Por razões estritamente técnicas o ROINESXXI vai estar, durante algum tempo, inactivo no que concerne à inserção noticiosa própria. Um procedimento que já é usual, todos anos, por esta altura. Torna-se imperioso proceder à manutenção, alteração e introdução de algumas margens com o propósito de dar maior e melhor visibilidade à informação quer nos conteúdos textuais como nas imagens. No entanto, continua o livre acesso à leitura dos jornais, revistas, agências noticiosas, com a todo o leque noticioso disponibilizado, minuto a minuto, por este blogue, bem como na interacção com outras fontes de informação (blogues, sites, etc.).
Agora que tanto se fala na conquista de novos mundos, com pormenores cada vez mais acessíveis sobre os planetas que integram o nosso sistema solar, vale a pena revisitar os inícios, as buscas e os esforços, que os nossos antepassados, desde as "grutas" ou "cavernas" fizeram para a melhor compreensão do universo, até ao nosso tempo. As explicações estão coligidas num livro muito interessante, intitulado "Os Deuses e a Origem do Mundo", de António de Freitas.

António (José Gonçalves) de Freitas nasceu na Venezuela, no seio de uma família madeirense. Atualmente vive no concelho de Cascais. É licenciado em Matemática e pós-graduado da Universidade de Londres na área da Lógica Medieval. Escreveu a sua tese de doutoramento sobre a origem do pensamento filosófico grego e sua relação com o Oriente Próximo, especialmente com os hititas. Fez estudos avançados de línguas e culturas do Oriente Próximo, em SOAS, e de língua grega, na Universidade de Cambridge. É especialista em línguas do Oriente Próximo, acádico, outras línguas semitas e em sumério, e em escrita cuneiforme. É também conhecedor de línguas indo-europeias como o hitita, o sânscrito e o grego. É professor em diversas universidades portuguesas e estrangeiras, como a Universidade de Lisboa, Universidade de Londres, a Ohio State University e a UMCE (Santiago do Chile). É especialista convidado na escavação arqueológica de Tel Burna (Israel), consultor científico do Museu Gulbenkian e investigador do CEHUM (Universidade do Minho).
Foi há 80 anos, a 1 de Agosto de 1935: Portugal dava início à Rádio profissional com a inauguração oficial da Emissora Nacional de Radiodifusão (EN). A Direção, nomeada por Duarte Pacheco, ministro das Obras Públicas e Comunicações, era constituída por Henrique Galvão, Manuel Bívar e Pires Cardoso.
"As primeiras emissões eram repartidas por dois períodos do dia, e costumavam reunir à volta dos aparelhos um grande número de pessoas ". As cerimónias alusivas ao acontecimento duraram uma semana e congregaram nomes de peso quanto à locução e às reportagens: Fernando Pessa, Áurea Rodrigues e Maria de Resende. Nomes famosos da cultura, como João Villaret, José de Almada Negreiros, Amélia Rey Colaço, Palmira Bastos, Robles Monteiro, e outros, também marcaram presença nessa altura.

O lema da então EN era: “Cantando espalharei por toda a parte” e o modelo a executar seguia de perto as suas congéneres europeias, em especial a britânica BBC, apesar da EN ter «sido concebida a pensar em controlar a informação que chegava às massas orientando-as na sua doutrina, pois era um instrumento privilegiado de propaganda.»
Locutores e programas de alta qualidade pontificaram nas antenas da Emissora Nacional (EN), com "serões" musicais e o teatro radiofónico em primeiro plano.
Na Madeira, a EN só chegou em 1967 com algumas limitações, mas sempre com o agrado dos inúmeros ouvintes que já seguiam, desde 1948, o Posto Emissor do Funchal e a Estação Rádio da Madeira (já extinta).
O tempo do Verão é sugestivo para pôr as leituras em dia, adquirir outros saberes, conhecimentos, ou fazer descobertas literárias. Nesta oportunidade, salientamos algumas obras, recentes ou do passado distante, que nos oferecem interesse quanto baste para umas férias bem vividos:

- "Viagens na Minha Terra", de Almeida Garrett (1799-1854), um clássico que se traduz no relato de uma viagem de Lisboa a Santarém. Muito mais do que uma crónica de viagem, é sobretudo uma reflexão sobre Portugal do século XIX e um marco na literatura portuguesa. Publicada em 1846 a obra aborda a jornada a Santarém em diferentes planos e, por isso, Garrett chamou-lhe “Viagens” e não “Viagem”. Além do percurso, o escritor narra de uma forma extraordinária e cativante a história de quatro personagens que são o próprio retrato do país então dividido por uma guerra civil.
- "21 Personalidades dos Séculos XX-XXI escolhem as Vinte e Uma Personalidades Portuguesas do Milénio". O título é extenso, dada a colaboração e variedade de autores que constam deste livro coordenado pelo editor José da Cruz Santos e com prefácio de António Ramalho Eanes. Trata-se de revisitar a História de Portugal convocando algumas das suas figuras mais notórias através do olhar de outras tantas personalidades do tempo atual. Por exemplo, José Mattoso fala de Afonso Henriques, Carlos do Carmo de José Saramago, Eduardo Lourenço do Infante D. Henrique... .
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- "Francisco, O Grande Reformador", uma biografia completa do Papa atual que é também um "trabalho detalhado e aprofundado que explora a interseção da fé com a política, focando-se na tensão entre a visão inovadora do Papa para a Igreja e os obstáculos que enfrenta numa instituição ainda marcadamente definida pelo seu passado conservador."
O autor, Austen Ivereigh, escritor e jornalista especializado em assuntos políticos e religiosos, apresenta a história de Jorge Bergoglio — o homem notável cuja formação intelectual e compromisso que assumiu de avaliar a vontade de Deus o levariam a ser eleito Papa Francisco —, detalhando ainda como e por que razões a Igreja o escolheu como seu líder.

- "Nova História Económica da Madeira", do historiador Alberto Vieira. Um retrato dos ciclos económicos, baseados essencialmente na agricultura, desde o povoamento da ilha descoberta pelos genoveses, em 1335, e encontrada pelos portugueses em 1419, como o trigo, o açucar e o vinho. Uma abordagem historiográfica feita a partir dos novos conceitos, com o objetivo de "trazer ao debate um conjunto de temas renegados ou proscritos, como as finanças e contrabando. É também necessário pensar a economia e a história da ilha dentro de um espaço restrito de arquipélago, quase só ilha, que marca a realidade madeirense".
Era uma personalidade discreta, mas ativa e profunda no campo da cultura, da cidadania e da atenção que concedia aos pormenores do quotidiano das pessoas, para melhor decifrar o universo e propor pistas acessíveis a todos em termos de felicidade: Alberto Vaz da Silva (1936-2015) morreu no início deste mês e a sua morte não foi tema de grandes títulos ou publicidades. Para quem o conhecia de perto ou através dos livros que escreveu, deixou um vazio difícil de preencher, como já acontecera antes com a sua mulher - Helena Vaz da Silva (1939-2002), de quem persistem imensas saudades.
Alberto Vaz da Silva pertencia a uma geração paradigmática no nosso país, no decorrer do século XX. Advogado de profissão, foi na intervenção cívica, na escrita e na interpretação das palavras, como grafólogo, que a sua competência mais se fez sentir. Já reformado, passou a dedicar-se completamente à sua paixão e dirigia o Gabinete de Grafologia do Centro Nacional de Cultura (CNC). Integrou o grupo dos chamados "católicos progressistas", na década de 60, animados pelo Concílio Vaticano II, com João Bénard da Costa, Pedro Tamen, Nuno Bragança, António Alçada Batista, entre outros.

Numa crónica publicada no Expresso, o poeta José Tolentino de Mendonça comparou Alberto Vaz da Silva aos grandes que marcaram o nosso tempo. Eis alguns excertos desse texto:
«(...) não é estranho que (Alberto Vaz Silva), sendo licenciado em Direito, ele se tenha tornado um poliédrico e colossal humanista; que tendo exercido advocacia, por mais de trinta anos, ele se tenha sentido renascer no encontro com Rosaline Crepy, sua iniciadora no saber da grafologia, e a partir daí mudado de vida; que tenha viajado pelo hemisfério sul (e por um sem-número de hemisférios interiores) para ver grupos de constelações, como outros viajam pelo interior de bibliotecas ou de árduos e fascinantes problemas matemáticos.
Ele vislumbrou uma nova relação com o real, feita não já de oposições e distâncias, como se a vida não fosse um mistério único, mas sublinhando corajosamente os traços de união, os hífens inesperados, as continuidades. E assim nos mostra que não há pequeno ou grande, não há cósmico nem quotidiano, não há interno ou exterior: por todo o lado e em todas as coisas está, pelo contrário, latente a mesma espantosa proposta que a vida em si mesma é.
(...) Para homens como Alberto Vaz da Silva, a italiana Cristina Campo reserva um nome: imperdoáveis. Isto é, aqueles que possuem e definem um estilo, os habitados por uma força profunda, por um carácter próprio, por uma sabedoria irremovível, aqueles que desenham com as suas vidas um mapa de tal forma original que se torna necessário à viagem dos outros».
Video (16') > https://www.youtube.com/watch?v=4HklalK4zvY
O Rally Vinho da Madeira, edição 2015, decorre de 30 de Julho a 1 de Agosto, com um traçado de 19 classificativas, num total 205 quilómetros. Curiosamente, também neste mês de Julho se assinala a data efetiva da primeira corrida de automóveis na Europa. Foi no ano de 1894, com a realização da corrida Paris-Ruão, num percurso de 126 quilómetros. Todos os tipos de motor foram admitidos, mas após as eliminatórias apenas foram apurados carros a vapor e a gasolina.
O primeiro carro a transpor a meta foi um Dion-Bouton a vapor, tripulado pelos seus próprios construtores, o conde Albert de Dion e Georges Bouton. Nascia assim, oficialmente, o desporto automóvel.
A partir de então, as provas de corridas oficiais nunca mais pararam, com destaque para o "podium" da Fórmula 1, com nomes consagrados nas pistas e que ainda hoje são considerados os melhores de sempre, como: o argentino Juan Manuel Fangio, com cinco títulos conquistados ao longo da sua carreira, em 1951, 1954, 1955, 1956 e 1957; Jim Clark, de nacionalidade escocesa, com dois títulos de campeão mundial (1963 e 1965); Jackie Stewart, campeão mundial em 1969, 1971 e 1973; Emerson Fittipaldi, brasileiro, campeão mundial em 1972 e 1974, sendo o piloto mais novo de sempre a consegui-lo (26 anos de idade); o austríaco Niki Lauda conquistou três títulos de campeão mundial na sua carreira de piloto de F1; Nelson Piquet, brasileiro, que ganhou três campeonatos do mundo em 1981, 1983 e no ano de 1987; Ayrton Senna, também brasileiro, considerado o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos, segundo a revista inglesa Autosport. Senna conquistou três títulos de campeão mundial nos anos de 1988, 1990 e 1991. Morreu tragicamente em 1994, num acidente, quando liderava a corrida no San Marino Grand Prix em Imola, Itália.
Recordamos ainda o piloto francês Alain Prost que foi tetracampeão de F1 nos anos de 1985, 1986, 1989 e em 1993; o alemão Michael Schumacher, estatisticamente o melhor piloto da história de F1 com sete títulos mundiais conquistados nos anos de 1994, 1995, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004; e mais recentemente o alemão Sébastien Vettel, tricampeão, pelas vitórias conquistadas em 2010, 2011 e 2012. As corridas sempre foram fascinantes e promotoras de novas tecnologias que têm dotado os automóveis com melhores motores e maior segurança. Rallys a vapor e a gasolina mudaram o mundo automóvel e não só.

Os gregos andam atualmente nas bocas do mundo pelas piores...Mas, a Grécia, pátria de tantos heróis e mitos, é desde a Antiguidade Clássica um património único para toda a humanidade. Os templos, a arte, a poesia, o teatro, destacam-se em tudo o que de melhor já se construiu neste planeta. A Grécia Antiga é tradicionalmente definida como a data dos primeiros Jogos Olímpicos em 776 aC. Por isso, a situação atual suscita tanta polémica e provoca tantas tomadas de posição.
Há milhares de anos, os gregos estabeleceram tradições de justiça e liberdade individual que são as bases da democracia. A sua arte, filosofia e ciência tornaram-se fundamentos do pensamento e da cultura ocidentais.

As famosas cidades-estado como Atenas, Esparta, Tebas, Corinto, Argos, Olímpia, Mégara e Mileto, pontificam no mapa da cidadania activa dos gregos. Os principais pensadores da História da Filosofia como Tales de Mileto, Sócrates, Platão, Aristóteles, e tantos outros, são gregos ou naturais da Antiga Hélade, como ficou também conhecida a Grécia.
Grandes poemas épicos como a Ilíada e Odisseia de Homero ali tiveram a sua origem.
Mais perto de nós, como referência de uma cultura superior e espírito elevado, podemos lembrar, por exemplo, Maria Callas (1923-1977), cantora lírica que actuou no Teatro São Carlos, em Lisboa (Portugal), em 1958; Nana Mouskouri (13 de outubro de 1934), cantora e política grega; Aristóteles Onassis (1906-1975), magnata, empresário da marinha mercante; ou Konstantínos Kaváfis (1863-1933), considerado o maior nome da poesia em idioma grego moderno e que escreveu um poema bem adequado à situação que se vive de momento na Grécia, eis um excerto:

À Espera dos Bárbaros
O que esperamos nós em multidão no Forum?
Os Bárbaros, que chegam hoje.
Dentro do Senado, porque tanta inação
Se não estão legislando, que fazem lá dentro os senadores?
É que os Bárbaros chegam hoje.
Que leis haveriam de fazer agora os senadores?
Os Bárbaros, quando vierem, ditarão as leis.
Porque é que o Imperador se levantou de manhã cedo?
E às portas da cidade está sentado,
no seu trono, com toda a pompa, de coroa na cabeça?
Porque os Bárbaros chegam hoje.
E o Imperador está à espera do seu Chefe
para recebê-lo. E até já preparou
um discurso de boas-vindas, em que pôs,
dirigidos a ele, toda a casta de títulos. (...)
Nem toda a correspondência está rigorosamente limitada ao emissor-receptor. Mais ainda quando transporta curiosidade, desafio e sabedoria universal. O que abaixo se transcreve entrou na caixa do correio do ROINESXXI por iniciativa de A.S.Siraguza, prezado sénior, que achou por bem partilhar um “FACTO” (nada de FATO) connosco e que nós decidimos expor a todos vós. Vejam lá:
Você sabia que o tamanho de seu sapato pode dizer a sua Idade??? Não???
É só fazer as contas:
· Considere o número do seu sapato.
· Multiplique por 5.
· Some 50.
· Multiplique por 20.
· Some 1015.
· Diminua o ano de seu nascimento.
Os dois primeiros dígitos são o número do seu sapato e os dois últimos dígitos a sua Idade.
Verifiquem!!! É MESMO!.
Um trio sénior com muita sabedoria. (da esquerda para a direita): Lourenço, Guedes e Siraguza. O primeiro procura descobrir a raíz do problema! O segundo coloca reticências e o terceiro já viu que nada daquilo tem interesse. BOAS FÉRIAS.
No próximo sábado,18 de Julho, celebra-se o Dia Internacional Nelson Mandela (1918-2013) - "Madiba". Uma efeméride que importa lembrar, sempre que há conflitos ou ameaças à paz, mas sobretudo em forma de homenagem a um dos maiores líderes políticos do nosso tempo.
Nelson Mandela foi um revolucionário, advogado, em luta permanente pelos direitos cívicos, contra o "antiapartheid", membro ativo e um dos fundadores do "ANC" e presidente da África do Sul, entre 1994 a 1999. Passou a maior parte da sua vida na prisão, quase trinta anos, pois foi considerado pelo governo sul-africano como terrorista, tendo sido inclusive condenado a prisão perpétua.
Comprometido de início apenas com atos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em 1960, quando a polícia sul-africana atirou sobre manifestantes negros, matando cerca de duas centenas.
Mandela deixou a prisão em 1990, aos 72 anos, por ordem do então presidente Frederik de Klerk. Os dois dividiram o Prémio Nobel da Paz em 1993: "O valor deste prémio que dividimos será e deve ser medido pela alegre paz que triunfamos, porque a humanidade comum que une negros e brancos numa só raça humana teria dito a cada um de nós que devemos viver como as crianças do paraíso".
Como primeiro presidente negro da África do Sul, Mandela comandou a transição do regime de minoria branca, o apartheid, ganhando respeito internacional pela sua luta em prol da reconciliação interna e externa: "Nunca, nunca e nunca de novo esta bela terra experimentará a opressão de um sobre o outro", disse Mandela na tomada de posse como presidente da África do Sul.

Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. E recebeu muitas distinções, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Elizabeth II, a medalha presidencial da Liberdade, de George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia) e a Ordem do Canadá.
Morreu em Dezembro de 2013, mas o seu exemplo cívico e político continua atual. A sua doutrina da "não violência", coragem, persistência e grandeza de carácter têm raízes num outro grande líder: M. Gandhi (indiano) que também trabalhou como advogado na África do Sul, nos inícios do século XX.
Video (7´) > https://www.youtube.com/watch?v=UA3NZTkxMcU
Só os apáticos (αδιάφορος, em grego) conseguem amarguradamente entender o riso deste quinteto após a pesada sentença que demagogicamente infligiram à Grécia. Figuras caricatas num estado de apatia lamentável e de quem se aproveita do caos grego deixado pelo anterior governo, com o apoio do FMI, BCE e CE. Sorrisos tanto mais sórdidos e doentios quanto mais pobreza alastra-se na sociedade europeia, que não apenas na grega. Portugal tem um dívida externa insustentável que situa-se acima dos 131 por cento. Como escreveu Stantl "os poderosos não são poderosos toda a vida". O povo grego, tal como todos os povos de um estado soberano e democrático, merece respeito.
Assinala-se este ano o 100.º aniversário da morte do escritor Ramalho Ortigão (1836-1915) que, em parceria com Eça de Queirós, assinou peças jornalísticas de forte teor crítico - as famosas "Farpas", publicadas mensalmente, "definidas como panfletos de oposição social e política", e que tanta falta nos fazem hoje em dia.
José Duarte Ramalho Ortigão, natural do Porto, foi um viajante eclético e o seu protagonismo na sociedade e na cultura portuguesas de então era relevante. Interveio, por exemplo, na célebre "Questão Coimbrã" (1865), defendendo o poeta Feliciano de Castilho, através do folhetim "Literatura de Hoje" e em que se bateu em duelo com Antero de Quental pela mesma causa; pertenceu também ao grupo das "Conferências do Casino", em Lisboa (1871).
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(Da esquerda para a direita): Eça de Queiroz, Oliveira Martins, Antero de Quental, Ramalho Ortigão e Guerra Junqueiro.
Ainda com Eça de Queirós, escreveu em folhetins no Diário de Noticias o "Mistério da Estrada de Sintra". A sua prosa é elegante, apesar de mordaz, e os relatos que nos deixou sobre diversos temas continuam a ser dignos de uma leitura atenta. Vale a pena recordar a sua obra escrita que, felizmente, está devidamente publicada.
"Ninguém é grande nem pequeno neste mundo pela vida que leva, pomposa ou obscura. A categoria em que temos de classificar a importância dos homens deduz-se do valor dos actos que eles praticam, das ideias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes" (Ramalho Ortigão).
Uma das lendas do cinema épico e clássico, Omar Sharif, faleceu aos 83 anos de idade. Era um ídolo, não só no seu pais natal, o Egipto, mas também para os cinéfilos e espectadores em geral que jamais esquecem o seu protagonismo nos filmes "Doutor Jivago" e "Lawrence da Arábia".
Sharif, nasceu em Alexandria e tornou-se numa das maiores estrelas de cinema na década de 1960 e o primeiro ator árabe a ganhar fama internacional. Ganhou três Globos de Ouro, entre outros prémios de referência mundial.
O famoso ator morreu de ataque cardíaco (dia 10), mas nos últimos tempos enfrentava uma luta contra a doença de Alzheimer. O seu funeral realizou-se, ontem, no Cairo, com cerimónias oficiais.
"Eu sou o único ator no mundo que não tem um centro na sua vida. Morei em hotéis durante toda a minha vida e comi em restaurantes - sempre. Tive uma vida feliz, não há motivos para chorar", disse um dia numa entrevista.
Omar Sharif foi também um praticante exímio de bridge, com regular participação em torneios internacionais, competindo com os melhores do mundo. A primeira vez que veio a Portugal para participar num torneio internacional de bridge foi na Matur (Madeira), onde estiveram presentes alguns jogadores da élite a nível mundial. Tanto no cinema como no bridge Sharif conquistou o "ouro", só ao alcance dos melhores.

Aquele chavão que pretende dizer que "comunista" é pobre e que "centro-direita" é rico, é politicamente uma fraude de interpretação. Há ricos e pobres em ambas as partes. Como há quem mude de partido e de ideologia consoante os "tempos" do oportunismo e do azimute do poder. Por instantes, um CD de José Afonso (Zeca Afonso) dá som à emblemática canção "Grândola, vila morena" e alguém diz "este veio do nada e lutou pela liberdade sem nunca ser reconhecido a não ser pelas canções". Um equívoco ou porque foi assim que a imagem do cantor foi deixada.
Zeca Afonso, nasceu em Aveiro e faleceu em Setúbal (1929-1987), o pai era juiz e a mãe professora (anos 20 do século 20). À luz desta realidade e atendendo à sociedade portuguesa na época, não custa aceitar que Zeca nasceu num "berço de oiro". Por seu pai ter sido colocado, como delegado de Procurador da República em Angola, Moçambique e Timor, Zeca viveu nestes países (antigas colónias), pertenceu à mocidade portuguesa e estudou na universidade de Coimbra, por onde obteve a licenciatura em ciências histórico-filosóficas, em 1963 (aos 34 anos). O ser mais conhecido como cantor (notável) e assumido defensor das causas comunistas não lhe tira a herança das suas nobres e ricas origens.
Zeca Afonso é figura incontornável da música e da cantiga de intervenção portuguesas. Ouvi-lo é historiar sons e falares da revolução de Abril.

Era este o pensamento do filósofo grego Tullius, há mais de dois mil anos. Tão antigo quão tão actual. Está no ADN do ser humano...
Lourdes de Castro, artista plástica, natural do Funchal, acaba de receber, na capela do Rato, em Lisboa, o Prémio Árvore da Vida – Pe. Manuel Antunes, atribuído pelo secretariado nacional da Pastoral da Cultura. Esta artista madeirense, de 85 anos, fez parte do seu percurso cultural em Paris e em Munique. Ao longo da vida dedicou-se à pintura, técnicas de colagem, impressões e sobretudo a trabalhar o conceito da sombra. Em declarações à RR, Lourdes de Castro, a viver no Caniço (Madeira), disse que “sempre gostei de livros, foi das primeiras coisas com que brinquei. Gosto de livros, de ler, de fazer”.

Muitas das suas obras estão em coleções públicas e privadas como no Museu Victoria e Albert em Londres; Museu de Arte Moderna de Havana ou no Centro de Arte Moderna, da Gulbenkian e Fundação de Serralves do Porto. O prémio Arvore da Vida destaca o percurso e obra de Lourdes Castro que reflecte humanismo e a experiência cristã. A obra de Lourdes Castro pode agora ser vista na exposição "Todos os Livros" patente na galeria de exposições temporária do Museu Gulbenkian, em Lisboa, até 26 de Outubro.
A partir de Agosto, o porto do Funchal passa a ter capacidade para receber, em simultâneo, cinco navios de cruzeiro de grande porte, três no cais sul e dois no cais norte. A operacionalidade do novo cais norte está praticamente testada e a luz-verde está para breve, pelo que o primeiro navio de cruzeiro a atracar no novo cais será, em princípio, na primeira semana de Setembro. O projecto do novo cais, situado a cerca de 200 metros da Catedral (centro da capital madeirense) custou 17,8 milhões de euros, e inclui nova e ampla promenade, espaços verdes, nova marina e zona balnear, obra esta a cargo do governo regional, sob a presidência de Alberto João Jardim, contestada pelo ex-presidente da Câmara do Funchal e actual presidente do governo madeirense, Miguel Albuquerque. A orla marítima funchalense acaba por ser reconhecidamente beneficiada. Durante muitos anos, o Funchal foi o principal porto de cruzeiros do país, chegando a receber, em média, 37 navios por mês, nas estações outono-inverno.
Susannah Jones, a mulher mais idosa do mundo, tem 116 anos (nasceu em 6 de Julho de 1899) “no seio de uma família de lavradores que cultivava os campos de algodão que anos antes trabalharam os seus avós, quando a escravatura estava em vigor” nos Estados Unidos da América. Susannah desde cedo lidou com tarefas do campo, tal como os seus onze irmãos. Casou em 1928, tinha 29 anos, e divorciou-se cinco anos mais tarde. Uma vida prenhe de trabalho e de solidariedade. Nasceu no século XIX, passou por todo o século XX e está a viver o século XXI, em sã amizade. Uma vida em três séculos.
O poeta e compositor brasileiro Vinícius de Moraes morreu há 35 anos, no dia 9 de Julho, aos 67 anos de idade. Autor de "Caminho para a Distância" e "Para Viver Um Grande Amor", entre outros livros, Vinícius de Moraes (1913-1980) foi também diplomata e dramaturgo. Nas canções ficou célebre a sua parceria com António Carlos Jobim, com "Garota de Ipanema", que é considerado um "hino da música popular brasileira".

Nas funções de embaixador do Brasil, trabalhou em vários países, nos Estados Unidos, em Paris, em Montevidéu... Tendo sido obrigado a aposentar-se em 1968.
No regresso ao Brasil, dedicou-se à poesia e à música popular brasileira. Fez ainda parcerias musicais com Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Francis Hime, Carlos Lyra e Chico Buarque. Entre suas músicas destacam-se, para além da "Garota de Ipanema", "Gente Humilde", "Aquarela", "A Casa", "Arrastão", "A Rosa de Hiroshima", "Berimbau", "A Tonga da Mironga do Kaburetê", "Canto de Ossanha", "Insensatez", a par de muitas outras.
Biografia > https://www.youtube.com/watch?v=UngwqRt8yOc
Fez anos, ontem, (8 de Julho 1964 – 2015), que se deu a inauguração do aeroporto do Funchal, com uma pista de 1 600 metros de extensão. Um grande feito que abriu a ilha da Madeira a mais mundos e permitiu o acolhimento de milhares de visitantes. Localizado na zona leste, em Santa Catarina, concelho de Santa Cruz, por oferecer melhores condições em termos de orografia, a pista foi ampliada há 15 anos e hoje é reconhecidamente um aeroporto internacional.
Em 1972, dada a incapacidade da pequena pista receber aviões de grande porte, foi projectado um aumento da mesma, com um novo terminal; o estudo foi da autoria do famoso engenheiro Edgar Cardoso.
Entre 1982 e 1986 a pista foi aumentada para 1 800 metros e ampliada a plataforma de estacionamento. Em Setembro de 2000, acontece nova inauguração com a ampliação da pista para 2 781 metros. Esta é construída parcialmente em laje sobre o mar, ficando assente em 180 pilares. Uma obra grandiosa feita sob a direcção do engenheiro António Segadães Tavares, que foi o primeiro português a ganhar o que seria o equivalente ao "Nobel" da Engenharia, com a ampliação do aeroporto da Madeira.

Em 2014, segundo dados oficiais, o Aeroporto internacional da Madeira registou um movimento de 2 459 793 passageiros, um recorde absoluto, em comparação com outros anos, revelam as estatísticas.

João Godim
FREELANCER
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