O Sindicato dos Jornalistas e o Museu Nacional da Imprensa vão homenagear, nesta quarta-feira, dia 31, a jornalista e escritora Manuela de Azevedo, a primeira mulher portuguesa a receber a carteira profissional de jornalista, que celebra, nesta mesma data, 105 anos de idade.
A cerimónia está marcada para a sede nacional do Sindicato, em Lisboa, e contará com a presença da aniversariante. Na ocasião, o Museu Nacional da Imprensa apresentará uma galeria virtual com textos, fotografias, entrevistas em vídeo, um auto-retrato e uma bibliografia da jornalista, que exerceu a profissão durante quase seis décadas, vivendo os mais relevantes períodos históricos do século XX, como as duas Grandes Guerras, a Grande Depressão e o Estado Novo ou regime da ditadura salazarista.
Nascida a 31 de agosto de 1911, Manuela de Azevedo começou como redactora do jornal República, depois foi chefe de redacção da Vida Mundial, trabalhou de seguida no Diário de Lisboa e terminou a carreira no Diário de Notícias, com 85 anos.
Além de jornalista e crítica de teatro, Manuela de Azevedo é também conhecida pela criação da Casa-Memória de Camões, em Constância, e pela sua obra literária, composta por romances, ensaios e o livro de poemas "Claridade", prefaciado por Aquilino Ribeiro.
Muito do seu interesse pelo jornalismo deve-se ao pai, que era correspondente do jornal “O Século”, em Mangualde, onde viviam. Leitora assídua daquele diário matutino, Manuela de Azevedo, ainda muito jovem, aventurou-se no mundo do jornalismo ao escrever artigos e poemas para jornais daquela região e, pouco tempo depois, era convidada para integrar as redações dos principais jornais de referência nacional.
Calais está transformada num "porto de abrigo" para os refugiados que querem chegar à Grã-Bretanha. A cidade, situada a norte de França, tem pouco mais de 120 mil habitantes, e está à distância de 34 kms de Inglaterra, por mar ou pelo túnel que atravessa o famoso canal da mancha.
São poucos os emigrantes na cidade como são pouco os residentes na verdejante urbe. A pacatez foi abalada pela chegada de milhares de refugiados, entretanto encaminhados para zona deserta com tendas e paupérrimas condições sanitárias. Parece que a todo o momento uma bomba pode explodir.
Muitos calaenses sairam da cidade, meteram trancas reforçadas nas suas moradias, e foram viver para sítios onde os refugiados não passam. Ver Calais ontem e hoje vai uma grande diferença. Dizia-nos um casal amargurado, natural e residente em Calais: "isto passou do céu ao inferno em pouco tempo". É como estar "entre o céu e a terra". Até que seja encontrada uma solução.
Aqui ficam algumas imagens obtidas pelo visor do roinesxxi.
Video > https://www.youtube.com/watch?v=N6d8N3JpcQg
Video (refugiados) > https://www.youtube.com/watch?v=rzaqtVjYbdc
“A não-violência: estilo de uma política para a Paz", é o tema da Mensagem do Papa para o 50° Dia Mundial da Paz, a celebrar no dia 1° de janeiro de 2017.
"A violência e a paz estão na origem de dois modos opostos de construir a sociedade. A difusão dos focos de violência gera experiências sociais gravíssimas e negativas", releva o Vaticano na apresentação do tema agora divulgado. O Papa resume esta situação na expressão: “Terceira guerra mundial em capítulos”.
Pelo contrário, "a paz tem consequências sociais positivas e permite um verdadeiro progresso. Devemos, portanto, agir nos espaços possíveis, negociando caminhos de paz, até mesmo onde tais caminhos parecem tortuosos ou impraticáveis", lê-se na mensagem.
Trata-se de um "método político assente na primazia do direito. Se o direito e a igual dignidade de cada ser humano são salvaguardados sem discriminações e distinções, consequentemente, a “não violência”, entendida como método político, pode constituir um instrumento realista para superar os conflitos armados. Nesta perspectiva, é importante reconhecer, sempre mais, não o direito da força, mas a força do direito."
Um drama sem legenda, porque não há palavras para descrever tamanho flagelo. O Papa Francisco refere-se ainda ao respeito pela cultura e a identidade dos povos, a primazia da diplomacia que deve impedir o tráfico mundial e ilegal das armas que sustenta muitos conflitos no mundo.
Video (negócio de armas) > https://www.youtube.com/watch?v=_XRCOdZ0pTA
Há lojas centenárias no nosso país que se tornaram verdadeiros símbolos de uma certa época, com muitas histórias por contar. Entre muitas, distinguem-se os "cafés", locais privilegiados das conversas públicas, dos convívios e das tertúlias, em que pontificavam os artistas, intelectuais, os opositores da ideologia vigente e os simples apreciadores da "bebida quente" pronta a servir a qualquer hora do dia...
Entre muitos, existem os "famosos", em particular nas grandes cidades, como Lisboa, ainda hoje com uma presença marcante. Por exemplo, o "Martinho da Arcada", no Terreiro do Paço, fundado em 1845, o mais antigo da cidade ainda em funcionamento, conhecido como "café dos escritores", com o poeta Fernando Pessoa (1888-1935) entre os principais frequentadores, e que continua a ter uma mesa reservada.
Outras importantes personalidades frequentaram este café lisboeta, como Lopes Mendonça (autor da letra do hino nacional A Portuguesa), os políticos e governantes Afonso Costa, Manuel da Arriaga, Bernardino Machado, os poetas e escritores Cesário Verde, António Botto, António Ferro, Almada Negreiros, José Saramago...
Antes de se estabelecer o Martinho de Arcada, e de acordo com os interesses dos vários proprietários, no mesmo local funcionaram: o "Café do Gelo", entre 1778 e 1782; a "Casa do Café Italiano", em 1795, mais conhecida por "Café do Comércio", o "Café dos Jacobinos", em 1809, pelo facto de ser frequentado pelos políticos da época.
Com a Revolução liberal de 1820, voltou a designar-se "Café do Gelo", pois continuava a deliciar os seus clientes com os saborosos gelados; em 1824, ganhou notoriedade como "Café da Arcada do Terreiro do Paço"; e, finalmente, no ano de nascimento de Eça de Queirós, em 1845, ficou para a História como o Café-restaurante Martinho da Arcada.
Outros também mereceram a fama histórica, ainda que não tenham existido por muito tempo..., como o primeiro Café Nicola (1794-1834), muito ligado ao poeta Bocage; A Brasileira do Chiado, desde 1905, refúgio para muitos artistas, como Almada Negreiros e Santa Rita Pintor, entre muitos outros de sucessivas gerações, e ainda academia de mentalidades críticas, formação de partidos, grupos e revoluções...
Eram simples conversas com café, onde tudo se discutia e estudava com muito interesse, com a participação dos mais "famosos" em muitas áreas e que merecem ser sempre lembrados.
Faleceu, em agosto de 1987, aos 85 anos de idade, e é considerado um dos maiores autores de língua portuguesa. Falamos do poeta, cronista, tradutor e contista brasileiro, Carlos Drummond de Andrade. Artista dedicado de "corpo e alma" à palavra e ao sentimento que bem expressou em versos e escritos de cariz social e político.
Foi funcionário público durante a maior parte da sua vida, trabalhando em áreas da educação e do património histórico-cultural, ao mesmo tempo que escrevia para os jornais com uma acutilância crítica e estética, na esperança de transformar o mundo e a sociedade do seu tempo, como revela no seu famoso poema JOSÉ, datado de 1942:
"E agora, José? / A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, / e agora, José? / e agora, você? / Você que é sem nome, / que zomba dos outros, / Você que faz versos, / que ama, protesta? / e agora, José? (...)".
E agora, quase que se pode continuar o poema, mas com a realidade do Brasil actual, por exemplo..., depois das luzes da ribalta, da realização dos Jogos Olímpicos, depois de Lula, de Dilma...
"E agora, José? / Sozinho no escuro / qual bicho-do-mato, / sem teogonia, / sem parede nua / para se encostar, / sem cavalo preto / que fuja do galope / você marcha, José! / José, para onde?".
Continua a inquirir Carlos Drummond de Andrade, de saudosa memória.
Fica a saudade em relação a dois artistas portugueses que partiram no mês de agosto, ambos ligados às canções... Um de morte prematura - Carlos Paião (1957-1988); e outra cuja fama se prolongou por mais tempo - Maria Eugénia (Pinto Amaral) (1927-1916), mais conhecida por "Menina da Rádio".
Dois intérpretes que a memória dos mais antigos guarda com gratidão e sempre lhes rende homenagem quando ouve os seus discos ou vê os filmes... Em relação a Maria Eugénia (agora falecida), o ministro da Cultura (o poeta Castro Mendes) recorda que ela "já fazia parte da memória coletiva como a eterna "Menina da Rádio", filme de Arthur Duarte, realizado em 1944, no qual interpretava o papel da "menina Geninha" e onde contracenou, entre outros, com Maria Matos, António Silva, Curado Ribeiro e Maria Olguim.
Também a Academia Portuguesa de Cinema lamentou a morte da atriz, considerando que bastaram sete filmes para ter um "lugar inesquecível na História do cinema português". Outro sucesso da "nova estrela do cinema", como se lhe referiu a imprensa da época, foi "O Leão da Estrela", de 1947, também de Arthur Duarte.
A fotogenia de Maria Eugénia e a "naturalidade de desempenho", como escreveu jornal "O Século," chamaram à atenção de cineastas estrangeiros. Em Espanha participou em vários filmes, entre eles, "O hóspede do quarto n.º 13", uma coprodução luso-espanhola, e ainda "Los héroes del 95" (1947), de Raúl Afonso, "Cuándo los ángeles duermen" e "Conflicto inesperado", ambos de 1947 e de Ricardo Gascón.
Nestes dois últimos filmes contracenou, entre outros, com o ator Amedeo Nazzari (1907-1979) que levou a que o realizador Vittorio de Sica a convidasse para ir filmar a Itália, mas a atriz portuguesa recusou o convite.
Além do cinema e da rádio, Maria Eugénia participou também em várias peças de teatro, tanto em Espanha como em Portugal. Paralelamente desenvolveu uma carreira de cantora, tendo participado em vários programas radiofónicos, designadamente no popular "Serão para trabalhadores", da ex-Emissora Nacional.
Carlos Paião, por seu lado, foi um promissor intérprete e compositor de "cantigas populares", com êxitos que ainda hoje estão no ouvido e na simpatia de muitos, como são os "Versos de amor", "Cinderela", "Pó de arroz"..., entre dezenas e dezenas de outros trabalhos musicais também interpretados por cantores de nomeada.
Licenciado em Medicina... mas a música foi a sua grande paixão e sempre falou mais alto, tendo inclusive representado Portugal no Festival Eurovisão da Canção, realizado em Dublin, no ano de 1981, com o tema "Play back".
Morreu aos 30 anos de idade, num acidente de automóvel, quando ia a caminho de mais um espectáculo, entre muitos em que participava no mês de agosto, de norte a sul de Portugal.
Filme (Menina da Rádio) > https://www.youtube.com/watch?v=kVbWP3WTM3Q
Música (Plaby-Back) > https://www.youtube.com/watch?v=Ao8rQYxQ0WI
É comum dizer-se que não há lugar no mundo em que não se encontrem vestígios da presença portuguesa. São séculos de História que atestam a chegada pioneira de heróis portugueses, militares, missionários e comerciantes, aos locais mais distantes da terra então conhecida, particularmente durante a época dos Descobrimentos.
Conhecem-se também relatos de aventureiros, como Fernão Mendes Pinto, no seu livro "A Peregrinação". Os factos neste contexto são em número superior às dúvidas e, hoje em dia, é possível comprovar e confirmar os feitos dos portugueses em todo o mundo, porque estão bem documentados através de várias obras de historiadores e de aturadas investigações académicas.
Por exemplo, actualmente, ninguém contesta a chegada dos portugueses à Austrália, muito antes do capitão James Cook e de outros europeus. Tudo isto está bem explicado no livro do historiador Paulo Jorge de Sousa Pinto - "Os Portugueses Descobriram a Austrália?" e outras "100 perguntas", uma espécie de "guião" sobre os Descobrimentos dos séculos XV e XVI, e que nos "permite compreender melhor a forma como um povo pequeno conseguiu, entre o desejo de conhecer e a vontade de descobrir, abrir-se ao mundo, espalhar-se pelos cinco continentes e alterar, de forma irreversível, o curso da História de culturas, impérios e civilizações”.
Também o investigador australiano Peter Trickett defende que os portugueses descobriram a Austrália 250 anos antes do navegador inglês James Cook (1728-1779). Segundo este historiador, terá sido o navegador Cristóvão Mendonça, por volta de 1522, o primeiro português a avistar as costas australianas, quando navegava na zona por ordem de D. Manuel I.
Cristóvão Mendonça procurava a "ilha de Ouro" citada nos relatos do mercador veneziano Marco Polo (1254-1324). Por seu lado, o historiador João Oliveira e Costa confirma igualmente esta convicção: "Não há dúvidas que foram os portugueses a chegar lá primeiro, ainda no reinado de D. Manuel I (1469-1521".
Outra curiosidade que não oferece hesitações é o facto histórico da "espingarda" ter sido introduzida no Japão pelos portugueses durante o século XVI. A "espingarda" não foi objecto de comercialização ou negócio a favor de Portugal, mas os japoneses aproveitaram-se bem do instrumento como "forma de combate" que pôs fim a anos de guerra civil entre os senhores feudais da altura.
No Japão a "espingarda" é conhecida como “Tanegashima”, nome da ilha onde ela foi depositada pela primeira vez, quando um navio com portugueses ali deu à costa, por causa de uma forte tempestade, em 1543.
Interessante, já agora, é a obra "Conquistadores - Como Portugal Criou o Primeiro império Global", livro do historiador e escritor Roger Crowley, autor de outro título notável - “Impérios do Mar”.
Escritor, professor, tradutor e jornalista, se fosse vivo, Augusto Abelaira celebraria este ano o seu 90.º aniversário natalício. Nasceu em 1926, em Cantanhede, de famílias oriundas da Galiza, e faleceu em 2003. Deixou obra literária significativa, mas, como tantos outros, hoje em dia está esquecido...
Formado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa, trabalhou pela cultura em vários campos: no Diário Popular, em O Século onde assinou a rubrica “Entrelinhas”, como cronista em O Jornal com um espaço intitulado “Escrever na água” e no Jornal de Letras com a crónica “Ao pé das letras”.
Foi director de programas da RTP (1977-78) e das revistas Vida Mundial (1974-75) e Seara Nova (1968-69); presidente da Associação Portuguesa de Escritores (1978-79).
Cidadão empenhado, participou nos movimentos estudantis de oposição, contra o regime salazarista e chegou a ser preso pela PIDE, em 1965, por ter atribuído, na qualidade de presidente do júri, o Grande Prémio da Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores ao escritor angolano José Luandino Vieira (então preso no Tarrafal) pelo livro "Luanda".
Augusto Abelaira é mais recordado como dramaturgo e romancista. O seu primeiro livro - "A Cidade das Flores", publicado em 1959, retrata a juventude portuguesa depois da II Grande Guerra (1939-45). Em "As Boas Intenções", de 1963, romance distinguido com o Prémio Ricardo Malheiros, traça o perfil da pequena burguesia citadina.
Ainda na lista das suas principais criações literárias, destacam-se o títulos:"Sem Tecto entre Ruínas", que lhe valeu o Prémio Cidade de Lisboa, em 1979; "Deste Modo ou Daquele" e "Outrora Agora", este último livro obteve o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores.
Augusto Abelaira, jornalista.
"Ainda não há muitos anos, a cultura possuía um poder marcado pela integridade e pelas recusas morais dos autores. Confundiu-se tudo agora…", costumava dizer Augusto Abelaira. "Invulgarmente culto, nunca impôs os formidáveis conhecimentos que possuía, desde a literatura à física, da pintura à música, da filosofia ao cinema e ao teatro”, recorda Baptista Bastos, seu velho amigo.
Enfim, ainda que esquecidos, os verdadeiramente grandes são insuperáveis. Sejamos corajosos em lê-los.
Música > https://www.youtube.com/watch?v=xKnZgDyS38g&feature=related
Músico, intérprete, compositor, anarquista, mestre dos "sete ofícios", Léo Ferré (1916-1993) nasceu há um século, no dia 24 de agosto. Era natural do Principado do Mónaco, onde o seu pai trabalhava como chefe do pessoal do Casino de Monte-Carlo, e a sua mãe era costureira, de origem italiana.
Cedo se familiarizou com a música e poetas de eleição. Estudou música clássica e foi maestro, dirigindo concertos de Beethoven, entre outros. Interpretou musicalmente textos de Baudelaire e Louis Aragon, poemas de Ronsard, Apollinaire e Rimbaud.
"Inconformista radical", a sua atenção tendia para os temas do "amor, morte e a passagem do tempo", como é exemplo o poema "Avec le temps":
> "Com o passar do tempo
Com o passar do tempo tudo vai embora
Esquecemos o rosto e esquecemos a voz
O coração, quando deixa de bater, não vale a pena
Procurar mais longe, é preciso deixar andar, e está muito bem. (...)
> Léo Ferré, um dos maiores vultos da moderna música francesa, foi contemporâneo de Georges Brassens, Jacques Brel, Jean Ferrat, Charles Trenet...
Faz, hoje, 137 anos que a Braguinha da Madeira chegou ao Havai. Um instrumento que em Portugal é mais conhecido por Cavaquinho. A internacionalização da Braguinha, fabricada por madeirenses, começou com a chegada a Honolulu Harbor (Havai), a 23 de Agosto de 1879, transportada por emigrantes provenientes da Ilha da Madeira.
Quando Augusto Dias, Manuel Nunes e José do Espírito Santo, madeirenses fabricantes e tocadores de Braguinha (também conhecido por Machete) começaram a actuar em festas populares havaianas longe estavam de pensar que a Braguinha viria a tornar-se no famoso Ukulele mundialmente conhecido.

O Ukulele, tal como a Braguinha, obedece a quatro tipos de tamanho e de afinação, consoante as características sonoras: Concerto, Soprano, Tenor e Barítono. O Ukulele (Braguinha) é tocado por milhões de pessoas em todo o mundo, incluisve por famosos intérpretes da arte musical e da canção, como Elvis Presly e Frank Sinatra.
Na Madeira, o ensino da Braguinha faz parte do currículo educativo/escolar. É a região do país com mais jovens a tocar "Cavaquinho", o mesmo acontece nas escolas do Havai. Para os investigadores da difusão e evolução musical, a "Braguinha" toma o nome Mundial de "Ukulele", desde a última década do século XIX.
Música (1) > https://www.youtube.com/watch?v=r6BYgBnyDQs
Música (2) > https://www.youtube.com/watch?v=V1bFr2SWP1I&feature=related
NB: O arquipélago do Havai, situado no oceano pacífico, é um dos 50 estados dos EUA. Barack Obama, presidente americano, nasceu em Honolulu, capital do Havai. A população do país é da ordem dos 1,3 milhões. Os portugueses começaram a chegar ao Havai a partir de 1820, na sua maioria madeirenses e açorianos.
Por estes dias, apresenta-se em Setúbal, e uma vez mais, a peça de teatro "O Homúnculo", texto de Natália Correia. Publicado pela primeira vez em 1965, é um texto sobre a sociedade portuguesa no tempo de Salazar, mas mantém flagrante atualidade. A primeira edição da obra foi logo apreendida pela PIDE, a polícia política da ditadura, pelas evidentes insinuações políticas.
O cenário da peça decorre no palácio de "el-rei Salarim", nome que a escritora utilizou para parodiar Salazar, senhor absolutíssimo de "Mortocália", a metáfora grotesca de Portugal, e onde se faz também representar uma série de acólitos, representantes dos poderes eclesial (o bispo), militar (o general) e académico e corporativo, então designado como o "Bobo Mnemésicus".
No dizer de Armando Nascimento Rosa, "O Homúnculo (tragédia jocosa)" é uma das raras obras mestras que no teatro português consegue operar o cruzamento entre a estética surrealista, o teatro do absurdo e a sátira política".
Natália Correia, uma das vozes mais originais da literatura portuguesa do século XX, nasceu na Fajã de Baixo, ilha de São Miguel, Açores, a 13 de setembro de 1923, e faleceu em Lisboa a 16 de março de 1993. Notabilizou-se como poetisa e como política, tendo sido deputada na Assembleia da República entre 1980 e 1991. É a autora da letra do Hino da Região Autónoma dos Açores.
Onde estão os nossos poetas e escritores que deixaram prodigiosa obra mas que, no presente, caíram no esquecimento? Quem está na moda, logo se identifica com os prémios, as publicidades e as mediatizações às catadupas.
Nunca como agora, se publicou tanto... mas quantidade não significa qualidade e torna-se cada vez mais difícil distinguir os bons autores dos simplesmente "autores". Num país como o nosso, com uma baixa taxa de leitores, editar uma média de 25 mil novos títulos/ano, no último quinquénio, é garantidamente lixo a mais.
Ser escritor não é escrever (...) um livro, como ser agricultor não é plantar uma árvore. Invocar o poeta lírico e autor de uma vasta obra como Pedro (da Cunha Pimental) Homem de Mello, nascido na cidade do Porto em 1904, no mês de setembro, e falecido aos 80 anos de idade, é homenagear um autor com letras maiúsculas. Formado em Direito pela Universidade de Lisboa, cedo se notabilizou como poeta original e fiel intérprete do sentimento português.
Amália Rodrigues imortalizou alguns dos seus versos, particularmente os títulos “Povo que lavas no rio”, “O rapaz da camisola verde”, “Havemos de ir a Viana” e “Fria Claridade”, temas incontornáveis do Fado; ou ainda Camané, com o poema "Sei de um rio".
Ainda que seja um autor pouco divulgado, Pedro Homem de Mello assume o lugar distinto no panorama da cultura nacional, como testemunham os vários prémios que recebeu: Prémio "Antero de Quental" (1939), Prémio "Ocidente" (1964), e o Prémio "Nacional de Poesia", em 1972.
A França tem sido o país europeu mais atingido por ataques terroristas, todos com origem em países muçulmanos. Tudo quanto seja "imagem" muçulmana toca como campainha de alarme, causa dúvida e, nalguns casos, medo. Seja em Paris ou noutra cidade francesa. A desconfiança anda no ar... e no mar.
Fato de banho tradicional das mulheres islamitas.
Mulheres islamitas, há muito residentes em França, foram à praia vestidas de fato de banho islâmico que só deixa o rosto, mãos e pés à mostra, um tal "burkini". A reacção das mulheres europeias com os seus bikinis "extremistas", de quase tudo à vista, foi de uma tempestade agressiva contra os "burkinis".
O inesperado foi a reacção do governo de proibir o uso do "burkini" nas praias francesas. A própria França, de um momento para outro, toma uma posição que contraria o que sempre foi uso normal por mulheres muçulmanas residentes e nascidas em França há muitos anos.
Nas praias banhadas pelo "Canal da Mancha", a norte de França, vimos, por diversas vezes, famílias muçulmanas (homens, mulheres e crianças) na praia com os seus tipicos fatos de banho.
Fato de banho dos europeus nos anos 30 do séc. passado.
O medo vê terrorismo até nos fatos de banho islâmicos. Nos fatos de banho europeus não há perigo, pensam os franceses. Um dia havemos de saber se a Declaração Universal dos Direitos Humanos, criada em 1948, tem ou não aplicação.
Anos antes do "burkini" muçulmano, mulheres europeias frequentavam as praias com "fatos de banho" pretos e a tapar quase todo o corpo. Querer considerar que o bikini é inofensivo e o burkini é perigoso é desconhecer as leis da física. O perigo não está no parecer mas no ser!
A Suécia prepara-se para ser o primeiro país europeu a suspender o uso de “moeda em papel e metálica”. O anúncio foi feito pelo Banco Central sueco, fundado em 1668 (o mais antigo do mundo), cujo fim da “coroa sueca”, em papel, estará concluído dentro de dez anos.
Estudos revelam que “a tendência global é para uma sociedade sem dinheiro”, a denominada “cashless society”. No futuro, “as economias modernas serão dominadas pelo uso do cartão, a moeda electrónica à escala mundial”.
A economia sueca tem os seus pilares na grande indústria transformadora intensiva, orientada para a exportação. Entre outras marcas de expansão internacional destaque para: Ericsson, Volvo, Scania, IKEA, Securitas, SKF, Sony, AB, Electrolux, Nordea, etc.
Recentemente, o Fórum Económico Mundial classificou a Suécia como a 4ª economia mais competitiva do mundo e a que tem melhor criatividade na Europa.
Apesar de ter aderido à União Europeia em 2001, a Suécia, com pouco mais de 9 milhões de habitantes, rejeitou, por referendo, a adesão à moeda única (euro).
Video (economia) > https://www.youtube.com/watch?v=TAB9lBzMi60
Video (reformados) > https://www.youtube.com/watch?v=HdYWl4qcuQs
Música > https://www.youtube.com/watch?v=IX79VxZ5j4g
NB: Desde 2015 que o horário de trabalho no sector público, na Suécia, passou de 8 para 6 horas/dia, mantendo-se o mesmo valor salarial. “A ideia é aumentar a produtividade e a felicidade das pessoas”.
Esta alteração de horário de trabalho no sector público já é praticada, há mais de dez anos, por algumas empresas privadas, “com resultados positivos quer ao nível da motivação dos trabalhadores quer ao nível dos resultados”.
Omran Daqneesh, 5 anos de idade, foi atingido por um bombardeamento aéreo na casa onde vivia. “De shorts, sujo de sangue e completamente coberto de poeira, a imagem está a ser muito compartilhada e a causar comoção nas redes sociais. Em estado de choque, o menino aguarda atendimento no interior de uma ambulância.”
Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), nos ataques, ocorridos na passada quarta-feira, em Aleppo, norte da Síria, terão morrido 52 pessoas. “A imagem, feita pelo grupo opositor sírio Aleppo Media Center (AMC), foi divulgada pela agência Associated Press. A BBC informou que os pais e os três irmãos do garoto teriam sobrevivido ao bombardeio”.
Video (chocante!) > https://www.youtube.com/watch?v=tTaVIRUTyUs
NB: A guerra na Síria começou em Março de 2011 e já causou mais de 270 mil mortos, 18 mil dos quais crianças com menos de seis anos de idade.
"As Ilhas Encantadas" é um filme franco-português adaptado da novela de Herman Melville, escritor e ensaísta norte-americano, realizado por Carlos Vilardebó, natural de Lisboa, com produção de António da Cunha Teles, cineasta madeirense. Pela primeira vez Amália Rodrigues participa num filme de longa-metragem, como actriz principal.
O filme teve estreia nacional em 1965, em Lisboa, e no ano seguinte (1966), em Paris. Sinopse revela que “no século XIX, numa ilha deserta do Atlântico, dá-se o encontro entre Pierre Duchemin, jovem marinheiro dum barco francês, e Hunila (Amália) recolhida por um veleiro português, em 1830”.
Um filme mágico numa paisagem mágica, à moda antiga, que conta uma história ocorrida numa ilha (Porto Santo) tantas vezes saqueada pelos corsários (piratas).
Assinala-se, hoje, o Dia Mundial da Fotografia, em referência à apresentação formal da "daguerreotipia" na França, em 1839, no dia 19 de agosto. De então para cá muitos têm sido os desenvolvimentos e progressos neste matéria, constituindo-se ao mesmo tempo um património de incalculável valor através de imagens únicas.
No presente, "tirar fotografias" à "moda antiga" é já uma raridade, mas o encanto, a magia e o registo pessoal continuam como uma marca indelével, como ficaram na História as celebridades e os artistas do "retrato". Neste dia, torna-se também interessante recordar alguns dos famosos fotógrafos, entre nós, a par dos "mestres" mundiais, como:
- Henri Cartier-Bresson (França, 1908-2004), considerado por muitos o pai do fotojornalismo;
- Andrei Friedmann, ou Robert Capa (1913-1954), indiscutivelmente um dos maiores e mais conhecidos fotógrafos de guerra, tendo coberto a Guerra Civil espanhola e os principais conflitos da primeira metade do século XX.
- Joshua Benoliel (1873- ), o pioneiro da foto-reportagem em Portugal. Nasceu no seio de uma família judia de Cabo Verde. A sua primeira foto foi publicada na revista “Tiro Civil”, em 1899, com a qual colabora, durante alguns anos, como fotógrafo amador.
Nas primeiras duas décadas do século XX, o seu trabalho, já como fotógrafo profissional, ganha plena notoriedade ao ser escolhido pela Casa Real para repórter dos principais acontecimentos da sociedade lisboeta da época, trabalhando ainda para o Jornal "O Século";

- Vicente Gomes da Silva (1827-1906), pioneiro da fotografia no nosso país e criador do Museu de fotografia mais antigo existente em Portugal, fundado em 1848 e, na atualidade, com cerca de 800 mil negativos, provenientes não só da Coleção Vicente´s, como também de outros fotógrafos profissionais e amadores.
Com as suas máquinas, Vicente Gomes da Silva fotografou, além do povo em geral, inúmeras personalidades nacionais e estrangeiras, como:
A Imperatriz Elisabeth da Áustria; o presidente e deputado pela Madeira, Manuel de Arriaga; os descobridores Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens; o poeta António Nobre;
O rei D. Carlos e a rainha D. Amélia, aquando da visita dos monarcas à Madeira em 1901; os aviadores Gago Coutinho e Artur Sacadura Cabral, entre outros famosos.
- Manuel Olim Perestrello (1854-1929), é outro nome pioneiro da produção fotográfica na região e no país, destacando-se na área da foto-reportagem.
São da sua autoria as fotos de algumas personalidades que correram mundo, como Winston Churchill, Albert Schweitzer, o Rei Humberto de Itália, George Bernard Shaw, John dos Passos ou o Imperador Carlos d’Áustria.
"O que é mais importante, é viver"
Faz hoje 80 anos (no início Guerra Civil de Espanha) que o poeta e dramaturgo andaluz Frederico Garcia Lorca (1898-36) foi fuzilado pelas forças nacionalistas do ditador Francisco Franco, junto à Fonte das Lágrimas, nos arredores de Granada. "Todas as coisas têm o seu mistério e a poesia é o mistério de todas as coisas", escreveu Lorca um dia.
A sua máxima "o que é mais importante, é viver" foi traída, cruelmente aniquilada, quando tinha apenas 38 anos de idade.
Na disputa de ideais, entre forças extremadas, sob a forma de ensaios e testes de materiais bélicos, a Guerra Civil espanhola (1936-39) serviu como prelúdio do conflito mundial que iria começar poucos anos depois, a II Grande Guerra (1939-45).
Tudo previsto e calculado, a tragédia humana no palco da Europa foi outra vez enorme, com a morte de inocentes e o desaparecimento imediato dos mais esclarecidos, como foi o caso de Lorca, cuja popularidade era grande entre os seus contemporâneos. Acontece que, passados 80 anos sobre o seu assassinato, há agora a possibilidade de fazer justiça
Frederico Garcia Lorca (3.º na 2.ª fila)
A juíza argentina María Servini de Cubría que há anos investiga violações dos direitos humanos em Espanha, durante a ditadura do general Francisco Franco, aceitou a denúncia pelo desaparecimento do poeta Federico Garcia Lorca apresentada pela Associação para a Recuperação da Memória Histórica.
A denúncia, que foi formalizada em abril deste ano, comprovava "de maneira indubitável" as circunstâncias da detenção e do assassinato de Federico Garcia Lorca, a partir de um documento da Polícia de Granada, datado de 9 de julho de 1965.
O referido relatório oficial assinalava que o poeta foi fuzilado juntamente com outra pessoa e definia-o como "socialista e maçom", entre outros aspetos.
Garcia Lorca foi considerado o mais notável de entre um grupo de poetas surgidos durante a guerra, conhecido como a "Geração de 27", destacando-se entre os maiores poetas do século XX. Foi ainda um excelente pintor, compositor e pianista precoce.
John dos Passos, consagrado escritor no panorama literário norte-americano e mundial, descendente de madeirenses, terá o seu nome no novo avião da TAP A330. É recordado com Hemingway, Faulkner e Caldwell um dos vultos notáveis das letras no século XX, traduzido em várias línguas.
Licenciado em Harvard, em 1916, integrou o contingente de tropas americanas na Europa, durante a I guerra mundial. John Roderigo Dos Passos (14.01.1896-28.09.1970), visitou a Madeira por três vezes tendo na oportunidade estado com familiares residentes na Ponta do Sol (freguesia na zona oeste da ilha) e no Funchal.
(Ponta do Sol - Madeira)

João Godim
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