O poeta genial, "maltratado" em vida e idolatrado depois de morto, morreu há 80 anos (30 de Novembro de 1935), aos 47 anos de idade... Fernando Pessoa (1888-1935). Conhecido de poucos, estimado por alguns, viveu em constante "desassossego", inquieto pelo tempo imparável que quis preencher com vários heterónimos (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, entre os mais famosos)..., morreu sem ver publicada a maior parte da sua obra poética e prosa fundamental, apenas um pequeno livro em vida - "Mensagem" (1934), com poemas destinados a exaltar a epopeia portuguesa, num lirismo místico e sebastianista.

"Ao longo dos anos da sua vida de adulto, Fernando Pessoa viveu dos trabalhos que realizou para escritórios comerciais, sobretudo correspondência em língua inglesa", escreveu o saudoso António Quadros (1923-1993) na obra que lhe dedicou em dois volumes - Fernando Pessoa, Vida, Personalidade e Génio. "Não se lhe conhecem outras fontes de rendimento, pois ao único lugar público a que concorreu, o de conservador-bibliotecário do Museu-Biblioteca Conde de Castro Guimarães, em Cascais, não foi admitido." (...) "Fernando Pessoa, sobretudo nos últimos anos, bebia muito, embora não se embriagasse. Beber é uma forma de fuga e o grande poeta foi, toda a sua vida, um homem infeliz", sublinha António Quadros na obra citada, publicada pela Arcádia, em 1981.

Hoje em dia há muitos estudos sobre o poeta, a sua biografia, livros, e até os inéditos que deixou numa célebre "arca". Tudo isto está acessível na instituição que entretanto se criou - A Casa Fernando Pessoa (CFP), inaugurada em 1993, na Rua Coelho da Rocha, Lisboa.
Para assinalar os 80 anos sobre a morte de Pessoa, a CFP promove, hoje, (segunda-feira, dia 30) um "programa de memória e escrita, recriação e leitura". Às 19h00, no São Luiz Teatro Municipal , João Grosso interpreta Ode Marítima de Álvaro de Campos. Mais tarde, às 21h30, no Teatro da Cornucópia, Luís Miguel Cintra, com Guilherme Gomes, José Manuel Mendes e Luísa Cruz, apresenta "A nossa natural angústia de pensar": Fernando Pessoa e as marcas que deixou na poesia portuguesa. Ao longo de todo o dia a visita à CFP será de entrada livre e, às 15h, haverá uma visita guiada.

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo"
(Fernando Pessoa no poema Tabacaria)
Video (50') > https://www.youtube.com/watch?v=3b2Q_DJDMho
O Coro da Catedral do Funchal, fundado em 2003, acaba de completar doze anos de existência. Sob a direcção do maestro João Víctor Costa, o Coro da Catedral tem tido uma ascensão sólida e metódica, interpretando músicas que vão desde a música sacra, clássica à música tradicional portuguesa. De entre o repertório musical destacam-se as músicas inéditas criadas por este coro. Ao longo dos anos, o Coro da Catedral têm participado em vários eventos cujas actuações colocam-no no nível musical superior da região e do país.
O coro da Catedral é formado por coralistas mistos, entre tenores, sopranos, contraltos e baixos. O maestro Víctor Costa (nasceu em 1939) depois de ter concluído o curso de música e de piano na Academia de Belas Artes da Madeira, continuou os estudos no Conservatório Superior de Munique, Salzburgo e Viena. Para além de cantor, tem-se dedicado à composição, tendo sido admitido na Sociedade de Compositores Alemães. Desde 1980, depois de 16 anos a viver na Alemanha, fixa-se em Portugal. É autor da música do Hino da Madeira.

- Um português nunca se chateia, apenas “fica com os azeites”.
- Um português não se irrita, ele “vai aos arames”
- Um português não é descarado, ele “tem lata”.
- Um português não morre, ele “estica o pernil”.
- Um português não se faz de surdo, ele “faz orelhas moucas”.
- Um português não diz que está tudo suspenso por tempo indeterminado, ele diz que "ficou tudo em águas de bacalhau”.
- Um português não diz “É indiferente para mim”, ele diz “não me aquece nem arrefece”.
- Um português não passou por situações difíceis, ele “passou as passas do Algarve”.
(In facebook)
A expressão “fio da meada” está relacionada com a era da "Revolução Industrial" (século XIX), quando a manipulação dos tecidos passou a ser feita por máquinas... Mas, associa-se também a algo que se quer deter, afirmar, convencer, com o propósito de fazer bem feito o que tem de ser, sem manipulações que possam destruir a veracidade e oportunidade dos factos.

Mais do que jogos de palavras, esta expressão pode ainda traduzir de uma forma simples, mas não simplista, o importante da mensagem, do relato ou da explicação que se pretende dar a algum momento sujeito a uma certa confusão ou dispersão. Então, é preciso não perder "o fio da meada", sem mais nem menos, com a clarividência que a situação exige.
Esta expressão, pensamos, pode muito bem ser usada no actual contexto da política portuguesa, agora com um novo governo, sinónimo de mudanças e de novas decisões... Mas, lá está! Não se pode perder "o fio da meada", sob pena de causar estragos na feitura do "tecido", neste caso "tecido social, económico, educacional, cultural..."
As "máquinas" são outras, mas o tratamento da "meada" (leia-se progresso, acção, desenvolvimento, decisões pelo bem-comum) exige cuidados e respeito. Afinal, como escreveu José Régio, num dos seus célebres poemas:

"Quando eu nasci, / ficou tudo como estava, / Nem homens cortaram veias, / nem o Sol escureceu, / nem houve Estrelas a mais… / Somente, / esquecida das dores, / a minha Mãe sorriu e agradeceu./ Quando eu nasci, / não houve nada de novo / senão eu. (...)".
Ou ainda, como opinou Fernando Pessoa, na Mensagem (sobre os Colombos): "Outros haverão de ter/ O que houvermos de perder. Outros poderão achar / O que, no nosso encontrar, / Foi achado, ou não achado, / Segundo o destino dado."
Tudo não passa de uma caminhada, começada por uns, prosseguida por outros tantos..., até à meta final. Importa não voltar para trás ou perder tempo, o "fio à meada"...

Hoje, amanhã e domingo, o FADO no seu expoente máximo.

Paulo Portas... abandalhou. Lê-se no rodapé da TV. De costas voltadas para Passos Coelho, a imagem parece confirmar. O "já" é que virá fora de tempo. Um linguar para a verdade de forma irrevogável. Ou será apenas mais um lapsus linguae televisivo!?
Foram até vários Prémios Nobel a confirmar estar errada a política imposta a Portugal pelos poderes financeiros internacionais, errada porque de menos moeda em circulação, de contracção da Economia e de mais desemprego, críticas que sempre subscrevi. (Alberto João Jardim, sobre o ex-governo PSD/CDS-PP).
Projetos políticos monopolizadores
As questões colocadas à volta do "racismo" e do preconceito "étnico" na Europa são alvo de um estudo "monumental", exaustivo e competente interpretação histórica, da autoria do professor português Francisco Bethencourt. A sua investigação neste campo está agora ao alcance dos interessados através do livro "Racismos - das Cruzadas ao século XX", publicado pela Temas e Debates-Círculo Leitores.

O autor demonstra que "não existe uma tradição contínua de racismo no Ocidente e revela que o racismo precedeu quaisquer teorias de raça e que deve ser visto sob o prisma e no contexto das hierarquias sociais e das condições locais. Defende que, nas suas diferentes facetas, todo o racismo foi desencadeado por projetos políticos que monopolizavam recursos económicos e sociais específicos."
Ou seja, de acordo com certos interesses e conveniências, aliás, como sempre aconteceu na caminhada da humanidade e ainda hoje. Por exemplo, revela o autor que a meados do século XIX: "Vários países deram voz à oposição à integração das comunidades judaicas, algo fomentado pela presença cada vez mais bem-sucedida de judeus na educação, nos negócios e na política."

Francisco Bethencourt é titular da cátedra Charles Boxer de História no King's College de Londres. É autor de História das Inquisições – Portugal, Espanha e Itália e coordenador de História da Expansão Portuguesa (com Kirti Chaudhuri, 5 volumes). Foi diretor do Centro Cultural Gulbenkian em Paris (1999-2004) e da Biblioteca Nacional de Portugal (1996-1998).
Um dos lados do debate global
Em tempo de guerra aspira-se à paz, mas é durante o tempo de tréguas que se prepara a guerra, costuma-se dizer. As armas podem ser materiais, morais ou feitas de entendimentos permanentes, com o diálogo e a convivência dos povos acima de todos os interesses particulares.
O humanismo, ligado aos direitos e deveres, às declarações e acordos oficiais, deve ser palavra de honra, numa relação mútua que torna todos dependentes uns dos outros. Esta convicção foi expressa, por exemplo, por Edward Said (1935-2003), o autor da obra "Orientalismo", e que se fosse vivo teria feito este mês (a 1 de Novembro) 80 anos. Nasceu na Palestina, concretamente em Jerusalém, mas cedo partiu com a família para o exílio (Egipto e Líbano), aquando o estabelecimento de Estado de Israel (1948).

Aos 17 anos, partiu para os Estados Unidos da América, onde se formou e doutorou em Literaturas, assumiu a "causa palestiniana" e começou a publicar vários títulos sobre questões do Islão, do discurso colonialista, entre outros, sem ressentimentos ou rancores do passado. O seu pensamento ampliou-se para além das fronteiras físicas, marcadas por interesses imperialistas ou ódios ancestrais.
Na sua obra mais divulgada em todo o mundo - "Orientalismo", defende por exemplo que "o fundamental é que a luta pela igualdade Palestina /Israel seja conduzida em direcção a um objectivo humanista, ou seja, à coexistência, e não mais supressões e recusas." Também tece críticas a intromissões externas:
"A reflexão, o debate, a argumentação racional, o princípio moral que se baseia numa noção secular segundo a qual os seres humanos devem criar a sua própria história, tudo isto foi substituído por ideias abstractas que celebram a excepcionalidade americana ou ocidental, denigrem a relevância do contexto, e olham para as outras culturas com um desprezo escarnecedor. (...) Este é um dos lados do debate global"...
Nesta hora, de tantos receios por parte dos governos e das populações na Europa face ao avanço do "terrorismo", talvez seja útil ouvir grandes personalidades como Edward Said que, em "Orientalismo", propôs "um novo modo de conceber as separações e os conflitos que estimularam gerações de hostilidade, guerra e controle imperial".
"A Casa das Sombras e Outras Histórias" é o título do mais recente livro da escritora Ana Teresa Pereira, publicado pela Relógio D'Água. São cinco histórias, escritas em 1991 e 1992 - "A Casa dos Penhascos", "A Casa da Areia", "A Casa dos Pássaros", "A Casa das Sombras" e "A Casa do Nevoeiro", reunidas pela autora e que reafirmam a sua grande capacidade para a criação de "geografias humanas e físicas", num estilo desafiante para o leitor.
Ana Teresa Pereira nasceu, em 1958, no Funchal, onde vive. Publicou o primeiro livro em 1989, "Matar a Imagem", com o qual ganhou o Prémio Caminho Policial. Em 2005, a obra "Se nos Encontrarmos de Novo" foi distinguida com o prémio literário atribuído pelo P.E.N. Clube português, na categoria Ficção. Em 2006, venceu o Prémio Literário Edmundo Bettencourt, instituído pela Câmara Municipal do Funchal, com a obra "A Neve". O mesmo prémio, voltou a receber, em 2010, com "A Outra".
Em 2007, a obra "A Neve" voltou a ser distinguida com o Prémio Máxima de Literatura. Recebeu ainda, em 2012, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores com o livro "O Lago".
Tem mais de duas dezenas de títulos publicados e a sua notoriedade também se faz sentir através de crónicas nalguns jornais e revistas.
O Papa Francisco inicia, esta quarta-feira (25 de Novembro), a sua primeira visita a África e, até domingo, passará pelo Quénia, o Uganda e a República Centro-Africana. É a 11ª viagem apostólica do seu pontificado.

A primeira etapa é Nairobi, a capital do Quénia. Este país tem cerca de 43 milhões de habitantes, 80 por cento dos quais cristãos (32,3% são católicos e 47,7% protestantes), situa-se na África Oriental e faz fronteiras com o Sudão, a Etiópia, a Somália e o Uganda.
O seu território estende-se por mais de 580 mil quilómetros e, além do Lago Turkana e de outros pequenos lagos no chamado Rift Valley, possui ainda o Monte Quénia, com 5.199m de altitude, o segundo ponto mais alto da África, depois do Klimandjaro (Tanzânia), e que, em 1997, foi inscrito pela UNESCO na lista do património da Humanidade.
O Quénia, ex-colónia britânica, tornou-se independente, em 1963, sob a liderança de Jomo Kenyatta, mas as primeiras cidades do país terão sido fundadas pelos árabes que iniciaram a partir do século XII intensas relações comercias com a população local. Na altura os portugueses também ocuparam algumas zonas costeiras, mas os europeus não conseguiram impor-se ao domínio islâmico, isso só veio a acontecer em finais do século XIX.

Do ponto de vista económico é de salientar que o Quénia é um dos maiores exportadores mundiais de chá e de flores, nomeadamente rosas. O turismo é também um dos pilares da economia do país.
O Papa João Paulo II visitou este país três vezes: em 1980, 1985 (por ocasião do Congresso Eucarístico Internacional) e depois em 1995 para a entrega da Exortação Apostólica pós-sinodal, “Ecclesia in África” .
Mas, a primeira viagem de um Papa a África foi a de Paulo VI ao Uganda, em 1969; João Paulo II esteve ainda em mais de 40 países africanos e Bento XVI visitou três países: Angola, Benim e Camarões.
Grupo coral católico africano > https://www.youtube.com/watch?v=-9N9s4d0sX0
D. Maurílio de Gouveia, Arcebispo Emérito de Évora, vai apresentar amanhã, dia 26, no auditório da Colégio de Apresentação de Maria, no Funchal, o seu novo livro "Uma Comunidade de Cristãos - A Paróquia na missão da Igreja". Uma obra destinada a homenagear os párocos e as instituições paroquiais, ao mesmo tempo que sublinha a importância destas comunidades no nosso tempo.

D. Maurílio (Jorge Quintal) de Gouveia nasceu em 1932, em Santa Luzia (Funchal). Licenciado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma) e pós-graduado em Teologia Pastoral pela Universidade Lateranense (Roma).
Foi professor de Teologia (1970-1973) no Seminário Maior do Funchal, Bispo auxiliar de Lisboa, entre 1974 e 1981, e Arcebispo de Évora, desde 1981 a 2008. Da sua biografia constam ainda os cargos de diretor do Jornal da Madeira e presidente da Comissão Episcopal Portuguesa do Apostolado dos Leigos e da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais.
Entrevista > https://www.youtube.com/watch?v=jphV7SGDhhk
![]()
> As primeiras décadas do próximo milénio (XXI) serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas.
Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir".
.
Natália Correia (1923-1993), natural dos Açores, escritora/poetisa, deputada à Assembleia da República. Autora da letra do Hino dos Açores. Em 1992, com José Saramago, Manuel da Fonseca, Urbano Tavares Rodrigues e Armindo Magalhães, fundou a FNDC (Frente Nacional para a Defesa da Cultura). A biblioteca Natália Correia está em Carnide (Lisboa).
Hino dos Açores > https://www.youtube.com/watch?v=6MtL3_AEC_E
O homem pula e avança
Hoje é dia de dar os parabéns a António Gedeão, pelo seu nascimento e também pela singular poesia que produziu, poemas e versos que continuam a soar aos nossos ouvidos como uma melodia invulgar.

António Gedeão, (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho), nasceu em Lisboa, 24 de Novembro de 1906 e faleceu na mesma cidade em 1997. A sua vida profissional resumiu-se ao ensino secundário como professor de Físico-Química nos Liceus Pedro Nunes e Liceu Camões; mas notabilizou-se também como pedagogo, investigador e divulgador da História da Ciência em Portugal, de tal modo que o dia do seu nascimento foi adoptado como Dia Nacional da Cultura Científica.
A par da docência e da investigação, Rómulo de Carvalho foi poeta, sob o pseudónimo de António Gedeão, tendo publicado o seu primeiro livro aos 50 anos de idade - Movimento Perpétuo (1956), seguindo-se Teatro do Mundo, em 1958 e Máquina do Fogo, em 1961... Quem não se recorda, por exemplo, do poema "Pedra Filosofal", depois cantado por Manuel Freire.
Eles não sabem que o sonho / é uma constante da vida
tão concreta e definida / como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta / em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso / em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos / que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam / em bebedeiras de azul.
(...)
Outros dos seus poemas foram também divulgados através da música, nomeadamente "Calçada de Carriche", "Fala do Homem Nascido" e "Lágrima de Preta", com grande sucesso.
Apesar de aparecer tão tarde e "escondido", António Gedeão, na opinião abalizada de Jorge de Sena: > Constituiu uma «novidade» sobre a qual todos se lançaram vorazmente. Ali estava um poeta novo e diferente, quando os outros, porque vinham existindo, se pareciam todos mais ou menos consigo próprios.(…)
Assim apreciou-se, neste poeta, como novo, aquilo que ele afinal partilhava com muitos dos seus companheiros de idade, qual era um subtil compromisso entre a libertação modernista e os esquemas tradicionais(…).
A grande novidade era um visão do mundo, em termos de cultura científica actual, coisa que sempre fora de bom tom literário que as pessoas escondessem, se acaso possuíam algo de semelhante.(…)

O tremendo mal do nosso tempo, que é a cisão entre uma cultura literária que se pretende largamente humanística e é apenas uma forma organizada de ignorância do mundo em que vivemos, e uma cultura científica que não sabe sequer da existência dos valores estéticos que dão humano sentido à vida, esse mal não favorece o entendimento de um poeta como António Gedeão."
O poeta nasce todos os dias, as suas palavras indicam o tempo da eternidade, porque: (…) o sonho comanda a vida, / sempre que um homem sonha, / o mundo pula e avança…" (António Gedeão, Pedra Filosofal).

Em Portugal, não há direita, não há esquerda, nem há centro, há um grupo de salafrários (1) que se alternam nos governos. Para ver quem rouba mais. (José Saramago, 1922-2010, Nobel da Literatura, em 1998)
(1) homens reles, patifes, biltres, de origem obscura.
É oportuno ler este livro:
Jihadismo Global - Das Palavras aos Actos -
Al-Qaeda, Estado Islâmico e o Império do Terror
É oportuno ler este livro baseado na tese de doutoramento que o autor apresentou no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, em 2013. Felipe Pathé Duarte (nasceu em 1980) é um especialista nestas matérias, desempenha neste momento cargos de referência em instituições nacionais e internacionais de relevo e é orador convidado em vários cursos de formação.
O medo, o terror, a suspeita, a perseguição e a tecnologia mais sofisticada dão nome às novas guerras que hoje em dia vão aparecendo por toda a parte, à escala global, em parte devido ao "terrorismo" e aos "atentados" como há pouco aconteceu em Paris, e ainda ontem mobilizou forças policiais e militares no centro de Bruxelas, numa grande operação de "caça ao homem"...
É o nosso mundo, caraterizado por tanto poder, mas, ao mesmo tempo, frágil e a viver em crescente ansiedade quanto ao futuro do próprio planeta, casa comum para milhões de habitantes, mas onde reside muita insegurança...
A este propósito, sugerimos a leitura de uma obra de investigação, um livro que tem por título "Jihadismo Global - Das Palavras aos Actos - Al-Qaeda, Estado Islâmico e o Império do Terror", da autoria do português Felipe Pathé Duarte.
Numa prosa objetiva e muito acessível, o autor explica as raízes e as origens dos "tormentos" que estamos a viver, a partir das "principais estruturas" do chamado "jihadismo global - Al-Qaeda e Daesh (leia-se Estado Islâmico)". Assim, ficamos a saber que aqueles "são actores não-estatais. O tipo de guerra que privilegiam é o subversivo. As tácticas operacionais, cuja aplicação depende do teatro de operações, são o terrorismo, a insurreição e a guerra de guerrilha."
As suas actuações visam conseguir um "domínio territorial, juntamente com um protagonismo crescente dos media e das redes sociais do ciberespaço". Além disso, "a violência jihadista pode ser lida não só como instrumental, mas também como expressiva. Estando latente o sentimento de injustiça no mundo muçulmano e o subsequente ódio antiocidental (porque causador de tal condição), a violência, sublimação do rancor, surge como contrapeso e como forma de protesto de uma identidade que se sente injuriada".
Se, como dizia Claausewitz, " a guerra é continuação da política , mas por outros meios", então vemos na "violência " uma "função específica". Ou seja: "Há no jihadismo global uma noção doutrinal, ideológica e político-pragmática que conduz a um determinado tipo de acção".
Video > http://rr.sapo.pt/video/84913/paris_longos_dias_de_terror
Um peregrino da cultura portuguesa
No próximo dia 28, irá realizar-se na Universidade de Oxford (Inglaterra) um colóquio sobre a obra de Helder Macedo, em parceria com a Universidade de Coimbra. O evento visa assinalar o aniversário natalício do escritor e professor universitário, que fará 80 anos, no dia 30, por sinal a data em que também se lembra a morte do poeta Fernando Pessoa (30 de Novembro de 1935); e insere-se ainda na publicação de dois novos livros deste autor sénior, apresentados recentemente em Lisboa: "Romance", um longo poema e uma narrativa onde se cruzam várias vivências, "memórias, mitos, despojos de guerra no exílio da vida, ecos bucólicos de Bernardim Ribeiro, autoestradas nos subúrbios das cidades sitiadas e amores tão antigos como o tempo do mundo"; e "Resta ainda a face", uma antologia de 32 poemas.
Especialista em Cesário Verde, Bernardim Ribeiro e Camões, Hélder Macedo é Professor Emeritus do King´s College na Universidade de Londres, onde foi titular da Cátedra Camões, até 2004; Professor visitante da Universidade de Harvard e de Universidades em França, Espanha e no Brasil; antigo diretor geral das Artes do Espectáculo, em 1975, e Secretário de Estado da Cultura, entre 1979 a 1980, no Governo de Lurdes Pintasilgo, é um reconhecido poeta, romancista e ensaísta, membro da Academia de Ciências de Lisboa e do King's College, e recebeu até agora muitas distinções.
O itinerário da sua vida, quase de peregrino, evoca etapas de grande importância para a cultura portuguesa, referências únicas que ainda hoje estabelecem pontes entre o passado (clássico) e o presente (moderno). Nasceu na África do Sul, viveu em Moçambique até aos doze anos e em Portugal, até 1959, onde chegou a frequentar a Faculdade de Direito de Lisboa.
O primeiro livro que publicou foi de poesia - Vesperal (1957), e logo foi saudado por Jorge de Sena como sendo dos «mais perfeitos que por esse tempo se publicaram», denotando «um equilíbrio refinado» e um «notável domínio da expressão e do ritmo». Ainda nessa época, fez parte do movimento Grupo do Café Gelo, uma tertúlia de intelectuais, com Herberto Hélder, entre outros.
A participação nessa tertúlia sugeria uma atitude de oposição ao antigo regime político e, como tal, foi censurado, perseguido e preso, acabando por exilar-se em Inglaterra. Foi colaborador regular da BBC, de 1960 a 1971. Licenciou-se em Literatura e História e doutorou-se em Letras na Universidade de Londres. A par da publicação de livros, atualmente, Hélder Macedo é muito solicitado para dar conferências e escreve crónicas no Jornal de Letras (JL).
Numa breve autobiografia, publicada no JL, disse que escrevia "poesia para se conhecer e prosa para compreender os outros. A minha curiosidade incide agora mais sobre os outros do que sobre mim próprio. Estou mais interessado em modos diferentes de ser do que em quem sou. Daqui a nada vou morrer, já vivi muito, gosto de ter vivido muito e de ainda estar vivo, de modo que o melhor é aproveitar o pouco tempo que me sobra para imaginar tantas vidas que não são minhas quantas ainda possam caber na minha vida.
Não para ser quem não sou, repare. A minha loucura não vai a esse ponto. Isso é com o Fernando Pessoa. Pelo contrário, esta é a minha saúde mental, direi mesmo que é a minha juventude de quase 80 anos. Quando era jovem, como todos os jovens, gostava de imaginar quem iria ser. Agora gosto de imaginar quem não sou."
Indignidade política, desleixo e confusão
Eça agora!, é o que nos sugere neste momento o aniversário natalício deste grande romancista português, nascido a 25 de Novembro de 1845, na Póvoa de Varzim. O escritor e diplomata José Maria Eça de Queiroz, autor de "Os Maias", "A Ilustre Casa de Ramires", "A Cidade e as Serras", entre tantos outros títulos, é uma figura incontornável do nosso passado literário, com lições indispensáveis para o nosso tempo, ao nível do escrever bem, do estilo narrativo e do vocabulário realista.

Eça agora!, esta expressão incentiva-nos ainda à cuidada observação dos acontecimentos, com uma crítica oportuna e denunciadora de malabarismos, quer ao nível social, político e mesmo no campo das artes. Basta reler, neste caso, as famosas "Farpas", escritas pelo autor do "Crime do Padre Amaro" e Ramalho Ortigão, no ano de 1871, na sequência das Conferências do Casino; crónicas mensais publicadas em fascículos, com uma admirável caricatura da sociedade de então, fina ironia, espírito satírico e tom humorístico.
Nada escapava à pontaria das "Farpas", desde o ambiente partidário, governamental, passando pelos setores da cultura e da economia, até à religião. Podemos dizer que as "Farpas" protagonizaram um novo conceito de jornalismo, de ideias, e de crítica social. Era esse o caminho que se pretendia fazer para um mais rápido desenvolvimento mental do país.

Eça agora!, quanta atualidade podemos reivindicar a partir daqui!
"Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão.
Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte" (Eça de Queirós, in Farpas (1872). Sem mais comentários.
Eça morreu em Agosto de 1900, na sua casa de Neuilly-sur-Seine, perto de Paris, aos 55 anos... A sua obra literária e o seu trabalho como diplomata em vários países falam por si e colocam-no entre os melhores prosadores de todos os tempos.
Eça agora!

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS