Foi há 60 anos, no dia 26 de julho de 1956, que o Egito nacionalizou o Canal do Suez, com Nasser na chefia do Estado. Reino Unido, França e EUA ameaçaram de imediato cortar os investimentos financeiros.
O Canal, com 193 km de comprimento, localizado no Egito, entre o Mediterrâneo e o mar Vermelho, foi inaugurado em 1869 com várias "cabeças coroadas", como Francisco José. Construído durante dez anos pelos franceses, teve à frente do projeto Ferdinand de Lesseps, muito apoiado por Napoleão III.
Na cerimónia inaugural participou também o escritor Eça de Queiroz, então com 24 anos de idade, acompanhado pelo seu futuro cunhado, o conde de Resende; sobre o acontecimento fez várias reportagens publicadas, em 1870, no DN de Lisboa, com alguma ironia e toque boa disposição.
Tudo isto está relatado no livro "O Egipto, Notas de Viagem", em que Eça dá-nos uma descrição pormenorizada da cultura egípcia da época, e para a qual, como grande observador e futuro diplomata, estava muito atento e interessado.
Entretanto, no ano passado (agosto de 2015), foi inaugurado oficialmente o novo Canal do Suez, de 72 km, que permite a navegação em dois sentidos de barcos de grande porte, o que equivale actualmente a sete por cento do comércio mundial através da navegação marítima.

João Godim
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