Com a nomeação de D.José Tolentino de Mendonça para ser Arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e Bibliotecário da Santa Sé, como responsável por uma das mais famosas instituições na área da cultura e da história da Humanidade, a Cúria Romana ou organização administrativa da sede da Igreja Católica passa a ter dois madeirenses no conjunto de pouco mais de uma dúzia de portugueses que desempenham cargos relevantes.
Assim, a par do novo arcebispo D. Tolentino, ordenado no passado sábado (dia 28 de Julho), e natural da Madeira (Machico), temos o sacerdote e professor Manuel Saturino da Costa Gomes, auditor do Tribunal da Rota Romana, uma entidade judicial no âmbito do Direito Canónico que tem a seu cargo o julgamento de causas reservadas ao Papa, relativas a chefes de Estado, cardeais, bispos, dioceses e outras pessoas jurídicas.


(Manuel Gomes e Tolentino Mendonça)
Também natural de Machico (paróquia do Piquinho) é membro da Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) e doutorado em Direito Canónico pela Universidade Pontifícia Lateranense, de Roma; foi director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP), entre 1996 e 2002.
Manuel Gomes foi ainda o primeiro director do Centro de Estudos de Direito Canónico, actual Instituto Superior de Direito Canónico da UCP, do qual foi director até Julho de 2011; membro da delegação da Santa Sé na Comissão Paritária para aplicação da Concordata e da Comissão da Liberdade Religiosa em Portugal; e professor de Direito Canónico na Universidade Católica Portuguesa e juiz do Tribunal Patriarcal de Lisboa.

(Sé do Funchal)
Apesar de pequena no seu espaço territorial, a diocese do Funchal já foi a maior do mundo no tocante às suas responsabilidades administrativas e pastorais, no contexto dos Descobrimentos, há 500 anos, e sempre se destacou no contributo de grandes personalidades ao longo dos séculos. Na actualidade, temos estes dois exemplos que enobrecem a Igreja portuguesa, local, e a sociedade no seu todo.
Em relação a D. José Tolentino, que escolheu como lema do seu episcopado a frase "Olhai os lírios do campo", é conhecido ainda como poeta e homem da cultura em geral, pelo que a sua escolha pelo Papa Francisco não constitui surpresa. O arcebispo madeirense assumirá a partir do próximo dia 1 de Setembro um serviço numa instituição de “grande relevância” que acolhe investigadores de todas as partes do mundo.
Há dois anos (2016), o blog ROINESXXI publicou uma notícia sobre as pomposas sedes dos partidos e as mais valias imobiliárias dos mesmos em várias regiões do país. Em Lisboa, o CDS/PP tem a sua sede num antigo palácio, valor patrimonial estimado em muitos milhões de euros. As sedes nacionais do PS, PPD/PSD, PCP, em Lisboa, valem dezenas de milhões.
De tais patrimónios imobiliários partidários o valor da aquisição fica aquém do valor real. É como comprar peixe-fino ao preço do carapau. O que fez o dirigente do BE (Ricardo Robles), ao adquirir um prédio que vale milhões pelo preço nicles, não é de bradar aos céus, excepto para quem anda distraido da política e dos políticos.

> Ricardo Robles, dirigente do BE e vereador da C.M. Lisboa, comprou um prédio, em Alfama, por 347 mil euros e, após obras, colocou à venda por 5,7 milhões de euros. Um lucro superior a 4 milhões de euros. Rica democracia...
Tonto... foi o Dr. Oliveira Salazar que "nasceu pobre e pobre morreu", que não só não soube criar riqueza pessoal, para si e para os seus, como submeteu os portugueses à pobreza. Tonto é pouco... por muita inteligência que tenha tido. Tonto por nada prometer e cumprir o que dizia: trabalho, trabalho, trabalho.
Tempos que já lá vão, sem saudades mas com revoltas no presente, com políticos que prometem uma coisa e fazem outra: palavras, palavras, palavras. E o povo não reage!?
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NB: Texto abaixo foi publicado em 2016:
PALACETE DO BLOCO DE ESQUERDA
A sede nacional do Bloco de Esquerda (BE), em Lisboa, está instalada num palacete do século XIX, inaugurado em Setembro de 1876. Está a completar 140 anos.
Na prática, de palacianismo a sede do BE tem pouco ou nada, todos os espaços são “oficinas” de trabalho, incluindo estúdios de rádio e televisão.
O palacete começou por ser ocupado pela LCI (Liga Comunista Internacionalista), em 1975, passando, em 1979, para a posse do PSR (Partido Socialista Revolucionário) e deste partido para o BE (Bloco de Esquerda).
A ocupação cedo passou à legalização por via de contrato de arrendamento e, em 2008, o edifício, de três andares, foi adquirido pelo BE, pelo montante de 600 mil euros, cujo valor patrimonial é, em termos de global avaliação, muito mais elevado.
A campa de Salazar, em Santa Comba Dão, é das mais visitadas do país. “Quase todos os dias recebe visitas, sobretudo no verão”, revela o presidente da junta de freguesia. O cemitério do Vimieiro, onde está sepultado o ex-chefe de governo do estado novo, está sempre de portas abertas e junto à sepultura há sempre vasos com flores.
Dizem-nos que “nalgumas datas fazem-se orações e até procissões”. António Oliveira Salazar (1889-1970), professor catedrático na Universidade de Coimbra, foi presidente do conselho de ministros durante mais de quatro décadas. Dizem as crónicas que administrou o país com métodos de ditadura, nasceu na pobreza, empobreceu o país e morreu pobre. À data da sua morte (27 de Julho de 1970), tinha cerca de 274 contos na CGD e bens, na sua terra natal, avaliados em 100 mil escudos.
Numa altura em que se choraminga a transladação de ex-políticos para o Panteão Nacional, a retoque de tambores democráticos mas sem “obra na governação”, Salazar que em tantos anos fez “bem, menos bem e mal” – não tem direito a mausoléu. Como alguém dizia “promover Sá Carneiro e esquecer Álvaro Cunhal, por exemplo, é desconhecer o caminho da luta pela liberdade e pela democracia”. Os túmulos no Panteão não devem ser ocupados por cores políticas, intelectuais nem desportivas. Tudo acaba em ossadas e todas as ossadas são iguais.

(Casa onde nasceu Salazar, no Vimieiro, Santa Comba Dão)
Há talvez milhões de livros e artigos sobre liberdade(s) e o tão discutido livre arbítrio. Tantos de nós pensamos que sabemos o que é isso. E que temos ou não temos liberdade. Uns afirmam-na, demasiado, outros quase a negam, mas não a dispensam. São talvez dezenas as categorias de liberdade.
A liberdade religiosa é tirada aos que a têm, sem a dar a dezenas de países que nunca a tiveram. Não poucos, hoje, repetem o chavão de que a liberdade de um termina onde começa a liberdade doutro, como se ficasse tudo claro. Muitos fogem de pensar na sua liberdade interior, na liberdade dos próprios neurónios, na liberdade das paixões, afectos e coração. E mais ainda, de a ligar à responsabilidade. Repete-se que o pensar é livre; e pode ser, mas não esquecer o pensamento único, politicamente correcto, que tantos querem impor.

A maioria gosta de multiplicar as teorias da liberdade de constrangimentos sociais. Esquecem os constrangimentos da moda e os biológicos que ninguém escolhe; e as condições limitantes da liberdade que cada um vai somando na ilusão de, mesmo assim, não ficar menos livre. O “catecismo” da Revolução Francesa leva muitos a pensar que está tudo dito com os seus chavões. São muitos os que se convencem que se fazem o que lhes agrada, já são livres.
Apesar do centenário de Nelson Mandela, com 27 anos de prisão, muitos não se interrogam como é que ele, apesar de preso, se manteve libérrimo no pensar e ser. Circula um certo pavor em falar de libertinagem como se só houvesse liberdade com bondade, e que ninguém abusa dela quando se relaciona com os outros.
Nem se gosta de falar dos que perdem a liberdade interior e exterior em cada repetição dos seus comportamentos de dependência de substâncias e de pensamentos obsessivos e compulsões comportamentais. Poucos gostam de pensar que são muitos, talvez, cada vez mais, os que se comportam com liberdade reduzida em um, dois, três e mais comportamentos.

Será que os milhões de Anónimos que enfrentam, com o método de Minesota dos 12 passos, alguns dos seus comportamentos sem liberdade e sem verdade estão enganados?
Pelo menos põem lado a lado a liberdade e verdade, opostas à mentira da sua vida; põem, lado a lado a liberdade, a beleza e bondade do viver. Parece que não é politicamente correcto e bem aceite dizer que a mentira se cola à falta de liberdade, mesmo quando se afirma o contrário.
Perante Pilatos que parecia que desejava saber a verdade sobre Jesus, logo se desinteressou ao ouvi-lo dizer que veio para dar testemunho da verdade (Jo 18, 38-39). Liberdade e mentira, juntas, só podem dar em ilusão e o oposto da bondade e da beleza da vida. A liberdade mentirosa termina em corrupção e escravidão, própria e alheia.

Esta aparente liberdade, cozinhada com a mentira, não pode levar à tão apregoada fraternidade da revolução de 1789, nem à equidade de igual dignidade de todas as pessoas. A igualdade, apregoada, sem a da dignidade, respeitada, de todas as pessoas, é uma colossal mentira sociopolítica. E porque será tão esquecida a afirmação do Único que sabe plenamente o que é ser livre: “conhecereis a verdade e ela vos libertará”? (Jo 8, 32).
Aires Gameiro: Funchal, Julho de 2018
A modalidade desportiva "jogo de futebol", que todos afirmam ter começado em Inglaterra, não reúne consenso quanto ao local da primeira partida realizada em Portugal. Sempre ouvimos dizer que foi na freguesia da Camacha, no Largo da Achada, na segunda metade do século XIX, "tendo sido introduzido pelo jovem inglês Harry Hinton, que na altura estudava em Londres, de onde trouxe a bola."

Escultura inaugurada em 1969, da autoria do madeirense Amândio de Sousa, atesta a histórica realização desse jogo com a seguinte inscrição: «Aqui se jogou futebol pela primeira vez em Portugal - 1875 – Camacha».
Mas esta data não é pacífica. A acreditar noutras notícias da época, o introdutor da modalidade "futebol" no nosso País terá sido Guilherme Pinto Basto, nos terrenos da Parada, em Cascais, em Outubro de 1888. "Foi numa viagem a Inglaterra, no início do Verão que Pinto Basto adquiriu uma bola de futebol e a trouxe para se divertir em ensaios com os amigos, também eles homens de destaque da sociedade lisboeta que iam para Cascais na época de veraneio".
Assim aconteceu, conforme também se lê numa placa histórica: «Cascais - Aqui nasceu o futebol em Portugal - (1888-1928)».

Em 1926, o Club Sport Marítimo, do Funchal, sagra-se Campeão de Portugal, ao derrotar o Benfica, Sporting e F.C. do Porto, cujos jogos foram disputados em Lisboa e no Porto. Na época, eram já muitos os "Cristianos Ronaldos" do futebol português e mundial.
Conta-se ainda que a primeira taça atribuída em Portugal, no ano de 1894, intitulada "Taça (rei) D. Carlos", foi disputada pelas selecções de Lisboa e Porto, na cidade Invicta, e ganha pela equipa de Lisboa.
Trata-se de uma questão curiosa, mas deixa dúvidas quanto à veracidade da mesma.

São muitas as construções sob inúmeras perspectivas, projectos e estilos. Não se pode dizer, em absoluto, que determinadas obras arquitectónicas correspondem integralmente a um período civilizacional, nem que obedecem a regras inalteradas. O homem das cavernas tinha o seu método habitacional como todos os outros povos que lhe seguiram. O modelo casa evoluiu à medida que o homem ambicionou mais e melhor conforto.
Por toda a Europa vamos encontrar casas/edifícios com estilos muito semelhantes. Portugal não foge à regra, o mesmo vamos constatar em todo o mundo. O foco arquitectónico é igual, a diferença está na adaptabilidade ao meio ambiente, ao clima e às condições locais.
Nos arquipélagos dos Açores e da Madeira as primitivas construções para habitação são exemplos das necessidades do meio, o mesmo se verifica nas regiões do Algarve, Alentejo, Beiras e Trás-os-Montes. Todos os estilos arquitectónicos estão presentes em todo o país, com maior ou menor visibilidade.

(Casa típica da Madeira)
Na Madeira, o ex-libris habitacional está na Casa Típica de Santana, formato triangular e cobertura de colmo, remonta aos tempos primitivos. Nos Açores, o emblemático modelo de construção assemelha-se ao algarvio e alentejano.
Nas grandes cidades (Lisboa, Porto, etc.) a simbologia arquitectónica está na linha das urbes europeias, com pontuais mutações. Não é preciso “correr o mundo” para conhecer a arquitectura mundial, está expressa no nosso país, a começar por Lisboa. As viagens habitacionais levam-nos ao conhecimento do que parece ser... desconhecido!

(Casa Típica dos Açores)
Escritora do silêncio e da solidão
Uma das mais significativas escritoras portuguesas contemporâneas, Maria Judite de Carvalho (1921-1998), "a escritora do silêncio e da solidão", senhora de uma escrita "acutilante e atenta ao pormenor quotidiano", está a ter o reconhecimento merecido, 20 anos após a sua morte, com a publicação da sua obra completa, quase desconhecida do grande público.
Já está acessível o primeiro volume, que inclui as suas primeiras coletâneas de contos – “Tanta Gente, Mariana” (1959) e “As Palavras Poupadas” (1961).

Apelidada por Agustina Bessa-Luís como “flor discreta da nossa literatura”, Maria Judite de Carvalho, também jornalista (mulher do também escritor Urbano Tavares Rodrigues), dedicou trinta anos da sua vida à carreira literária, durante a qual publicou 13 livros, privilegiando as novelas, as crónicas, os contos, e escreveu sobre a solidão, e histórias sombrias da vida quotidiana que observava.
Personalidade “recatada” e “zelosa da sua privacidade”, a escritora nunca gostou de se expor, e “a obra dela sempre falou por si mesma”, explicam os estudiosos dos seus livros.
O líder histórico sul-africano Nelson Mandela vai ser homenageado, hoje (quinta-feira), no Funchal, por ocasião do centenário do seu nascimento (1918-2018), através de uma escultura e de uma conferência, duas iniciativas promovidas pelo governo madeirense e por outras entidades.

Nelson Mandela, advogado e fundador do Congresso Nacional Africano, foi preso, em 1962, quando o regime de segregação racial, "apartheid", na África do Sul, intensificava a sua campanha brutal contra os opositores políticos. Na altura, com 44 anos, Nelson Mandela passaria os 27 anos seguintes na prisão, tendo sido libertado somente a 11 de Fevereiro de 1990.
O também Presidente da África do Sul morreu a 5 de Dezembro de 2013, aos 95 anos, depois de uma vida dedicada à luta contra a discriminação racial e às injustiças.

Por estes dias (de hoje até sabado - 25 a 28 de Julho) a cidade de Viseu recebe o festival europeu de etnografia e folclore (Europeade). Participam 203 grupos, oriundos de 24 países, e cerca de 5.400 pessoas.
Criado em Antuérpia (Bélgica), em 1964, o evento destina-se a salvaguardar e promover o património cultural imaterial europeu, sem propósitos competitivos, mas apenas com o intuito de dar a conhecer os diferentes costumes e músicas tradicionais.
Denominando-se "Cidade Europeia do Folclore", Viseu acolhe a 55ª edição do festival, a terceira a decorrer em Portugal, depois da Figueira da Foz ter acolhido duas edições, em 1986 e 1992, e mobiliza muitos e diversos esforços para o êxito de tão promissora iniciativa.

Na Alemanha é proibido fixar estendais nas varandas das habitações. Muito menos para secar roupa em dias de sol. Em Portugal nada impede. A questão é discutível e eventualmente aceitável. Razões de ordem económica podem estar por detrás destes expedientes.
O vencimento mínimo dos alemães é três vezes mais do que ganham os portugueses. No salário médio a diferênça é substancialmente maior. Fora estes "caprichos" monetários, há a estética que em nada favorece a imagem. Ver um edifício de sete andares com roupa a secar nas varandas, diga-se que não parece apropriado. Salta à vista!


Pode parecer estranho falar de turistas portugueses, em Portugal, como de turistas franceses, em França; alemães, na Alemanha e por adiante. É estranho e não é! A maioria dos portugueses não conhece Portugal. Estranho é não haver programas (!) turísticos atractivos para portugueses, quando o nosso país historicamente tem riquezas patrimoniais, culturais, gastronómicas, paisagísticas e climáticas das mais célebres do mundo.
Portugal tem uma imensa costa banhada pelo mar, tem ilhas atlânticas (Madeira e Açores estão posicionadas como os melhores destinos insulares do mundo), tem uma ilha (Porto Santo) com uma praia de areia dourada recomendada para fins terapêuticos. Portugal tem um rectângulo continental (do Algarve ao Minho), do litoral marítimo ao interior, como nenhum outro país. E já tem, sem dúvida, uma boa rede de vias de comunicação.

Portugal tem… mas os portugueses não têm como conhecer o seu multifacetado país com mais de oito séculos de história. Abundam os programas de viagens à Europa, Ásia, África, América do Sul e América do Norte, destinos que pouco nos dizem mas que têm uma tal força turística promocional extremamente tentadora que acaba por ser decisiva na hora da opção.
O slogan “Faça Férias Cá Dentro” foi bonito de se ver! Mas faltou-lhe a promoção crucial. Os portugueses desde sempre fizeram férias cá dentro, por razões económicas. Os que conseguem ter disponibilidade financeira optam pelo destino “Lá Fora”. A promoção de Portugal, em Portugal, continua aquém do desejado.

Portugal tem milhares de quilómetros de praias de areia, de mar e de rio, tem boa qualidade hoteleira, bons transportes, tem planícies e montanhas, tem uma ruralidade presa à natureza e ao ambiente intacto que a reserva histórica guarda com desvelo. Portugal tem museus, mosteiros, cidades, aldeias, tem “estória” vivida, tem uma ligação histórica ao passado como nenhum outro país. Portugal, depois das descobertas e do fim do império, continua a ser um grande país.
Por favor... façam de Portugal o maior destino turístico para os portugueses! Todo o ano.

Todas as palavras têm uma origem, tal como tudo o que nos é dado a saber. Nada existe por acaso. Para nós, o nome godim (João Godim) nasceu por imperativos da carteira profissional de jornalista, em 1972. Godim deriva do nome suevo Goodwin. Os suevos foram povos germanos que fundaram a antiga província romana da Galécia, entre 409 e 585 d.C.
Só agora fomos “descobrir” a freguesia de Godim, concelho da Régua, distrito de Vila Real. Com cerca de quatro mil habitantes (godinenses), Godim integra a Região Demarcada do Douro, capital da vinha e do vinho, património mundial.


Este regresso às origens, ainda que remotamente polarizada numa particularidade muito especial, leva-nos à descoberta de factos que marcaram a história. São curiosas achegas culturais. Da localidade de Godim sobressai a magnifica vista sobre o Rio Douro, os socalcos vinhateiros e a boa restauração.
É este o postal da visita! Lugares por onde também andou Miguel Torga.


Em Julho de 1969, o mundo assistiu com deslumbramento ao maior feito conseguido depois da era dos Descobrimentos: a chegada dos primeiros homens à Lua. No culminar de uma década de preparativos fixada pelo então presidente norte-americano John Kennedy, os astronautas Neil Armstrong e Aldrin pisaram o solo de um outro mundo.
"A viagem de cerca de quatrocentos mil quilómetros" constituiu uma grande conquista tecnológica, "maior que os Descobrimentos, a invenção do fogo ou a derrota da Alemanha nazi", na opinião do escritor de ficção científica João Seixas.
Antes deste acontecimento, já a antiga URSS colocara em órbita, em 1957, o "Sputnik 1", numa competição aberta entre as duas superpotências da altura. Mas, nada comparável ao que aconteceu há 49 anos, no mês de Julho.

(O homem a andar na Lua, em julho de 1969)
A Humanidade deu um passo gigantesco e o impacto dessa etapa histórica funcionou como rampa de lançamento para mais e mais descobertas no imenso universo de que apenas se captam pequenos sinais, apesar de estarem "previstos", desde há séculos, pela ficção científica...
Na verdade, os programas espaciais, realizados por cientistas, poderes tecnológicos e políticos, têm sido antecedidos pela poderosa mente de alguns escritores, a chamada "ficção científica".
Recorde-se o caso de Júlio Verne, que publicou em 1865 "Da Terra à Lua"; Cyrano de Bergerac, em 1657, que abordou também a possibilidade de usar "foguetes" para uma "viagem" à Lua; e tantos outros mais próximos de nós, como Isaac Asimov, Arthur Clarke, Robert Heilein e Aldous Huxley (1894-1963), que a propósito da infinita imensidão do espaço cósmico deixou escrito: "O silêncio está tão repleto de sabedoria e de espírito em potência, como o mármore não talhado é rico em escultura ".

(Fim de tarde, em Trás-os-Montes, com temperatura nos 27 graus).
A Lua continua a nos fascinar, muito para além da conquista científica. Chegámos lá e lá demos passos "terrenos"... como fenomenais são as cores do céu que vimos nas imagens, em fim de tarde, princípio de noite. No mesmo local - Miradouro de São Leonardo em Galafura (Régua) - onde esteve Miguel Torga, o médico escritor que bem descreveu a região transmontada.

(Céu de Trás-os-Montes, às 22 horas, em pleno verão)

Toda a música é feita de ruídos mas também com palavras, narrativas, poesia, elos que harmonizam com a música em diferentes tons e mais fascinante é ouvir e ler os seus intérpretes naturais. É neste ritmo que deparamos com o blog “silnunesprof.blogspot.com”. num pequeno naco de silêncio:
Dizem lá na Guiné Bissau, que a primeira viagem à Lua foi feita pelo Macaquinho de nariz branco. Segundo contam, certo dia, os resolveram fazer uma viagem à Lua a fim de traze-la para a Terra. Após tanto tentar subir, sem nenhum sucesso, um deles, dizem que o menor, teve a idéia de subirem uns por cima dos outros, até que um deles conseguiu chegar à Lua”.

A primeira vez que fui desesperadamente à janela foi para ver a cidade do Funchal. Deve ter sido dois dias após ter dado entrada no hospital com um acidente vascular cerebral. Como descrever? Primeiro a assustadora incapacidade para manter-me de pé, Lembro-me de como durante segundos o corpo fraquejou e acabei por cair. Ninguém consegue pensar naqueles confusos instantes. Na guerra em África (Guiné) estive debaixo de fogo do inimigo, em várias ocasiões, vi camaradas morrer ao meu lado, mas estava de posse de todas as capacidades físicas e mentais. As energias eram outras.

Na janela do hospital estava só, a mente entra num rodopio tremendo. E agora? Estava transtornado. A janela foi o sol radiante da minha recuperação. Não houve milagres! Passados cerca de seis meses estava reabilitado! Daqueles momentos, o que me impressiona e que ainda hoje retenho é o impacto da luz e do sol pela janela do hospital. Nunca vou olvidar. Janelas do nosso ver o mundo, por muito limitado que seja o horizonte. Sempre que espreito pela janela, vejo tudo o que quero ver…luz e esperança.

Visitar Conímbriga em 2018 é correr o risco de questionar sobre muitas coisas e não obter resposta. Não é duvidar sobre os romanos que ali construíram uma fabulosa cidade, em tempos da pré-história (há dois mil anos), mas é ver evidências concretas de obras urbanísticas e arquitectónicas grandiosas.
Estão à nossa frente, vimos, fotografamos, andamos pelas ruas da cidade romana, pelas termas, pelo fórum, pelas habitações, pelo anfiteatro, pela basílica com três naves (...), pelas principias centros citadinos. Percorremos lugares da cidade outrora percorridos pelos romanos numa próspera capital. Conímbriga do Imperador romano Augusto, desde 139 a.C.
Os romanos estiveram por estes lugares durante cerca de cinco séculos (mais de 500 anos), tempo que lhes permitiu aqui construir uma metrópole de grande dimensão. As principais edificações foram realizadas entre os séculos I e III, d.C. São lugares e casas com memória de uma civilização sócio-política e económica valorizada.

Estar aqui, cerca de dois mil anos depois dos romanos terem deixado a cidade esplendorosa de Conímbriga, é estar ante uma humanidade que nasce, cresce e parte sem se saber bem como (?). Imagine-se o que era Lisboa sem população… restava o que fora edificado: Como entender? Presente em nós o facto histórico de terem sido os romanos (por ordem do soberano Pilatos) que levaram Jesus Cristo à morte na Cruz!
Conímbriga, uma urbe a visitar, hoje e sempre, com muitas interrogações, explicações e permanências culturais sobre a história dos povos. Neste mundo tão pequeno... 


Uma das personalidades marcantes do século XX, Nelson Mandela, faz hoje 100 anos. As celebrações do seu nascimento acontecem um pouco por tudo o mundo.
Foi político, advogado, líder de um movimento contra a descriminação racial no seu país, África do Sul, passou 27 anos na prisão e é considerado um exemplo para os grandes estadistas.
Presidente eleito da África do Sul entre 1992 e 1999, recebeu o Nobel da Paz em 1993, em conjunto com Frederico De Klerk, o último presidente branco de uma hegemonia colonial baseada em critérios de cor das suas populações.

Nelson Mandela (1918-2013), discípulo de M.Gandhi, lutou pela liberdade e impediu ressentimentos ou vinganças após as inevitáveis mudanças do regime de "segregação". O mundo, nos finais da década do século XX, também já estava a mudar de forma significativa, basta lembrar a "queda do Muro de Berlim", o desmoronamento da "União Soviética" e a consequente "derrota" da chamada "Guerra Fria", entre outros acontecimentos. Além disso, difundiam-se ideias e interpretações sobre o "novo milénio" que estava prestes a começar, com toda a sorte de espectativas e mitos.
Mas, personalidades como Nelson Mandela, estão acima de todas as teorias ou planificações, porque a sua vida sempre falou mais alto, em termos da defesa dos direitos humanos e dos compromissos políticos a favor de todos.
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Eu lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Eu tenho prezado pelo ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas possam viver juntas em harmonia e com iguais oportunidades. É um ideal pelo qual eu espero viver e que eu espero alcançar. Mas, caso seja necessário, é um ideal pelo qual eu estou pronto para morrer".



Pertence à Igreja Católica os mais valiosos patrimónios arquitéctónicos portugueses. Não só igrejas como conventos, mosteiros e outros monumentos seculares.
"A Morgadinha dos Canaviais", um dos famosos títulos da obra literária de Júlio Diniz, faz agora 150 anos. Trata-se de um romance (misto de romantismo e realismo) passado no século XIX, no norte de Portugal, e que narra a história de Henrique de Souselas que, cansado de viver em Lisboa, vai para a província morar com uma tia e lá se apaixona por Madalena, a "Morgadinha", com muitas peripécias pelo meio.
Com uma escrita naturalista, Júlio Diniz (pseudónimo literário do médico portuense Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839- 1871), foi um escritor de altos méritos, autor de um obra intensa só travada pela morte precoce aos 31 anos de idade, devido à tuberculose.

(Estátua de Júlio Diniz na rua da Carreira / Funchal)
Passou a maior parte do tempo a tratar dos livros e da saúde, procurou cura em Ovar e no Funchal..., e não conseguiu fugir à popularidade. Esteve três vezes na Madeira e habitou uma casa na Rua da Carreira, local que hoje está assinalado com uma estátua em bronze.
"Ó Funchal! Que tristes dramas se têm passado à luz do teu sol benéfico! Que lustrosos desenlaces de tantas histórias de paixões! Que de lágrimas ardentes caídas no teu solo sequioso, que se apresse a escondê-las discreto! E à sombra das tuas árvores quantas fontes escaldando de febre vergaram sob o peso da cruel melancolia!
(...) Este carácter da cidade avulta aos primeiros passos dados no interior dela. O viajante cruza-se a cada momento com certas figuras pálidas, emaciadas, pensativas, marchando lentamente, ou transportadas em redes, encontra-as nos assentos dos passeios em ociosa meditação, ou fitando melancolicamente as ondas que se sucedem na praia...

(Funchal nos anos 70 do séulo XIX).
São ingleses cadavéricos, alemães diáfanos, portugueses descarnados, brasileiros, norte-americanos, russos; são velhos, adultos, crianças, vaporosas belezas femininas de toda a parte do mundo, todos a convencer-nos de que estamos na cittá dolente, mas no pórtico desta não se lê gravado o dístico desesperador que o poeta inscreveu no da região das tormentas eternas. Pelo contrário, à entrada aqui revestem-se de esperança os próprios condenados.
Para que a Madeira nos sorria, para que nos apareça formosa como a descreve o poeta inglês e fragrante como uma verdadeira flor do Oceano, é necessário sair do recinto da cidade, procurar as freguesias rurais, subir as íngremes ladeiras que costeiam os picos e espraiar então a vista pelos formosíssimos vales que vão descobrindo o seio fecundidíssimo aos nossos olhos." (…)
Júlio Dinis (excerto de uma carta escrita a José Pedro da Costa Basto aquando da sua segunda visita).

João Godim
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