
Há sempre uma primeira vez e uma ousadia inédita, mesmo em contextos de mentalidades difíceis ou dificuldades várias. Não faltam histórias a este propósito, mas quando se trata de uma mulher portuguesa, que levou por diante o sonho de ser aviadora, nas primeiras décadas do século XX, então o caso é mesmo muito ousado.
Trata-se de Maria de Lourdes de Sá Teixeira, nascida em Lisboa em 1907, e que por volta dos 18 anos de idade escolheu estudar na Escola Militar de Aviação, contra a resistência da própria família e dos preconceitos da sociedade da época. O seu instrutor de voo foi o Capitão Craveiro Lopes, mais tarde Presidente da República.
Ficou registada como uma aluna muito interessada e determinada, tornando-se na primeira mulher aviadora portuguesa, aos 21 anos de idade. Realizou o seu sonho, mas não fez dessa conquista a sua profissão; optou por constituir família e foi viver para o Brasil. Faleceu em 1984. O seu nome e o seu feito estão em destaque numa rua da Freguesia dos Olivais, em Lisboa.
Neste dia 13 de Fevereiro, lembramos o inesquecível Professor e pensador Agostinho da Silva (1906-1994). Nascido nesta data, no Porto, foi mais do que um cidadão português, foi um sábio universal, de matriz clássica e renascentista, com vontade de tudo fazer em prol da cultura e da felicidade do ser humano através da arte.
Foi um verdadeiro filósofo do nosso tempo que discursou, escreveu, pesquisou e traduziu o que de mais importante existe no mundo e na sociedade em geral. Pelo seu percurso formativo e académico vê-se que construiu uma personalidade humana e intelectual muito sólida: licenciou-se em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde teve como professores o grande filósofo Leonardo Coimbra e Teixeira Rego, um dos pensadores da saudade;
Dutorou-se na Sorbonne com uma tese sobre Montaigne e em Paris conviveu com António Sérgio, Jaime Cortesão e Raul Proença, então exilados por força do regime salazarista; deu aulas no ensino público oficial, mas também foi demitido pelas suas ideais e acusado de pertencer a associações secretas; colaborou em importantes jornais e revistas da época; chegou a ser preso pela Polícia Política - a PIDE e, nesta sequência, optou pelo exílio em vários países - Uruguai, Argentina, Estados Unidos, Brasil, e outros Continentes - África, Ásia.
No Brasil, onde viveu 25 anos, fundou quatro universidades, criou centros de estudo superior, ensinou matérias ligadas às Letras e às ciências, foi próximo dos presidentes Jânios Quadros e Juscelino de Oliveira, e naturalizou-se brasileiro em 1958.
O regresso a Portugal deu-se em 1969 e depois do 25 de Abril de 1974 foi "descoberto", e aclamado, pelas novas gerações como um dos pensadores mais originais da língua portuguesa. Morreu aos 88 anos de idade, mas a sua vida e obra permanecem actuais. A recordação do dia do seu nascimento é apenas uma oportunidade para se revisitar e reler o que nos deixou de forma intemporal.
> "Não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida; sou do paradoxo que a contém no total" (Agostinho da Silva)
Quantas vezes a política não é mais do que um carnaval? Vista à luz dos factos, a política é um carnaval e dura mais do que três dias. Os políticos desfilam todo o ano, usam a máscara para cada ocasião, vestem trajes chimpanon e, não raros, entram pela escuridão metafórica das folias e das orgias. É uma alegria…
Não imagino o mundo sem estes políticos modernos, sabichões, nascidos numa democracia que continua imberbe. Como não admirar Donald Trump. Vladimir Putin, Kim Jong-un, Nicolás Maduro e Marcelo Rebelo de Sousa. O mundo gira à volta destas estrelas. Álvaro Cunhal, Mário Soares e Sá Carneiro, entre outros que tiraram Portugal da ditadura, foram gigantes figurinhas ao pé dos cabeçudos da actualidade. Oliveira Salazar e Marcello Caetano, traz, traz, traz, até Dom Afonso Henriques, não fogem à regra.
Mais do que o Portugal grande, gosto do Portugal pequeno, das aldeias e vilas, das ilhas e das comunidades partilhadas. Dói ver terreiros ao abandono, plantas secas e árvores desprezadas, casas e casebres sem vive-alma, onde dantes tudo florescia hoje apenas vemos ervas daninas. O país será sempre o espelho dos que nele habitam, dos que governam e dos que tomam o poder e fazem opções. Na certeza que não há política sem Carnaval, as máscaras é que vão mudando.
Pior que as máscaras inofensivas é ver este nosso Portugal fruto dos políticos sem formação política, produtos de uma democracia fingidora e apoderada por partidos confusos e birrentos. Um país pobre, atrasado em relação à Europa mais evoluída, mas a esbanjar milhões e milhões de euros sem proveito e a ter no seu seio milhões de portugueses com parcos tostões. É contra esta mascarada que estamos posicionados. Para todos: apitadelas, buzinadelas e aplausos ensurdecedores, sem tarjas e com palavras de ordem. Haja espírito carnavalesco. Ressalvas, poucas!
El político preparadíssimo para enfiar bandarilhas na lomba da justiça. Será dos momentos mais altos da tourada portuguesa. Olé...
Prosa com tentativa de humor: Sem discursos primários, falsas promessas e hábeis corrupções, a política seria uma seca! O politicamente correcto na política seria a morte da política. Os políticos, sem excepção, fazem o discurso do medo para que as pessoas não tenham outras opções.
O ex-primeiro ministro Sócrates subiu tão rápido como tão depressa bateu no fundo. Foi preso à vista de todos quando chegava a Lisboa vindo de Paris, passou algum tempo na cadeia mais desejada pelos prisioneiros portugueses, na mítica Évora, voltou à liberdade condicionada e anda por ai como um cidadão exemplar, gozando o sol e a praia da Ericeira.
Um dia voltará a ser importunado pelos tribunais, sem nunca deixar de invocar a sua inocência. Os artistas do Carnaval não o deixem em paz, desde que foi detido passou a ser figura de cartaz nos carnavais de todo o país. Uma subida e descida com alguma comédia. E a farsa politiqueira continua. Viva Portgugal. Olé...
Neste ano de 2019, assinala-se o 180.º aniversário de nascimento de um dos escritores mais populares de todos os tempos - Júlio Dinis. Pseudónimo do médico Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871), os seus romances distinguem-se pela abordagem essencialmente social e psicológica dos seus protagonistas, "figuras típicas" de certos ambientes do norte de Portugal de oitocentos, em particular do Porto, onde nasceu o autor de:
Uma Família Inglesa, As Pupilas do Senhor Reitor, Os Fidalgos da Casa Mourisca, A Morgadinha dos Canaviais, Serões da Província, entre outros títulos que retratam a "comédia humana" de um tempo histórico, marcado pela "ruralidade", pela "revolução" de mentalidades, pela acesa intervenção política e desafios da modernidade.
Júlio Dinis escreveu muito, apesar de ter vivido somente 32 anos, morreu vitimado pela tuberculose, a doença que escolhia preferencialmente os "românticos". A sua obra continua a ser editada, mas merece maior divulgação quanto à leitura.


Os 180 anos do seu nascimento é mais uma oportunidade para revisitarmos Júlio Dinis na sua incomparável prosa e também nos vários poemas que deixou para a posteridade, com reflexões sobre a condição humana e os princípios que devem nortear a humanidade em qualquer época.


Política tem pitadas de humor, Carnaval faz-se com gargalhadas de humor. A começar pelo silogismo carnavalesco, todos iguais, todos mortais. Política no feminino: Catarina em queda aparente e Cristas com dentes de mamífero roedor da família dos murídeos, Duas "ratazanas" da política sem poder mas prontas para arrebanhar tanto à esquerda como à direita.
São líderes de partidos (BE e PP) com sede em ricos palacetes lisboetas. Cristas destaca-se por repetir o que outros já disseram, politicar ao politicando, já Catarina cria factos, zás-catrapuz, pumba! Ai vão elas, pó, pó…É Carnaval, ninguém leva a mal.
Pintou Lisboa através de janelas cheias de luz, retratos e paisagens com um traço inconfundível... Maluda, a pintora portuguesa nascida em Goa (Pangin, Índia) em 1934, morreu, faz hoje 20 anos, no dia 10 de Fevereiro.
O seu nome verdadeiro era Maria de Lurdes Ribeiro. Viveu em Moçambique desde 1948, onde despertou para a criação artística, como retratista autodidacta. Radicou-se em Lisboa na década de 60, onde fez os principais estudos de pintura, depois em Paris (bolseira da Gulbenkian), em Londres e na Suíça.
A sua vasta obra artística, que inclui também retratos de personalidades famosas – com destaque para os de Amália Rodrigues, Aquilino Ribeiro, Ana Zanatti, Vítor Crespo, está representada em serigrafias, tapeçarias, cartazes, painéis murais, ilustrações e selos de correio. Mas, as séries "Quiosques de Lisboa" e "As Janelas de Lisboa" é que a tornaram famosa.
A série dos quiosques, aliás, ficou consagrada numa colecção de selos dos CTT e ganhou o prémio mundial de "Melhor Selo", em Washington (1987). Fez exposições individuais em Nova Iorque, Washington e Dallas; ganhou vários prémios; foi condecorada com Ordem do Infante (1998) pelo então Presidente da República Jorge Sampaio; e foi grande amiga de Natália Correia, de Amália Rodrigues que, curiosamente também nos deixou no mesmo ano, em Outubro de 1999...
Maluda morreu cedo, aos 64 anos de idade, de doença prolongada. Mas o seu nome e a sua arte estão muitos presentes em Lisboa, principalmente, numa Rua da freguesia de Santa Clara, desde 2007, e ainda num fado que Carlos Zel lhe dedicou no seu álbum de 1993 - o "Fado Maluda" com letra de Rosa Lobato de Faria e música de Carlos da Maia.
Foi a maior diocese do mundo
De hoje a uma semana, domingo, dia 17 de Fevereiro, D. Nuno Brás da Silva Martins tomará posse como 33.º Bispo da diocese do Funchal. Nomeado pelo Papa Francisco no passado dia 12 de Janeiro, foi até esta data Bispo Auxiliar de Lisboa e sucede no governo pastoral da Diocese do Funchal D. António Carrilho que, desde então, passou a ser administrador apostólico.
Na sua primeira mensagem à comunidade diocesana, D. Nuno Brás disse que acolhia a nomeação do Papa "com um misto de temor e confiança: temor porque tenho consciência das minhas limitações; confiança porque sei que Jesus estará sempre comigo e não me abandonará."
A diocese do Funchal foi criada há 505 anos, a 12 de Junho de 1514, pelo Papa Leão X, e foi nos seus primórdios a maior diocese do mundo, dado o papel pioneiro e fundamental que desempenhou na evangelização durante a época dos Descobrimentos portugueses.
Ao longo dos séculos, empenhou-se em conservar e a difundir o ideal cristão através, também, dos milhares de emigrantes, e do contributo de destacadas personalidades no campo da cultura, da ciência e da prática social. Actualmente, é constituída por 96 paróquias, num território insular - Madeira e Porto Santo, com cerca de 270 mil habitantes.
Nos últimos 50 anos, a diocese do Funchal teve como Bispos: D. Frei David de Sousa, membro da Ordem Franciscana (1957-1965), D. João António da Silva Saraiva (1965-1972), D. Francisco Antunes Santana (1974-1982), D. Teodoro de Faria, natural do Funchal (1982-2007), D. António Carrilho (2007-2018), e agora D. Nuno Brás da Silva Martins (2018-).
Para a cerimónia de posse do novo Bispo está prevista a presença de vários Bispos, entre portugueses e estrangeiros, com destaque para o representante do Papa em Portugal - D. Rino Passigato, do Patriarca de Lisboa - D. Manuel Clemente, do responsável pela Biblioteca e Arquivo do Vaticano, D. Tolentino Mendonça (madeirense), do Bispo de Setúbal - D. José de Ornelas Carvalho (madeirense), e do Bispo de Amajary, Madagáscar - D. Alfredo Caires (madeirense).
O novo Bispo do Funchal, D. Nuno Brás da Silva Martins, é natural do Vimeiro (Lourinhã), nasceu a 12 de Maio de 1963, e tem um significativo currículo pastoral desde os tempos da sua formação no Seminário, uma vasta experiência teórico-prática alicerçada em estudos fundamentais, como o doutoramento em Teologia Fundamental (1999), pela Universidade Gregoriana (Roma); o diploma em Comunicação Social pelo CICS (Universidade Gregoriana, 1993); o mestrado em Teologia Sistemática pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa - UCP (1990); e a licenciatura em Teologia na mesma Universidade (1985).
Nos últimos anos, foi ainda Professor na UCP, Reitor do Pontifício Colégio Português em Roma, de 2002 a 2005; Reitor do Seminário Maior de Cristo Rei (Olivais) de 2005 a 2011, entre outros cargos de relevo.

A 23 de fevereiro (sábado), no Auditório do Museu do Aljube, vai realizar-se uma sessão contínua evocativa das duas fases do campo de concentração do Tarrafal com quatro filmes que recordam, dão voz e homenageiam as suas vítimas entre 1936 e 1954, período em que trinta e dois presos morreram, e entre 1961 e 1974, anos em que o Tarrafal se destinou a presos políticos das ex-colónias, tendo quatro perdido a vida.
Tarrafal - 4 filmes, 4 realizadores
> Há Setenta Anos no Tarrafal – Os Últimos Sobreviventes
Fernanda Paraíso
2007, Portugal, 58' — Início: 15h15
> Era Uma Vez… o Tarrafal
José Manuel Silva
1998, Portugal, 53’ — Início: 16h15
> Tarrafal: Memórias do Campo da Morte Lenta
Diana Andringa
2011, Portugal, 91’ — Início: 17h15
> No antigamente do Tarrafal
Miguel Petchkovsky
2009, Cabo Verde, 10’ — Início: 18h45
> Debate – 19h.
Diana Andringa, Fernanda Paraíso,
Miguel Petchkovsky e Irene Pimentel

Imagem: Tarrafal Nunca Mais! Manifestação popular na trasladação dos corpos do Tarrafal, fevereiro de 1978.


Figuras do Carnaval 2019. As primeiras imagens começam a aparecer nas principais praças citadinas do país. Cristiano Ronaldo, o português mais conhecido no mundo, futebolista da Juventus de Itália e capitão da nossa selecção, está cada vez mais perto do céu! Já António Costa, primeiro-ministro de Portugal, parece esforçar-se no sorriso e vê-se pelo cabisbaixo algum desalento. São os primeiros "mascarados"... sem máscara. O tempo dita, o tempo corre!

Os frades Franciscanos do Convento do Varatojo vão organizar, a partir do dia 26, uma leitura espiritual do Evangelho segundo São Lucas. A iniciativa realiza-se no âmbito dos "350 anos da morte de Rembrandt (1606-1669), pintor que muito se inspirou neste livro bíblico”, refere a organização do evento.
"Esta proposta consiste numa leitura de conjunto com base no texto evangélico e outra leitura mais aprofundada de algumas narrativas entre as mais trabalhadas por Rembrandt", como as passagens "do ressuscitado com dois discípulos a caminho de Emaús" e a parábola do "pai misericordioso, o filho pródigo e o irmão".
O Convento de Varatojo, "um dos mais históricos dos conventos franciscanos do nosso país, com uma comunidade residente", está a celebrar 550 anos da sua fundação.
Os encontros decorrem nos dias 26 de Fevereiro, 12 e 26 de Março, 9 e 30 de Abril, 14 e 21 de Maio e ainda a 4 de Junho, sendo a inscrição gratuita.
O Centro Cultural de Belém, em Lisboa, promove, neste sábado (9 de Fevereiro), às 16 horas, na Sala Sophia de Mello Breyner Andresen, uma conferência por João Barrento sobre Paul Celan - «O poema é solitário e vai a caminho...»
Paul Celan (1920-1970), um dos mais destacados poetas europeus do século XX, nasceu na Roménia, de pais judeus-alemães. No contexto da II Grande Guerra, em 1942, os seus pais são deportados para um campo de extermínio, onde morrem... Paul Celan sobrevive ao Holocausto, mas permaneceu preso num campo de trabalho, até 1943.
Em 1945, parte para Bucareste onde se torna tradutor e leitor de uma editora e publica os seus primeiros poemas. Em Dezembro de 1947, vai para Viena, e um ano depois para Paris, onde se fixa e retoma os estudos (Germanística e Linguística). Entre 1950 e 1968, publica vários originais e traduções (Shakespeare, Henri Michaux, Paul Valéry, Pessoa, Mandelstam). Em 1969, um ano antes da sua morte, visita Israel. Suicida-se no rio Sena (Paris), um ano depois.
João Barrento, Professor (aposentado) de Literatura Alemã e Comparada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, ensaísta e tradutor, publicou até ao momento dezenas de livros de ensaio, crítica literária, e traduziu literatura de língua alemã do século XVII até à actualidade (incluindo três volumes de Paul Celan).
Actualmente, é presidente da Direcção do Espaço Llansol-Associação de Estudos Llansolianos, responsável pelo espólio da escritora Maria Gabriela Llansol(1931-2008). Recebeu os mais importantes prémios de ensaio, tradução e crónica.
Agraciado com a Cruz de Mérito Alemã (1991) e a Medalha Goethe (1998).
As candidaturas ao Prémio Jacques Delors 2019 devem ser apresentadas até o próximo dia 1 de março na Direção-Geral dos Assuntos Europeus, Ministério dos Negócios Estrangeiros. Recorde-se que este Prémio se destina a incentivar o aparecimento de trabalhos de investigação inéditos sobre temáticas da União Europeia, em língua portuguesa.
O Prémio Jacques Delors 2018, no valor de quatro mil euros, foi atribuído à obra intitulada «A Razão Pública da União de Direito - da juridicidade à democratização social», da autoria de Sérgio Maia Tavares Marques.
Em 1907, João Gouveia montou a primeira oficina aeronáutica em Portugal. Em 1909, apresentou um plano de sua autoria para construir a primeira aeronave Portuguesa. Isto numa época em que o avião nem miragem era. Mas foi com uma visão futurista empreendedora que João Gouveia empenhou-se, com outros, poucos, aficionados da aviação, na fundação do Aeroclube de Portugal.
O avião para transporte de pessoas só surge, nos moldes tal como hoje se apresenta, após a II guerra mundial. Não havia aeroportos civis mas apenas pistas onde operavam aeronaves militares. O aeroporto da Madeira foi inaugurado em 1964.
João Gouveia, dramaturgo e inventor, foi notícia na imprensa internacional com o título de “construtor do primeiro avião português”. Nasceu no Funchal a 8 de fevereiro de 1880 e faleceu em 1947, em Queluz (Lisboa), onde tem uma rua com o seu nome.
Está na moda falar-se de "inteligência artificial", em correspondência com os novos desafios técnicos que constantemente se colocam ao progresso material da humanidade, e em contraponto ao que é natural ou original, sem artifício.
Nesta matéria, não faltam especialistas competentes e investigações científicas de nomeada, a par de congressos e debates aprofundados sobre o tema, como por exemplo o que se projecta para o próximo mês de Maio, em Lisboa, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - o "I Congresso Internacional subordinado ao tema Humanismo, Direitos Humanos e Cidadania Global".
Mas, diz quem sabe, esta matéria não é nova, porquanto a própria evolução do ser humano sempre providenciou adaptações e inovações, criação de novas capacidades e comportamentos inteligentes, como "características únicas da nossa espécie".
Sobre o assunto, sugerimos a leitura do livro "Inteligência Artificial", de Arlindo Oliveira, um pequeno livro em tamanho (com pouco mais de 100 páginas), mas grande em conteúdo, publicado através da Fundação Francisco Manuel dos Santos, no passado mês de Janeiro, e que custa à volta de cinco euros.
O seu autor, um profundo conhecedor deste tema, é actualmente presidente e professor do Instituto Superior Técnico. Vale a pena, lê-se com muito gosto e interesse redobrado.
„Thus, while I thought myself employed only in forming a Nomenclature, and while I proposed to myself nothing more than to improve the chemical language, my work transformed itself by degrees, without my being able to prevent it, into a treatise upon the Elements of Chemistry.“ — Antoine Lavoisier (1743-1794), francês, "Pai da Química Moderna".
> Assim, enquanto eu me considerava empregado apenas na formação de uma Nomenclatura, e enquanto eu propus a mim mesmo nada mais do que melhorar a linguagem química, o meu trabalho se transformou em graus, sem que eu pudesse impedi-lo, em um tratado sobre os Elementos de Química."

Foi em 1969, no mês de Fevereiro, que foram lançados os célebres tostões em alumínio, com o valor facial de 5 e 10 centavos (um tostão), e que o povo alcunhou de "marcelinhos", porque foram emitidos no início do governo presidido por Marcello Caetano.
A moeda viria a ter uma nova emissão em 1970, mas a sua circulação não escapou à polémica, dada a sugestão de pobreza que evidenciava, de tal modo que ainda hoje quando se pretende classificar alguém que não é rico ou foi à falência diz-se que "ficou sem um tostão".
É a vida! E "moedas há muitas" (parafraseando a frase de Vasco Santana no cinema - "chapéus há muitos!", e até "moedas falsas" a exigirem muita cautela nos pagamentos.
O "tostão" continua a existir como moeda, só entre os coleccionadores, e vale muitos euros, não nos esqueçamos disso.
Alberto João Jardim completa, hoje, 76 anos (4 de fevereiro de 1943-2019). Foi durante 37 anos presidente do governo regional da Madeira, o político português com mais anos no poder, com sucessivas vitórias eleitorais absolutas, em democracia.
De uma Madeira colonizada e administrada por governadores civis nomeados pelo governo central, com o poder económico e financeiro sob o domínio de uma casta de “senhorios” e de empresários ingleses, Alberto João Jardim levou a Ilha a rodar 360 graus em toda a sua política administrativa pública e privada.
Para o futuro da história, há um arquipélago da Madeira antes e um depois de Jardim. Não foi por fúteis simpatias que os madeirenses deram sucessivas vitórias eleitorais, mas sim pela obra que foi fazendo, pela Madeira Nova que foi construindo e pelo desenvolvimento sustentado que foi criando. Portugal passou a ter na Madeira uma das suas regiões mais evoluídas do país e reconhecida pelas principais instâncias internacionas.
Alberto João Jardim foi presidente das Conferências Periféricas Marítimas da CEE/EU, durante dez anos. Opôs-se à luta armada pretendida pela FLAMA contra o estado português e sempre recusou um cargo nos governos PPD/PSD da república por discordar das políticas de governação. O seu não alinhamento com os governos da república gerou acesa controvérsia.
Hoje, ocupa o quotidiano com caminhadas e natação, a escrever (livros) e a proferir palestras. Antes de entrar para a política, exerceu funções de jurista, professor, funcionário público e jornalista.

Que nos revela a imagem? "locução" gestual com mensagem expressiva e inequívoca. Não deixa dúvidas. Só que o dedo indicador está em riste e os demais resguardados, inofensivos. Qualquer que seja a interpretação o "criador" da imagem está de parabéns.
O primeiro-ministro disse que a greve dos enfermeiros é “selvagem”. António Costa mais não disse o que dizem as enciclopédias: "Greve selvagem é uma greve que é iniciada e/ou levada adiante espontaneamente, pelos trabalhadores, sem a participação ou à revelia do sindicato que representa a classe”. Tal e qual.
Aqui não está em causa se é justa ou injusta. Se os enfermeiros estão ou não sindicalizados. É selvagem, sempre entre aspas. Porque uma greve é feita por pessoas, logo essas mesmas pessoas são “selvagens”, ou seja, selváticas, malvadas, rudes, grosseiras, ferozes, incultas, em síntese, trogloditas, pessoas que vivem nas cavernas.
De certeza que o primeiro-ministro não quis dar tais adjectivos aos enfermeiros, até porque estamos a falar de uma classe digna, toda ela com cursos universitários, licenciaturas, mestrados e doutoramentos, para além de um leque importante de especializações em diversas áreas da saúde.
Claro que o primeiro-ministro não foi feliz com tal afirmação. Para a maioria dos cidadãos selvagem é selvagem, matéria grave num Portugal com 800 anos de história e quando estamos no século XXI. Para o cidadão comum “selvagem” só tem um significado, seja legal ou ilegal. Selvagem dita por António Costa custa muito a uma classe profissional que é um dos principais pilares da saúde em Portugal. Censurável.

João Godim
FREELANCER
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