Muito se tem dito e escrito nos últimos dias e horas sobre a figura de Maria de Jesus Barroso Soares (1925-2015), antiga primeira-dama, atriz de reconhecidos méritos e firme lutadora pela causa da liberdade, e pelos direitos cívicos.
Nesta hora de despedida (o funeral realiza-se, hoje, para o cemitério dos Prazeres, em Lisboa), já lhe foram prestadas todas as homenagens possíveis através de declarações mais ou menos formais, depoimentos espontâneos, testemunhos amigos. Na nossa modesta opinião, resta pouco espaço para as palavras que lhe gostaríamos de dizer, considerando a sua grande personalidade.

Mulher de cultura, na sua ação privilegiou também a solidariedade e o humanismo sem fronteiras. Pertencia a uma geração de notáveis, entre políticos que ficam na História portuguesa do século XX, como o seu marido, Mário Soares, o general Humberto Delgado...; entre poetas e escritores, como Sofia de Melo Breyner, David Mourão-Ferreira e José Régio, Carlos de Oliveira, e outros do chamado Novo Cancioneiro...; entre pedagogos insignes, como o sogro, João Soares (fundador do Colégio Moderno), António Sérgio (ensaísta) e Agostinho da Silva...
Então, mais do que falar de Maria (de Jesus Simões) Barroso Soares, interessa continuar a ouvi-la, existem gravações nesse sentido, a declamar poemas e outras intervenções..., e com a certeza de que a sua memória vai permanecer ainda por muito tempo entre nós.
O Papa Francisco iniciou, no passado domingo, a sua segunda viagem à América Latina, a 9.ª viagem internacional do seu pontificado, desta vez ao Equador, Bolívia e Paraguai. Na bagagem do Santo Padre o desejo do encontro com as "periferias", uma das marcas do seu Pontificado. A visita ao continente era aguardada desde 2013, quando Bergoglio, argentino, foi eleito à Cátedra de Pedro e esteve no Brasil para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
Apesar da expectativa de uma ida à Argentina, sua terra natal, o roteiro de Francisco inclui apenas nações que estão longe dos centros de poder da geopolítica internacional. “Pela primeira vez a visita será feita a três países, não os maiores e os primeiros na geopolítica, seguindo a lógica das periferias querida pelo Pontífice. A história desses três países, feita de conflitos e ditaduras, será um elemento importante para entender as mensagens que o Papa irá proferir”, disse o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, durante encontro com os jornalista.
Equador, Bolívia e Paraguai não são destinos muito prestigiados, mas o objetivo do Papa não é fazer uma missão diplomática. Francisco já conhece esses países desde a época em que era sacerdote e depois arcebispo de Buenos Aires e poderá fazer discursos mais livres e contundentes na sua língua materna, o espanhol. A viagem prolonga-se até 13 de Julho.
NB: O Papa Francisco vai estar em Fátima, em Maio de 2017, por ocasião das celebrações do centenário do aparecimento de N.ª Sr.ª na Cova de Iria.
Varoufakis, ministro das finanças da Grécia, pediu a demissão logo após a estrondosa vitória do “não” alcançada pelo seu partido Syriza. Yanis Varoufakis, professor de Economia da Universidade de Atenas, de 53 anos, era ministro das Finanças da Grécia desde o final de Janeiro. No seu blogue, publica artigos de opinião e textos académicos sobre a crise do euro e compara a austeridade ao "waterboarding" – a tortura por simulação de afogamento.
Citando a RR: "Em vez de discutir, nos fóruns da Europa, a natureza da nossa crise sistémica, os poderes instalados ocuparam-se a torturar fiscalmente as nações, deixando-as respirar rapidamente antes de voltar a submergi-las nas águas da iliquidez. Foi assim que a Europa começou a perder a sua alma e integridade, passando de um reino de prosperidade partilhada a uma jaula de ferro, uma prisão de dívida", escreve no blogue (http://yanisvaroufakis.eu/).

Depois de as negociações terem falhado entre a Grécia e os seus credores, Varoufakis criticou a governação na Europa. "Isto não é forma de gerir a união monetária. Isto é uma farsa. Isto tem sido uma comédia de erros que já dura há cinco anos, que a Europa tem vindo a prolongar e a disfarçar"
"O meu maior medo", confessa, "agora que me meti nisto, é que me possa transformar num político. Como antídoto para esse vírus, tenciono escrever a minha carta de demissão e mantê-la no bolso, pronta a entregar no momento em que sentir que há sinais de que estou a perder o compromisso de falar a verdade ao poder." Foi o que fez, sem rodeios. Ainda há políticos sérios.
Por estes dias, passam 150 anos da publicação de "Alice no País das maravilhas", um livro de Lewis Carroll, pseudónimo do matemático inglês Charles Dodgson, que no início mais parecia um conto de fadas e uma história para crianças, mas que veio a tornar-se célebre e com interesse para o público em geral, devido às interpretações e análises de cunho psicológico e sociológico que suscita.
Conquistou até hoje todos os campos da cultura, incluindo os desenhos animados e os filmes, com grande êxito. Em “Alice no país das maravilhas”, Carroll questiona os padrões sociais estabelecidos na aristocracia da Inglaterra do século XIX, a chamada "Era Vitoriana", um período marcado por valores rígidos.

A história que tem cativado o imaginário colectivo no último século e meio também já foi promovida entre nós por Filipe La Féria, em 2005, num musical realizado no Teatro Politeama, em Lisboa. Tudo se passa num ambiente muito verde, em forma de jardim, para uma "viagem a um mundo onde nada é o que parece e tudo é possível". E as personagens em palco são inesquecíveis: a lagarta que fuma e fala, o gato risonho que se pode tornar invisível, o coelho branco sempre agarrado ao relógio, o chapeleiro maluco que festeja o "desaniversário" ou ainda a rainha de copas que é dona de um exército que não é mais do que um baralho de cartas...
«No decorrer da viagem, Alice encontra muitos caminhos que apontavam para várias direcções. Em dado momento, ela perguntou a um gato sentado numa árvore:
- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
- Eu não sei.
O gato, então, respondeu sabiamente:
- Sendo assim, qualquer caminho serve.»
Lewis Carroll (1832-1898) foi escritor e matemático inglês. É o autor do livro "Alice no País das Maravilhas". Foi um dos precursores da poesia de vanguarda.
O autor desta obra que continua a fascinar crianças e adultos, Lewis Carroll (1832-1898), nasceu em Daresbury, Inglaterra, filho de um clérigo de província. Estudou no Christ College, em Oxford, e aqui trabalhou como professor de matemática e conferencista, tendo publicado nesse tempo "Um Programa para um Plano de Geometria Aplicada", "Euclides e seus Rivais Modernos" e "Matemática Curiosa", todos com o seu verdadeiro nome (Charles Dodgson).
Com o pseudónimo que o haveria de imortalizar escreveu outras obras, incluindo poesia, mas a que o tornou famoso e mais conhecido foi a história de "Alice no País das maravilhas". As personagens deste livro inspiraram-se em pessoas da sociedade e da aristocracia inglesas; e até se julga que a rainha do País das maravilhas, era a Rainha Vitória.
Campo de extermínio de Auschwitz, hoje, património da humanidade.
Auschwitz, na Polónia, figura no mais negro quadro da "matança de inocentes" de que há memória na Europa e no Mundo. Ali foram exterminados mais de 1,3 milhões de seres humanos indefesos, entre 1940 e 1944. Passados cerca de 70 anos do fim da II guerra mundial, Auschwitz continua a ter uma presença muito recente no espírito dos povos alemães, polacos e dos países vizinhos. A guerra está, desde 2013, a ceifar vidas na Ucrânia (que faz fronteira com a Polónia de Auschwitz), os campos de concentração e de extermínio construídos pela Alemanha nazista estão na memória de todos.
A Europa está em guerra, na Ucrância e noutras regiões. Mas enquanto se abatem com armas populações outros usam a prepotência e o domínio financeiro para matar inocentes, como está a acontecer na Grécia. Os países do norte há muito que andam em "guerra" com os países do sul da Europa. Os "campos de concentração" continuam a existir agora sob outros alicerces e outras directrizes. O terrorismo verbal é tão ou mais perigoso que o terrorismo levado a cabo por grupos extermistas. As cimeiras e os tratados em nome da paz não passam, na prática, de engrenagens e maquilhagens. Superioridades e inferioridades inconsistentes e falíveis.
Convencionou-se que a data de 3 de Julho é o "Dia do Vinho". O objectivo é reunir vontades, interesses, à volta do "néctar dos deuses" e que representa um historial de sabores com muitos séculos, abrangendo vários períodos do desenvolvimento da humanidade. No nosso País, o vinho é uma "marca consagrada", com regiões bem delimitadas, como a do Alto Douro e o afamado Vinho do Porto, e a região da Madeira. Sobre este tema há abundante literatura que nos pode deliciar por muito tempo, mas, nesta oportunidade, respigamos algumas curiosidades históricas em relação aos nossos vinhos (v.http://www.ivv.min-agricultura.pt):
- Moscatel de Setúbal - (1381) Nesta data Portugal já exportava grande quantidade deste vinho para a Inglaterra.
- Vinho do Porto - o Tratado de Methwen (1703) assinado entre Portugal e a Grã-Bretanha, contribuiu para a popularidade deste vinho que beneficiava de taxas aduaneiras preferenciais. Durante o século XVIII, para os ingleses, vinho era praticamente sinónimo de vinho do Porto.
- Vinhos da Bairrada - No Reinado de D. Maria I (1734/1816) os vinhos portugueses adquiriram grande projeção, tendo-se iniciado a exportação de vinhos, com destaque para os desta região, que foram exportados para a América do Norte, França, Inglaterra e, em especial, para o Brasil, onde eram muito apreciados.
- Vinho de Bucelas - Com as Invasões Francesas (1808/1810) este vinho começou a ser conhecido internacionalmente. Wellington apreciava-o de tal maneira que o levou de presente ao então príncipe regente, mais tarde Jorge III de Inglaterra. Depois da Guerra Peninsular, este vinho tornou-se um hábito na corte Inglesa.
No tempo de Shakespeare (1564/1613) o vinho de Bucelas era conhecido por "Lisbon Hock" (vinho branco de Lisboa) (1564/1613).
- Vinho de Carcavelos - (1808/1810) foi bem conhecido das tropas de Wellington que o levaram para Inglaterra, tendo sido, durante largos anos, exportado em grandes quantidades.
- Vinho da Madeira - (1808/1810) Considerado um dos vinhos de maior requinte nas cortes europeias, tendo chegado mesmo a ser usado como perfume para os lenços das damas da corte. Na corte inglesa este vinho rivalizava com o vinho do Porto. Shakespeare (1564/1613) referiu-se ao vinho da Madeira como essência preciosa, na sua peça "Henrique IV".
O duque de Clarence, irmão de Eduardo IV (séc. XV) deixou o seu nome ligado a este vinho quando, ao ter sido sentenciado à morte na sequência de um atentado contra o seu irmão, escolheu morrer por afogamento num tonel de Malvasia da Madeira.
Mas para além da Inglaterra, também a França, a Flandres e os Estados Unidos o importavam.
Francisco I (1708/1765), orgulhava-se de o possuir e considerava-o "o mais rico e delicioso de todos os vinhos da Europa". As famílias importantes de Boston, Charleston, Nova Iorque e Filadélfia disputavam umas às outras os melhores vinhos da Madeira.
- Vinho do Pico - Açores - (Séc. XVIII) foi largamente exportado para o Norte da Europa e até mesmo para a Rússia. Depois da revolução (1917), foram encontradas garrafas de vinho "Verdelho do Pico" armazenadas nas caves dos antigos czares.

NB: Assinala-se, hoje, o dia da independência dos Estados Unidos da América (4 de Julho de 1776). Na cerimónia da assinatura da independência da ex-colónia inglesa, o brinde foi feito com cálices de "Vinho da Madeira", facto que consta nos registos do acto.

Decorre, neste fim de semana, mais uma "Feira de Gado", no Porto Moniz, Madeira. A Região teve, durante anos, uma produção própria de gado bovino que praticamente abastecia o mercado regional. Não só na zona norte mas também nas zonas leste e oeste da ilha havia zonas privilegiadas para pastagens de gado vacum, vindo a ter, na Camacha, anos 60/70 do século passado, um dos mais modernos postos zootécnicos do país e da Europa. As "feiras de gado" no sítio da Santa, serras do Porto Moniz, tiveram início há cerca de sete décadas, constituindo uma amostra da riqueza da pecuária madeirense, tanto quanto à produção de carne como de leite de elevada qualidade.
Inexplicavelmente, pós Abril de 1974, a pecuária madeirense, tal como a agricultura e as pescas, passaram para um segundo plano com o argumento de que "é mais barato importar do que produzir localmente". Inverteram-se as posições, de balança positiva passou a negativa, ao ponto de hoje a região (como também o país) ser significativamente dependente da importação.

Para um arquipélago que foi auto-suficiente, tanto na bovinicultura como na agricultura e pescas, tendo inclusive mercado de exportação, nomeadamente para Cabo Verde, o "peso negativo" parece uma maldade ao fértil solo e mar madeirenses. Nada pior para um país como para uma ilha do que ficar na dependência do exterior, tal como hoje está Portugal no seu todo. Um duro golpe na produção regional e nacional, sem que haja culpados, sem que se possa olvidar alguma conotação às célebres propagandas "terra a quem trabalha"... que deixaram muitas das outroras zonas agrícolas produtivas ao quase abondono.
A partir de hoje, uma das lendas do futebol português - Eusébio da Silva Ferreira (1942 - 2014), também conhecido por "Pantera Negra", repousará no "Panteão Nacional". Um local de acolhimento emblemático para quem se notabilizou ou destacou por obras e valores que "da morte se vão libertando" e se posicionam como "modelos", "ícones" da identidade portuguesa, por "todos os séculos dos séculos sem fim", os chamados "heróis da Pátria".

Mas, se o "Panteão" é símbolo de uma certo orgulho, referência ou dignidade nacional, não deixa de ser curiosa a proliferação de propostas que se tem registado nos últimos tempos para a "trasladação" de "heróis" nossos contemporâneos para este espaço especial. É caso para dizer: o que antes era uma "raridade", agora tornou-se numa "banalidade", sem ofensa para quem quer que seja. Será que no passado os "heróis" eram assim tão desconhecidos ou interessavam apenas a uma "elite"? Quais os "critérios" que presidem a tal "escolha" de uns, entre tantos outros que merecem também ser homenageados desta forma? Não estaremos a cair numa "moda" com interesses exorbitantes?
Como diz o ditado, "dos fracos não reza a História", é preciso, pois, exaltar os nossos "heróis", mas não exageremos. Tudo tem o seu "peso e medida" e não convém ficar com a fama de que "não era necessário", como o tempo em que demoraram as "obras da Igreja de Santa Engrácia", e que significa algo que nunca mais acaba…, isto porque a conclusão das obras da Igreja de Santa Engrácia “arrastou-se” por quase 3 séculos, entre 1682 e 1966, tendo o templo ganho o estatuto de “Panteão Nacional” em 1916 como residência póstuma de ilustres figuras da História de Portugal, como por exemplo Almeida Garrett, Teófilo Braga, Guerra Junqueiro, Aquilino Ribeiro, Humberto Delgado, Sofia de Mello Breyner, Amália Rodrigues, agora Eusébio... No Panteão também estão os cenotáfios (monumentos funerários erigidos em memória de um morto, mas que não lhe encerra o corpo) de: Luís de Camões, infante D. Henrique, D. Afonso de Albuquerque, Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral.

A legislação relativa a estas situações prevê que as “honras do Panteão” destinam-se “a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”.

A 2 de Julho de 1969, regressava a Portugal D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto (entre 1952-1982), depois de dez anos de exílio (1959-1969). A permissão foi dada pelo Governo então chefiado por Marcello Caetano, mas A PIDE mantêm-no sob vigilância, até 1974.
Uma das figuras mais ilustres da Igreja Católica portuguesa no século XX, D. António Ferreira Gomes caiu em desgraça quando teve a ousadia de escrever uma carta (13 de Julho de 1958) ao presidente do Conselho, Oliveira Salazar, em que denunciava o cerceamento das liberdades e outras situações menos edificantes para os direitos cívicos, sociais e políticos. O ambiente político era de eleições presidenciais, com Humberto Delgado em grande popularidade... .
A partir daí, D. António foi obrigado a exilar-se (Espanha primeiro e depois Roma) e proibido de voltar à sua diocese. Participou no Concílio Vaticano II (1962-1965), com intervenções relevantes.

O seu lema era: «De joelhos diante de Deus, de pé perante os homens». No dizer de D. Carlos Moreira Azevedo (especialista na área da Cultura e da História eclesiástica), D. António Ferreira Gomes era um «homem livre. Configurando a liberdade em referência ao Absoluto, defende os direitos humanos em tom profético, com intransigência de génio. Entusiasma-se com o II Concílio do Vaticano e percebe as resistências interiores à mudança de perspetiva, exigida pelo fim do constantinismo. A dimensão sócio-política das suas reflexões integra-se perfeitamente e unicamente na missão pastoral da Igreja», mas a sua intervenção cívica e desafiadora para os poderes da altura "pagou um preço bem alto".
D. António Ferreira Gomes era natural de Penafiel (n. 1906) e faleceu em 1989, em Lisboa, depois de merecer reconhecidas honras por parte do regime democrático. Existe uma Fundação com o seu nome, que vale a pena consultar: www.fspes.pt
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A "diva do Fado", Amália Rodrigues (1920-1999), nasceu há 95 anos. Amália (da Piedade Rebordão) Rodrigues, viu a luz do dia em Lisboa, por acaso, quando os seus pais (residentes na Beira Baixa) visitavam os avós maternos, na Rua Martim Vaz, freguesia da Pena. No registo do seu nascimento consta a data de 23 de Julho de 1920, mas, pelo facto de existirem algumas dúvidas quanto ao dia exacto, a fadista escolheu o dia 1 de Julho como data de aniversário.
Após poucos meses na capital, na procura de melhores condições de vida, os seus pais regressaram a casa, ficando Amália, então com pouco mais de um ano, ao cuidado dos avós.
Entre os 6 e os 19 anos de idade, vive no bairro de Alcântara, onde aprendeu e trabalhou em vários ofícios, foi costureira, bordadeira, operária de uma fábrica de chocolates e rebuçados, e vendedora de fruta pelas ruas do cais de Alcântara, para ajudar no sustento da família.
A par destas actividades, desenvolveu o seu talento e gosto pelas cantigas desde muito cedo, a ponto de ser a escolhida aos 15 anos para interpretar o "Fado de Alcântara", na Festa dos Santos Populares organizada pelo seu bairro.
Aos 18 anos, Amália faz audições para o "Concurso da Primavera", onde cada bairro apresentava as suas concorrentes para a escolha da "Rainha do Fado" de 1938; apesar de não participar neste concurso, conhece aquele que viria a ser o seu primeiro marido, o guitarrista amador Francisco da Cruz; o casamento não dura muito tempo, mas deixa especiais marcas quanto ao seu destino artístico (Amália voltará a casar, em 1961, no Brasil, com o engenheiro César Seabra).
A sua estreia profissional aconteceu também rapidamente, com inesquecíveis actuações em vários locais da cidade de Lisboa, em partícular no Retiro da Severa. Tornou-se um ícone da verdadeira canção portuguesa - o Fado, com as características que lhe são inerentes: o sentimento da Saudade e o som da Guitarra. Amália tornou-se então numa embaixadora da cultura lusíada no mundo, desde Paris a Nova Iorque, de Berna a Roma, de Trieste a São Paulo, de Tóquio a Televive..., até aos confins da terra. Cantou poemas de grandes autores, como Camões, David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, Ary dos Santos, Manuel Alegre, José Régio, Alexandre O’Neill – nomes consagrados da literatura portuguesa. Teve a colaboração de um grande compositor, responsável pelos maiores sucessos da "rainha do Fado): Alain Oulman (1928-1990), de família judia/francesa, natural do Dafundo (arredores de Lisboa), com alma bem portuguesa.
A revolução de Abril foi, na sua fase inicial, madrasta para com Amália.
Cantou em várias línguas e editou milhões de discos. Conviveu com o povo e grupos de intelectuais, fez ainda cinema, deixou uma significativa herança para as novas gerações de fadistas e foi caluniada no "25 de Abril de 1974"... Mas nada, nem ninguém, consegue apagar a sua personalidade de lutadora e grande intérprete do Fado. Se nos é permitido dizer: Amália está para o Fado como Maria Calas está para a Ópera.
Amália Rodrigues morreu em Outubro de 1999 e está sepultada no Panteão Nacional.
É proibido de se aproximar da NATO. Mal vêem alguém próximo dos portões todo o sistema de segurança é accionado. Ali não há mas nem mas, tudo é suspeito, ao milímetro. Estávamos a fotografar uma das entradas da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), cuja sede está em Bruxelas, quando de repente surgem militares com armas em riste. Um grito que é uma ordem: aqui ninguém pode fotografar, nem parar, nem observar. Aproveitamos o grito para fazer click sem flash e logo fomos embora. Criada em 1949, a NATO (OTAN, em francês), também conhecida por Aliança Atlântica, tem 28 estados membros e, nos tempos que correm, exerce uma implacável intervenção. Tudo são ameaças terroristas. Assim, não. NATO… só ao longe!

João Godim
FREELANCER
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