A canonização de Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), acontece este domingo, 4 de setembro, numa celebração presidida pelo Papa Francisco, em Roma. A cerimónia, que eleva aos altares a fundadora das Irmãs da Caridade e Prémio Nobel da Paz (1979), contará com a presença de mais de 15 delegações oficiais e centenas de jornalistas de todo o mundo.
O evento, que se realiza dezanove anos após a morte de Madre Teresa (5 de setembro de 1997), tem por base a confirmação de um milagre por parte de peritos da Igreja Católica, médicos e cientistas independentes, sobre a cura do brasileiro Marcílio Haddad Andrino, ocorrida em 2008. “Não me sinto especial”, disse aos jornalistas o homem, que tinha 35 anos aquando da sua situação clínica, do foro neurológico.
Em conferência de imprensa, no Vaticano, Marcílio Andrino mostrou-se “muito grato” por ter superado problemas de saúde que começaram com sinais de visão dupla e fortes convulsões, que o levaram a procurar vários especialistas, à medida que "a situação se agravava”, ao ponto de perder a maior parte dos movimentos do lado esquerdo, com consequência do ponto de vista cognitivo.
A 5 de setembro de 2008, um sacerdote deu à mulher de Marcílio uma relíquia de Madre Teresa. “Tínhamos a certeza de que Madre Teresa iria interceder por nós”, lembra agora o miraculado. Entretanto, a 20 de outubro, o homem teve outra convulsão “muito forte” e teve que ser hospitalizado. E foi aí que um neurocirurgião lhe diagnosticou “infeções no cérebro”, num quadro geral “muito grave”, com vários abcessos.
O casal rezava todos os dias a Madre Teresa e a certa altura o doente sentiu uma dor de cabeça “muito diferente”; os médicos depararam-se com uma situação “extremamente grave”, que impedia, no imediato, qualquer intervenção cirúrgicas. Marcílio pediu orações, antes de perder a consciência, e quando acordou perguntou ao médico o que estava a fazer no hospital, porque se sentia “muito bem”, sem dores de cabeça.
O neurocirurgião tinha intenção de o operar, mas após a realização de exames tinha sido possível verificar uma diminuição significativa dos abcessos. E, três dias depois, novos exames mostravam um total desaparecimento desses abcessos... .
Madre Teresa de Calcutá era natural da Albânia, mas ainda jovem ingressou numa congregação religiosa, tendo trabalhado em Dublin, na Irlanda, e em especial na Índia, onde fez um trabalho missionário com os pobres.
Madre Teresa de Calcutá, quando jovem.
"Você não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso". (Madre Teresa)
Promove-se, por estes dias, no Funchal, a Festa do Vinho Madeira. Um cartaz já com longa tradição e que integra o calendário turístico da Região, sempre com boa ocupação hoteleira. Este ano, o evento decorre na Avenida Arriaga (frente à Sé), com uma mostra dos utensílios das vindimas e um pavilhão que conta a história do vinho Madeira e as suas famosas marcas seculares.
Na praça do Povo (na Avenida do Mar, próximo do cais da cidade), estão stands para "prova de vinhos" de conceituados produtores e compras no local, bem como a tradicional gastronomia, espectáculos musicais e encenações teatrais alusivas a vários episódios da história do produto. No próximo dia 10, realiza-se também a "Festa da Vindima".
As castas mais utilizadas na produção de vinho Madeira são: Malvasia (a primeira a ser plantada na ilha da Madeira, no século XV, originária de Creta, considerada a rainha de todas as castas); Sercial (produz vinhos no estilo seco); Verdelho, (vinhos de tipo meio seco); Boal (produz vinhos de tipo meio doce), Terrantez e Tinta Negra.
A qualidade o vinho Madeira, internacionalmente conhecido, destaca-se pelo equilíbrio acidez/doçura e um aroma especial adquirido ao longo do envelhecimento em cascos. Foi com o vinho Malvasia que os americanos brindaram a independêncai dos EUA, em 4 de julho de 1776, deixando se ser colónia inglesa.
NB: A produção anual ronda os quatro milhões de litros de vinho licoroso com Denominação de Origem (DOP) «Madeira» ou «Vinho da Madeira», com significativa exportação para a Europa. EUA e Japão.
“O livro é fundamental para o nosso país”, frase atilada de Marcelo Rebelo de Sousa na inauguração da 1.ª Festa do Livro, no palácio de Belém, em Lisboa. Um acontecimento inédito num local prenhe de história, da nobreza à fidalguia, da monarquia à república.
Festa do Livro no palácio? Só um presidente da República com a dimensão do Prof. Marcelo podia tolerar tal acontecimento. Portas abertas, milhares de visitantes, dezenas de stands por entre os jardins mostram livros dos principais autores e editoras. Declamação de poesia, realejo, contadores de histórias, cinema e muitas outras eleições culturais.
Hoje, foi a vez de ouvir os escritores José Tolentino Mendonça e Frederico Lourenço, sobre a temática: “A Sabedoria dos Livros”. A sinopse é difícil e complexa, ou não? “Os livros abrem janelas, são encontros de vida, cúmplices da nossa experiência, alargam os nossos horizontes de sabedoria”, observa Tolentino Mendonça (T.M). “A sabedoria pode ser um perigo para a vida porque, por vezes, nos coloca perguntas para as quais nem sempre temos respostas”, sublinha Frederico Lourenço (F.L.).
A sabedoria é um crescente na vida. “A minha primeira biblioteca foi a minha avó que era analfabeta”, recorda T.M., acrescentando que “a poesia dá-nos mais espaço para o silêncio”. Por sua vez, F.L. dizia que “não sou muito atreito a dizer, já sei tudo”. Ambos reconhecem que “somos mais felizes, sabendo”.
A Festa do Livro em Belém começou ontem e termina domingo. Entrada livre, com acesso à biblioteca da presidência e ao jardim botânico tropical.
A primeira viagem aérea entre Portugal e Macau, ocorreu em 1924. O feito foi alcançado por Sarmento Beires, Manuel Gouveia e Brito Paes, comandantes do avião Pátria. A partida deu-se do Campo dos Coitos, em Milfontes, concelho de Odemira (Alentejo), a 7 de Abril.
A viagem durou mais de dois meses, cumprindo diversas etapas, a primeira das quais em Málaga (Espanha). A perpetuar o feito histórico “foi erguido na Praça da Barbacã, junto ao forte de Milfontes, um monumento que recorda a pioneira viagem”.
Morreu a 2 de setembro de 1964, quase ignorado pelo regime político que serviu como 13.º presidente da República, 3.º da ditadura do Estado Novo - Francisco Craveiro Lopes (1894-1964), o único que recusou a submissão a Oliveira Salazar, inviabilizando a reeleição, em 1958.
Criticou a política colonial, com a eclosão da guerra em Angola, em 1961. Era natural de Lisboa e pertencia a uma família com tradições militares.O seu pai (João Craveiro Lopes) combateu na Flandres, foi prisioneiro em La Lys, durante a I Grande Guerra e exerceu funções de governador-geral da Índia, entre outros cargos.

Francisco Craveiro Lopes era general da Força Aérea e foi escolhido para suceder a Óscar Carmona, presidente entre 1926 e 1951. Mas Salazar, desgostoso com as relações entre a presidência e a oposição, afastou-o do acto eleitoral de 1958, em favor de Américo Tomás.
Apesar das poucas considerações de estima e respeito que tinha da parte do governo da altura, o presidente Craveiro Lopes realizou várias vIagens oficiais fora do espaço continental europeu, nomeadamente: em 1954, a São Tomé e Príncipe, e Angola; em 1955, à Madeira, Guiné e Cabo Verde; em 1956, a Moçambique, Angola e África Austral e, em 1957, ao Brasil; recebendo neste mesmo ano, em Lisboa, a visita da rainha Isabel II de Inglaterra.
Fomos à apanha do caracol que, nesta altura do ano, nasce em abundância e ocupa pequenos ramos de plantas (ver foto). Este molusco é dos petiscos mais apreciados no verão português e espanhol.
O sabor pode variar consoante o tempero e a bebida preferida, champanhe, vinho branco frio ou cerveja.
Como escreveu Fernando Pessoa “primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Classificação: Caracóis (3 estrelas); Caramujos (4 estrelas); Lapas (5 estrelas), estes dois últimos moluscos só no mar da ilha da Madeira.
Video > https://www.youtube.com/watch?v=-_qw99ogErk
(Caracóis)

(Caramujos)
(Lapas)
Ilustres desconhecidos ou esquecidos é o que não falta na memória actual sobre a História e a Literatura portuguesas. Mas, parafraseando Camões, pelo menos da "morte se vão libertando", como é o caso de Alexandre Cabral (1917-1996), um dos mais reputados especialistas na obra de Camilo Castelo Branco, falecido há 20 anos.
O seu nome verdadeiro era José dos Santos Cabral e a sua vida foi repleta de muita actividade cultural e literária. Em termos de formação académica, Alexandre Cabral começou por frequentar o Instituto Profissional dos Pupilos do Exército, mas a partir dos quinze anos de idade passou a exercer várias profissões e emigrou para ex-Congo Belga (África).
Mais tarde, e já em Portugal, empregou-se numa agência noticiosa, foi delegado de propaganda médica, chefe de escritório, empregado numa agência de publicidade, ao mesmo tempo que frequentava a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se formou em Ciências Histórico-Filosóficas.
A partir de então, dedicou-se denodadamente à obra de Camilo Castelo Branco, a quem dedicou dezenas e dezenas de anos de permanente estudo e investigação, como atestam os vários livros consagrados ao autor do "Amor de Perdição" e "Novelas do Minho", e o importante "Dicionário de Camilo".
Nas suas próprias palavras: "Realmente, Camilo Castelo Branco legou ao País um monumento literário de proporções gigantescas, de valor e mérito incalculáveis.
Legou ainda uma outra coisa, decerto não menos importante, estreitamente vinculada à sua produção literária: o exemplo de um profissionalismo sem mácula, nesse estrito aspecto, que não foi ainda ultrapassado."
Alexandre Cabral colaborou ainda em revistas e jornais, fez parte importantes instituições ligadas à política e à cultura, como a Sociedade Portuguesa de Escritores, a cuja primeira direção pertenceu, presidida por Aquilino Ribeiro.
Traduziu também para a língua portuguesa diversas escritores, como Roger Martin du Gard, Anatole France, Claude Roy, Jaroslav Hasek, entre outros.

João Godim
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