
SANTANA, a primeira cidade portuguesa do século XXI, é o segundo maior concelho da Madeira, em espaço físico – subsiste principalmente da agricultura e do turismo. Em junho de 2011, recebeu um certificado muito especial atribuído pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) – um certificado único no arquipélago, que se juntou aos cinco de todo o país, ostentando desde então a categoria de Reserva Mundial da Biosfera.
Este certificado de excelência é um selo que assegura a qualidade ambiental, a biodiversidade, a prática sustentável de gestão de recursos, atrai um turismo de qualidade e direciona para um desenvolvimento harmonioso com a natureza.
Num tempo em que abundam as críticas, as polémicas e os ataques contra os Descobrimentos europeus, nomeadamente a expansão territorial levada a cabo pelos portugueses e "escravatura" das populações então realizada, como, dizem, nunca se tinha visto antes, eis que surge à luz do dia uma investigação corajosa e científica que coloca em causa também a actuação de outros povos neste capítulo negro da escravatura humana, praticada durante muitos séculos e muito anos antes dos europeus entrarem nestes negócios...

Não se pode explicar o contexto histórico de uma determinada época à luz dos conhecimentos actuais, porque seria anacrónico, mas muita coisa foi escondida, sonegada, a favor de uns que pareciam estar incólumes em relação a tudo; enquanto outros, como os portugueses e os espanhóis de há 500 anos, por exemplo, foram e são alvo de ataques constantes por causa da "escravatura" que praticaram, em detrimento de outros feitos incontestáveis que "deram outros mundo ao mundo".
Só que a História não se pode apagar, como revela um livro recentemente publicado entre nós (pela Gradiva), intitulado "O Genocídio ocultado". O seu autor - Tidiane N’Diaye é franco-senegalês, é um antropólogo e um economista de renome, e trabalha no Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos francês.
Trata-se de investigação Histórica sobre o tráfico árabe-Muçulmano, "sete séculos antes do tráfico de escravos europeu, que não poderia ter, aliás, a dimensão que teve sem a participação dos negreiros árabes e africanos".
Em resumo: "Os Árabes arrasaram a África subsariana durante treze séculos sem interrupção. A maior parte desses milhões de seres humanos que deportaram desapareceu, em resultado do tratamento inumano que lhes foi infligido. Essa dolorosa página da História dos povos negros não foi ainda definitivamente voltada.
Esse tráfico começou depois do fornecimento de escravos no Leste da Europa se ter esgotado, quando o emir e general árabe Abdallah ben Saïd impôs aos Sudaneses um bakht (acordo), concluído em 652, obrigando-os a entregar anualmente centenas de escravos. A maioria desses homens provinha das populações do Darfour.
E começou aí uma enorme horrorosa punção humana que só terminaria oficialmente no século XX. Muito depois da escravatura na Europa e do tráfico atlântico terem sido reconhecidos, abolidos e punidos."





Normalíssimo! Têm razão os que prevêem um Carnaval 2019 tão brilhante como os anteriores. Da varanda ou da janela a visão é sempre mais amplificadora ou especificadora consoante o que queremos ver. Com ou sem disfarces, em Portugal ou noutra parte do mundo... ninguém leva a mal!
Um dos mais importantes poetas de língua portuguesa - Camilo Pessanha (1867-1926)- faleceu no dia 1 de Março. Ligado à corrente "simbolista", influenciou a chamada "Geração do Orfeu" (Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros); e a sua obra reunida num único livro - Clepsydra - publicado em 1920, graças à sua grande amiga Ana de Castro Osório, é considerada como precursora do modernismo.

Natural de Coimbra, em cuja Universidade se licenciou em Direito, desempenhou vários cargos na área da justiça (foi advogado, procurador régio...) até se instalar definitivamente em Macau, território onde também foi juiz, professor liceal, e ali morreu, vitimado pela tuberculose.
O "Simbolismo", corrente de origem francesa, procura revelar a "decadência" e o "pessimismo" da realidade, pretende fazer oposição ao "positivismo científico, ao materialismo" característico dos finais do século XIX, e aspira à "espiritualidade, à transcendência física, à imaginação, ao ideal da arte pela arte".

João Godim
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