Natália (de Oliveira) Correia, nasceu há 96 anos, no dia 13 de Setembro. Poetisa, escritora, activista dos direitos cívicos e promotoras de iniciativas culturais que se notabilizaram pelo confronto e provocação no contexto da censura do "Estado Novo", era natural dos Açores, ilha de S. Miguel, mas cedo veio para Lisboa, com a mãe, depois da separação dos pais. Na capital fez os seus estudos e iniciou, bastante cedo, a sua actividade literária.
A sua vida, durante quase 70 anos, traduziu-se por uma busca incessante de uma segurança e autoridade masculina, em parte devido à ausência do pai, o que explica em parte a razão dos seus quatro casamentos.
O seu empenhamento cultural ficou marcado pela existência do Botequim, um bar que criou no bairro da Graça, em Lisboa, em que deixou a marca de uma "imagem forte, resoluta e atrevida". Destacou-se ainda na "luta contra o fascismo e viu várias das suas obras censuradas". Com a Revolução do "25 de Abril", revolução, foi eleita deputada para a Assembleia da República, onde se distinguiu com intervenções acutilantes e difíceis de serem contrariadas.
Natália Correia morre na sua casa em Lisboa, a 16 de Março de 1993, aos 69 anos de idade.

Auto-retrato
> Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
> Natália Correia (1923-1993)
Sobrevivência da espécie humana
Há muito que o Planeta Terra é o único que até agora se conhece para "criar" e "abrigar" vida. Também é sabido que as suas potencialidades e recursos escasseiam e que a conquista do espaço é uma forma de responder às questões de sobrevivência da espécie humana e outras terrestres.
Segundo os especialistas na matéria, existem dois tipos de recursos naturais: os renováveis e não renováveis. Os primeiros são inesgotáveis ou de renovação rápida, e os outros não. Os recursos não-renováveis são aqueles que existem na natureza de forma limitada, porque a sua regeneração envolve a passagem de muitos anos. A nossa economia está assente na exploração de recursos sobretudo não-renováveis ou de lenta renovação, como por exemplo o petróleo, carvão e gás natural.

Natureza no seu estado primitivo (Ilha da Madeira)
Daí que o Fundo Mundial para a Natureza (World Wide Fund for Nature ou WWF), tenha alertado, recentemente, para a corrente "super-exploração" dos recursos naturais. A cada ano, estamos a consumir cerca de 20 por cento a mais do que pode ser regenerado e a partir de 2030 os recursos naturais não-renováveis começarão a declinar.
O relatório do Living Planet de 2016, por seu lado, indica que iremos precisar de 2,5 planetas "Terra" para nos abastecer em 2050. Também esse estudo mostra que a população mundial de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis diminuiu 58 por cento entre 1970 e 2012 devido a actividades humanas e prevê que em 2020 esse percentual suba para 67 por cento.
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) diz que em 2018, 26.197 espécies estavam ameaçadas de extinção e 33 por cento dos solos do mundo estão moderadamente ou altamente degradados. Não cuidamos a floresta e produzimos quantidades de CO2 maiores do que a produção vegetal pode sustentar. O Aquecimento Global começa a gerar as primeiras grandes tragédias e aparentemente não há grandes sinais de mudança.

Floresta Laurissilva na Ilha da Madeira, Património Mundial da Humanidade.
É neste contexto que os especialistas começas a entender o Espaço como a nova fronteira para a indústria, para a construção de satélites, estações espaciais de apoio para exploração de asteróides, da Lua e de outros corpos celestes.
Numa antevisão mais ou menos "catastrófica", e a menos que haja avanços na "computação quântica", prevê-se que a Terra não conseguirá produzir energia suficiente para alimentar os computadores do mundo até 2040, de acordo com um relatório de 2015 da Associação da Indústria de Semicondutores. Mudar a indústria para o Espaço passa a ser um plano de contingência: é obrigatório, é necessário, a nossa sobrevivência depende disso, portanto, será a curto prazo.
Entre incêndios e controvérsias incendiárias na floresta Amazónia, sempre se encontram boas notícias. Entre os milhões de árvores existentes naquele espaço natural (considerado o maior pulmão do mundo), descobriu-se que a árvore mais alta da floresta amazónica, a norte do Brasil, não foi consumida pelas chamas.
De acordo com investigadores internacionais no terreno, a árvore está localizada junto de um "santuário'" de árvores gigantes na fronteira entre os estados do Pará e Amapá, o maior exemplar da espécie Dinizia excelsa, conhecida popularmente como Angelim vermelho, e "chega a medir 88 metros de altura e 5,5 metros de circunferência". "Temos aqui uma grande descoberta e, agora, um compromisso de preservar as maiores árvores da Amazónia", consideram os especialistas.
As árvores foram identificadas com a utilização de sensores aéreos. Contudo, como avistaram árvores "com alturas superiores às comuns encontradas na Floresta Amazónica", os cientistas organizaram no passado mês de Agosto uma expedição para identificar os exemplares.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).
O futuro antecipado, mas ainda com certas reservas, é o que se vive já em vários áreas da natureza humana e animal, com o apoio dos avanços tecnológicos e científicos. O "admirável mundo novo" é uma constante nos dias actuais e quase que só existem o ilimitado e o infinito. Isto vem a propósito de mais uma "clonagem" - depois da célebre ovelha Dolly, o primeiro mamífero "clonado" em 1996 e que morreu em 2003, desta vez com um "gato insubstituível", chamado "Ajo".
Uma empresa de Pequim conseguiu clonar um gato pela primeira vez na China, um avanço científico que pode levar à clonagem de outros animais, como os Pandas. Segundo relata o jornal The New York Times, quando o Ajo morreu, o seu dono ficou destroçado. Perante o inevitável da morte, enterrou o corpo do animal num parque perto de casa, mas horas depois lembrou-se que tinha lido um artigo sobre clonagem de cães na China. Pensou, então, que essa seria uma boa solução para o seu caso. "No meu coração o Ajo é insubstituível", disse.
Não tendo o gato deixado descendência, a clonagem era o caminho, pelo que desenterrou Ajo e levou-o a uma empresa biotecnológica comercial de clonagem de animais; sete meses depois da morte do "gato insubstituível, o dono passou a conviver com uma "cópia" do felino. "É parecido em mais de 90%", afirmou o jovem chinês de 23 anos, que espera que o gato, nascido em Julho de uma gata portadora, tenha a mesma personalidade que o original.
Os proprietários de animais domésticos, com frequência traumatizados pela morte das suas mascotes, estão dispostos a pagar 250.000 yuanes (35.000 dólares) pela clonagem de um gato ou 380.000 (53.000 dólares) por um cão.
Nas últimas décadas os chineses apaixonaram-se pelos animais domésticos, que eram proibidos durante o período de Mao.
De acordo com um relatório da organização Pet Fair Asia e do site Goumin.com, os gastos relacionados com animais domésticos representaram no ano passado 171 bilhões de yuanes (23,7 mil milhões de dólares).
Mas a empresa não fica apenas pelos cães e gatos: de momento encontra-se a tentar clonar um cavalo e o próximo grande objetivo é clonar animais em extinção, incluindo pandas — processo que o país considera há 20 anos — e o tigre do sul da China.
Chen Dayuan, da Academia Chinesa de Ciências, afirmou o mês passado que a organização estava a estudar a possibilidade de clonar um panda utilizando uma gata como mãe portadora — embora um panda seja muito maior do que um gato na idade adulta, ao nascer o seu tamanho é similar e a gestação dura entre dois e três meses.
Blogs em força nas campanhas eleitorais
Blogs fazem aparentemente campanha pelo PSD na Madeira e pelo PS no continente, a troco de “anúncios” pagos por diferentes formas. Uma situação muito idêntica esteve na vitória de Donald Trump, nas eleições americanas, e que está ao rubro na Inglaterra, às voltas com o Brexit, bem como nas mais recentes revoltas dos coletes amarelos, em Paris, e das presentes contestações em Hong Kong. São campanhas em silêncio que rapidamente mudam o rumo dos acontecimentos.
O efeito das redes sociais não é para desconsiderar mas antes para dar especial atenção. As eleições na Madeira vão realizar-se a 22 deste mês (setembro), com 20 partidos a concorrer aos 47 lugares da Assembleia Regional. Quando estamos em plena campanha eleitoral os blogs mais conhecidos da ilha dão cobertura diária realçando o PSD, chegando-se ao ponto de um desses blogs ter publicado, na semana finda, uma auscultação (sondagem) supostamente junto dos seus leitores que dão a vitória ao PSD, por 46, 06 %, contra 17,02 % ao PS. Como ultrapassar isto, sabendo-se que nas últimas sondagens "oficiais" o PS e o PSD estavam tecnicamente equiparados?
Desde sempre que os resultados eleitorais na Madeira e nos Açores acabam por ter, em certa medida, reflexos nas eleições legislativas nacionais. É dado como garantido que o PSD/Nacional sairá derrotado nas eleições de 6 de outubro, ora para não colar à derrota anunciada, o presidente do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, apressou-se a dizer que “na Madeira o PSD nacional não é ouvido nem achado”. Uma demarcação subtil, não faria a mesma afirmação se o PSD/Nacional fosse dado como vencedor.
Acresce ainda que os blogs não só dão a notícia escrita, como podem complementar com vídeos, fotos e sons musicais. A queda da “imprensa” é uma realidade por muito que se tente contrariar a tendência, ao passo que os blogs não param de crescer e de influenciar no panorama regional, nacional e mundial.
Em termos de informação não há lugar para notícias menores e notícias maiores. Há notícias e somente o leitor tem a liberdade de conceder da sua importância. Foi recentemente eleito para a “liderança do Escutismo Europeu” o chefe Joaquim Freitas, do Corpo Nacional de Escutas (CNE). Um alto cargo que teve a aprovação de quarenta organizações do Comité Europeu da Organização Mundial do Movimento Escutista.
Uma notícia que reputamos de significativa distinção e merecedora de todo o nosso apreço. Não é todos os dias que um português chega a um tão alto cargo internacional num movimento que agrega milhares de jovens em todo o mundo. Nunca um chefe escutista português tinha sido eleito para tão honrosa liderança. Pena que a comunicação social portuguesa não dê o devido destaque.

Joaquim Freitas, de 35 anos, actual chefe nacional adjunto do Corpo Nacional de Escutas (Escutismo Católico em Portugal), era um dos 10 candidatos de países como a Alemanha, França, Suíça, Irlanda, Reino Unido, Polónia, Suécia, Lituânia e Macedónia do Norte e foi o que obteve a maior votação entre todos sendo assim eleito para o triénio de 2019-2022.
Joaquim Freitas vai integrar uma equipa que conta ainda com Julijana Daskalov (Macedónia do Norte), Matias Gerth (Suíça), Lars Kramm (Alemanha), Martin Persson (Suécia) e Elena Sinkeviciute (Lituânia).
Jaime Cortesão
- Cidadão, Patriota, Resistente

Um colóquio que acompanha a exposição com o mesmo nome, procura refletir sobre a dimensão política e de resistente de Jaime Cortesão em diálogo com a sua matriz cultural, forjada, sobretudo, na Seara Nova e no republicanismo radical.
Em articulação direta da teoria com a praxis, da cultura e do pensamento com a ação política, procurar-se-á revisitar o cidadão, patriota e resistente Jaime Cortesão desde a sua primeira atividade política, no ocaso da monarquia, ao patriota empenhado nos movimentos de regeneração da Pátria e de luta pela liberdade, como voluntário na I Guerra, ao intelectual seareiro pugnando pelo aperfeiçoamento do regime republicano e a elevação da Nação e, através da União Cívica, no combate contra a ditadura que assomava no horizonte.
Coexistindo em Cortesão a luta pela pena com a luta pelas armas, no advento da ditadura militar, ele encabeça, com outros, a resistência armada contra o novo regime, logo em fevereiro de 1927, e depois no exílio francês e espanhol, onde a atividade cultural e intelectual coexiste com a planificação de ações armadas e revolucionárias contra a ditadura.
Representante português no II Congresso Internacional dos Escritores Antifascistas, denuncia a ditadura salazarista e opõe-se-lhe na sua dimensão de resistente antifascista. Regressado ao país em 1940, é preso e enviado para o Aljube e para Peniche, e de seguida obrigado a expatriar-se para o Brasil, onde desenvolve uma atividade cultural fecunda e duradoura.
Regressado ao país em 1956, não baixa os braços na luta contra o Ditador que, sendo Jaime Cortesão já septuagenário, não deixa de o enviar para uma quarta prisão, já muito perto da morte, que o ceifou em 1960.
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26 outubro 2019 – sábado, 10h-18h30 / Auditório do Museu do Aljube
> Inscrição obrigatória e mediante os lugares existentes, para o e-mail: info@museudoaljube.pt ou telefone (351) 215 818 535.
Quem és tu, ó democracia?
É uma frase emblemática da peça Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, quando o Romeiro apresenta-se como um simples peregrino, mas na verdade é o próprio D. João de Portugal em pessoa, no regresso de um cativeiro de 20 anos e que já nem a mulher o reconhece: "Romeiro, romeiro, quem és tu?" ... Pergunta simbólica, carregada de maus presságios, mistérios, desgraças e medos, e que nos nossos dias talvez possa suscitar uma certa reflexão sobre o actual momento da política e governação nacionais.
As escolhas eleitorais são feitas de quatro em quatro anos, mas dificilmente dão sossego e deixam os cidadãos em paz. Promete-se muito e de tudo, desfaz-se o que foi feito anteriormente e investe-se muito nas inimizades partidárias, contra o bem comum, numa argumentação cada vez mais confusa e conflituosa. "É a democracia", são "jogos de poder", diz-se num tom resignado ou sem paciência para atender aos "importantes" da sociedade.
Na verdade, quando se luta pela sobrevivência, não há lugar para os grandes pensamentos ou reflexões; a maioria da população está arredada de certos direitos, como o direito à cultura, a uma vida mais consentânea com os seus interesses individuais, porque ganha pouco e não pode fazer outra coisa a não ser mais trabalho, com toda a sorte que já conhecemos...
Como no passado, hoje também se deve perguntar: "Quem és tu?" Quem é este que se apresenta como líder, carismático político ou competente para resolver todos os problemas? "Quem és tu", cheio de boas vontades e propostas que, à partida, sabes não irás cumprir? "Quem és tu" que, passados 45 anos de uma "revolução democrática", ainda pensas num paraíso de palavras, como se nada durante este tempo tenha progredido ao nível das mentalidades e das novas gerações?
Quem és tu, ó democracia? Não faltam respostas ajuizadas a esta questão... Lembramos, por exemplo, o que a este propósito dizia Eça de Queirós (1845-1900): "Nas nossas democracias a ânsia da maioria dos mortais é alcançar em sete linhas o louvor do jornal.
Para se conquistarem essas sete linhas benditas, os homens praticam todas as acções - mesmo as boas"; ou ainda do autor de Os Maias: "O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado"; "Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo".
Quem és tu?... Que esta questão nos faça pensar a todo o momento, ponto final.

Este trabalho surge na sequência dos 600 anos da Descoberta da Madeira" (em 2018), "os 600 anos do início dos Descobrimentos Portugueses que tiveram na Madeira uma importante plataforma", e "os 600 anos do início da globalização trazida também pelas Descobertas". Uma obra grandiosa, "pioneira", que será também editada em castelhano e em inglês.

Patrões com bons corações... A rainha Isabel II de Inglaterra decidiu aumentar, este ano, os salários dos seus colaboradores em 4 % e em 400 %. Isto numa altura em que a Libra corre o risco de perder alguma cotação face ao Euro e ao Dólar, por causa do brexit. Segundo o The Sunday Times não é a primeira vez que os trabalhadores ao serviço de sua majestade são aumentados em percentagens tão generosas. Não comparando, os colaboradores ao serviço do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, recebem pela tabela salarial da República, as horas extras pagas são migalhas face ao que paga a rainha.
NB: O salário mínimo em Inglaterra é de 1.462 euros. Em Portugal, 700 euros.
Todas as vidas são iguais
No Vietname, segundo uma crença antiga, "todas as vidas são iguais", tratando-se de pessoas ou de animais. A vida não acaba com a morte e é preciso dar provas de que assim é. Pelo menos é o que acontece num cemitério de animais de estimação em Hanói, no Vietname.
Todos os anos, é colocada sobre as lápides de cães e gatos uma variedade de alimentos, desde salsichas, uvas, leite e bolos, para que os animais voltem à vida, para uma festiva refeição.Trata-se de um banquete ritual realizado em todo Vietname em homenagem aos ancestrais mortos, cujas almas são honradas durante o chamado "Mês Fantasma" (Agosto), com uma grande refeição.
De acordo com esta tradição, dezenas de donos de animais de estimação fazem a sua comemoração particular, participando numa cerimónia solene no templo "Te Dong Vat Nga" ("Todas as vidas são iguais"), em memória dos milhares de cães e gatos que estão enterrados num cemitério local, um espaço que é administrado por um budista apaixonado por cães e que acredita que a alma dos animais deve ser tratada com a mesma dignidade que a dos humanos. "Nós amamos cães e gatos não apenas nesta vida, mas também na outra vida", defende Nguyen Bao Sinh, que inaugurou este cemitério há 50 anos.
Ele diz já ter cremado ou enterrado milhares animais, incluindo tartarugas, pássaros, peixinhos e outros mais exóticos, e cobra entre 40 e 60 euros por ano para que os donos possam ter um túmulo com uma min-ilápide para os seus animais de estimação. "É um preço baixo a pagar para quem quer ter certeza de que o seu animal ficará confortável após a morte", explica.

Se a tradição permite esta veneração pelos animais depois de terem morrido..., que dizer de tantos outros que se encontram confinados a jaulas para serem comprados para comida e oferecidos em menus de muitos restaurantes? Esta é uma questão essencial.
No entanto, o proprietário do cemitério, Nguyen Bao Sinh, um ex-soldado cujo cão o acompanhou nas batalhas durante a Guerra do Vietname, espera que o cemitério de animais de estimação ajude as pessoas a verem os animais sob uma nova luz, e que elas espalhem uma mensagem de bondade em relação a estes bichinhos. "Animais e humanos são iguais", considera. "Quando uma pessoa ama um animal, jamais será cruel com um ser humano", conclui.
Entra, hoje, em vigor a lei que pune com coimas de 25 a 250 euros quem atirar beatas para a via pública. Uma lei semelhante existiu no tempo do Estado Novo mas que não teve eficácia. As então denominadas “beatas de Salazar” penalizavam quem atirasse para o chão pontas de cigarros e de charutos, bem como quem cuspisse para o espaço público.
Esta "nova" lei é da iniciativa do PAN (Partido dos Animais e da Natureza) que é cópia do governo da ditadura. Uma lei que, pasme-se, entra hoje em vigor (publicado no Diário da República) mas que prevê um “período transitório de um ano a contar da data da entrada em vigor” para adaptação à lei. Isto é, uma lei que não tem força de lei imediata como têm todas as leis. Um absurdo.

Quanto à fiscalização, esta é da responsabilidade da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), das câmaras municipais, Polícia Municipal, Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública, Polícia Marítima e das restantes autoridades policiais. A instrução dos processos e a aplicação das coimas para quem não cumprir competem à ASAE e à Câmara Municipal respectiva, sendo que o dinheiro será distribuído pelo Estado (50%), entidade autuante (20%) e entidade que instruiu o processo (30%).
A Universidade de Qinghua, a norte de Pequim, China, lecciona a partir deste mês de Setembro a língua portuguesa, como disciplina opcional aos alunos de todos os cursos de licenciatura. Qinghua é uma das mais prestigiadas universidades chinesas, onde se formaram muitos dos líderes do país, por exemplo, o actual Presidente chinês, Xi Jinping, e o seu antecessor, Hu Jintao.
Fundada em 1911, esta Universidade foi construída a partir de um antigo jardim imperial do século XVIII, preservando os lagos, espaços verdes e edifícios centenários. Tem mais de 25 mil estudantes e destaca-se sobretudo pelo ensino de engenharia.
A aposta da Qinghua reflecte a crescente necessidade da China em formar melhores quadros para trabalhar com os países de língua portuguesa, em particular com Angola e Brasil, face ao crescimento das trocas comerciais registadas entre estes países e que só em 2018 se cifraram em 147.354 milhões de dólares (131.206 milhões de euros).
Nos últimos anos, a China tornou-se, também, um dos principais investidores em Portugal, comprando participações em grandes empresas das áreas da energia, seguros, saúde e banca, enquanto milhares de particulares chineses compraram casa em Portugal através dos chamados "vistos gold".
A contar com a Qinghua são já 34 as universidades da China continental que têm português como cadeira opcional, entre as quais 25 que oferecem também licenciaturas em português. No total, mais de 1.500 estudantes chineses frequentam agora cursos na língua de Camões.

Tolentino Mendonça acaba de ser elevado a cardeal pelo Papa Francisco, cuja cerimónia terá lugar a 5 de Outubro p.f. Passa a ser o segundo madeirense a ascender a cardeal, o primeiro foi D. Teodósio de Gouveia. O novo cardeal tem 55 anos, nasceu em Machico e desde junho de 2018 é arquivista do arquivo secreto do vaticano e bibliotecário da biblioteca apostólica vaticana.
Anteriormente, foi docente e vice-reitor da universidade católica portuguesa, Entrou para o seminário aos 12 anos e em tenra idade emigrou para Angola com a família de onde regressou logo após a revolução e independência da antiga colónia portuguesa. Uma família de pescadores que passou pela necessidade urgente de sair de Angola e regressar apressadamente como tantos milhares de retornados. Uma vida cheia de vicissitudes mas também de júbilo.

Feira do Livro nos jardins do Palácio de Belém.
Fernando Namora, este a título póstumo, e o editor Zeferino Coelho foram distinguidos pelo Presidente da República, em Lisboa, durante a 4.ª edição da Festa do Livro no Palácio de Belém, uma iniciativa acarinhada por Marcelo Rebelo de Sousa para promover o livro e a leitura.
Os escritores condecorados foram: Mário Cláudio, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique; Fernando Namora ( a título póstumo), com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade; e o ensaísta e crítico literário Eugénio Lisboa, autor de prosa e poesia, especialista na obra de José Régio e antigo presidente da Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), com a Ordem Militar de Sant’Iago de Espada.
Na área editorial, o Presidente da República distinguiu Zeferino Coelho com a Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique; e o antigo presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) João Amaral.
Breve biografia dos homenageados:
> Mário Cláudio é o pseudónimo literário de Rui Manuel Pinto Barbot Costa, nascido há 77 anos, no Porto, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, onde se licenciou também como bibliotecário-arquivista, e detém o 'Master of Arts' em Biblioteconomia e Ciências Documentais pela Universidade de Londres. A sua estreia literária deu-se em 1969, como poeta, com a obra “Ciclo de Cypris”.
Ao longo da carreira tem sido distinguido com diversos galardões. Da sua bibliografia fazem parte títulos como “Guilhermina” (1986), “A Quinta das Virtudes” (1991), “Tocata para Dois Clarins” (1992), “Peregrinação de Barnabé das Índias” (1998), “Ursamaior” (2000) e “Triunfo do Amor Português” (2004), entre muitos outros títulos versando também a poesia, o ensaio e o teatro.
> Zeferino Coelho assinala este ano 50 anos de carreira. O histórico editor da Caminho, para onde entrou em 1977, começou a carreira logo após terminar o curso de Filosofia, na Universidade do Porto. Em 1979, Zeferino Coelho tornou-se no primeiro editor de José Saramago, na Caminho, publicando uma peça de teatro, mas foi no ano seguinte, com “Levantado do Chão”, que teve a certeza de que tinha em mãos “algo em grande”.
Para este editor e autor, este foi o ponto de partida para uma parceria editorial de quatro décadas e uma amizade que perdurou até ao fim da vida de José Saramago, que morreu em 2010. Ao longo da carreira, Zeferino Coelho editou também, entre outros, Sophia de Mello Breyner Andresen, Mário de Carvalho, Mia Couto e Luandino Vieira.

> Fernando Namora nasceu há cem anos e, além de escritor, foi também ilustrador e era formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, mas cedo abandonou a prática médica. Tornou-se escritor ainda muito jovem e versou todos os géneros literários, desde o ensaio ao conto, passando pela poesia, romance, crónica e registo memorialista, tendo publicado centenas de títulos, muitos reeditados e traduzidos em diversos idiomas.
Autor de um romance autobiográfico da geração coimbrã a que pertenceu, “Fogo na Noite Escura”, em 1943, Fernando Namora publicou em 1938 o primeiro livro, “As Sete Partidas do Mundo”, que lhe valeu o Prémio Almeida Garrett. Seguiram-se títulos como “Casa da Malta”, “Minas de San Francisco”, “A Noite e a Madrugada”, “O Trigo e o Joio”, “O Homem Disfarçado”, “Cidade Solitária”, “Domingo à Tarde” e “O Rio Triste”.
Algumas das suas obras foram adaptadas ao cinema e à televisão, nas décadas de 1960 e de 1980, como "Retalhos da Vida de Um Médico" e "Domingo à Tarde".
O Papa Francisco realiza esta semana, de 4 a 6 de Setembro, uma visita pastoral a Moçambique. O Papa quer "ver a sementeira" feita pelo seu antecessor, João Paulo II, que também visitou aquele país africano de língua oficial portuguesa em Setembro de 1988, quando se registou o fim da guerra civil e abriu-se a porta à assinatura do primeiro acordo de paz do país, em 1992.
A visita de Francisco tem por título "Esperança, paz e reconciliação" e acontece um mês depois de ter sido assinado um novo acordo do paz - o terceiro no país - entre o Governo e o principal partido da oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e numa altura em que milhares de moçambicanos ainda sofrem com as consequências dos ciclones Idai e Kenneth, em Março e Abril. 
Desde que a visita foi anunciada oficialmente, a 27 de Março, um dos objectivos expressos foi de o Papa se solidarizar com as vítimas dos desastres naturais. Francisco deverá dar atenção também à difícil situação em Cabo Delgado, uma região no extremo norte do país e que tem sido palco da violência e onde estão a ser construídos grandes projectos de gás natural, cuja exploração vai começar em 2022.

João Godim
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