A Cidade-Estado do Vaticano é, desde 1929, membro da União Postal Universal. Nesta condição distingue, anualmente, personalidades e eventos que merecem ser recordados por todos os interessados em filatelia, mas, também, por quem goste de ficar a par da cultura em geral, sejam instituições ligadas à Igreja, efemérides de âmbito civil e outras.
Por exemplo, neste ano de 2015, o Vaticano já emitiu selos sobre: o bicentenário do nascimento de São João Bosco (1815-1888), o fundador dos Salesianos; e o Santo Sudário (lençol que terá coberto Jesus, após a morte na cruz) e que esteve em exposição recentemente na cidade italiana de Turim.

O plano filatélico distingue ainda o Ano Internacional da Luz, proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para este ano; o pontificado de Francisco, em 2015, e o 8.º Encontro Mundial das Famílias, marcado para os próximos dias 22 a 27 de setembro, em Filadélfia (EUA).
Está também prevista uma emissão alusiva a "brinquedos antigos", tema escolhido para 2015 pelas administrações e empresas postais do Velho Continente que aderiram à série "Selos Europa".
Por outro lado, os cinco séculos do nascimento de Santa Teresa de Ávila (1515-1582), fundadora da Ordem dos Carmelitas Descalços, Doutora da Igreja e padroeira dos escritores espanhóis; e de São Filipe Nery (1515-1595) são temas em destaque nos selos deste ano promovidos pela Igreja católica.

O roteiro aponta ainda para a emissão dedicada à próxima assembleia ordinária do sínodo dos bispos, sobre "A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo", que se realiza no Vaticano de 4 a 25 de outubro.
O 70.º aniversário da ONU e o fim da II Guerra Mundial; e os 14 séculos da morte de São Columbano (c. 543-615), fundador de vários mosteiros na Europa, constituem as emissões seguintes.

O conjunto filatélico deste ano vai completar-se com o 150.º aniversário da fundação da União Internacional de Telecomunicações, as viagens do papa Francisco, em 2014, e o IV centenário do nascimento do papa Inocêncio XII (viveu entre 1615 e 1700).
Vânia Fernandes continua a ser uma das vozes mais sonoras e melodiosas da canção nacional. Em Março de 2008, foi do Funchal para Lisboa onde venceu o Festival da RTP que lhe deu a primazia para representar Portugal no Festival da Eurovisão da Canção, em Maio, em Belgrado, na Sérvia, interpretando a canção “Senhora do Mar”.
Na semi-final do festival da Eurovisão ficou em segundo lugar, sendo apurada para a grande-final, onde obteve o 13.º lugar. Na altura, a crítica especializada dizia que se Vânia Fernandes tem cantado em inglês teria todas as possibilidades de ganhar o festival da Eurovisão. Cantar em português ante um júri e um auditório que não compreende a língua portuguesa é praticamente impossível chegar ao pódio do ouro. Ontem, no largo D. Manuel I, frente à Sé do Funchal, Vânia Fernandes voltou a brilhar. Uma voz da ilha no mundo da melhor canção.
Foi com Vinho da Madeira que os americanos fizeram um brinde na cerimónia da independência dos Estados Unidos da América, a 4 de Julho de 1776.
Por estes dias, até 6 de setembro, realiza-se a "Festa do Vinho Madeira", com eventos diversos - apanha da uva, fazer vinho nos lagares, cortejos dos vindimadores, provas ao vivo...; tudo centrado, principalmente, no Funchal e em Câmara de Lobos.
A iniciativa, com forte apoio oficial, visa atrair o turismo e reconstituir as antigas tradições da população madeirense, com destaque ainda para as especialidades gastronómicas e outras bebidas típicas da ilha.
Neste contexto, recorde-se que a produção vitícola está profundamente enraizada na população insular e é uma marca da sua paisagem física, com parreiras apoiadas nos socalcos e suportes de pedra, e que ganham múltiplas tonalidades ao longo do ano. Mais do que qualquer outra produção (cana de açúcar, por exemplo, plantada desde os primórdios da colonização), é o vinho que torna a Madeira famosa em todo o mundo.
Festejar este "néctar dos deuses" é também homenagear aqueles que, outrora, galgando montanhas e veredas, transportavam o vinho para a sua comercialização. Ficaram conhecidos como "borracheiros" e as vasilhas (feitas com pele de cabra) eram os "borrachos"... O significado de "borracho", hoje em dia, parece ter a ver com esta prática: "borracho" - que está "alcoolizado", "embriagado"...
Quanto aos "borracheiros", vinham principalmente do Porto da Cruz, freguesia nortenha, a seguir a Machico, afamada pelo seu "vinho americano", onde se distingue também o rochedo da Penha D´Aguia.
Os "borracheiros", que eram trabalhadores contratados para transportar o precioso líquido até às adegas do sul da ilha, vinham em grupo, caminhavam em "fila indiana", percorrendo longas distâncias, 20 quilómetros e mais para entregar os seus "borrachos" (cada "borracho" seria equivalente a um barril de aproximadamente 45 litros). Nesta caminhada destacava-se também o "candeeiro" na frente, que era a pessoa que "iluminava" os participantes neste transporte original que hoje ainda se inclui nos cortejos das vindimas, um pouco por todo o lado.
A cerveja artesanal "Maldita", fabricada em Aveiro, foi eleita a melhor cerveja da europa "Europe's Best Beers 2014" na categoria Best Barley Wine no World Beer Awards e a 2ª melhor do mundo "Silver Award Winner", Class 2, Internacional Dark Beer C., encontra-se à venda em garrafas de 33 cl e de 50 cl, pelo preço de 2,99 e 4,99 euros, respectivamente. Uma Pilsen de qualidade genuinamente portuguesa. Incomparável.

Video > http://portocanal.sapo.pt/um_video/EsjOzsSvvFKhMLDZa9bJ/
O próximo 5 de setembro é dia de aniversário natalício do escritor Horácio Bento de Gouveia (1901-1983), o mais notável autor madeirense do século XX. Escritor, professor liceal e jornalista, foi dos mais consagrados na prosa realista e social, com títulos que ainda hoje nos dão o retrato autêntico do povo insular de outros tempos, em termos de linguagem, ambientes e vivências, num contexto de ruralidade e colonia, entre outros aspetos. Escritor psicólogo, observador exímio e analista profundo das pessoas e costumes de antanho, revelou-se ainda um digno discípulo de Fialho de Almeida pela pintura da linguagem e descrição da paisagem.
Os títulos mais conhecidos da sua significativa bibliografia são: Ilhéus (ou Canga), o seu primeiro romance, "onde palpita uma vida de adolescência", com prefácio do Mestre Aquilino Ribeiro; "Alma negra e outras almas", onde relata "um mosaico de vivências da ilha e fora dela"; e "Águas Mansas", que "contém muito de autobiografia".
Horácio Bento de Gouveia era natural da freguesia da Ponta Delgada (Madeira), concelho de São Vicente. Filho de Francisco Bento de Gouveia e de Firmina Matilde de Ornellas Bento de Gouveia, de famílias com algum relevo na zona. Formou-se em Ciências Históricas e Geográficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1930, tendo sido durante muitos anos professor em vários liceus do continente e no Funchal. A sua escrita estendeu-se à imprensa diária e periódica, e as suas intervenções oportunas como conferencista e apresentador de programas na televisão (RTP/Madeira, após o 25 de Abril) sempre foram muito consideradas.

A Casa do Ladrilho, onde nasceu, em Ponta Delgada (Madeira), está transformada em Museu. Após a sua morte foi instituído um prémio literário em sua memória pelo Município de São Vicente.
“O problema é que o governo está a prometer alienar participações como quem vende os anéis para ir buscar dinheiro. (…) A política de privatizações em Portugal será criminosa, nos próximos anos, se visar apenas vender activos ao desbarato para arranjar dinheiro”. Afirmou Pedro Passos Coelho, em Junho de 2010, durante a campanha eleitoral. Eleito primeiro-ministro do governo PSD-PP, fez precisamente o contrário, foi sob a sua governação que Portugal mais património vendeu ao desbarato.

Será que estamos longe desta realidade?
Em cada época ou tempo histórico, a utopia surge como uma meta que, provavelmente, nunca será alcançada, mas é responsável por um itinerário de princípios que se projetam cada vez mais para a frente e com passagens de testemunho que indicam que "debaixo do sol" tudo já foi descoberto e que o futuro é feito de muitas contribuições.
A utopia é o que anima o ser humano, apesar da esperança derrotada ou aniquilada por situações terríveis, decisões dramáticas, guerras infelizes. E nada como os grandes livros e autores para nos fazerem sentir que muito antes de existirmos, aqui e agora, já muita coisa se tinha pensado, desejado, feito e destruído, em nome de várias utopias, para o bem e para o pior da humanidade.
Lembramos a este propósito "O Anão", um pequeno romance do consagrado autor sueco Pär Lagerkvist (1891-1974), Prémio Nobel de Literatura em 1951. O conteúdo só pode ser comparado, em termos de reflexão oportuna e válida para todos os tempos, à obra "Antígona" de Sófocles, ao "Elogio da Loucura" de Erasmo de Roterdão, ao "Discurso da Dignidade do Homem" de Pico della Mirandola, à "Utopia" de Thomas More, ou ao "Príncipe" de Maquiavel, entre outras referências.
"O Anão" passa-se numa corte italiana renascentista, em que o personagem "deformado" fisicamente - Piccolino representa a "degenerescência moral", com uma visão profundamente pessimista sobre o destino da espécie humana.
«Ser homem é uma coisa grande e maravilhosa, mas deveremos regozijar-nos por sê-lo? Ser homem é uma coisa destituída de sentido, mas deveremos afligir-nos, cheios de desespero? Como responder a tais perguntas?», lê-se numa passagem deste curto romance, numa espécie de narrativa em discurso direto.

"Piccolino é o anão que após ter sido rejeitado pela sua mãe foi vendido por esta ao príncipe para servir como bobo da corte. Porém numa corte italiana renascentista, quer por iniciativa própria, quer por indicação do príncipe, Piccolino age deliberada e conscientemente cometendo todo o tipo de atrocidades com vista à extinção humana de quem sente o mais profundo desprezo"... Será que estamos longe desta realidade atualmente?
Já agora, sugerimos outras leituras que, eventualmente, nos podem ajudar na compreensão do mundo contemporâneo: "Uma caneca de tinta irlandesa" e "O Terceiro Polícia", ambos os títulos do escritor irlandês (Dublin) Flann O´Brien (1911-1966), considerados obras primas deste escritor que fez parte do grupo de outros notáveis autores irlandeses, como Samuel Beckett, James Joyce, Sterne e Swift...
Mas, não deixemos morrer as utopias...
Sessenta milhões de mortes
Faz, hoje, 76 anos que "rebentou" a II guerra mundial. Começou a 1 de Setembro de 1939 e terminou a 2 de Setembro de 1945, deixando um rasto de destruição inimaginável, com mais de 60 milhões de mortes. Tudo terá começado pela invasão da Alemanha nazista à Pólonia, foi o rastilho para uma guerra que se alastrou à maioria do países nos cinco continentes e mobilizou mais de 100 milhões de militares.

Ainda há sobreviventes da II grande guerra que nos relatam dramas e episódios que, à luz da humanidade, são difíceis de aceitar. Sabemos que a memória do homem não se apaga tal como bom seria que estas datas nunca sejam olvidadas. Esquecer não, lembrar e relembrar para não mais acontecer.

Video > https://www.youtube.com/watch?v=Zm-SO2_qJ94
Entrevista > https://www.youtube.com/watch?v=7_O13pyGQt8

João Godim
FREELANCER
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