A gente leva da vida, a vida que a gente leva.(Tom Jobim)

Austeridade e Crise lançaram âncoras em Portugal que ninguém ousa levantá-las e transportá-las para longe. Todos se opõem à dupla Austeridade-Crise mas a realidade é que estes dois elementos andam por cá vai para mais de três décadas e têm vindo a tornar-se mais agudos sob a governação democrática. Em várias paredes e muros de Portugal é possível ver muitas grafites com a palavra Crise em destaque, cuja mensagem tem sempre tom contestatário, indecoroso e trocista. Novidade (ou talvez não!) é ver a principal artéria da capital portuguesa com nova toponímia: “Avenida da Austeridade” (na Avenida da Liberdade). É que liberdade não conjuga com austeridade? Justificará o grafiteiro. Certo é que a "Austeridade" é já a mais longa e penosa "Avenida" de Portugal.
Em 1960, dezassete territórios africanos colonizados obtiveram a independência. Todos os países europeus colonizadores cederam às pretensões dos povos autóctones, com mais ou menos resistência. Houve algum conflito, houve guerra, mortos e feridos, mas as reclamadas independências foram relativamente céleres. Portugal foi o único país europeu colonizador em África que entendeu lutar até às últimas consequência pelos territórios africanos. Em 1961, eclodiu a guerra em Angola que rapidamente se alastrou a Moçambique e Guiné. Foram 13 anos de guerra em África que levou Portugal a perder 8.290 jovens militares (mortos em combate), cerca de 20 mil feridos, mais uns milhares que por lá ficaram e que foram obrigados a abandonar as antigas colónias, logo após Abril de 1974. Quando o governo de Portugal insistia no slogan "para Angola em força", todos os outros países colonizadores promoviam o slogan "deixem África para os africanos". Diz-nos a história que o "poder" de Portugal nunca foi consistente. Estamos em 2013 e, pelo que se vê, Portugal parece ter passado de país colonizador a país colonizado.
Foram estes os países africanos que, em 1960, alcançaram a independência. Portugal só veio a dar a independência a Angola, Guiné, Moçambique, São Tomé e Príncipe, bem como a Cabo Verde, em 1974. A independência de Timor veio a seguir.

No Portugal hoje não haverá leitura mais sábia e oportuna que a do Pe. António Vieira, do Prof. Oliveira Salazar e do cônsul-escritor, Eça de Queirós. Estes senhores, vultos do realismo e pragmatismo português, deram e continuam a dar lições aos que hoje, por difusa ignorância, auto se intitulam pedagogos, governantes e escritores. Leiam os sermões do Pe. António Vieira, dêem atenção aos pensamentos do estadista Salazar e interpretem a narrativa de Eça. Goste-se ou não, seja porque razão for, estes senhores estão léguas acima da rapaziada que hoje pisa as tribunas da palavra, do poder e da escrita, não comparando entre a nobreza de ontem e a ralé de hoje.
A democracia está transformada numa feroz ditadura e os que hoje estão no governo, ao contrário do que é dito e redito, não foram eleitos nem seriam eleitos se fossem sujeitos ao sufrágio eleitoral universal. O único que foi eleito, é aquele que é hoje o primeiro-ministro, chefe do governo, que obteve mais votos pelas promessas que fez, pelas mentiras que promoveu, quais lágrimas de crocodilho, por enganar o eleitorado. Passos Coelho tornou-se no primeiro chefe de estado português a fazer da democracia uma ditadura eleita. Uma vez líder de um governo com maioria, o chefe do governo (PSD/CDS) passa por cima de tudo, rouba os reformados, esmaga os funcionários públicos, impõe duros impostos, espezinha o povo e manipula a verdade. Prá rua, é pouco. Até que o tampão voo para longe, lêem as ilustres figuras acima referidas, é um bálsamo, acreditem!

A imagem e a escrita de Fernando Pessoa são exploradas a torto e a direito. "O homem vende, faz vender. As pessoas passam, olham, tiram fotos e sempre compram alguma coisa", diz-nos o responsável por um pequeno espaço comercial, na rua Garrett. Aqui vende-se de tudo, também livros, velhos e quase velhos. Pessoa descia e subia a rua quando ia encontrar-se com amigos para a cavaqueira habitual na Brasileira, um dos seus cafés de preferência, a par do Martinho da Arcada. A imagem de Fernando Pessoa é patenteada por todos, uns com motivos óbvios, outros sem razão alguma. "É um produto que vende..."!.

Se a arte que estás a ver só a vês e não a sentes, é que ver e perceber são duas coisas diferentes. (Eça de Queiroz)

"Se fosse dar ouvidos aos velhos do Restelo, Portugal nunca teria ido além de Sagres", Fausto Grilo, no livro "O Portugal das Caravelas". Na imagem, é o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, a não querer ouvir o que dizem os que se opõem às suas decisões para o Arquipélago. Se não tem saído do gabinete da presidência (como fizeram e fazem os governantes nacionais), com sucessivas viagens pela Europa, em especial, a Madeira e o Porto Santo não teriam tido o volume de investimentos e assumida modernidade que hoje apresentam. Foram gastos milhões, investidos milhões, para que a Região pudesse sair do enorme atraso em relação a Portugal Continental e à Europa. Jardim tapou os ouvidos e avançou quando outros queriam parar, fez quando outros se opuseram, e, se algo falhou, foi o de não ter feito ainda mais e mais.
No Continente e na Europa, há milhões e milhões aplicados em obras de utilização zero, auto-estradas e vias rápidas quase às moscas, parques industriais às dezenas ao abandono, projectos megalómanos sem uso. As viagens que Alberto João Jardim fez pela Europa levaram-no a ver tudo isto, viu que só investindo, sem demoras, é que a Madeira podia progredir. Dívidas tem, como tem Potugal (muito mais graves), como tem a União Europeia (ainda mais controversas). Os EUA têm a maior dívida externa do mundo e nem por isso deixam de ser o país que é. Se os madeirenses pudessem viajar mais vezes e mais demoradamente pudessem conhecer as regiões e cidades europeias uma outra opinião teriam de A.J. Jardim. Tapar os ouvidos, nem sempre corresponde a fazer ouvidos de mercador, mas, nalgumas ocasiões, vale a pena!

É a grande-aula no grande-auditório dos seniores universitários portugueses. Mais de um milhar de alunos, professores e reitores, com idades entre os 55 e 100 anos, reunidos pelo ideal da solidariedade e pela sede do saber. Elvas é, este ano, a cidade anfitriã, e lá vão estar seniores de todo o país. Os seniores da Academia Sénior de Santa Maria Maior (Funchal-Madeira) participam, pela quinta fez consecutiva, no evento anual promovido pela UTI,s. Em 2009, estiveram em Portimão; 2010, em Guimarães; 2011, em Oliveira de Azeméis; 2012, em Torres Vedras e, agora, em Elvas (Badajoz, à vista!). Votos de mais uma jornada feliz, para todos os seniores participantes.
Saudações roinesianas.
Música>https://www.youtube.com/watch?v=HrKAZHsewvE

Os alunos seniores portugueses aderem com entusiasmo ao "congresso" nacional.

A capital portuguesa tenta recuperar os prédios antigos, alguns com mais de dois séculos, tal como acontece por toda a Europa. Muitas destas antigas construções apresentam modelos e projectos arquitectónicos únicos. Recuperar é imperioso e louvável, dar celeridade para que o desgaste não seja maior, merece todos os apoios possíveis, mas é quase impossível fazer mais e mais rápido em anos de crise e de profundas carências noutras áreas do social.
Música>https://www.youtube.com/watch?v=cK5sXM7j8EY

A quem mais se dá, mais ser-lhe-á pedido. (S.Paulo)

Edifício sede da PIDE/DGS passou a moradias de luxo. Quem hoje passa pela rua António Maria Cardoso (ao Chiado), apenas vê uma pequena placa a dizer que ali foi a sede da Pide. Nem uma parte do espaço foi reservado para um "pequeno museu" que seria de inquestionável interesse para as gerações futuras. Não há vestígios das ditas masmorras, dos aparelhos medonhos, das refinadas torturas, dos violentos interrogatórios, das armas eléctricas, das celas negras e reduzidas, em suma, dos instrumentos que terão sido utilizados pela tenebrosa polícia da ditadura. Em Espanha, na Alemanha, e noutros países, não foram desfeitos nem escondidos os processos usados pela polícia política, sendo possível visitar os museus e consultar os arquivos oficiais. E a questão é esta: Ou a PIDE/DGS não correspondia ao que se dizia e como tal o aconselhável era não deixar vestígio algum; ou os perseguidos, encarcerados e torturados pediram para que fosse destruído todo o aparelho físico da dita polícia política.
Não deixa de ser irónico não haver nada material a testemunhar a acção da PIDE/DGS. A escrita, é palavra, a parte física é a realidade. Queríamos ver menos palavras (muitos livros, muita escrita) e mais (ou alguma) imagens, em concreto. Uma das máximas de S. Tomé, faz todo o sentido: "Só vendo para crer!". Depois de ouvirmos, esta manhã, alguns slogans alusivos a este Dia do Trabalhador e de serem lançadas algumas farpas à tenebrosa PIDE/DGS que perseguia, batia e metia na prisão quem se manifestasse no 1.º de Maio, porquê não ir até a ex-sede dessa polícia e ver o que lá está! Quem são os donos dos imóveis? Quem lá vive? E quanto custa cada apartamento, todos vendidos, o valor mais baixo (T2) ascendeu a 620 mil euros!? Lembrar o 1.º de Maio e a PIDE/DGS, sim, mas não apenas com palavras.
Música> https://www.youtube.com/watch?v=Io_RidA1mlI


João Godim
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