A questão da liberdade religiosa
Foi apresentado no Funchal, esta segunda-feira, o livro "A Igreja Católica e o nacionalismo do Estado Novo", da autoria do historiador Gabriel de Jesus Pita. A obra resulta de uma tese de mestrado em História Contemporânea defendida, em 1995, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
A cerimónia de apresentação decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal, contou com a presença de muito público e a intervenção de várias entidades: Prof. José Eduardo Franco, Prof.ª Cristina Trindade e dr. Maurício Marques, personalidades ligadas ao projeto "Aprender a Madeira - Dicionário de História da Madeira", através da Agência de Promoção da Cultura Atlântica, atualmente em elaboração com cerca de 500 colaboradores; e ainda o presidente da autarquia, Paulo Cafôfo, no encerramento da sessão.
Nesta obra, publicada pela Esfera do Caos Editores, temos "um estudo aprofundado sobre a temática das relações entre a Igreja Católica e o Estado Novo, o autor adopta uma abordagem inovadora porque focalizada no cerne da ideologia salazarista, o nacionalismo, assim como no confronto entre a doutrina católica, tal como definida e divulgada nos pontificados de Pio XI e Pio XII, e o pensamento e prática política do salazarismo, analisando-se ainda o posicionamento específico da Igreja Católica portuguesa, colocada numa posição de difícil conciliação.
A questão da liberdade religiosa e do relacionamento entre o poder político e o poder religioso está hoje, indiscutivelmente, na ordem do dia. Sendo um importante contributo para a compreensão do que se passou durante o salazarismo neste domínio, este livro poderá também suscitar uma reflexão crítica sobre a situação actual, em Portugal e no mundo".
Gabriel de Jesus Pita, historiador e durante muitos anos professor do ensino secundário (entre 1978 e 2011), é natural da freguesia dos Canhas, concelho da Ponta do Sol (n. em 1950). Concluído o ensino secundário na Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, em 1968, foi funcionário público e empregado bancário antes de ingressar na Universidade de Lisboa, onde se licenciou em História, em 1980, e mais tarde fez o mestrado em História Contemporânea, onde continua a centrar o seu trabalho de investigador.

Colaborou na extinta revista Atlântico (Funchal), na Revista da Faculdade de Letras (Lisboa), na Lusitânia Sacra (Universidade Católica), na Islenha (Funchal), e em vários órgãos de comunicação social. Publicou: "História da Madeira", com a coordenação do historiador Alberto Vieira e em colaboração com Emanuel Janes e Abel Fernandes (2001); "A freguesia dos Canhas", um contributo para a sua História (2003); S. Tiago (Menor), o primeiro orago da paróquia dos Canhas (2007); Padre João Vieira Caetano, Notas Históricas e outras estórias da Ponta do Sol (2007) e A Freguesia dos Canhas, um olhar da História (2011). Colabora presentemente, com várias entradas, para o Dicionário Enciclopédico da Madeira, dirigido por José Eduardo Franco.
NB: Esta obra foi publicada em parceria com a APCA - Agência de Promoção da Cultura Atlântica, no âmbito do projeto ‘Aprender a Madeira – Dicionário de História da Madeira’, apoiado pelo programa "Intervir +".
Onde está o primado da pessoa humana?
INDIGNAI-VOS! A fabulosa história escrita por Stéphane Hessel, obra editada pela primeira vez em 2011, com cerca de cinco milhões de exemplares em todo o mundo, acorda mentalidades e fala de um povo indignado ante o rumo que algumas sociedades estão injustificadamente a seguir. Os eleitos, uma vez no poder, fazem dos eleitores o que bem entendem, põem e dispõem do bem público como se fossem donos daquilo que a todos pertence, descendentes e ascendentes.
Prometem mudanças mas quando chega a hora de mudar reagem como animais ferozes, selvagens saídos das profundezas das cavernas, e o povo indignado assiste à monstruosidade. Política à direita ou ao centro, centro-direita abastado, centro-esquerda a pobreza e o terror. Antagonismos do medo. O centro-direita lambuja, o centro-esquerda labora.
Liberdade de confissão, liberdade de expressão, liberdade de escolha, liberdade de viver. Frases, “paroles”. Só podemos aceitar a igualdade quando a todos forem dadas as mesmas possibilidades. No mundo actual, os pobres e ricos vivem como se fossem iguais, como cidadãos e como eleitores, quando na prática vivem em mundos sociais díspares e por vezes antagónicos, ética e moralmente.
As violações dos direitos fundamentais continuam a acontecer a todo o instante e a todos os níveis. A base da carta da Nações Unidas (ONU), ratificada em 24 de Outubro de 1945 (está a completar 70 anos) põe a tónica no primado da pessoa humana, na dignidade e na igualdade como refere a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Princípios de bem à espera de quem os façam cumprir. Ao centro, à direita ou à esquerda, o que todos desejam é mudança, já! A indignação é legítima.
Livro "INDIGNAI-VOS", recomenda-se.
Video > https://www.youtube.com/watch?v=oBlyQ_2qBG0
NB: Stéphane Hessel, nasceu, em Berlim, a 20 de Outubro de 1917 e faleceu, em Paris, a 27 de Fevereiro de 2013. Foi combatente da resistência francesa, diplomata e embaixador.
Nunca é tarde para aprender
“De que serve o dinheiro na mão do insensato? Para comprar a sabedoria? Ele não tem inteligência”. Esta afirmação é atribuída a um provérbio popular e pode-se aplicar ou adaptar a muitas circunstâncias. Em geral a sabedoria não se compra, nem se adquire de qualquer maneira, ela acompanha a vida toda e é fruto de muita vivência. No centro da sua existência destaca-se, pensamos nós, a "curiosidade", essa mola ou incentivo permanente que jamais se satisfaz e procura respostas para o "porquê" disto e daquilo, desde a mais tenra idade.
A "curiosidade" é como um ponto de interrogação que espreita o que queremos ser ou desejamos saber... Será melhor assim? Devo tomar esta decisão? Que sei eu? O que posso esperar? Tudo a fazer lembrar o pensamento desse grande filósofo alemão que foi Kant (século XVIII).
Neste ensejo, ainda a propósito das raízes da "sabedoria", apresenta-se "Uma História da Curiosidade", livro do conhecido escritor e ensaísta Alberto Manguel (n. 1948) que acaba de ser publicado em português pela “Tinta da China”.
Uma das convicções do autor é que “quem se contenta com as respostas são os mortos. Os vivos questionam-nas”.

Nesta obra, Manguel, com base no seu percurso pessoal e intelectual de busca e questionamento, propõe um diálogo, em que "interpela o leitor e alude a outras obras e a outras vidas de autores", como complemento de quem se move pela "curiosidade" inata, natural, mas também desenvolvida abundantemente ao longo da sua vida, com referências notáveis, inesgotáveis, inquietantes, quase como uma "viagem sem fim" que corajosamente protagonizamos nos sulcos e mares da vida.
Como refere ainda um outro ditado popular – “nunca é tarde para aprender”, “aprender até morrer” é o lema... Ou, como cita Manguel logo à entrada do livro, na introdução, há muitas palavras para nos exprimirmos minimamente, apesar das questões essenciais serem poucas: “No leito de morte, Gertrude Stein ergue a cabeça e perguntou: «Qual é a resposta?» Como ninguém falou, ela sorriu e disse: «Nesse caso, qual é a pergunta?»
Video (3') > https://www.youtube.com/watch?v=D35x5PxTdoU
NB: O escritor Alberto Manguel, nasceu em 1948 (67 anos), em Buenos Aires (Argentina) mas hoje é uma cidadão canadiano. Viveu parte da sua infância em Israel e presentemente vive em França.
Direitos Humanos na ordem do dia
Numa altura em que a Europa é pacificamente invadida por milhares de asiáticos e africanos em fuga, devido à guerra nos seus países, tudo quanto possa ser feito em prol das populações indefesas é digno de galardão. Por conseguinte, não constitui surpresa o facto do "Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia" ser distinguido com o “Nobel da Paz de 2015”, pela sua "contribuição para a construção de uma democracia pluralista no país durante a revolução de 2011", anunciou o comité do prestigiado Prémio, em Estocolmo, na Suécia.
O Quarteto foi formado, em 2013, por várias entidades - a União Geral Tunisiana do Trabalho (sindicato de trabalhadores), a União Tunisiana da Indústria, do Comércio e do Artesanato (patronato), a Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia e a Liga Tunisiana dos Direitos Humanos, quando o processo de democratização do país corria sérios riscos de colapsar após assassinatos e protestos que se espalharem pelo país.
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O comité do Nobel considera que o Quarteto “estabeleceu uma alternativa, um processo político pacífico num período em que país estava à beira de uma guerra civil”, e foi “instrumental ao permitir que a Tunísia, num espaço de alguns anos, estabelecesse um sistema de governo constitucional.”
Mais, a sua formação garantiu “direitos fundamentais para toda a população, sem distinção de género, convicção política ou religião", tendo o Quarteto desempenhado a importante tarefa de "mediador e força motriz para promover o desenvolvimento democrático pacífico na Tunísia com grande autoridade moral", permitindo assim a realização de eleições democráticas em Dezembro de 2014.
Recorde-se que a Tunísia foi atingida, em 2011, pela "Revolução de Jasmim", que levou à queda do presidente Ben Ali, que ocupava o cargo desde 1987, em regime autoritário, mas as manifestações e protestos registados naquele ano foram reprimidas violentamente.
Com o Nobel da Paz deste ano, ressaltam os especialistas, pretende-se chamar a atenção para os esforços e iniciativas a favor da paz no grupo dos países que passam por transições difíceis a favor da democracia.
Em 2014, os vencedores do Nobel da Paz foram o indiano Kailash Satyarthi e a jovem paquistanesa Malala Yousafzay, "pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação". Em 2013, foi atribuído à Organização para a Proibição das Armas Químicas, entidade que supervisiona a destruição do arsenal químico na Síria, um país que infelizmente continua em guerra, com milhares de refugiados a chegarem à Europa.
No fundo, agradece-se que
não haja grandes governantes
Agustina Bessa-Luís, a escritora de que pouco se fala ou lê nos nossos dias, acaba de completar 93 anos de idade: nasceu em Vila Meã, Amarante, a 15 de Outubro de 1922. Considerada discípula de Camilo Castelo Branco, a sua escrita radica nos melhores alicerces da língua portuguesa. Estreou-se com o romance "Mundo Fechado" (1948), mas foi com outro romance, "A Sibila" (1954) que se afirmou como uma das autoras mais inovadoras da ficção portuguesa de todos os tempos. Na opinião do ensaísta António José Saraiva, Agustina será «com Fernando Pessoa a segunda revelação, o segundo milagre do século XX português, e será reconhecida quando, com a distância, se puder medir toda a sua estatura, como a contribuição mais original da língua portuguesa para a literatura mundial, ao lado do brasileiro Guimarães Rosa».

Além de escrever livros, Agustina Bessa-Luís desempenhou o cargo de directora do diário "O Primeiro de Janeiro" (Porto), assumiu a direcção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.
É membro de várias instituições e entidades culturais e cívicas. Muitas das suas obras foram traduzidas em vários países e algumas foram adaptadas ao cinema por Manoel de Oliveira, como “Francisca”, “Vale Abraão” e “As Terras de Risco”. Recebeu diversos prémios, com destaque para o "Prémio Camões" (em 2004), considerado o mais importante prémio literário da língua portuguesa.

Nos seus pensamentos e aforismos sobre a realidade concreta do viver humano, em particular em relação ao modo de governar em geral, escreveu: «No fundo, agradece-se que não haja grandes governantes; eles trazem a ordem, portanto a proibição de escolha a uma consciência em estado de profunda reprovação. Um governante iluminado causa mais males do que duzentos que estejam pouco empenhados na felicidade humana».
Música > https://www.youtube.com/watch?v=V1bFr2SWP1I&feature=related
Museu de Arte Contemporânea da Madeira
Como a montagem de um "puzzle", os museus recolhem as peças da memória histórica, identificadoras de um povo e lugar, são motivo de estudo e objeto de visitas permanentes. Neste campo, Portugal é dos países europeus mais promissores, com museus antigos, modernos e ao ar livre, como o Museu Natural de Foz Coa.

Na Madeira, destaca-se o Museu de Arte Contemporânea, agora a ocupar um novo espaço, deixou a Fortaleza de São Tiago (onde estava desde 1992), no Funchal, para fixar-se no moderno edifício "Casa das Mudas", na Calheta. A coleção de arte contemporânea da Madeira tem perto de 400 peças, com um naipe de 100 artistas plásticos. A área de exposição tem 1.811 metros, 9 salas distribuídas por 3 pisos, um auditório com 191 lugares, um centro de documentação para estudo da arte contemporânea portuguesa, serviço educativo e outras estruturas de apoio.

A "Casa das Mudas" fica a cerca de 35 kms da capital madeirense e é um projecto da autoria do arquiteto Paulo David, premiado a nível internacional, e está construída numa antiga propriedade solarenga, sobranceira ao mar, que tem as condições ideais, e foi pensado de raiz com cariz museológico, estando perfeitamente integrado na paisagem. O Museu de Arte Contemporânea da Madeira dispõe de um acervo único. Recomenda-se.
Quem somos, donde vimos, para onde vamos?
A realidade humana perante o universo ainda desconhecido é tão apelativa e ao mesmo tempo inquietante, de tal modo somos sempre desafiados a ser e a fazer mais. Quase não há barreiras e fronteiras para a dimensão que se pretende em cada época, por mais progresso ou desenvolvimento registado. Daí que a afirmação "quando o mundo era pequeno", não esteja apenas relacionada com o passado, antes, é do "aqui" e "agora", sem preconceitos ou receios de cair em paradoxos. Também "o que se disse ontem" talvez já não seja válido para o "hoje" da nossa existência, salvo a excepção quanto a princípios nucleares ou questões fundamentais, como perguntaram os sábios da Antiguidade - "quem somos, donde vimos, para onde vamos"?
Isto vem a propósito do lugar pouco considerado dos seniores ou senadores na sociedade actual... Quando se fala dos mais velhos ou idosos, pontifica o discurso do "politicamente correcto", com as reformas, as pensões, o lazer, a serem os temas que devem preferir e nada de discussões ou pareceres, porque o seu estatuto não lhes pemite... Será mesmo assim?
Se nos fixarmos no nosso "pequeno mundo", por certo ficaremos com "vistas curtas", a "memória" desfocada e os humores mais dados à "melancolia" e à "solidão"; e nada disto poderá acontecer enquanto se vive e garantimos a herança para os vindouros, porque o "mundo continua a ser pequeno" e precisa do contributo de todos. Um exemplo grandioso desta atitude e convicção é-nos dado pelo sénior Jean Guitton (1901-1999) que, até ao final da vida (morreu aos 98 anos), jamais abdicou do seu estatuto de pessoa mais velha face a outras idades e circunstâncias tão diferentes que viveu durante quase um século. O seu pensamento e obra ainda hoje são necessários para a compreensão da existência global, a nível pessoal e do universo em geral...

Até ao fim dos seus dias, Jean Guitton manteve uma intensa actividade intelectual; foi o discípulo dilecto do grande filósofo Henri Bergson; ensinou História e Filosofia; foi membro da Academia Francesa, entre muitas outras tarefas. A ousadia das suas posições, a riquíssima experiência humana de que foi testemunha, colocaram-no no número restrito dos Mestres que marcaram o século passado. Sigamos o seu exemplo.
Video (2') > https://www.youtube.com/watch?v=NRroK0oqzl0
As verdadeiras conquistas são
as que fazemos contra a ignorância
A história repete-se. Ainda que não se queira admitir, o mundo está parcialmente em guerra, os imperadores e os demónios do poder não foram extintos. Parar para recordar faz todo o sentido. Considerado um dos grandes generais e estratega militar de todos os tempos, só comparável a Alexandre Magno e César Augusto, por exemplo, Napoleão Bonaparte (1769-1821), o imperador francês que quis dominar a Europa e o mundo conhecido de então, nasceu vinte anos antes de eclodir a "Revolução Francesa".

No contexto das suas campanhas e invasões militares chegou a Portugal, nos inícios do século XIX, obrigando a família real portuguesa a estabelecer-se (refugiar-se) no Brasil, com todas as consequências que daí resultaram para o futuro o nosso País, como a própria independência do Brasil (1822) e a "Revolução Liberal" em Portugal (1820), entre muitos outros factos.
Entretanto, a História regista que no final das "guerras napoleónicas", e já a caminho do seu exílio na ilha de Santa Helena, Napoleão Bonaparte passou pelo Funchal, mas não saiu do barco em que viajava. No entanto, ainda foi obsequiado com honras de imperador, tendo-lhe sido oferecidos alguns livros, frutas frescas e uma pipa do melhor vinho da Madeira. Consta que não terá bebido esse vinho, por receio de morrer envenenado, e que após o seu falecimento, visto que a pipa não tinha sido aberta, os comerciantes do Funchal requisitaram para que fosse devolvida, o que veio a acontecer.

«As verdadeiras conquistas, as únicas de que nunca nos arrependemos, são aquelas que fazemos contra a ignorância», escreveu um dia Napoleão Bonaparte que queria levar a cultura e a civilização da "Revolução Francesa" a todo o mundo, ainda que com grande autoritarismo e poder despótico, como o episódio de se coroar a si próprio imperador, retirando das mãos do Papa o respetivo símbolo como era tradição. Também sofreu pesadas derrotas, como a batalha de Waterloo, com os ingleses. Mas deixou e instituiu obras notáveis no campo da administração pública, como o Código Comercial e o Código Penal, depois implementados nos vários países que pretendeu conquistar.
Portugal ausente na imprensa estrangeira
Depois do serviço público (eleições legislativas), o computador e toda a logística info-mental do ROINESXXI volta a estar inteiramente ao serviço dos seniores, razão de ser da sua existência. Cumprimos o nosso dever (informar com isenção), enfatizamos a prática democrática acima de todas as pretensões individuais e partidárias, os resultados finais e análises já saem fora da nossa esfera de informação. Confirmou-se, uma vez mais, o facto de Portugal ser dos países europeus com menos presença (notícias) na comunicação social estrangeira, uma ausência que acaba por ter influência no estar quotidiano português na Europa e no Mundo.
Nem as recentes eleições tiveram o devido destaque, nem a imprensa estrangeira reservou espaços sobre o antes, durante e o depois. Breves e curtos takes. Cristiano Ronaldo, 30 anos de idade, tem mais espaço noticioso (565 mil notícias em apenas seis meses, na imprensa internacional) que Portugal com cerca de 900 anos. Um país que se fecha ao exterior dificilmente consegue ter posição de igualdade e relevo na cena internacional. O cabisbaixo português roça o servilismo doentio que em nada contribui para a emancipação do país. Há que levantar a cabeça e promover a dignidade junto de todos. Os seniores portugueses não podem continuar a ser os mais "pobres e atrasados" da Europa. Seniores, juniores, juvenis, infantis, TODOS!
Um monumento ao sofrimento e coragem
A escritora bielorrussa Svetlana Alexievich é a vencedora deste ano (2015) do Nobel da Literatura, anunciou, há pouco, a Academia Sueca que justifica a atribuição do prémio pela "sua escrita polifónica, um monumento ao sofrimento e coragem nos nossos dias". Desta autora foi publicado este ano em Portugal (Porto Editora) o livro "O fim do homem soviético".

Trata-se de um reconhecimento com algum sabor político já que a Rússia, também, sobe ao palco internacional por via da cultura; os temas ligados à Rússia, aliás, têm sido suscitado muitos títulos nos últimos tempos, como por exemplo "O Meteorologista", livro de Olivier Rolin, que já abordámos aqui.
Além disso, o Nobel deste ano foi para uma mulher, coisa rara no historial deste famoso prémio, com mais de um século. Em 2014, o Prémio Nobel da Literatura foi atribuído ao escritor francês Patrick Modiano. José Saramago foi o único autor português premiado, até ao momento, faz hoje precisamente 17 anos (8 de Outubro de 1998).

Os galardoados com o prémio Nobel recebem um diploma, uma medalha de ouro e um prémio monetário no valor de quase 900 mil euros. Todos os prémios serão entregues a 10 de Dezembro, aniversário da morte do magnata sueco fundador do galardão, Alfred Nobel (1833-1896), químico e inventor da dinamite.
Testemunhos da nacionalidade
Assinala-se, hoje, 7 de Outubro, o Dia Nacional dos Castelos.Tem como objetivo promover iniciativas e atividades que visam a reflexão sobre o património fortificado e comemora-se desde 1984.
Convento de Cristo (Tomar)
"Os castelos são testemunhos da memória coletiva dos povos e representam uma importante referência arquitetónica, histórica, cultural e simbólica de um país". Portugal tem centenas de castelos e fortes, alguns deles reconhecidos pela UNESCO como Património da Humanidade, como é o caso do Convento de Cristo, em Tomar, e respetivo castelo que foi a sede da Ordem dos Templários, "os protetores da primeira capital do Reino de Portugal, Coimbra, e dos territórios reconquistados aos Árabes. Motivo pelo qual é uma das mais imponentes fortalezas militares de Portugal que seguia o conceito de “povoação-fortaleza”. Em meados do século XV, a Ordem dos Templários deu origem a Ordem de Cristo, cuja responsabilidade passou a ser a dinamização dos Descobrimentos à nível mundial.

Castelo de Guimarães
Entre os mais antigos, destaca-se o castelo de Guimarães, no distrito de Braga, ligado a D. Afonso Henriques, o 1º rei de Portugal. Em 1127, D. Afonso Henriques e as suas forças resistiram aí às forças de Afonso VII de Leão e Castela. No ano seguinte, mais precisamente em 24 de junho de 1128, D. Afonso Henriques venceu as forças da sua mãe, D. Teresa, dando assim origem ao novo reino, o reino de Portugal.
Não há mortes prematuras
"A morte não tem idade, nem hora, nem local. Morre-se, simplesmente", escreveu Percy Marros. Terá sido, à luz desta realidade, que faleceu, vítima de "ataque cardíaco", esta madrugada, Luís Miguel França, jornalista e ex-deputado socialista na Assembleia da República. Tinha 44 anos de idade, casado com Basília Pita, jornalista da RTP-M e pai de uma filha. Não há mortes prematuras nem o tempo de vida terrestre tem datas. Luís Miguel França, natural de São VIcente (Madeira) iniciou a carreira de jornalista no Posto Emissor do Funchal (PEF) donde transitou para a Rádio Jornal da Madeira (RJM) e daqui para RDP e RTP. Uma carreira auspiciosa e de reconhecido mérito.
A sua entrada na política trouxe algum revés. Numa região profundamente marcada pelo PSD, com um governo controlador, ser deputado pelo PS no parlamento da República, causou inevitáveis dissabores. Foi posto na prateleira da RTP, mal acabou o seu mandato na AR, as portas fecharam-se e foi no auge da sua carreira jornalística que viu o seu valor profissional desabar. Nâo há liberdade de ideais nem ideológicas, não há liberdade de expressão nem de opções, quando o jornalista apenas tem como peças de trabalho o seu talento e a sua capacidade. O jornalista neste Portugal democrático é tão vítima do poder político, de uma censura violenta e destruidora, como em muitos regimes ditatoriais, com raras excepções.
A morte de Luís Miguel França leva consigo outras mais mortes. A ilusão do jornalismo livre, a propriedade editorial, o condicionalismo maquilhado, a falsa questão do poder dos "media" servilistas do poder económico e político. Todos os dias há mortes invisivéis no jornalismo em Portugal e no mundo, sem recurso a defesa e sob pressões que ultrapassam os mínimos da sensatez. O diz-se e contradiz-se vem do topo à base como pedregulhos que esmagam tudo o que encontram pela frente. O jornalista morreu... chegou a sua vez. Paz eterna para, ti, Luís Miguel França. Condolências à família.
Há apenas um Nobel de Literatura portuguesa
Por estes dias, começam a ser anunciados os vários Prémio Nobel para distinguir a honra, a glória, o trabalho dedicado, a criatividade mais competente. A lista vai desde a área da Medicina - e ontem, dia 5, foi atribuído o primeiro Nobel deste ano a três investigadores no campo da parasitologia: William Campbell, da Universidade de Drew (Estados Unidos) e Satoshi Ōmura, investigador no Universidade de Kitasato (Japão), pela descoberta de uma nova terapia contra os parasitas que causam elefantíase e oncocercose; e ainda a Youyou Tu, membro da Academia Chinesa de Medicina Tradicional, pelas suas pesquisas contra a malária.

Outros Prémios em lista desde há muitos anos: o da Economia, da Física, da Química, da Paz; e o Nobel mais badalado, que permite algumas especulações, o da Literatura (deverá ser anunciado na próxima quinta-feira). Em 2014 este Prémio foi atribuído ao francês Patrick Modiano; e para este ano voltam a ser falados nomes de grande sucesso editorial, como o americano Philip Roth e o checo Milan Kundera. Mas, eles não não precisam do Nobel para serem famosos... assim como outros consagrados do passado, como foram os casos de Tolstoi, Henry James, James Joyce, Eça de Queirós, Guimarães Rosa, Jorge Luis Borges, Carlos Drummond de Andrade, Aquilino Ribeiro...
Algumas curiosidades sobre os Prémio Nobel:
> em 7 ocasiões o Nobel de Literatura não foi atribuído: 1914, 1918, 1935, 1940, 1941, 1942, e 1943;
> o inglês é a língua com mais Prémios Nobel de Literatura, 28. Segue-se o francês, com 14, o alemão, com 12, e o espanhol, com 11. Há apenas um Nobel de Literatura de língua portuguesa, José Saramago, em 1998;
> a primeira mulher a receber um Nobel foi a cientista francesa Madame Curie;
> Adolf Hitler foi indicado para o Prémio Nobel da Paz em 1939, por sinal, o início da II Guerra Mundial.


A realidade nua e crua
no meio de um mundo cínico
Assinala-se, neste mês de outubro, o centenário do nascimento e décimo aniversário da morte de Arthur Miller (1915-2005), dramaturgo norte-americano, autor de "Morte de Um Caixeiro-Viajante" e "As Feiticeiras de Salém". Filho de imigrantes judeus e polacos, Arthur Miller estudou jornalismo na Universidade de Michigan e tornou-se escritor de referência do teatro contemporâneo. É também famoso por ter sido casado com a atriz Marilyn Monroe (entre 1956 e 1961).Foi agraciado com o New York Drama Critics Award (duas vezes), o Prémio Pulitzer e o Prémio Príncipe das Astúrias.

Na obra "Morte Dum Caixeiro-Viajante", um enredo dramático escrito em 1949, mas com repercussões em qualquer tempo dado o tema que aborda - a busca de felicidade e a frustração no mundo em que se vive, Miller relata a vida de Willy Loman, um caixeiro-viajante que, já idoso, deseja dar tudo aos seus filhos, oferecer-lhes mais do que sabe e pode, e transmitir-lhes as esperanças que já não consegue concretizar..., mas apresenta-lhes a vida como uma filosofia de boas intenções e sonhos de grandeza, que se perderá no confronto com a realidade nua e crua, no meio de um mundo cínico.
Aclamada e premiada pela crítica, esta peça foi objeto de um filme, em 1985, com Dustin Hoffman (atualmente com 78 anos), como protagonista.
As perguntas do nosso tempo
As mudanças na sociedade civil, nas instituições e no mundo em geral acontecem em qualquer tempo, conforme os desafios, as questões e as necessidades colocadas a vários níveis. Nesta base, encontram-se o progresso e o bem estar dos povos, desde sempre. Nestas circunstâncias, salientam-se as inovações decididas, corajosas e, ao mesmo tempo, criadoras de certa polémica ou confrontos acesos contra os preconceitos, as ideias conformadas, a defesa exagerada dos dogmatismos. Basta lembrar que o que mais ficou registado na História da humanidade foi causa de atritos, abalos, guerras, conflitos de mentalidades.

Ontem, hoje e no futuro, nada de novo quanto a isto. E a realidade atual pode servir de prova, por exemplo, no que concerne a uma grande instituição como é a Igreja Católica, desde há dois anos para cá, com o pontificado de Francisco (eleito em março de 2013), o papa "pastor", "familiar", autor de "reformas" e ator de uma acentuada "ação" que não deixa ninguém indiferente. Veja-se o que foram as suas últimas viagens - a Cuba e aos EUA; e o que se propõe levar a cabo com a realização do Sínodo dos Bispos sobre a Família, já nos próximos dias, entre 4 e 25 de outubro.

Francisco surge como uma "pedrada no charco", um vento que "abana", uma "lufada de ar fresco", uma luz que faz "ver". As suas próprias palavras e gestos apontam para as "periferias", os "descartáveis", os "pobres" de todo o género. A sua mensagem é de "esperança", sendo apenas movida pelo Evangelho e pelos princípios da doutrina que continuam válidos para as "inquietações" ou as perguntas do nosso tempo.
Em relação ao tão anunciado Sínodo, será um grande acontecimento, que desperta também o interesse mundial, com a participação de mais de 400 pessoas, incluindo 34 mulheres, que vão debater o tema "A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo".
Esta temática foi preparada antecipadamente através de um inquérito feito às Conferências Episcopais, ou Igrejas locais em todo o mundo, e merece atenções especiais, por exemplo, em termos sociais, quanto a uma atitude de maior acolhimento face aos homossexuais, às dificuldades económicas que enfrentam hoje as famílias e afetam a natalidade; no capítulo doutrinal salienta-se a discussão sobre o casamento civil, os divorciados e o acesso à Comunhão dos recasados.

Em todos estes aspetos, o papa já manifestou publicamente as suas preocupações, nomeadamente com as ameaças “ideológicas” em relação à família, lembrando as “feridas” na vida dos casais, que exigem “misericórdia” da Igreja. Agora é esperar para ver os resultados que trarão algumas influências para a prática pastoral no futuro, sabendo-se de antemão que não existe consenso em todas as matérias.
Mas, uma coisa é certa: "nada ficará como dantes"; ou como escreveu Camões num dos seus sonetos (cantado por José Mário Branco): «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança: Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades. (...) .
Onde as palavras falham, a música fala
Celebra-se, hoje, 1 de outubro, o Dia Mundial da Música. A data foi instituída há 40 anos, em 1975, pelo International Music Council, fundado em 1949 pela UNESCO (Agência das Nações Unidas para a Educação e a Cultura). O objetivo desta efeméride é: "Promover a arte musical em todos os setores da sociedade; divulgar a diversidade musical; e concretizar os ideais da UNESCO como a paz e amizade entre as pessoas, a evolução das culturas e a troca de experiências.

Neste mesmo dia, mas do ano de 1833, morria em Lisboa a cantora lírica portuguesa Luísa Todi. Natural de Setúbal (n. 9 de janeiro de 1753), Luísa (Rosa de Aguiar) Todi, era filha de um professor de música e instrumentista, tendo casado com um violinista Nápoles e seu grande admirador, Francesco Saverio Todi que lhe deu o apelido e a incentivou a aprender canto com os músicos mais conceituados da época, abrindo-lhe portas para uma carreira internacional.
Estreou-se em 1771 na corte portuguesa de D. Maria I e atuou em todas as cortes da Europa. Brilhou nos mais afamados palcos do seu tempo, em Paris, Turim, Berlim, Bona (onde Beethoven a terá ouvido)...; cantou na Áustria, na Rússia (em São Petersburgo, entre 1784 a 1788) para a corte de Catarina II, foi convidada por Frederico Guilherme II da Prússia (de 1787 a 1789) que lhe deu aposentos no Palácio real, entre outras mordomias e um contrato fabuloso... Por onde passou, Luísa Todi deixou a marca de ser uma das melhores cantoras líricas de todos os tempos.
Foi conterrânea e contemporânea de um grande nome da literatura portuguesa, Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805).

Frases sobre Música:
> A vida, sem música, seria um erro. (Friedrich Nietzsche)
> A música pode mudar o mundo porque pode mudar as pessoas. (Bono)
> Onde as palavras falham, a música fala. (Hans Christian Andersen)
> O homem que não tem a música dentro de si e que não se emociona com um concerto de doces acordes é capaz de traições, de conjuras e de rapinas. (William Shakespeare)
> A vida é como a música. Deve ser composta de ouvido, com sensibilidade e intuição, nunca por normas rígidas. (Samuel Butler).

João Godim
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