"A minha pátria é a língua portuguesa" escreveu Fernando Pessoa, no primeiro quartel do século XX. Se fosse vivo o poeta teria muito provavelmente outra opinião ao ver o desleixo dado à língua portuguesa. O património linguístico português nunca foi tão maltratado, a começar pelos governantes, políticos, escritores e jornalistas. Para apurar a qualificação de alguns professores da língua materna, o governo decidiu submeter a exame os interessados em continuar a dar aulas. Dos 106 professores que fizeram a prova de português 60 por cento teve nota negativa. Noutras disciplinas, outras tantas notas negativas. Se quem ensina não sabe, se quem manda não sabe, como podemos querer um país melhor?
Faz-me lembrar o diálogo entre pretos e brancos na Guiné-Bissau, nos tempos da guerra colonial. Eles, os pretos, falavam crioulo mas diziam que falavam português e nós, os brancos, falávamos português mas para eles era como falar numa língua diferente. Nem eles falavam português nem nós falávamos crioulo. Uma salada de palavras. O acordo ortográfico é, figurativamente um pouco de tudo isto, um "mar de ilusões". Nos Palops é uma coisa nova que os brancos do Brasil inventaram com a conivência dos portugueses (de Portugal). A língua portuguesa perdeu a sua verdadeira pátria. Diz Sanhá que "na Guiné temos o crioulo para falar e o português para as coisas escritas". A língua portuguesa "nem é branco nem é preto". Uma prática que vem de longe, como se vê na imagem.
A crise na comunicação social há muito que existe. Salvo pontual excepção, todas as empresas do sector estão tecnicamente insolventes, tanto na imprensa como na tv, rádio e nas agências noticiosas, as despesas são superiores às receitas, o défice acumulado é inevitável. Ao consultarmos os cadernos de encargos das empresas da comunicação social portuguesas a conclusão final, entre o deve e o haver, leva-nos a uma grande interrogação: Que negócio é este que dá prejuízos financeiros? Há excepções mas são muito escassas e nem estão consolidadas.
Um país que tem uma comunicação social em permanente falência técnica é um país árido no aspecto cultural, sem massa crítica, subserviente, apolítico e vazio de conteúdos. A liberdade de imprensa é uma mentira. Tudo acaba por ser reflexo do estado da nação que teima em promover a fachada em vez de dar valor à matéria. Consulte-se a comunicação social inglesa, alemão, dos países nórdicos, da EUA e da própria Rússia, as tiragens sobem, as receitas crescem ou estabilizam, ao contrário de Portugal onde o declínio é triturador. Nos últimos quarenta anos, nenhum país europeu perdeu tantos títulos de jornais e de leitores como Portugal.
Há 125 anos, no dia 19 de Maio de 1890, nascia em Lisboa o poeta Mário de Sá-Carneiro, considerado um dos modernistas da poesia portuguesa, um dos fundadores, com Fernando Pessoa e outros, da Revista Orpheu (1915) que viria a ter um papel fundamental na renovação da nossa literatura no século XX.
Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) viveu também em Paris, cidade onde se suicidou com 26 anos incompletos, após uma "crise existencial grave". As suas Obras poéticas mais conhecidas são: Dispersão e Indícios de Oiro; e na ficção: A Confissão de Lúcio e Céu em Fogo.
Mário de Sá-Carneiro nasceu no seio de uma família da alta-burguesia, sendo filho e neto de militares. Órfão de mãe com apenas dois anos, foi educado pelos avós. Iniciou-se na poesia com doze anos e aos quinze já traduzia escritores de nomeada: Victor Hugo, Goethe e Schiller. Após o liceu, onde também experimentou o teatro, foi para Coimbra, para a Faculdade de Direito, mas não fez qualquer licenciatura. Em 1912 veio a conhecer o seu melhor amigo – Fernando Pessoa; e depois segue para Paris, para prosseguir os estudos superiores na Sorbonne, sempre com o apoio financeiro do pai, mas em vez dos estudos opta por uma vida boémia e de grande criatividade literária...
Mário Sá-Carneiro e Fernando Pessoa, bons amigos.
Por estes dias tem-se falado muito dos Museus e pouco dos seus principais autores ou protagonistas. Nesta oportunidade, lembramos um dos grandes escultores portugueses, nascido no Funchal, mas com expressão internacional: Francisco Franco de Sousa (1885-1955), e do qual celebram-se este ano dois aniversários: 130 anos do seu nascimento e 60 anos da sua morte.
Após estudos superiores, em Lisboa, Francisco Franco parte, em 1910, para Paris, onde imperava o famoso Rodin e pontificavam artistas como Picasso. No início da I Guerra Mundial (1914), regressa à Madeira e executa vários estudos para obras posteriores. Em 1921, regressa a Lisboa, tomando parte em exposições colectivas, e outrossim no continente americano, ao longo dessa década dos anos 20. Em 1927 realiza um trabalho que irá marcar a estatuária portuguesa:
O monumento a João Gonçalves Zarco (o navegador do achamento da Madeira no século XV), encomendado pela então Junta Geral do Distrito do Funchal, que seria inaugurado a 28 de Maio de 1934, na Avenida Zarco, no centro da capital madeirense.
Outras obras marcantes do seu currículo artístico são: as estátuas régias de D. João IV (Terreiro do Paço, Vila Viçosa), D. Dinis e D. João III (ambos na Universidade de Coimbra), D. Leonor (Caldas da Rainha) e D. João I.
Cultivou também a arte do retrato, executando os bustos de Manuel Jardim (Museu do Chiado), de Salazar (Ministério das Finanças), de Reinaldo dos Santos e a estátua de corpo inteiro de Salazar (para a Exposição Universal de Paris, em 1937), entre outras.
Dedicou-se igualmente à escultura religiosa, com as obras Apostolado (na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa) e o monumento Cristo-Rei (em Almada, frente ao rio Tejo), uma das suas últimas obras, inaugurada a 17 de Maio de 1959. Francisco Franco dá também nome a uma das principais Escolas Secundárias no centro da cidade do Funchal, outrora (antes do 25 de Abril de 1974) Escola Industrial e Comercial do Funchal.

Francisco Franco, o escultor monumental.
Paul Bowles (1910-1999), o escritor norte-americano que viajou por quase todo o mundo com conhecimento de causa e interesse pelos países e povos, esteve na Madeira na década de 60 do século XX. Já então vivia no norte de África (Tânger), mais ou menos retirado, mas sempre procurado e em contacto com os grandes das letras e das artes.
No seu livro "O Céu que nos Protege", Paul Bowles fez a diferença entre viajante e turista. «Não se via como um turista, era um viajante. A diferença tem a ver em parte com o tempo, explicou. Enquanto o turista costuma voltar a correr para casa ao cabo de semanas ou meses, o viajante, que não pertence a um lugar mais que a outro, desloca-se com vagar, durante anos, de uma parte da terra para outra...» . Para além de "O Céu que nos Protege", podemos ainda ler em português os livros "A Missa do Galo", "Deixai a Chuva Cair" e "Viagens".
É precisamente nesta obra ("Viagens") que dedica 16 páginas à Madeira.
As sua impressões sobre o Funchal de então e a freguesia de Santana, por exemplo, são muito interessantes. Relata tudo ao pormenor, com o requinte de quem está habituado a observar e a saborear a realidade que lhe é dada a conhecer. Confessa o seu encantamento por este pequeno território insular, pela natureza, paisagem, pessoas, costumes e tradições...; e até mesmo no meio de uma pequena praça, como é a Colégio ou do Município, Bowles diz-se cativado pelo ambiente em redor...:

Praça do Município do Funchal: "Vazia e iluminada apenas pelos seus próprios candeeiros, é seguramente uma das pracetas públicas mais elegantes que há no mundo. O esplêndido edifício assimétrico está caiado, bordejado a pedra negra, e o pavimento do centro é um mosaico abstrato de lava negra e branca. Ao fim da noite, brilhando sob a chuva, a praça tem uma beleza dramática e heterodoxa. Atravesso-a devagar e mergulho na escuridão de uma rua lateral. O relógio da catedral faz soar um elaborado carrilhão a cada quinze minutos. Por vezes, se eu estiver caminhando ao lado das ribeiras, o rumor da água sobre as rochas lá em baixo cobrirá parcialmente, mas nunca por completo, o som do carrilhão".
Paul Bowles fala também do Cais do Funchal, entre muitos outros aspetos citadinos, e considera que: «A Madeira tem imenso carácter, muito embora não seja exactamente o carácter que lhe é atribuído pelas brochuras turísticas».
A mais antiga loja comercial portuguesa está a completar 400 anos da sua fundação. Chama-se "Casa Batalha" e está localizada em Lisboa, desde 1635, ano em que Filipe III de Portugal (IV de Espanha) alargou a todo o país o imposto do "Real-d’água". O seu fundador e primeiro proprietário foi João Cipriano Rodrigues Batalha que, sem saber, passou a fazer parte de uma história singular. As origens deste comerciante remetem para o "ofício de conteiro, dedicando-se desde sempre à venda de contas, bordados, bijuteria, particularmente colares".
"Casa Batalha", no shopping das Amoreiras.
Depois do incêndio no Chiado, lojas com o nome de "Casa Batalha" foram abertas nalguns dos principais centros comerciais do país. "Casa Batalha" continua a ser a marca mais antiga do comércio em Portugal, apesar de ter mudado de proprietários já nos finais do século XX...
Além disso, não deixa de ser curioso que só no século XIX começaram a aparecer as principais Associações Comerciais no nosso País: Associação Comercial de Lisboa, Associação Comercial do Porto, Associação Comercial do Funchal, Associação Comercial dos Açores, todas no mesmo ano, em 1834, como resultado de um protesto contra uma decreto governamental que pretendia implementar uma medida importada da França revolucionária que defendia o indivíduo acima de tudo. Mas, a "união faz a força" e logo os comerciantes uniram-se em torno de uma existência coletiva e de uma forma mais respeitadora e promotora dos seus interesses, a bem de toda a sociedade.
A obra completa de Herberto Helder, considerado o "maior poeta português da segunda metade do século XX", recentemente editada, está a ter uma procura acima de todas as previsões. O poeta, natural do Funchal (Madeira), nasceu a 23 de Novembro de 1930 e faleceu no passado dia 23 de Março (2015). A obra está traduzida em várias línguas.
Marguerite Yourcenar (1903-1987), a autora de livros inesquecíveis como "Memórias de Adriano" e "A Obra ao Negro", entre outros, esteve na Madeira no início de 1960, durante duas semanas. Na oportunidade, a Alliance Française à Madére, organizou uma conferência sobre "Fonction et Responsabilités du Romancier".
Escritora belga de língua francesa, Marguerite Yourcenar foi a primeira mulher eleita para a Academia Francesa de Letras, em 1980, no auge de uma obra notável em todo o mundo. Marguerite Yourcenar é um pseudónimo literário, dado que o seu nome próprio é Marguerite Cleenewerck de Crayencour.
Descendente de uma família de origem aristocrata, não chegou a conhecer a mãe que morreu poucos dias após o seu nascimento. Educada pelo pai de uma maneira excecional, cedo se iniciou nas leituras dos autores clássicos, com a aprendizagem do latim e do grego, ainda criança e adolescente; e também viajou muito, em contacto direto com as línguas atuais. Começou a escrever ainda na juventude, tendo publicado o seu primeiro livro, “O Jardim das Quimeras”, aos 17 anos.
No início da II Guerra Mundial (1939), Yourcenar mudou-se para os Estados Unidos, onde passou o resto de sua vida; em 1947, naturalizou-se cidadã norte-americana, ensinando literatura francesa, até 1949. Em 1971, torna-se membro estrangeiro da Academia Belga de Língua e Literatura.
Ainda hoje, a leitura das suas obras continua a ser interessante, ajuda a pensar com objectividade, apesar da própria escritora considerar que a realidade não se encontra nos livros:
> Como toda a gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer de que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas.
- Li quase tudo quanto os nossos historiadores, os nossos poetas e mesmo os nossos narradores escreveram, apesar de estes últimos serem considerados frívolos, e devo-lhes talvez mais informações do que as que recebi das situações bastante variadas da minha própria vida.
- A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes imóveis das estátuas me ensinaram a apreciar os gestos. Em contrapartida, e posteriormente, a vida fez-me compreender os livros”.
O azulejo português será candidato a Património da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (UNESCO). Trata-se de uma arte muito original, que abrange todo o País, uma herança que não se circunscreve apenas a Lisboa, e que remonta ao século XVI, quando entraram em Portugal os azulejos hispano-mouriscos produzidos na Andaluzia.
A partir de então foram criados diversos e diferentes padrões, com utilizações variadas: no século XVIII o azulejo foi usado sobretudo no interior de edifícios históricos, como igrejas, conventos e palácios; no século XIX passou a ornamentar as fachadas das casas; e no século XX, entrou com propriedade na arte urbana, em vários espaços, como aeroportos, estações de metro ou de comboio e viadutos rodoviários.
"O azulejo português, ao longo dos últimos anos, tem vindo a ganhar destaque a nível internacional, servindo de inspiração, nomeadamente, a muitos costureiros e designers e está cada vez mais presente um pouco por todo o espaço lusófono", defende a tutela, a propósito desta candidatura a Património da Humanidade
A conservação do azuleio português tem sido promovida desde há muito, tendo-se criado para o efeito o Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa, no antigo Mosteiro da Madre de Deus, fundado em 1509 pela rainha D. Leonor. O espólio do museu data do século XV, tendo sido sucessivamente enriquecido com novas peças que estabelecem um percurso entre azulejaria arcaica e a produção mais contemporânea.
No Funchal, guarda-se também uma importante coleção de azulejos, na Casa Museu Frederico de Freitas, localizado na Calçada de Santa Clara e integrado na histórica de São Pedro. Além dos azulejos, este Museu, também conhecido por Casa da Calçada, antiga residência dos Condes da Calçada (desde o século XVII), apresenta ainda um valioso património secular de escultura, pintura, gravura, mobiliário, cerâmica e cristais pertencentes ao advogado, notário e colecionador madeirense Dr. Frederico de Freitas (1894-1978), que ali residiu e legou as suas coleções à Região Autónoma da Madeira.
Neste contexto se constituiu a atual Casa Museu Frederico de Freitas, cujo projeto ficou concluído em 1999 com a criação da Casa dos Azulejos, uma vasta coleção de azulejaria, com "peças orientais, islâmicas, medievais, majólica e uma mostra de azulejaria holandesa. O núcleo português, que inclui um importante conjunto de padronagem seiscentista, evoca a produção nacional até à atualidade".
Condução responsável associada à segurança na estrada é dos slogans difundidos pelo governo alemão. A Alemanha é dos países europeus com menos acidentes e o que melhor sinalização dispõe ao longo das estradas, dentro e fora das cidades, nos percursos suburbanos ou nas vias rápidas nacionais com ligações internacionais. Há uma máxima de segurança visível. A Alemanha tem 48 milhões de carros com uma média de circulação diária elevada e, em simultâneo, 74 milhões de bicicletas. Tudo em ordem. É mais seguro conduzir nas estradas alemães, com grande movimento, do que em Portugal e noutros países. Tudo está devidamente sinalizado, em placares posicionados de forma a darem uma rápida leitura.
Fez, ontem, dia 13 de Maio, 70 anos que foi fundado o Centro Nacional de Cultura, uma instituição de grande relevo que ainda mantém o espírito da tertúlia e do debate, contra preconceitos que impedem o desenvolvimento das sociedades. Sedeado na rua onde também esteve instalada a Polícia Política do Salazarismo(PIDE), de má memória, a António Maria Cardoso (em Lisboa), o Centro Nacional de Cultura (CNC) teve entre os seus fundadores alguns monárquicos, personalidades experimentadas em vários cenários da I República, mas sempre apostados no desenvolvimento das mentalidades, em especial através da cultura, que conduziria a novos progressos políticos e cívicos. O seu intento, desde o início, foi criar um espaço de "encontro e de diálogo entre os diversos sectores políticos e ideológicos, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar".
CNC - Rua António Maria Cardoso, 68, Lisboa
Entre as personalidades marcantes que passaram pela sua direção destaca-se Helena Vaz da Silva. No presente, a presidência do CNC cabe a Guilherme d´Oliveira Martins; e é justo reconhecer que, outrora como agora, esta associação cultural continua no mapa das grandes realizações e iniciativas culturais. Basta consultar os seus endereços online: www.cnc.pt; ou http://e-cultura.sapo.pt
A pedido do Papa Francisco, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima vai estar presente na audiência geral desta quarta-feira, 13 de Maio, na Praça de São Pedro, unindo o Vaticano ao Santuário português.
“Estamos orgulhosos que no dia dedicado a Nossa Senhora de Fátima, a nossa estátua servirá de elo entre o Santuário Mariano e a Praça São Pedro, numa oração de paz e esperança”, revelou o assistente espiritual da UNITALSI - União nacional italiana de transporte de doentes a Lourdes e santuários internacionais.
A presença da imagem vai ser uma oportunidade de recordar a primeira aparição de Nossa Senhora, no santuário português, e o sacerdote fez questão de dizer que a estátua é proveniente de Fátima onde foi abençoada.
À Rádio Vaticano, o padre Gianni Toni manifestou ainda que foi com “grande satisfação” que atenderam ao “pedido do Papa” e também vão levar “mais de cem portadores de necessidades especiais” para celebrar esta “importante” cerimónia.
Este ano de 2015 está a ser comemorado com vários motivos de interesse: "Ano Internacional da Luz e da Óptica", Ano "Internacional dos Solos", "Ano da Vida Consagrada" na Igreja Católica, "Ano de Santa Teresa de Ávila" (V centenário do seu nascimento) e "Ano Europeu para o Desenvolvimento".
A par destes acontecimentos maiores, destacam-se ainda: os 800 anos da "Magna Carta", em Inglaterra; o VIII centenário da "Língua Portuguesa"; o 150º aniversário das "Leis da Hereditariedade", formuladas e testadas pelo monge Mendel; os 70 anos do lançamento das bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki (no Japão); os 40 anos do início da ocupação de Timor-Leste pela Indonésia; os 500 anos da morte de Afonso de Albuquerque; os 250 anos do nascimento do poeta Bocage; os 100 anos da morte do escritor Ramalho Ortigão (que escreveu as Farpas com Eça de Queirós e fez parte do Movimento Geração de 70); também os 100 anos do nascimento do poeta Ruy Cinatti (amigo de Timor-Leste), entre muitos outros.

É sempre bom e necessário recordar, estabelecer pontes com o passado, para que o caminho do futuro se faça com maior proveito. Como disse Marguerite Yourcenar (1903-1987), a autora do livro "Memórias de Adriano", entre outras obras notáveis: "Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória humana".
Na manhã deste domingo, 10 de Maio, o Papa Francisco recebe, em audiência privada, o Presidente da República de Cuba, Raúl Castro. A notícia foi confirmada pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, que referiu o facto de o Presidente Castro ter agradecido publicamente ao Papa pelo seu papel na reaproximação entre Cuba e os Estados Unidos da América.
O Papa João Paulo II, em 1998, com Fidel de Castro, líder histórico cubano.
As aproximações oficiais entre Cuba e a Igreja Católica remontam a 1998, aquando a visita do Papa João Paulo II que marcou o fim das tensões nas relações entre o Vaticano e o governo de Havana. A pedido do Papa, Fidel Castro restituiu, em 1998, o feriado de Natal, que tinha sido abolido no fim da década de 60. Um gesto semelhante aconteceu em 2012, quando, durante a visita do Papa Bento XVI, Raúl Castro restituiu o feriado da Semana Santa.
Entretanto, o Papa Francisco irá também a Cuba, no próximo mês de Setembro, antes da sua visita aos Estados Unidos onde participará no 7º Encontro Mundial das Famílias que se realizará em Filadélfia de 22 a 27 de Setembro. Durante a sua visita aos Estados Unidos, vai encontrar-se com o Presidente Barack Obama, visitará a sede da ONU, em Nova Iorque, e discursará no Congresso norte-americano.
NB: Fulgêncio Batista, presidente de Cuba, entre 1952-59, deposto por um golpe de estado sob o comando de Fidel Castro e "Che" Guevara, em Dezembro de 1959, veio para a Madeira, ficando hospedado no hotel Reid's (Funchal).
Assinala-se, hoje, 9 de Maio, o "Dia da Europa", em referência à proposta feita, em 1950, por Robert Schuman, ministro francês dos Assuntos Externos, para a criação de uma autoridade comum destinada a regular a indústria do carvão e do aço na Alemanha Ocidental e em França. Foi o primeiro passo político para a União Europeia (UE). Mas, questiona-se, no presente, como está o ideal europeu? Como reagir perante certos líderes políticos que ameaçam promover um "referendo" sobre o interesse ou não em permanecer na UE (caso do Reino Unido).
Há muito que esta questão de ser ou não ser europeu de corpo inteiro tem ocupado algumas mentes, figuras destacadas da sociedade civil, para além das pretensões políticas e governamentais dos Estados membros da UE. É o caso, por exemplo, do filósofo e ensaísta português Eduardo Lourenço que considera que a União Europeia quis "andar muito depressa" e esse facto "pode estar na origem da crise que [se] atravessa actualmente".
"Provavelmente quis-se andar muito depressa, provavelmente teria sido mais interessante que os Doze [Estados] se tivessem consolidado como um grande núcleo, com mais organicidade e mais regras de actuação democraticamente aceites", servindo "de pólo de atracção" a outros países, observa o ensaísta. "Mas não foi isso que se fez. Com a queda do muro de Berlim, a Europa ficou à deriva" . Questionado sobre uma perspectiva optimista para a União Europeia e o modelo que gostaria de ver a funcionar no espaço europeu, o autor do livro "A Europa Desencantada. Para uma mitologia europeia" admitiu que a Europa nunca será uns "Estados Unidos" ainda que tenha sido uma "utopia de Victor Hugo no século XIX".
Eduardo Lourenço diz que "a Europa não é, nunca foi os Estados Unidos, não pode ser os Estados Unidos. É uma nação que se tornou federal pelo espaço, para harmonizar distâncias, com um centro que pudesse realmente tutelar esse sistema político. Foi democraticamente votado e tem sobretudo um cimento fantástico que é a mesma língua, as mesmas tradições culturais, a mesma cultura", acrescenta. "Os Estados Unidos não são uma nação do tipo europeu, mas são uma nação. E que nação! E nós não somos essa nação!", sublinha.

Estas reflexões são também acolhidas por outro grande ensaísta do nosso tempo, George Steiner, que no seu livro "A Ideia de Europa" pergunta pela "identidade europeia" quando o caminho aponta no sentido da "globalização de valores e mercados"? Ou, como interroga Rob Reiner, "a Europa continua a ser uma boa ideia?". "Qual é realmente a importância e relevância política do ideal europeu de civilização?" Como responder a estes desafios?
No essencial, defende George Steiner, é preciso reaprender que a ideia de Europa é anterior à União Europeia. E que, aconteça o que acontecer, essa ideia irá sobreviver a ela.
Hino da UE > https://www.youtube.com/watch?v=jPYuPmQHcU0
A 8 de Maio de 1945, a Europa começava a viver o seu primeiro dia de paz, com a rendição da Alemanha nazi e a declaração do final da II Guerra Mundial no Velho Continente. Em Portugal, nesta mesma data, o então presidente do Conselho, António Oliveira Salazar, comentava "O Fim da Guerra" na Assembleia Nacional, enquanto que algumas personalidades de relevo cívico e político, ligadas à Oposição, como António Sérgio, começavam também a procurar apoios junto das potências aliadas, alertando-as para a necessidade de pôr termo à ditadura do Estado Novo: certas forças, como a União Patriótica e Democrática Portuguesa, dirigiram-se às autoridades inglesas e o Grande Oriente Lusitano Unido (instituição maçónica) solicitou a intervenção do presidente norte-americano Harry Truman.
São situações que a História não esquece, apesar da memória ser curta, com diz o ditado popular e que, ainda hoje, voltam a estar na linha da frente, mercê de outros poderes e intenções, como a política e a vivência da democracia. Como dizia o primeiro-ministro inglês e um dos líderes principais/vencedores da II Guerra Mundial, Churchill (1874-1965): "A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes."
Para Salazar (1889-1970), a herança do passado, com guerra ou paz, tem um único sentido (a ditadura), pois: "Somos um país pequeno, com problemas sérios, e não podemos aderir a frentes débeis, só com o fim de proclamar que - brincamos às democracias."
A paz eterna é um ideal que se procura e persegue com todas as forças, porque, com bem escreveu o nosso Nobel da literatura (1998), José Saramago: "É mais fácil mobilizar os homens para a guerra que para a paz. Ao longo da história, a Humanidade sempre foi levada a considerar a guerra como o meio mais eficaz de resolução de conflitos e sempre os que governaram se serviram dos breves intervalos de paz para a preparação das guerras futuras. Mas foi sempre, em nome da paz, que todas as guerras foram declaradas”. Haja paz!
A Universidade da Madeira (UMa) está a comemorar 25 anos da sua fundação. Novos desafios e projectos se apresentam a partir desta data, mas há que reconhecer a longa e significativa caminhada feita até aqui, desde que em 1989 foi lançada a aposta na formação de docentes e no trabalho de investigação mais adequado à realidade insular. Uma aposta ganha, na consideração da maioria populacional, dado que, nalguns cursos, não é necessário sair da ilha para seguir estudos superiores, com todas as dificuldades económicas e financeiras das famílias e jovens relacionadas com isso.

Longe vão os tempos em que estudar fora era uma aventura e um privilégio de poucos, com repercussões ao nível da falta de mentalidade crítica e cultura; agora é diferente e é tudo normal, por via, em especial, da autonomia política e administrativa do arquipélago, conquistada com o "25 de Abril de 1974".
A par disso, floresceram nalguns concelhos da Região as chamadas "universidades seniores", como acontece por todo o País e que colocam Portugal no mapa do maior número destas instituições frequentadas por milhares de alunos, a provar que o conceito medieval de universidade é bem actual, significando "universalidade, totalidade; companhia, corporação, colégio, associação", com as mais variadas competências e vertentes de aprendizagem.
A Cruz da Ordem de Cristo, inserida na bandeira do Arquipélago da Madeira, foi criada no século XIV, antes dos navegadores portugueses da Ordem do Infante D. Henrique terem encontrado a ilha do Porto Santo (1418) e a Madeira (1419), século XV. Quando os navegadores genoveses (italianos) descobriram estas ilhas, em 1335, já a Cruz da Ordem de Cristo figurava em bandeiras e brasões no sul da Itália e em embarcações genovesas dos descobrimentos.

João Godim
FREELANCER
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