O termo "emérito" ganhou popularidade e desenvoltura com o anúncio da resignação do Papa Bento XVI, em Fevereiro de 2013. O seu significado aponta para algo "acabado, terminado", dando passagem de testemunho pessoal a outro que continuará o caminho, como numa corrida, em vista de determinada meta. Assim se passa em todas as organizações e estruturas de poder, numa "continuidade" ou "renovação" normal das estruturas e personalidades, sem que venha outro mal ao mundo.
O mote não é de agora, clássicos também assim o disseram, há experiências fundamentais nesse sentido e muitas situações já foram postas à prova. Um dos exemplos mais citados a este respeito é "O Príncipe", de Maquiavel, livro escrito há 500 anos e de perene actualidade. De todas as obras sobre política, talvez esta seja a mais cobiçada e interpretada, na certeza de que seguindo os seus passos se poderá realizar o que mais se deseja.
Tudo isto vem a propósito do novo ciclo de governação na Região Autónoma da Madeira que, ontem, começou com a posse do governo liderado por Miguel Albuquerque, sucedendo a um histórico executivo de Alberto João Jardim com quase quatro décadas e sempre com maiorias absolutas. Por mais que se diga que agora é que vai ser, nada como dantes, somos diferentes, etç., a verdade é que a rotura com o passado nunca poderá existir, sob pena de se falsear a si próprio, mas apenas alguma "novidade" e "mudança" de actores e de atitudes.
Como se lê n’"O Príncipe": «A política é uma atitude que se defronta com a novidade, porque a mudança dos tempos é inevitável; ou se é capaz de mudar, ou há outro, ou se ganha ou se perde; e para triunfar é preciso ser extraordinário; o príncipe não é livre de ser bom ou não bom, mas, pelo contrário, é obrigado a ser um ou outra coisa, conforme a necessidade...».
O melhor é esperar para ver, nunca fiando nas boas intenções ou pensando que o "presidente emérito" irá desaparecer de cena... Também os gregos bem disseram que a política é a "pólis", o governo da cidade, onde os cidadãos se fazem representar pelos melhores entre si, mas sem esquecer o espaço público, o "ágora", o bem comum, onde os homens querem ser livres e não conduzidos apenas por ideais e preconceitos.
Alberto João Jardim, o presidente que sai.
Um novo ciclo abre-se a partir de agora na Região Autónoma da Madeira (RAM), já o referimos, com a entrada de um novo governo que se destaca pela circunstância de ser o primeiro da era " pós - jardinismo". Acima de tudo, pelo desafio e evidência relacionados com a necessária mudança há muita desejada pela elite política e sociedade em geral. Mas, enganem-se os que acham que a partir de agora é que a política, no sentido da "pólis", vai ser mesmo como deve ser, livre de condicionalismos e tentações, e facilmente entendida por todos.
As lições da História são férteis nesta matéria, em particular os governos concretos com estadistas e políticos que ainda hoje podem servir de referência para uma melhor eficácia da coisa pública. Não há comparações possíveis, os tempos são outros, mas os princípios da matriz democrática mantêm-se e merecem ser conhecidos para que não o descrédito sobre os principais autores políticos e suas actividades deixe de aumentar.
Como lembra Hannah Arendt (1906-1975, filósofa política alemã, judia): «Tanto o descrédito da política como a questão do sentido da política são muito antigos (...). Remontam aos gregos e emergem das experiências bem reais (...), exemplares e decisivas» que resultaram na organização da «pólis» ou o governo da «cidade».

Miguel Albuquerque, o presidente que entra.
Deste ponto de vista, e pode-se argumentar de vários modos, considera-se que o essencial na política mantém-se em vigor, apenas se aspira a fazer o melhor e dentro do contexto de cada época. É como ter "um novo homem ao leme", mas na "continuidade" da navegação do mesmo mar, sobretudo quando se encontra na mesma rota ideológica, ainda que com nova afirmação, novo discurso, novas capacidades. Alguém tem dúvidas? Esperemos para ver.
O novo elenco governativo madeirense é jovem e garante para já um ambiente mais respirável, contra o "fechamento" e "vitimização" das últimas décadas. Trinta e sete anos governados por uma mesma pessoa, dotada de um carisma notável, não se apagam facilmente. O "presidente emérito" anda por aí...
A Madeira vai ter um novo hospital central, garantia dada pelo novo presidente do governo. Era um dos anseios mais desejados pelos madeirenses, atendedo à antiguidade e alguma inoperacionalidade das unidades hospitalares existentes: o hospital dos Marmeleiros data de 1931 e o hospital Dr. Nélio Mendonça foi inaugurado por Américo Thomaz, presidente da República, em 1973. Um novo hospital para a Madeira foi a "grande boa nova" dos discursos de posse.

Maquete do futuro hospital da Madeira
Uma hora histórica na Região Autónoma da Madeira (RAM): 15 minutos depois das 17 horas, deste dia 20 de Abril, Miguel Albuquerque foi empossado como novo presidente da RAM; seguindo-se a posse dos restantes membros do governo, perante uma vasta presença de convidados. Trata-se do primeiro executivo que sucede a uma longa governação protagonizada por Alberto João Jardim (desde 1978).
A cerimónia solene decorreu no salão nobre da Assembleia Legislativa e teve dois discursos oficiais: o do novo presidente do Parlamento, Tranquada Gomes, que sublinhou as competências da “casa da democracia”, bem como da “fiscalização e o acompanhamento das acções governativas”. Sobre o futuro, acentuou que “respeitaremos os direitos da maioria”, sem menosprezar a “oposição, sem radicalização de posições, a favor dos superiores interesses regionais e nacionais , com consenso alargado”.
Da parte do novo presidente do Executivo regional, a palavra mais usada foi “temos que...”, dirigida sobretudo às áreas sociais, com revelo para os idosos, as famílias e os jovens que passam actualmente por dificuldades. “Temos que simplificar a mensagem politica, não basta, hoje, dar respostas convencionais ou falsas promessas. O momento é histórico, exige grande responsabilidade, mas o governo está determinado em ultrapassar os desafios, tem disponibilidade e humildade, uma determinação férrea a favor do bem comum”.

O actual hospital, com muitas carências, foi inaugurado há 42 anos.
Em termos de decisão prioritária, anunciou a construção do “novo hospital”, a revisão do “sistema político e a política fiscal”, entre outras pretensões. Nesta sua primeira mensagem, Miguel Albuquerque, deixou ainda sinais de tolerância e verdade ao citar nomeadamente Gandhi e Mandela.

O “novo” Governo da Madeira toma posse hoje. Nas recentes eleições para a Assembleia Regional ganhou o PSD, ganhou a maçonaria e ganhou o lobby económico, financeiro, religioso e académico. Ganhou também o PS maçónico fundado por Mário Soares e outros da “velha guarda”. Os socialistas andaram 36 anos na corrida pela conquista do governo madeirense, ambição nunca conseguida. Abortadas todas as tentativas anteriores havia que mudar de estratégia, dar atenção ao que se passa com as eleições para a Assembleia da República, onde os dois partidos do poder (PSD e PS, o CDS é menoridade) jogam com trunfos do Opus Dei, Maçonaria, Bilderberg e outras poderosas influências. O PS na Madeira continua fechado na toca do regionalismo ignorando o funcionamento da aldeia nacional e global.
Desta vez (e pela primeira vez), o PS viu a sua também maçonaria ganhar na Madeira usando o crachá PSD “barriga de aluguer”. Sem surpresas vimos neste novo governo liderado pelo PSD gente conotada com o socialismo. O novo presidente do Governo da Madeira é maçon. O novo ciclo de governação na Região não será mais do mesmo (dos 36 anos de Jardim), durará até uma data qualquer, tem mais poder e é mais colorido que os governos anteriores. Os partidos da aposição vão entraram numa longa travessia… sem poder à vista! Um novo ciclo político na Madeira vai começar.
Hino da Madeira > https://www.youtube.com/watch?v=qvhPUaAYHsk
"Muro da Esperança" feito de flores na cidade do Funchal. Um hino à paz.
Os portugueses são maioritariamente católicos, sim senhor. Sem mais dúvidas, nem explicações. No Ribatejo vamos encontrar um significativo número de templos religiosos, havendo nalguns locais três e quatro igrejas com distâncias, entre si, que não vão além dos 200 metros. Alguns destes templos têm capacidade para receber mais de 200 fiéis quando na localidade a população é em número muito inferior, talvez nem metade. O património religioso (católico) é portentoso, a seguir aos castelos (onde há) e bem à frente dos quartéis, alguns “às moscas”.
Ribatejo é também “viver o tempo sem tempo” com profundas raízes ligadas à história de Portugal. Terra de Frei Luís de Sousa, purista da língua, e de outros linguistas impuros, como se vê nas imagens.

A Festa da Flor no Funchal, capital da Madeira (Pérola do Atlântico), realiza-se há mais de meio século e é única no país e na Europa! A Primavera na Madeira, em particular na cidade do Funchal, tem neste fim-de-semana um dos seus pontos altos com a Festa da Flor. Milhares de visitantes, entre residentes e turistas (maioritariamente estrangeiros), percorrem os espaços floridos, acompanhados por muita animação e mostras de produtos típicos.
No Largo da Restauração, junto ao Palácio de São Lourenço, foi inaugurada a Exposição da Flor; amanhã, será o Cortejo Infantil, no qual centenas de crianças, vestidas a preceito, desfilam até ao Largo do Colégio, onde vão construir um mural de flores simbolicamente denominado “Muro da Esperança”. Na tarde de domingo, terá lugar, entre a Casa da Luz e a Praça do Mar, o Cortejo Alegórico da Flor, um dos acontecimentos mais marcantes e aguardados, com centenas de figurantes que desfilam ao som de músicas alegres e coreografias bem elaboradas.

Este evento cultural contempla ainda muita animação na Avenida Arriaga, onde se encontram também muitos stands (barracas) de venda de flores e produtos agrícolas, numa espécie de grande mercado ao ar livre. Outro motivo de bastante interesse desta Festa da Flor está nos tapetes e arranjos florais, autênticas peças de arte que representam bem a tradição da Madeira no campo das flores e dos jardins.
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse, ontem, em Fátima que os candidatos e partidos políticos têm de apresentar propostas “concretas” para ganhar a confiança do eleitorado. “Cheques em branco, não é bem a altura para os passar”, declarou D. Manuel Clemente, no final da Assembleia Plenária que se iniciou segunda-feira. O cardeal-patriarca de Lisboa, reafirmou a sua preocupação com a centralização do debate em “casos” em vez de “causas”, como tinha feito no discurso inaugural da reunião magna da CEP.
“Apresentem causas, programas e reflexões concretas, não fiquemos apenas no fulanismo. Isso são nomes, ficamos assim numa espécie de nominalismo oco. Não, causas”, apelou. Segundo o responsável, esta ‘fulanização’ do debate político “desvia do essencial”, que é debater os problemas e “quais são as propostas para os resolver”.
As eleições para a Assembleia da República, em Portugal, vão ocorrer, este ano, numa data a definir pelo presidente, entre 14 de Setembro e 14 de Outubro; as eleições presidenciais, por sua vez, vão realizar-se no início de 2016. D. Manuel Clemente considerou que o surgimento de vários candidatos presidenciais resulta de um “exercício de cidadania”, num processo “normal”.“Não digam apenas que querem resolver, isso queremos todos. Como? Isso é que é fundamental”, pediu.
Segundo o cardeal-patriarca, a actividade política é também uma pedagogia, que se exige a todos os seus protagonistas. “Se eu quero intervir mais activamente, propondo-me a um cargo na vida política, também tenho uma responsabilidade pedagógica”, precisou. D. Manuel Clemente sublinhou ainda que, num Estado laico, aquilo que interessa aos católicos “é aquilo que interessa a todos os portugueses”.
Ainda a propósito do café e de Cafés, não resistimos a sugerir a leitura de um livro, de poucas páginas, mas de abundante conteúdo, intitulado "A Ideia de Europa" da autoria do grande ensaísta e sábio contemporâneo George Steiner. Diz o escritor: “A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsters de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo. [...] Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da "ideia de café".
George Steiner nasceu em Paris, em 1929, filho de uma família judia, iniciou uma notável vida académica nas mais prestigiadas universidades dos Estados Unidos da América, desde 1956. Conferencista e crítico dos mais solicitados em todo o mundo, é um dos expoentes máximos da cultura europeia do nosso tempo e vive actualmente em Cambridge, no Reino Unido.
Quase toda a sua obra de humanista e Mestre, à maneira dos grandes clássicos, está traduzida em português. É fácil encontrar os seus livros, ainda que o silêncio possa pairar à sua volta, por não serem dos "mais vendidos", o que não invalida a sua importância e actualidade premente. Como ele próprio afirma numa das suas obras intitulada precisamente "O silêncio dos livros": “Temos tendência a esquecer que, por serem altamente vulneráveis, os livros podem ser suprimidos ou destruídos. Como todas as produções humanas, os livros são portadores de uma história cujos primórdios continham, já em germe, a possibilidade ou a eventualidade de um fim”.
É uma escritora multifacetada que contorna os obstáculos que surgem pelo caminho. Não cede, não pede, mas faz, mas vai. Avança, sempre. O seu livro mais recente intitula-se "Passageiro Clandestino", através do qual relata, numa espécie de diário, a sua luta contra a doença/cancro, com grande desassombro e ironia, como quem “encara a besta de frente", escreve. “Toda essa colecção de gente invasora não desiste de nós. Mas eu recuso-me a ceder...”, diz ao referir-se ao tumor. “Falar de Viver” e “Casas Contadas” são livros que se lê e relê com desejo de voltar a ler, como todos os demais da sua autoria. Conheci Leonor Xavier num colóquio promovido pelo Cine-Fórum do Funchal, já lá vão alguns anos.
Nasceu em Lisboa (à Lapa), em 1943, no seio de uma família tradicional, seu pai era um médico muito conhecido. Entre 1975 e 1987, no pós-25 de Abril, viveu no Brasil, primeiro em S. Paulo e depois no Rio de Janeiro, na sequência do saneamento do seu marido da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde era professor. No Rio de Janeiro, foi correspondente do Diário de Notícias e colaborou ainda na revista Manchete, no Jornal do Brasil e no jornal Mundo Português; tendo sido distinguida duas vezes com o prémio de “Melhor Jornalista da Comunidade Portuguesa” no Rio de Janeiro.
Já em Portugal, após doze anos de exílio, foi redactora da revista Máxima e recebeu, em 2010, o prémio máxima de literatura pelo seu livro de memórias (autobiografia) "Casas Contadas". É ainda autora das biografias "Maria Barroso, Um Olhar sobre a Vida" (1995), "Raul Solnado, A Vida Não Se Perdeu" (2003), de quem foi companheira durante mais de uma década; da biografia política de Rui Patrício, "A Vida Conta-se Inteira" e de muitas outras obras. Quase todos os seus livros são vidas escritas. Eis uma escritora-sénior com muito para contar. Recomenda-se.
Entrevista (50’) > http://videos.sapo.mz/aOincST9YOvyVsEoWwQT
A tradição vem de longe e hoje é tão vulgar pedir uma “bica”, um “garoto”, uma “meia de leite” ou uma “chinesa”… Já muitos não dispensam tomar logo pela manhã, em casa ou no Café, esta preciosa bebida que, ao mesmo tempo, tornou motivo de encontro, convívio, breve conversa ou simples pausa no trabalho…

Tudo é tão simples e popular mas, no Dia Internacional do Café, que se assinala neste dia 14 de Abril, talvez pouco se saiba sobre a origem deste “hábito” que tem séculos de história, reportando-se a um monge que para não adormecer enquanto rezava tinha o costume de mastigar umas folhas… que o deixavam nem desperto... Folhas essas que também já tinham provocado admiração e susto junto de um pastor que via como as suas ovelhas ficavam eufóricas quando as comiam durante a pastagem… Diz-se que tudo nasceu na Etiópia (África) e desde sempre o café fez as delícias dos seus consumidores, com vantagens e desvantagens, como todas as coisas…
Mas a sua importância é tão grande, em todo o mundo, que não podemos também esquecer os famosos Cafés que em sua homenagem se ergueram... Já agora, já contou quantos Cafés existem perto de si...?
O “Titanic” foi o símbolo de uma época marcada pela riqueza material e pela avançada tecnologia do mundo ocidental. Orgulho de uma sociedade europeia que queria transportar o “prazer da vida” de certas classes, com o maior luxo possível, mesmo que à sua volta outros desejassem embarcar até ao “sonho americano”, em busca de melhor sorte… Foi assim o destino do maior transatlântico até então construído em Inglaterra e que pretendia ligar os continentes europeu e americano.
Na sua viagem inaugural, a 14 de Abril de 1912, embateu num iceberg e começou a afundar-se… Era perto da meia-noite, a 925 km a sudeste da Terra Nova… E o “senhor dos mares”, após algumas horas do impacto, e já no dia 15, com as suas 46 mil toneladas e mais de 1.500 passageiros a bordo, ficava sepultado para sempre nas águas profundas do Atlântico Norte… Sobrevieram apenas 705 pessoas, salvas pelo navio Carpathia que captou o SOS…
Entre os passageiros estavam quatro portugueses, três deles oriundos da Madeira, que iam para a emigração: Manuel Domingos Fernandes Coelho, solteiro, de 21 anos, natural da Ponta do Sol; José Neto Jardim, casado, de 21 anos, natural do Lombo das Laranjeiras, Calheta; e Manuel Gonçalves Estanislau, de 38 aos, natural da Ladeira e Lamaceiros, Calheta; viajavam na terceira classe e embarcaram em Southampton com destino a Nova Iorque. Na segunda classe, viajava José Joaquim de Brito, 32 anos, natural do Continente, que tinha como destino destino final São Paulo, no Brasil. Uma tragédia que "matou" quatro portugueses.
Um génio da fotografia. A exposição de Sebastião Salgado, na Cordoaria Nacional, à avenida da Índia, em Lisboa, leva-nos aos mais intrigantes e surpreendentes lugares do planeta. O famoso fotógrafo brasileiro, mundialmente conhecido, transferiu do seu atelier para a capital portuguesa 245 fotografias, sob o título génesis, captadas em cerca de oito anos de viagens pelos cinco continentes.
Nesta exposição inédita, Sebastião Salgado “faz uma aproximação à origem do mundo como se de uma revelação se tratasse: lugares quase intocados pelo homem ou rostos de quem emana uma pureza ancestral”. Mas não se fica por aqui, o fotógrafo partilha com todos nós “o amor que tem pelo planeta” e o seu grito de alerta. Uma viagem através da fotografia captada pela excelência da magia de um dos mais consagrados fotógrafos do mundo. A exposição está patente ao público até 2 de Agosto. Recomenda-se.
É neste espaço da Cordoaria que estão expostas as famosas fotos de Sebastião.
Montejunto é, para quem lá vai, uma serra ofendida e parcialmente destruída. O ponto mais alto do distrito de Lisboa, com 666 metros de altitude, é um pequeno planalto de ferros, de agreste violação à natureza e da degradação de um património único. “Em Montejunto existem as ruínas de dois conventos: um mais antigo, dominicano, do século XII, e outro que não chegou a ser concluído. Os monges do primeiro, aproveitando as condições climáticas da serra, construíram tanques onde recolhiam gelo (fábrica do gelo) que depois enviavam para Lisboa. É por este motivo que Montejunto é também conhecida por serra da Neve. Esta indústria perdurou até 1885”.
A pouca distância das ruínas do convento, ficam as Ermidas da Senhora das Neves, do século XIII e de São João, revestidas de azulejos. Apesar de todo este património, com mais de nove séculos, a montanha apresenta uma imagem de terror contra a natureza. Uma serra transformada num esqueleto de ferros. Antenas de rádio, televisão e radares, dão àquele lugar uma visão devastada e desonrosa.
Convento dominicano do séc. XII, em ruínas.
Os espantalhos já não enganam as aves? Espantalhos que não se movem deixaram de “meter medo” às aves que, com o decorrer dos tempos, se habituaram a estes bonecos feitos de trapos velhos e de chapéu como inofensivos. O objectivo do espantalho, que remonta a tempos antigos, era afugentar das hortas e das plantações de cereais as aves que invadiam e provocavam danos significativos. Com o andar dos tempos as aves foram se habituado e viram que a figura estática é inofensiva, pelo que deixaram de recear. O espantalho da foto está numa horta do Maxial, sem aves por perto. Há sempre quem recorra à tradição como há aves que ainda acreditam no espantalho feito homem!
A transição da ditadura para a democracia, no Portugal de 1974, teve como protagonista principal o "Movimento dos capitães", mas logo com destaque para o general António de Spínola (mais tarde marechal, entre outras honras honoríficas). Militar de carreira, o general do monóculo assumiu desde sempre funções de notoriedade na guerra ultramarina, em particular na Guiné-Bissau, com aproximações aos "rebeldes e terroristas" que pretendiam uma solução urgente para a guerra e no quadro da "primavera marcelista" na então Metrópole.
A este propósito escreveu vários livros, sendo o mais lido "Portugal e o Futuro", publicado nos finais de 1973, com a conivência do governo de então e o apoio dos principais empresários e grupos económicos que viam nesta obra o prenúncio para uma mudança de regime. Com o "25 de Abril", a autoridade do general tornou-se muito mais popular, tendo sido o principal rosto da "Junta de Salvação Nacional". Apesar de tudo, a vida política nesse tempo causou-lhe grandes dissabores, a ponto de (em 1975) querer "invadir" Portugal a partir do Brasil, para acabar com a "ditadura comunista"...
O general António de Spínola, recorde-se, nasceu a 11 de Abril de 1910, tendo vivido até 1996.
Torres das igrejas de estilo românico são normalmente simples. Na imagem, uma torre do século XIII, data de 1286, cuja construção terá tido início no reinado de D. Afonso Henriques. São torres com alguma originalidade, traço de altivez, a transmitir toda uma importância superior. Porém, este património com cerca de oito séculos apresenta uma imagem degradada, tanto no exterior como no interior. Riquezas da nossa cultura um tanto abandonadas sem justificação alguma. Estamos em Portugal, em nada comparável com Espanha, França, Itália, Inglaterra, e tantos outros países da vanguarda cultural na Europa.
"Pelo Sonho é que Vamos", é um dos títulos deixados por Sebastião da Gama que fez da vida poesia e escreveu sobre o essencial da pessoa e do mundo. Se fosse vivo faria hoje 91 anos; nasceu a 10 de Abril de 1924 e morreu em Fevereiro de 1952. Foi poeta e professor e pertenceu a uma geração de excelentes poetas, como: Sofia de Mello Breyner,Teixeira de Pascoais ou David Mourão-Ferreira. A serra da Arrábida foi a sua paixão e sobre ela escreveu o seu primeiro livro de versos - "Serra Mãe", em 1945, onde destaca a beleza do território, a serenidade da paisagem, o sentir das noites e os caminhos luminosos do dia...
Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professor em Setúbal e Estremoz tendo, neste contexto, escrito o "Diário", em que se revela grande pedagogo, com um método exemplar. "Tens muito que fazer? não! Tenho muito que amar", escreveu ainda num dos seus livros publicados postumamente, pois, morreu aos 27 anos de idade, vitimado pela tuberculose.
Recomendamos o blog: http://sebastiaodagama-acsg.blogspot.pt/
Uma vetusta localidade com uma nova toponímia dedicada aos velhos. Não é avenida, nem rua, estrada, pátio, beco ou rotunda, é largo, assim mesmo, à moda antiga. É um largo mais rectangular que redondo, com bancos (de jardim), palco com espaço para teatro, concertos ou até para festivais, comícios ou palestras, bem como um snack-bar a lembrar uma mercearia de outras épocas. Junto ao bar estavam alguns reformados na cavaqueira. Então, já temos um largo? “Isso é para os velhos”, retorquiu uma senhora (aparentemente, com mais de 70 anos de idade), com ar trocista, semi-sorriso e sempre a andar. Os velhos, do outro lado do largo, não ouviram… e nós seguimos caminho. Largo do Reformado... lembrar os esquecidos!

João Godim
FREELANCER
Mil Canções
dos últimos 30 anos
>REPORTAGENS