
Escreveu José Régio que a informação está em tudo o que está ao nosso alcance. Uma manhã de sol, alguma brisa, vamos percorrendo um trilho (levada) rodeado de laurissilva. Sons em redor apenas dos passáros e da queda das águas cristalinas, descendo as ribeiras em direcção ao mar. O ar puro tem efeito purificador.
Nas paredes de uma velha casa, sem telhado, sem portas nem janelas, lá está uma "chapa" a noticiar a bebida mais antiga do mundo. Uma "chapa" gasta, suja e pregada nuns barrotes de madeira antiga. Estamos a mais de mil metros de altitude do Atlântico, numa floresta que é património mundial e numa ilha que é considerada como o melhor destino insular turístico do mundo - A Ilha da Madeira.
Hidromel assim se designa a bebida alcoólica mais antiga do mundo. Uma bebida que vem desde a antiga Grécia à Roma sumptuosa, da Europa imperial e dos povos anglo-saxões, celtas, eslavos, vikings, entre muitas outros meridianos sociais e universais. Uma bebida produzida a partir da mistura de água com mel de abelhas. Dizem os "fazederos caseiros" que se trata de uma bebida energética, saudável... quando ingerida em pequenas quantidades. Fria tem melhor sabor!


Com os sonhos percorremos caminhos
Mais de cinco mil sapatos preenchem todo o espaço exterior de um edifício que no rés-do-chão tem um atelier formativo de criatividade e cultura. Sapatos milhões calçando milhões, percorrendo milhões e biliões. Chegamos a este ponto, algures numa cidade portuguesa fundada por povos a.Cristo, raçudos, analfabetos, calçados/descalços, guerreiros na vagabundagem de um tempo sem contagem. Porquê os sapatos? Porque visigodos, romanos, árabes e muçulmanos nunca andaram de "pata rapada" neste rectângulo que viria a ser Portugal. Os dados estão lançados... deixamos à interpretação imaginativa de cada um. Isto é arte, dizem-nos, inspirada e embebida pela cultura do sapato.
Reféns da demagogia
Um imparável turbilhão está a corroer este nosso mundo, da base ao cimo da pirâmide humana, como se tudo fosse possível sobreviver na lixeira da pobreza mental fora dos mais elementares princípios. O mundo está a ficar refém da demagogia, de políticos e governantes sem ética e sem moral, do tenebroso poder bélico e da ameaça que paira sobre a natureza e o meio ambiente.
Manda, põe e dispõe, quem tem poder, não importa como. Um lunático presidente da Coreia do Norte entende mandar misseis para os mares do Japão, e o mundo encolhe-se. Só quando passar do mar para terra e cair em cima de seres humanos indefesos então vamos virar a ponta da agulha noutra direcção. Amazónia a arder não é de agora mas é agora que o mundo amplifica os sons do pulmão do mundo, para atingir Bolsonaro. O mundo está em guerra, na Ásia, em África, na América central e do sul, e também na Europa Ucránia Russa, e no intermitente Kosovo.
Nunca o mundo foi palco de tanta demagogia como agora. Lá fora e cá dentro. Só esta de ver 21 partidos políticos na corrida às eleições legislativas portuguesas de 6 de outubro, com gastos da ordem dos 7,5 milhões de euros em acções de campanha dá que pensar. Nesta desmedida ambição não esta a bem do país mas a bem de um tacho bem remunerado. Uma política a bater no fundo e um mundo a seguir uma trajectória imprevisível.

Governantes dependem dos governados
Há 60 anos, no dia 29 de Agosto de 1959, o então governo português - liderado por Oliveira Salazar, procedeu a uma mudança política quanto ao regime eleitoral para a presidência da República. A causa foi o grande apoio popular dado à campanha do general Humberto Delgado, um ano antes; e a consequência foi que a Assembleia Nacional acabou com a eleição do Presidente da República por voto directo, substituindo-a por um colégio eleitoral restrito.
Nada mais contrário à realidade concreta e ao princípio expresso pelos filósofos e estudiosos deste assunto, como o inglês John Locke (1632-1704) que chamou a atenção para o seguinte: "Os governantes detêm o seu poder apenas pelo consentimento dos governados". Este "consentimento" é dado precisamente através do voto popular, mas nem sempre é respeitado e considerado.
Em nome de ideologias partidárias, é comum fazer-se o contrário do prometido e perspectivado, elegendo-se adversários e inimigos a todo o tempo, como se essa táctica fosse a mais natural e honesta. No fundo, como dizia alguém, quando um agente político ocupa a vida a dizer mal do outro e a ver só defeitos em todo o lado, é sinal que lhe falta um programa, uma estratégia, uma competência séria para compreender que a política é mais do que uma aparência, superficialidade, vaidade e retórica só para entreter.
> Oliveira Salazar e Humberto Delgado
O conceito de política tem a ver com a "polis", antigas cidades da Antiguidade que se destacavam pela organização em torno dos cidadãos, autênticos soberanos do seu destino, únicos responsáveis pela escolha dos governantes, sem condicionalismos, apenas orientados pelo espírito crítico da sua liberdade. Quando assim não acontece, assiste-se a situações como aquela que aconteceu em Portugal há sessenta anos, a favor de um governo ditatorial.
No próximo mês de Novembro (dia 9) vão assinalar-se os 30 anos da "queda do Muro de Berlim". Um acontecimento marcante para a Europa central que, durante três décadas, viu a Alemanha dividida em duas partes- a República Federal Alemã (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA), na sequência da partilha de despojos da II Grande Guerra entre o mundo ocidental, constituído pelos países aliados, e o então bloco da União Soviética.
Para celebrar tão importante registo histórico, a cidade de Berlim será palco de inúmeros eventos durante uma semana, através de associações, museus, instituições de ensino e grupos de artistas.
> Durante a Revolução Pacífica, centenas de milhares de pessoas levantaram as suas vozes e contribuíram para a queda do Muro”, escreve a organização na página oficial do evento, convidando as pessoas a escreverem a sua mensagem até ao dia 31 de Agosto, sob o lema “Deine Vision im Himmel über Berlin” (A sua visão no céu de Berlim).
O objectivo das comemorações é convidar os visitantes nestes dias a “aprender, lembrar, debater e celebrar”, sublinha a organização. Por exemplo, em Kurfürstendamm serão contadas histórias de berlinenses que foram separados por causa do muro, na Schlossplatz a atenção será centrada nas primeiras eleições livres; e nas paredes dos edifícios da antiga sede da Stasi, os visitantes poderão ver as exigências para a abolição da polícia secreta da então República Democrática Alemã.
Se há temas que os governos não gostam de abordar é o do ensino. É um tema que escandaliza, envergonha e põe em causa a ambição de um país quando o analfabetismo atinge milhares de cidadãos. Os países são tanto mais evoluídos quanto mais baixa é a iliteracia (dificuldade de escrever, ler e interpretar). Os portugueses não têm hábitos de leitura, não investem na cultura e pouco interesse pelo aprofundar o conhecimento.
Em 1974 (ano da queda da ditadura e início da democracia), os censos referiam que 25 % dos portugueses não sabia ler. Estamos em 2019, na fase final da segunda década do século XXI, e a taxa de analfabetismo é da ordem dos 5 %, isto é, a taxa mais alta dos países da União Europeia.
Portugal tem, neste momento, cerca de meio milhão de analfabetos (divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Decorridos quase cinco décadas da mudança da ditadura para a democracia, já não faz sentido culpar o antigo regime salazarista, pobre e cinzento, pelo baixo nível cultural dos portugueses. É que esta situação influencia (e de que maneira) a baixa produtividade e os baixos salários dos portugueses.
Os governos fogem desta doentia crise, evitam a todo o custo abordá-la, mesmo quando relatórios oficiais citam os portugueses como os europeus com uma das maiores taxas de analfabetismo. Em discurso directo: Uma vergonha.
Livros em saldo, até nos hipermercados. Leitores!!!
Nas férias acontecem conversas casuais, motivadas por encontros em lugares de origem e identidade cristã; umas com amigos, em ambientes esperados; outras inesperadas com desconhecidos em lugares de turismo e peregrinações. Assim ocorreu recentemente, nas férias na minha terra e em excursões de turismo, para mim de carácter religioso, pela Bulgária e Roménia, em igrejas e monumentos carregados de história e arte sobre a fé cristã.
As pessoas animam-se, trocam impressões, dialogam ou discutem calorosamente sobre temas religiosos e sobre assuntos cristãos católicos em que há desacordo nas convicções sobre a fé e práticas cristãs. Abundam dúvidas pessoais e situações complexas. Todos parecem procurar respostas e soluções, mas não sossegam com as apresentadas. 
Ora se fica por opiniões ora se passa à discussão acesa sobre convicções humanas e de fé cristã. Abordam-se temas de festas católicas de patronos das paróquias, procissões de velas e outras e as iniciativas de arraial com espectáculos profanos e quase pagãos.
Os interlocutores, com frequência, divergem; uns tentam conciliar tudo, nivelando pelo pensar relativista, outros defendem que nas festas da Igreja até à procissão participam os praticantes da fé; os espectáculos de diversão no arraial destinam-se mais aos que só vem para eles e que sem eles acaba tudo e as igrejas ficam vazias. Nem vale a pena alguém dizer que as festas da Igreja católica são de evangelização e celebração da fé.
Acham outros que a Igreja também pode funcionar como empresa de espectáculos profanos. Convicções tão distantes impressionam e crescem se há um padre, gente jovem ou um leigo católico envolvido na Igreja. Noutras discussões entram aspectos políticos, económicos, morais e religiosos; pobreza, injustiças sociais e os males da sociedade e culpas da Igreja. 
Cada interlocutor apresenta o seu ponto de vista, razões e argumentos. Dá-se a primeira ronda, a segunda e volta-se a repetir o já dito. Uns adaptam-se ao dizer do outro com versões revistas. Será que se converte alguém? A discussão torna-se repetitiva e desemboca num impasse. Um mantém, o outro mantém. Não se avança. De repente começa a emergir imperceptível o desejo de uns se sobreporem aos outros, de ter mais razão e de obter um pequeno triunfo.
Em linguagem chã, joga-se ao desafio de uns imitarem os outros, mas um ponto acima para serem maiores. Numa palavra, cai-se na conta de que todos procuram algo de novo sem saber bem o quê. Serão inúteis estas discussões?
Se forem sinceras como a conversa de Natanael no Evangelho (Jo 1, 45-49), talvez não. Podem, porém, envolver um erro frequente na lógica da fé e prática cristã: pretender que uns se convertam ao pensar e agir dos outros, com adesão a esta ou aquela pessoa de entre os presentes, a um livro, um autor, um sistema de pensar. Esquece-se o essencial da fé cristã e católica.
O outro não tem que se converter a qualquer dos interlocutores. Mas a Cristo e por Ele à Igreja. Estas conversas, só por si mesmas, não chegam. Alguns frutos podem vir mais tarde no encontro com Cristo. Ninguém tem que converter alguém a si mesmo. Após o impasse, ocorre falar com o Interlocutor da fé, Cristo, como aconteceu com Charles de Foucault quando se apresentou cheio de dúvidas na igreja de Santo Agostinho de Paris ao padre que estava a confessar.
Tenho muitas dúvidas e desejava falar consigo, disse. O padre, após um momento de pausa, disse; ajoelhe-se e confesse-se! Errado, dirão alguns, mas não foi. Ali mesmo realizou o encontro com Jesus Cristo e não apenas com o sacerdote.
Ocorre lembrar uma frase de entrevista de Marcelo Rebelo de Sousa (Expresso, 3.08.2019, cad. p.33): «Da mesma forma que nunca conseguirei convertê-lo (Ferro Rodrigues) ao catolicismo ou ao PSD, nunca conseguirei passar a ser ateu nem socialista».
Nas polémicas sobre a fé cristã não seria de recorrer mais vezes à conclusão: agora é a vez de cada um falar com Aquele que se procura e em quem se deseja confiar e acreditar? Ele acabará por responder e esclarecer as dúvidas, mas não todas de uma vez.
Férias, Agosto, Festa de S. Bartolomeu de 2019 / Aires Gameiro
A competição entre povos e países comanda o progresso e o desenvolvimento dos mesmos, quando orientados para se fazer sempre mais e melhor e não apenas para dominar ou asfixar um inimigo ou adversário à partida. É, pelo menos, o que se espera da competição desportiva em larga escala, isto é, a um alto nível, em que os contendores são grandes potências em vários sentidos.
Actualmente, assiste-se, a nível mundial, ao confronto económico e comercial entre os EUA e a China, por exemplo..., com resultados favoráveis mais para os americanos...; no entanto, há 11 anos, os asiáticos ganharam supremacia na conquista de vitórias desportivas... Foi a 24 de Agosto de 2008. Com 51 medalhas de ouro, 21 de prata e 28 de bronze, a China "venceu", pela primeira vez, na sua história, o quadro de medalhas - com base no critério de mais títulos -, e deixou os Estados Unidos em segundo lugar (36 medalhas de ouro).
A China ganhou em modalidades (tiro com arco, esgrima, vela, voleibol de praia) onde não tinha força e manteve os êxitos naquilo em que já era superior (ténis de mesa, badminton, saltos para a água ou halterofilismo).

Salvador Sobral canta Maximiano de Sousa (MAX). O vencedor do Festival Eurovisão da Canção, em 2017, esteve na Madeira para cantar e gravar músicas que figuram para sempre no albúm discográfico português. "Casei Com Uma Velha" faz parte do repertório do famoso MAX (1918 - 1980), artista madeirense que figurou no top da canção, teatro e televisão, em Portugal e no estrangeiro, nos anos 40/70 do século XX. Êxitos para recordar.
Video > https://www.youtube.com/watch?list=RDLBy-cyqLpyE&v=LBy-cyqLpyE
(MAX)
A celebrar os 50 anos, a Ulmeiro regressa às edições com a célebre obra de Agostinho da Silva, "uma exaltação da liberdade de pensamento", publicada pela primeira vez em 1945, pouco depois de o filósofo ter passado pelas celas do Aljube-

4 setembro 2019 – quarta, 18h30
Auditório do Museu do Aljube (Lisboa)
Agostinho da Silva - Espaço Ulmeiro, julho 2019
Apresentação de Miguel Real
Inscrição obrigatória e mediante os lugares existentes, para o e-mail: info@museudoaljube.pt ou telefone (351) 215 818 535.
Sistema eleitoral manipulador
Em tempo de campanha eleitoral, é sempre bom conhecer alguns princípios clássicos em relação a candidaturas e eleitores em geral. Nem de propósito, acaba de ser publicado em português, pelas Edições 70, o "Pequeno Manual de Candidatura Política" atribuído ao político romano Quinto Túlio Cícero.
Apesar do editor lembrar que "o sistema eleitoral que Cícero (106 a. C.- 43 a. C.) conheceu nas últimas décadas da República romana é bastante diferente do nosso", permanecem actuais "os mesmos princípios que regem uma campanha eleitoral", ou seja: "assegurar o sustento das pessoas influentes e conciliar a massa dos eleitores, manipulando-os com subtileza e de forma ardilosa.
Nesta obra, redigida em 64-65 a.C., "aquando da disputa do irmão, Marco Cícero, por um lugar no Senado, Quinto Cícero indica o caminho que qualquer candidato deve seguir de forma a atingir o seu objectivo e fornece para tal conselhos precisos e metódicos. Este pequeno tratado chegou até nós como sendo um esboço das linhas fundamentais de uma campanha eleitoral perfeita", sublinha o editor. Está tudo lá, dizemos nós, é um verdadeiro manual nesta matéria que não passa de moda.
O autor, Quinto Túlio Cícero (102 a.C. - 43 a.C.), foi soldado e líder militar, e era irmão do famoso causídico, orador e político romano Marco Túlio Cícero (106 a.C. - 43 a.C.) que desempenhou altos cargos da governação romana e escreveu uma vasta obra, também ainda hoje merecedora de ser conhecida.
Um sistema eleitoral com mais de dois mil anos centrado na manipulação dos eleitores. Ontem como hoje!

São tantas as ordens espirituais religiosas existentes no mundo que não há uma definição na plenitude. Todas seculares, todas universais, todas conducentes ao misticismo. A maçonaria está em Portugal desde o século XVIII e sempre foi vista como uma ordem de “poder com influência secreta”.
Descobre-se, inesperadamente, uma mão cheia de políticos maçons, uns ligados à banca e a outras áreas do poder público e privado. Qual é a influência da maçonaria em Portugal? Onde começa e até onde se eleva o seu poder? Apenas se sabe (veio a público) que o PSD, PS e CDS/PP são os partidos com mais maçons… com azimutes apontados às eleições legislativas de 6 de outubro p.f. A maçonaria está prenhe de políticos.
Antídoto para o populismo
No contexto da actual globalização, caracterizada por “uma economia cada vez mais distante da ética” e das pessoas concretas, e ainda pela “política espectáculo” que dá lugar ao aparecimento de “populismos” nefastos, há que dar voz às “minorias” e “movimentos populares” que trabalham pela “força do nós”, a favor do “humanismo”, em oposição à “cultura do eu”.
Assim considera o Papa Francisco, numa recente publicação intitulada “A afirmação dos Movimentos Populares: a Rerum Novarum do nosso tempo”, em que assina o próprio prefácio.
Este novo livro resulta de um conjunto de texto compilado pela Pontifícia Comissão para a América Latina, através de um trabalho de acompanhamento feito por milhares de associações sociais e cívicas em todo o mundo nos últimos cinco anos.
Para Francisco, os Movimentos Populares que integram e representam os mais carenciados são como “o fermento de uma profunda transformação social. Uma fonte de energia moral para revitalizar as nossas democracias”, pois, “o antídoto para o populismo e para o chauvinismo político está nos esforços da iniciativa cívica organizada”.
“Os Movimentos Populares representam uma importante alternativa social”, como que “um grito” que ressoa das “entranhas” da sociedade, “um sinal de contradição, e uma esperança de que tudo pode mudar”, sublinha o Papa. “Os Movimentos Populares são a demonstração tangível e concreta de que é possível seguir um rumo contra corrente à cultura actual… através da criação de novas formas de trabalho centradas na solidariedade e na comunidade”, afirma.
Ao resistirem à “tirania do dinheiro”, através da sua labuta e sofrimento, os Movimentos Populares afirmam-se também como importantes “sentinelas” na salvaguarda de um futuro melhor, acrescenta Francisco, que apela a um “novo humanismo” capaz de contrariar a actual falta de compaixão e de cuidado com o bem-comum.
Os dias das pequenas coisas
O Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa, vai acolher uma exposição documental / biográfica da artista Sarah Affonso (1899 - 1983). O evento tem inauguração prevista para o próximo dia 12 de Setembro, intitula-se “Sarah Affonso. Os dias das pequenas coisas”, e destina-se a celebrar os 120 do nascimento da artista modernista, que também foi companheira de Almada Negreiros (1893-1970).
Nesta exposição, aborda-se a formação artística de Sarah Affonso, “revelando uma criadora multifacetada, com obra que vai de uma multiplicidade de registos de desenho à pintura, passando pelo bordado e que se manifesta também de modo muito particular na relação com a paisagem, intervindo e criando, paisagística e pragmaticamente, o entorno da casa da família” em Bicesse, Cascais.
Última aluna de Columbano Bordalo Pinheiro, na Escola de Belas-Artes de Lisboa, Sarah Affonso partiu em 1924 para Paris, onde frequentou a Académie de la Grande Chaumière. Na sua segunda estada parisiense, entre 1928 e 1929, expõe no Salon d’Automne, com boa receção crítica, e trabalha num atelier de modista, executando desenho de moda, prática à qual em Portugal dará continuidade na imprensa. Ilustradora, na imprensa periódica e para diversos livros de escritores, como Fernanda de Castro, mantém ao longo de várias décadas acptividade como pintora, com particular destaque para o retrato.
Reconhecida pelos pares e pela crítica, premiada com o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, em 1944, organizou várias exposições individuais nas décadas de 1920 e 1930. Contudo, em 1978, cinco anos antes da sua morte, a crítica Sílvia Chicó, escrevendo para um catálogo de uma exposição que reunia retratos de Sarah Affonso de 1927 a 1947, referia a mostra como “uma importante contribuição para o conhecimento de uma obra, em grande parte ignorada pelo público”.
A especialista apontava que “toda a mostra que faça sair uma obra da obscuridade, se torna relevante, num país onde a história da arte do século XX é ainda mal conhecida, e onde Sarah Affonso tem um lugar preciso”, recorda o Museu do Chiado.
A Rua de Santa Maria, no Funchal, foi a primeira artéria construída pelos europeus fora da Europa continental. Foi a primeira rua na Ilha da Madeira, com mais de 600 anos, e a primeira nos territórios que os portugueses foram descobrindo por esse mundo fora. Uma rua à beira mar, protegida por duas fortalezas (Santiago e São Lourenço), e berço de templos seculares: igreja de Santa Maria Maior, capela de Santiago Menor, Sé do Funchal e Capela de Santa Catarina.
Há dez anos, um projecto inovador intitulado “Arte de Portas Abertas” começa a dar novos rostos às antiquíssimas portas de moradias, primeiro a recuperação material original e depois as artísticas pinturas. Imagens elogiadas por residentes e estrangeiros. Em pouco tempo, as portas-pintadas são reportadas na imprensa e televisões de vários países da Europa e do Mundo. A rua de Santa Maria passa a figurar nos programas turísticos internacionais.
Uma iniciativa que tem sido seguida por outros municípios portugueses e estrangeiros, tudo a “custo-zero”, sendo de louvar os artistas que emprestam a sua criatividade na recuperação de portas que aparentemente apresentavam avançado estado de degradação. “Portas com Arte” na rua de Santa Maria diariamente visitadas por centenas/milhares de turistas. Um tema para explorar neste Dia Mundial da Fotografia.


A arquitectura religiosa é ímpar e magestosa. Dá-nos a conhecer a história do tempo e da evolução, leva-nos à identificação de culturas com a idade vivida, deixa-nos um património inapagável. Aqui estão duas imagens de um claustro pertencente a um convento secular português. Claustros semelhantes vamos encontar em muitos mosteiros, abadias, catedrais e conventos de norte a sul do país e regiões autónomas da Madeira e dos Açores. Um todo milimetricamente edificado.
Corte portuguesa foi para o Brasil
Cada ser humano transporta em si próprio um estado de liberdade e de exílio, como demonstram grandes exemplos do passado, em termos da História social e política. Chefes e líderes excepcionais sempre se destacaram em cada época e deixaram algumas lições para o futuro no tocante à governação, excluindo os anacronismos e as características ou exigências inerentes a cada tempo.
Exemplo maior destas considerações históricas é Napoleão Bonaparte (1769-1821), político, militar e imperador francês que, na sequência da Revolução de 1789, alterou o mapa da Europa e colocou em sobressalto as monarquias então vigentes.
Napoleão Bonaparte cedo se evidenciou na "carreira das armas". Partidário dos ideais da Revolução, teve "uma fulminante ascensão na carreira militar devido às suas brilhantes e estrondosas vitórias nos campos de batalha".
Ascendeu aos mais altos cargos da governação, promoveu reformas estruturais de largo alcance e foi escolhido pelo senado, em 1804, imperador dos franceses com o nome de Napoleão I, Sob o seu comando, invadiu Estados soberanos e países seus vizinhos, causando mudanças nunca vistas, como a mudança da corte portuguesa de Lisboa para o Rio de Janeiro, em 1808, no contexto das chamadas "invasões francesas".
Mas, como nada é eterno, Napoleão sofreu uma pesada derrota em 1815, em Waterloo, que ditou o seu afastamento do poder e o exílio na ilha de Santa Helena onde viria a morrer, aos 52 anos de idade... Foi no dia 17 de Agosto de 1815 que Napoleão Bonaparte chegou a Santa Helena, "lugar do desterro".
"A Ilha de Santa Helena situa-se a 1.860 km da costa da África. Tem comprimento de 17 km e largura de 10 km". Consta que tenha sido "descoberta pelo navegador português João da Nova, em 1502. Nos anos 1640, foi ocupada pelos holandeses. Em 1659, tornou-se um domínio da Companhia Inglesa das Índias Ocidentais, que trouxe muitos escravos africanos". Durante o exílio de Napoleão, o governo da ilha estava nas nãos da Coroa Britânica.
Historicamente falando, sabe-se ainda que "o barco que transportava Napoleão Bonaparte, e sua mulher Josefina, a caminho do exílio em Santa Helena, fez uma paragem na ilha da Madeira. Napoleão seguia a bordo da Northumberland, nau almirante da esquadra inglesa comandada pelo almirante George Cockburn.
O cônsul geral britânico na ilha, Henry Veitch, um escocês, terá subido a bordo e oferecido ao antigo imperador um cabaz de produtos madeirenses: frutas, doces e vinho. Uma lenda local, acrescenta a possibilidade de Napoleão e Josefina terem desembarcado furtivamente para um jantar de luxo oferecido pelo cônsul em sua casa."

Joaquim da Silva, 89 anos, é um entre os milhares de emigrantes portugueses no Brasil. Emigrou jovem e desde jovem enveredou pela arte de sapateiro, até se estabelecer com uma pequena loja em Ipanema, no Rio de Janeiro. É dos seniores portugueses mais conhecido da capital carioca e faz questão de dizer que a felicidade está naquilo que se faz e se gosta fazer. À beira de fazer 90 anos vive feliz, tranquilo e em paz.

Porta-mistério ou mistério do outro lado da porta! Escreveu Alexandre Herculano que "a porta abre e fecha segredos, tantas quantas vezes sábios como funestos, ainda que seja útil para impossibilitar e impedir o alcance dos curiosos".

"O homem, à maneira que perde a virilidade do carácter, perde também a individualidade do pensamento. Depois cai na ignorância e na vileza", considera José Maria Eça de Queiroz (1845-1900), escritor e diplomata português, que morreu aos 54 anos de idade, no dia 16 de Agosto de 1900.
Autor dos mais representativos do século XIX, em Portugal e na Europa, deixou uma obra ainda hoje notável, quer pelos temas tratados e objectivos com que pretendia a mudança de mentalidades. Viveu num século de amplas transformações, foi influenciado pela escola realista francesa, teve oportunidade de acompanhar o país à distância, mas sem o abandonar, e destacou-se como um mestre de referência em relação à língua, ao vocabulário e à gramática portuguesa.
Como escreveu Ernesto Guerra da Cal, especialista da linguagem e do estilo de Eça de Queiroz: "O mérito literário do romancista (dos Maias e da Cidade e as Serras, entre outros títulos) cedo foi revelado em Portugal pelos seus companheiros da unida 'Geração de Coimbra'. Ramalho Ortigão - seu fiel amigo- Teófilo Braga, Batalha Reis, Guerra Junqueiro, Luís de Magalhães, patentearam ante o público português a alta qualidade da sua criação romanesca.
Da geração seguinte: Fialho de Almeida, Moniz Barreto e Pereira Sampaio ('Sampaio Bruno') dedicaram-lhe páginas críticas de grande interesse. A partir da morte de Eça até hoje, rara é a figura crítica ou literária de alguma importância que lhe não tenha prestado atenção (...)."
"Hoje pode dizer-se que um alto lugar lhe está definitivamente assegurado. A crítica e o público proclamam-no como um dos clássicos das letras ibéricas e uma das indubitáveis contribuições destas à literatura universal", considera ainda Guerra da Cal (natural de Espanha, no ano de 1911, e falecido em Lisboa em 1994).

João Godim
FREELANCER
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