
Neste dia 31 de Maio, no calendário religioso, destaca-se a festa do "Corpo de Deus" ou do Santíssimo Sacramento. Celebra-se todos os anos, em todo o mundo católico, desse há seculos, na segunda quinta-feira a seguir ao Domingo de Pentecostes (50 dias após a Páscoa).
No nosso País, é um feriado nacional e de profunda vivência cristã que mobiliza centenas de pessoas, em particular através das tradicionais procissões pelas ruas das cidades.
> As raízes da festa do Corpus Christi remontam às visões místicas de Santa Juliana de Liège, então priora no mosteiro do Monte Carmelo, em 1208. O diretor espiritual da religiosa, obtendo o juízo favorável de numerosos teólogos sobre as visões, apresentou ao bispo o pedido de introduzir uma festa em honra do Corpo de Cristo", diz-nos Carlos A. Moreira Azevedo e António Camões Gouveia no Dicionário de História Religiosa de Portugal.
> A solicitação foi aceite e a festa foi instituída em 1246, sendo aprovada para toda a Igreja latina em 1264, na quinta-feira após a oitava do Pentecostes (...). O alargamento da solenidade ao mundo latino constituiu uma resposta de fé e de culto a doutrinas heréticas sobre a presença real de Cristo na Eucaristia, ao mesmo tempo que coroou um movimento de devoção ardente ao Santíssimo Sacramento do altar.
Em 1318, o papa João XXII, em Avinhão, acrescentava-lhe a procissão solene, que se caracteriza por levar em triunfo o «Santíssimo Sacramento».
> Em Portugal a festa foi instituída pouco depois da sua criação belga e antes da determinação papal. Há referências para o Porto, em 1294, e para Coimbra ainda no século XIII."


Revolução em Paris - uma festa de juventude
Por estes dias, e por todo o lado, circulam as notícias e recordações sobre o "Maio de 68" em França, há 50 anos, num contexto de grande euforia e revolta. A rebelião, na fase inicial, teve como protagonistas os jovens estudantes, mas logo se alargou à classe operária e cativou intelectuais de vanguarda, quase a imitar a "Revolução de 1789" e a "tomada da Bastilha".
Muito já se falou sobre estes acontecimentos e há interpretações para todos os gostos, de quem viveu muito perto de tudo, ou seguiu à distância aquele período em que o poder político e a sociedade em geral se confrontaram a sério, deixando uma marca no século XX.
Neste contexto, é sempre bom ouvir os pensadores, os sábios, que sabem mais da vida concreta, experimentada, do que simples ideologias ou utopias. É o caso do Prof. Eduardo Lourenço que naquela altura vivia em França e que falou à Lusa com alguma decepção, classificando o "Maio de 68", como uma euforia "estranhíssima", que começou por prometer muito, transformou-se numa revolta "negativa" e terminou como uma festa estudantil, que não deixou "nada", além de uma "memória", que talvez inspire o futuro.

Prof. Eduardo Lourenço: “Eu estive na França do Maio de 68, mas não estive em Paris em maio de 68, eu estava em Nice. Vivia-se, e partilhei, essa espécie de euforia estranhíssima que durou uns 15 dias”, recorda o ensaísta, que no passado dia 23 completou 95 anos de idade.
Foram momento que recorda de “um entusiasmo delirante”, sobretudo entre as alunas, “a maioria filhas da gente grada de Nice, dos médicos, dos professores”, e que lhe suscitaram, na altura, um sentimento único: “Eu disse assim, bom, realmente eu já vi tudo na minha vida, isto é o máximo”. Mas o entusiasmo não tardou a esmorecer, quando começou a perceber os contornos que a revolta assumia e os caminhos que seguia, que acabavam por não ser portadores de uma verdadeira mensagem revolucionária", observa.
Eduardo Lourenço recorda que a “principal figura” do movimento foi “um jovem alemão”, Daniel Cohn-Bendit, que ficou conhecido como ‘Dany le Rouge’, e que aquela era uma revolta de estudantes franceses, numas certas circunstâncias, contra o tipo de poder que naquele momento era representado pelo general De Gaulle, o Presidente da República, que tinha liderado a resistência à ocupação nazi, na II Guerra Mundial, e de quem era “muito admirador”.
Além disso, o "Maio de 68" não foi propriamente originário da cultura e do espaço francês, como o foi a Revolução Francesa, mas antes, de “outra grande referência do século XX”, que chegava da América.

“Era uma imitação do que se tinha passado na Califórnia, ou em parte na Califórnia, a contestação de valores, não propriamente de valores políticos – na América seria quase um pleonasmo -, mas de comportamentos de vária ordem – ordem ética, sexual -, que tiveram influência nessa época e que deixaram rasto, naturalmente”, afirma.
Mas foi com as invasões e com as destruições promovidas quer pelos jovens quer pelas forças policiais que o seu entusiasmo se viria a “esbater muito”, conta o ensaísta, que, na altura, era professor na Universidade de Nice, recordando a “invasão dos espaços universitários” por estudantes “rasgando cartazes, rasgando fotografias de Montaigne”.
“Uma coisa que era incompatível com aquilo que eu podia aceitar de uma França que eu admiro e onde fui professor e onde sou aposentado”, acrescentou.
Olhando para trás, à distância de 50 anos, o que ficou daquele movimento foi “nada”, além de “uma festa, uma festa de juventude”, na opinião do filósofo.
Eduardo Lourenço recorda que “estes rituais vinham do mais profundo da História cultural europeia” e que a universidade sempre foi o ‘focus’ de conflitos, de revoltas contra os professores, e não só".

“A universidade francesa nunca foi nenhum convento” e foi sempre um espaço “onde se jogavam aspetos fundamentais da cultura europeia, das suas contradições ou não contradições”.
“Mas enfim, chegou-me aquelas duas semanas para ver que aquilo não conduzia a parte nenhuma, a não ser como coisa memorial, para se repetir em condições talvez mais adequadas e que se chame propriamente uma revolução, no sentido profundo e positivo do termo”

Faz, amanhã, anos que ocorreu um dos crimes mais hediondos da humanidade. Uma jovem pastora francesa, Joana d´Arc, 19 anos de idade, foi queimada numa fogueira só porque fez frente aos invasores do seu país. Lutou na defesa dos seus conterrâneos e por isso morreu barbaramente. Infelizmente a história do homem - animal racional - está manchada de muita crueldade.
Joana d´Arc nasceu a 6 de Janeiro de 1412 e morreu a 30 de Maio de 1431. É a santa padroeira de França. “Foi executada na fogueira, num auto de fé. Era uma modesta camponesa, analfabeta, foi uma mártir e heroína do seu povo. A igreja católica francesa propôs ao Papa Pio X a sua beatificação que se consumou em 1909".
Joana d´Árc é vista pelos franceses como a “Donzela de Orleães”, cidade histórica atravessada pelo rio Loire, na região do Vale do Loire (Património Mundial da Humanidade). Orleães é das cidades mais verdejantes e cuidadas (limpas) da Europa.




(Fotos: ROINESXXI)
28 de Maio de 1926
Mais um golpe militar em Portugal que ficou para a História: a 28 de Maio de 1926, uma "revolução" comandada pelo general Gomes da Costa, com Mendes Cabeçadas e Óscar Carmona. A I República é derrubada. O carácter da ditadura seria acentuado com a instauração do Estado Novo, a partir da nova Constituição de 1933 e já com Oliveira Salazar no poder.
Já em 1910, os militares proporcionaram a mudança de regime, acabando com o regime monárquico e inaugurando a República, com significativas consequências para o País, em termos da evolução de mentalidades e de instabilidade político-social.
Mais recentemente, tivemos a "revolução" dos militares a "25 de Abril de 1974". E em séculos anteriores, o mesmo se tinha passado, quase sempre com a presença de militares ou forças impostas por uma certa violência/autoritarismo, e que depois vieram a dar origem à "ditadura", tirania, ausência de limites de poder, entre outros.

Fora a "ditadura militar", isto é, apoiada no exército, também existem outras "ditaduras" que não podem ficar esquecidas , como a "ditadura do proletariado" tão propalada e defendida pelo ideologia marxista, e segundo a qual impõe-se que haja "um período transitório" protagonizado e assumido unicamente pelos "representantes do proletariado" para o exercício de todos os poderes políticos, visando a destruição do "Estado burguês" e a implantação de uma "sociedade sem classes".
Enfim, se existe uma ditadura está tudo explicado, até que se dê outro "golpe" ou "revolução" a bem de todos os cidadãos, sem quaisquer discriminações.
230 deputados decidem
por 10 milhões de portugueses
Eutanásia por voto secreto e sem Referendo. São os deputados na Assembleia da República a aprovar a lei sobre a Eutanásia. Uma incongruência que vai contra os princípios mais elementares da democracia. Os eleitores portugueses não são ouvidos nem achados, são simplesmente arredados de um Referendo que faria todo o sentido numa matéria como esta.
Deputados a decidir em nome de todos os cidadãos é inaceitável. A despenalização da morte medicamente assistida (eutanásia) não pode ser aceite como um projecto lei qualquer, diz respeito a todos os seres humanos. Porquê não querem os partidos a consulta popular (Referendo), porque sabem que o resultado, como tudo indica, seria contra.

Uma postura dos partidos e dos deputados sumamente criticável. Recente inquérito realizado em cinco cidades do país (Lisboa, Porto, Coimbra, Funchal e Ponta Delgada), dava um resultado maioritariamente desfavorável à Eutanásia. A vida não pode ser decidida por outrem, por leis politizadas e ideologicamente partidarizadas, porque está acima de todo o ser humano. Não é ser contra nem a favor, é fazer valer os valores da democracia.
Rui Rio, presidente do PSD, é favorável à Eutanásia. Ao menos deu a cara. Já agora, a votação de amanhã, na Assembleia da República, devia ser de “cara mostrada” e não por voto secreto. Na Europa, apenas a Holanda, Bélgica, Suiça e Luxemburgo têm lei sobre a Eutanásia, uma minoria de países. Portugal, sob a opção de 230 deputados e a desconsideração por mais de 10 milhões portugueses corre o risco de fazer parte de mais uma minoria europeia. E assim vamos...
Os abutres andam atrás dos animais apodrecidos ou às portas da morte. Surgem às dezenas nos céus da Guiné, com ar sinistro e devorador. Já os pavões elevam a crista e exibem a plumagem, alimentam-se da mesquinhez, andam em bicos de pé e são terrivelmente de má índole.
Há homens abutres e há homens pavões! Quais os mais obscenos? Sem dúvida que os pavões, são mesquinhos, vaidosos, obsessivos e cultivadores do egocentrismo. Andam a pavonear-se na política e no desporto, em todas as áreas, como se fossem donos de todo o saber (que muitas vezes pouco ou nada sabem).

Pavões tagarelas andam por ai. Doutorados sem licenciatura, licenciados sem frequência universitária, engenheiros, arquitectos, economistas, até escritores com livros publicados (escritos por outros), jornalistas a soldo. Manias e psicopatias. “Uns bardamerdas”, como classificou o ex-primeiro ministro de Portugal, Pinheiro de Azevedo.
As mesas redondas nas televisões e os comentários na imprensa cheiram a substância para abutre e matéria para pavão. Então o tema Sporting já cheira tão mal que já nem aos abutres interessa. Mas lá estão os pavões a dar picadas no ceguinho, a escavar em tudo quanto podem.

Mesas redondas, notícias e reportagens com todos os que estão contra o ceguinho. Não há contraditório. Críticas monocórdicas, a fazer lembrar os discursos dos ditadores impolutos. Atacar alguém sem dar oportunidade a que o mesmo se defenda só numa sociedade intelectualmente medíocre. Triste país que permite tamanha devassa.
"Desporto - Virtudes e riscos", é o tema geral da 14.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, prevista para o dia 2 de Junho, em Fátima, com a presença de entendidos na matéria, escritores, jornalistas, atletas, entre outras individualidades.
"A iniciativa centra-se no significado antropológico e nas atuais conexões socioculturais do Desporto - poética e ética do corpo e do espírito, poderes e desvios da irradiação social (negócio, corrupção, alienação, etc.)". Os conferencistas irão abordar, entre outros itens, a possibilidade de actualização da perspectiva cristã do ideal humanista contida na máxima "mente sã em corpo são".

O tema está em sintonia com as múltiplas intervenções do Papa Francisco e dos seus antecessores sobre o Desporto, com as competências do Conselho Pontifício da Cultura, com a abertura de um departamento especializado, a organização de eventos e a criação de equipas com as cores do Vaticano.
No decorrer desta Jornada, o consagrado actor Ruy de Carvalho, com 91 anos de idade e 76 de carreira, actualmente a trabalhar no Teatro Experimental de Cascais, receberá o Prémio Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, em parceria com a Renascença.

No próximo dia 8 de Junho (sexta-feira) passam 60 anos sobre a farsa eleitoral que levou o general Humberto Delgado às urnas.
MAIO de 58, da autoria de António Torrado, é um texto sobre este tema, com leitura encenada por Castro Guedes, na base do «Teatro Translacional», em que o público é convidado a interpelar a cena livremente, em espaços temporais determinados pelo encenador e pelos atores.
Museu do Aljube Resistência e Liberdade, Rua de Augusto Rosa, 42 - Lisboa. Entrada gratuita.
Uma obra ímpar que actualiza para os nossos dias a cultura portuguesa de outros tempos, nas mais variadas temáticas, a colecção "Obras Pioneiras - abrange 700 anos", está a ser lançada pelo Círculo de Leitores, sob a direcção de José Eduardo Franco e Carlos Fiolhais, duas personalidades de grande craveira intelectual e que, recentemente, foram distinguidas com o Prémio José Mariano Gago de Divulgação Científica, precisamente por causa desta iniciativa editorial.
Os últimos volumes lançados (Abril 2018) tratam de: Primeiros Relatos de Viagens e Descobrimento, sob a coordenação de Alexandra Pelúcia, João Paulo Oliveira e Costa, e Luís Machado de Abreu, séculos. XV e XVI; e Primeiras Narrativas de Naufrágios, sob a coordenação de António Moniz, século XVIII.

José Eduardo Franco (natural da Madeira, n. 1969) é professor Catedrático e director da Cátedra FCT/Infante Dom Henrique de Estudos Insulares e da Globalização (Universidade Aberta/Polo do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa).
Tem também ensinado em universidades de Espanha, França, Alemanha e Brasi, promovido várias realizações culturais, a nível de publicação e congressos; e tem igualmente em curso a preparação do "Projeto Aprender Madeira" e o "Dicionário Enciclopédico da Madeira" (em 10 volumes), entre outros.
Permanecer intelectualmente activo
Na revista científica “Cell Stem Cell”, criada em 2007 e editada pela Elsevier, a investigadora Maura Boldrini e uma equipa de cientistas da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, revelam os resultados dos estudos feitos aos cérebros de 28 indivíduos, entre os 14 e 79 anos, que tinham morrido prematuramente.

> A investigadora concluiu que os indivíduos mais idosos produziam tantos neurónios como os mais jovens. Porém, a diferença significativa registava-se no fluxo sanguíneo diminuto, dos mais velhos, que é responsável por nutrir essas células.
O que significa que se dividem menos, o que por sua vez gera menos neurónios novos nos cérebros dos mais idosos. Por outras palavras, as novas células ainda estão lá, porém não são tão activas nas mentes mais envelhecidas.
> A prática de exercício físico pode ser uma boa opção para a manutenção da vasculatura cerebral, diz Boldrini e permanecer intelectualmente activo é também muito estimulante.
"Labirinto da Saudade", hoje, RTP-1 (20H45)
Um símbolo maior da cultura contemporânea Portuguesa, pensador e sénior de referência no nosso país e na Europa, o Prof. Eduardo Lourenço completa, hoje, 95 anos de idade.
Em sua homenagem, estreia-se, também hoje, o filme "O Labirinto da Saudade", baseado num dos seus livros mais emblemáticos, uma espécie de documentário promovido por um grupo de amigos, em que o escritor também é actor, ao lado de Álvaro Siza Vieira, Ramalho Eanes, Lídia Jorge, Pilar del Río, entre outros.
Eduardo Lourenço já admitiu que "entrou no filme sem saber que estava a entrar num filme" e considera haver uma "tal incompatibilidade" entre ele e ser protagonista de um filme.
Neste dia 23 de Maio, passam 35 anos sobre a morte do escritor Horácio Bento de Gouveia. Natural da freguesia de Ponta Delgada (Madeira), nasceu em 1901 e destacou-se ainda como cronista, conferencista, colaborador assíduo da imprensa regional e professor no antigo Liceu Nacional do Funchal.
A sua obra, traduzida por vários romances e de teor regionalista, "está praticamente toda esgotada", deverá ser publicada na íntegra, em 2019, pela Direcção Regional de Cultura (DRC), no âmbito das comemorações dos 600 anos da descoberta da Madeira e do Porto Santo.

Para assinalar a data da sua morte, decorre hoje, no Centro Cultural de Vila das Aves, freguesia do concelho de Santo Tirso, uma cerimónia de apresentação do livro " Escritos 6", da autoria da sua filha, Fátima Gouveia Soares; um CD da Casa-Museu Dr. HBG, de Maria Adelaide Valente, uma escritora que há anos ganhou o prémio literário Horácio Bento de Gouveia; e a leitura do conto "Açucenas", por António Luís Gouveia Soares, um dos bisnetos do autor madeirense que conviveu com os grandes da literatura portuguesa no século XX, como Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro, e foi um seguidor do Fialho de Almeida.
Empobrecer a sociedade portuguesa
Professor Marcelo Rebelo de Sousa, 69 anos, 20.º presidente da República Portuguesa, desde março de 2016. No visor da política é visto como uma figura ímpar, paladino das selfies e dos afectos. De tudo diz, sobre tudo comenta. Nas funções de jornalista, estou a vê-lo, com o sorriso de sempre, no planalto do Chão da Lagoa, a falar para milhares de pepedistas estarrecidos ao sol, num comício com mais de 50 mil almas. Era então líder do PPD/PSD.
Décadas depois, vejo-o em Chefe de Estado, imparável, ora a apagar incêndios ou a nadar no mar de Cascais, a dar uma no cravo e outra na ferradura, a malhar e a elogiar, de extremo a extremo, cada dia mais interventivo e líder de audiências. Encarna a figura que o povo gosta. Muito longe do cata-vento que o antigo primeiro-ministro Passos Coelho o epitetou.
Outra face surge, outrossim, do outro lado do visor. Não a rezar o terço (todos os dias) ou a dormir poucas horas por noite, refiro-me aos excessos que roçam, por vezes, à rudeza, pelo modo como aborda determinadas questões. Dizer, por exemplo, que se sentiu “vexado” pelo que aconteceu na Academia do Sporting que poderá “empobrecer a sociedade portuguesa”, é de dar revoltas no estômago de qualquer um. Como diz o mais velho cidadão da minha rua: deve estar a brincar!

Então o Prof. Marcelo quer fazer acreditar que Portugal é uma potência do futebol mundial, pelo facto de ter ganho um campeonato da Europa. Como ganhar, por si só, é ser o melhor? Ganhar mais é saber mais? Ser rico é ser mais inteligente? Sabe, com certeza que sabe, que o futebol tem muito mais sucesso social, cultural, económico e financeiro do que um troféu europeu ou mundial? Cenas como as do Sporting acontecem em clubes alemães, ingleses e franceses, para citar apenas clubes da Europa (porque na América do Sul, África e na Ásia, o tocar a alinhar é pão nosso de cada dia).
Portugal não fica mais pobre com as contingências do futebol. Só Cristiano Ronaldo promove mais Portugal do que o “todo futebol” português. Portugal está pobre é por não ter políticas de governação capazes de reconhecer e promover o devido valor que os portugueses têm.
Então o Prof. Marcelo vem dizer que “não podemos ter dois Portugais”, a frase entre aspas é vossa. Acrescenta que “não podemos fazer de conta, gostamos muito de fazer de conta”. Desculpe… a ser assim como diz, a quem chamar à responsabilidade? Obviamente, o Presidente da República (Prof. Marcelo), em primeiro lugar...

(Imagem CMTV.)
Selfies, afectos, abraços e tantas outras manifestações de álbum familiar não bastam. É chapa para a fotografia. É que envergonha o país (… e que o Prof. Marcelo devia ficar vexado) é ver o elevado número de mortes nas estradas portuguesas; mulheres vítimas de violência doméstica e algumas assassinadas; falta de pessoal e de meios nos hospitais; baixos salários; idosos com reformas de miséria; trabalho digno; bairros de lata em Lisboa (Camarate é um triste exemplo), para citar apenas alguns pontos que empobrecem e envergonham Portugal.
A realidade portuguesa é muito mais dura do que o chutar para a frente do futebol. Violência, jamais.

PS: A 22 de Maio de 1966, Américo Thomaz, último presidente da República do antigo regime, entregava a Taça de Portugal ao capitão do Braga, no estádio do Jamor. Em Maio de 2018, o acto repete-se, apenas os interpretes são outros. O futebol é bola de popularidade e de votos para os políticos.
Museu do Aljube Resistência e Liberdade. Rua Augusto Rosa, 42 (Lisboa)


As cidades de Cracóvia e Katowice (Polónia) vão receber, no próximo mês de Junho, a Reunião Anual da Rede de Cidades Criativas / 2018. (Blogue Roinesxxi fará a cobertura do evento).
O escudo, como unidade monetária da República Portuguesa, foi criado a 22 de Maio de 1911. Mas, a história do "dinheiro" em Portugal começou muito antes. De acordo com os historiadores, já nos reinados de D. Duarte e de D. Afonso V existia uma moeda chamada "escudo".
A sua existência prolongou-se pelos reinados seguintes, mas a notoriedade efectiva só veio com a implantação da República (1910), em substituição do "real" criado em 1854; tendo a sua vigência terminado em Dezembro de 2001, com a adopção do "euro". E a partir daqui, a pergunta persiste (feita e reconversão) nas contas do povo... mais ligado ao antigamente:
- Escudo ou Euro? Os portugueses estão melhor ou pior?

Hoje, quando tudo avança sobre as alavancas do digital, o "escudo" pertence mais à história e aos colecionadores, e constitui um património rico de milhares de exemplares, guardado no Museu Casa da Moeda, uma instituição fundada em 1777, quando o então primeiro-ministro Marquês de Pombal ordenou que se guardasse todo o tipo de moedas nacionais e internacionais, entre outras unidades de alto valor monetário.

NB: O escudo foi substituido pelo euro a 1 de janeiro de 2002. A partir desta data Portugal perde a sua moeda própria.
O Papa Paulo VI e o antigo arcebispo de São Salvador Óscar Romero, vão ser canonizados a 14 de outubro, anunciou o Papa Francisco, na sequência de um consistório para marcar a data.
Paulo VI, cujo pontificado decorreu entre 1963 e 1978, levou a cabo as reuniões finais e a aplicação pastoral do Concílio Vaticano II, iniciado pelo seu predecessor (já santo), João XXIIII, e realizado entre 1962 e 1965.
Óscar Romero, por seu lado, foi assassinado a 24 de Março de 1980 por um esquadrão da morte quando celebrava a eucaristia na catedral de São Salvador, nas vésperas do conflito armado em El Salvador (1980-1992). Nos seus sermões, Óscar Romero denunciava as injustiças e a repressão que então se faziam sentir, e defendia os desprotegidos, com risco da própria vida.


Papa Paulo XVI e Arcebispo Óscar Romero
O seu processo de canonização, centrado nos pobres da América Latina, durou 24 anos, por causa de várias dificuldades, entre as quais a acusação de que era um arcebispo muito próximo da Teologia da Libertação, uma corrente eclesiástica de cariz pró-marxista; a sua beatificação aconteceu em 2016; e em Outubro próximo será declarado santo.
O milagre atribuído a Óscar Romero na sua canonização relaciona-se com o caso de uma mulher salvadorenha com uma doença terminal e grávida que, depois do seu marido rezar com Romero, curou-se e deu à luz.

Pobreza na América Latina
Na cerimónia, o papa Francisco fará também santa a freira espanhola Nazaria Ignacia March Mesa (1889-1943), que passou a maior parte da sua vida na Bolívia e fundou o Instituto das Missionárias Cruzadas, hoje presentes em 20 países, sobretudo da América Latina.
Junto com Paulo VI e Óscar Romero, serão também inscritos no Livro dos Santos os padres italianos Francesco Spinelli (1853-1913), fundador dos Adoradores do Santíssimo Sacramento, e Vincenzo Romano (1751-1831); e a alemã Maria Catalina Kasper (1820-1898), fundadora das Pobre Servas de Jesus Cristo.


Jardins de Maio na freguesia de Carnide (Lisboa). A pouca distância dos museus do Teatro, do Traje e da Casa do Artista... e do local onde está a ser edificada a nova Feira Popular. Exuberâncias contemplativas de primavera com temperaturas de verão. Onde? No Seminário da Luz e no Convento de Santa Teresa do Menino Jesus.
A nova Feira Popular de Lisboa está em fase de pré-construção na freguesia de Carnide. O investimento global ascende a cerca de 190 milhões de euros e, de acordo com o projecto, pretende ser uma das mais modernas da Europa.
A primeira Feira Popular lisboeta abriu as portas em 1934, em Palhavã (Praça de Espanha), passando para Entrecampos em 1961, até que foi desactivada em 2003. Nos terrenos da antiga Feira Popular, em Entrecampos, vai surgir um empreendimento com hotéis, habitação, comércio e turismo.

O parque de diversões de Carnide, onde ficará a Feira Popular, tem uma área de 20 hectares.
A eutanásia elimina a pessoa
A inconstitucionalidade e a falta de “legitimidade democrática” são dois dos factores apontados pelo jurista Pedro Vaz Patto (PVP) para colocar em causa a aprovação da lei da eutanásia. A poucos dias da discussão do tema, no Parlamento, o presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz fala ao Jornal “Voz da Verdade” (VV) do que está em causa com esta lei e lamenta que a discussão não tenha ainda chegado à “maior parte” das pessoas.
VV - O Parlamento português está prestes a discutir a legalização da eutanásia. Ao legislar esta matéria, quais poderão vir a ser as consequências?
PVP - A legalização da eutanásia tem consequências sem paralelo em relação a outras questões que são hoje objecto de discussão parlamentar.
Atinge dois princípios estruturantes da nossa civilização e da nossa ordem jurídica: o princípio da inviolabilidade da vida humana (a proibição de matar, o não matarás do decálogo judaico-cristão) e o princípio de que a vida humana nunca perde dignidade, nunca deixa de merecer protecção.

Com a legalização da eutanásia, o Estado e os serviços de saúde veiculam a mensagem contrária, isto é, a de que a vida marcada pela doença e pelo sofrimento deixa de merecer protecção. Ou seja: que a morte provocada pode ser uma resposta para a doença e para o sofrimento. E isso significa desistir de combater e aliviar o sofrimento (porque a eutanásia não elimina o sofrimento, elimina a pessoa que sofre).
Veicular essa mensagem abre uma brecha no edifício da nossa civilização e da nossa ordem jurídica, uma brecha que vai corroendo, progressivamente, todo o edifício. E essa brecha é, antes de mais, de ordem cultural. Vai-se difundindo na mentalidade comum a ideia de que a morte provocada pode ser uma resposta para a doença e para o sofrimento.
Essa mensagem desencoraja os próprios doentes e as pessoas que sofrem, as quais, com mais frequência e probabilidade, poderão sentir que são um peso para os outros. E desencoraja todas as pessoas que cuidam desses doentes, familiares e profissionais, quando se deveria esperar, da sociedade e dos serviços de saúde, precisamente o contrário. Há que pensar nestas consequências, que vão muito para além do curto prazo.

VV - Como analisa as propostas legislativas que foram apresentadas sobre o tema?
PVP - Não me parece decisivo analisar em pormenor cada uma das propostas legislativas em discussão. Essas propostas contêm exigências de controlo semelhantes às que se verificam noutros países e que não se têm revelado eficazes a ponto de limitar a prática da eutanásia a casos raros e excepcionais. E isso verifica-se por razões lógicas e previsíveis.
Se se parte do princípio de que a vontade da vítima torna lícita a morte provocada (se é lícito o homicídio a pedido), não se justifica a restrição dessa licitude a situação de doença terminal ou de sofrimento físico (e não o fazem as propostas em discussão) e a eutanásia estende-se a situações de doença crónica e de sofrimento psíquico. E um passo seguinte.
Actualmente em discussão na Holanda, será o seu alargamento a situações de idosos não doentes, mas “cansados de viver”…Conceitos indeterminados, como os de “sofrimento insuportável” ou “sofrimento extremo”, a que recorrem essas propostas, também permitem o alargamento do campo de aplicação da eutanásia.
De qualquer modo, qualquer forma de controlo, mais ou menos “burocratizada”, depende decisivamente da comunicação do próprio médico que pratica a eutanásia e que dificilmente se auto-denunciará quando não cumprir os requisitos legais.

João Godim
FREELANCER
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