Ver a Igreja Católica defender os colégios privados, manifesta claramente unilateralidade. Nada solene posicionar-se ao lado dos que dizem que o “ensino privado é melhor que o ensino público”.
A Igreja tinha, até final deste ano lectivo, prestes a terminar, 27 colégios financiados pelo orçamento do estado. A partir do próximo ano lectivo apenas 14 destes colégios vão ser apoiados com contratos de associação. Uma matéria amplamente explicada pelo governo e que a grande maioria dos portugueses apoia e facilmente compreende.
Ver a Igreja juntar-se (…) à manifestação de “amarelo” em Lisboa, num apoio expresso, não tácito, deixou sombras na solidariedade e imparcialidade que são “reinos” da Igreja. Em comunicado, a Conferência Episcopal apoia as manifestações que “defendam a liberdade de os pais escolherem a escola e projectos educativos que desejam oferecer aos seus filhos”(sic).
Esta posição da Igreja leva-nos a recordar Camões, nos Lusíadas, canto I "Que outro valor mais alto se alevanta":
> Será que todos os pais não gostariam de escolher as melhores escolas para os seus filhos?
> Admite a Igreja que haja escolas para quem pode e escolas para quem não pode?

Ainda no contexto do apoio dado pela Igreja à “marcha contra o governo”, alguma vez a Igreja manifestou público apoio, em comunicado, a favor de marchas contra o desemprego, pobreza, salários e muitas outras que têm ocorrido no país?
Enfim, um posicionamento "oportuno... e despropositado" que vai contra os próprios princípios defendidos por Bergoglio (Papa Francisco). Um pecado venial!
Escreveu o poeta que “não há idade para a idade, nem para coisa nenhuma”. Preto no branco. A longevidade e a quebra no número de nascimentos estão a tornar Portugal num dos países mais velhos da Europa. Há, no presente, mais de 4 mil portugueses com mais de 100 anos e cerca de 70 mil com idade superior aos 90 anos.
Vitalina de Almeida, centenária, é a aluna mais idosa das universidades seniores portuguesas. “A idade não se explica, vive-se com boa disposição e com respeito pelos outros”. Um conselho a considerar. A longevidade tem segredos, ou não!?
Nasceu em Sines, em 1914 (faz 102 anos em Setembro), mas aos 8 anos de idade foi viver para Grândola (Alentejo). Casou quando tinha 28 anos e está viúva vai para 20 anos. “Sempre me perguntam recordações boas da minha mocidade… muito poucas ao nenhumas”. Sem se deter “as famílias alentejanas eram, na sua maioria, muito pobres, como era quase todo o país”.
Foi a Lisboa, pela primeira vez, quando tinha 21 anos. Viagem de comboio. “Fiquei em casa de uma prima que me levou ao teatro para ver a revista “A Última Maravilha”, nunca esqueci o que vi”. Vitalina foi costureira de “fatos à medida para homens” e o marido trabalhava nos campos agrícolas “ganhava mil escudos por mês”, o equivalente a 5 euros/mês. “Um ordenado de miséria”.
Tinha 60 anos quando Portugal conhece, pela primeira vez, a democracia (1974). A Grândola das cantigas de intervenção tomou rédeas da liberdade. Vitalina assistiu a muitos concertos na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense (Música Velha), na praça de S. Jorge, com Zeca Afonso e outros cantores. “Conheci-o muito bem, era uma pessoa muito solidária”.
Aos 97 anos entrou para a Universidade Sénior de Grândola. “Foi o melhor que fiz”. A rotina diária “cansa”. Vive sozinha e faz todas as tarefas de casa, incluindo as refeições. “Tenho a minha autonomia e frequentar a universidade dá-me a possibilidade de conviver e de aprender. Gosto de ginástica, dança e das actualidades… informática, o essencial”.
Edifício-sede da Universidade Sénior de Grândola
"Sou português. Nasci em Lisboa, no dia 30 de Maio de 1854. Estudei o curso de marinha e dediquei-me a official da marinha de guerra. Em tal qualidade fiz numerosas viagens, visitando as costas da África, da Ásia, da América, etc. (Excerto de uma carta de Wenceslau de Moraes (1854-1929) a um japonês que lhe pedira uma autobiografia).

Wenceslau de Moraes começou a escrever poesia aos 18 anos e, três anos depois, após concluir o curso da Escola Naval, foi nomeado segundo tenente, indo servir em Moçambique. Chegou a Macau, aos 34 anos, e foi aí que começou a escrever a obra "Traços do Extremo Oriente".
Promovido a capitão-de-fragata em Macau, foi como vice-comandante do porto que realizou as viagens que o levaram à China, à Tailândia, a Timor e várias vezes ao Japão, país que o deixou fascinado.
Em 1899, abandonou a carreira naval e abriu o primeiro consulado português em Kobe e Osaka, cargo que exerceria até 1913, rompendo depois as ligações com o Estado português, com a Marinha e com o Ministério dos Estrangeiros, decidindo ficar para sempre no Japão e aí ser enterrado.
Entretanto, prosseguiu a sua atividade de escritor, sendo autor de obras como "O Culto do Chá", "Paisagens da China e do Japão", "A Vida Japonesa", "Fernão Mendes Pinto no Japão", "Relance da História do Japão", "Serões no Japão" e "Relance da Alma Japonesa". Wenceslau de Moraes viria a morrer em 1929, com 75 anos de idade, 31 dos quais passados no Japão.
É considerado pelos investigadores académicos "o último dos nossos grandes escritores de viagens", sendo o seu "Dai-Nippon" ((o grande Japão) "o maior livro no género depois da Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto. E se "Mendes Pinto (viveu entre 1510 e 1583) é o maior descobridor da Ásia por terra; Wenceslau concentra-se no Japão, como atesta a maior parte da sua obra literária.

A bibliografia sobre Wenceslau de Moraes é vasta e significativa, desde há muito, com particular destaque, a mais completa biografia escrita pelo embaixador Armando Martins Janeira (1914-1988), admirador e profundo conhecedor da obra de Wenceslau de Moares.
Vila Verde dos Francos (V.V.F.) é uma aldeia medieval, erguida entre os séculos V e XV, situada a cerca de 40 kms de Lisboa. Quem ali chega, vindo da “cidade”, não percebe como naquele lugar inóspito, encravado no sopé da montanha, sem riquezas visíveis no solo e subsolo, se fixaram, há cerca de dois milénios, fenícios, gregos, cartagineses, muçulmanos, visigodos, romanos, entre outros povos.
Castelo de V.V.F. construído na idade média, abandonado..
O que hoje ali se vê de histórico são nacos de resquícios para a fotografia. A trilogia comunitária da idade média tinha como pilares o castelo, a igreja/convento e o palácio. Os templos religiosos mantêm-se de pé, ainda que com algumas alterações arquitectónicas, já do castelo e do palácio só resistem as paredes como esqueletos na paisagem.
Ruínas do palácio de V.V.F. onde Camões passava férias
Uma mesquita da idade média foi transformada em habitação familiar. O centro da aldeia de Vila Verde dos Francos é um metafórico deserto de pessoas e de sons. Meter conversa com quem ali vive é fácil, simpático, de modos hospitaleiros e educados. Só que as pequenas e seculares ruelas e ruas da aldeia estão praticamente desertas.
V.V.F. tem cerca de 1.200 habitantes. Casas "coloridas" e roupas a secar ao sol dão um clique histórico à remota aldeia.
Percorrer as nossas remotas aldeias é conhecer melhor, in loco, o berço da nossa história, por muito abandonadas que estejam as “casas e causas” das nossas origens e civilizações.
NB: Uma viagem enriquecedora meticulosamente planeada pelo decano dos jornalistas, Manuel Novais Granada. Um abraço e... até breve.
A noite da Literatura Europeia volta a dinamizar encontros de leitura de obras de escritores europeus. Um evento pouco vulgar no nosso país mais muito dinamizado, participado e requisitado na Europa "mais cultural". Momentos para ouvir escritores que marcam a contemporaneidade europeia. As entradas são livres e as sessões decorrem, no dia 4 de junho, entre as 19 e 24 horas, na zona do Carmo/Trindade, em Lisboa.
Foi há 90 anos, no dia 28 de maio, um pronunciamento militar de características ditatoriais, nacionalistas e anti-parlamentares, iniciado em Braga e comandado pelo general Gomes da Costa, com Mendes Cabeçadas e Óscar Carmona, iniciou uma nova governação que viria a mudar Portugal...
A I República foi derrubada e o modelo de Ditadura seria acentuado com a instauração do Estado Novo, através da Constituição de 1933.
As causas próximas foram a "instabilidade política" e os "desmandos" verificados entre 1910 e 1926.
Nesse contexto, a adesão ao golpe militar foi grande, visto ser considerado como uma "tábua de salvação" para a resolução de problemas, principalmente a nível financeiro, sendo então convidado para a pasta das Finanças António de Oliveira Salazar, professor na Universidade de Coimbra.
A data de 28 de maio seria ainda escolhida para a realização de outros factos marcantes: em 1945, houve manifestações em Lisboa, Porto, Alenquer, Setúbal, Évora, Santarém, Almeirim, Alhos Vedros, Seixal, Almada, Barreiro e Cova da Piedade, de regozijo pela vitória aliada, na II Guerra Mundial e de crítica à ditadura do Estado Novo, a que conduziu o golpe de 28 de maio de 1926.
Em 1946, dá-se a publicação do documento "O MUD e o 28 de Maio", do Movimento de Unidade Democrática.
A memória histórica do "28 de maio de 1926" ficou registada num documentário cinematográfico intitulado “A Revolução de Maio”, exibido em 1937, por iniciativa de António Ferro que desafiou António Lopes Ribeiro a rodar um filme, a fim de comemorar os 10 anos da "Revolução" militar.
O argumento foi escrito por António Lopes Ribeiro e pelo próprio António Ferro (com os pseudónimos de Baltazar Fernandes e Jorge Afonso, respetivamente) e o financiamento teve o apoio oficial, exclusivo, do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN), dirigido por António Ferro.
O cenário principal passa-se em Braga e nele são exibidos discursos de Salazar, entre muitos outros motivos de interesse para a história do Estado Novo, que só terminou com a "Revolução" militar do "25 abril de 1974".
> Há anos que se acredita que a doença de Alzheimer pode ter que ver com a presença de placas beta-amilóides no cérebro – uma vez que estas surgiam sempre nos cérebros das pessoas com Alzheimer e não nas com o cérebro saudável.
Mas os investigadores deste estudo publicado esta semana na revista Science Translational Medicine acreditam ter descoberto que as placas beta-amilóides encontradas nos cérebros das pessoas com a doença são, na verdade, um resíduo do sistema imunitário. Um tipo de antibiótico que é a primeira linha de defesa contra uma infeção, como reporta o New York Time.

Ainda é cedo para revelar uma conclusão final mas este estudo, que está a ser feito em animais, causou um grande impacto entre os cientistas que têm investigado esta doença.
De acordo com a nova hipótese levantada, a doença de Alzheimer ocorre quando um vírus, uma bactéria ou fungo entra no cérebro, passando através de uma membrana - a hematoencefálica – que enfraquece à medida que envelhecemos.
Robert Moir, do Massachusetts General Hospital,
liderou a investigação e destaca que as conclusões do estudo sugerem que a visão que se tem tido nos últimos 30 anos é “incompleta”. In LIFESTYLE.
Apresenta-se como um cidadão em funções produtivas, sem papéis, nem rascunhos, colaborante, atento e com bom ouvido! O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, em poucos meses de um mandato de cinco anos, fez esquecer o seu antecessor de uma forma arrasadora.
Foi uma mudança da noite para o dia, da escuridão para dia de sol radiante. O antes apresentava-se com tiques de altivez, do "sou, posso e mando", o de agora "fala como falam os portugueses, com todos".
Há muito que Portugal tinha gritante necessidade de mudança na Presidência da República, com este carisma, de um Chefe de Estado que falasse português com os portugueses. Os "contraditórios" são vozes que não chegam ao céu!
São imagens improváveis mas não impossíveis. Como escreveu o poeta "o mundo pula e avança".
Costuma-se dizer que as "teorias" são pouco aconselháveis para se resolverem os problemas da vida, situações que exigem respostas concretas, práticas e realistas. No entanto, nada mais controverso do que constatar que ao longo da existência e em certas etapas da vida as "teorias" sempre foram tidas em conta como uma "lição" oportuna, uma "experiência" e uma "sabedoria" indispensáveis.

Nada melhor do que ler os grandes escritores como Machado de Assis (1839-1908), o principal nome do "Realismo" brasileiro, o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras e um dos escritores mais aclamados da literatura em língua portuguesa, a par do nosso Eça de Queirós (1845-1900), contemporâneos e admiradores críticos entre si, sem nunca se terem encontrado pessoalmente.
A vasta obra de Machado de Assis, traduzida em contos, crónicas, poemas e romances, tem o selo da qualidade e, ainda hoje, o seu conteúdo continua actual pelos temas, reflexões, propostas de interpretação sobre o mundo e a vida. A propósito, lembramos o seu conto "Teoria do Medalhão", escrito em 1881, onde o autor relata uma conversa de um homem já bem vivido e um jovem a aprender a viver...

Trata-se de "um diálogo entre pai e filho na noite em que este completa a maioridade (21 anos). O pai aconselha o filho a mudar os seus hábitos, deixar de lado os seus gostos e opiniões, a fim de se tornar um Medalhão, ou seja, uma pessoa de fama e riqueza. Na teoria do pai, para alcançar esse objetivo era preciso ser uma pessoa neutra diante dos acontecimentos, ter um vocabulário limitado, preferindo sempre a conversa e o humor simples, não a ironia, deveria apenas parecer ser sábio, mas sem precisar ser.
Conselhos que quase se assemelham ao que quis Maquiavel para o Príncipe, um conjunto de reflexões sobre a "arte de conquistar e conservar o poder"..., fazer as coisas como se fossem autênticas, fingir o que não era, mascarar a realidade, para poder sobreviver e pertencer ao grupo dos "polidos" e "importantes" da sociedade, caracterizados pelas aparências e iludidos pelas suas próprias artimanhas.
Ou seja, qualquer semelhança desta "teoria" com os dias de hoje é verdadeira, pois, esta obra de Machado de Assis aponta para a valorização do "parecer acima do ser", analisando o "comportamento medíocre por meio do qual se pode ascender socialmente sem grandes esforços".

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, no seio de uma família muito pobre. O pai de Machado de Assis era um descendente de escravos que trabalhava como pintor de paredes. A mãe, portuguesa dos Açores, faleceu quando Machado tinha 10 anos.
Segundo os seus biógrafos, Machado nunca teve uma educação formal. Para ajudar a família, chegou a trabalhar como engraxador e vendedor de doces. Era fluente em francês, língua que aprendeu com um padeiro; tendo aprendido sozinho as línguas alemã e inglesa. Trabalhou ainda como aprendiz de tipógrafo e foi funcionário público.



Além de contos memoráveis, como "Teoria do Medalhão", "O espelho" e "O alienista", Machado de Assis escreveu as "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Quincas Borba", "Dom Casmurro" e "Memorial de Aires", entre muitos outros títulos que merecem ser lidos a todo o tempo.
A cantora portuguesa Kátia Aveiro, irmã de Cristiano Ronaldo, vai actuar na cerimónia que antecede a final da Champions League, em Milão, a convite da UEFA. Outros cantores de renome internacional, entre os quais o tenor italiano Andrea Bocelli e a cantora norte-americana Alicia Keys, vão também actuar no evento que será visto por milhões de telespectadores em todo o mundo. O jogo entre Real Madrid – Atlético Madrid terá início pelas 19.45 horas, sábado, 28 de maio.
Andares vazios em Lisboa apavoram-me
Mais um sénior de nomeada destaca-se neste mês de maio em Portugal: Gonçalo Pereira Ribeiro Telles. Nascido em Lisboa, a 25 de maio de 1922 (faz, hoje, 94 anos de idade), licenciou-se em Engenharia Agrónoma e formou-se em Arquitetura Paisagista, no Instituto Superior de Agronomia, onde teve como mestre e foi assistente de Francisco Caldeira Cabral, pioneiro daquela disciplina entre nós.
Figura notável do ambientalismo em Portugal, defensor competentíssimo dos valores ambientais, do ordenamento do território e da humanização das cidades, Gonçalo Ribeiro Telles foi Professor Catedrático da Universidade Técnica de Lisboa e assinou projetos admiráveis, como o jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, o Corredor Verde de Monsanto e a integração da zona ribeirinha oriental e ocidental na Estrutura Verde Principal de Lisboa.
Senhor de uma obra única, o seu trabalho foi também reconhecido internacionalmente, em 2013, ao ser distinguido com o prestigiado prémio Sir Geoffrey Jellicoe da Internacional Federation of Landscape Architects (IFLA).
Trata-se do seu mais importante galardão, uma espécie de "Nobel", que é atribuído anualmente a profissionais “cuja obra e contribuições ao longo da vida tenham tido um impacto incomparável e duradoiro no bem-estar da sociedade e do ambiente, e na promoção da profissão de Arquiteto Paisagista”.
A par da sua profissão, Gonçalo Ribeiro Telles interessou-se também pela política ativa e desempenhou cargos políticos. Na juventude, foi militante da Ação Católica Agrária e Rural, acentuando a sua oposição ao regime nas sessões do Centro Nacional de Cultura.
Com Francisco Sousa Tavares, em 1957, fundou o Movimento dos Monárquicos Independentes, a que se seguiu o Movimento dos Monárquicos Populares, assumindo-se claramente contra a ditadura. Em 1967, aquando das cheias de Lisboa, impôs-se, publicamente, contra a política de urbanização do Governo.
Após a "Revolução de Abril de 1974", fundou o Partido Popular Monárquico, cujo Diretório presidiu, o Movimento Alfacinha e o Movimento Partido da Terra, de que é Presidente Honorário. Desempenhou o cargo de Ministro de Estado e da Qualidade de Vida no VIII Governo Constitucional.
Sempre atento aos novos tempos, mas fiel aos princípios que interessam ao bem-comum, continua a alertar para os problemas ambientais e paisagísticos que estão a contaminar as nossas sociedades, sem respeito pelo natureza.

Numa entrevista ao Planeta Diário, em 2005, disse que: "As Câmaras Municipais fazem do sistema natural um espaço verde e do espaço verde uma decoração. Há a fazer uma nova política em que não deve existir mais consumo de solo vivo e solo ainda não urbano.
Estão a construir cidades só por construir e a criar não o vazio do espaço, mas o vazio do espaço construído. Os andares vazios em toda a Área Metropolitana de Lisboa apavoram-me. Continua-se a construir densamente noutras áreas. Umas esvaziam-se para se construir outras. É todo um processo de asneira e de especulação."
“ZABEL & PARTNAIR” é a mais recente “classe de golf senior, cent pour cent amateur”, criada em Portugal (24 de Maio de 2016). Todos os "golfeurs" têm mais de 60 anos, inclusive os "maîtres". O capital social está cotado na “idade de ouro” e os objectivos são todos os possíveis, no país e estrangeiro. Vamos por partes:
Os seniores portugueses golfistas ocupam um lugar discreto na tabela das competições amadoras, federadas ou simplesmente de lazer, tomando por comparação com outros países onde os seniores têm uma posição participativa muito mais efectiva.
O porquê da razão para esta ausência de adesão a um desporto com todos os graus de exigência, mas também ao alcance de todos, está por esclarecer.
Tempos houve em que a escassez de campos de golfe limitava a prática da modalidade, no presente Portugal tem um número de espaços de norte a sul do continente e regiões autónomas ao nível dos melhores da Europa... mas pouco utilizados, com excepções.

Um desporto ao ar livre, praticado em extensos relvados rodeados de árvores, lagos, riachos, em terrenos ora planos ora em pequenos relevos, parecem querer dizer que estão reunidas todas as condições para fortalecer os mais elementares itens do bem-estar para uma boa saúde sénior, em particular. O clima português, único na Europa, favorece a prática do golfe.
As primeiras "tacadas" estão dadas. Bem executadas e fundamentadas. O ânimo é superior pelo que tudo aponta para que a classe “ZABEL & PARTNAIR” venha a funcionar como uma parceria de sucesso.

Com capacidade para 6.780 passageiros e 2.115 tripulantes, o “Harmony of the Seas” é o maior navio cruzeiro do mundo. A viagem inaugural teve início domingo (22 de Maio), no porto de Southampton (Reino Unido) com destino ao porto de Barcelona (Espanha). Tem 361 metros de comprimento (mais 100 metros que o tristemente célebre Titanic), 66 metros de largura e 72 metros de altura. Custou mais de um bilião de euros e foi construído no estaleiro STX (França).
O calendário e itinerário de viagens para os próximos meses estão há muito programados, prevendo-se que no primeiro trimestre do próximo ano (2017), o “Harmony of the Seas” venha a fazer escalas no Funchal e em Lisboa, portos por onde passam com regularidade os navios de cruzeiro da Royal Caribbean.
Video> https://www.youtube.com/watch?v=hC0LGWmKXUA
NB: O navio está equipado com três gigantescos motores a diesel. Segundo o The Guardian "analistas de poluição marítima em Bruxelas e na Alemanha dizem que um navio desta dimensão deve queimar, pelo menos, 150 toneladas de fuel por dia e emitir mais enxofre que alguns milhões de carros, mais dióxido de azoto que todo o tráfego de uma cidade de tamanho médio e mais partículas que milhares de autocarros de Londres".
José Maria Ferreira de Castro, consagrado autor de "A Selva" e "Emigrantes", nasceu a 24 de maio de 1898. A sua vida de escritor de mérito confunde-se com a sua própria experiência, desde muito cedo, dado o realismo que predomina nos seus relatos literários e romanceados.
Ferreira de Castro em Sintra e a casa onde viveu, hoje Museu.
Nasceu em Ossela, Oliveira de Azeméis, no seio de uma família de camponeses pobres. Órfão de pai aos oito anos, é obrigado a emigrar com doze anos, para o Brasil, onde vai trabalhar num seringal no interior da floresta amazónica.
A sua vocação, porém, tende mais para as lides literárias e, à medida do seu crescimento físico e mental, também cresce em cultura e vontade de progredir através dos livros, com dedicada colaboração nos jornais, principalmente em Belém do Pará.
Após regressar a Portugal, com 21 anos de idade e pouco mais de "quatrocentos escudos no bolso", decide-se pela carreira no jornalismo e nas letras, em Lisboa, apesar de ser pouco conhecido e sem grandes apoios. Passou então por períodos de "absoluta miséria"...
Até que, em 1925, foi admitido como sócio do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa, de que chegou a ser presidente da direção. Mas, o jornalismo foi só uma primeira etapa da sua grande criatividade como escritor, pois, em 1928 publica o romance "Emigrantes", seguido de "A Selva", em 1930, com notável êxito nacional e além fronteiras.
A partir de então, o nome Ferreira de Castro passou a figurar entre os maiores da literatura. Foi dos escritores portugueses mais populares do século XX, traduzido em dezenas de línguas e publicado em inúmeros países.
A sua inesquecível memória está bem patente em duas casas-museu que deixou: uma casa em Oliveira de Azeméis, onde nasceu, e outra em Sintra, onde está sepultado.
O seu nome foi, várias vezes, proposto para o Prémio Nobel da Literatura; e a UNESCO (Agência das Nações Unidas para a Educação e a Cultura) considerou que "A Selva" estava entre os dez romances mais lidos em todo o mundo.
Café "Golden Gate" no Funchal, a "Esquina do Mundo", assim classificou o escritor face ao movimento de estrangeiros que frequentavam este lugar.
Ferreira de Castro morreu em junho de 1974. Para os madeirenses continua a ser uma lenda viva, aqui passou algum tempo e escreveu o livro "Eternidade" (1933).
Num Alentejo de árvores baixas e aldeias pouco povoadas, vamos encontrar no meio da paisagem, ora verdejante ora árida, fábricas com chaminés a enviar contínuas nuvens de fumo para a atmosfera. Uma paisagem pouco ou nada recomendável, à vista de todas as entidades públicas e ambientalistas.
A poluição é nociva para a saúde e para o meio ambiente. Seja qual for o meio de alteração do ar atmosférico, seja por gases, líquido, partículas sólidas, material biológico e até mesmo energia, são substâncias poluentes do ar com prejuízo para a saúde. De acordo com um estudo divulgado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), a poluição atmosférica causou,em 2012, a morte a mais de 7 milhões de pessoas no mundo.
Um grande sénior e pensador do nosso tempo, EDUARDO LOURENÇO, nasceu a 23 de maio de 1923 (faz hoje 93 anos de idade). Uma pessoa e um nome muito requisitados em todos os meios da cultura portuguesa contemporânea, apesar de ter vivido a maior parte da sua vida no estrangeiro.
Natural de S. Pedro de Rio Seco, concelho de Almeida, distrito da Guarda, Eduardo Lourenço é o filho mais velho de Abílio de Faria, oficial do Exército, e de Maria de Jesus Lourenço. Frequentou a escola primária na sua terra natal; depois o Liceu da Guarda e o Colégio Militar em Lisboa. Fez a licenciatura de Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (UC).
Após alguns anos nas funções de Professor Assistente na UC, passou (em 1958) a exercer as funções de Leitor de Língua e Cultura Portuguesa nas Universidades de Hamburgo, Heidelberg e Montpellier; foi ainda Professor Convidado na Universidade Federal da Baía (Brasil), na disciplina de Filosofia; e Leitor nas Universidades de Grenoble e de Nice.
Nesta última Universidade irá também desempenhar as funções de Maître-Assistant, cargo que manterá até à sua jubilação, no ano lectivo de 1988-1989.
É autor de uma vasta e significativa bibliografia, obras de interesse para a interpretação de vários campos do saber e conhecimento no nosso tempo; personalidade destacada e premiada diversas vezes, em Portugal e no estrangeiro.
Doutor Honoris Causa pelas Universidades do Rio de Janeiro, Universidade de Coimbra, Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Bolonha (2006).



Continua a trabalhar como um sábio e, desde 2002, exerce as funções de administrador não executivo da Fundação Calouste Gulbenkian... Integra também o Conselho de Estado, a convite do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
"A Cultura não é o lugar de revelação alguma, é apenas o lugar onde todas as revelações são examinadas e discutidas sem fim. Para que cada um de nós possa viver dessa discussão infinita do mundo e de si mesmo." (Eduardo Lourenço).
Foi em Maio de 1964 que Zeca Afonso, com amigos, compôs “Grândola Vila Morena”, canção que viria a ser utilizada como senha pelo Movimento das Forças Armadas, em 1974, na queda da ditadura e instauração da democracia em Portugal.
Em 1969, 1970 e 1971, em pleno regime salazarista, Zeca Afonso foi laureado pela Casa de Imprensa como o melhor compositor e intérprete de música.

Ermida de N.Sr.ª da Penha, onde Zeca escreveu "Grândola Vila Morena"
O que poucos sabem é que a letra desta célebre canção foi escrita na ermida de N.Sr.ª da Penha, num alto monte do Alentejo, bem longe dos olhares da PIDE (polícia política), e a composição musical no primeiro andar de uma taberna, situada no centro de Grândola, e na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, também conhecida por “Música Velha”.
Testemunhos vários reiteram que o trovador Zeca Afonso ficou indelevelmente associado ao derrube do Estado Novo que vigorou entre 1933 e 1974.
Exposição permanente no edifício dos Paços do Concelho de Grândola.
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (Zeca Afonso), nasceu em Aveiro, em 1929, e faleceu em Setúbal, em 1987, tinha 57 anos de idade.
Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, pela universidade de Coimbra, era filho de um juiz e de uma professora. A sua acção política era manifestada através de “canções de intervenção”, vindo a ser preso pela PIDE e detido no Forte-prisão de Caxias.
Na "Música Velha" tinha o cantor roda de amigos. Aqui, está, sempre presente!
O “Descobrimento da Ilha da Madeira”, crónica da autoria de Jerónimo Dias Leite e escrita no século XVI, encontra-se agora "comentada", em nova edição, pelos historiadores Cristina Trindade e Rui Carita, e o geógrafo Raimundo Quintal. A publicação é da responsabilidade Imprensa Académica da Universidade da Madeira (UMa) e foi apresentada neste sábado (21 de maio), na 42.ª Feira do Livro do Funchal, pelo Professor José Eduardo Franco.
“O leitor pode desfrutar da leitura integral do texto de Jerónimo ias Leite e complementar com o auxílio de preciosas anotações que permitem enriquecer, e até certificar e/ou corrigir, a informação apresentada neste documento histórico", explica o historiador da cultura.
Jerónimo Dias Leite, autor da obra "Descobrimento da Ilha da Madeira e Discurso da vida e feitos dos capitães da dita Ilha", foi um clérigo madeirense, filho de Gaspar Dias, alfaiate, e de Isabel Fernandes. Foi, igualmente, irmão de Gaspar Leite, advogado, que por constar da lista dos que foram objeto de um imposto – o "finto", que recaiu sobre os cristãos novos (judeus convertidos) residentes na Madeira em princípios do século XVII, estabelece para todos o estatuto de família "cristã-nova".

O registo de batismo de Jerónimo Dias Leite tem data de 14 de março de 1540. Da sua carreira eclesiástica sabe-se que passou alguns anos na vigaria de Arguim, a que se seguiu a de S. Jorge da Mina, após o que, depois de um período de residência em Oeiras, conseguiu ser provido na sé do Funchal, lugar que veio ocupar em 1572.
De entre outras funções que desempenhou, podem salientar-se a de escrivão do cabido e a de capelão régio. A data da sua morte permanece incerta, sabendo-se apenas que, em 1593, o seu nome aparece pela última vez, a assinar um auto do cabido.

O que celebrizou Jerónimo Dias Leite não foi, no entanto, a sua carreira eclesiástica, antes, o facto de ser um dos primeiros autores a legar à posteridade uma obra fundadora da historiografia madeirense - o "Descobrimento da Ilha da Madeira e Discurso da vida e feitos dos capitães da dita Ilha", escrita aparentemente por solicitação de Gaspar Frutuoso (natural dos Açores), autor da também famosa obra histórica "Saudades da Terra".
Jerónimo Dias Leite tem o seu nome perpetuado na cidade do Funchal, numa artéria paralela à Avenida do Mar, próxima da Fortaleza/Palácio de São Lourenço.

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS