Quando o nosso voto decide
Apenas por uma questão de manter os roinesianos e leitores do n/blog informados, achamos por bem dar a conhecer os resultados da sondagem feita pela Multidados para a TVI, ontem divulgados (30-07-2019), tendo em vista as eleições legislativas de 6 de outubro próximo. À distância de dois meses do acto eleitoral é sempre bom estarmos informados, na medida em que somos nós, eleitores, a decidir quem deve governar o país nos próximos quatro anos.
Resultados da sondagem, ontem, divulgados:
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PS |
35,5% |
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PSD |
20,3% |
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BE |
14,7% |
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PAN |
7,9% |
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PCP/PEV |
5,6% |
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CDS-PP |
3,3% |
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Outros |
5,0% |
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Brancos/Nulos |
7,7% |
Dos seniores é que reza a história
Viver uma eternidade é aspiração legítima do ser humano, desde os tempos primordiais até aos nossos dias, tendo em conta os condicionalismos e possibilidades para tal. Para a maioria, será uma utopia, mas não deixa de ser interessante conhecer quem tenha atingido a "barreira" dos 100 ou mais anos. É o caso de Maria Virgínia Pestana, que faleceu aos 111 anos, no primeiro dia de Agosto de 2010.
Foi membro da primeira turma de mulheres a entrar no ensino superior português, em 1917, e fundadora da primeira república estudantil feminina de Coimbra. Maria Virgínia (de Abreu Ferreira de Almeida Pestana) era natural do Porto, onde nasceu em Abril de 1899. Depois dos estudos liceais, em Viseu, foi para a Universidade de Coimbra estudar Ciências Físico-Químicas.Deu aulas em Lisboa e no Liceu Infanta Dona Maria, em Coimbra, até se reformar aos 75 anos de idade.

Maria Virgínia casou com Ernesto Pestana, que foi Governador Civil de Coimbra nos anos 50 do século XX; teve seis filhos, vários netos e bisnetos. Em geral, "gozava de boa saúde à excepção de dores nos ossos e preservava o bom humor. A sua boa visão ainda lhe permitia que lesse jornais e revistas sem óculos. Havia muitos anos que não comia carne nem peixe, alimentado-se essencialmente de fruta e leite."
Outros seniores ficaram na História, como exemplo de saudável longevidade:
- Maria do Couto Maia-Lopes (1890-2005), considerada, até hoje, a segunda mulher mais velha portuguesa de sempre;
- Augusto Moreira de Oliveira (1896-2009) ...., entre outros.
Rui Rio canta o Hino da Independência
Rui Rio foi ao planalto do Chão da Lagoa, bebeu a famosa poncha da Madeira feita com o “caralhinho”, andou como um desconhecido no meio da multidão, ouvi os crónicos e virulentos discursos contra a República e, por fim, teve que ouvir o hino “Madeira Livre” apelativo à independência.
Às claras, o PSD há muito que esboça o pedido à autodeterminação do Arquipélago da Madeira, ante uma multidão que parece embriagada pelo sumo da poncha adocicada feita com aguardente de cana-de-açúcar, limão e mais uns pequenos segredos. Rui Rio ouviu e também timidamente cantou! Na ilha mandam os ilhéus.

Cantar o Hino da Independência da Madeira na cara de um líder nacional do PSD, partido com presenças regulares na governação de Portugal, é como ouvir os líderes africanos a cantar os Hinos da Guiné, Angola, Moçambique e de outros territórios na altura sob a bandeira portuguesa. Eram presos, mandados para o Tarrafal. “Madeira és livre e livre serás…” é um claro apelo ao desapego do poder português que há 600 anos aqui se instalou. O que acontece, interrogam os independentistas, zero!
Rui Rio, em silêncio, fez o sorriso fabricado. Madeira é uma “Terra Livre” está “fora da enclausura” dizia empolgado Miguel Albuquerque, presidente do governo que não faz esquecer Alberto João Jardim, insistindo no “abaixo os colonialistas”. A Festa do Chão da Lagoa do PSD mantém a matriz ostensiva contra Portugal, como se todo o mal na Ilha fosse por culpa dos governos republicanos portugueses.

E o povo sem saber bem o porquê destes desaforos vota no PSD desde as primeiras eleições democráticas, vai para 45 anos sucessivos. Uma democracia já gasta que se confunde, muito de perto, com a ditadura. Maiorias absolutas durante muitos anos em nada se distinguem dos regimes ditatoriais, do mando e posso.
Aprender com os sábios do seu tempo
Um dos intelectuais portugueses mais prestigiados dos últimos 50 anos, Pinharanda Gomes, faleceu este sábado (27 de Julho), poucos dias após ter completado 80 anos de idade. Filósofo, escritor, historiador..., distinguiu-se pela busca profunda do saber, as origens da identidade primordial do ser humano, as raízes do pensar português.
Autodidacta, conviveu com os maiores vultos do pensamento nacional, nos finais do último século, como Álvaro Ribeiro (1905- 1981), José Marinho (1904-1975)..., nas tertúlias literárias e filosóficas que então se realizavam em vários cafés de Lisboa, num ambiente de aula aberta, em que mestres e discípulos se confrontavam com humildade e simplicidade.
Admirador e estudioso de outro grande filósofo - Leonardo Coimbra (1883-1936), Pinharanda Gomes é autor de uma vasta e significativa bibliografia, em que abundam os temas clássicos, de muito interesse para todos os tempos: Filosofia Grega Pré-Socrática, A Patrologia Lusitana, A Filosofia Hebraico-Portuguesa, A Teologia de Leonardo Coimbra, Pensamento Português (sete volumes).., entre tantos outros títulos.
Jesué Pinharanda Gomes (1939- 2019) era natural de Sabugal, concelho do distrito da Guarda. Muito cedo, veio para Lisboa para estudar na Faculdade de Letras, mas cedo trocou a aprendizagem académica pela liberdade de investigar na Biblioteca Nacional e aprender com os sábios do seu tempo, nas tertúlias dos cafés,,, .
Em vida, Pinharanda Gomes foi distinguido com Prémios universitários, homenagens, colóquios e estudos de jovens investigadores. Resta continuar a perpetuar a sua memória com a leitura indispensável das suas obras, verdadeiros guias que nos podem orientar na excessiva informação/desinformação dos nossos dias e na superficialidade dos temas transitórios.

O Presidente da República confirmou esta semana que as comemorações do 10 de Junho de 2020 decorrerão na Madeira e na África do Sul.; e que escolheu o arcebispo e poeta José Tolentino Mendonça para presidir às respectivas comemorações nacionais.
Marcelo Rebelo de Sousa referiu que o teólogo e poeta madeirense José Tolentino Mendonça é "uma figura conhecida pela sua independência, pela sua criatividade" e por "dar voz a sectores importantes da sociedade portuguesa".
Considerou ainda que Tolentino Mendonça "é um homem da cultura" e "um homem do diálogo", que "valoriza a democracia portuguesa, valoriza o pluralismo na sociedade portuguesa". "Foi uma honra ter podido aceitar, apesar das funções que exerce na Santa Sé, no Vaticano", acrescentou o Chefe de Estado.
Tolentino Mendonça nasceu em Machico, na Madeira, em 15 de Dezembro 1965, e foi ordenado padre em 1990. No ano passado, foi nomeado pelo Papa Francisco arquivista e bibliotecário do Vaticano, com a categoria de arcebispo.
Não há direitos inalienáveis
"O destino da democracia e de tudo a que chamamos de 'civilização' depende da nossa capacidade, agora, para construirmos sociedades plurais e harmoniosas. Esta será, estou certo, a grande obra deste século", disse recentemente o escritor líbano-francês Amin Maalouf, em Lisboa, onde veio receber o Prémio Calouste Gulbenkian de Direitos Humanos, uma distinção que lhe foi atribuída por um júri presidido pelo antigo Chefe de Estado português Jorge Sampaio.
O escritor, autor de obras como "As Cruzadas Vistas Pelos Árabes" e do recente ensaio "O Naufrágio das Civilizações", afirmou que "a humanidade é uma só" e que "não há direitos inalienáveis para os habitantes de um continente e direitos diferentes para os habitantes de um outro".
"Há uma exigência de dignidade humana que transcende todas as diferenças, todas as filiações e todas as crenças seculares ou religiosas. No momento em que nos permitimos admitir, mesmo implicitamente, mesmo inconscientemente, que existem várias humanidades distintas, cada uma com suas próprias normas, perdemos toda a bússola moral e derivamos para a barbárie", alertou.
> Evitar esta deriva exige de todos uma vigilância permanente" e há que "agir a montante, para identificar o surgimento de preconceitos, discriminações, impaciências e intolerâncias", sublinhou Amin Maalouf.
"A primeira tarefa dos dirigentes políticos, como dos professores, dos escritores e dos artistas, assim como dos jornalistas, é construir nas mentes dos seus contemporâneos uma cultura da paz e da coexistência. Trata-se de uma missão delicada, mas é a missão que a História atribuiu às nossas gerações, e não temos outra escolha senão assumi-la plenamente, com coragem, com eficiência e com paixão", acrescentou.
Fundado em 1863, no Funchal
O Museu de Fotografia da Madeira - Atelier Vicente's, o único do país inteiramente dedicado à fotografia, reabre na próximo dia 29 (segunda-feira), após cinco anos de encerramento e obras orçadas em 1,7 milhões de euros. "Estamos a falar de uma casa de fotografia oitocentista, a mais antiga do país, que passou por quatro gerações da mesma família, portanto estamos a falar de um património que diz muito aos madeirenses, fez parte do quotidiano e da vivência da Madeira”, revelou a secretária do Turismo e Cultura, Paula Cabaço.

O Atelier Vicente’s, - Museu de Fotografia da Madeira, foi fundado em 1863 por Vicente Gomes da Silva e manteve-se operacional até 1978, ano em que o edifício, localizado na Rua da Carreira, Funchal, e o espólio com mais de 1,5 milhões de negativos, foram adquiridos pelo Governo Regional.
Em 1866, três anos após a abertura da casa, Vicente Gomes da Silva recebeu o título de fotógrafo da Imperatriz Elisabeth (Sissi) da Áustria e, em 1903, o de fotógrafo da Casa Real Portuguesa, o que contribuiu ainda mais para a sua importância, tornando-se num dos estúdios mais bem apetrechados do século XIX.
O espaço abriu ao público em 1982 como museu e em 2014 encerrou para obras, tendo o Governo regional investido 1,2 milhões de euros na reabilitação do prédio e 500 mil euros, com comparticipação comunitária de 85%, no restauro e salvaguarda do respectivo acervo que integra ainda outros contributos de importantes fotógrafos madeirenses, como os Perestrellos. “Queremos ir mais além neste espaço museológico, queremos que o Museu de Fotografia – Atelier Vicente’s seja uma referência ao nível nacional e queremos que possa projectar a Madeira internacionalmente nesta área”, defende a actual responsável pela cultura no Governo regional.
O espaço reabre com uma exposição temporária, patente até Outubro, intitulada “Tesouros da Fotografia Portuguesa do século XIX”, mantendo, ainda, uma exposição permanente representativa dos vários autores incluídos no acervo, onde consta o espólio de praticamente todas as grandes casas madeirenses de fotografia dos séculos XIX e XX.


60 quilos de plástico, por pessoa / por ano
Há milhentas formas de questionar o bem e o mal do plástico. O mal já todos sabemos pelos resultados científicos divulgados como uma praga que contamina o subsolo, adultera as águas e causa de doenças. O bem é o que se vê no imediato, meio fácil e resistente para ser usado pelo humano em muitas actividades comerciais (sacos, garrafas, etc.). Entre o bem e o mal, mais mal que bem, há necessidade de esclarecer a opinião pública.
Há zonas do globo onde o plástico cobre completamente as águas do mar, casos mais visíveis no Pacífico. Todos os dias morrem milhares de peixes asfixiados por plásticos, bem como aves e outros animais. Muitas campanhas contra o uso do plástico decorrem em todo o mundo mas os efeitos práticos estão muito aquém do desejável.
Na Alemanha (fotos acima) o governo pôs em acção uma iniciativa de grande visibilidade; autocarros cobertos de sacos de plástico percorrem todo o país, dispondo de muita informação, do bem e do mal. DIzem-nos que o impacto junto dos cidadãos tem sido muito positivo.


Em média, cada pessoa, utiliza 60 quilos de plástico por ano. Desde 1950 até 2018, foram produzidas 8, 3 biliões de toneladas de plástico.
Em 2006, a colecção de 862 obras de arte estava avaliada em 316 milhões de euros, hoje a estimativa é superior a 400 milhões de euros. Estamos em presença de uma colecção das mais valiosas do mundo artístico, onde pontificam obras raras de Jean Dubuffet, Joan Miró, Yves Klein, Piet Mondrian, Duchamp, Picasso e Andy Warhol, entre outros artistas de renome mundial.

A polémica em torno de eventuais dívidas do comendador Joe Berardo à banca tem colocado a riquíssima colecção no centro de “garantia de crédito” o que, a acontecer, poderá fazer desmembrar um museu que figura como dos mais famosos do mundo, com destaque para obras de arte do século XX. Um cenário que seria drástico para Portugal e para a cultura universal, com sede em Belém (Lisboa).
Génio da guitarra portuguesa
Faz hoje, dia 23 de Julho, 15 anos, que morreu Carlos Paredes, mestre da guitarra portuguesa, compositor de "Verdes Anos", "Movimento Perpétuo", "Guitarra Portuguesa", "Espelho de Sons" e "Dança". Tinha 79 anos.
Carlos Paredes nasceu em Coimbra, em Fevereiro de 1925. "Filho de Artur Paredes, neto de Gonçalo Paredes e sobrinho-neto de Manuel Rodrigues Paredes, é herdeiro de uma vasta tradição familiar onde a guitarra esteve sempre presente".
> Com o pai Carlos Paredes aprendeu as primeiras posições de mão na guitarra e, por brincadeira, começou com cerca de 9 anos a acompanhar o pai. Mais tarde, já com 14 anos, apresenta-se em parceria com Artur Paredes num programa semanal, da autoria deste, na Emissora nacional. Por volta de 1934 a família instala-se em Lisboa". A partir de então, desenvolveu o seu próprio estilo; recebeu vários prémios e gravou o seu primeiro disco em 1957.
A propósito do 15.º aniversário do seu falecimento, um novo avião da TAP recebeu esta semana o nome de Carlos Paredes, depois de Amália e, mais recentemente, Zé Pedro dos Xutos & Pontapés.
Video (música) >h ttps://www.youtube.com/watch?v=s2TLCGcj6y8
A igualdade de direitos conquista-se com ambição, lucidez e resiliência. A sorte e o azar não são determinações da natureza, não se ganha ou se perde por força do destino, nada na vida acontece porque tem que acontecer, queremos, então vamos à luta, lutemos e lá chegaremos. Foram estas as máximas que motivaram as mulheres islandesas para a igualdade de direitos, em 1975.
No mesmo ano em que Portugal ensaiava os primeiros governos livres no dealbar da democracia instituída um ano antes. “As mulheres islandesas entraram em greve – recusaram-se a trabalhar, cozinhar e cuidar das crianças por um dia. O momento mudou a forma como as mulheres eram vistas no país e ajudou a colocar a Islândia na vanguarda da luta pela igualdade”, relatos dos acontecimentos da altura.

Passados cinco anos da primeira greve, em 1980, Vigdis Finnbogadottir, "uma mãe solteira, divorciada, conquistava a Presidência do país, tornando-se a primeira mulher presidente da Europa, e a primeira mulher no mundo a ser eleita democraticamente como chefe de Estado." Isto num pais com pouco mais de 220 mil habitantes (menos população do que as ilhas da Madeira e dos Açores, cada qual com mais de 260 mil habitantes) e que regista um dos melhores índices de qualidade de vida.
O primeiro rali foi há 125 anos
Há 125 anos, no dia 22 de Julho de 1894, nascia oficialmente o desporto automóvel com a realização da corrida Paris-Ruão, num percurso de 126 Km.
Foram admitidos todos os tipos de motor, mas após as eliminatórias apenas ficaram apurados carros a vapor e a gasolina. O primeiro carro a transpor a meta foi um "Dion-Bouton" a vapor, tripulado pelos seus próprios construtores, o conde Albert de Dion e Georges Bouton.
Muitas corridas de carros se realizaram desde então para cá, com teste às potencialidades da novas tecnologias e às marcas em disputa. Muitos heróis e ídolos passaram pelas pistas do mundo inteiro; e o apelo para se viver de forma cada vez mais veloz intensificou-se; para trás ficaram os cavalos e as carruagens...; a era da velocidade também foi uma progressiva conquista.
Em Portugal, consta que a primeira corrida de automóveis disputou-se em Lisboa, no Hipódromo de Belém, em Agosto de 1902, sete anos após a chegada do "veículo de quatro rodas" ao País (1895).
No mundo, hoje em dia, não faltam as "corridas famosas", com destaque, para a "Fórmula 1" e "As 24 Horas de Le Mans", esta considerada uma das mais tradicionais e a maior corrida do planeta.
Quanto aos pilotos mais afamados de todos os tempos, campeões várias vezes, lembramos: Michael Schumacher, Juan-Manoel Fangio, Alain Prost, Ayrton Senna, Niki Lauda, Nelson Piquet, Lewis Hamilton, Fernando Alonso, Emerson Fittipaldi...


Estamos na época das nogueiras cheias de fruto. A colheita das nozes só lá para o último trimestre do ano, na estação outonal, por agora é ver as frondosas árvores verdejantes sobretudo no norte do país. As nozes, tal como o caju, é dos frutos mais caros e dos mais procurados. Imagens obtidas no dia de hoje, na zona norte de Portugal continental, com temperatura a rondar os 40 graus.
NB: > As nozes são um dos frutos secos oleaginosos mais nutritivos pois, além de proteínas, hidratos de carbono e lípidos insaturados benéficos para a saúde, contém também minerais como zinco, cobre, potássio, magnésio, fósforo, enxofre, ferro, cálcio e vitaminas B1,B2, B5 e carotenos. Contém também melatonina, uma substância reguladora do sono".
Notáveis da cultura portuguesa
Dois ilustres portugueses que merecem ser lembrados, neste dia 20 de Julho: o historiador José Hermano Saraiva, falecido em 2012, aos 93 anos de idade; e Helena Cidade Moura, ex-dirigente do MDP/CDE e deputada à Assembleia da República, a principal responsável pela maior campanha de alfabetização organizada em Portugal, no pós-25 de Abril, que morreu também nesta data, aos 88 anos de idade.
Duas figuras, duas personalidades muito diferentes, como da noite para o dia, mas que marcaram a sua acção cívica e de intervenção social pela dedicação à causa do bem-comum, uma causa pouco considerada, hoje em dia, e que se confunde mais com o trabalho governativo de uma legislatura de 4 anos, e com as decisões das ideologias partidárias.

José Hermano Saraiva (1919-2012), um dos rostos mais conhecidos da televisão portuguesa, antes e depois da "Revolução de 1974", foi Professor e ministro da Educação entre 1968 e 1971, após o que foi para o Brasil como embaixador.
No contexto da democracia, desenvolveu e apresentou vários programas e documentários de História na RTP, com carisma popular e grande audiência. Foi ainda autor de livros sobre a História de Portugal e grandes vultos da cultura portuguesa. Era irmão de António José Saraiva, outro nome incontornável da cultura portuguesa no século XX que foi obrigado ao exílio por discordar da ditadura do Estado Novo.
Por seu lado, Helena Cidade Moura (1924-2012), filha do grande filólogo Hernâni Cidade, dinamizou a maior campanha de alfabetização realizada entre nós, mais de 400 cursos de alfabetização um pouco por todo o país, segundo o método do pedagogo brasileiro Paulo Freire, de quem era amiga.
Foi deputada à Assembleia da República na I, II e III Legislaturas. Publicou, entre outras obras, o "Manual de Alfabetização" e foi anotadora das obras de Eça de Queirós, a par de outros projectos literários que, hoje em dia, também são pouco conhecidos.
Fez arte de uma geração de notáveis que pontificaram nas letras e na sociedade do seu tempo, tendo como colegas na universidade: Maria de Lourdes Belchior, Matilde Rosa Araújo, Maria Barroso, Sebastião da Gama, Lindley Cintra, David Mourão-Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues...
Medalha de Mérito Cultural
A pintora Paula Rego foi distinguida, esta semana, com a Medalha de Mérito Cultural atribuída pelo Governo português. A cerimónia decorreu em Londres, no atelier da grande artista, com a presença da ministra da Cultura, Graça Fonseca, do embaixador de Portugal no Reino Unido, Manuel Lobo Antunes, e de familiares.
“É um gesto simbólico, com tudo o que isso significa, mas faltava este reconhecimento com a Medalha de Mérito Cultural do Governo do seu país, do Governo de Portugal, e que era importante que fosse feito”, disse na ocasião a ministra da Cultura.
A condecoração coincide com uma grande exposição retrospectiva da obra da pintora em Milton Keynes, cidade a norte de Londres, intitulada “Paula Rego: Obediência e Desafio”, no museu MK Gallery, e abrange a obra desde os anos 1960 até 2011, com mais de 80 trabalhos, desde desenhos e gravuras em papel a colagens, e pinturas em grandes telas; esta exposição vai passar depois por vários museus da Europa, durante os próximos meses.
A maior parte destas obras foi produzida durante a ditadura portuguesa, como “Salazar a Vomitar a Pátria”, de 1960, e sobre o aborto, alguns dos quais produzidos após o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, em 1998, repetido em 2007, resultando na despenalização apenas à segunda tentativa.
“Paula Rego marcou-me muito a mim, mas também marcou muitas gerações. A campanha, a série que ela fez sobre o aborto, o quadro extraordinário do Padre Amaro, teve uma importância gigante na altura, porque é uma série que nos abana e que nos faz pensar, que coloca um enfoque completamente diferente numa questão social na altura muito séria e que conquistámos, quem defendia, e em grande parte devemos isso à Paula Rego. Há aqui várias homenagens que devemos à Paula Rego”, revelou ainda a ministra Graça Fonseca.
Nascida em Lisboa, Paula Rego, que completou 84 anos em Janeiro passado, viajou para Inglaterra aos 16 anos para terminar os estudos secundários numa escola privada e ingressou, no ano seguinte, na Slade School of Fine Art. A sua extensa obra aborda inúmeras influências, tanto da literatura tradicional infantil, como nos temas políticos e sociais, entre outros.
Desde 2009 que a obra da artista tem um museu dedicado em Cascais, a Casa das Histórias Paula Rego, o qual tem mostrado várias vezes a obra do marido, Victor Willing, falecido em 1988.
Possui dupla nacionalidade, portuguesa e britânica, e em 2010 foi distinguida com o grau de Dame Commander of The Order of the British Empire pela rainha Isabel II, pela sua contribuição para as artes. Em 2016 foi também homenageada com a medalha de honra da cidade de Lisboa.
Lei aprovada, Lei revogada
Se ainda há quem tenha dúvidas sobre o desprezo que os sucessivos governos da República têm dado aos ex-combatentes, acabámos de ser confrontados com mais uma abrupta e aberrante decisão que levamos ao conhecimento de todos os colegas/camaradas que foram obrigados a ir para a guerra, em defesa da Pátria.
O Governo tomou, ontem (17 de julho de 2019), a decisão de suspender a proposta de lei sobre o estatuto do Antigo Combatente que tinha sido aprovada, pelo mesmo Governo, a 11 de Abril deste ano. Na altura, com base nas informações que tínhamos, pusemos sérias dúvidas sobre a citada proposta de lei que o Governo se apressou a divulgar nos mass media com toda a pompa. Agora que suspende a dita proposta de lei a notícia é dada em letras pequenas e quase invisíveis.
Mas o mais caricato é a justificação que o Governo dá, por intermédio do ministro da Defesa, para a suspensão do que tinha aprovado há cerca de quatro meses. O Governo anula a proposta de lei sobre o estatuto do antigo combatente, anteriormente aprovada, por ausência de “tempo útil” e de “viabilidade”.
Caímos em mais uma emboscada. O Governo anda às turras com os Antigos Combatentes. Não há o mínimo pingo de sangue de vergonha, brutal desconsideração, com avanços e recuos a todos os títulos inqualificáveis. Felizmente da nossa parte, não estamos à espera do governo (este, quanto a esta questão, em letra minúscula) para viver, mas conhecemos antigos combatentes que têm necessidades.
Pátria e a Nação não fazem parte do vocabulário político actual, são menoridades para duvidosa democracia, para políticos e governantes metaforicamente ignorantes quanto à guerra travada em território hostil e frente a guerrilheiros (turras) que só pensavam em matar os jovens militares portugueses.
Não tenhamos ilusões, esta “retirada” da proposta de lei significa um nunca mais. Já passaram 45 anos do fim da guerra no ex-ultramar e a devida justiça não foi feita. Alimentar esperanças é iludir-se e ser traído por quem promete e não cumpre. Cada qual que tire as suas ilações. São muitas as emboscadas psicológicas e dossiers esquecidos nas gavetas do poder. Não brinquem com os Antigos Combatentes… tenham respeito por quem defendeu e deu a vida pela Pátria. No mínimo!
O mestre para Fernando Pessoa
A 18 de Julho de 1886, regista-se a morre do poeta Cesário Verde, aos 31 anos, vitimado pela tuberculose. Voz sublime, pioneiro no tratamento realista dos seus versos e "incontestável precursor da modernidade na poesia portuguesa", Cesário Verde "introduziu" nos poemas "elementos do dia a dia, situações humanas no trabalho" e "tipos sociais" menos considerados na sociedade do seu tempo. É um "poeta contagiado pelo presente, pelo espaço transitório (...), pela presença de um olhar em movimento", na opinião do especialista Ricardo Daunt.
Verde (1855-1886), foi saudado por Fernando Pessoa (1888-1935) como Mestre. A sua obra reflecte as sensações do mundo urbano em que viveu, em particular as "ruas de Lisboa" que calcorreou vezes sem conta, quando ia a caminho do trabalho, na loja de ferragens e quinquilharias (loja de comércio familiar) localizada na rua dos Fanqueiros. Os seus poemas são pinturas concretas, narrativas do que acontece aqui e agora, aprendizagem da atenção ao que nos rodeia...
NUM BAIRRO MODERNO
Dez horas da manhã; os transparentes
Matizam uma casa apalaçada;
Pelos jardins estancam-se as nascentes,
E fere a vista, com brancuras quentes,
A larga rua macadamizada.
Rez-de-chaussée repousam sossegados,
Abriram-se, nalguns, as persianas,
E dum ou doutro, em quartos estucados,
Ou entre a rama do papéis pintados,
Reluzem, num almoço, as porcelanas.
Como é saudável ter o seu conchego,
E a sua vida fácil! Eu descia,
Sem muita pressa, para o meu emprego,
Aonde agora quase sempre chego
Com as tonturas duma apoplexia.
(...)
LOIRA
Eu descia o Chiado lentamente
Parando junto às montras dos livreiros
Quando passaste irónica e insolente,
Mal pousando no chão os pés ligeiros.
O céu nublado ameaçava chuva,
Saía gente fina de uma igreja;
Destacavam no traje de viúva
Teus cabelos de um louro de cerveja.
(...) in "O Livro de Cesário Verde"
Uma das maiores instituições de ensino superior destinadas à engenharia na Europa, a Universidade Técnica de Eindhoven, decidiu implementar um programa de contratações em que as vagas serão destinadas na totalidade a candidatas femininas, vigente nos próximos 18 meses.
De acordo com o diário espanhol El País, o plano de contratação, implementado no início deste mês, faz parte de um programa a cinco anos em que abrirão 150 vagas na Universidade e inclui um financiamento de 100 mil euros para investigação e um mentor para todas as candidatas. As vagas apenas destinar-se-ão a homens se não houver candidaturas femininas adequadas.
O plano reflecte também a vontade em homenagear a investigação feminina através do seu nome, sendo baptizado de Irene Curie, vencedora do Prémio Nobel da Química em 1935 e filha de Marie Curie, a única mulher a ter ganho tanto o Nobel da Física como da Química, e Pierre Curie, também galardoado pelos seus préstimos à ciência física em 1903.
Segundo os dados do Eurostat, permanece um desequilíbrio entre homens e mulheres a trabalhar em cargos de ciência e engenharia: 59% são profissionais masculinos, 41% são femininos. Portugal, no entanto, é dos países da União Europeia onde são mais as mulheres que os homens a trabalhar em áreas científicas, tendo o nosso país 51% de cientistas e engenheiras, apenas ultrapassado pela Lituânia (57%), a Bulgária e a Letónia (ambas com 53%). Os Países Baixos, por outro lado, encontram-se bastante mais abaixo, registando 39% de ocupação das posições científicas e de engenharia por mulheres.

Há 50 anos, no dia 20 de Julho, a Apollo 11, com os astronautas Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins, entrava em órbita lunar. Um feito jamais conseguido pela humanidade, mas muito esperado desde há séculos pelos visionários da ciência, como Leonardo da Vinci. Lendas e histórias antigas já expressavam o desejo de voar por parte dos humanos, a exemplo dos pássaros, um símbolo de liberdade e conquista de um universo maior.
"Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade", estas as primeiras palavras proferidas pelo astronauta norte-americano Neil Armstrong e comandante da Apollo, o primeiro ser humano a caminhar sobre a Lua.
Para ver todo o ano, para apreciar ao pormenor em tempo de férias. Os museus nunca são para ver de passagem, são santuários que nunca se esgotam. Quanto mais vemos mais queremos ver, porque mais vamos descobrindo. É assim no Centro Macional de Fotografia (Porto) depósito visual e cultural como em nenhum outro museu. Apaixona os fotógrafos, mas não só. Imagens que se entrelaçam e através das quais somos levados a ver por ângulos simples e mensageiros. A começar pela linguagem das mãos que tanto nos dizem: 



> Situado numa antiga prisão do século XVI (de 1501 a 1600), a Cadeia da Relação, um edifício imponente, o Centro Português de Fotografia nasceu em 1997, por indicação do Ministério da Cultura, para reanimar a cultura fotográfica, numa altura em que começaram a aparecer mais escolas de fotografia e festivais.
A programação deste espaço equilibra-se entre a fotografia contemporânea e histórica e a fotografia portuguesa e internacional. Aqui pode conhecer a evolução da fotografia e várias experiências individuais e colectivas que marcaram a prática da fotografia a nível nacional e internacional.
Com um programa anual de exposições temporárias e um núcleo museológico permanente, com uma rara colecção de antigas máquinas fotográficas, o Centro Português de Fotografia alberga também uma biblioteca especializada. Existe ainda uma loja e um serviço que trata das visitas guiadas ao edifício e às exposições<" (texto segundo e fotos in CPF).

João Godim
FREELANCER
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