Internet, ilusão do conhecimento
Nos tempos actuais, tem-se a impressão que sabemos de tudo um pouco, com mais ou menos competências, numa variedade infinita de possibilidades e recursos. No entanto, já diziam os antigos, a "sabedoria vem da experiência" e "com o tempo" adequado, por muita teoria ou conhecimentos gerais que tenhamos.
Não menosprezamos as grandes possibilidades do nosso tempo, como houve também no passado, mas temos que aproveitar o melhor de modo consciente, especializado ou com a devida competência. Os alertas nesta matéria, por exemplo, podem ser conhecidos no livro "A Morte da competência", do professor norte-americano Tom Nichols, em que o autor desmonta a "ignorância" atrevida dos nossos dias.
> "Aquilo que me choca particularmente hoje em dia não é que as pessoas descartem a competência, mas a frequência com que o fazem, em relação a assuntos tão diversos, e a raiva com que o fazem", escreve o autor. "Pode ser que os ataques ao conhecimento especializado sejam mais visíveis devido à ubiquidade da Internet, à natureza desregrada das conversas nas redes sociais ou às exigências dos ciclos noticiosos de vinte e quatro horas.
Mas há nesta nova rejeição do conhecimento especializado, pelo menos para mim, uma presunção e uma fúria que não é apenas desconfiança, vontade de questionar ou de procurar alternativas: é narcisismo, ao qual se junta um desdém pela competência numa espécie de exercício de autodidatismo".
"A Morte da Competência" é uma obra oportuna e de muito interesse, sugere uma clara reflexão sobre os modos e os métodos que nos guiam através da "informação", das "novas tecnologias" e da "democracia" que já foi classificada, em termos político-governativos, como o que "menos mal causa" entre todos os outros.

"Enquanto a Internet permitiu que mais pessoas tenham mais acesso a mais informação do que nunca, também lhes deu a ilusão do conhecimento, quando na verdade elas estão afogadas em dados. Daí resulta um manancial inesgotável de rumores, mentiras, análise pouco séria, especulação e propaganda – e a tendência para «procurar informações que apenas confirmam aquilo em que acreditamos».

Se "recordar é viver", como dizem uns conhecidos versos na voz de Vítor Espadinha, faz sempre bem trazer à memória do presente alguns acontecimentos que marcaram o nosso país, por exemplo, no campo cultural, como receita para aumentar a auto-estima colectiva.

Recordamos, por isso, o que se passou de relevante, em 1998, para Portugal, com projecção a nível mundial: em Maio, tivémos a abertura da "Expo’98", a Exposição Mundial de Lisboa, que foi dedicada aos Oceanos e integrada nas comemorações dos 500 anos da chegada de Vasco da Gama à Índia; o encerramento deu-se em Setembro do mesmo ano, com diversos atractivos, entre os quais um grandioso espectáculo com fogo de artifício.
Ainda no campo cultural, também há 20 anos, o escritor José Saramago (1922-2010) foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, o primeiro atribuido a um autor de língua portuguesa.

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste".
(José Saramago)

Museu da Baleia, Caniçal - Madeira
A caça à Baleia está proibida em todo o mundo mas nas ilhas Faroé a matança continua, bem como nalgumas zonas do Japão (aqui fora da vigilância oficial). Em Portugal, a caça à baleia terá começado no século XVI, nos Açores, e na Madeira só a partir da primeira metade do século XX. Desde 1987 que o governo português determinou o fim desta atividade, ratificando a legislação que já vigorava em todo o mundo.
Era nos arquipélagos dos Açores e da Madeira que a caça à Baleia era praticada, havendo fábricas equipadas exclusivamente para a obtenção do óleo, carne e marfim.

Tivemos oportunidade de acompanhar o processo que ia da entrada do animal na rampa de acesso ao mar, seguindo-se o arrastamento do cetáceo até o interior da fábrica. Era uma operação lenta, feita através da força dos homens. Em média, as baleias capturadas no mar da Madeira tinham entre 15 e 20 metros e cerca de 700 kgs.
Segundo documentos disponíveis no Museu da Baleia (Caniçal – Madeira), o óleo da baleia era prioritariamente utilizado como combustível para a iluminação e na fabricação de sabão, margarina e na indústria de cosmética.

Centenas de baleias são mortas, todos os anos, nas ilhas de Faroé.
Ver, nesta altura do ano, a horripilante matança de centenas de baleias nas ilhas Faroé, por muito que seja a argumentação com base na necessidade de carne para a população, não deixa de ser um ato bárbaro. Ripostar que nos outros países matam animais como bovinos, caprinos, etc., em quantidades astronómicas… não dá razão, nenhuma! Fica sempre a imagem doentiamente selvática.

Mar vermelho... pelo sangue das baleias, nas ilhas Faroé (Dinamarca - Europa). Já no dia de hoje, chega-nos a notícia, foram abatidas cerca de duas dezenas de baleias.
Heróis da guerra são invenções
para confortar perdas inglórias
A morte de John McCain (25.08.2018), cidadão dos EUA, considerado herói da guerra do Vietname, está a ser transformada num mito. McCain morreu aos 81 anos, por câncer no cérebro. Não morreu na guerra, mas foi elevado à glorificação de herói da guerra. Antes de mais (e para que o nosso ponto de vista não dê lugar a cenários vazios), somos contra qualquer tipo de heroificação. São exageros.
A guerra do Vietname (entre 1955-1976) causou, no total de ambos os lados em confronto, mais e 1,6 milhões de mortos e 1,8 milhões de feridos. Foi das maiores tragédias, após a II guerra mundial. Os EUA sofreram sérias perdas e, reza a história, o exército americano foi um dos que mais saiu a perder. Assim sendo, elevar a herói quem perde é o mesmo que dar a vitória a quem sai derrotado...
Os heróis da guerra são invenções para confortar perdas inglórias. Heróis da Pátria, Monumento aos Heróis, Condecorações aos Heróis, Panteão Nacional para os Heróis, Heróis da I grande guerra, Heróis da II guerra mundial, são desvios à verdade histórica. John McCain deixou uma carta ao povo americano, “à nossa grande nação”, expressando o seu ego e patriotismo, fica bem.

Conheci jovens na guerra que combateram e morreram anónimos. Foram abatidos pelas armas do inimigo, à queima-roupa, sob rajadas ensurdecedoras, carros militares a arder, mortes à beira da estrada ladeada por denso capim. Apesar da superioridade do inimigo reagiram com bravura, gritaram alto como incentivo de coragem, ripostaram até ao fim daquela emboscada infernal, numa tarde de um dia quente. Passou: mortos, feridos, traumas. Uma embosca mortal entre outras mais. Heróis…!
Os militares portugueses na guerra da Guiné (1963-1974) terão sido mais “heróis” que os militares americanos no Vietname. Em tudo. Todavia, nos 11 anos que duraram a guerra, não conheci um único herói português. Exceto condecorações e, até nesta presunção, foram mais as recomendações que o mérito reconhecido. john McCain foi para os americanos, à luz dos factos, herói de uma guerra perdida. Sem glorificações, Portugal, sem dúvida, é uma "Nação valente".

> As ruínas de um antigo teatro romano numa colina do Castelo de São Jorge permitem desfrutar das marcas da história na cidade e transportam-nos para a Olisipo do início do século I d.C.. Abandonado poucos séculos mais tarde e redescoberto graças ao processo de reconstrução que se seguiu ao terramoto de 1755, foi tornado núcleo museológico, inaugurado como Museu do Teatro Romano em 2001 e passou a integrar o Museu de Lisboa em 2015. Instalado em dois edifícios, este “museu de sítio” inclui uma área de exposição de longa duração e um campo arqueológico". in > www.museudelisboa.pt



O Estado não vai para a prisão
Quem não consegue rir de si próprio, não poderá entender o essencial da vida e as práticas que movem a subsistência/sobrevivência do ser humano. É salutar rir, para bem de todos, individual ou colectivamente falando, sem medo de represálias, porque as tristezas não pagam dívidas e a brincar se alteram os costumes (segundo os romanos).
Nada de novo, portanto, no caminhar de séculos da humanidade de que fazemos parte e em que nos gabamos de ser os mais "espertos" e "esclarecidos" de todos os tempos, mas "falhados" da verdadeira "liberdade" e "autonomia", como nos fazem crer certas ideologias e poderes políticos. Neste aspecto do "poder", por exemplo, há uma realidade incontornável e que é sobre quem "pode/deve" suportar mais e suportar menos "impostos".

A questão, de facto, não é nova, suscita vários pareceres e opiniões, mas tem um quê de cómico, como nos relata Antoine Rault (dramaturgo e romancista francês, n. em 1965), na peça de teatro "O Diabo Vermelho", através do diálogo fictício entre Jean-Baptiste Colbert (político francês que ficou conhecido como ministro de Estado e da economia do rei Luís XIV; e o Cardeal Mazarino, personalidade influente na Corte Luis XIV).
As personagens são reais, embora o diálogo seja "inventado" e "adaptado" para uma peça teatral, mas o tema pode-se reportar aos tempos actuais, apesar de já terem passados 400 anos...
Veja-se então um excerto desse diálogo:

> Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço…
• Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado… o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!
> Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?
• Mazarino: Criam-se outros.
> Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
• Mazarino: Sim, é impossível.
> Colbert: E então os ricos?
• Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
> Colbert: Então como havemos de fazer?
• Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.


Na edição de ontem (26.08.2018), o DN dá à estampa uma notícia, assinada por Vital Moreira que, no mínimo, é um atentado ao bom nome de um estado de direito. Para sair da insolvência técnica a Caixa Geral de Depósitos (CGD) recebeu centenas de milhões de euros do estado (dos contribuintes portugueses). Agora veio a saber-se (pela imagem acima) que a CGD é a instituição bancária que mais regalias dá aos seus funcionários, muito superior à banca privada.
Discrepância incompreensível tal a desigualdade em confronto: trabalho igual, salário igual. Nada nos move em desabono dos trabalhadores da CGD, mas que é uma tremenda injustiça, é! Publique-se a lista dos devedores do estado, a partir dos empréstimos (créditos) concedidos pela CGD. Frontalmente.
Sonoridades de uma viagem épica
A viagem de circum-navegação de Fernão Magalhães, há 500 anos, inspirou o novo disco da guitarrista e compositora Luísa Amaro, que inclui composições suas, de Manuel de Falla e de Heitor Villa-Lobos, entre outros compositores.
O álbum, intitulado “Mar Magalhães”, sai a 28 de setembro, e “é o reflexo dessa viagem, que não foi fácil, com os sons das diferentes paragens efetuadas. Por lhe ter sido difícil empreender, é um disco muito reflexivo”, sublinha, Luísa Amaro.

A viagem de circum-navegação, efetuada entre 1519 e 1521, é vista pela guitarrista como “uma simbologia para tantas coisas da vida” que decidiu abordá-la num disco, para o qual procurou sonoridades cabo-verdianas (Magalhães aportou no arquipélago para abastecimento, logo no início da viagem), brasileiras (a frota passou ao largo do Cabo de St.º Agostinho, em Pernambuco, em novembro de 1519, e, em dezembro, entrou na baía do Rio de Janeiro), e as milongas argentinas (Magalhães alcançou em 1520 o rio da Prata).
As partituras escolhidas, compostas para guitarra clássica, foram transpostas, por Luísa Amaro, para a guitarra portuguesa, instrumento que pretendia que “traduzisse os sentimentos desse homem que é português. Em 1984, Luísa Amaro começou a acompanhar Carlos Paredes (1925-2004).
Desde 1996 dedica-se à guitarra portuguesa como compositora, considerando-se pioneira na “abordagem inovadora” que tem desenvolvido para este instrumento. Em 2004 editou o álbum “Canção para Carlos Paredes”, ao qual se seguiu “Meditherranios” (2009) e “Argvs” (2014).

O CD “Mar Magalhães” é apresentado em Lisboa, no Museu do Oriente, precisamente no dia que chega ao mercado, 28 de setembro, num recital com todos os participantes no disco, que são, além de Luísa Amaro (guitarra portuguesa), Gonçalo Lopes (clarinete), Paulo Sérgio (piano), Heloísa Monteiro (guitarra clássica), João Mota (cavaquinho) e Leonor Padinha (voz).
NB: Fernão Magalhães (1480 - 1521), nasceu em Ponte da Barca (Viana do Castelo) e faleceu nas Filipinas. De nacionalidade portuguesa, foi ao serviço do Reino de Espanha que planeou e comandou a primeira viagem de circum-navegação.

A zona mais emblemática da baixa lisboeta - o Chiado - que concentra as ruas do Carmo e Garret..., foi alvo de um violento incêndio há 30 anos, no dia 25 de Agosto de 1988.
Na área consumida pelas chamas encontrava-se um rico património arquitectónico e histórico desapareceu quase por completo, nomeadamente dezenas de estabelecimentos comerciais, como os armazéns do Grandela e do Chiado, referências artísticas e tradicionais que vinham já dos finais do século XIX.

A zona do Chiado sempre foi um ponto de encontro de "gente distinta", em particular desde meados do século XVI quando o comerciante Gaspar Dias - conhecido por o Chiado - ali se estabeleceu e lhe deu fama. Por exemplo, o sobrenome do dramaturgo António Ribeiro "Chiado" (natural dos arrredores de Évora), foi adoptado enquanto ali viveu no século XVI, tamanha era a importância que o local concedia aos seus habitantes e visitantes.
A parte do Chiado atingida pelo terrível incêndio de 1988 foi reconstruida pelo arquitecto Siza Vieira; as obras realizaram-se entre 1990 e 2003.

Resta agora a memória de muitas gerações e personalidades que ficaram gravadas em vários espaços do Chiado, como o poeta Fernando Pessoa (1888-1935, cuja estátua, da autoria do escultor Lagoa Henriques, recorda-o à mesa do Café Brasileira, onde se sentava para escrever e falar com os amigos.


Quatro eventos internacionais, tendo o mar como tema, vão realzar-se em Portugal nos próximos meses. Um dos eventos será o ‘Oceans Meeting 2018’, fórum internacional promovido anualmente pelo ministério do Mar, que decorrerá entre 20 e 21 de setembro e vai contar com a presença de delegações de mais de 18 países e de 30 oradores.
Dedicado ao tema da saúde dos oceanos e da saúde humana, o encontro pretende mobilizar a comunidade internacional para a necessidade da preservação dos oceanos, envolvendo políticos, cientistas e empresas.
Um outro evento internacional a realizar entre nós será o ‘Portugal Shipping Week 2018’, que irá decorrer entre os dias 17 e 21 de setembro e que visa debater as questões dos transportes marítimos.
Em simultâneo, decorrerá também o ‘Seatrade Cruise Med 2018’, um dos maiores eventos mundiais dedicado ao setor dos cruzeiros – e o maior na região do Mediterrâneo -, cuja organização foi este ano entregue ao Porto de Lisboa.
Nas duas semanas em que se irão realizar os eventos do mar, irá ainda decorrer a edição do ‘BioMarine Business Convention 2018’, certame internacional que decorrerá pela primeira vez em Portugal e onde serão discutidos os grandes temas da economia azul, com o principal foco assente na sustentabilidade dos oceanos.


No ano de 1356, no dia 24 de Agosto, Lisboa foi atingida por um tremor de terra que destruiu habitações e parte da Sé. Não foi tão dramático como o terramoto de 1 de Novembro de 1755, mas dá para ver como é o solo onde se construiu uma das cidades mais emblemáticas e ricas da Antiguidade, feita de vários povos e origens diversas, mercê da sua privilegiada localização face ao restante continente europeu.
Muitas e diferentes opiniões sobre Lisboa também foram escritas e divulgadas em todas as épocas. Principalmente relatos de estrangeiros que passaram pela capital do Reino ou País fundado há novecentos anos.
Memórias registadas de forma laudatória e crítica, mas objectivas ao máximo. Tudo isso é possível saber e recordar hoje em dia, numa altura em que a chamada "globalização" pretende fazer "tábua rasa" sobre o património único cada um, como se o passado fosse "obejcto descartável" e o presente nascesse de "geração espontânea".
Contra a "ditadura" das "notícias novas todos os dias", ou a "Babel" das comunicações em forma de "dilúvio", importa olhar lentamente para o que "veio antes", apreciar o que deixaram os que vieram antes de nós e habitaram o espaço a que chamamos "cidade", como Lisboa, apesar dos "tremores de terra" a que tem sido sujeita...

A este propósito, sugerimos a leitura do livro "Este é o Reino de Portugal", do jornalista e político José Brandão.

As mãos
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
> Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967
A morte não se estranha, mas quando chega tem o efeito de perda irrevogável. Partiu, hoje, a nossa amiga Rosa Sá Pessoa, acabámos de ver a notícia, o efeito surpresa deixa-nos pensativo. A última vez que estivemos à fala estava com seu marido, João Pessoa, sempre conversadora, sempre sorridente e sempre inseparável do seu bom humor. Gostava de viver a vida.
Desde o momento que a conhecemos, ficámos com uma imagem muito gratificante, um ser humano culto e solidário, ponha optimismo na vida, via sempre o bem como se o mal não existisse. Para a Rosa tudo era familiar, nada era impossível, com mais ou menos dificuldade conseguia estar presente. Foi um exemplo no modo como criar amizades.

São muitas as memórias que de vós guardamos. Um eterno adeus, sempre, aqui e na Casa de Deus, na vossa nova morada.
Ao João Pessoa um abraço sentido nesta hora difícil.

A “Coral”, produzida pela Empresa de Cervejas da Madeira (ECM), está a conquistar o mercado internacional com crescente sucesso. Uma cerveja premiada com medalhas de ouro, cujo fabrico teve início em 1872. A “Coral” distingue-se pela qualidade da sua composição, usando o melhor malte, fermentada e curada em baixas temperaturas, beneficiando ainda da propriedade da água e do clima da Ilha.
A confirmar a posição que ocupa entre as melhores cervejas está o interesse manifestado por consumidores da China, Japão, EUA, Canadá, Dubai, Reino Unido, África do Sul, entre outros mercados. Em 2015, seguiram os primeiros contentores para a China, um mercado que está a crescer 20 % ano.
Dizem os ingleses, apreciadores da “boa cerveja, da Madeira não veio só Cristiano Ronaldo (o melhor futebolista do mundo), mas também o maior hoteleiro português (Dionísio Pestana) e o maior Grupo nacional da marinha mercante, “Grupo Sousa”. É ver a marca Mad in Madeira no topo mundial, com estrelas de ouro.


João Godim
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