É assim. Os meridianos do tempo podem determinar mas não impor. A primeira notícia sobre o Reino dos Algarves teve reacções ao ponto de bloquear o computador, de flash's intermitentes, até dar-se o apagão total. Sim, venham lá os demónios do futuro passado e dos reinos algarvios para decifrar infinitos que não se conjugam. Não há rendição... só que temos que aguardar pela reparação técnica necessária. Certeza operacional da minha ferramenta de escrita só lá para quinta-feira, e nós já tinhamos alinhavado umas linhas para o "Dia das Petas" e sobre as alfarrobeiras, laranjeiras, figueiras (a tal árvore que dá fruto sem flor), amendoeiras, rainhas, reis, princesas e príncipes do reino dos Algarves.
Recebo a notícia que o tempo das amendoeiras já passou. Ah, sim! Pois fomos à procura e encontramo-las, brancas e frondosas. Pode não ser a época alta mas sempre há umas mas atrasadas que são as mais saborosas, dizem-nos na fábrida da amêndoa (acima do matadouro municipal de Loulé ). O Algarve é um Portugal diferente, gente de berço secular, com raízes anteriores à fundação do condado por D. Afonso Henriques.
Respira-se marés vindas do norte de África, turismo proveniente do norte da Europa e do Reino Unido, pontes com todo o mundo. Lídia Jorge, escritora de Loulé, ganha um dos mais prestigiados prémios de literatura espanhola. António Aleixo deixa saudades boas, a manta rota de Passos Coelho nem por isso, a "bomda e gasolina" do pai de Cavaco Silva já não é tema de conversa, o Pontal do PPD/PSD já teve dias melhores e Macário Correia fez de Tavira uma das mais asseadas cidades portuguesas.
Este teclado não é o nosso. Impõe tempo e espaço. Compreendo. Só mais uma linha para dizer que, neste preciso momento, está a decorrer o campeonato nacional de cocktail's, no mercado municipal de Loulé, com a participação de 8 profissionais do Algarve, 7 do norte do país, 9 de Lisboa e 8 da Madeira. O vencedor irá representar Portugal no campeonato do mundo. Um brinde a todos! Até breve. Até lá continuamos a dar umas olhadelas pelas terras do reino...
Reino de Portugal e dos Algarves ou, ainda mais hiperbólico, Reino de Portugal, Brasil e dos Algarves, não estão esquecidos, pelo menos para os algarvios mais bairristas e defensores das suas raízes histórico-culturais. Faz parte da história. Mas que raio vindo dos céus para tamanha ostentação monárquica é que nos custa a entender. Nem algarves nem céus pedem plural, cada qual é um só por um só no singular!
Foi por volta de 1249 que surge, pela primeira vez, a imponência “Reino do Algarve”, no reinado de D. Afonso III. Mas o título pegou de estaca e tanto assim que em 1825 passou a denominar-se Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, com a Carta Constitucional de 1926 a conferir a magnificência do título.
Os árabes deram o nome al gharb (= Algarve) que se traduz por ocidente, o plural algarves foi uma aberração portuguesa. O Reino Unido (não confundir com o United Kingdom inglês) de Portugal, Brasil e dos Algarves deixa de existir quando Portugal perde o Brasil, oficialmente em 1826. A partir de então passa a denominar-se distrito de Faro. Certo é que com a independência do Brasil o Algarve deixa é de figurar no reino.
Para não vasculhar mais matéria histórica e deixar a “vida alheia" para outros, apenas uma observação à distância: Não seria mais razoável atribuir o nome de distrito ao Algarve em vez de Faro? Até porque o Algarve toda a gente conhece… já sei, distrito não é o mesmo que região. Fico por aqui, vim à procura das amendoeiras em flor e já avistei algumas. A lenda sobre esta árvore, que entusiasma, vem da Pérsia (actual Irão).
Está a causar alguma perplexidade o facto do Papa Francisco recusar o gesto simbólico dos fiéis beijarem o anel do Sumo Pontífice, numa recente visita ao santuário do Loreto, norte de Itália. Nessa atitude que em alguns fiéis mais rigoristas causou algum escândalo, o Papa voltou a mostrar que não é mais importante que ninguém e que a sua autoridade não se impõe pela subserviência.
Francisco não desrespeita a tradição que, no passado, mantinha uma certa distância nas audiências entre o Papa e os fiéis, e as pessoas em geral, mas o seu estilo é outro, mais simples, mais próximo, sem que isso signifique a ausência de solenidade.
O poder papal não está num anel ou nas vestes que exibe, mas no encontro próximo, fraterno, acolhendo todos sem distinção.
Aliás, desde que tomou posse, Francisco nunca deixou de surpreender; a sua simplicidade fez-se logo sentir no dia da sua eleição, a 13 de Março de 2013:
- Eleito Papa, não se sentou no trono para receber os cumprimentos dos cardeais participantes no conclave, preferindo ficar de pé;
- na sua primeira aparição pública, na varanda da Basílica de São Pedro,saudou os fiéis com uma veste simples, toda branca, sem o tradicional "manto vermelho com detalhes em ouro";
- saudou os presentes na Praça de São Pedro com um simples “boa noite” e ao se despedir desejou a todos um bom descanso; e pediu ao povo para rezar por ele;
- no final da sua primeira aparição pública regressou à Casa Santa Marta de autocarro; e ficou hospedado no mesmo quarto onde residiu até então, dispensando o sumptuoso Palácio Apostólico, o carro oficial, comitiva e seguranças;
- na sua primeira manhã como Papa, após ir rezar na Basílica de Santa Maria Maior, passou pelo hotel onde estava hospedado antes de iniciar o Conclave, e pagou a conta da sua estadia;
- dispensou os tradicionais sapatos vermelhos dos Papas; continuou a usar uma cruz simples e escolheu um anel de prata;
- (...) e mais e mais que a memória mais atenta poderá testemunhar ao longo destes últimos anos como Papa. Francisco é assim, quer ser um entre todos, ao serviço dos mais pobres, sem as grandezas materiais de outrora, porque é autêntico no seu modo de ser, nos seus objectivos e intenções.
Ao contrário do que se possa julgar, o gesto do Papa rejeitar o beijo ao anel, mais do que uma recusa da pessoa significa a oportunidade do cumprimentar, do toque de mãos, da proximidade fraterna, da caridade humana que, nas suas próprias palavras, "vai do coração para as mãos".
Já agora, uma sugestão de leitura para quem eventualmente se sinta escandalizado com estas atitudes de Francisco: "Um Futuro de Fé", título do livro que recolhe conversas entre o Papa e o sociólogo francês Dominique Wolton (publicado há poucos meses pela editora Planeta), sobre temas tão diversos e pertinentes, por exemplo: "O que pensa o líder da Igreja Católica sobre a Família, as minorias, os refugiados, a desigualdade social, o capitalismo, a reforma da cúria,... e outros temas incontornáveis nos tempos que correm e nos que aí vêm".
A ministra da Cultura, Graça Fonseca, vai estar no Funchal no próximo sábado, dia 30 de Março, para o encerramento do Congresso internacional "Lugares Pioneiros" que decorre por ocasião dos "600 anos da Madeira e do Porto Santo".
A cerimónia irá decorrer no Teatro Municipal Baltazar Dias, pelas 19 horas, e será antecedida de várias conferências, painéis temáticos ao longo do dia, com destaque para a presença de Gilles Lipovetsky, na abertura, às 9h30, que falará sobre as “Cidades Globais-Cidade Educadoras”.
Este Congresso “Lugares Pioneiros” é uma parceria entre a Câmara Municipal do Funchal e de Machico e pretende abordar "a construção das cidades globais, abordando questões de cultura, religião, ciência, inovação e empatia".
“O queijo não tem data limite nem deve estar no frigorífico”. Isto é, quanto mais velho melhor e porque precisa de respirar deve estar sempre ao ar livre. Esta é a recomendação feita por especialistas. O queijo no frigorífico perde propriedades, estraga-se.
A origem da palavra queijo parece encontrar-se no latim popular. Em português a palavra queijo surgiu por intermédio do espanhol, documentado sob a forma de queso, em 1188. Acredita-se que a primeira produção de queijo tenha surgido acidentalmente por volta de 6000-7000 a.C.
Desde a antiguidade se percebeu que o queijo possui óptimos benefícios para a saúde, por conter saudáveis nutrientes, entre outros, o cálcio, proteínas, vitamina B12, bactérias que contribuem para a boa floral intestinal, para além de combater problemas com o excesso de gases, diarreia e prisão de ventre. O queijo é um excelente alimento para a saúde. em todas as idades, em especial para os seniores.
Escavação é uma instalação em dança que emerge do encontro em permanência de um corpo com o espaço, entre o rés-do-chão e a cave do Museu do Aljube.
Escavação é um convite a escutar memórias marcadas no corpo-carne e no corpo-tijolo; as histórias que as paredes desse prédio contam a este corpo, e os corpos que querem aparecer neste corpo quando dança aqui. os corpos-memória que constituem este corpo que dança aqui.
28 março - quinta, 14h30; 30 março - sábado, 15h; 3 abril - quarta, 14h e 7 abril - domingo, 10h30
Local: Piso 0 do Museu do Aljube (Lisboa)
A notícia não devia causar surpresa, mas contam-se ainda pelos dedos as mulheres que são distinguidas com prémios de nomeada em diversos campos do conhecimento e da ciência humana. De vez em quando, relata-se um acontecimento de atribuição justa, meritória, e disso se faz eco de todo um trabalho feminino, notável, feito em inúmeros bastidores e laboratórios, e por muitas mulheres.
O exemplo mais recente é o Prémio atribuído pela Academia Norueguesa de Ciências e Letras a Karen Keskulla Uhlenbeck, uma especialista em equações matemáticas e que desde criança sonhava ser cientista. Pela primeira vez o galardão, equivalente ao "Nobel" da Matemática, foi conquistado por uma mulher. Keskulla Uhlenbeck é natural dos EUA, tem 76 anos de idade e é professora emérita da universidade do Texas.
O Prémio será entregue pelo rei Haroldo V da Noruega, no próximo dia 21 de Maio, em Oslo.Nas motivações do reconhecimento, conferido pelas suas teorias sobre a análise geométrica, são elogiadas as ideias que «revolucionaram a compreensão das superfícies mínimas (como as formadas pelas bolas de sabão) e dos problemas de minimização sobre grandes dimensões».

Karen Keskulla Uhlenbeck
«Ela fez coisas que ninguém alguma vez pensou que pudessem ser feitas», afirmou, citada pelo “New York Times”, Sun-Yung Alice Chang, professora de matemática da universidade de Princeton e um dos cinco membros do júri do prémio, no âmbito da Academia das Ciências e das Letras norueguesa.
Os alunos recordam que Uhlenbeck os estimulou sempre a ir ao fundo das coisas e a não se satisfazerem com o «visível», porque – gostava de repetir – o universo é «ocioso» e não é ele a tomar a iniciativa de desvelar os seus segredos. É ao cientista, no sentido geral do termo, que cabe a tarefa, ou melhor, a missão, de indagar os mistérios do cosmos nas suas diversas e dinâmicas e diferentes acepções.

Foto: ROINESXXI
Dizem alguns ambientalistas tratar-se de um "monstro perigoso" que está a ser instalado em Portugal quando, dizem, outros países estão a encerrar semelhantes centrais de resíduo sólidos.
A Chamusca (Santarém) foi o único concelho de Portugal a aceitar a instalação de um Centro Integrado de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Perigosos (CIRVER). Como contrapartida o Município recebe determinadas compensações financeiras e preferência pela mão-de-obra do concelho. As obras, no seu núcleo central, estão previstas para começar este ano.
O CIRVER integra uma Zona Empresarial Responsável (ZER) destinada a atrair empresas complementares à área ambiental. Apesar de o centro estar altamente controlado não deixa de ser um local de resíduos sólidos com alguma perigosidade. Trata-se de uma central pioneira em Portugal que “vai produzir energia elétrica a partir de biomassa residual através de uma tecnologia que elimina a questão da variabilidade energética”, garantem as entidades oficiais.
Moedas de dois euros comemorativas dos "600 Anos do Descobrimento da Madeira e do Porto Santo", desenhadas pelo pintor Júlio Pomar, serão emitidas e postas em circulação ainda este ano, sob a responsabilidade da Imprensa Nacional/Casa da Moeda. O projecto numismático integra o programa das comemorações dos "600 Anos do Descobrimento da Madeira e do Porto Santo" organizadas pelo Governo Regional através da Secretaria Regional do Turismo e Cultura que, para 2019, tem agendadas mais de 30 iniciativas alusivas àquela efeméride histórica.
A moeda comemorativa dos "600 Anos" é considerada, segundo o Governo Regional, um dos últimos trabalhos do artista plástico/pintor Júlio Pomar (falecido em Maio de 2018, aos 92 anos de idade), neorrealista e símbolo da terceira geração dos pintores modernistas portugueses, com obras marcantes como o "Almoço do Trolha" e "Gadanheiro".
O programa comemorativo envolve ainda outras propostas artísticas no campo das artes plásticas, do teatro e da música; a realização de congressos e palestras; espectáculos, festivais e concertos; exposições; indústria cultural e criativa; projectos lúdico-educativos, planos editoriais e de recuperação e conservação do património edificado.
Não gostamos de ver igrejas com portas fechadas, não só por ser um procedimento contrário aos princípios da sua existência como contradiz os apelos à participação dos crentes na vida religiosa e sua presença na casa de Deus. Uma igreja não é um museu, é um espaço aberto, cívico, activo e efectivo, de conforto espiritual, em todas as religiões. Fechar as portas é fechar-se aos caminhantes, às comunidades, aos povos do conhecimento.
Fomos a Belmonte (Beira interior) para uma reportagem sobre a comunidade judaica e a sua sinagoga que dizem ser das mais antigas da península ibérica. As referências (sem data certa) dizem que os judeus estão em Portugal muitos antes da fundação do país (1143). As portas da sinagoga estavam fechadas mas no seu interior estavam pessoas (ouviam-se vozes). Não batemos à porta, aguardámos que alguém abrisse (saísse ou entrasse). Quando alguém chegou perguntámos se podíamos entrar, a resposta foi um perenptório não!. Entrou e rapidamente fechou a porta. Lá dentro estavam pessoas a falar.
Tirámos fotos (do exterior da sinagoga), e mais não comentamos. Será este o mundo secreto dos judeus, causa de muitas convulsões? O porquê de tanta história maldita sobre a comunidade judaica? Com todo o respeito pela liberdade na universalidade. Como nós, outros são impedidos de entrar na sinagora. Porquê?
A propósito do massacre de Nova Zelândia, vale a pena não esquecer que o Catolicismo tem um Antigo e um Novo Testamento. O homicídio de 50 pessoas nas mesquitas de Nova Zelândia levantou um alvoroço de pontos de vista contraditórios. Antes de tudo, foram mortas pessoas que eram muçulmanos. Ser dessa religião é secundário, a primeira coisa a deplorar é serem assassinados muçulmanos ou cristãos. É sempre massacre.
Alguns acham que se está a deplorar mais estes muçulmanos que os milhares e milhares de cristãos que tem sido massacrados à maneira de genocídio na República Centro-Africana e antes no Sudão e milhares em vários países, como que a significar que devia ser mais seletiva a condenação segundo a religião ou ideologia que cada um segue.
E mais ainda, segundo os erros, ódios e vinganças que se descortinam nas vítimas ou nos que matam e se estes são extremistas muçulmanos, doutra religião ou de nenhuma. Sim, parece que nos livros das religiões monoteístas (e nos dos ateístas?) há erros e expressões de vingança e de violações dirigidas aos «infiéis» do outro lado, mas isso não justifica a barbárie.
Alguns cristãos esquecem que Jesus veio completar a Lei e as tradições: «Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem» (Mt.5 43-44). «Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados» (Lc 6, 37). Jesus mudou o pensamento único da moda. E disse, para surpresa dos ouvintes: julgais que «os galileus massacrados por Pilatos eram mais pecadores? Ou os dezoito da torre de Siloé?» (Lc13, 1-9).
Todos os seguidores de religiões e os que se agarram a misturas de ideologias religiosas e irreligiosas, e mais ainda se delirantes, continuam as ser fracos e pecadores, mas tendem a convencer-se que alguns doutra cor são mais pecadores que eles. Jesus, nestas questões sobre os galileus massacrados, incomoda; parece estar a defender o terrorismo e a luta armada dos galileus. Mas está apenas a dizer que as autoreferências ideológicas de inocentismo se pegam a todas as pessoas.
Quando o papa Francisco exprimiu lamentação e referiu em especial os muçulmanos assassinados nas mesquitas, alguns sentiram indevidamente que estaria a aprovar alguns versículos de violência do Alcorão contra os cristãos! Não é preciso ser especialista de estudos corânicos e islamitas para verificar que há lacunas nas tradições desta religião, como já havia no Antigo Testamento. Este foi completado com o Novo.
O Novo Testamento cristão existia há séculos antes dos muçulmanos. Estes, como tantos grupos religiosos da história, rejeitaram-no. Não se sabe como, mas enquanto não o aceitarem, essa lacuna, eventualmente, ocasionará estragos humanos, violações e mortes.
À primeira vista, o Islão aceitou profecias do Antigo Testamento, mas não aceitou o Profetizado nem o seu Novo Testamento e ainda o contrariou. Virão a aceitá-lo? O seu livro, que não foi escrito por Maomé, ficou sem um garante histórico autorizado. Dir-se-ia, sem ofensa, que o Islão nasceu já com divisões e contradições armadilhadas de indícios de violência para dentro e para fora; e sem um Pedro inicial autorizado com a missão histórica de mediador de conflitos.
Surpreende que de dentro do Cristianismo alguns tendam a desvalorizar a autoridade clarificadora de Jesus Cristo; e a escolha solene de Jesus de um «Cabeça». A falta de um novo testamento, de um líder autorizado e de assembleias gerais, à maneira dos concílios cristãos, ocasionam equívocos evitáveis.
Talvez por isso, a história muçulmana mostre catorze séculos, não apenas de escravizações e mutilações, mas de tantos genocídios de milhões de negros massacrados, como os que Tidiane N’Diaye relata no seu livro «O genocídio ocultado». E quase sempre programados à margem de guerras recorrentes. O fanatismo religioso e antireligioso roubam a liberdade de consciência e a dignidade dos filhos de Deus, nossos irmãos. O gentio Centurião confessou: «verdadeiramente este é o Filho de Deus» (Mt 27, 54; Lc 23,47 e Mc 15,39); os fanáticos do Sinédrio rejeitam Jesus e escolhem Barrabás.
> Aires Gameiro, Funchal, Março 2019

A Festa da Flor na Madeira é um evento único em Portugal e um dos mais brilhantes da Europa (a seguir à Holanda e à Bélgica), em dimensão, em flores indígenas e na profusão de variedades. A primeira edição realizou-se nos anos 50 do século XX e desde então tem vindo a evoluir e a ganhar projeção internacional. Turistas de todo o mundo viajam para a Madeira só para ver a Festa do Flor.
Este ano a Festa da Flor irá decorrer entre 2 e 19 de maio. A programação conta com muita animação e iniciativas destinadas à participação dos turistas. Começa com o Mural de flores, feito pelas crianças, exposição de flores em vários pontos da cidade, tapetes e decorações com flores, workshops e mostras de artesanato, e o monumental cortejo da flor com centenas de figurantes vestidos com traje em flor. Um espectáculo inesquecível.

As fotos que aqui se publicam são uma pequeníssima amostra da flor que desabrocha com maior beleza na época presente - a Primavera.
Neste mês de Março e neste ano de 2019, assinalam-se duas efemérides referentes às relações entre Portugal e a China, e por causa de Macau:
> O protocolo de Lisboa, assinado em 1887, nos termos do qual foram estabelecidas as condições do Tratado de Amizade e Comércio com a China bem como sobre o direito de ocupação e governo de Macau, por parte Portugal; e os 20 anos da independência do território de Macau que, em 1999, passou para a soberania da China.
Nas palavras do antigo embaixador e ministro dos Negócios Estrangeiros do Estado Novo, Franco Nogueira (1918-1993): “Nunca verdadeiramente fomos soberanos em Macau, sempre subsistimos graças à boa vontade da China e sempre partilhámos com ela a autoridade.”
A História também regista que o território de Macau, antes da instalação permanente dos portugueses, foi procurado desde o século XVI por "comerciantes e aventureiros que navegavam à revelia da Coroa". Procuravam "um porto de abrigo próximo das feiras de Cantão. Ali encontraram artífices capazes de reparar as caravelas.
Aos poucos foram ganhando a confiança da população, numa convergência de interesses que permitiu a continuidade dos portugueses durante quatro séculos e meio. Durante os primeiros tempos, os portugueses não pisaram terra. Viviam nos barcos. No porto havia um templo dedicado à deusa Á-Má. O local chamava-se Baía de Á-Má e daí terá vindo o nome Macau".

Há regras mas não há disciplina, há lei mas não há rigor, há um forrobodó na política mas não há penalizações, há dívida do estado acima dos 130 % do PIB mas os governantes não são os responsáveis, há falência pública, há greves promovidas por partidos em nome dos sindicatos, há falsos profetas que deviam estar por detrás das grades, há muita matéria identificada que daria para dar novo rumo a Portugal se houvesse vontade de fazer em vez de apenas prometer.
Há um presidente da República que vai a um bairro social, de seu nome Jamaica, por causa de uma briga entre vizinhos, quando há outras imperiosas necessidades noutros locais. Um mesmo presidente que dias depois está em Luanda a pedir ao presidente angolano que pague a dívida de milhões às empresas portuguesas. Há um governo formado, em parte, por famílias como se fosse uma empresa privada, com a diferença que a privada tem de ser bem gerida e dar lucro, ao passo que a dívida pública não deixa de aumentar e os governantes não são obrigados a pagar.
Há bancos com o garrote financeiro, figurada falência camuflada, com somas milionárias em crédito malparado e os banqueiros a viver como se nada tivesse acontecido. Há empresários milionários sem justificarem as origens da riqueza, reinando aqui a tal ausência de seriedade. Andam em liberdade como o mais cumpridor dos cidadãos quando deviam estar na prisão.
Há um país despolitizado, adormecido pelos ditames do poder, cheio de sol e de turistas, gente pobre e aparentemente a viver bem, com vencimentos e reformas dos mais baixos da União Europeia. Gente feliz com tão pouco! Isto é Portugal.
No Dia Mundial da Poesia, na chegada da Primavera, a 21 de Março, várias instituições culturais vão assinalar o centenário de nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004). Por exemplo, para celebrar a vida e a obra desta grande poetisa a Livraria Ler Devagar, LX Factory (em Lisboa), propõe uma conversa com Maria Andresen Sousa Tavares e a leitura de textos e poemas da poeta por Lourdes Norberto e Elizabete Caramelo. Será às 21 horas, numa organização da Junta de Freguesia de Alcântara.
Sophia de Mello Breyner Andresen, um dos grandes nomes da poesia portuguesa do século XX, foi a primeira mulher a receber o Prémio Camões, em 1999.
Natural do Porto, frequentou o curso de Filologia Clássica na Universidade de Lisboa e a partir de 1944 dedicou-se totalmente à literatura. Em 1964, foi distinguida com prémio de poesia pela Sociedade Portuguesa de Escritores, pela sua obra Livro Sexto (1962).
Destacou-se ainda como opositora do governo salazarista e fez parte dos movimentos católicos contra o antigo regime. Foi fundadora da Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos e eleita para a Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista, em 1975.
PRIMAVERA
Primavera que Maio viu passar
Num bosque de bailados e segredos,
Embalando no anseio dos teus dedos
Aquela misteriosa maravilha
Que à transparência das paisagens brilha".
> Sophia de Mello Breyner Andresen | "Antologia"| Circulo de Poesia Moraes Editores, 1975.
> A data do Dia Mundial da Poesia, a 21 de Março, foi sugerida pela 30ª Conferência Geral da UNESCO (Agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) em 1999.
Faleceu, hoje, aos 86 anos, na Madeira, o arcebispo D. Maurílio de Gouveia. Natural do Funchal, foi ordenado sacerdote em 1955 e eleito bispo titular de Saboia, em 1973, seguindo-se a nomeação, pelo Papa João Paulo VI, para Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa.
D. Maurílio de Gouveia fez uma carreira ascensional reconhecida com a nomeação para diversas funções. Em 1978, passa a arcebispo titular de Mitilene e vigário-geral do Patriarcado, cargo que desempenhou até 1981, altura em que foi nomeado, pelo Papa João Paulo II, para Arcebispo de Évora.
Um adeus sempre presente entre nós. Paz à sua Alma.
NB: O arcebispo madeirense repousará no panteão dos arcebispos, em Évora.
A quaresma dos 40 dias, anos, séculos, de caminhadas faz pensar e faz viver ao ritmo de Cristo, Salvador. Há cerca de quatro milénios de tradições orais e escritas que os Hebreus da tribo de Abraão de Ur e do povo da sua descendência foram surpreendidos no deserto por um Deus que se deu a conhecer e disse que era o único Deus. Oferecia a sua aliança, pedia aceitação e prometia fazer deles um grande povo para todo o sempre (Gen 15,5-12.17-18).
Eles, uma tribo de errantes, eram assim tão importantes entre tantos impérios e povos poderosos e com muitos deuses? E esse povo errante, minúsculo, insignificante, de desertos inóspitos, aceitou e prometeu cumprir os mandamentos desse Deus único. Foi muitas vezes infiel mas nunca abandonou a esperança alimentada por tantos profetas da vinda de um Messias de sofrimento e grandeza, rei e libertador. Um salvador que a maioria desse povo esperou e muitos ainda esperam. E os profetas até deram sinais de chegada, de quem seria e como seria esse messias que os libertaria.
Há dois milénios parte desse povo reconheceu em Jesus Cristo esse Messias Salvador. Outra parte, porém, não o reconheceu porque se manifestou fraco, sem poder guerreiro. Não era libertador poderoso. A maioria do judaísmo rejeitou-o; não era ele. Contudo pequena parte dos judeus aceitaram-no; muitos gentios também o aceitaram. Jesus foi Messias rejeitado, vencido, morto, mas ressuscitou e iniciou o novo Povo de Deus que transbordou, tornou-se numeroso «como as estrelas do céu» e recebeu o nome de Cristianismo.
Ficou o mistério: o povo hebreu continua guardião e garante rigoroso das narrativas proféticas do Messias, apesar de grande parte rejeitar Aquele que as cumpriu e uma pequena parte as aceitar cumpridas em Jesus. Para uns teria de aparecer no tempo messiânico do I século como Messias terreno triunfante e guerreiro; para outros bastou ser Jesus Cristo, morto e ressuscitado, como aparece nos Evangelhos.
Houve outros messias guerreiros no século I de libertação de Israel, mas sem sucesso. E um judeu renegado, Flávio Josefo, torceu as profecias (cf. Vittorio Messori em que me inspiro), para dizer que o messias libertador era Vespasiano o imperador romano!
Fica a questão: como é possível que a maioria dos Judeus, de todos os tempos, mantenha fé nas profecias messiânicas do Antigo Testamento, mas não acredite que Cristo as cumpriu? Guardam ciosamente as Escrituras, fazem todas as investigações literárias e arqueológicas para confirmar as narrativas do Antigo Testamento, talvez mais que os Cristãos e a Igreja Católica e não as consideram cumpridas. Como se explica que sejam guardiões da Revelação do Deus único ao seu povo a viver entre povos politeístas?
Se os Hebreus trocaram muitas divindades por um só Deus, só parece ter sido possível por intervenção do próprio Deus Único! A partir daí, mais de um terço da humanidade atual acerta sua vida por um Deus único e seu Filho Jesus Cristo, o Messias das Profecias, morto e ressuscitado; embora vivam com fraquezas, infidelidades e pecados.
Enquanto apenas duas ou três escassas dezenas de milhões, guardiões fiéis e rigorosos da letra das Profecias do povo do Deus único, rejeitam Jesus Cristo e promovam a esperança num messianismo (terreno?), rico, poderoso e dominador.
É admirável a sua tenacidade fiel às tradições da aliança com Deus, também no meio de fraquezas, infidelidades e pecados! Como rejeitam, então, que as Profecias estejam cumpridas em Jesus Cristo? Quase tão inexplicável e surpreendente como Jesus e o Cristianismo, para tantos filósofos e letrados eruditos, ser considerado «irremediavelmente tabo»?
Parece que «Jesus está entre os assuntos que criam mal-estar numa conversação civilizada» como Messori inicia o seu livro (Hipóteses sobre Jesus, Vittorio Messori, Edições Salesianas,1987).
As razões complexas que levam os Hebreus a não fazer a passagem (quaresmal do deserto) do Antigo para o Novo Testamento são semelhantes às que hoje levam muitos a optar por algum messias político poderoso e vencedor armado e a rejeitar o Messias do Antigo e Novo Testamento que só depois do deserto, paixão e morte ressuscitou glorioso, como se refere na transfiguração (Lc 9, 28-36), mas continuou a vencer os corações pelo amor para a vida da glória dos que aceitam o deserto com Ele.
> Aires Gameiro, Quaresma, Funchal 2019
Ilha da Madeira... Ilha do Funchal
“Apanha se Puderes” é um programa da TVI, apresentado por Rita Pereira e Pedro Teixeira. Mónica Jardim é um dos rostos mais conhecidos da TVI que participou, como concorrente, numa edição do referido programa. Até aqui tudo bem. O alerta grave surge quando a concorrente é confrontada com uma pergunta sobre a Ilha da Madeira.
Antes de responder à pergunta, Mónica Jardim fez questão de dizer que “por acaso é uma coisa que eu adoro, que é geografia”. Sem hesitações. Eis a pergunta: “Qual destas localidades madeirenses se situa mais a Sul?”, Funchal, Ponta Delgada, Machico e Porto Moniz. “Machico eu sei que é no Funchal, mas vendo a ilha do Funchal eu não sei onde é que está Machico situado. Não sei se é no Sul da ilha...”, afirmou Mónica Jardim.
E esta, diria Fernando Pessa. Corrigir o erro grosseiro: Machico é uma cidade situada na zona leste da Ilha da Madeira, local onde aportaram, pela primeira vez, as caravelas com os descobridores portugueses (1419). Funchal não é uma ilha mas sim a capital da Ilha da Madeira e é a que fica mais a sul. Infelizmente o drama do analfabetismo na televisão não é exclusividade da TVI nem de Mónica Jardim... Ilha do Funchal é um absurdo.
Fernando Gil (1937-2006), "um dos nomes maiores do pensamento e do ensino filosófico português no século XX", morreu, faz amanhã, 19 de março, 13 anos. Pensador internacionalmente reconhecido, distinguido com o Prémio Pessoa em 1993, é autor de "La Logique du Nom" e "Mimesis e Negação", entre outros títulos.
Nascido em Moçambique, Fernando Gil formou-se em Direito, na Universidade de Lisboa, em 1959, apesar da sua vocação filosófica. "Estreou-se como autor em 1961 com Aproximação Antropológica", mas logo seguiu para Paris, onde concluiu uma segunda licenciatura, em Filosofia, e se doutorou em Lógica.
Exerceu ainda a actividade de tradutor para português de obras filosóficas, ensaios de Merleau-Ponty e de Jaspers, entre outros. Após o 25 de Abril de 1974, tornou-se professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e directeur d'études na École des Hautes Études en Sciences Sociales.
É irmão de José Gil (também filósofo, nascido em Moçambique, em 1939) e considerado, no número especial do Le Nouvel Observateur, de Dezembro de 2004, como um dos 25 «grandes pensadores» de todo o mundo, ao lado de Richard Rorty, Peter Sloterdijk, Toni Negri e Slavoj Zizek; doutorado em Filosofia na Universidade de Paris (1982), sob a orientação de François Châtelet.
José Gil é autor do livro muito divulgado em Portugal, "Hoje — O Medo de Existir", em que são abordados "traços de mentalidade (desde a inveja à dificuldade de «inscrição») que por serem particularmente acentuados no nosso país" e que "entravam o seu desenvolvimento, abertura ao exterior, e, sobretudo, a sua dinâmica interna."
Agricultura madeirense é uma epopeia
Está a decorrer nas Canárias (Espanha), até a próxima sexta-feira, o IV Congresso Mundial ITLA – Territórios de Terraços e Socalcos, sob os solos das ilhas da Macaronésia – Açores, Canárias, Madeira e Cabo Verde.
Evento promovido pelo ITLA (International Terraced Landscapes Alliance), surge na continuidade aos realizados na China (2010), Peru (2014) e Itália (2016). O tema central incide sobre as paisagens em socalcos, expressão da cultura material e imaterial dos povos, cuja história está intrinsecamente ligada à cultura civilizacional e geracional ao longo dos séculos.

A orografia da ilha da Madeira, em inclinação, obriga a uma engenhosa criação de socalcos para que seja possível desenvolver a agricultura. São os famosos poios (feitos pela força dos braços dos homens (cavadores), com enxadas na abertura dos regos, plantação manual e o regadio com água de giro). A agricultura madeirense é uma verdadeira epopeia e fisicamente muito violenta!
Poios de bananeiras


João Godim
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