Este mês de Abril para o nosso País é fértil em acontecimentos curiosos, datas históricas dignas de registo, porque encerram um pouco da nossa matriz como povo. Ao longo dos séculos, podemos seleccionar situações e circunstâncias, em síntese, que nos dão algum prazer intelectual. Por exemplo, em Abril de:
- 1383, foi assinado o Tratado de Salvaterra de Magos que autorizava o casamento da infanta D. Beatriz, herdeira do trono português, com o herdeiro da coroa espanhola;
- 1657, Olivença é tomada pelos exércitos espanhóis;
- 1661, motim popular no Porto contra o imposto do papel selado;
- 1709, Bartolomeu de Gusmão ensaia no Terreiro do Paço a sua máquina voadora;
- 1748, uma esquadra com cinco navios de guerra parte de Lisboa para a Índia para defender a soberania portuguesa;
- 1755, um alvará declara isentos de qualquer infâmia quantos se casassem com mulheres índias, da América;
- 1761, alvará determina liberdade total para os Índios do Brasil;
- 1769, decreto atribui a censura dos livros à Real Mesa Censória, que antes competia à Inquisição;
- 1796, decreto ordena a aquisição de terrenos para os cemitérios públicos (até então os enterros eram realizados nas igrejas);

- 1799, criação de correios em todas as cidades e principais vilas;
- 1877, entrada em vigor do Código de Processo Civil;
- 1891, decreto regulamentar para o trabalho das mulheres e menores nas indústrias;
- 1907, decreto governamental de João Franco que encerra o Parlamento e inicia um governo ditatorial, com graves consequências, como o regicídio (assassinato do rei D. Carlos e do príncipe Luís Filipe, em Fevereiro de 1908) e a revolução republicana em Outubro de 1910.
(continua)
Os especialistas dizem que se trata de um património arquitectónico único no mundo, mas está em risco de degradação total… O conjunto das estruturas que retrata a Via-Sacra, localiza-se na Mata Nacional do Buçaco (Mealhada), conserva 20 capelas do século XVII (1694 e 1695), ao longo de um percurso de mais de três quilómetros, e ainda imagens de figuras feitas em tamanho natural e de barro cozido, que ilustram os passos da Paixão de Cristo durante, a chamada Semana Santa.

A construção deste grupo de “estações”, sobre o sofrimento de Cristo, pertence à Ordem dos Carmelitas Descalços; no início, os passos da Via-Sacra eram rudimentares, estavam representados por uma simples cruz de madeira, sendo depois substituídos por capelas, conforme decisão de D. João de Melo, então Bispo de Coimbra. Além disso, os passos eram representados por pinturas, mais tarde por figuras toscas, e só no final do século XIX os poderes religiosos e públicos encomendaram as figuras perfeitas ao grande artista Rafael Bordalo Pinheiro que, entretanto, nunca foram instaladas; as que hoje se apresentam são do ano de 1938 e são da autoria do escultor Costa Mota.
Esta Via-Sacra, ainda de acordo com os investigadores, foi rigorosamente construída à escala da Via-Sacra de Jerusalém. Vale a pela visitá-la, pelo menos aproveitando estes dias da Semana Santa, para melhor se captar o seu significado espiritual, o alcance cultural e o património arquitectónico que encerra a nível mundial.
O dia 1 de Abril é conhecido por "dia das mentiras", com origens num lapso histórico de calendários, há muitos séculos, em que se pretendia afirmar uma verdade de acontecimento numa data precisa e conveniente. A partir de então, convencionou-se que este "dia das mentiras" poderia continuar a permitir algumas suspeitas, dúvidas ou "brincadeiras" sem grandes consequências ou males... Aliás, o que é uma mentira que não a "verdade do avesso ou ao contrário"?

A mentira e a verdade convivem há muito tempo, como tão bem escreveu o "imperador" da língua portuguesa, o Padre António Vieira:
" Muito tempo há que a mentira se tem posto em pés de verdade, ficando a verdade sem pés e com dobradas forças a mentira; e é força que, sustentando-se em pés alheios, ande no mundo a mentira muito de cavalo; e se houve filósofo que com uma tocha numa mão buscava na luz do meio-dia um sábio, hoje, por mais que se multipliquem luzes às do Sol, não se descobrirá um afecto verdadeiro. Buscava-se então a ciência com uma vela, hoje pode-se buscar a verdade com a candeia na mão, que apenas se acha nos últimos paroxismos da vida. (Padre António Vieira /1608-1697).

João Godim
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