
A televisão vai transmitir em directo os dois principais acontecimentos de Natal e Fim de Ano na Ilha da Madeira, através do Canal 188 (da NOS).
Dia 23 de Dezembro, a partir das 21 horas, a tradicional Noite do Mercado do Funchal, espectáculo de cânticos tradicionais que remonta ao século XIX;
Dia 31 de Dezembro, a partir das 22 horas, a Festa de Fim de Ano que inclui (à meia noite), o maior espectáculo de fogo de artifício do Mundo.
> Referência oficial do Turismo de Portugal.
As Férias de Natal do ROINESXXI começam hoje e terminam a 31 de Dezembro, inclusive. São as nossas Férias da Festa. Todavia, o blog mantém todos os seus "canais" de informação disponíveis através dos diferentes links (mais de uma centena), sem restrições no acesso.
Votos de Boas Festas e Feliz Ano Novo.
Mais dois volumes do projecto "Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa" acabam de ser lançados pelo Círculo de Leitores, sob a coordenação geral de José Eduardo Franco e Carlos Fiolhais: Primeiros Textos de Pré-História, História e Heráldica; e Primeiro Livro de Botânica.

O primeiro livro citado, recupera para os nossos dias: a IV Crónica breve de Santa Cruz de Coimbra; a História de Portugal, de Fernando Oliveira; Troféus lusitanos, de António Soares De Albergaria; Da existência do homem em épocas remotas no vale do Tejo, de Francisco A. Pereira da Costa; e Portugal pré-histórico e Origem histórica e formação do povo português, de José Leite de Vasconcelos.
Quanto ao livro de botânica, trata-se dos Colóquios dos Simples e Drogas e Coisas Medicinais da Índia, de Garcia da Orta (1501-1568): "A tudo vos responderei. Digo que se sabe mais em um dia agora pelos portugueses do que se sabia em 100 anos pelos romanos (...)", sublinha o médico judeu português que viveu na Índia e foi um autor pioneiro nas áreas da botânica, farmacologia, medicina tropical e antropologia.
Presépio (Lapinha) tradicional da Ilha da Madeira.
Natal, a Singular Palavra
De mil brilhos e sons
E Sentidos que Deus lavra
E nos partilha em dons.
Natal é Deus feito Carne
Em Menino a Ele igual
Que cresce e vai falar
E se faz do Pai o Sinal
Natal é Luz para se ver
Coração para se amar
Filhos de Deus, faz viver
Com eles vem habitar
Natal é Jesus de Nazaré
Na praia a nos chamar
Como a Pedro e André
Para seu Verbo pregar
Natal é Jesus em Jerusalém
De hossanas, posto na Cruz
Aos irmãos, a dar sua Mãe
Da Rocha a ressurgir em Luz!
NATAL DE GLÓRIA, DOR E PAZ!
> Aires Gameiro, O.H., Funchal, Dezembro de 2018
O Vaticano acaba de divulgar a Mensagem do Papa para o 52.º Dia Mundial da Paz, a celebrar no próximo dia 1 de Janeiro. No documento, intitulado "A Boa Política está ao Serviço da Paz", sublinha-se a necessidade de aproximar o exercício do poder político à comunidade, como um "serviço", caso contrário teremos uma política de "opressão, marginalização e até destruição".
No seu texto, o Papa Francisco aponta 12 vícios que actualmente retiram "credibilidade aos sistemas dentro dos quais ela se realiza, bem como à autoridade, às decisões e à acção das pessoas que se lhe dedicam”.

Um dos "vícios" é "a corrupção – nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas”; os outros são:
> A negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da «razão de Estado», a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo";
> A questão da "sustentabilidade" do Planeta, devido à "recusa a cuidar da Terra", e à "exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato";
> O desprezo" para com aqueles "que foram forçados ao exílio", devido a fenómenos como a "guerra e o terrorismo", a "perseguição étnica e religiosa", a "pobreza e a desigualdade social", a "crise das migrações".

> "O terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras à procura duma terra de paz. Não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança", alerta o Papa.
Ao longo da sua mensagem, Francisco reforça que "a política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem", mas quando a prioridade é "a busca do poder a todo o custo" ela "leva a abusos e injustiças".
O Papa salienta ainda a realização de vários actos eleitorais na Europa durante 2019, como uma oportunidade para se construir a verdadeira Paz, em que a "concórdia" ou acordos entre os diferentes protagonistas políticos não estejam subordinados "ao mero equilíbrio das forças e do medo", da "proliferação descontrolada das armas", entre outros grandes perigos.

Greta Thunberg, jovem de 15 anos, sueca, a discursar, esta semana, na ONU. Video > https://www.youtube.com/watch?v=VFkQSGyeCWg
O Papa deixa uma mensagem para as novas gerações, os mais novos, que devem encontrar o seu lugar na sociedade actual e do futuro. "Quando o exercício do poder político visa apenas salvaguardar os interesses de certos indivíduos privilegiados, o futuro fica comprometido e os jovens podem ser tentados pela desconfiança, por se verem condenados a permanecer à margem da sociedade, sem possibilidades de participar num projecto para o futuro", considera.
O Mercado dos Lavradores, inaugurado nos anos 40 do século passado, é um dos ex-libris do Funchal. No Natal, para além de funcionar em três pisos (praça do peixe, produtos agrícolas e frutaria, com as flores no átrio de entrada) o Mercado prolonga-se para o exterior (na imagem), com alguns espaços preenchidos por frutos tropicais, únicos na Europa.
Já lá vão os tempos em que era só no Natal que se consumiam certas iguarias e um pouco melhor do habitual... Mais carne, queijo, cacau, café bom, ananás, azeitonas...; só de ano a ano, para a maioria da população portuguesa, o sabor da culinária era mais apurado e provava-se então de tudo.
Os tempos mudaram, agora come-se de tudo ao longo do ano, mas o autêntico da cozinha tradicional não passou de moda e na época natalícia continuam a marcar pontos. As receitas do antigamente são muito procuradas e cada região esforça-se por manter as características que lhes dão fama e proveito.

Neste contexto, a gastronomia portuguesa - Continente e Ilhas - é muito rica. Os pratos típicos destacam-se pelo gosto, cheiros, produtos únicos, cozidos, assados, salgados, doces, sobremesas... Um menu de abrir o apetite a qualquer um e deixar o "bom dente" a chorar por mais...
Por exemplo, duma forma geral, e em relação às regiões mais a norte e centro de Portugal Continental, o bacalhau, as batatas e as couves, ocupam o primeiro lugar na Consoada; o almoço de Natal é feito de muitos assados no forno (peru,leitão, borrego, cabrito ou porco); e os doces primam pela abundância e variedade, desde as migas doces, filhós, passas e frutos secos, passando pelas fatias douradas, a aletria, broas de batata doce, até ao arroz doce com canela, os coscorões e as rabanadas de vários tipos.
Mais a sul, não pode faltar o peru recheado com os famosos enchidos e carnes alentejanas, o Bolo podre, as broas de milho... tudo a fazer crescer água na boca.
Na Madeira, fora das tradições do Continente, não se dispensa a canja de galinha (do campo, de preferência), a carne de porco temperada em vinha-de-alhos; o bolo de família e bolo de mel da Madeira, além dos tradicionais licores dos frutos típicos da região e a famosa "poncha" (aguardente de cana sacarina com limão e mel de abelhas).
Nos Açores, a galinha também faz as honras da mesa, assada no forno ou guisada com batatas, a par das carnes de porco e vaca assadas; e como sobremesa, o Bolo de Natal e muitos licores artesanais, entre tantas e tantas iguarias que nos dispensamos de relatar com exactidão.
A gastronomia do Natal em terras portuguesas é rica e muito variada, o seu sabor vem de muito longe e vale a pena experimentar, porque só neste tempo sabe muito bem. Bons cozinhados à mesa portuguesa!

Imagens ROINESXXI.
As migrações humanas
Neste mês de Dezembro, passam 50 anos da morte de John Steinbeck (1902-1968), escritor norte-americano, autor de "As Vinhas da Ira", "A Leste do Paraíso", Prémio Nobel da Literatura em 1962. Contemporâneo de duas guerras mundiais, de várias crises sócio-económicas e experimentado em dificuldades pessoais quanto baste, a sua obra literária é um espelho de um mundo em profunda busca de sentido e de felicidade.
Mais do que imaginação ou criatividade talentosa, os livros de John Steinbeck são testemunhas concretas de como tudo se passou, sem artifícios ou explicações inúteis, porque o drama humano falava mais alto. Por exemplo, o romance "As Vinhas da Ira", publicado em 1939, é considerado a sua obra-prima e um marco da literatura mundial.
Trata-se de um retrato a preto e branco das situações mais dolorosas que nos tempos da Grande Depressão atingiram os mais pobres e sem poder da população norte-americana, quase como actualmente se verifica com as migrações humanas, a andarem de um lado para outro à procura de melhor sorte, mas em confronto com os maiores perigos e impedidas por decisões políticas de toda a espécie.
Em resumo, o que "As Vinhas da Ira" nos relatam é que: "Na década de 1930, as grandes planícies do Texas e do Oklahoma foram assoladas por centenas de tempestades de poeira que causaram um desastre ecológico sem precedentes, agravaram os efeitos da Grande Depressão, deixaram cerca de meio milhão de americanos sem casa e provocaram o êxodo de muitos deles para oeste, rumo à Califórnia, em busca de trabalho.
Quando os Joad perdem a quinta de que eram rendeiros no Oklahoma, juntam-se a milhares de outros ao longo das estradas, no sonho de conseguirem uma terra que possam considerar sua. E noite após noite, eles e os seus companheiros de desdita reinventam toda uma sociedade: escolhem-se líderes, redefinem-se códigos implícitos de generosidade, irrompem acessos de violência, de desejo brutal, de raiva assassina.
Este é o retrato épico do desapiedado conflito entre os poderosos e aqueles que nada têm, do modo como um homem pode reagir à injustiça, e também da força tranquila e estóica de uma mulher."
Conclusão, é indispensável ler John Steinbeck, agora e sempre, porque ainda que o mundo tenha mudado para melhor, a mentalidade dos homens pouco mudou ou muda muito lentamente.

Chega-nos a notícia que o Pai Natal, nalguns países da Escandinávia, é representado por jovens estudantes. No período de férias escolares os jovens, vestidos de Pai Natal, andam pelas ruas, ajudam os turistas a conhecer melhor a cidade, visitam as casas, promovem o comércio tradicional, colaboram com as igrejas, lares, hospitais, centros de saúde e estão disponíveis para ajudar os mais velhos. Tudo em voluntariado.
Uma iniciativa que, com o mesmo espírito natalício, teria impacto noutras cidades de outros países. "Pai Natal nas ruas enche de alegria a nossa cidade", é a mensagem deixada pelos jovens escandinavos de barbas brancas. O velho feito novo ou o novo feito velho? É Festa!
Video (Cidade do Pai Natal) > https://www.youtube.com/watch?v=n1t9Cu4P7oc



É a síndrome do Natal: "Somos todos iguais,". Nas portas, no interior das casas e nas janelas, o Natal irradia a mesma luz e releva os mesmos valores. A riqueza da Natividade está na fé e na vontade de viver feliz. Sem felicidade individual não há felicidade colectiva. "O juízo de cada um pouco vale, porque nada gira à sua pequeníssima órbitra". O Natal dá-nos lições de vida como em nenhuma outra época do ano. É a Festa Universal.
Queremos ver tudo, estar em todos os lugares, viajar sempre mais longe, convencidos que assim tomamos mais conhecimento do mundo. O conhecimento passageiro nunca dá sabedoria mas cria muitas imagens coloridas e enviesadas. Pouco conhecemos sem permanecer o tempo necessário no seio do que queremos conhecer. O mais são números e imagens captadas sem identificação do antes e depois. O Natal abarca muito desta ilusão.
E neste tempo, vivemos à velocidade da luz e do som, numa corrida desenfreada contra o tempo, em clara sintonia com a utilização das tecnologias mais avançadas que alguma vez foi possível imaginar, assim está o mundo actual, em dificuldades, no meio de receios, medos e desconfianças.
Nada de novo, apesar de tudo, porque a evolução e as mudanças sempre aconteceram normalmente, mas não à velocidade a que se operam nos dias de hoje, com graves perigos para a vivência da liberdade e a construção do futuro. Neste contexto, vale a pena lembrar o ensaísta Paul Virilio (1932-2018), para quem: "Um dia, virá o dia em que o dia não virá".
Para este filósofo, urbanista francês, arquitecto, investigador e autor de vários livros sobre as tecnologias da comunicação, o mundo dos nossos dias está reduzido a grandes possibilidades, projectos, desejos e sonhos, mas sem uma concretização efectiva que o marque para sempre. "O mundo encolheu-se, encolheu-se terrivelmente, já não viajamos, deslocamo-nos", escreve no seu livro "A Velocidade de Libertação".
> Sentimos que estamos em toda a parte, mas em parte nenhuma, porque a corrida desenfreada a quem estamos sujeitos, por via também da informação e das campanhas em catadupa, nos leva à ilusão...
"De facto", sublinha Paul Virilio, "se estar presente é estar próximo, fisicamente falando, garantimos que a proximidade microfísica das telecomunicações interactivas nos verá amanhã ausentar-nos, não estar para ninguém, encarcerados num meio ambiente geofísico reduzido a menos que nada".
> Imagens: Bruxelas, nestes dias natalícios.
> Presépio feito de sal.
> Presépio feito de areia.
Todos os Presépios têm a mesma mensagem e não existem Presépios iguais. É a conclusão a que chegam vários estudiosos. O Natal de 1223 é a data atribuída ao primeiro Presépio do Mundo, feito em argila, e cujo autor terá sido São Francisco de Assis.
Este santo reuniu uma manjedoura, um boi e um burro, mais alguns adornos semelhantes ao lugar onde nasceu Jesus, e montou um Presépio com todo o simbolismo. A partir de então, passou a ser uma representação construída em todo o mundo. Hoje não há Natividade sem Presépio. Todos diferentes, todos com o mesmo significado.
NB: As imagens dos presépios aqui inseridas foram obtidas em Rio Maior, Aldeia /Cidade Natal / 2018.

O Aquário do Porto Moniz (Madeira), inaugurado a 4 de Setembro de 2005, tem por objetivo preservar e dar a conhecer ao visitante a biodiversidade marinha dos mares da Madeira e da Macaronésia. Neste Aquário convivem mais de 90 espécies autóctones, distribuídas por 12 tanques de exposição.
O Aquário tem ainda a particularidade histórica de estar instalado no antigo Forte de São João Baptista, construído em meados do século XVIII, cuja prioridade era a de proteger as invasões e pilhagens dos piratas., muito comum naquela época, não só na Madeira como no Porto Santo. A 100 metros do Aquário estão as famosas piscinas naturais do Porto Moniz, únicas na Europa com água do mar.

A história da cultura portuguesa contada de forma negativa, pelos adversários, por quem a atacou e discordou, está agora disponível num dicionário, editado pela Imprensa Nacional. A obra intitula-se “Dicionário dos Antis: A Cultura Portuguesa em Negativo”, em dois volumes, e será lançada, hoje, quarta-feira, na Biblioteca Nacional, em Lisboa.
Trata-se de "um longo trabalho de pesquisa, reflexão e redacção, ao longo de mais de uma década", feito por centenas de investigadores nacionais e internacionais, sob a coordenação de José Eduardo Franco, especialista em História da Cultura e dinamizador de grandes eventos nesta área.
"Fomos habituados, na escola, a aprender fundamentalmente aquilo a que podemos chamar a cultura positiva, a visão afirmativa da História. Este dicionário, em contrapartida, propõe uma visão diametralmente oposta: uma viagem pelas correntes, as etnias, as religiões as instituições, as figuras a partir do olhar do adversário, de quem discordou, de quem atacou, de quem pensou o contrário", disse José Eduardo Franco.
Este dicionário, em termos gerais, é o resultado da investigação e da análise crítica das correntes e dos discursos centrados na História de Portugal - desde os primórdios da cultura e da civilização até aos dias de hoje -, com base na percepção negativa dos outros, como por exemplo, o judeu, o padre, o inglês, o muçulmano, o comunista, o maçon ou o castelhano.
Na opinião do responsável pela obra, esta abordagem, que analisa "a história da cultura numa espécie de imagem em negativo", vai permitir compreender em que medida é que esses discursos "criaram estereótipos e demonizaram diferenças".
De acordo com José Eduardo Franco, com este mapeamento de largo espectro, torna-se mais fácil compreender o poder dos estereótipos e da sua capacidade de gerar culturas e mentalidades “intolerantes, segregadoras, sectárias, exclusivas e excludentes”.

Sobre a ideia de "cultura do negativo", o director deste dicionário explica que: “É como se entrássemos numa casa, a casa da cultura portuguesa, e deparássemos com um cenário inquietante, com os móveis de pernas para o ar, os armários virados do avesso, as partes menos arrumadas e sujas à vista de todos; ou como se acordássemos de manhã e víssemos no espelho as imagens que têm de nós os outros que menos nos querem e apreciam; ou ainda, como se recebêssemos a nossa biografia negativa, uma narrativa produzida por aqueles que nos detestam”.
Embora possa parecer uma “obra estranha”, revela uma “dimensão importante e altamente fecunda e mesmo muito reprodutiva da nossa cultura”, porque “o negativo também faz história e cultura” e isso não pode ser desconsiderado, porque “é um elemento constitutivo do processo de construção de identidades, quando não parte integrante das mesmas”, sublinhou.

José Eduardo Franco destaca considera que no actual contexto, em que as "notícias falsas" ou "fake news" e versões deturpadas estão na ordem do dia, este dicionário dá conta de como ao longo da história este recurso propagandístico também foi recorrente e poderá ajudar a desenvolver o espírito crítico para desmontar muitos documentos com visões ideologicamente condicionadas.
A ideia de fazer este dicionário surgiu em 2004 no âmbito da conclusão do doutoramento de José Eduardo Franco, realizado na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, em que estudou e analisou criticamente alguns discursos anti, nomeadamente o antijesuitismo na relação com o antissemitismo, o anticastelhanismo, o anti-islamismo, o antimaçonismo, o antiprotestantismo e o anticomunismo.
José Eduardo Franco (natural de Madeira, n. em 1969) é professor catedrático na Universidade Aberta e titular da Cátedra FCT/Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização (CIDH-Universidade Aberta/CLEPUL, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa).

É ainda membro da Academia Portuguesa da História. Entre as suas obras publicadas, destacam-se: O Mito de Portugal; O Mito dos Jesuítas em Portugal e no Brasil, Séculos XVI-XX; e o projecto editorial Obra Completa do Padre António Vieira, em 30 volumes, entre outros de referência.

No próximo sábado, 15 de dezembro, pelas 15 horas, o Museu do Aljube promove mais uma visita orientada à sua Exposição Permanente e à Exposição Temporária Tarrafal Nunca Mais!, dirigidas a toda a comunidade, mediante inscrições prévias, através do Serviço Educativo do Museu. Recomenda-se.
> Museu do Aljube Resistência e Liberdade, Rua de Augusto Rosa, 42 - Lisboa. Telef: 21 581 853 5.
Vime + folhas de papel encarnado = peça de arte mad in asiática, ao preço de treze euros. Enfeite de Natal a figurar no átrio do mais luxuoso hotel de Paris. Em Lisboa, nas casas chinesas.
Há oitenta anos, no dia 10 de Dezembro de 1938, o ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, inaugurava as comunicações telefónicas entre a Madeira e o Continente. Uma grande "ponte" atravessava as ondas do Atlântico Norte e a ilha fazia-se ouvir melhor junto do Governo Central, numa época de grandes empreendimentos públicos em quase todo o território nacional.
Duarte Pacheco (1900-1943) foi o "cérebro" do desenvolvimento, o protagonista da "transformação profunda do País", contribuindo de forma notável para o património edificado em várias áreas. "Durante os anos que presidiu ao Ministério das Obras Públicas e Comunicações e à Câmara Municipal de Lisboa, planificou e executou as obras que trouxeram Lisboa e Portugal para o século XX.
Ao seu nome ficaram ligadas, entre muitas outras, em todo o país, obras emblemáticas como os bairros sociais de Alvalade, Encarnação, Madredeus e Ajuda, em Lisboa, as auto-estradas Lisboa-Vila Franca de Xira e Lisboa-Estádio Nacional, a marginal Lisboa-Cascais, a Estação Marítima de Alcântara, o aeroporto de Lisboa, o Estádio Nacional, a Fonte Monumental da Alameda, o Instituto Nacional de Estatística, a Casa da Moeda, a organização da Exposição do Mundo Português."
Construções emblemáticas que caracterizariam a construção do Estado Novo em todo o seu esplendor, além dos condicionalismos políticos da altura.

No caso da Madeira, a governação de Duarte Pacheco teve um "discípulo", na pessoa do então presidente da Câmara Municipal do Funchal, Fernão de Ornelas (1908-1978), que exerceu o cargo de autarca entre 1935 e 1946. Durante o mandato, Fernão de Ornelas foi o verdadeiro responsável pela realização da "obra de modernização da cidade do Funchal", abrindo horizontes e rasgando espaços para o saber e o fazer da sociedade no seu tempo, mas com especial aposta no futuro.
Além das "ligações telefónicas" com a ilha, foi durante o mandato destes dois excepcionais governantes que se construíram no Funchal, por exemplo, o Liceu Jaime Moniz, o Mercado dos Lavradores, o edifício do Banco e Portugal, dos Correios, e se projectaram as avenidas, as vias rodoviárias, de largo alcance para uma cidade cosmopolita.
Dois governantes com carisma, muito à frente da sua época, e que ficaram para a História não apenas pelas ideias ou boas intenções, mas pelo que fizeram e empreenderam na prática, a favor do bem comum.



O bom tempo sempre volta por esta altura do ano. Um Natal abençoado e brilhante de luz prepara-se para dar as Boas Vindas... É muito difícil acreditar, mas é muito fácil não acreditar. O saber custa, o não saber nada custa. A fazer fé nas imagens, tem razão o homónimo! São dias-noites de Festa.

Rainha e Padroeira de Portugal
A solenidade da Imaculada Conceição, que a Igreja Católica celebra, hoje, 8 de Dezembro, é feriado nacional em Portugal, como reconhecimento à importância desta data na espiritualidade e identidade nacionais.
Basta recordar que a ligação entre Portugal e a Imaculada Conceição data de 1385, quando as tropas comandadas por D. Nuno Alvares Pereira (Santo Condestável) derrotaram o exército castelhano e os seus aliados, na batalha de Aljubarrota. Na sequência desta vitória, D. Nuno fundou a igreja de Nossa Senhora do Castelo, em Vila Viçosa, consagrado precisamente a Nossa Senhora da Conceição.
Mais tarde, no desenrolar da restauração da independência, em 1640, liderada por D. João IV e que acabou com o domínio castelhano em Portugal, o monarca coroou a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha e Padroeira de Portugal durante as cortes de 1646.
No contexto da Igreja em geral, destaca-se o dogma da Imaculada Conceição de Maria, proclamado pelo Papa Pio IX, a 8 de Dezembro de 1854, através da bula "Ineffabilis Deus" que declara a santidade da Virgem Santa Maria desde o primeiro momento da sua existência, sendo preservada do pecado original.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS