Tudo o que o homem faz e cultiva é cultura: coisas sublimes e desprezíveis. A palavra cultura presta-se a tudo, dizer o belo, verdadeiro, o bom; o horroroso, as falsidades e as maldades. Ajudar, organizar obras de bem-fazer; e fazer ações de Barrabás; assaltos e assassinos! Unir e destruir famílias, educar e corromper. Que boa e má sina a desta palavra! A ironia do mesmo rótulo para remédios e venenos! Será que assim se promove o relativismo, a cultura líquida, soft, o vazio de sentido?
Com a mesma palavra dizer belo e feio, verdadeiro e falso, elevação e baixeza, dignificação e desprezo, adoração e blasfema! E pensarem alguns que não são precisos adjetivos claros para evitar a confusão. Um caso recente aconteceu no dia 15 de abril em que senti dupla tristeza de ver Notre Dame a arder e de ouvir repetir nas TVs que se perdeu cultura, cultura, cultura! Não cultura cristã e, menos ainda, católica. Para leituras laicistas, ateias, maçónicas, anti-cristãs, cultura bastava.
Dizer cultura bíblica, cristã e católica seria perigoso. Honra seja ao José Eduardo Franco que fez uma leitura alternativa histórica de cultura cristã; recordou a profanação de trocar Nossa Senhora pela deusa razão, mulher de carne e osso. Mas ainda serão precisas outras leituras da história para lembrar quanto tempo Notre Dame esteve sob a raiva e catolicofobia dos iluministas revolucionários de 1789 e como, profanada, serviu de fábrica e armazém de pólvora. Não é o mesmo dizer chamar-lhe cultura e cultura judaico-cristã da França, Europa e do mundo.
Não é o mesmo utilizá-la para adorar a deusa razão; e para nela celebrar a Eucaristia há mais de oitocentos anos até hoje. Não é o mesmo chamar-lhe Casa do Pão, do Corpo de Cristo e lugar de proteção da sua Mãe, como se terá exprimido o seu reitor, e chamar-lhe monumento a restaurar, agora, como se fosse um entretenimento para abrilhantar os jogos olímpicos.
Não se pode esquecer as diferenças abissais entre Casa de Deus e fábrica de pólvora, entre contemplar e destruir as suas estátuas; entre fazer procissão de escárnio com suas alfaias e objetos sagrados em 10 de novembros de 1793 na «festa da razão»; e as celebrações cristãs católicas para as quais a catedral foi construída. Símbolo e sinal de cultura sublime, de cultura e fé cristã.
Convém lembrar que os cegos iluministas destruíram muitas outras: a segunda maior igreja cristã, de Cluny; a de Mâcon, à beira do rio Saône, como observámos. Foram vendidas em leilão para pedreiras até só restar a cada uma, um transepto para turistas verem, hoje.
Quando à frente do arcebispo se chamou cultura à catedral de Notre Dame a arder seria ainda a mesma ideologia de 1789 em que o homem, em vez de reconhecer que é criatura de Deus, se arroga o direito de ser o criador de Deus? O Arcebispo D. Michel Aupetit nesse dia do incêndio lamentou que faltasse uma palavra de simpatia pelos católicos e se falasse em jogos olímpicos como se a catedral tivesse que ser cultura de distração para os festejar.
Para quem faz o homem as suas obras de cultura? Notre Dame celebra a história de Deus com os homens desde os templos bíblicos, o amor de Cristo pela humanidade, a sua morte e sua ressurreição, a história e vida do cristianismo católico. Pode-se até intuir porque as hordas revolucionárias investiram contra esta maravilha. Era demais o que ela canta e o que eles odiavam.
O site https://pt.slideshare.net/DenizecomZ/catedral-de-notre-dame-paris-8757651- 01.05.2019 convida a fazer longa leitura da história do mundo em ND em chave judaico-cristã, católica, centrada em Jesus Cristo, na Virgem Maria. Daí, talvez, as fúrias revolucionárias contra o que ela representa: Deus, Cristo, Nossa Senhora, Igreja católica. Lembra o politeísmo, o Sinédrio que rejeitou o Crucificado, o Império romano que a precederam. E como as camadas de Renacença/Reforma, iluminismo, e o anticristianismos/anticatolicismos atuais foram alterando o seu contexto.
O tempo pascal continua a interrogar: para que vivem os homens e fazem as suas obras? A catedral de Paris, após o incêndio, ainda lembra o essencial. A cruz e o altar intactos, a estátua de Nossa Senhora dolorosa, junto à cruz a dizer: sou vossa Mãe protetora como desde que o meu Filho disse: eis a tua Mãe! Entramos no mês de maio, centenário da capelinha de Fátima pedida por Nossa Senhora. Em Lurdes e em Guadalupe ela pediu igualmente uma capela, uma «Casita sagrada».
Agora estas e as grandes: duas basílicas em Fátima; Lurdes com três sobrepostas e uma subterrânea; Guadalupe com cinco, a última para 10.000 peregrinos. Nas nossas peregrinações lembremos os pedidos de Nossa Senhora e oremos nas igrejas com Jesus e com Maria a pedir que não seja de novo profanada a igreja de NOTRE DAME!
> Funchal, maio de 2019 / Aires Gameiro
Tolentino Mendonça, arcebispo responsável pelo Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica Vaticana, será promovido a Cardeal a 29 de junho. Com esta promoção na hierarquia da igreja católica, conferida pelo Papa Francisco, Portugal passa a ter, pela primeira vez, cinco membros no Colégio Cardinalício.
Tolentino Mendonça, 54 anos, poeta premiado, é natural de Machico (Madeira). Antes da sua ida para o Vaticano, a 26 de junho de 2018, foi docente e vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) bem como diretor da Faculdade de Teologia na mesma universidade.
“Homem da Cultura”, logo após ter sido ordenado padre, em 1990, seguiu para Roma onde terminou o mestrado em Ciências Bíblicas. Na UCP, lecionou as cadeiras de Hebraio/Cristianismo e Cultura. Na escrita, tem várias obras publicadas e, desde finais do século XX, é considerado um dos maiores poetas da península ibérica, traduzido em várias línguas.

"Madeira – 600 anos na rota da Flor" - é o tema da Festa da Flor que acontece por estes dias na cidade do Funchal. Um cartaz internacional que atrai à Pérola do Atlântico milhares de turistas provenientes de várias partes do mundo. Estamos em presença de um evento programado para quatro semanas de muitos eventos, com concertos, tapetes florais, mercados e recuperação de tradições. Um dos pontos altos desta Festa é o cortejo alegórico da flor previsto para amanhã, dia 5 de Maio, pelas 16 horas, com a participação de 14 grupos, "mais 3 do que em 2018 e cerca de 2.000 participantes".
Neste sábado, na parte da manhã, centenas de crianças vão construir o "Muro da Esperança" na Praça do Município ou Largo do Colégio.
No dia 10 de Maio, acontecerá a cerimónia do "Muro da Solidariedade" na Praça do Povo com a participação de utentes de várias instituições de solidariedade social da Região. Ainda nesta Praça, mas no próximo dia 11, haverá uma iniciativa da responsabilidade da Associação de Jovens Empresários Madeirenses intitulada "Projecto Madeira Flower Collection", com a presença da estilista nacional Micaela Oliveira.
O programa apresenta ainda como principais atracções os tapetes florais, ao longo da Avenida Arriaga, o "Mercado das flores e dos sabores regionais", com produtos ligados à gastronomia e ao artesanato.
Além do Funchal, haverá outras "iniciativas em homenagem à Flor, que permitem reforçar a diferenciação e complementaridade deste cartaz, em toda a Região, nos concelhos da Ribeira Brava, Calheta e Santa Cruz”. A Festa deste ano conta com uma participação de "mais de 5 mil pessoas e um investimento de 600 mil euros".


Coimbra vai comemorar os 50 anos da crise académica de 1969, uma luta contra o Estado Novo. O programa destas comemorações vai estender-se até à "Festa das Latas", em Outubro, e conta com várias manifestações culturais, recriações históricas e uma gala.
Um dos momentos mais significativos será a homenagem a todos os estudantes envolvidos na crise académica de 1969, que começou em 17 de Abril daquele ano, quando o estudante universitário Alberto Martins pediu a palavra perante uma comitiva do Estado Novo encabeçada pelo então presidente Américo Thomaz, na inauguração do edifício das Matemáticas.
Fora da agenda oficial estava também agendada para aquela data uma sessão "não oficial", no anfiteatro do Museu da Ciência, intitulada "Orgulho do 17 de Abril", aberta "a todos os que, em 1969, levantaram cartazes, reuniram nas faculdades, se sentaram na relva da Associação, fizeram greve, largaram balões, entregaram flores, conheceram as celas da penitenciária, foram à final da Taça ou simplesmente, na curva de céus vários, pressentiram que os tempos estavam a mudar".
Na oportunidade, Alberto Martins pediu para falar "em representação dos estudantes da Universidade de Coimbra", mas o pedido de palavra não foi aceite e Alberto Martins seria detido. Seguiram-se várias iniciativas de contestação estudantil, nomeadamente manifestações e greve aos exames, a que o Governo respondeu com prisões e a incorporação compulsiva dos estudantes nas forças armadas, para combaterem na Guerra Colonial.
O reitor da Universidade de Coimbra e o ministro da Educação (na altura José Hermano Saraiva) acabaram por se demitir.
Em véspera do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, será oportuno uma breve referência sobre os impérios de Comunicação Social(CS) que dominam a informação a seu bel-prazer e são responsáveis, direta e indiretamente, pelas revoluções sociais, culturais, políticas e económicas, aos ritmos e às prioridades que bem entendem. Promovem políticos, elegem governantes, criam e destroem ídolos, manejam a sociedade como se esta fosse um jogo de matraquilhos.
África é dos continentes com maior percentagem de analfabetismo. Há mais cidadãos iletrados do que letrados. No entanto, não deixa de ter os seus impérios de CS. Acaba de falecer Reginald Mengi, 75 anos, bilionário tanzaniano, detentor de um império de CS (imprensa, rádio, televisão, internet e sites), cuja fortuna é superior a 560 milhões de dólares.
A Tanzânia, com cerca de 53 milhões de habitantes, é um país pobre, com carências elementares mas tem uma CS dominada por um império. Antiga colónia alemã e posteriormente inglesa, a Tanzânia possui uma concentração de riqueza e elevada dispersão de pobreza, dependendo a sua população, em termos de informação, do que lhe sugere a CS, se não sabe ler, tem os meios áudio visuais ao seu alcance. O domínio noticioso está sempre assegurado.
No quotidiano do jornalista todos os dias têm algo de especial, há lugar para um novo texto, uma nova notícia. O dia de ontem e de hoje têm memória, o dia de amanhã não existe, não há registo possível. A profissão de jornalista tem muito mais do que a escrita, a notícia, a reportagem, a censura e o editorial. Tem o poder dos “patrões” que até podem ser analfabetos ou incultos mas que podem deter jornais, rádios, televisões, diários digitais, etc. A comunicação social é um mundo extremamente complexo e intricado.
Amanhã, 3 de maio, é o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. “Liberdade de Imprensa” é a tónica acentuada, escrever em liberdade não é o mesmo que escrever com liberdade. Não há plena liberdade de imprensa. Todos os órgãos estão sob a alçada de um poder (económico, financeiro, político, religioso…) o que por si só já impõe limites. Salvo quando os jornalistas são donos do seu jornal, casos raros no mundo.
>”Este Dia Internacional da Liberdade de Imprensa é celebrado desde 1993 e tem como objetivos:
Todos os anos vários jornalistas são capturados e mantidos prisioneiros em diversas regiões do mundo, com destaque para os países onde vigoram regimes ditatoriais<”
Quem já viu uma prisão do lado de dentro?
Para a maioria de todos nós fica-nos a ideia que criámos ao ler ou ao ver os filmes que retratam esses espaços.
O projeto the portuguese prison photo project cruza os olhares diferentes de dois fotógrafos sobre sete prisões portuguesas contemporâneas.
Luís Barbosa (Prémio SPA 2018) e Peter Schulthess conduzem-nos ao interior de um mundo que retrata as prisões portuguesas, da mais antiga, criada em 1880, à mais moderna, aberta em 2004.
Imagens históricas, vindas de arquivos nacionais, completam a mostra que se manterá no espaço de exposições temporárias do Museu do Aljube até ao final de setembro de 2019.
Mês de Maio: Dia 11, abertura ao público da exposição; Dia 23, conferência internacional no Museu do Aljube e, no dia 24, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
Transmissão da memória através do tempo
José Mattoso, um dos mais conceituados historiadores portugueses, especialista da Idade Média, foi distinguido com o Prémio de "Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes", na edição deste ano promovida pela Igreja Católica em Portugal.
O júri decidiu “por unanimidade calorosa” atribuir o galardão a José Mattoso, referindo que é um “irradiante homem de espiritualidade cristã e de acção cívico-cultural”.
Doutorado pela Universidade de Lovaina, é um “insigne professor universitário” e “director de altas instituições de arquivo e pesquisa”, destaca ainda o júri da edição 2019 do Prémio Árvore da Vida – instituído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), da Conferência Episcopal Portuguesa, em parceria com o grupo Renascença Multimédia.
“Como ainda não há no vosso grupo [de premiados] nenhum representante do estudo da História, é para mim muito grato poder representar nele a importância do estudo do passado humano e da transmissão da memória através do tempo”, afirmou José Mattoso, citado pela página da internet do SNPC (www.snpcultura.org), ao receber a notícia da distinção, declarando-se "muito honrado" com a atribuição do galardão.
José Mattoso nasceu em 1933, em Leiria, foi monge beneditino, no Mosteiro de São Bento de Singeverga, entre 1950 e 1970.
"Prémio Pessoa", em 1987, o historiador é Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada, foi director da Torre do Tombo, vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa e professor universitário.
Filho do professor do ensino liceal António Gonçalves Mattoso, tem uma vasta obra publicada, com títulos como A Nobreza Medieval Portuguesa, A Família e o Poder Identificação de um País - Ensaio sobre as Origens de Portugal, Levantar do Céu e uma História de Portugal elaborada sob a sua direcção.
O “Primeiro de Maio” não começou a ser comemorado em Portugal a partir de 1974, como dizem e insistem alguns políticos e uns tantos desinformados. O “Primeiro de Maio” é feriado na Madeira desde os anos 40 do século passado. Um dia de festa em liberdade e sem comícios, com a participação de milhares de madeirenses e estrangeiros.
Este dia festivo começou a ser assinalado, a partir do dia 1 de maio de 1886, em Chicago (EUA), na sequência da luta dos trabalhadores pela redução de horas diárias de trabalho, que passou de 17 para as 8 horas. É o Dia Internacional do Trabalhador que infelizmente ainda não é celebrado em todos os países do mundo. Em Portugal esta data passou a ser oficializada a partir de 1 de maio de 1974, embora nalgumas (poucas) localidades do país já era celebrada, nomeadamente na Madeira.

João Godim
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