O escritor e aviador francês Antoine de Saint-Éxupery, autor de "O Principezinho", "Cidadela", "Voo Noturno", "Terra dos Homens" e "Piloto de Guerra", se fosse vivo, completaria 115 anos, no dia de ontem (29 de Junho). Mas a sua existência foi breve, tendo morrido aos 44 anos, num acidente de avião no Mediterrâneo, provavelmente abatido pelos alemães. Na primeira fase da II Guerra Mundial, foi piloto de ensaios e de combate. Em 1940, juntou-se à Força Aérea dos Estados Unidos e realizou vôos de reconhecimento para os aliados. Empreendeu então uma viagem à Córsega, da qual nunca regressou.
Filho do conde Jean Saint-Exupéry e da condessa Marie Foscolombe, nasceu numa família abastada e teve uma infância feliz, apesar de ter ficado órfão do pai aos 4 anos. Até ao início da I Guerra Mundial (1914), viveu com a família no castelo de Saint-Maurice-de-Rémens, na região de Ain, cheia de bosques, lagos e prados, próximo de um aeroporto. Um dia, foi convidado por um piloto para um passeio de avião, que o marcaria para sempre.
Mais tarde, após um chumbo no teste para ingressar na Escola Naval, Saint-Exupéry ingressa na Aeronáutica francesa. Pioneiro da aviação comercial, estabeleceu várias rotas entre a Europa, a África e a América do Sul.

Das suas viagens, reflexões e sensibilidades humanistas, resultaram vários livros, incluindo uma obra infantil, que é também inesquecível para os adultos, o "O Pequeno Príncipe" ou "O Principezinho", em que o autor conta a história de um piloto de avião que sofre um acidente e cai no deserto do Saara...
"O Principezinho" é o livro em língua francesa mais foi vendido no mundo, com mais de 143 milhões de exemplares, em cerca de 500 edições. Constitui também a terceira obra literária mais traduzida no mundo (a primeira é a “Bíblia” e a segunda o livro “O Peregrino”, de John Bunyan), tendo sido ainda publicada em 160 idiomas e dialectos.
São manjares tipicamente portugueses, com produtos made in Portugal, genuínos, com ementas ancestrais e inigualáveis. Qual caviar? Cardápios destes só no verão português, do Minho ao Algarve, Açores e Madeira. Outros mais existem consoante a região. Na ementa madeirense e portosantense entram também as lapas, os caramujos e as ovas de espada.
Morreu há 41 anos (a 29 de Junho de 1974), mas a sua obra literária dificilmente poderá ficar esquecida. Recordamos, hoje, José Maria Ferreira de Castro, «(...) um dos nossos mais elegantes prosadores», segundo Manuel Rodrigues Lapa; «o primeiro grande romancista português deste século (XX) que se determinou por problemas objectivos e não apenas por impulsos íntimos», no dizer de Óscar Lopes; o escritor que «com a arma da literatura ajudou a transformar o mundo. Foi verdadeiro escritor de nossa época, sendo, como queria Gorki, ao mesmo tempo coveiro e parteiro, coveiro de um mundo caduco, de um tempo podre, parteiro de um mundo novo, de um tempo alegre e livre», considerou Jorge Amado, entre outros.

Natural de Ossela, Oliveira de Azeméis, Ferreira de Castro nasceu em 1898, no seio de uma família pobre; órfão de pai aos oito anos, aos doze é enviado para o Brasil, como emigrante, para trabalhar nos seringais, no interior da Amazónia, período que recorda no celebrado romance "A Selva" que, como o livro "Emigrantes", desde logo inscreve o nome do seu autor em lugar de destaque na moderna literatura portuguesa.
Viveu na floresta amazónica durante quatro anos e depois muda para Belém do Pará, onde começa a escreve novelas e colaborar na imprensa, tendo inclusive fundado o semanário Portugal, com Pinto Monteiro. Regressa a Portugal em 1919, dedicando-se então a uma intensa produção literária; funda a revista "A Hora" (1922), é jornalista do Século, da revista ABC, diretor do magazine Civilização e do semanário "O Diabo"..., ao mesmo tempo que vai publicando livros de ensaios literários e sociológicos..., até à publicação das suas obras paradigmáticas, os romances: "Emigrantes" (1928) e "A Selva" (1930), um dos livros portugueses mais traduzidos em todo o mundo. Surgiram depois "Eternidade" (1933), escrito também na Madeira, "Terra Fria" (1934), "A Tempestade" (1940), "A Lã e a Neve" (1947), " A Curva da Estrada" (1950), "A Missão" (1954) e "O Instinto Supremo" (1968). De assinalar ainda os seus trabalhos de grande reportagem: "Pequenos Mundos e Velhas Civilizações" (1937), "A Volta ao Mundo" (1944) e as "Maravilhas Artísticas do Mundo" (1955 a 1961).
Ferreira de Castro visitou por mais de uma vez a Madeira e numa das suas estadias no Funchal classificou o Café Golden Gate (atualmente encerrado), como "A esquina do mundo"; a entrada principal deste Café ostenta uma lápide com a efígie do escritor, como lembrança efetiva da sua presença entre nós.
No seu livro «Eternidade», o escritor relata, entre outros aspetos característicos do viver madeirense, a noite de São Silvestre, com o tradicional fogo de artifício: «Antes mesmo de cair a meia-noite sobre o último santo do calendário, portas e janelas da cidade, fossem de vivendas modernas, de velhos e austeros palácios ou de pobres casebres, começavam a esparrinhar fogo na grande encosta, enchendo-se a escuridão de lumaréus, vomitando estrelas e lágrimas, flamas que erravam um momento e logo se apagavam, dando lugar a outras, que traziam todas as cores do arco-íris e se entrançavam e se perdiam num espectáculo demoníaco, fantasmagórico e inesquecível. Tudo ardia, tudo fulgurava; já não existia a terra; vivia-se num outro mundo. A noite era uma apoteose aos génios do mar, tremeluzia, fulgurava, incendiava-se toda, apoteoticamente» (...).
Video (5') > https://www.youtube.com/watch?v=TWsSnCUJ7c8
Os tradicionais festejos em honra dos "Santos Populares" terminam hoje na Madeira com o chamado "arraial de São Pedro". São duas as freguesias que disputam o seu protagonismo, sem que por isso São Pedro seja o padroeiro da respetiva paróquia: Câmara de Lobos tem como padroeiro São Sebastião; e Ribeira Brava, São Bento. Mas é o São Pedro quem mais cativa as populações destas duas vilas piscatórias, até pelo lugar que ocupou no cristianismo nascente ou Igreja católica primitiva.

Nesta última localidade (Ribeira Brava), para além da “Missa da Festa”, hoje, à tarde, e após a procissão com a imagem de São Pedro, a barca do santo pescador, a banda de música, as crianças da Primeira Comunhão, as saloias do Espírito Santo, as Confrarias e demais entidades religiosas e civis, realiza-se no adro da igreja a centenária "Dança das Espadas", recuperada atualmente pelo Grupo Etnográfico e de Folclore Boa Nova. Trata-se de uma dança executada por "sete dançarinos, acompanhados por três músicos: um com rajão, um com uma braguinha e outro com um pandeiro. A dança das espadas da Ribeira Brava era um vestígio das muitas folias que apareciam outrora na procissão do Corpo de Deus da Ponta do Sol e foi trazida para esta povoação pelos pescadores para figurar na procissão de S. Pedro".

Centro da vila da Ribeira Brava (em cima) e vista parcial da praia (em baixo)
NB: O rajão é um instrumento da classe dos cordofones que arma com cinco cordas simples e é, provavelmente, o único instrumento de criação verdadeiramente madeirense.
Música c/braguinha (manchete/cavaquinho) > https://www.youtube.com/watch?v=Pujpr3lN36U
Uma leitura actual para estes dias de verão. “Na Margem”, de Rafael Chirbes, é um livro que põe o dedo na ferida europeia e nas chagas que estão a contaminar o mundo. A Europa está em guerra quer com recurso a material bélico (Ucrânia) quer através das cínicas cimeiras entre os mais altos responsáveis europeus. A questão da Grécia é, desde a primeira hora, uma questão ideológica e partidária. A partir do momento em que o Syriza (movimento político de esquerda) chegou ao poder a Europa não comunista cerrou fileiras contra a Grécia.

Sorrisos amarelos e palmadinhas nas costas chegam a roçar o miserabilismo sócio-democrático e político europeu. Como refere o jornalista e escritor espanhol Rafael Chirbes “estamos numa Europa comandada pelos ricos e pelas multinacionais, quanto mais baixos forem os salários mais lucros vão para os ricos”. O governo português, tal como o espanhol, tem uma postura de subserviência à senhora Merkel que tenta fazer dos países mais fracos da UE colónias alemães do século XXI. “Os países do sul estão a pagar a roleta da banca alemã”, observa Chirbes. Recomenda-se.
Se o governo cair caem todos, se o governo se mantiver mantêm-se uns e os outros. Para nós, tanto faz uns como outros. Deste governo temos contas por acertar, temos nós e milhares de portugueses, por nos ter roubado parte do subsídio da reforma, produto dos nossos mais de quarenta anos de descontos obrigatórios para a segurança social e afins. Um governo que rouba e quem rouba é ladrão. Depois de terem dito que as reformas são intocáveis, de terem prometido não tocar nos subsídios das reformas. Um governo ladroeiro e que mente ninguém quer. E os outros: também não são da mesma linhagem? Prometem também com mentiras, dizem uma e fazem outra. Em quem votar, em quem acreditar? A corrida desenfreada é “o poder pelo poder” e já falam numa coligação PSD-PP-PS, no caso de nenhum partido alcançar uma maioria absoluta para governar.
No tabuleiro político da democracia vale tudo. A dívida externa portuguesa está nos 131%, insustentável, subiu mais de 38% após a tomada de posse do actual governo liderado por Passos Coelho e Paulo Portas. Depois da Grécia, Portugal é o próximo que se segue. Antes que seja tarde, há que chamar à responsabilidade os governantes. A gestão pública não pode continuar a ser um ninho que alimenta vícios, enriquece os lacraus e palco para todas as “fugas para a frente”. O presidiário da cela 44 não é o único a ser alvo da tragédia nacional. Em síntese, não há nada de novo!
Assinala-se, hoje, o Dia Nacional do Gin Tónico. Uma bebida muito popularizada que terá surgido, pela primeira vez, em 1783, em Inglaterra. Trata-se de uma bebida destilada à base de cereais, composta essencialmente por gin, água tónica gaseificada e limão, apesar de ao longo dos anos terem sido introduzidas outras componentes. Em 1972, o barmen madeirense Arlindo de Freitas, natural do Funchal (Salões, São Gonçalo), venceu a medalha de ouro no mundial de cocktails, realizado em Itália, utilizando o gin produzido por Sir Martin Miller’s. Um feito histórico pelo facto de ter sido a primeira vez que um português arrebata um título mundial de cocktails.
O clássico gin tónico contém: gelo, água tónica, limão e gin. Fácil de preparar. Além desta composição há muitas outras variantes aromáticas. O segredo está nas quantidades e na qualidade dos produtos utilizados.
Natureza sem idades, sem datas e em constante renovação. Partes de um todo que se expande e vai durando pela vida fora sem registos de tempos. Sai da terra e à terra volta. Nada que a ciência possa cabalmente esclarecer. São os mistérios do mundo que por muito que o homem consiga descobrir novas vidas da natureza permanecem intactas e inacessíveis ao humano.
O Mercado dos Lavradores, no Funchal, está a ser, por estes dias, tema de discussão e análise relativamente ao seu futuro, entre os comerciantes e a actual vereação da Câmara Municipal. Tudo em nome da "modernidade" e da entrada de novos produtos, conforme a procura turística e outros interesses mais "inovadores".
O Mercado dos Lavradores, no centro do Funchal, foi inaugurado a 24 de Novembro de 1940. Trata-se de um símbolo das grandes obras promovidas pelo Estado Novo e o projecto foi da autoria do arquitecto Edmundo Tavares (1892-1983), que foi também responsável por outras obras de raiz na cidade, como o Matadouro do Funchal e o edifício do Banco de Portugal.
O Mercado dos Lavradores integra ainda um conjunto de grandes painéis de azulejos da Faiança Batisttini de Maria de Portugal, pintados com temas regionais por João Rodrigues, que ornamentam a fachada, a porta principal e a praça do peixe.
A sua construção, entretanto, teve à frente um madeirense de grande envergadura, então presidente da Câmara Municipal do Funchal - Fernão de Ornelas (cujo mandato se iniciara em 1935, faz agora 80 anos), que protagonizou ainda o arranque das principais obras que se fizeram na primeira metade do século XX, como foi o caso da Avenida do Mar e das suas emblemáticas edificações, tudo enquadrado num plano de urbanização da cidade que viria a dotar a capital madeirense, com estatuto de modernidade.
Fernão de Ornelas nasceu em 1908, na freguesia de São Pedro. Era formado em Direito pela Universidade de Lisboa e já «durante o curso chamou a atenção pelas capacidades e pelas suas notas», revela o investigador Agostinho Lopes.
De regresso à Madeira, em 1934, Salazar nomeia-o no ano seguinte presidente do Município, tinha 27 anos de idade. Para a escolha terá contribuído, segundo Agostinho Lopes, a influência de figuras como Avelino Quirino de Jesus e o coronel José Vicente de Freitas, que tinha sido governador da Madeira em 1915 e desempenhou funções de chefe do Governo e de ministro do Interior.
A nomeação surge após um período conturbado na governação camarária que pôs fim à liderança de Juvenal Raimundo de Vasconcelos. Luís da Rocha Machado (importante banqueiro), que o substitui, não consegue manter-se no cargo. A sua equipa demite-se 56 dias depois. A Câmara atravessava graves dificuldades financeiras, desvio de fundos, ao ponto de serem vendidos prédios para fazer face à falência. Apesar da comparticipação do Estado para obras de utilidade pública, a situação agudizava-se. «Eram necessários todos os recursos para resolver os problemas, ao ponto de se falar na venda do camarote do teatro. Não se conseguia encontrar uma solução para equilibrar as contas do município», diz ainda aquele investigador.
O contexto social e político da altura também não era famoso, viviam-se situações de crise generalizada no País; ainda estavam frescos os "sentimentos autonomistas", como a Revolta da Madeira (1931) e a "ditadura do Estado Novo" começa a dar os primeiros passos com a Constituição de 1933.
O mandato de Fernão de Ornelas acolhe muitos aplausos ao princípio, mas é alvo de alguma "inveja" e animosidade. Em 1946, o Tribunal de Contas decide repetir a inspecção às contas da Câmara, colocando-as em causa, quando já tinham sido aprovadas e merecido elogios.
Ainda nesse ano, um grupo de apoiantes do presidente considerou que Fernão de Ornelas merecia um jantar de homenagem pelo seu trabalho em prol da transformação do Funchal. A iniciativa, que teve lugar a 5 de Outubro, no Hotel Savoy, foi a "gota de água" que levaria à sua demissão, notando-se a falta de certo apoio político de peso.
Mesmo assim, Fernão de Ornelas foi nomeado para mais um mandato de quatro anos; mas, na sequência dos desentendimentos com o Governador do Distrito do Funchal, Daniel Vieira Barbosa (continental), recebe deste uma carta em que lhe é apontado o caminho para a sua saída: «Não é fácil para mim, senhor presidente da Câmara do Funchal, distinguir a dignidade da minha pessoa da dignidade das funções que estou investido e sendo assim, compreende Vossa Excia, dispenso a sua colaboração. De facto e pelo que me diz respeito não pretenderia manter num lugar de confiança uma pessoa que deixou de ma merecer», escreve o Governador. Fernão de Ornelas não assume a sua demissão.
Numa reunião extraordinária responde: «…nada, absolutamente nada, me pode levar em consciência a pedir a demissão. Entretanto disponho tudo para entregar quando Vossa Excelência o determine as funções de presidente da Câmara do Funchal». No meio de tudo isto, a vereação considerou que não havia condições para continuar e solidarizando-se com o seu presidente solicitou ao Governador, que desse por terminado o seu mandato. Óscar Baltazar Gonçalves foi quem sucedeu a Fernão de Ornelas, em Maio de 1947.
Fernão de Ornelas muda-se então para o Continente (Lisboa), onde chegou a desempenhar funções na administração da Caixa Geral de Depósitos, vindo a falecer em 1978, já em liberdade democrática e sempre como uma referência inesquecível no desenvolvimento urbano e cosmopolita da capital madeirense. A principal rua, no centro da cidade, que conduz directamente ao Mercado dos Lavradores, ostenta o seu nome.
José da Silva (Saca) foi um dos melhores nadadores portugueses de todos os tempos, tanto em provas de piscina como em provas de mar. Em tempo de Verão, sabe bem falar e frequentar as "praias" madeirenses, em especial no Funchal, cujos calhaus evidenciam histórias, memórias inapagáveis... Entre os vários complexos balneares actualmente existentes, destaca-se o da "Barreirinha", mesmo ao lado da Fortaleza de Santiago, freguesia de Santa Maria Maior.
A sua história, em termos de nome e de utilização, perde-se no tempo, mas muitos se lembram, com certeza, das provas de natação ali realizadas. Por exemplo, no próximo mês de Agosto terá lugar a prova de mar "XX Prova de Mar José da Silva "Saca" (1923-2005). Foi atleta do Clube Desportivo Nacional, foi campeão nacional e internacional, em 1947 e 1948, representando a selecção nacional nos encontros “Portugal-Espanha” disputados em Algés e Palma de Maiorca, na prova dos 1500M livres.
Em 1957 e 1958, participou na Travessia do Canal da Mancha, que não chegou a concluir, devido à baixa temperatura das águas, tendo na última das vezes abandonado já muito próximo da meta, quando liderava a competição. Em 2001, e contando ainda com a participação de José da Silva "Saca", já com 78 anos, a prova de mar realizada anualmente entre o Cais do Funchal e o Complexo Balnear da Barreirinha passou a ter o seu nome, em homenagem a este grande desportista que nos deixou há 10 anos.
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Rua (Funchal) com o nome do melhor nadador madeirense de todos os tempos.
NB: O filho de José da Silva, de seu nome José Luís da Silva (já falecido), foi o primeiro futebolista madeirense a ser pretendido pelo Real Madrid, anos 60 do sex.XX, ainda Cristiano Ronaldo não tinha nascido. Tinha um talento enorme para o futebol e jogou, algumas épocas pelo CDNacional. Apesar da cobiça dos grandes clubes portugueses e do Real Madrid, José Luís optou por não sair da ilha.
“O costureiro da Maria” já é comendador, pois foi galardoado como Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Notícia dada com este requinte só pode ser mordaz, mas veio assim à estampa. Maria (Cavaco Silva) é a mulher de Aníbal (Cavaco Silva, presidente da República), primeira-dama do País. O seu costureiro (Carlos) teve direito a uma Ordem pela “prestação de serviços relevantes a Portugal”. A Ordem honorífica Infante D. Henrique foi criada pelo regime da ditadura, em 1960. Para que não parecesse uma distinção de favor outros dois costureiros foram promovidos a comendadores. De um momento para outro Portugal passou a ter três costureiros com a Ordem do Infante D. Henrique, pelos serviços relevantes ao País. Façanha única na Europa do euro. Honra lhes seja feita.
"Os governantes portugueses parecem ter cabeças de melão... são cabeçudos". Palavras! Cada qual dá a definição que quiser, sem incorrer em ilegalidades anti-liberdade. Tomando pela metáfora, melão também pode querer dizer "sem nada na cabeça" ou mesmo "cabeça cheia de m...". Em Bruxelas, o sr.dr.Durão Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia, antigo militante activo do MRPP e que veio a ser primeiro-ministro de Portugal, eleito pelo PSD, era mimosamente presenteado pelo "sr. ninguém". Não há conhecimento que alguma vez lhe tenham chamado "cabeça de melão". Não passam de livres-arbítrios da liberdade de expressão. Outros e novos tempos.
A propósito, sugerimos a leitura do livro (velhinho mas sempre actual) intitulado "Escuta Zé Ninguém"... em doses de humilde sabedoria.

Att: Há por ai muitas cabeças de melão que não são nem nunca foram governantes, como há outrossim muitos "Zés Ninguéns" da figurativa bula lodosa.
Para além dos tradicionais festejos em honra de São João Baptista, esta semana de Junho destaca-se ainda pelo aniversário natalício (dia 27) de Guilhermina Suggia, a grande violoncelista portuguesa, nascida no Porto em 1885 (morreu em 1950). Foi um dos nomes maiores da cultura musical clássica, entre nós e no mundo, a par do espanhol Pablo Casals (também seu companheiro). Guilhermina nasceu num ambiente favorável, o seu pai, Augusto Jorge de Menim Suggia, era Violoncelista profissional, no real Teatro São Carlos, e professor nos conservatórios de Lisboa e do Porto.

Guilhermina tinha uma irmã três anos mais velha - Virgínia - notável pianista; e as duas irmãs apresentaram-se ao público em 1896, no Teatro Gil Vicente, no Porto, já com fortes credenciais do seu talento inimitável. Estudou inicialmente com o pai, mas o seu prodígio foi também apoiado pelo já conceituado violoncelista então Pablo Casals, então com 22 anos, que logo reconheceu de imediato o potencial da jovem tendo-lhe dado várias lições.
Foi depois estudar para a Alemanha, viveu em Paris, em Londres..., e tornou-se num expoente mundial do instrumento que no seu tempo era proibido às mulheres. O seu nome, personalidade e arte musical têm sido tratados por vários autores, sendo fácil encontrar muitas obras e livros a este propósito.
Já foi o automóvel mais vendido e mais popular no mundo. A ideia do famoso "carocha" ou "carro do povo" foi apresentada há 81 anos, no dia 22 de Junho, e por isso se assinala hoje o Dia Mundial do Carocha.

Criado em 1934 pelo engenheiro alemão Ferdinand Porsche, foi concebido para ser um carro simples e económico. Foi então criado o "Beetle", um carro equipado com um motor traseiro refrigerado a ar e tração traseira. Este foi também um dos primeiros carros a ser projetado com a ajuda de um túnel de vento e que seria um sucesso.
Nessa altura, Hitler também demonstrou um grande interesse por carros e exigiu que Porsche que completasse o "Beetle", o único carro da VW na época, e o preparasse para ter uma melhor eficiência ao nível do combustível e fosse prático para os trabalhadores alemães. A Volkswagen iniciou a sua atividade em 1930 e o seu nome deriva das palavras Volks (povo) e Wagen (carro), isto porque Adolf Hitler queria que todos os alemães pudessem ter um carro próprio.
O "Beetle" (o primeiro "carocha") foi produzido pela primeira vez em 1938 e foi a principal fonte, para não dizer exclusiva, de produção e vendas da VW durante muitos anos, até ao lançamento do Golf. O modelo deixou de ser produzido e foi substituído em 1998 pelo "Novo Beetle". A partir do "carocha" clássico alemão, foram construídos até hoje outros modelos, sempre com muita procura pelo seu conforto e interesse estético.
Era uma expressão muito usada no Funchal, nos anos 50 do século XX: “A cidade está cheio de Camones”, isto é, camone vem de “come on”, uma forma um tanto pejorativa que não ofensiva para referir-se aos ingleses que “enchiam” as ruas da cidade. Na nossa juventude, os “camones” eram os turistas (ingleses) que vinham à ilha.

Hoje, 21 de Junho, começa o verão e já encontrámos alguns camones pela cidade. O verão começa com muito sol. A Madeira que os italianos (genoveses) descobriram, em 1335, e os portugueses iniciaram a exploração, em 1419, começando por levar para a ilha “prisioneiros das prisões de Lisboa”, é o destino turístico mais antigo de Portugal, com mais de dois séculos. A capacidade hoteleira do arquipélago está acima das trinta mil camas e as receitas do turismo correspondem a cerca de 30 por cento do PIB regional. Ontem como hoje, a cidade do Funchal está cheia de "camones".
Funchal é a primeira cidade do país a ter uma "bicicool", bicicleta coletiva de dezoito lugares, que permite aos utentes pedalar ao ritmo que melhor entenderem e ao mesmo tempo saborear uma bebida. A "bicicool" faz o percurso plano entre o Porto do Funchal e a avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses, numa extensão aproximada de 2.300 metros (ida e volta).

O novo cais de cruzeiros da capital madeirense estará, dentro em breve, apto a receber os primeiros navios. Uma nova plataforma que vem favorecer a escala de transatlânticos no Funchal que por ano, em média, trazem até a capital madeirense mais de 600 mil turistas, em trânsito.
Em "Saudades de Deus", livro recente do Pe. Joaquim Carreira das Neves, editado pela Editorial Presença, o conceituado sacerdote franciscano, especialista em Teologia Bíblica, Professor Jubilado da Universidade Católica Portuguesa e membro da Academia das Ciências, convida-nos a fazer uma viagem sobre a imagem do Deus Criador – um Deus misterioso, invisível..., em confronto com as descobertas e saberes atuais.
A ciência não resolve por si só a ansiedade do ser humano, e daí que, ao longo dos sucessivos milhões de anos da criação do nosso planeta, a humanidade tenha questionado sempre sobre a razão da sua existência, da sua vida e da sua morte. E, à face desta demanda pelo transcendental nasceram as várias espiritualidades enraizadas no espírito criativo da natureza e do universo. Afinal, como escreveu Santo Agostinho, o nosso coração é um eterno buscador de Deus, uma fonte que nunca seca a jorrar água do Deus vivo.
Joaquim Carreira das Neves desenvolveu a sua especialidade académica em estudos bíblicos e orientais. Depois de ordenado sacerdote, frequentou a Universidade Antonianum de Roma, o Instituto Pontifício Bíblico de Roma, o Instituto Bíblico da Flagelação de Jerusalém e defendeu tese de doutoramento na Universidade de Salamanca, em 1967, sobre a Teologia na Tradução Grega dos Setenta no Livro de Isaías.
É ainda autor dos seguintes livros: Jesus Cristo - História e Fé; Jesus de Nazaré, Quem és Tu?; As Novas Seitas Cristãs e a Bíblia; Escritos de São João; A Bíblia, O Livro dos Livros (2 volumes); São Paulo - Dois mil anos depois; As Grandes Figuras da Bíblia; Deus Existe; Uma Viagem pelas Religiões; e Lutero - Palavra e fé.
Atualmente com 81 anos de idade, o Pe. Carreira das Neves ficou também célebre pela sua participação num programa televisivo em que demandava com José Saramago (Nobel da Literatura em 1998) sobre questões bíblicas e a Igreja.
Video (38') > https://www.youtube.com/watch?v=_zzOrpNnXYc
Acabámos de receber um dicionário do jornalismo francês, editado em Maio deste ano. Uma espécie de genealogia dos jornais que nos leva à mais completa bibliografia do jornalismo. Em Portugal não há preocupações nesse sentido, compilar tudo numa mesma publicação, mas há diversas edições avulsas. Talvez porque no nosso país não há (nunca houve) jornais de expressão nacional, embora alguns encimam “jornal nacional”, “jornal independente”, etc.

O jornalismo português ou é urbano, rural (interior), católico ou uma mescla de notícias. Tudo cabe no mesmo saco, ou seja, nas mesmas páginas a cores ou a preto e branco. A tal cultura do “espertalhaço saloio” do sabe tudo… mas que pouco ou nada sabe!
Em poucas palavras pode-se resumir uma lição de vida. A prova está nos provérbios ou nas expressões populares alicerçadas na tradição de séculos, mas passíveis de adaptação em qualquer época. Como um património de sabedoria, também hoje em dia nada melhor do que citar certos "ditados" para se compreender o que está a acontecer à nossa volta, seja em termos de política, da economia ou da sociedade em geral.
A este propósito, lembramos o ridículo em que caíram (e caem) alguns líderes políticos da nossa praça ao defenderem certas circunstâncias incompatíveis com o modo do viver globalizado e mercantilista. É o caso do antigo presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, líder carismático e incontestado durante quase 48 anos. Foi há alguns anos, numa intervenção pública, que o então presidente e também chefe máximo do PSD/Madeira, disse que os chineses eram "persona non grata"..., porque estariam a conquistar terreno e a usurpar direitos de trabalho devidos aos conterrâneos...

O novo presidente do PSD-Madeira, Miguel Albuquerque, está a vender e a arrendar bens do partido, a preços da chuva. Tudo quanto sejam "sombras" do passado é para apagar, custe o que custar. Para já, os chineses agradecem!
Mas, não é que, há poucos dias, no decorrer deste mês de Junho, ficámos a saber que um empreendimento emblemático, o Centro de Congressos da Fundação Social Democrata, localizado em Santa Quitéria, frente ao Madeira Shopping, vai passar a ser uma loja chinesa, virou uma "chinesice", com uma renda de cinco mil euros/mês!?
É caso para se dizer: trata-se apenas de uma "vingança de chinês". Ou então, um simples "sorriso de amarelo" – com os "amarelos" (ou seja, os chineses) vistos pelos ocidentais até como exímios negociadores, capazes de sorrir mesmo em situações de desfavorecimento; ou ainda, tão só a "paciência de chinês", e está tudo explicado...

O mesmo se poderia dizer de outros "ditados", com oportuna aplicação nos nossos dias, como: "Ter o rei na barriga", uma expressão que vem do tempo da monarquia em que "as rainhas, quando grávidas do soberano, passavam a ser tratadas com deferência especial, pois iriam aumentar a prole real e, por vezes, dar herdeiros ao trono, mesmo quando bastardos"; no nosso tempo refere-se a uma pessoa que dá muita importância a si mesma.
Também significativa, com aplicações bem concretas, é a expressão: "Elefante branco". Vem de um costume do antigo reino de Sião, situado na actual Tailândia, que "consistia no gesto do rei de dar um elefante branco aos cortesãos que caíam em desgraça. Sendo um animal sagrado, não podia ser posto a trabalhar. Como presente do próprio rei, não podia ser vendido. Matá-lo, então, nem pensar. Não podendo também ser recusado,
Mais palavras para quê?

João Godim
FREELANCER
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