Celebra-se este ano (1919), o centenário da morte de Teixeira de Queirós. Nome ligado às Letras e a outros vultos da Literatura portuguesa do século XIX, com obra significativa, mas pouco conhecida. Para lembrar a sua vida e os seus livros, irá decorrer um colóquio em Arcos de Valdevez, no próximo mes (Maio), sob a coordenação científica de Manuel Curado, da Universidade do Minho, que contará com a participação de alguns dos "maiores especialistas sobre a sua figura e sobre o seu tempo", entre eles a antiga ministra da cultura, Isabel Pires de Lima.
Natural de Arcos de Valdevez (1848), Teixeira de Queirós, segundo os organizadores do colóquio, "cedo se afirmou como romancista e contista, sendo um fiel e representativo seguidor da escola naturalista e realista".
Na obra "História da Literatura Portuguesa", António José Saraiva e Óscar Lopes "comparam o talento deste escritor ao de Eça de Queiroz, colocando-o como um dos mais importantes expoentes literários portugueses do seu tempo".
Manuel Curado reconhece Teixeira de Queirós como "um dos vultos da cultura portuguesa do século XIX que deixou uma herança de contos, romances e ensaios", onde soube "captar o país que era o seu". O professor da Universidade do Minho realça ainda que após a conclusão dos estudos de medicina, em Coimbra, Teixeira de Queirós "contou com a colaboração de Camilo Castelo Branco para a publicação dos seus primeiros contos" e destacou-se como "grande prosador, à frente do seu tempo".
No contexto do centenário da sua morte serão lançadas obras pouco conhecidas ou esgotadas, como "Comédia do Campo", prevista para lançada Novembro deste ano, em Arcos de Valdevez, e, posteriormente, em Lisboa, na Academia das Ciências, a que o também médico escritor presidiu. Os volumes "Comédia Burguesa" e "Vária/Obra Dispersa" serão apresentados em 2020 e 2021, respectivamente.
O jornalismo sempre foi uma profissão extremamente questionada, ou porque relata o óbvio ou porque a narrativa, na opinião do leitor, dá relevância mais a uma partícula que a outra. Sempre foi e sempre será assim. Cada notícia é única, não há notícias iguais, mesmo quando a matéria tenha igual centro de gravidade. A notícia pela notícia não se adapta mas pode ser dada sob várias formas, o que é mau.
Vem isto a propósito da presente visita do presidente de Portugal à China comunista. Marcelo Rebelo de Sousa é católico (é dos poucos portugueses que reza o terço todos os dias) e é social-democrata de corpo inteiro. A república da China é das mais ricas e das mais pobres do mundo (paradoxos), de um lado apresenta extrema riqueza e do outro lado extrema pobreza. O comunismo chinês é pai de outros comunismos espalhados pelo mundo e as imposições castradoras da liberdade de expressão é um dos seus maiores defeitos. Já o PCP, na prática, pouco tem a ver com o comunismo chinês.
Marcelo esteve na cidade proibida, na muralha da China e na praça de Tiananmen onde em junho de 1989 o exército chinês avançou com carros blindados sobre manifestantes causando mais de dez mil mortos, esmagados, baleados e perfurados por baionetas. Um massacre condenado por Portugal. Agora, nesta mesma praça, o Chefe de Estado português ali esteve e nem uma palavra disse. O sangue e os mortos naquele mesmo chão por onde passou, jamais deixará de fazer parte como um dos maiores massacres contra a liberdade.
Nem os jornalistas que o acompanharam deram a notícia. Terão comentado entre cautelosos e medrosos silêncios não fossem os “bufos” ouvir e haver reações indesejáveis. A visita de Marcelo Rebelo de Sousa à China teve de obedecer ao programa fixado, com elogios ao regime e à grande potência mundial, a dar explícito apoio à governação comunista que em Portugal Marcelo tanto crítica e é assumido opositor.
Como diz o ditado popular: Em Roma, sê romano; Na China, sê chinês.
No próximo dia 9 de Maio (Dia da Europa), na igreja do Carmo, em Aveiro, pelas 21 horas, o bispo de Aveiro vai apresentar um livro biográfico sobre Edith Stein. "Onde está a verdade? Busco-a com paixão", é o título do livro sobre Santa Teresa Benedita da Cruz, mais conhecida como Edith Stein, co-padroeira da Europa, que será abordado por D. António Monteiro.
Edith Stein, filha de pais judeus, nasceu a dia 12 de outubro de 1891; converteu-se à Igreja Católica e foi batizada 1 de Janeiro de 1922, tendo professado votos religiosos na Ordem das Carmelitas Descalças em 1933, com o nome Teresa Benedita da Cruz. Filósofa, trabalhou como assistente universitária de Edmund Husserl, também judeu e conhecido como o principal mentor da Fenomenologia.
No decorrer da II Guerra Mundial, Edith Stein foi perseguida e obrigada a deixar a Alemanha, fugindo para a Holanda, onde seria presa pelas forças nazis e enviada para o campo de concentração de Westerbork e depois para Auschwitz, com a sua irmã Rosa, e onde seria morta a 9 de Agosto de 1942.
Considerada “mártir” pela Igreja Católica, foi beatificada por João Paulo II a 1 de Maio de 1987 e no ano de 1998 foi canonizada pelo mesmo Papa que, em 1999, a declarou co-padroeira da Europa.
O cidadão português Otelo Saraiva de Carvalho, 82 anos de idade, coronel do exército reformado, assume-se como o estratega do 25 de abril de 1974 que derrubou o regime da ditadura. Assume-se e é reconhecido como tal pelos seus camaradas. De Otelo, natural de Moçambique, já muito se disse mas, sempre que fala da guerra e da revolução dos cravos, algo de novo é revelado com inusitada surpresa.
Decorridos 45 anos da revolução Otelo (no lado esquerdo da foto) é convidado pelo “Governo Sombra” da TVI e pela revista “Nova Gente” para recordar os tempos históricos então vividos na guerra e da estratégia que engendrou para derrubar a ditadura. Das comissões que fez na Guiné e em Angola declara que nunca disparou um tiro:
> Nunca disparei a minha arma durante a guerra”;
> Sofri emboscadas, com tiros a passar-me por cima;
> Nunca me deitei ao chão para disparar;
> Levava muitas vezes a arma descarregada”…
Com tais afirmações, apanhou-nos de surpresa, a nós e a milhares de militares que combateram na guerra em África.
Como? Onde? O quê? Sofrer emboscadas e ficar de pé? Não ripostar quando o inimigo (turras) disparava a matar? Com a arma (G3) sem balas? Das duas, uma: ou nunca caiu numa emboscada a valer, daquelas que causam mortes, feridos e carros militares a arder, ou teve a sorte de refugiar-se no capim, atrás de um formigueiro, enquanto os seus camaradas enfrentavam o inimigo, ou nos bombardeamentos ao vulnerável quartel era rápido a refugiar-se num abrigo.
Se Otelo Saraiva de Carvalho participou na guerra na Guiné, mobilizado por imposição, tal como nós e de milhares de jovens, com a postura que agora revelou nas entrevistas aos mass media atrás referidos, teve a sorte que mais ninguém teve. Otelo não foi um combatente, não tem direito a ser considerado “antigo combatente”, sem nada de regozijo, porque, como diz, não combateu.
Da estratégia do 25 de abril, já entramos noutra guerra. O “inimigo” era um regime a cair de podre. Ouve coragem e mérito de todos os intervenientes. Já estamos ao lado de Otelo quando esperava por outro andamento da democracia que veio a ser aprisionada por ideologias e falsas promessas. Tem razão quando recorda o ataque soez de “ Manuel Monteiro e Paulo Portas (CDS/PP)… “chamaram-me assassino”. É bom de ver, os dois políticos e muitos outros não teriam lugar na política sem o 25 de abril.
São alegorias de um militar que também esteve na Guiné. Sem balas e sem disparos. Como em tudo na vida... há vilões e heróis.
Considerado o último sábio e humanista do nosso tempo, ensaísta do saber universal, George Steiner, completou há poucos dias (dia 23 de Abri) 90 anos de idade. Nascido em Paris (1929), de uma família judia, com pouco mais de 10 anos rumou para os EUA, onde se formou em Letras e Humanidades em várias universidades.
De regresso à Europa, ensinou nas mais prestigiadas universidades, foi catedrático de Literatura Comparada em Oxford e em Genebra, e desenvolveu uma vasta bibliografia de referência, com vários títulos publicados em português.
Apesar de não ter sido distinguido com o Prémio Nobel de Literatura, George Steiner está lado a lado com os grandes pensadores e criativos de todos os tempos, como Cervantes e Shakespeare que morreram em Abril de 1616 (dias 22 e 23 de Abril, respectivamente).
"Monumento vivo" da cultura europeia, para se ler bem a profunda obra de George Steiner é "preciso tirar férias", como alguém escreveu, seguir a lentidão do tempo e com uma curiosidade ilimitada. Mas vale a pena lê-lo, em particular neste momento, quando a Europa se prepara para mais eleições democráticas entre ameaças ideológicas, "boatos" ou falsas notícias, promessas vãs, sem consistência, com um futuro efémero, construído sobre a areias movediças, de fracas convicções.
Desde as mais remotas ideologias registadas pelo progresso humano e destinadas a vencer todos os obstáculos, há sempre mais e mais por conquistar, conhecer, submeter, destruir e até aprender até ao infinito.
Conflitos, guerras, violência gratuita, já se tornaram comuns no quotidiano dos países e povos, em toda a parte e directa ou indirectamente todos são atingidos pela rapidez e globalização com que os acontecimentos e notícias circulam; basta lembrar os recentes atentados bombistas no SriLanka com centenas de mortos e feridos...
É o preço a pagar por tanto desenvolvimento material e poder da humanidade? Ou estaremos prisioneiros de nós próprios, encurralados num planeta, numa terra limitada, sem outras alternativas ou recursos adequados à inevitabilidade dos nossos passos...
Por muito que andemos, de um lado para outro, à procura de mais e melhor, no final percebemos que estamos numa prisão a lutar pela sobrevivência... O tema tem sido objecto de muita reflexão, desse há muito, com os mitos antigos e os ensaios modernos, como faz notar o britânico John Berger no seu livro "Entretanto".
Escritor, poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo, guionista e crítico de arte, John Berger começou por ser pintor, mas acabou por escolher a escrita durante a situação política em que vivia na altura, em plena Guerra Fria.
Falecido em 2017, em Paris, aos 90 anos de idade, deixou uma vasta obra publicada, de várias dezenas de romances, ensaios, artigos na imprensa, poesias, guiões de cinema, peças de teatro e algumas pinturas. Mas a obra de Berger não se esgota na pintura e na crítica de arte, sendo vastos os textos que escreveu sobre os mais variados temas, como é o caso de "Entretanto" ("Meanwhile", 2008), um breve ensaio, poético, sobre o mundo contemporâneo e uma denúncia da forma como o poder transforma o planeta numa prisão.
Segundo a editora Antígona, este era "um dos ensaios favoritos do autor", cuja versão portuguesa é traduzida por Júlio Henriques. "Ando em busca de palavras que descrevam o período da história que estamos a atravessar", escreveu o Berger, e a resposta foi encontrada com este brevíssimo ensaio de "extraordinária beleza e lucidez", acrescenta o tradutor.
O livro é um comentário "cristalino" ao período de tempo que a humanidade atravessa. "Entretanto" compara a distopia neoliberal contemporânea a uma prisão: "um espaço finito e circunscrito, de vigilância consentida e permanente dos nossos passos, de modelação opressiva dos nossos pensamentos".
"Nesta prisão invisível de alienação e consumo, parece que a única liberdade que nos concedem é a de nos afogarmos em cada vez mais fluxos de dinheiro e informação, de onde é impossível emergir.
Entretanto, como resistir?", é o dilema lançado pelo autor perante "uma humanidade encarcerada entre o subúrbio e o local de trabalho, entre o gueto e o centro comercial". Compete a cada um saber discernir e optar pela verdadeira liberdade.
Ao longo de 45 anos, os discursos na Assembleia da República alusivos ao 25 de abril de 1974 repetem-se. Mais do mesmo ou alinhavados em função das ideologias e dos interesses partidários. As unânimes críticas ao antigo regime são inevitáveis como democraticamente aceites são as críticas aos governos actuais por parte de quem está na oposição. Estamos cheios de tanto discurso sobre a mesma matéria porque entendemos que há liberdade para abordar e debater outros horizontes de que tanto Portugal ambiciona.
Desde logo a igualdade das oportunidades, de uma democracia plena e de uma liberdade efectiva. O 25 de abril não foi obra de palavras soltas mas sim de actos destinados à mudança que não meramente ideológica. A sociedade portuguesa está muito aquém da sociedade europeia não somente nos salários e nas pensões como nos padrões educativos e culturais. São os relatórios internacionais a darem a notícia, a história democrática enriqueceu mas também empobreceu Portugal.
Perguntas de sempre e nunca esclarecidas: Onde foram parar as milionárias riquezas que saíram do país logo após o 25 de abril de 1974? Onde estão as valiosíssimas barras de ouro que estavam à guarda do Banco de Portugal? Para onde foram os espólios da Pide/DGS e da UN/ANP? etc. Os males da ditadura já todos conhecemos, os bens da democracia ainda não chegaram a todos.
Não gostaríamos de continuar a ver uma democracia controlada pelos partidos nem apregoada de liberdades que timidamente apresentam-se alienadas. Os discursos do 25 de abril nada trazem de novo, repetem-se e o povo já há muito que entendeu a mensagem que traz. Continuamos a acreditar que a democracia é melhor que a ditadura desde que esteja empenhada no bem de todos e não apenas metaforicamente ao alcance de alguns.
Por uma democracia plena. Por uma liberdade responsável. Tal como dantes: A BEM DA NAÇÃO!
Retrato do padrão-clássico da família portuguesa, até 1974.
“E depois do adeus” foi a canção senha a anunciar o fim da ditadura e a dar início à democracia em Portugal. Eram 22 horas e 45 minutos do dia 24 de abril de 1974 quando os emissores associados de Lisboa difundiam a mensagem pela voz de Paulo de Carvalho. A revolução era posta em marcha.
As palavras fortes desta música e letra não podiam ter sido melhor selecionadas. Eis alguns excertos: “Quis saber quem sou. O que faço aqui”, “É ganhar. E perder”, “E ao morrer. Renasci”, entrelinhas à procura de um novo rumo que tanto podia traduzir-se num perder como num morrer e renascer. Ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=7KRdzh_EgEk
Amanhã, celebra-se o 25 de abril, sem olvidar que sem o antes não há o depois. Somos referências do passado no presente, nacos de um todo que nasce, morre e renasce! Dia a dia construímos um mundo que se renova. Cada dia é um novo dia.
A Bíblia na cultura do mundo ocidental
Realiza-se na próxima quinta-feira,, 25 de Abril, um colóquio pioneiro em Portugal sobre a contribuição da Bíblia para a cultura do mundo ocidental. Terá lugar no concelho de Gouveia, a partir das 15h30, numa iniciativa da Câmara local, em cooperação com o Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes, a Universidade Aberta, a Universidade de Lisboa, a Área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona, e outras instituições nacionais e internacionais.
Em análise estará também o projecto para o Museu Internacional do Livro Sagrado; e a apresentação do primeiro grande evento cultural associado a este projecto, "o maior congresso científico de sempre sobre a Bíblia na Cultura Ocidental: Milénios de Civilização". Serão ainda lançados os três volumes primeiros da colecção única sobre A Bíblia em Portugal.
A Câmara de Gouveia pretende criar na sua cidade uma nova centralidade de cultura e de ciência que se torne uma referência no interior do país, em cooperação com outras entidades.
Neste colóquio do dia 25 de Abril está prevista a presença de personalidades ligadas à cultura e à ciência, entre as quais Carlos Fiolhais, José António Falcão, José Eduardo Franco, Paulo Mendes Pinto e Herculano Alves. Para este evento foram convidados todos os representantes das comunidades das diferentes religiões presentes em Portugal.
Choca-me a morte por via da violência, por actos terroristas ou por meros atentados à pessoa humana. São actos cobardes cuja sentença devia ser aplicada com a mesma severidade. Olho por olho, dente por dente. “Quem mata intencionalmente devia ser morto”, escrevia Mota de Vasconcelos.
O que se passou este fim-de-semana no Sri Lanka (para os portugueses, Ceilão) teve a condenação de todo o mundo, apelo do Papa e de outras entidades religiosas e políticas, mas não basta. Ataques terroristas (kamikazes) a três hotéis e a três igrejas católicas, mataram mais de 300 pessoas e feriram cerca de meio milhar. Violência extrema perpetrada por extremistas islâmicos.
O Sri Lanka é um país insular, situado na Ásia, com cerca de 22 milhões de habitantes, 70 % dos quais budistas e apenas 8 % de católicos. Antiga colónia inglesa que chegou à independência em 1948 (há 70 anos). Os ataques tiveram por alvo igrejas católicas, numa altura em que se festejava a Ressurreição de Jesus Cristo, e hotéis de luxo que tradicionalmente registam ocupação alta de estrangeiros na época da Páscoa.
O terrorismo não tem fim, nem defesa e muitos menos identificação que nos permita ver donde vem e para onde se dirige. Há todo um potencial terrorismo em qualquer parte do mundo, de Nova Iorque a Paris, de Moscovo a Londres, por todo o lado. A pobreza é seguramente uma das causas, pela vulnerabilidade de quem pouco ou nada tem como pouco ou nada tem a perder. Uma Páscoa ensanguentada no Sri Lanka. Para meditar.
Domingo de Páscoa. É o dia mais alegre do ano. Urbi et Orbi é uma bênção dada pelo Papa aos fiéis. A Boa Nova da Ressurreição é o primeiro acto de fé da igreja nascente em Cristo Ressuscitado.
Páscoa Feliz
Funchal, abril 2019.
Câmara de Lobos (Madeira), abril 2019
Cristo-Rei, Ponta do Garajau (Madeira).
A morte e ressurreição de Jesus Cristo é “o mundo novo que nos é oferecido”, sublinha D. Nuno Brás, na homília solene do tríduo pascal, na Sé do Funchal. Se Jesus feito homem ressuscitou quererá dizer que há vida para além da morte!
“A Eucaristia não é uma mera lembrança distante ou representação da Última Ceia. Se fosse assim, deveríamos hoje estar sentados à mesa pascal judaica, a comer ervas amargas, juntamente com um cordeiro, como terá sucedido naquela última refeição de Jesus”, recorda.
D. Nuno Brás, natural do Vimeiro (Lourinhã), e que há pouco tempo transitou de Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa para a Madeira, diz que “o ponto de partida da celebração da Eucaristia não foi uma festa anual mas a ressurreição do Senhor, esse acontecimento que, no meio do tempo, no seio da história humana, projecta o fulgor da vida divina e nos oferece um novo sentido para a existência”.
Há problemas, muitos. E há o problema. Muitos se interrogam quais os seus maiores problemas. Outros sobre os maiores males da humanidade. Maior número tenta indicar as soluções. Nas cargas de publicidades de banha da cobra da TV, agora a pulular também nas redes sociais móveis, oferecem-se soluções para tudo; não ao preço da chuva. Sobre remédios eficientes menos se interrogam e menos ainda aceitam os remédios ao seu alcance para alguns males.
Na Semana Santa são anunciados os três maiores problemas que os homens enfrentam: pecado, sofrimento/doenças, morte. Todos entendem que o sofrimento e a morte sejam grandes males; para alguns, os maiores. Com a luz do Alto, muitos creem que o problema humano de topo, o maior, (único?) é o pecado, todos os pecados e os pecados de cada pessoa. Que pecados, afinal? Não roubar e não matar, vem à mente de muitos. Mas, é só matar violentamente, com armas?
A Madre Teresa dizia que o maior mal do mundo era o aborto. Comprar e vender pessoas, escravizar, abusar não é também tirar vida, matar? Mas, mal maior, o pecado, porquê? O pecado é ato de idolatria: o pecador põe-se acima de Deus e da sua ordem da criação e afirma que o absurdo é lógico. «Não morrereis; (…) sereis como Deus» (Gen 3, 4-5). E quem poderá repor na ordem real o mal feito com tanto orgulho?
As interrogações sobre o sofrimento e a morte circulam continuamente; e deixam outras dúvidas e incertezas no ar a ligar-se a outras questões e assim ad infinitum. S. Paulo é claro: o salário (merecido, o prémio) do pecado é a morte (Rom 6,23). Fica a questão principal do remédio para os males que cada pessoa enfrenta: doenças, sofrimentos e morte.
Quando no dia 11 de abril o papa Francisco se ajoelhou perante os governantes do Sudão a pedir que não se matasse mais; 400 mil mortos já era de mais, levou a ousadia de usar o remédio de beijar os pés a pedir que se entendessem, fizessem a paz e não se matasse mais. Deixou no ar questões e escândalo.
Via Sacra no Pico da Torre, em Câmara de Lobos (Madeira)
Nunca nenhum papa fez assim… a não ser o Papa dos papas. Não é o remédio, mas fará parte dele. Ouve-se com frequência a expressão: ser parte do problema e ser parte da solução. Ninguém é a solução total para o pecado, os sofrimentos e a morte. A semana Santa ajuda-nos a aceitar ser parte da solução.Aparece estes dias um episódio, sinal de remédio, mas visto como problema pelo sumo Sacerdote, Caifás, na ressurreição de Lázaro. «Se O deixamos continuar assim, todos acreditarão n’Ele; e virão os romanos destruir o nosso lugar santo e toda a nação» (Jo 11,45). Então, disse-lhes: «é melhor para nós morrer um só homem pelo povo do que perecer a nação inteira?» (Jo 11, 50). Dizia certo, como profeta, mas não entendia o que dizia, como os que mataram aqueles 400 mil.
Não é qualquer homem o remédio do mal maior, o (s) pecado(s) do mundo. Só aquele Deus-Homem, Jesus, que Caifás não quis aceitar, podia, de facto, salvar a nação, e «congregar na unidade todos os filhos de Deus que andavam dispersos». Jesus Cristo foi, na verdade, o único que, ao oferecer-se para morrer, foi o remédio do pecado, como João Batista já tinha anunciado: «eis o Cordeiro de Deus, o que tira o pecado do mundo».
Morte de Deus-Homem feita remédio na cruz! Nenhuma pessoa, por especialista e competente que seja, pode remediar de vez, sejam quais forem as tecnologias que utilize, os sofrimentos, as doenças, a morte, e menos ainda a segunda morte, a eterna (cf. Apo 20, 6 e 14).Os que aceitam Jesus e se unem a ele com os seus sofrimentos e morte podem fazer parte da salvação. Maximiliano Kolbe ofereceu a sua vida e salvou outro homem da primeira morte; o Papa ofereceu o seu serviço de humildade e oração para fazer parte do remédio do pecado, como todos podem fazer parte se aceitarem completar a Paixão, unindo-se a Cristo, sofredor e ressuscitado (cf. Col 1, 24). Entretanto, estava próxima a Páscoa dos judeus e muitos subiram da província a Jerusalém, para se purificarem, antes da Páscoa.
Esta Páscoa dos judeus purificava por fora, era um remédio mas não era a cura do pecado alojado no coração. Só o enxerto da Páscoa cristã na humanidade se tornou Redenção, aquela que todos procuram mesmo sem consciência clara de o fazer.«Procuravam então Jesus e perguntavam uns aos outros no templo: «Que vos parece? Ele não virá à festa?» (Jo 11, 56). A festa maior, da Nova Aliança, do Reino de Deus ia Jesus realizá-la na Ceia Eucarística; prometeu celebrá-la de novo no Reino de Deus já após a entrega da sua vida ao Pai com todos nós que aceitemos unir-nos a Ele para a celebrar nesse Reino. «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 43,46).
Entregar-se ao Pai é fazer parte da solução dos males maiores da humanidade e concorrer para as verdadeiras «Boas Festas da Páscoa» para todos como repetimos estes dias.
> Funchal, Semana Santa-Páscoa, 2019 - Aires Gameiro
VIDAS PRISIONÁVEIS é um programa que recolhe os depoimentos de ex-prisioneiros políticos e de resistentes à Ditadura. Conta com a presença de público escolar e da comunidade. As sessões são gravadas, de modo a permitir a criação de um arquivo virtual para memória futura.
No próximo dia 24 de abril (quarta-feira), pelas 16 horas, Isabel do Carmo vai estar no Auditório do Museu do Aljube (Lisboa).
Somos "muito pequeninos", limitados e finitos!
Há poucos dias, e em relação ao universo em que o Planeta Terra esta inserido, foi revelada a "primeira imagem de sempre de um buraco negro". Para os especialistas em matéria de galáxias e de tecnologias avançadas, tratou-se de "uma vitória do espírito humano e da técnica", ao mesmo tempo que se confirmou a certeza da Teoria da Relatividade Geral, de 1915, do físico Albert Einstein, que postula a existência de "buracos negros" como objectos cósmicos mais extremos do Universo, "corpos densos" que não deixam escapar nada, nem mesmo a luz.
Para a sua observação concreta foram necessários os "melhores radiotelescópios" e "pô-los a funcionar como um único para serem capazes de obter esta imagem", como "um telescópio do tamanho da Terra". E o resultado é deveras extraordinário, ainda que se saiba que o universo seja infinito, os astrónomos consideram que a parte "observável" tem quase "100 mil milhões de galáxias."
Há muito que se trabalhava neste objectivo, perto de 30 anos segundo os investigadores, adivinhava-se qualquer coisa de grandioso, mas ao mesmo tempo persiste a convicção de que quanto mais se avança, mais aquém ficamos do que realmente existe em termos de galáxias e de sistemas solares.
Conclusão, a espécie humana, integrada nesta atmosfera cósmica que, ainda por cima, contempla "buracos negros", fica reduzida a uma ínfima parte... E pensar que já se quis e quer ser o "dono disto tudo", o "mais poderoso" e o "mais importante"!, por via de um estatuto social, um cargo mais notório ou proprietário de um certo número de casas e acções na Bolsa...
Somos mesmo "muito pequeninos", limitados e finitos!... Até pelas conversas da política em geral, dos discursos dos governantes, que prometem mais do que podem dar, pode-se ver quanto valemos pouco... Só os grandes visionários, como os poetas e os profetas, conseguiram ver mais além de si próprios, porque estiveram à frente do seu tempo....
A este propósito, lembramos um texto de Fernando Pessoa (1888-1935), escrito em 1930 (in Obras Completas, vol. II editado pelo Lello & Irmão em 1986): "No alto ermo dos montes naturais temos, quando chegamos, a sensação de privilégio. Somos mais altos, de toda a nossa estatura, do que o alto dos montes. O máximo da Natureza, pelo menos naquele lugar, fica-nos sob as solas dos pés. Somos, por posição, reis do mundo visível. Em torno de nós tudo é mais baixo: a vida é encosta que desce, planície que jaz, ante o erguimento e o píncaro que somos.
Tudo em nós é acidente e malícia, e a esta altura que temos, não a temos; não somos mais altos no alto do que a nossa altura. Aquilo mesmo que calcamos, nos alça; e se somos altos, é por aquilo mesmo de que somos mais altos".

Violento incêndio está a consumir a Catedral de Notre Dame de Paris. Símbolo da França e da Europa, a catedral em estilo gótico, situada junto ao rio Sena, construída no século XII (1163 - 1345), dedicada a Maria, Mãe de Jesus Cristo e é um dos monumentos mais visitados de Paris e da Europa. A catedral tem uma forte ligação ao esplendor espiritual e é para já uma perda enorme não só para França como para o mundo. Parte da nossa identidade cultural que se perde.
Os museus, palácios e monumentos sob tutela da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) vão ter entrada gratuita na proxima quinta-feira (18 de Abril) para assinalar O Dia Internacional dos Museus.
O tema deste ano proposto pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios - “Património e Paisagem Rural” - pretende “promover o entendimento das zonas rurais enquanto paisagem, e da paisagem enquanto património, estimulando a percepção de territórios em permanente mutação, que acumulam os saberes e as práticas decorrentes de uma vivência continuada, em constante adaptação aos imperativos ambientais, culturais, sociais, políticos e económicos”.
A DGPC tem a seu cargo a gestão directa de 23 monumentos e museus, onde se incluem cinco monumentos inscritos na lista do património mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e 15 museus nacionais.
Tempos da quaresma e da Páscoa
Procurar dados que ajudem a tomar decisões resume grande parte da vida humana. Decide-se com ciência quando tudo é evidente, decide-se por sabedoria com incertezas, recorre-se às luzes intuitivas do coração. A evidência quase força a decisão inadiável, sem alternativa é menos livre. Na incerteza de alternativas a decisão é mais livre e responsável. Mas muitas decisões são mistas, científico-heurísticas, de esperança, coração e paixão. Se na encruzilhada há dois caminhos conhecidos, o caminhante decide um ou outro, à sua responsabilidade.
Com ambos desconhecidos, espera acertar num deles, livre e responsavelmente. Pode confiar no parecer de um amigo que os conhece bem e partilhar a responsabilidade. Não se caminha na vida sem decisões motivadas por dados de ciência e experiências de causas e efeitos, pesados e medidos. É assim na higiene, vestuário, alimentação, abrigo, uso de transportes e comunicações. São científicas se tomadas com provas acertadas e verificadas, mas nem sempre é possível pesar e medir todos os dados e alguns podem ser fraudulentos.
A maioria das decisões são mistas, sem certezas absolutas. Que curso fazer, para que profissão? Que namoro? Entrar no seminário, convento, casar, ser sacerdote, consagrado(a)? São decisões de procura e discernimento, mais livres e responsáveis. O recurso a pessoas experientes, de confiança e aos dados científicos que fornecem aumenta as probabilidades de acertar, mas isso exige confiança (fé) nelas e responsabilidade. Valores, gostos, emoções, ilusões, interesses, confiança e desconfiança nas pessoas, fé religiosa e descrença – de tudo dependem as decisões.
A responsabilidade pessoal pesará naquele que SE decide, a menos que seja um incapaz. A procura de factos, razões, recurso dos meios e pessoas que ajudem a discernir e tomar as decisões cruciais da vida obriga a usar com reta intenção a inteligência. Ao nível de decisões que abrangem as dimensões de transcendência e fé em Deus há tempos sensíveis de procura social e religiosa, cristã e católica que podem facilitar decisões responsáveis mais esperançosas.
Os tempos litúrgicos da quaresma e da Páscoa contam-se entre os mais densos de motivações para decisões fundamentais acertadas. A pessoa sábia pode recorrer à catequese, oração, catecumenato de adultos, encontro vital com Cristo e as suas propostas. Constituem bases de sabedoria responsável que facilitam o discernimento e decisões abertas e acertadas para a felicidade.
Quando se considera toda a abrangência da pessoa: transcendência, vida para além da morte, fé no Deus Pessoal, fé cristã, pedido do batismo e crisma, os conhecimentos históricos e suas várias leituras não levam a decisões científicas mas levam a decisões de sabedoria e fé. No Evangelho há exemplos e episódios de procura e decisões de fé.
O próprio cristianismo católico admite, segundo Jean Guiton e Vittorio Messori, entre muitos outros pensadores, três leituras alternativas das quais só uma pode ser a acertada. A crítica diz que não se sabe o suficiente para decidir; a mítica, que foi tudo inventado; e a da fé diz que os dados históricos são suficientes: Cristo é pessoa histórica e pode-se acreditar e confiar nele como Filho de Deus porque ressuscitou e muitos o viram vivo e muitos mais vivem d’Ele.
Para uns Jesus «é realmente o Profeta»; para outros «o Messias». Outros procuram: «poderá o Messias vir da Galileia?». Não «será da linhagem de David e virá de Belém, a cidade de David?». «Nunca ninguém falou como esse homem» (Jo7,40-53). É o Filho de Deus.
Discernir e optar por Cristo, sozinho, por entre centenas de caminhos apresentados nas redes sociais, com mistura de armadilhas «enganadoras do espírito do mundo ou do espírito maligno» (Francisco, Christus Vivit 279), sem ajuda de amigos de confiança é arriscado. Bomé ser ajudado pelo Amigo número Um, o próprio Jesus que nos amou até à morte.
Na Semana Santa e na Páscoa a Igreja convida a encontrá-l’O e a perguntar-Lhe qual a decisão da vida a tomar. Será uma decisão acertada se O convidam a continuar juntos como os dois discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35 in Francisco, o.c. 292)).
> Aires Gameiro, Semana Santa, 2019.
Alberto João Jardim foi o político português com mais anos no poder, um ano mais que Salazar. Foram quase quatro décadas na presidência do Governo Regional da Madeiras, somando vitórias absolutas em todas as eleições democráticas em que participou. Um longo mandato que está bem visível na obra que transformou o Arquipélago da Madeira em todas as áreas sociais, económicas e culturais.
AJJ foi, ontem, entrevistado por Júlio Magalhães, no Porto Canal. Mais do que uma retrospectiva ao percurso do político, assistimos a uma visão sobre as múltiplas situações de uma Europa em crise, de um mundo mais global, da carência de líderes, do centralismo português que contraria os desejos das populações e, numa leitura à Europa que bem conhece, o reconhecimento de que "é muito difícil viver numa ilha".
O video que aqui se insere http://portocanal.sapo.pt/um_video/iNElSL0giGQVGZsLkiQz ajuda-nos a interpretar posições que geraram muita controvérsia. Com muitos prós e contras. Perguntas e respostas para memória futura.

João Godim
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