Anibal Cavaco Silva apresentou o seu novo livro de memórias. Revela episódios das “célebres” reuniões das quintas-feiras no palácio de Belém, tenta dar uma forma intelectual, literária e artística e, por um triz, não traz à baila os sons das conversas extras-oficiais. Dir-se-ia que, desta vez, o ex-presidente da República narra tudo, tim-tim por tim-tim, ao ponto de admitir que sem a sua presidência Portugal tinha-se espatifado no alcatrão quente da política.
Cavaco o salvador! Devia ser o título do seu segundo livro de memórias. Pena foi ter saído quando devia ter permanecido, dez anos são poucos anos para quem consegue fazer tanta coisa desconhecida. Saiu com 2,9 por cento de popularidade (a mais baixa popularidade de um político português, desde a monarquia, ditadura, à democracia). Saiu pelos fundos, com a certeza de missão cumprida, e rapidamente caiu no esquecimento. O que é bom, Professor!

Nos dois livros, vamos encontrar formas de expressão… do eu e do mim, fiz, exigi, impus, ou seja, chamou à pedra os governantes. Nunca errou e se errou foi por culpa dos outros. Fica para a história o facto de ter sido na sua presidência que Portugal teve, pela primeira vez, um chefe do governo preso. Que deu-se o colapso do BES (que pôs em causa a solidez de toda a banca) e que o país mais credibilidade externa perdeu.
Tem toda a razão quando diz que os dez anos na presidência mais os dez anos como primeiro-ministro foram sufragados pelos eleitores. O mais são conversas de maus perdedores.
Há 80 anos, no dia 30 de Outubro de 1938, o actor e realizador Orson Welles transmitiu a versão radiofónica da "Guerra dos Mundos", de H.G.Welles (1866-1946), simulando uma reportagem em directo sobre a invasão da Terra por marcianos e lançando o pânico nos EUA.
A "Guerra dos Mundos" é uma referência na classificada ficção científica moderna, a par de Júlio Verne, outro grande autor nesta área. O livro está datado de 1898, numa época em que o "Mundo Ocidental pressentia que uma boa parte do que tinha sempre tido por imutável e seguro estava de facto a chegar ao fim."

Esta possibilidade, no entanto, nunca deixou de existir, e mesmo nos nossos dias, apesar das poderosas tecnologias que avançam pelo universo adentro, até Marte e outros planetas..., ainda persistem os receios sobre o desconhecido que, de um momento para outro, pode paralisar este pequeno planeta Terra (o único habitado, por enquanto) e provocar idêntico "pânico" ao registado há oito décadas através da ficção científica.

O Brasil tem novo presidente. O voto democrático foi utilizado por 147 milhões de eleitores dos quais, 55 por cento, foi para Jair Bolsonaro, 63 anos de idade, capitão na reserva, conotado com a política de direita.
Ser presidente de um país com 209 milhões de pessoas exige um trabalho gigante, com uma mística muito forte e uma comunhão moral e ética participada por todos. Uma coisa é certa, sem disciplina e leis de rigor não é possível governar o Brasil. Segundo os analistas, Bolsonaro reúne condições e experiência política (foi vereador e deputado) para levar o país a bom porto.
Jair Bolsonaro tem ascendência italiana e alemã. Tem ascendência italiana, pelo lado materno, e pelo lado paterno, tem ascendência alemã. Foi capitão paraquedista e chegou a estar preso por criticar a política governamental Um presidente que promete "pôr ordem no Brasil, enfrentar a infernal corrupção e severidade para com os que têm andado a pôr o país numa ribaldaria"(sic).
Ganhar eleições à custa da saúde
Em mês de missões e de sínodo de jovens, participámos num encontro sobre adições (19-20 outubro). Girou à volta de um olhar atento e científico para os possíveis náufragos e para os que lhes atiravam com bóias de salvação, antes e depois de se estarem a submergir nos riscos de adição.
A lista das dependências e os graus de riscos e danos alonga-se sempre mais: drogas disto e daquilo, álcool; vários tipos de obsessões compulsivas de jogos, compras, adições sexuais com crianças e adultos. São comportamentos em que a obsessão compulsiva, cativa a liberdade, marca presença na fronteira da doença mental em sentido genérico. Os danos também variam desde o comportamento de prazer a uma vida perturbada, no todo ou em parte.

Os riscos mais chocantes foram apresentados por Félix de Carvalho, investigador do Porto, que avisou que ia falar de maldições para as gerações seguintes, filhos, netos e bisnetos. A lembrar o provérbio: os pais comem os figos e aos filhos rebentam os lábios. A nicotina, heroína, o álcool e dezenas de outras substâncias ameaçam com efeitos “chocantes”, já investigados, dizia. Como estender medidas de prevenção, tratamento e reinserção aos jovens? Jovens, do fim da adolescência aos 29 anos.
De entre as bóias de recurso e de salvamento apresentadas predominaram as científicas. Mas como o saber nem sempre motiva nem contrabalança a ânsia de repetir para a reduzir, foram propostas técnicas rigorosas de controlo voluntário e legal, quase sempre mal aceitas, e o tratamento do cérebro. E outras que funcionam como próteses sociais e familiares. São suplemento de “ vontade e decisão” para os dependentes incapacitados de se gerirem sem elas. Foram propostas para apoio dos que estão em risco de submersão e de morte prematura.
Ouvir dizer que 20% das mortes são devidas às dependências e mais 25% às dietas danosas, também devidas a obsessões compulsivas de ingestão (total 45%!), deixa uma impressão amarga e uma dúvida sobre a esperteza humana e o progresso. E contudo, dizem-nos, tem se avançado muito na prevenção, dissuasão/redução de danos e reinserção!

Uma voz autorizada repete que os problemas não são apenas de educação, são de política; mas se os políticos não quiserem fazer a sua parte, passam-se 50 anos e fica tudo sem efeito e as quantidades consumidas de álcool, per capita (totais) na população, continuam quase as mesmas. E porquê? Porque os políticos querem ganhar as eleições, mesmo à custa da saúde dos cidadãos.
Os jovens, mais raparigas que rapazes, mas talvez mais a pensar nos rapazes que nelas, no tempo que lhes foi dado na convenção, recorreram às bóias da ciência, arte, modas, família (às vezes permissiva), da educação e da escola multi-cultural, relativista ou de excelência. Quase sempre com fraca resistência à frustração, diziam alguns técnicos.

São tantos a esbracejar à procura de excelência, mas nem sempre conseguem bóia eficaz ao seu alcance; e alguns afundam-se. Fica a interrogação: dissuadir de se destruir com as dependências, em referência a quê? Para que serve uma vida sem adições? A que alternativa, firme e duradoira, recorrer? Veio-me ao pensamento se no Sínodo este problema foi enfrentado com propostas específicas do chamado encontro dos jovens com Cristo.
Um arcebispo (Los Angeles) disse ali que os jovens são o presente e não apenas o futuro, mas, para isso, propõe uma relação significativa com Cristo, “a personal encounter with Jesus Christ”. Será que os dados dos cientistas, mesmo de ciências exactas, sem os associarem ao valor de transcendência, motivam a não experimentar o que dá prazer?
E será que motiva saber que os filhos dos filhos e dos netos, vão herdar as maldições de genes, gâmetas ou células sexuais reprodutivas danificadas pelas substâncias? Um diálogo imaginado para crianças e jovens de hoje, poderia ser: pai, avô, avó, se eu tenho esta anomalia, se me falta saúde, será devido aos erros que cometestes tomando substâncias nocivas por prazer, antes de me teres.

Ainda ficou no ar a questão se os comportamentos aditivos de uso e jogos de telemóveis, de casino, de compras obsessivas e outros, também deixarão sequelas nos neurónios, moléculas e gâmetas de filhos, netos e bisnetos. Parece que a evangelização ao propor quem é Jesus Cristo, donde vimos e para onde vamos com Ele, como se fez com os jovens no Sínodo, poderia ajudar a ser mais responsável com o comércio e consumo destas substâncias.
Bem, mas se vigora o paradoxo de Jesus Cristo ser um dos maiores tabus. Nele não se fala, só ciências. Para alguns ameaçará com males maiores que todos os outros factores? Alguns assim pensarão. Donde vimos para onde vamos? É questão que continua a badalar na sociedade e nas mentes: para que vivemos?
> Aires Gameiro, Outubro 2018
A Comissão Diocesana da Cultura de Aveiro convidou os professores universitários e políticos portugueses, Vital Moreira e Adriano Moreira, para conversarem sobre "Cidadania e Direitos Humanos, Hoje".
Diálogos entre figuras que se destacam na cultura portuguesa da actualidade, dia 10 de novembro, pelas 16 hotas, no Museu de Aveiro. O tema sobre os direitos humanos, sob muita controvérsia no mundo de hoje, apresenta-se como tema central.

O diálogo, moderado pelo Prof. Júlio Pedrosa, é aguardado com muita expectativa e sucesso, dado o perfil dos intervenientes, em particular do Prof. Adriano Moreira, um verdadeiro sábio da vida e do saber universal, com 96 anos de idade (completados no passado mês de Setembro). Entrada livre.
Organizado pelo Centro Cultural de Belém (Lisboa), realiza-se, amanhã, sábado (27 de Outubro) o Dia Literário Aquilino Ribeiro, à volta do livro «O Malhadinhas». Será na Sala Sophia de Mello Breyner Andresen, entre as 15 e as 17 horas. "A curta narrativa que nos é feita pelo tio Malhadas, constitui… um dos textos mais significativos, e mais belos, da ficção em língua portuguesa" (Maria Alzira Seixo).
O tema de "O Malhadinhas" será analisado por peritos, através de "uma conversa descontraída" em torno da questão "Será o Malhadinhas um pícaro?"
Estão previstas as participações de Paulo Neto, director da revista literária Aquilino e editor da plataforma Rua Direita; Henrique Monteiro, jornalista; Eugénia Pereira, professora da Universidade de Aveiro; e Eduardo Boavida, moderador.
Pioneiro do ensino da Bioética em Portugal e o primeiro director do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, o Professor Walter Osswald, de 90 anos de idade, recebeu das mãos do Presidente da República a Grã-Cruz da Ordem de Mérito da Instrução Pública. A cerimónia de homenagem e condecoração realizou-se, esta semana, no Porto.
“A Bioética não é uma ciência, nem é uma coisa separada da vida, mas que emana da própria preocupação das pessoas com a vida. E o fim da Bioética é ajudar as pessoas a descobrirem as normas, aceites pela sociedade, que lhes dêem uma vida boa, uma vida com auto contentamento, com responsabilidade em relação aos outros e a si mesmos e em sociedades justas", disse o homenageado.
Walter Osswald, nasceu no Porto, licenciou-se e doutorou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto onde se tornou professor catedrático, em 1972. As suas principais áreas de estudo são a Farmacologia, a Terapêutica e a Bioética.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou que "o professor Walter Osswald foi um pioneiro naquilo que em Portugal não existia como uma realidade autónoma. Há 40, 50 anos a Bioética, isto é, a ética nos avanços da medicina, das ciências da vida, da biologia, era uma realidade de que não se falava. E, no entanto, havia uma revolução científica e tecnológica em curso".
Com um punhado de pioneiros, como o professor Luis Archer, o professor Daniel Serrão, o professor João Lobo Antunes, professor Osswald, "com todos eles, foi criado um Conselho para se pronunciar sobre essas matérias, que hoje tem que ser ouvido sobre todas as leis que tenham, de alguma maneira, uma relevância ética do ponto de vista da vida e da saúde das pessoas".



Walter Ossawad destacou-se pela sua "missão de vida". Em tudo pelo que "ensinou, publicou, percorreu universidades, esteve na discussão de todas as leis e isso não tem preço. Portanto, a homenagem que lhe é prestada é pelo seu contributo fundamental num domínio que hoje é chave na vida de qualquer sociedade", sublinhou o presidente da República.
A Aldeia do Pereiro, a norte do Alentejo, na zona do Marvão, está à venda por sete milhões de euros. Também no Alentejo, na vila de Milfontes, há um Castelo à venda por 3,5 milhões de euros. Mais há também “montes alentejanos”, quintas antigas e terrenos, com placares “vende-se”. Também as aldeias de Picões, em Valpaços, do Covelo do Monte, em Boticas, da Barbelote, em Monchique e de Pedralva, em Vila do Bispo, estão à venda. Os anúncios estão inclusive em jornais estrangeiros e em imobiliárias com endereços fora de Portugal.
Não só as casas e quintas das zonas antigas de Lisboa e Porto estão a ser vendidas aos estrangeiros (para desencanto dos lisboetas e portuenses de gema) noutras regiões de Portugal Continental, Madeira e Açores, a cobiça pelo património está a ganhar expressão a cada dia que passa. Portugal à venda é que não… só nacos de um todo que se aproveita numa época de cotas altas.

Morreu há cem anos, no dia 25 de Outubro de 1918, mas marcou o carácter inicial do modernismo na pintura portuguesa. Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) morreu jovem, vitimado pela "gripe espanhola" ou "pneumónica", depois de ter regressado a casa em Manhufe, no concelho de Amarante, condicionado por uma Guerra Mundial e após viver no reputado bairro de Montparnasse, em Paris, durante sete anos.
Filho de uma família com posses, desde cedo revelou dotes artísticos e teve o privilégio de estudar no estrangeiro, sem precisar de bolsas de estudos ou de arranjar trabalho para sobreviver. O seu talento levou-o a contactar de perto com os "génios" que, no início do século, estavam também em Paris (a "cidade luz"), como Picasso.

Em relação a Portugal, não teve tempo para as distinções merecidas e o seu nome, durante muito tempo, foi pouco proclamado como os dos artistas (também notáveis) Almada Negreiros e Santa Rita-Pintor.
Hoje em dia, contam-se aos milhares os visitantes no Museu da sua terra natal e nas muitas exposições que se promovem um pouco por todo o país; ao mesmo tempo que a sua obra figura no catálogo do modernismo no século XX.
Amanhã, quinta-feira, por ocasião do centenário da sua morte, inaugura-se em Espinho uma exposição de Álvaro Siza Vieira, Manuel Cargaleiro, Joana Vasconcelos, Júlio Resende e Nadir Afonso, entre outros criadores que conceberam obras inspiradas em Amadeo de Souza-Cardoso.
Os tratados, acordos e alianças entre povos e países sempre aconteceram de acordo com os interesses de cada um, em nome da defesa e ajuda mútua, da tradição diplomática, das amizades de conveniência.
Como hoje, também no passado estabeleceram-se "convenções", no contexto de determinadas situações, como a que se fez em 1807, no dia 22 de Outubro, entre as monarquias de Portugal e da Inglaterra.

Dados históricos revelam que nesta data Portugal empenhava-se na resistência às "invasões francesas", impostas por Napoleão Bonaparte; ao mesmo tempo que se estabelecia uma convenção "luso-britânica" sobre a "transferência da monarquia portuguesa para o Brasil (o que veio a acontecer em 1808) e a ocupação da ilha da Madeira por tropas inglesas".
Era o preço a pagar pela defesa do território continental, com o apoio "amigo" de um velho aliado, que podia contribuir com "forças militares" em vários pontos do país.

Portugal, com territórios e colónias à sua mercê, um vasto império iniciado no século XV, estava então subjugado pelo "medo", a ponto de admitir a "ocupação" das suas ilhas atlânticas, com todas as consequências que se conhecem.
Esta situação traz-nos à memória um poema de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), intitulado precisamente "O Medo":
Em verdade temos medo.
Nascemos no escuro.
As existências são poucas;
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.
E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
Vadeamos.
Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes. (...)
(...) O medo com sua física,
Tanto produz: carcereiros,
Edifícios, escritores,
Este poema,
Outras vidas.
Tenhamos o maior pavor.

Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.
Adeus: vamos para a frente,
Recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,
Eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
Dançando o baile do medo.
Até 1974, Portugal era senhor de um império invejável. Tinha grandes territórios em África e o arquipélago de Timor Leste na Ásia, bem como os arquipélagos dos Açores e da Madeira. Este poder português perdeu-se sem glória. Nalguns casos, perderam-se as riquezas e os dedos.
Veio a adesão à Europa Comunitária (1 de janeiro de 1986) e o país às aranhas e a afundar-se recebeu astronómicos apoios da Europa. No cair e levantar tem sido a sina de Portugal. Porém, não esquecer o passado como lição futura.

>>> Pioneiro nos descobrimentos marítimos, Portugal expandiu os seus territórios, entre os séculos XV e XVI, estabelecendo o primeiro império global da história.
Em 1580, dá-se a crise de sucessão (por morte de D.Sebastião); Em 1640, foi instaurada a independência, sob a nova dinastia de Bragança.
Em 1755 (1 de novembro), ocorre o terramoto que destruiu Lisboa.
Em 1820, uma revolta fez aprovar a primeira constituição portuguesa, dando início à monarquia constitucional que abre a possibilidade da independência ao Brasil..
Em 1910 (5 de outubro), derrubada a monarquia, surge a primeira república portuguesa.
Em 1926, dá-se o golpe de estado que veio a dar lugar a longa ditadura (até o 25 de abril de 1974).
Em 1961, tem início a guerra colonial, em África, que durou até 1974. Neste ano e em 1975, Portugal dá a independência a Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique e, mais tarde, a Timor Leste. O famoso império português de além-mar desfez-se
Em 1976, implantado o regime democrático, Portugal passa a ser uma República Constitucional Unitária Semipresidencialista.
(In – Múltiplos escritos sobre a História de Portugal, país fundado em 1143)


E se a história estivesse errada?
Mais um livro que nos ajuda a pensar a actualidade, em termos competentes e profundos - "A Praça e a Torre - Redes, Hierarquias e a Luta pelo Poder Global", acaba de chegar às livrarias portuguesa.
O seu autor é Niall Ferguson (nasceu em Inglaterra, em 1964), um dos historiadores ingleses mais reputados do nosso tempo, professor, investigador e conferencista em várias partes do mundo.
A sua tese parte da questão: "E se tudo o que julgávamos saber sobre a História estivesse errado?". A sua proposta vai no sentido de "olhar o mundo" de uma outra forma, "reformulando cada um dos períodos transformadores da História mundial, incluindo aquele em que vivemos".
Considerando que "grande parte da história é hierárquica, porque é escrita por papas, imperadores, presidentes, generais, entre outros, sobre Estados, exércitos e corporações", o autor questiona-se sobre outras "redes sociais, igualmente poderosas mas menos visíveis, que, embora sejam menos documentadas, podem ser as verdadeiras fontes de poder e motores de mudança."
Niall Ferguson admite que "o século XXI tem sido aclamado como a Idade das Redes", todavia, neste livro- "A Praça e a Torre", vai mais atrás, ao passado de outras instituições e mecanismos que deram origem a outros poderes "menos visíveis", até hoje, concluindo que "a nossa época" é "tudo menos original", o máximo que vivemos neste aspecto é a "segunda idade das redes", como se pode exemplificar com o uso do "computador pessoal", da "idade da Internet", em vez da "prensa de Gutenberg".
Niall Ferguson é um autor que dá nas vistas pelas suas teses polémicas, mas continua a dar um grande contributo para as questões fundamentais da nossa época. Merece ser lido e apreciado como tem sido desde há uns anos, pelos títulos que já foram publicados em português, entre os quais "O Horror da Guerra", "Colosso", "A Lógica do Dinheiro" e "Kissinger (1923-1968)"
A Fundação Oriente vai encerrar a exposição "Olhares sobre a Livraria do Convento da Arrábida" através de uma conferência com “quatro especialistas em livros raros e sua conservação”. Será no próximo dia 27 de Outubro, a partir das 16 horas, no Museu do Oriente.

Os especialistas vão “discutir a importância do espólio” presente na exposição com 36 obras, publicadas entre 1507 e 1860. "Textos para uma biblioteca básica de espiritualidade", é o tema que o frade Franciscano Hermínio Araújo, do Convento do Varatojo, irá apresentar, seguindo a inspiração dos frades do Convento da Arrábida.

Convento da Arrábida

Convento do Varatojo

Museu do Oriente
Personalidade madeirense de notoriedade literária, em especial no tocante ao estudo da obra de Gil Vicente, Sebastião Pestana (1908-1993) merece ser lembrado neste mês de Outubro, quando passam 110 anos do seu nascimento e 25 anos da sua morte. Um pouco esquecido pela maioria, mas sempre recordado pelos investigadores da literatura clássica portuguesa.
Natural da freguesia de Câmara de Lobos, fez estudos primários e liceais na Madeira, e formou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professor do Ensino Secundário em vários Colégios e no Liceu de Camões, em Lisboa.

Colaborador de várias revistas de especialidade, foi também conferencista de mérito; por exemplo, em 1961, na Universidade de La Laguna (Tenerife, Canárias), foi convidado a falar sobre “Los aspectos sociales del Teatro de Gil Vicente”, “Florbela Espanca y su drama”, entre outros temas; e nesta mesma Universidade, de 1961 a 1965, foi Leitor de Português e Professor Encarregado de Curso de Língua Portuguesa, Historia da Língua Portuguesa e Historia da Literatura Portuguesa.
Foi ainda Assistente dos Estudos Gerais Universitários de Angola (Sá da Bandeira), desde 1966; e Assistente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Pertenceu a diversas instituições culturais e era membro da Academia Portuguesa de História. A distância física da Ilha não o impediu de publicar artigos nos órgãos de comunicação locais, com grande interesse por parte dos leitores e estudiosos, além de entrevistas e conferências.

Vila (hoje, cidade) de Câmara de Lobos, terra natal de Sebastião Pestana, onde Winston Churchill pintava sempre que estava na Madeira.
Sebastião Pestana era irmão de outro vulto da cultura portuguesa, Antonino Pestana (1891-1963), professor, advogado, jornalista, escritor, conferencista, filólogo e músico, além de se ter interessado pela investigação do folclore e das tradições do arquipélago da Madeira.
Calculem que o medo de Espanha em reconhecer a independência da Catalunha é ter que, posteriormente, enfrentar pretensões idênticas do País Basco, Andaluzia, Galícia, Baleares e Canárias. Então, por meias palavras, a Espanha está a reconhecer que a Catalunha tem legitimidade para chegar à autodeterminação. O rei e o governo espanhol promovem males e tempestades para meter medo aos independentistas.

Enfim, isto são histórias com séculos de lutas muito antigas. A Espanha não quer perder o que nada lhe custou e muito lhe deu. O problema subsiste. Para ter independência é preciso merecê-la e no caso da Catalunha é maior a razão legítima que a irracionalidade. Ouvimos comentários sobre independências que nos surpreendem pela negativa. Libertar-se do domínio e da opressão, escolher em consciência a sua liberdade, é visto como um atentado. Pois, em Portugal, a “gravidade” é igual à de Espanha.

Nunca ninguém entendeu a decisão de Portugal de dar a independência aos arquipélagos de São Tomé e Príncipe (tem cerca de 190 mil habitantes) assim como de Cabo Verde, sem consulta prévia às populações. Uma cedência meramente política e ideológica com fins pouco claros. Perguntem aos são-tomenses e aos cabo-verdianos se eles queriam ou não a independência?
O que vale é que a Espanha tem o apoio estereotipado de uma Europa complexada, centralista e obsessiva. Até quando? É que o medo e os relatos enviesados podem mudar e o que agora não é notícia de primeira página pode passar a ser... e tudo muda!
Portugal completou, em março, 875 anos, é dos países mais antigos do mundo e o primeiro país a estabelecer fronteiras na Europa. Em todas as bibliotecas universais vamos encontrar milhentas histórias escritas sobre o nosso país que foi pioneiro em muitas latitudes do ocidente como do oriente, da África como da America e Austrália.
>>>A história de Portugal, como nação europeia, remonta à Baixa Idade Média, quando o condado Portucalense se tornou autónomo do reino de Leão.
A presença humana no território que viria a ser português na pré-história regista os primeiros hominídeos (primatas, gorilas, macacos, chimpanzés, etc.) há cerca de 500 mil anos.
O território foi visitado por diversos povos: fenícios que fundaram feitorias, mais tarde substituídos por cartagineses.
Povos celtas estabeleceram-se e misturaram-se com os nativos.

No século III a.C. o território era habitado por vários povos, quando se deu a invasão romana da Península Ibérica. A romanização deixou marcas duradouras na língua, na lei e na religião.
Com o declínio do Império Romano, foi ocupado por povos germânicos e depois por muçulmanos (mouros e alguns árabes), enquanto que os cristãos se recolhiam a norte, nas Astúrias...<
(In – Múltiplos escritos sobre a História de Portugal, país fundado em 1143)
A escritora francesa Maryse Condé foi distinguida com o Prémio de Literatura (em 2018) da Nova Academia, em alternativa ao Prémio Nobel da Literatura que foi adiado este ano por razões internas, relacionadas com alguns membros do júri.

Maryse Condé, nascida em Guadalupe, em 1937, feminista e ativista, vive nos Estados Unidos e é considerada uma das autoras mais destacadas das Caraíbas, tendo escrito cerca de 20 romances e recebido vários prémios de prestígio.
Conhecida como uma das mais importantes difusoras da cultura africana nas Caraíbas, Maryse Condé descreveu como o colonialismo mudou o mundo e como os que são afetados retomam a sua herança.
> "Nas suas obras, com uma linguagem precisa", Maryse Condé "descreve os danos do colonialismo e o caos do pós-colonialismo", afirmou a Nova Academia, no anúncio realizado na Biblioteca Pública de Estocolmo. “Desirada”, “Segu”, “Crossing the Mangrove” e “Who Slashed Celanire's Throat?” são algumas das obras que escreveu, sem qualquer edição em Portugal.

O prémio alternativo ao Nobel, no valor de um milhão de coroas suecas (cerca de 96.000 euros), foi atribuído pela Nova Academia, organização fundada este ano por várias figuras culturais suecas, entre as quais jornalistas e autores, como forma de protesto ao cancelamento do Prémio Nobel por parte da Academia.
A cerimónia para entrega do prémio à escritora laureada está marcada para o próximo dia 9 de Dezembro. Recorde-se que a Academia Sueca decidiu não atribuir o Nobel da Literatura na sequência de um escândalo de abuso sexual e de crimes financeiros, que rebentou no final do ano passado, com denúncias de 18 mulheres a um diário sueco. O homem no centro do escândalo, o artista Jean-Claude Arnault, foi condenado no início deste mês a dois anos de prisão por violação.
Jean-Claude Arnault, casado com a académica e poeta Katarina Frostenson, membro do comité que decidia a atribuição do Nobel da Literatura, foi acusado de dois episódios de violação cometidos em 2011.

Apurou-se também que a confidencialidade sobre o vencedor do Nobel foi violada várias vezes. Pressionados pela Fundação Nobel, a Academia Sueca lançou várias reformas e a decisão mais controversa foi a de adiar a atribuição do Prémio Nobel de Literatura, este ano, pela primeira vez em sete décadas.
O Papa Francisco preside, neste domingo (14 de Outubro), no Vaticano, à cerimónia de canonização de sete novos santos, entre eles o Papa Paulo VI e o arcebispo de São Salvador D. Óscar Romero. Os outros santos são os padres Francesco Spinelli (1853-1913) e Vincenzo Romano (1751-1831); as religiosas Maria Catarina Kasper (1820-1898) e Nazária Inácia de Santa Teresa de Jesus (1889-1943); e o jovem leigo italiano Nunzio Sulprizio (1817-1836).
Paulo VI nasceu em Bréscia, no norte da Itália (Setembro de 1897), foi eleito Papa, em Junho de 1963, durante a realização do Concílio Vaticano II (1962-1965) e que presidiu após a morte de João XXIII. Promoveu a aplicação da doutrina conciliar. Faleceu em 1978 e o seu legado formativo para a Igreja está disponível em 12 exortações e 7 encíclicas, entre outros documentos. Instituiu ainda o Sínodo dos Bispos e o Dia Mundial da Paz.

Paulo VI
Foi o primeiro Papa a fazer viagens internacionais, discursou na ONU e o primeiro Papa peregrino de Fátima, em 13 Maio de 1967, onde evitou encontrar-se com as autoridades governativas devido às tensões diplomáticas que então se registavam por causa da viagem que fizera ao Congresso Eucarístico a Bombaim, em 1964, já depois da Índia ter anexado Goa, Damão e Diu; em 1960.
Paulo VI receberia no Vaticano representantes dos movimentos de libertação dos territórios africanos sob dominação portuguesa. Com esta canonização, quatro dos nove Papas que a Igreja Católica teve no Século XX são já santos, incluindo Pio X, João XXIII e João Paulo II.
Por seu lado, o arcebispo salvadorenho Óscar Romero Óscar Romero (1917-1980) destacou-se como grande defensor dos direitos humanos no seu país. Nasceu numa família pobre em Ciudad Barrios (El Salvador); aos 14 anos, entrou no seminário, mas seis anos depois saiu da instituição para ajudar a família que estava com dificuldades e ficou a trabalhar nas minas de ouro.

Óscar Romero
Após retomar os estudos, foi para Roma estudar Teologia na Universidade Gregoriana; ordenado sacerdote em 1942, regressou a El Salvador. Em 1970, foi nomeado bispo auxiliar de São Salvador; em 1974, por decisão de Paulo VI, assume a Diocese de Santiago de Maria, no meio de um contexto político de forte repressão, sobretudo contra as organizações camponesas.
Em 1977, torna-se arcebispo de São Salvador e passa então a "denunciar a repressão, a violência do Estado e a exploração imposta ao povo pela aliança entre os sectores político-militares e económicos, apoiada pelos EUA, bem como a violência da guerrilha revolucionária". Foi assassinado a 24 de Março de 1980, enquanto celebrava Missa.


João Godim
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