inferno. Não valia a pena argumentar perante convicção tão firme. A luz poderá vir de Jesus na oração; todos podem sobrevir dúvidas de fé. Para outros, quase a dizer que a vida não é para ser vivida a sério, uma parábola.
Num certo país da utopia o ministro da educação reuniu-se com os secretários, diretores e representantes dos sindicatos e decidiram que nas escolas deixaria de haver qualquer avaliação, exames ou reprovações. Os alunos estudassem ou não, fossem à escola ou preferissem distrair-se em discotecas, a destruir montras e a queimar os livros, todos teriam 20 valores no fim do ano. Era preciso, diziam, ser compreensivo com todos e não discriminar entre bons e maus estudantes.
Ao saber desta decisão, também o ministro do trabalho decidiu pagar o salário máximo a todos os trabalhadores mesmo que não pusessem os pés no emprego para se ocuparem de tudo e até roubar no emprego. A Igreja para ser fiel ao Evangelho e a Jesus seu autor renova, ano a ano, no mês de novembro, que a vida é mesmo para ser vivida a sério. Para as falhas lembra o que Jesus repetiu: arrependei-vos, amai o Pai e todos os vossos irmãos. Amai e adorai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com ações de bondade alimentando e vestindo os mais necessitados.
É dado tempo, até ao último instante, antes do julgamento final, ao arrependimento pelo mal feito e o perdão para ser aceite em comunhão de santos no banquete da festa eterna. A seriedade no viver encontra muitos obstáculos. As fraquezas são frequentes, diárias, mas não são problema. O Senhor é misericordioso e compassivo e perdoa até mil vezes por dia os que se arrependem de coração. O maior obstáculo é o orgulho de se pôr no lugar do Criador e Pai.
O orgulho pode arrastar um cortejo de maldades: egoísmo avarento, adoração dos prazeres destrutivos, violências homicidas. Mas o pior de tudo é não se arrepender até o último instante. A falsidade interior, para Deus e para os outros provoca angústias e gera tabús, a recalcamentos e desvios de esconjuração.
Enquanto a fé cristã propõe a oração pelos fiéis defuntos, louvores por todos os santos e o temor de Deus em relação ao inferno; os recalcamentos sem arrependimento nas angústias do pecado arrastam a tabús de medo sobre a morte, a falsos exorcismos, a bruxarias e crendices sobre as almas do purgatório que esperam as orações dos cristãos. São tentativas de justificar a falta de crença na vida eterna e nas palavras e divindade de Cristo.
Bruxarias e fantasmas de palhaçada
Enquanto inúmeras revelações de místicos, embora não de fé obrigatória, apelam à fé cristã do valor das orações pelas pessoas falecidas; os ritos supersticiosos pagãos dos Halloween tendem a substituir a crença na vida eterna dos santos e das almas do purgatório com bruxarias e fantasmas de palhaçada para afugentar o medo da morte. Os filmes de terror e horror, apesar de ficção, funcionam como esconjuros ao medo da morte.
O terror, horror e loucura como que se associam na cultura secularizada e pagã para preencher o vazio cada vez mais angustiante que se respira. Morte, nem pensar; terror de esquartejamento de vivos como espetáculo, sim. As produções de terror e horror são procuradas para esconjurar ansiedades quase (?) delirantes. Em vão. Satanás não expulsa satanás. Antes faz passar os mortos vivos a vivos mortos e a robots satânicos. Será saudável brincar aos demónios?
Quão diferentes são as experiências de fé em Cristo ressuscitado, que morreu pelos pecadores e pode dar paz e confiança no perdão cultivada na oração e celebrações de comunhão nestes dias de todos os santos e dos fiéis defuntos. Nada substitui a crença confiante na vida eterna e n’Aquele que a garante.
> Aires Gameiro, Funchal, Fiéis Defuntos, 2019
Mais de 12 milhões de pessoas traficadas
"As marcas da escravatura e da segregação, e também da tolerância e miscigenação na convivência cultural e religiosa em Lisboa, ao longo de 700 anos", estão patentes ao público numa exposição no Museu de Lisboa - Palácio Pimenta, até ao próximo dia 22 de Dezembro.
A mostra consta de pinturas, desenhos, lápides, documentos, esculturas, ex-votos e outros objectos provenientes do acervo do próprio Museu de Lisboa, e de várias outras entidades. Há peças raras, ou nunca mostradas antes em contexto museológico, segundo os curadores, como as lápides moçárabes, ou um ex-voto do século XVII, com uma pintura que representa Nossa Senhora do Rosário com dois negros a seus pés.
A história de Lisboa, a sua construção e identidade, tem por base uma multiplicidade de contributos, desde a inclusão dos povos que a habitaram, até à rejeição, segregação, expulsão e escravatura, que também acolheu ao longo de séculos.
"Esta Lisboa multicultural - retratada desde a Idade Média - foi criada por muçulmanos, cristãos e judeus, e também por espanhóis, franceses, ingleses, italianos, flamengos, alemães e galegos, e por africanos da era da escravatura", explicam os historiadores que a propósito desta exposição se referem a um vasto mapa com "rotas da escravatura entre África, Américas e Europa, traçadas por portugueses, ingleses, espanhóis e holandeses, entre outros povos.
Estas rotas contabilizam mais de 12,5 milhões de pessoas traficadas durante cerca de 400 anos, do século XVI ao século XIX, segundo as estimativas do Trans-Atlantic Slave Trade Database (Banco de Dados do Tráfico Transatlântico de Escravos), iniciativa da Universidade de Emory, em Atlanta, nos Estados Unidos, com apoio do National Endowment for the Humanities, de Washington, do Instituto Hutchins, da Universidade de Harvard, e do Instituto Wilberforce, da Universidade de Hull, no Reino Unido.
De acordo com estes dados, Portugal e Brasil (após a independência, em 1822) foram responsáveis pelo tráfico de 5,8 milhões de africanos, o que representa quase metade do total".
O processo da abolição da escravatura em Portugal estendeu-se por mais de cem anos, dos primeiros decretos, com proibição no continente e na Índia, que remontam a 1761, até à abolição total, em todo o território português, proclamada em 1869.
“Sinto-me bem centrado neste tempo, o atual, mas dizem-me com bastante frequência, que ando adiantado. Talvez isso seja devido à minha grande curiosidade inata e cultivada de saber”, revela o Pe. Dr. Aires Gameiro no livro-conversas com a jornalista Vera Luza. Narrativas que nos levam a conhecer o mundo na sua plenitude humana, solto de sentimentos turvos, sem tabus.
A obra intitulada “Aldeão em Conversas Globais” dá-nos a conhecer a sábia vida de quem está com meses além dos 90 anos de idade e que continua à descoberta da universalidade! Sem ficção e muito realismo, a obra surge contemplada em conversas entre Aires Gameiro e a jornalista Vera Luza, depositária de uma vasta cultura geral nas áreas das humanidades e da literatura, com frequência em direito na Universidade clássica de Lisboa.

Um encontro de culturas que Aires Gameiro pontifica no seu lema “continuar a aprender”. "Aldeão em Conversas Globais" é "um conjunto de conversas, diálogos diversificados... de uma memória prodigiosa, insaciável na busca do saber profundo ou sabedoria".

Os 19 ministros do governo socialista liderados por António Costa.
Autor de poucas palavras
A morte do poeta e tradutor José Bento (no passado dia 26) quase passou despercebida da maioria e, no entanto, o seu nome é citado de forma incontornável como um dos melhores tradutores portugueses de todos os tempos. Intelectual de primeira água, como se costuma dizer, sempre preferiu a discrição, a sombra, em vez dos palcos das notícias, da fama mediática e efémera. Interessava-se mais pelo essencial dos autores e das obras, a quem se ligava de forma familiar, tal os laços da linguagem profunda e bela que pretendia construir e dar a conhecer.
Aquando da recepção do Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura, que lhe foi atribuído em 2006, ele que não gostava de aparecer em público, remeteu em poucas palavras a sua gratidão para quem tinha traduzido e não pelo seu próprio mérito: ""Os autores que traduzi nada me devem e eu, sem dúvida, devo-lhes muito".
José Bento morreu silenciosamente, aos 86 anos de idade (n. em Pardilhó, Aveiro, a 17 de Novembro de 1932). Formou-se em Contabilidade, mas foi na escrita e na tradução da língua espanhola que mais se notabilizou. Na década de 1950 fundou a revista literária Cassiopeia e tornou-se num dos principais divulgadores de grandes poetas e autores como Jorge Luís Borges, Garcia Lorca, Miguel de Unamuno, Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz, Miguel de Cervantes, Vicente Alexandre, Luís Cernuda, Pablo Neruda, Ortega y Gasset, María Zambrano, Octavio Paz, Calderón de la Barca, Francisco de Quevedo, entre outros. Foi também um poeta muito premiado, autor de livros como "Sítios" e "Um Sossegado Silêncio".
Em 1991 foi condecorado pelo rei Juan Carlos de Espanha com a Medalha de Ouro de Mérito das Belas Artes e, no ano seguinte, foi distinguido com a Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República Mário Soares.

José Bento (1932-2019) ficará na memória de muitos como uma referência de incomparável humildade, como lembrança de quem busca o mais profundo e procura o essencial através de outros grandes, numa incessante caminhada que só a morte física pôs fim, mas cuja obra jamais cessará por ser um lugar, um "espaço", onde o autor vai continuar a estar acessível aos seus leitores, como se poderá parafrasear a partir de um dos seus poemas:
"Um só espaço em verdade me pertence - meu berço, meu texto, meu legado: a casa que é a mãe e viverá", escreveu José Bento em "Este É Um Dos Lugares". "Lá estou e serei: sou as paredes, a escuridão que a procura (...). Batei à porta, chamai do seu jardim devastado até não me ser senão lembrança: lá dentro, responderei, embora aqui, desde sempre à espera de ninguém".
Somos peças de um todo desigual mas funcionamos por impulsos e quando não se consegue comprovar por via da investigação-confirmação recebemos tudo como certo. Eis uma notícia (?) que nos chegou reportada ao quadro do pessoal da Câmara Municipal de Lisboa (CML).
A CML tem um total de 10.147 funcionários, 2 521 têm a categoria de técnicos superiores licenciados ou doutorados: 330 arquitectos; 101 assistentes sociais; 73 psicólogos; 104 sociólogos; 146 licenciados em marketing; 260 engenheiros civis; 156 historiadores e 303 juristas. Não confirmámos nem comparámos com as Câmaras de Bruxelas, Amesterdão, Copenhaga, Atenas entre outras autarquias de capitais de países. Porém, há um movimento mental que podemos fazer e que nos dá gozo aleatório. Um despertar de consciências. Em liberdade.

Os grandes pequeninos ou vice-versa têm uma proximidade muito confusa e difusa. A todos os níveis. Dizem alguns historiadores que a figura física influencia comportamentos e determina acções, dando como referências Napoleão, Hitler, Lenine e entre outros políticos com pouco mais de metro e meio de altura. Genes do mal em cabeças complexadas.
Leituras minguadas quando cientificamente está provado que o homem não se mede aos palmos e que são muitos os génios infinitos no firmamento humano. A CML não é diferente do todo, faz por ser o que é e deve ser. O mais são extravagâncias.
Na próxima madrugada (27 de outubro 2019), entre em vigor o horário de inverno com os relógios a atrasar uma hora: Das 2 horas para 1 hora, no Continente e na Madeira. Nos Açores, a mudança será feita à 1 hora da madrugada, atrasando para as zero horas (00:00 horas).
NB: O parlamento europeu aprovou um só regime de mudança da hora, a partir de 2021, em vez de duas vezes por ano. O governo português não concorda com a alteração mas, caso a medida avance, Portugal terá que cumprir com a determinação a vigorar em todo o espaço da União Europeia.

Era digital, sabedoria e paciência
As novas tecnologias e consequentes "redes sociais" são um facto que aproximam tudo e todos, modificam a nossa própria identidade e contribuem de forma permanente para um conhecimento geral das realidades.
Nunca houve tanta comunicação como hoje em dia, porque se vive numa era digital sem precedentes, com influências do mundo inteiro. No entanto, todas estas possibilidades não dispensam a sintonia mais pessoal, a vizinhança, o próximo, o aqui e agora, encontros de comunidade.
Como se costuma dizer, não basta estar em ligação com o mundo inteiro, seja de noite ou de dia, para que alguém se sinta realizado, satisfeito consigo próprio, útil aos demais. Neste contexto, talvez haja a necessidade de se procurarem alternativas para se questionar o essencial e ver qual o melhor caminho a seguir.

Aproveitando todas as "plataformas", sabe-se que muita gente utiliza os "facebooks", por exemplo, para desabafarem e dizerem de sua justiça, com grandes repercussões e respostas de apoio à maneira antiga dos conhecidos "confessionários" das igrejas. Precisamos de "dizer" e de "ouvir", trocar ideias num espaço físico, dialogar, com perguntas e respostas equivalentes ao estado de cada um e em dado momento.
E se com orgulho ousamos dizer que deixamos de nos "confessar" ou ir à "confissão", talvez seja melhor avaliar melhor o que fazemos ao nível da ultilização das "redes sociais", sob pena de nos defrontarmos com uma "contradição" descarada... O mesmo se poderia pensar da recusa em participar nas "procissões" e "peregrinações" religiosas, mas exaltamos as "corridas", os "trails", os "corta-mato", etç., porque sim, está na moda...
Neste aspecto, apetece dizer como Santo Agostinho (354-430 d.C.): "Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência"; ou ainda Jean d' Ormesson (escritor francês, 1925-2017):

"A História evoluiu mais rapidamente nos últimos três, quatro séculos. Entrámos na era da modernidade e pós-modernidade. A ciência, a técnica, os números conquistaram o planeta. A razão levou a melhor, tomámos o lugar dos deuses à cabeça dos destinos do mundo (...)", mas será que precisamos de renegar tudo o que se relaciona com o essencial para se afirmar a modernidade?
"A vida é muito bela. É breve, e contudo dura muito tempo", sublinha Jean d' Ormesson no seu livro "O mundo é uma coisa estranha, afinal".
À procura do crime perfeito, quase que se poderia intitular um dos muitos artigos de Artur Varatojo (1926 - 2006), advogado, especialista em criminologia e escritor, falecido há 13 anos, no mês de Outubro. Destacou-se através uma intensa produção de contos policiais e da divulgação atempada das obras de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, entre outros.
Colaborou com diversos meios de comunicação social (imprensa, rádio e televisão). A nível televisivo, por exemplo, assinou vários concursos, casos de "Ou Sim ou Não", "A Dama ou o Tigre" e "Noves Fora Nada"; trabalhou durante muitos anos na antiga Emissora Nacional e no Rádio Clube Português e fez também adaptações radiofónicas de outros autores relacionados com mistérios do crime.

Artur Varatojo, natural de Lisboa, era licenciado em Economia e Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, e em Direito na Faculdade de Direito de Lisboa, tendo exercido advocacia; tirou ainda o curso superior de Medicina Legal para melhor enformar os enredos policiais de que era um autor de referência, a nível nacional e internacional.
Recordar com gratidão
Vivemos tempos de mais perguntas que respostas. Parece que estamos a afinar com as crianças de três quatro anos que não deixam os pais em paz com tantos porquês. Isso é bom sinal. A criança está a desenvolver-se e construir a sua identidade. Mas é triste que a algumas faltem pais para dar respostas e outros escondam as mais bonitas por vergonha, Teofobia e Cristofobia.
Os portugueses poderiam saber mais da sua única identidade histórica missionária sem se deixar roubar da maravilha de os seus missionários terem levado a fé cristã a dezenas de povos. Perguntem a crianças: quem é tua mãe, teu pai? Quem te ensinou isto e quilo? Como sabes? Foi a mãe e pai que mo disseram.
No dia das missões (dia 20 de outubro), o Papa Francisco lembra outro Papa, Bento XV, que há cem anos animou a nossa Mãe Igreja ao dizer: somos «Batizados e enviados… em missão no mundo». Antes da Ascensão, Jesus disse aos apóstolos e discípulos: “ide por todo o mundo; anunciai o Evangelho, batizai…” (Mt.28,19). Como é que tantos povos conheceram a Mãe Igreja e Deus-Pai de Jesus Cristo, e nosso? Como souberam que Jesus Cristo morreu pelos homens e ressuscitou; e disse:

Ide por todo o mundo dizer isso? Porque pais e mães na fé foram os primeiros a dizer-lhes. Sabem quem foram os primeiros a levar o evangelho a Angola, a Moçambique, a Madagáscar? Muitos Missionários portugueses e outros com eles a partir de Lisboa. E quem foi anunciar Cristo na Índia, onde S. Tomé já tinha começado o anúncio? E quem foram os primeiros em Ceilão, Sião, Tailândia? Claro, os missionários portugueses. E sabem quem começou a ensinar o evangelho e a escrever a língua do Vietnam com carateres latinos?
Missionários idos de Portugal, sendo o primeiro o jesuíta, Francisco de Pina, natural da Guarda. Quem é que falou primeiro de Jesus Cristo aos chineses, japoneses, aos indonésios, aos filipinos, aos brasileiros, aos timorenses? E quais foram os europeus que anunciaram a fé nas costas de quase toda a África e pelas costas de toda a Ásia do extremo oriente e chegaram primeiro à Austrália? E quem foi o primeiro nas Filipinas? Fernão de Magalhães.
Recordam os que levaram muitos povos a falar a sua língua em países que ainda hoje a falam e a estudam para conhecerem melhor como é que a fé cristã chegou aos seus países? E sabem que nas suas línguas mantêm centenas de palavras portuguesas, nomes de família, de objetos, de vestígios portugueses nos seus territórios? Muitos portugueses sabem; e outros têm vergonha do trabalho destes missionários que evangelizaram e deixaram lusofonia.

Sem os missionários portugueses não haveria hoje a prometedora CPLP. O feito dos navegadores por tanto mundo e a lusofonia não se podem separar do anúncio do Evangelho. Disso ninguém se deve envergonhar.
Ainda recentemente uma jornalista escrevia orgulhosa sobre Portugal: «para quem viaja nesse continente (Ásia) vai verificando em placas, relatos e memoriais que os “navegadores” apregoados pelos tuk-tuks, estiveram em toda a parte antes de toda a gente» (Clara Ferreira Alves, Revista Expresso, 14.09.2019).
Foi isso mesmo que também vivemos por todo o Oriente: ao sair do aeroporto de Colombo, Sri-Lanka, nomes portugueses por toda a parte; em Madras (Chenay) e em Cochim dezenas de nomes de bispos portugueses nas catedrais; em Bombaim, o aeroporto de e em “Santa Cruz”; igrejas portuguesas em Bandra; Oryur cheio do santuário de S. João de Brito. Igrejas, monumentos e bairros com nomes portugueses em Malaca, Singapura, Banguecoque, Vietnam, Macau, Nagasáqui, Timor-Leste. Por toda a parte vestígios, palavras, realidades deixados por navegadores e missionários.

Custa a entender que haja portugueses eruditos apostados em omitir e apagar estas páginas da identidade lusitana. Nem se entendem os que só querem um museu de sombras da história dos portugueses para consumo interno e turístico. Só escravatura? Infelizmente houve, mas as páginas da evangelização portuguesa são as que as pessoas desses países mais apreciam recordar com gratidão.
E também recordam os bolos de receitas e dançam folclore dos seus antepassados portugueses (Banguecoque, Malaca) e nos dão indicações de igrejas e vestígios dos portugueses nas suas terras (Sri-Lanka); e se orgulham de as ter e do sentido e fé cristã que receberam. “Foram os portugueses os que nos trouxeram a fé cristã”, lembram com ufania.
Boas razões para continuar a pôr questões que não escondam as luzes da missionação portuguesa por tanto mundo. Neste dia das missões ocorre perguntar: a quem dissestes e a quem dizeis quem sou Eu? E responder: na segunda vinda de Cristo, haverá fé sobre a terra porque há missionários (Lc.18,8)-
> Aires Gameiro, Funchal, outubro 2019
Um itinerário por casas clandestinas ainda hoje existentes: onde se vivia e forjava a luta, onde se realizaram congressos, onde se imprimia a imprensa com a rádio ligada para abafar o barulho do prelo, onde funcionavam verdadeiras oficinas de falsificação, onde protagonistas de fugas vieram tirar a fotografia para o bilhete de identidade. Na aparência casas normais, na realidade verdadeiros baluartes de resistência à ditadura.
Percurso em autocarro e a pé ligando quatro diferentes polos de casas clandestinas na linha do Estoril: Linda-a-Velha, Algés, Paço de Arcos, Monte Estoril e São João do Estoril.

Ponto de encontro: 9h - Porta Principal do Jardim Zoológico de Lisboa
Inscrição (10 euros) até 7 de novembro às 18h, através do email info@museudoaljube.pt e pelo telefone 215 818 535
A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência na rectaguarda para ver. (Bertrand Russel)
Momentos-chave da história portuguesa
No centenário de nascimento do Prof. Joel Serrão, a Biblioteca Nacional (BN), em Lisboa, presta-lhe uma merecida homenagem com uma exposição intitulada "Joel Serrão (1919 - 2008)", que está patente ao público até ao dia 16 de Novembro. Natural do Funchal, freguesia de Santo António, Joel Serrão (faria 100 de vida no próximo dia 12 de Dezembro) cedo se distinguiu na investigação intelectual, em particular nos estudos filosóficos e históricos, com incidência sobre o século XIX português.

Licenciado em Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras Lisboa, Joel Serrão foi professor neste estabelecimento de ensino superior, também no Instituto Superior de Economia e em vários Liceus do País. Foi ainda administrador da Gulbenkian, (Pelouro da Ciência), dirigiu a revista e a Colecção Horizonte, e dirigiu o Centro de Estudos de História do Atlântico, na Madeira.
A sua biblioteca pessoal encontra-se na Biblioteca Municipal do Funchal (Edifício 2000, na Avenida Calouste Gulbenkian), onde pode ser apreciada, consultada e estimada com especial emoção.
Comissariada pelo investigador José Guedes de Sousa, a exposição homenageia o historiador que se afirmou no meio intelectual português a partir dos anos da II Guerra Mundial, "com intuitos de renovação cultural e intervenção pública norteados pelo apostolado 'sergiano' que o acompanharia, por vezes criticamente, ao longo da vida".

A obra de Joel Serrão denota uma grande variedade de interesses, que vão desde a sua inicial propensão filosófica (patente na tese de licenciatura e em antologias) até aos estudos literários, que abrangeram vários autores, como é o caso de Fernando Pessoa, logo em 1945.
Contudo, como destaca José Guedes de Sousa, foi na historiografia que Joel Serrão viu satisfeitos os seus diferentes interesses, primeiro no estudo de momentos-chave da história portuguesa (1383-85, 1640), depois o século XIX.
"Logo no início dos anos 1950 delineia um programa metodológico e de pesquisas que o irão ocupar nas décadas seguintes. Influenciado pelos Annales (Lucien Febvre, sobretudo), pretendia trazer valores e práticas da investigação científica para uma época ainda em grande medida desconhecida. Uma tarefa hercúlea de desbravamento das mais variadas perspetivas da sociedade oitocentista portuguesa, traduzida em estudos, ensaios, sondagens, hipóteses, revelação de fontes inéditas", descreve.
Temas de investigação que privilegiou: industrialização, emigração, burguesia e sebastianismo.
"São 10,2 milhões, mais velhos que novos, num país em que nos últimos 50 anos, a taxa de mortalidade infantil se tornou numa das mais baixas da Europa", revela um estudo agora divulgado pela "Pordata", uma entidade gerida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Destes "10.283.822 de portugueses, 18,3% (1,4 pontos acima da média da União Europeia) vivem com um risco de pobreza.
Apenas 13,9% da população têm menos de 15 anos (a média da UE é 15,6%), enquanto 21,3% têm mais de 65 anos". Salienta-se ainda neste estudo que "Portugal é o terceiro país da União em rácio de idosos para jovens: 153 idosos para cada 100 jovens, só superado por Itália e Alemanha."
Conclusão, Portugal está cada vez mais envelhecido. Mas, os alertas e as estatísticas "alarmantes" não são de hoje. Há muito que se investiga sobre esta matéria, também por causa das estimativas relativas à sustentabilidade da segurança social, e o que se impõe é que haja mais políticas sociais e menos "défices" económicos, e outros semelhantes.
Talvez nunca se tenha falado tanto de velhice como na actualidade, mas não bastam as palavras ou considerações tímidas que nada resolvem. Como se costuma dizer, ainda vamos a tempo de cortar a meta, mas é preciso desejá-la, caminhar para ela, correr se for necessário, e jamais adiar o tempo de que todos somos protagonistas, novos e mais idosos.
Enfim, já foi tudo dito sobre o problema, apenas continua a faltar uma solução concreta e corajosa, decisões governativas. De resto, são "mudanças" necessárias e previsíveis, como bem diagnosticou a escritora britânica Virgínia Woolf (1882-1942): "Estas são as mudanças da alma. Eu não acredito em envelhecimento. Eu acredito em alterar para sempre o aspecto de alguém para a luz. Eis meu optimismo."

Não só Portugal como toda a Europa está a ficar humanamente envelhecida. As causas são mais que muitas!
Novembro de 2019. A história do nosso passado está plasmada em datas para melhor se compreender as etapas da evolução imparável. O que foi feito e o que se faz tem a ver com o que vai sendo transformado por via da gradual sucessão do aperfeiçoamento e conhecimento. Por volta do ano 300 a.C. (antes da era de Cristo), os romanos invadiram a Península Ibérica (Espanha e Portugal) e há cerca de 1 308 anos foram os mouros a invadir este nosso território continental.
Numa fase de decadência do império romano, os mouros facilmente expulsaram os romanos de Portugal e tomaram as rédeas do que antes estava de posse romana.
Os romanos ficaram mais de mil anos a exercer domínio sobre o território português até que foram expulsos pelos mouros oriundos da Mauritânia e de Marrocos. Mouros que viriam a ser definitivamente expulsos pelos portugueses à roda do ano de 1452. Ainda hoje são inúmeros os vestígios, nas mais diversas áreas culturais e patrimoniais, da presença dos romanos e dos mouros em Portugal.
Castelo construído pelos mouros, em Sintra.
Vestígios da cidade de Conímbriga, edificada pelos romanos.
Uma sessão especial dos Livros no Aljube. O encontro e conversa entre dois protagonistas da Crise Académica de 1969 em Coimbra: Alberto Martins que nos traz “Peço a Palavra – Coimbra 1969” e José Veloso que recupera as imagens desta luta em “A Crise Académica de Coimbra. 1969 – Uma reportagem fotográfica”.
29 outubro 2019 – terça, 18h30
Auditório do Museu do Aljube - Lisboa
Ninguém está acima de ninguém
Um livro obrigatório para se entender a moral, a ética e a política nos nossos dias - "Desobedecer", do filósofo francês Frédéric Gros, é um "manual" cheio de perguntas, de porquês... Porquê existem tantas injustiças sociais, desigualdades, tanto empobrecimento das populações, tanta riqueza nas mãos de poucos?... ; ao mesmo tempo que persistimos em "obedecer", em ser "submissos", "escravos" da autoridade que explora, "resignados" ao que acontece, à sorte de quem promete protecção e segurança, de braços cruzados e olhos voltados para o lado, como se não fosse possível fazer mais nada, neste caso "desobedecer".
É um imperativo que compromete todos e cada um, responsáveis pela construção do mundo e pelo património que deixaremos àqueles que virão depois de nós.
Nem tudo está bem ou é como parece. E face aos constantes "protestos" de rua, à existência de "movimentos contestatários", como está a acontecer na Catalunha (Espanha)..., é preciso contrariar, abanar as consciências, alertar para a "desobediência, face à absurdez, à irracionalidade do mundo como se acha" actualmente. "Porquê desobedecer? Basta abrir os olhos".
Partindo desta premissa, Frédéric Gros procura responder a uma outra pergunta: se é "tão fácil concordar-se acerca da desesperança da actual ordem do mundo», por que razão é "tão difícil desobedecer-lhe"? Numa minuciosa reflexão filosófica, com base em vários autores, Gros "desenterra as raízes da obediência política e do respeito pela autoridade, pondo em causa certezas adquiridas, convicções morais e convenções sociais — e leva-nos a revalorizar a responsabilidade política.
Quando o consentimento democrático não se distingue da submissão a injustiças, "Desobedecer" é um apelo à resistência ética, à força colectiva que nasce, antes de tudo, na consciência de cada um de nós."
Ninguém está acima de ninguém. Não podem coexistir seres superiores e inferiores, apenas diferentes entre si, nas suas capacidades e competências, mas com a mesma dignidade. "No momento em que as decisões dos 'especialistas' se orgulham de ser o resultado de estatísticas anónimas e frias, desobedecer é uma declaração de humanidade", sublinha Frédéric Gros.
Celebra-se, amanhã (18 de outubro), na capital madeirense, a comemoração dos 700 anos da Ordem de Cristo em Portugal e particularmente na Madeira. O evento é da iniciativa do Grémio Literário e conta com o apoio da Diocese do Funchal. Como ponto central, a acção da Ordem de Cristo nos primeiros anos do povoamento do arquipélago bem como a edificação, em 1514, da primeira diocese em território fora do continente português.
A Diocese do Funchal, criada pela bula Pro excellenti praeeminentia do papa Leão X, foi durante décadas, a maior diocese do mundo e dependia directamente da Ordem de Cristo, detendo jurisdição sobre os territórios portugueses conquistados e a descobrir no além-mar.
A criatividade inventiva do ser humano sempre foi posta à prova diante das necessidades básicas de sobrevivência ou face às possibilidades de exploração da natureza, da qual pretendia dominar e tirar o maior proveito. A História da humanidade está cheia de invenções, muitas das quais ainda hoje influenciam o progresso técnico e o avanço das novas tecnologias.
Por exemplo, a invenção do vidro, elemento imprescindível na vida quotidiana com várias utilizações, desde objectos de cozinha, laboratórios, computadores, janelas, óculos… e outros, foi descoberto na Idade do Bronze (3000 a.C. – 1200 a.C.). A descoberta da “roda”, que se integra na lista das maiores invenções de todos os tempos, a par da Internet (século XX), da bússola magnética, da pólvora, dos relógios, dos caracteres da imprensa, das baterias, do telefone, da televisão…, significou uma enorme conquista à escala planetária e extra-planetária.
Se “o mundo é composto de mudança”, como afirmou o poeta António Gedeão, também a existência humana é constituída de invenções permanentes. Em cada tempo, ano e período da História, destacam-se factos inventivos que contribuem grandemente para o desenvolvimento e progresso humanos, sem contestação aparente.
Nos nossos dias, as descobertas e as investigações tecnológicas vão no sentido de mais robótica, mais energia nuclear, mais capacidade nas comunicações móveis… Assim confirmam as importantes feiras e certames que se realizam anualmente na Europa e no mundo inteiro, com alguns desafios inerentes à própria produção científica e sob um certo olhar de desconfiança por parte das pessoas em geral, incrédulas num primeiro momento, mas certas de que a invenção do futuro é imparável, tal como no passado remoto. A mola ou alavanca que permite tudo isto parte da premissa intemporal de que “nada será como dantes”.

João Godim
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