Costuma-me dizer que "uma imagem vale mais do que mil palavras", mas apenas numa palavra também pode-se resumir o que acontece neste último dia do ano no porto do Funchal: "encanto", através dos barcos de cruzeiro para o espetáculo de fogo-de-artifício, logo à noite... Resta dizer que a Madeira é mesmo a "ilha (portuguesa) dos mil encantos", com milhares de turistas e temperatura amena...
São onze transatlânticos na baía do Funchal, com mais de 30 mil turistas de várias nacionalidades. Uma cidade flutuante como em nenhum outro destino do mundo. Os hotéis estão com a capacidade totalmente preenchida. A passagem de ano na Madeira é verdadeiramente deslumbrante. Temperaturas de 24 graus (em terra) e de 19 graus (no mar). Tudo a postos para a passagem de ano mais luminosa, colorida e espectacular que só o anfiteatro do Funchal e o fogo de artifício proporcionam.
BOAS ENTRADAS E FELIZ ANO NOVO
Mais um ano chega ao fim... É tempo de festejar a "passagem" para outro, com desejos de muitas felicidades, mas, também, é oportuno agradecer o que se viveu no passado recente...
Para os crentes, este dia 31 de dezembro, festa de despedida do ano velho, fica assinalado com uma missa solene com "Te Deum", em agradecimento pelas "graças recebidas".
É o acontece, hoje, por exemplo,, na catedral do Funchal, com uma celebração presidida pelo bispo diocesano D. António Carrilho, às 17 horas, e em que se destaca a tradicional presença, participação das principais autoridades públicas regionais.
Enquanto isso, nas ruas, o tempo é de música, com interpretações de bandas filarmónicas e grupos folclóricos.
O Funchal, cidade cosmopolita por excelência, acolhe neste final de ano muitos visitantes, de várias partes do mundo, chegados por avião e por barco. O fogo-de-artifício e as boas condições atmosféricas garantem uma passagem de ano memorável.
Segundo dados oficiais, a taxa de ocupação hoteleira nesta altura já atingiu os 90 por cento, quando no Natal a ocupação foi de 66 por cento. A tudo isto, acresce o número de navios de cruzeiros presentes neste dia na Madeira num total de nove paquetes, com destaque para o MS Queen Elizabeth, que já está atracado no porto do Funchal.
Os passageiros e tripulantes em trânsito nos paquetes serão cerca de 30 mil, que vão apreciar o espetáculo de fogo-de-artifício de oito minutos, que assinalará a entrada de 2016, através de 36 postos de fogo distribuídos pelo anfiteatro do Funchal, num investimento do Governo Regional que ascende a 810 mil euros.
Pelas ruas principais da baixa citadina, zona litoral, até ao Mercado dos Lavradores, encontram-se motivos de muita festa e animação, folclore, música e tradições, como se pode constatar nalgumas fotos registadas na manhã desta quarta-feira, prevendo-se uma enchente no dia 31 de dezembro, nesta ilha também conhecida por "Pérola do Atlântico".
O "Queen Elizabeth", um dos maiores navios do mundo entrou, esta manhã, no Porto do Funchal, estando a saida prevista para amanhã, após o espectáculo piroctécnico que ocorre logo após as badaladas da meia-noite do dia 31 de Dezembro.
Imagem captada por Manuel Nicolau, fotojornalista, na baía do Funchal, e divulgada por Luís Calisto, in Fenix do Atlântico. As gaivotas, o mar e o navio.
Vence a indiferença e conquista a paz
"Ano novo, vida nova", costuma-se dizer perante um futuro próximo que se pode traduzir, desde já, por muita esperança e a convicção que tudo será melhor em termos pessoais, coletivos e mundiais. Neste ensejo, apresentam-se mensagens singulares, que fazem pensar e, que de certo modo, deixam alguns alertas sobre o que se prevê realizar. É o que se pode beneficiar da leitura da mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial da Paz, a celebrar no dia 1 de janeiro, com o tema «Vence a indiferença e conquista a paz».

Para o chefe da Igreja católica, «embora» o ano de 2015 «tenha sido caracterizado, do princípio ao fim, por guerras e actos terroristas, com as suas trágicas consequências de sequestros de pessoas, perseguições por motivos étnicos ou religiosos, prevaricações, multiplicando-se cruelmente em muitas regiões do mundo, a ponto de assumir os contornos daquela que se poderia chamar uma «terceira guerra mundial por pedaços», todavia alguns acontecimentos dos últimos anos e também do ano passado incitam-me, com o novo ano em vista, a renovar a exortação a não perder a esperança na capacidade que o homem tem, com a graça de Deus, de superar o mal, não se rendendo à resignação nem à indiferença. Tais acontecimentos representam a capacidade de a humanidade agir solidariamente, perante as situações críticas, superando os interesses individualistas, a apatia e a indiferença».

Sobre os «tais acontecimentos» que importa relevar, o papa recorda «o esforço feito para favorecer o encontro dos líderes mundiais, no âmbito da Cop21, a fim de se procurar novos caminhos para enfrentar as alterações climáticas e salvaguardar o bem-estar da terra, a nossa casa comum. E isto remete para mais dois acontecimentos anteriores de nível mundial:
A Cimeira de Adis-Abeba para arrecadação de fundos destinados ao desenvolvimento sustentável do mundo; e a adopção, por parte das Nações Unidas, da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que visa assegurar, até ao referido ano, uma existência mais digna para todos, sobretudo para as populações pobres da terra.»

Francisco lembra também as preocupações e esforços da Igreja em relação ao que acontece no mundo, como fez na sua encíclica Laudato si (Louvado sejas) e na convocação do Ano jubilar da Misericórdia, a decorrer entre novembro de 2015 e novembro de 2016, a favor de toda a humanidade, crentes ou não, com a aposta na «solidariedade global».
Como observa, «variadas são as razões para crer na capacidade que a humanidade tem de agir, conjunta e solidariamente, reconhecendo a própria interligação e interdependência e tendo a peito os membros mais frágeis e a salvaguarda do bem comum. Esta atitude de solidária corresponsabilidade está na raiz da vocação fundamental à fraternidade e à vida comum.
A dignidade e as relações interpessoais constituem-nos como seres humanos, queridos por Deus à sua imagem e semelhança. Como criaturas dotadas de inalienável dignidade, existimos relacionando-nos com os nossos irmãos e irmãs, pelos quais somos responsáveis e com os quais agimos solidariamente. Fora desta relação, passaríamos a ser menos humanos.

Igreja de Santa Maria Maior (Funchal)
É por isso mesmo que a indiferença constitui uma ameaça para a família humana. No limiar dum novo ano, quero convidar a todos para que reconheçam este facto a fim de se vencer a indiferença e conquistar a paz», sublinha o Papa Francisco nesta sua mensagem para 2016.
O Porto do Funchal volta a registar, na passagem do ano velho para o ano novo, a presença de vários navios de cruzeiro, com milhares de turistas provenientes de várias partes do mundo. Uma imagem que sendo habitual nesta altura do ano não deixa de despertar muita curiosdade. A capital madeirense torna-se numa aldeia global em todas versões. Com temperaturas a rondar os 24 graus, a Madeira proporciona, às zero horas do dia 31, aquele que é o mais famoso espectáculo pirotécnico do mundo, conforme releva o livro do Guinness.
Os cantos deste nosso mundo
Quase a terminar este mês de dezembro, é hora de fazer balanços ou deitar contas à vida, mas vem-nos também à memória certas pessoas para quem o título de imortal não será exagero. É o caso de José Rodrigues Miguéis, escritor, nascido em Lisboa, em dezembro de 1901, e falecido há 35 anos em Nova Iorque.

Licenciado em Direito (Universidade de Lisboa) e em Ciências Pedagógicas (Universidade de Bruxelas), antes de se afirmar como autor de reconhecidos méritos, exerceu durante algum tempo a profissão de advogado, delegado do Ministério Público e professor do ensino secundário. Ao mesmo tempo, colaborava na imprensa, no jornal A República, na revista Seara Nova e no semanário O Globo, de que chegou a ser diretor.Teve ainda uma intervenção cívica e política, participando em movimentos democráticos, mas logo sofreu a censura e foi vítima de perseguição.
Desiludido com a situação vigente, optou então por viver nos Estados Unidos da América (EUA), a partir de 1935, onde trabalhou como assistente editor das Seleções do Reader’s Digest, dedicou-se à tradução de nomes sonantes da literatura mundial, como Stendhal e F. Scott Fitzgerald, e passou a escrever as suas principais obras: Onde a Noite se Acaba (1946), Saudades para D. Genciana (1956), O Natal do Clandestino (1957), Léah e Outras Histórias (1958) Uma Aventura Inquietante (1959), Um Homem Sorri à Morte com Meia Cara (1959), Gente da Terceira Classe (1962)...

Neste último título, Miguéis narra a sua primeira viagem para os EUA. É uma espécie de crónica autobiográfica, onde o autor regista todas as impressões de uma realidade social bem expressa nos passageiros daquela altura, entre os quais se encontravam também alguns madeirenses, como podemos ler no seguinte excerto (jornal de bordo - 1935):
«(...) É preciso ter viajado num destes transatlânticos para se fazer uma ideia das fronteiras que separam os homens e as classes, mesmo dentro duma casca de noz. E somos poucos, aqui, não mais de cinquenta: que faria se fôssemos os duzentos ou quatrocentos da lotação, só Deus sabe, amontoados na imunda gafaria que é a terceira dos emigrantes. (...)

Paquete "Santa Maria", no Porto do Funchal, anos 60 do século XX. Era na Madeira que o "Santa Maria", da Companhia Colonial de Navegação, recebia o maior número de emigrantes com destino a Miami (EUA) e ao Curaçau (ilha do caribe, nas antilhas holandesas).
Ao partir, levavam consigo ao menos uma esperança: agora nem isso lhes resta. Muitos deles, com o sonho, seu único luxo, perderam por lá a saúde e a força de trabalho, que era toda a sua riqueza. Com estes, os de torna-viagem, embarcaram na Madeira e agora comigo, em Lisboa, alguns portugueses que vão, como eu, à Inglaterra tomar o paquete para os Estados Unidos.
Assim se juntam aqui, embora com destinos e em estados de alma opostos, duas correntes da mesma miséria: uma delas, ainda quente do sol da ilusão, parte para a zonas mais temperadas e prósperas do Leste americano; a outra regressa lá do equador e do trópico, fria de desapontamento, amolambada e escrofulosa, para se dispersar por todos os cantos deste nosso mundo cristão e ocidental. Correntes humanas, num inquieto e perpétuo corropio em torno destoutro mar de Sargaços, a vida.(...)»
Todos vestem uma roupinha nova!
Na Ilha do Nanja, o Natal continua a ser maravilhoso. Lá ninguém celebra o Natal como o aniversário do Menino Jesus, mas sim como o verdadeiro dia do seu nascimento. Todos os anos o Menino Jesus nasce, naquela data, como nascem no horizonte, todos os dias e todas as noites, o sol e a lua e as estrelas e os planetas. Na Ilha do Nanja, as pessoas levam o ano inteiro esperando pela chegada do Natal.
Sofrem doenças, necessidades, desgostos como se andassem sob uma chuva de flores, porque o Natal chega: e, com ele, a esperança, o consolo, a certeza do Bem, da Justiça, do Amor. Na Ilha do Nanja, as pessoas acreditam nessas palavras que antigamente se denominavam "substantivos próprios" e se escreviam com letras maiúsculas. Lá, elas continuam a ser denominadas e escritas assim.

Na Ilha do Nanja, pelo Natal, todos vestem uma roupinha nova — mas uma roupinha barata, pois é gente pobre — apenas pelo decoro de participar de uma festa que eles acham ser a maior da humanidade. Além da roupinha nova, melhoram um pouco a janta, porque nós, humanos, quase sempre associamos à alegria da alma um certo bem-estar físico, geralmente representado por um pouco de doce e um pouco de vinho. Tudo, porém, moderadamente, pois essa gente da Ilha do Nanja é muito sóbria.
Durante o Natal, na Ilha do Nanja, ninguém ofende o seu vizinho — antes, todos se saúdam com grande cortesia, e uns dizem e outros respondem no mesmo tom celestial: "Boas Festas! Boas Festas!"
E ninguém, pede contribuições especiais, nem abonos nem presentes — mesmo porque se isso acontecesse, Jesus não nasceria. Como podia Jesus nascer num clima de tal sofreguidão? Ninguém pede nada. Mas todos dão qualquer coisa, uns mais, outros menos, porque todos se sentem felizes, e a felicidade não é pedir nem receber: a felicidade é dar.

Pode-se dar uma flor, um pintainho, um caramujo, um peixe — trata-se de uma ilha, com praias e pescadores ! — uma cestinha de ovos, um queijo, um pote de mel... É como se a Ilha toda fosse um presépio. Há mesmo quem dê um carneirinho, um pombo, um verso! Foi lá que me ofereceram, certa vez, um raio de sol!
Na Ilha de Nanja, passa-se o ano inteiro com o coração repleto das alegrias do Natal. Essas alegrias só esmorecem um pouco pela Semana Santa, quando de repente se fica em dúvida sobre a vitória das Trevas e o fim de Deus. Mas logo rompe a Aleluia, vê-se a luz gloriosa do Céu brilhar de novo, e todos voltam para o seu trabalho a cantar, ainda com lágrimas nos olhos.

Na Ilha do Nanja é assim. Arvores de Natal não existem por lá. As crianças brincam com. pedrinhas, areia, formigas: não sabem que há pistolas, armas nucleares, bombas de 200 megatons. Se soubessem disso, choravam. Lá também ninguém lê histórias em quadrinhos.
E tudo é muito mais maravilhoso, em sua ingenuidade. Os mortos vêm cantar com os vivos, nas grandes festas, porque Deus imortaliza, reúne, e faz deste mundo e de todos os outros uma coisa só.
É assim que se pensa na Ilha do Nanja, onde agora se festeja o Natal.
(Texto da escritora Cecília Meireles (1901-1964),
extraído do livro “Quadrante 1”)
Música > https://www.youtube.com/watch?v=PuT2yERy6Xc
Video > https://www.youtube.com/watch?v=dIgD3GgCfGo
Porque é Natal... é interessante saborear as vivências de outros tempos que, na Madeira, sempre se manifestaram de maneira peculiar, como é o caso da celebração das Missas do Parto... A tradição refere-se de modo particular às devoções em honra de Nossa Senhora e do Menino Jesus, tendo-se resumido tudo à "Festa".
Mas, para além da expressão estritamente religiosa, há outras caraterísticas importantes, como bem recorda Libânia Arminda Henriques Gomes, autora do estudo "As Missas do Parto na Ilha da Madeira - Uma Tradição a Preservar".
Por exemplo, para os nossos antepassados, a Festa do Natal implicava fazer "limpezas" gerais em casa, "caiar as paredes exteriores, pintar portas e janelas", aproveitando o "Verão de São Martinho" (em Novembro); arejar as roupas, "colchas e as rendas" só usadas em ocasiões especiais.
Fazer o presépio, neste caso a "lapinha" em "escadinha" com "três degraus" onde o "Menino Jesus de pé, de coroa de prata na cabeça, entronizava no cimo, vestido de cetim branco com bordado da Madeira, seguindo-se todas as figuras colocadas nos degraus, alternando-as com frutos, pão merendeiro ou brindeiro e searinhas" (plantas verdes de trigo germinado, centeio, milho e lentilha, cujas sementes foram deitadas à terra no dia 8 de Dezembro).
Deste modo, eram colocados no presépio todos os produtos agrícolas saídos da terra, para que fossem abençoados e crescessem sempre em abundância. A "lapinha" estava de acordo com o território insular, pois, imitava "uma montanha em miniatura, sendo feita de pedras ou socas de cana vieira, forradas de papel" ou "jornais velhos" pintados de "vioxéne" para se obter uma "cor acastanhada", e mais um "pós brilhantes"...
E as plantas e flores campestres também figuravam nesta armação, desde o "alegra campo", as "cabrinhas", os "junquilhos", passando pelo "ensaião", até aos "sapatinhos".
Em relação a esta "Festa", por outro lado, também os convívios entre familiares e amigos davam nas vistas, até porque a gastronomia e as músicas eram muito bem preparadas nesta altura do ano. Assim, "um dois momentos altos do Natal madeirense consistia na matança do porco" (...) e no "tradicional prato de carne de vinho e alhos".
Os licores caseiros de frutas, como sejam "o de baunilha, tangerina, laranja anis, maracujá, tin-tan-tum", ... não faltavam nesta quadra, acompanhados de bolos e broas de mel de cana sacarina. Nada ficava esquecido, melhor, tudo se apontava para o tempo do Natal, com as melhores iguarias, roupas e convívios... O que ainda hoje se mantém em grande parte.
E quanto aos instrumentos musicais mais usados, então a preferência ia para a "Braguinha", também conhecido por "Machete de Braga ou Cavaquinho"; o "Rajão" e a "Viola de arame", que orientavam o ritmo das caminhadas e a presença de grupos de "festeiros", ao alvorecer do dia, nos adros das igrejas, nos terreiros (quintais) das casas ou nos sítios (aldeias) de toda a ilha da Madeira...
Porque é Natal..., noutros tempos era assim, mas a tradição continua...
E porque é Natal, à boa saudação madeirense, desejamos BOAS FESTAS.
Está escrito no calendário, em cada ano, no dia 25 de dezembro, é Natal..., mas não apenas por um dia! O calendário é uma referência temporal, que não se pode menosprezar, com todos os simbolismos cristãos que contêm séculos de História, mas as vivências que o próprio Natal sugere devem ser permanentemente atualizadas, todos os dias...
A este propósito, recordamos um poema de Ary dos Santos, cantado por Paulo de Carvalho e com música de Fernando Tordo:
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Nos últimos anos a actividade bancária em Portugal tem dado mostras de uma instabilidade gritante, assustadora. BPN, BPP, BES, BANIF... BCP, MONTEPIO e outros. Será que ainda podemos confiar nos bancos?; Como?; Porquê?...
A quem pedir responsabilidades?
Com tantas situações adversas no campo da economia e das finanças, e decisões políticas e governamentais tomadas à medida das circunstâncias para se compor um fato que há muito, pelos vistos, já estaria estreito e apertado..., eis que, de novo, descobrimos que "o rei vai nu"...
É o que se diz acerca da solução encontrada para o "BANIF" (passe a publicidade), embora com elevados custos para os contribuintes... Mas, esta questão já não estava equacionada há muito? Quem se atrasou nos procedimentos? A quem pedir responsabilidades? Ao cidadão simples e em geral resta dizer, parafraseando um poema de José Régio (1901-1969): "Não vou por aí!"

Amanhã, 22 de dezembro, passam 46 anos sobre a morte deste grande poeta, autor de uma importante obra que se estendeu ainda pelo ensaio, o drama e o teatro. Natural de Vila do Conde, passou a maior parte da sua existência em Coimbra, Portalegre e em Lisboa (onde faleceu).
Formou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Coimbra, com uma tese sobre "As Correntes e as Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa", na qual apresentou Fernando Pessoa como o principal nome da poesia contemporânea portuguesa, na época um autor ainda desconhecido da maioria e sem qualquer livro publicado.
Ainda estudante, em Coimbra, José Régio colaborou com importantes publicações culturais: "Bysancio e Tríptico", e fundou com outros a revista "Presença". A sua estreia, como poeta em livro, aconteceu em 1925, com os Poemas de Deus e do Diabo, dos quais se destacam alguns versos do poema "Cântico Negro":

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
(...)

Como autor dramático, José Régio (pseudónimo literário de José Maria dos Reis Pereira) escreveu também textos de especial notoriedade: "Máscaras", "Jacob e o Anjo"; e "Benilde ou a Virgem-Mãe" (1947), uma peça teatral que teve a interpretação inesquecível de Maria Barroso (mulher de Mário Soares, recentemente falecida) e que mais tarde seria adaptada ao cinema por Manoel de Oliveira.

PALÁCIO DE SÃO LOURENÇO – 2015
28 de Dezembro - 16 horas
Natal no Palácio do séc. XVIII
Interpretação: Maria Clara Costa – Flauta de Bisel
Aluna do Conservatório Real de Haia (Holanda)
Participação infanto-juvenis dos Serviços da Área Museológica do Palácio
29 de Dezembro - 18 horas
Recital de Guitarra
Interpretação: Francisco Lopes
Aluno do Conservatório de Fermo "Giovambattista Pergolesi" (Itália)

4 de Janeiro - 18 horas
Recital de Violino e Piano
Interpretação: Alexandra Silva – Violino e Laura Mendes - Piano
Alunas do Conservatório Real de Antuérpia (Bélgica)
6 de Janeiro - 18 horas
Recital de Natal - Coro dos CTT
8 de Janeiro 19 horas
Recital de Natal – Orfeão Madeirense/Coro Stimme
Entrada livre (Acesso condicionado: 75 lugares)

Decorações de Natal até 8 de Janeiro
Visitas: Segunda-feira, 12H30; Terça e Quarta-feira, 10H00;
Quinta-feira, 10H00 e 12H30; Sexta-feira, 15H00. Outras horas,
por marcação prévia até 2 dias de antecedência, min. 10 pessoas
Tel.: 291 202 530; Fax: 291 234 626; E-mail: gabrr.palacio@netmadeira.com
O mundo continua em guerra
a não compreender o caminho da paz
A celebração do Natal, além dos símbolos apelativos do consumo, convívios e festas, tem como imagem principal o Presépio. É o que se destaca nos ambientes familiares, nas igrejas e nos espaços públicos de maior frequência. Assim acontece, por exemplo, na igreja da Sé, na igreja do Carmo e na placa da Avenida Arriaga, no Funchal.
Por entre cores, luzes e flores, o Presépio é motivo de muita atenção, fixando-se nos registos tanto de residentes como nos inúmeros turistas. Ao mesmo tempo que sugere paz, serenidade, essência do verdadeiro viver, em contraste com o mundo em guerra que parece não ter fim, como denunciou ainda recentemente o papa Francisco: "Estamos perto do Natal; haverá luzes, festas, árvores iluminadas, presépios, mas é tudo falso: o mundo continua em guerra, a fazer as guerras, não compreendeu o caminho da paz”, lamentou.
Na homilia da Missa a que presidiu na capela da Casa de Santa Marta, onde reside, Francisco observou que as recentes celebrações que evocaram as duas Guerras Mundiais ou as bombas de Hiroshima e Nagasaki, alertam para as consequências da guerra e do ódio. “O que fica de uma guerra, desta como a que estamos agora a viver? Ruínas, milhares de crianças sem educação, tantos mortos inocentes, tantos, e muito dinheiro nos bolsos dos traficantes de armas”, denunciou.
O papa considera que a guerra é a escolha de quem prefere as “riquezas” ao ser humano.“Estes que lançam a guerra, que fazem as guerras, são malditos, são delinquentes. Uma guerra pode justificar-se, entre aspas, com muitas, muitas razões, mas quando todo o mundo está em guerra como hoje - todo o mundo, é uma guerra mundial aos bocados, aqui, ali, além, por todo o lado -, não há justificação. E Deus chora”, afirmou.
Portugal é dos países da Europa que mais tem registado aumento na longevidade. Por seu turno, é o continente europeu a revelar a taxa mais alta de envelhecimento e ao mesmo tempo maior decadência no número de nascimentos. Estatísticas estimam que no mundo possam existir cerca de 893 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade, para um população mundial da ordem dos 7 biliões, isto é, 7 mil milhões. A idade "avançada" não tem parado de crescer e são aos milhares as pessoas que já ultrapassaram os 100 anos de vida. A população sénior está saudavelmente a aumentar.
É pelo cheiro da cozinha, da mesa posta, das bebidas, da gastronomia em geral, que se diferencia o que há de mais típico e tradicional entre uma região e outra. Um povo que se preze tem nos "pratos típicos" um dos seus segredos mais estimados ou requintes principais, diria o provérbio. E muita coisa boa faz-se à mesa, através de uma boa refeição...
É o que está a acontecer, uma vez mais no Largo da Restauração, no Funchal, com barracas de "comes e bebes", para dar a conhecer iguarias, cheiros e sabores relacionados com a "Festa" do Natal na Madeira. A começar, temos a tradicional "poncha" feita com limão, aguardente de cana e mel de abelhas; segue-se um pão cozido numa pedra especial, conhecido como "bolo do caco" e barrado com "manteiga, alho e salsa"; e ainda uma rica "sopa de trigo", feita em panelas de ferro, como antigamente, com o "trigo da terra", couves, batata doce, "semilhas", feijão, cenoura, nabo, carne de porco salgada... Não há apetite que resista a cheiros e sabores tão intensos. É só provar e esperar por mais.
Isto para dizer que não é só o "filete de espada", o "bife de atum", a "espetada", a "carne-de-vinha-d’alhos" ou a "carne da noite", que faz da cozinha madeirense um menu muito gostoso e inesquecível para o paladar mais requintado.
O pai Natal, figura lendária, é muito mais do que um símbolo para muitas civilizações. Ele é partilha, solidariedade, paz, igualdade e assunção plena do primado da pessoa humana.

João Godim
FREELANCER
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