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Segunda-feira, 11 de Novembro de 2019

PELO MUNDO, VELHAS E NOVAS QUESTÕES

Aprender a desaprender

De longe é a frase que ainda hoje se impõe em vários patamares do conhecimento especializado e da cultura em geral: “Só sei que nada sei”. Atribuída ao filósofo grego Sócrates (470-399 a. C.), ela indica uma atitude de humildade, por um lado, e o reconhecimento que maior é a ignorância do que o saber, individual ou colectivamente falando.

Desde os antigos, em todas as épocas históricas, as questões essenciais sobre a existência humana sempre se colocaram de forma ambiciosa, mas com poucas soluções definitivas. Por muitos caminhos andados e progressos conquistados, ainda permanecem por desvendar os mistérios acerca do “vazio”, do “infinito”, do “incomensurável”, do “original” de onde tudo partiu…

Basta ver, por exemplo, o que ainda agora se continua a descobrir sobre as origens do universo: uma notícia divulgada há poucas semanas  pela revista científica “Nature” dizia que “astrónomos identificaram pela primeira vez vestígios de água num cometa que chegou ao Sistema Solar proveniente do espaço interestelar”; o curioso é que “o cometa "2I/Borisov", que estará mais próximo do Sol em Dezembro, foi detectado no Sistema Solar por especialistas depois do alerta, a 30 de Agosto, de um astrónomo amador da Crimeia, para um objecto estranho no céu” (…).

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Outras constatações científicas são frequentes no nosso tempo, como a classificação dos “planetas” que inclusivamente já “despromoveu Plutão a planeta-anão”, passando o nosso Sistema Solar a ter oito planetas (Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno)…

Nada que não se possa compreender ou deixar de se espantar perante a imensidão universal em que estamos envoltos e cuja existência terrestre (70, 80 ou 100 anos de vida) é insuficiente para abarcar tudo; nestas condições, só o essencial deve prevalecer mediante uma incessante procura, busca, aprendizagem, despojamento, até à morte material…

É neste sentido que a afirmação dada a Sócrates – “Só sei que nada sei”, surge também como um constante “aprender-desaprender”, no sentido em que é preciso “deixar de saber” o que estava adquirido como “sabido” e “esquecer” aquilo que julgávamos ter já “aprendido”.

Neste exercício de quase “desperdício”, neste “vaivém” ansioso que nos dá como garantia apenas uma “terra prometida”, talvez seja consolador seguir a máxima do filósofo Espinosa (1632-1677), um dos maiores génios da humanidade: “Não zombar, não lamentar- se, não detestar, mas compreender”. O desafio está lançado. Mas, atenção, não se trata de uma atitude em dois momentos: “aprender” e/ou “desaprender”. Antes, “aprender a desaprender” numa mesma altura, o que não é fácil, como se pode ilustrar pelo simples gesto de esvaziar o copo cheio de água para assim se dar mais sentido à sede e saciar a nossa insatisfação.

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“Aprender a desaprender”. Quantas situações e práticas esta “máxima” poderá significar, ao jeito de Sócrates! Se pensarmos bem, e como diz um grande pensador do nosso tempo, o neuro - cientista António Damásio: a “natureza” e o ser “humano” tiveram “origens humildes”. Tudo começou com uma simples “bactéria”, “remontando a quase quatro mil milhões de anos”… A partir daí, foi a evolução em crescendo, a vida em pleno, a humanidade a querer explicar tudo através de variados meios e convicções…; e assim continua, de geração em geração, numa azáfama sem fim, orientada pela eternidade do tempo, até ao infinito.

Como uma gota de água no oceano, a agitar, a causar ondulação, movimento, num ritmo de marés irrepetível, também é preciso causar “ondas” nos dias que nos pertencem e “aprender a desaprender”, esvaziar a memória, deixar-se levar pelas necessidades mais autênticas e perenes, sem tristezas ou mágoas, na certeza de que, como bem expressou a nossa  tão celebrada Sophia de Mello Breyner Andresen (6 de Novembro de 1919 – Julho de 2004): "Com o tempo perdem-se as coisas. Eu acho que isso acontece às mulheres e aos homens. Depois vamo-nos perdendo a nós próprios, já não se tem a mesma imagem, já não se tem a mesma ligeireza, já não se tem a mesma leveza, já não se tem…” 

publicado por j.gouveia às 11:07

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Domingo, 10 de Novembro de 2019

MEMÓRIAS DO MURO DE BERLIM

Atravessar com muro e sem muro

 A separação de pessoas por muros, entristece; a reunificação de pessoas, alegra. Separar combina com inferno; unir, com o céu. O derrube do muro de Berlim, há trinta anos, faz lembrar as experiências de o atravessar por três vezes. Na primeira vez passava-se de um para outro mundo.

Foi no verão de 1972 depois de orientar dois retiros à beira do Reno, veio a oferta de visita a Berlim que prometia a visita do outro mundo. Hospedado mesmo ali ao lado, na rua Wilhelm, paredes meias com o local do Bunker do Hitler e do Checkpoint Charlie, deu para ver o muro de cima de um palanque e de atravessar em grupo turístico com “controlo de “guerra”. mb1.jpg

Não levem jornais de cá, pode dar prisão. Tudo para fora do autocarro mesmo o guia. Só se vai com guia de lá. Os inquisidores rebuscam todo o autocarro mesmo por baixo dos assentos. Não podem levar moeda deste mundo. Deixem aqui e levem esta. Mais de uma hora em apertos da porta estreitíssima. Contudo gostei do ritual e no dia seguinte atravessei sozinho para ver como seria. O mesmo, mais apertado e sem visto no passaporte. A experiência forte marcou.

No outro mundo, deu para visitar o famoso Museu de Berlim e a catedral católica com missa dominical. Enfim! Dois mundos separados por muro de vários metros, protegido por estacaria de aço, a leste, torres e soldados em alerta aqui e ali, e pista de tanques de vigilância. Guardava outro mundo, feito paraíso marxista e prisão. Os emigrantes portugueses visitados viviam no mundo livre.

Em 1989, derrubado, em festa e surpresa. Notícias de dois mundos num só. Em 2011 visita de dias chegou para um olhar de espanto aos vazios do muro. Havia cicatrizes e uns pedaços de crosta. No mesmo alojamento, ao lado do local do Bunker de Hitler, visitei, curioso, o Checkpoint Charlie, aberto, livre, seu museu, maior, a “Topologia do Terror”, às vítimas nazis e comunistas com cem metros de muro.

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Postdam Platz com marcas do muro, a Porta de Brandemburgo, escancarada e apinhada, o monumento de estelas de Eisenman às vítimas do holocausto. Na estação Norte, um memorial do Muro em antigo cemitério; e mais além Alexander Platz, a torre, a Igreja Mariakierch, os frescos fabulosos, desocultados, da Senhora da Misericórdia de manto protetor (6x6m) e da dança da morte (22m de c.). As imagens dos vestígios dos tempos dos horrores do muro e dos seus antecedentes, não se apagam facilmente.

Os conteúdos do museu do terror insinuam que até Deus parece ter ficado em silêncio e espantado, deixando a liberdade aos homens para se castigarem uns aos outros, uns “bodes expiatórios” dos outros. São memórias de morte e terror de povos que podem tornar a acontecer, dizia um postal. A humanidade fica à espera de ressurreição.

Só Deus ficou vivo, mas em silêncio. Numa terceira visita a Berlim em 2016, em longo lanço do muro preservado, à beira do rio, foi possível tirar uma foto a uma das cenas ali pintadas que reproduzo. Pode ser lida com sentido de vida, de esperança e de ressurreição temporal e eterna da Humanidade; bálsamo de memória e vacinas de novas feridas europeias. Quem viveu mais pequeno que Jesus Cristo?

> Aires Gameiro, Funchal, 09.11.2019

NB: Data do início de construção - 13.08.1961; data da demolição - 09.11.1989. Extensão do muro - 155 kms.

publicado por j.gouveia às 19:30

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LIVROS DO ALJUBE, ATIVISMO ESTUDANTIL

Uma investigação sobre o ativismo estudantil no Instituto Superior Técnico desde finais da II Guerra Mundial até 1980 que, baseado em fontes arquivísticas inéditas, imprensa e em história oral, recupera a voz dos estudantes da época.liva.jpg

> 12 novembro 2019 – terça, 18h30
Auditório do Museu do Aljube (Lisboa)

publicado por j.gouveia às 10:21

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Sábado, 9 de Novembro de 2019

CENTENÁRIO DE JOSÉ HERMANO SARAIVA

Este ano de 2019 é pródigo em comemorações de centenários em relação a personalidades portuguesas, entre as quais se destacam: a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), o escritor, ensaísta, poeta e professor universitário Jorge de Sena (1919-1978), e o historiador, professor, advogado, deputado, político e apresentador de programas na televisão, José Hermano Saraiva (1919-2012).

Dos primeiros aqui citados tem-se falado muito e promovido algumas iniciativas de homenagem; já quanto ao professor Hermano Saraiva, sabemos apenas que o centenário do seu nascimento, a  3 de Outubro,  foi evocado nesta data pela Sociedade de Geografia de Lisboa; e a /Memória dedicou-lhe um programa especial.

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Ministro de Educação e embaixador no Brasil nos governos de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano, teve uma vida longa e muito preenchida, mas ficou popularmente conhecido pelos programas sobre História de Portugal que realizou na RTP, antes e depois da "Revolução do 25 de Abril" de 1974, nomeadamente: O Tempo e a Alma, Histórias que o Tempo Apagou, Lendas e Narrativas, Horizontes da Memória, A Alma e a Gente, e Gente de Paz. Coordenou ainda uma História de Portugal, em seis volumes; escreveu a História Concisa de Portugal; no ensaio, A Vida Ignorada de Camões, entre muitos outros títulos, com milhares de exemplares vendidos.

Todo o seu trabalho de investigação histórica sobre vários temas encontra-se disponível na RTP/Memória; toda a sua competência intelectual pode ser apreciada em muitos escritos nos jornais, revistas, e dezenas de livros.  
Natural de Leiria, era irmão do não menos famoso e conhecido escritor, ensaísta, crítico e historiador da literatura portuguesa, António José Saraiva (1917-1993).

Video > https://www.youtube.com/watch?v=oSMt8vl3214

publicado por j.gouveia às 10:37

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Sexta-feira, 8 de Novembro de 2019

ARRISCAR A VIDA POR UM IDEAL

A última assembleia das comissões Justiça e Paz europeias decorreu na Eslováquia. Como habitualmente, a assembleia foi precedida de umas jornadas de estudo dedicadas a um tema com um relevo particular para o país anfitrião. O tema deste ano estava, por isso, ligado à memória da perseguição religiosa nesse país durante o período comunista, no ano em que se comemoram trinta anos da queda da “cortina de ferro”. Também como habitualmente, à reflexão e aos testemunhos juntou-se uma ação simbólica evocativa desse tema.

Nessa ação simbólica foi recordada a ação do padre salesiano Titos Zeman, que foi beatificado há dois anos. Esse padre ajudou muitos candidatos ao seminário a fugir da Eslováquia para a Áustria e daí para Itália, onde puderam receber a necessária formação. Por essa ação, veio a ser condenado a vinte e cinco anos de prisão (o procurador havia solicitado, no seu julgamento, a sua condenação na pena de morte), de que cumpriu treze. Veio a falecer em consequência das torturas que sofreu na prisão, pelo que foi declarado mártir.

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A ação simbólica decorreu durante uma travessia de barco no Danúbio, precisamente onde muitas pessoas fugiam para a Áustria, correndo perigo de vida (cerca de quatrocentas vieram a falecer devido a essa travessia). Cada um dos representantes das comissões Justiça e Paz presentes foi convidado a refletir sobre que valores nos levariam hoje a correr riscos como os que correu o padre Zeman e as pessoas que atravessaram esta fronteira (que hoje se atravessa na maior das tranquilidades), sobre que valores queremos transmitir às novas gerações, que as levem a sair das suas zonas de conforto, a nadar contra a corrente e a não temer humilhações, incompreensões e perseguições.

As respostas salientaram, antes de tudo, o valor da liberdade de consciência e de religião (precisamente o que motivou o padre Zeman e os jovens que ele ajudou a atravessar aquela fronteira). Um valor precioso, que hoje é ameaçado de várias formas conforme os locais do globo. Outras salientaram o valor da fraternidade universal, numa altura em que parecem surgir novas fronteiras como “cortinas de ferro” a substituir esta que foi derrubada há trinta anos.

Não deixei de pensar que hoje parecem escondidos ideais pelos quais as pessoas estejam dispostas a dar a sua vida, ou sequer sacrificar o seu conforto. Daí a importância de transmitir às novas gerações esses ideais.

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E também me fez refletir o seguinte fenómeno. A todos, vindos de variados países europeus, surpreendeu o número de jovens que frequentam o serviço da pastoral universitária de Bratislava e as missas aí celebradas (em contraste com o que, mais ou menos intensamente, se verifica nesses outros países europeus). Um número que - de acordo com o que me disseram - não é muito diferente do que se verifica nas igrejas da Eslováquia em geral.

Afirmei a um amigo eslovaco a minha surpresa por tal se verificar apesar da perseguição sofrida pelos católicos durante o período comunista. Ele disse-me que essa perseguição veio a fortalecer a fé de muitos.

Na verdade, já na Antiguidade se dizia que «o sangue dos mártires é semente de cristãos». Os vários tipos de perseguição, e também as várias dificuldades por que passa hoje a Igreja, nunca devem levar-nos a perder a esperança.

> Pedro Vaz Patto

publicado por j.gouveia às 10:49

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Quinta-feira, 7 de Novembro de 2019

GUERRA, A MORTE ESTÁ PRESENTE

Não há heróis da guerra!

Jamais devem ser apagadas as imagens da guerra, por tudo quanto representam de desumano. As imagens não mentem e devemos observá-las de olhos bem abertos, por muito de chocante e horroroso que possam conter. As imagens revelam e falam para cada um de nós. Heróis são todos aqueles que foram obrigados a ir para a guerra, tenham sido ou não feridos, mortos ou com sequelas para toda a vida. 

"Não há heróis da guerra, é uma ilusão pensar em tal", desabafo de Lon Xang, militar vietnamita. "Valentes e corajosos são todos os que no preciso momento dramático do combate, frente a um inimigo que dispara a matar, conseguem escapar", sublinhou. Será que alguém que nunca esteve debaixo de fogo numa emboscada avassaladora consegue entender o que ali se passa? Quando sabemos que naqueles momentos a morte está presente, os disparos são para matar, não há heroísmo mas um ripostar de sobrevivência, há medo, há dor, há sofrimento e há terror... sem tempo para pensar!

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Militares com o peito cheio de condecorações não os conhecemos como heróis em combate, talvez a heroicidade tenha outras referências que desconhecemos. Dar a medalha de herói aos que morreram na guerra é uma anamnese grosseira. São estas e outras condecorações que os governos recorrem para iludir as causas da violência que matam milhões de jovens militares em todo o mundo.

Servir a Pátria, defender a Nação, na guerra, são acções enganadoras. É chegado ao tempo de se desmistificar os heróis da guerra, repor a verdade com todos os itens.

Video > https://www.youtube.com/watch?v=6BZbNm-4V6A

publicado por j.gouveia às 12:38

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LEITÃO DE BARROS, A BIOGRAFIA QUE FALTAVA

Pelos labirintos do Estado Novo

"Leitão de Barros - A biografia roubada", é o título do livro (editado pela Bizâncio) sobre um dos mais notáveis cineastas portugueses do século XX. Fruto de uma pesquisa realizada durante sete anos por Joana Leitão de Barros e Ana Mantero (netas do biografado), esta obra reúne variada documentação guardada em caixas, na posse da família, e que até agora não tinha sido objecto de estudo.

Trata-se de uma história pessoal que coincide também com um momento histórico de Portugal - a instalação administrativa do "Estado Novo" e o florescimento das artes em diversas vertentes.

"José Leitão de Barros, que nasceu em 1896 e morreu em 1967, é conhecido sobretudo pela faceta cinematográfica, pela ligação aos estúdios Tobis, ao modernismo, à transição do cinema mudo para o sonoro, às produções de grande escala, à experiência com a censura, mas foi também jornalista, escritor, pintor e um "propagandista" do Estado Novo".

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De acordo com a neta Joana Leitão de Barros (jornalista), esta biografia não pretende "escamotear ou justificar a vida do avô e as relações de proximidade com diversas figuras da política da altura, em particular com António Ferro, director do Secretariado da Propaganda Nacional, e com o ditador António de Oliveira Salazar; (...) Nós quisemos entendê-lo como uma pessoa na época, sem preconceito. Eu vejo-o como um artista que era desajeitado nos corredores do poder. Era inconveniente", afirma a autora.

No livro, profusamente ilustrado com fotografias, recordam-se episódios da relação de Leitão de Barros com o poder, como aquela vez em que o realizador entrevistou Salazar, em 1950, para o "Notícias Ilustrado", a revista que tinha fundado anos antes e ajudou à "criação de um mito, sem pudor e em linguagem modernista".

Apesar de ter feito parte de "um grupo restrito de pessoas que têm acesso directo a Salazar", Leitão de Barros conquistou também "algum direito de ser incómodo e imprevisível" no regime do Estado Novo, lê-se no livro.

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Nas mais de 300 páginas da biografia, as duas autoras recordam as desventuras e os projectos do cinema, de "Maria do Mar" (1930) - considerado um dos clássicos do cinema mudo português - a "Camões" (1946), estreado no primeiro festival de Cannes, sem esquecer a recusa em fazer "A revolução de maio" (1937), entregue a António Lopes Ribeiro, e que foi um dos filmes de propaganda da ideologia salazarista.

Não são esquecidos os laços familiares com as famílias Cotinelli Telmo e Roque Gameiro, a organização das Marchas Populares e da Exposição do Mundo Português, o turismo, a ligação ao Brasil e ao modernismo europeu.

A biografia termina com a transcrição de uma carta que Leitão de Barros escreveu dois anos antes de morrer, em 1965, a Cunha Leal, opositor de Salazar, descrevendo-se como um "espadachim de ideias de arte", politicamente infeliz e a criticar o ar "pífio" que se respirava à época, em pleno Estado Novo.

publicado por j.gouveia às 10:14

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Quarta-feira, 6 de Novembro de 2019

LITERATURA, OS 100 ANOS DE SOPHIA

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu em 6 de Novembro de 1919, no Porto, e faleceu a 2 de Julho de 2004. Figura maior da nossa Cultura, ombreou com os mais notáveis do seu tempo, que ainda hoje são referências incontornáveis,  tendo sido a primeira mulher portuguesa a receber o galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.

Nos cem anos do seu nascimento, sugerimos a leitura da sua biografia (a primeira), da autoria da jornalista Isabel Nery, onde ficamos a conhecer as pessoas e os lugares que rodearam o espaço familiar, social e poético de Sophia de Mello Breyner Andresen; e ainda a leitura dos seus poemas que estão disponíveis em muitas publicações e antologias...

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A Paz sem Vencedor e sem Vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

> Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Dual'

publicado por j.gouveia às 10:20

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Terça-feira, 5 de Novembro de 2019

PARLAMENTO, HOMEM DE SAIA GERA POLÉMICA

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Exibicionismo parece ser o toque de ordem da deputada Joacine Moreira e do seu assessor Rafael Martins, por um lado a gaguez por outro a indumentária. A deputada mostrou ter acentuada dificuldade na expressão oral, o que por si só limita as suas intervenções, o assessor achou por bem entrar no parlamento trajando saia. Estamos perante imagens representativas do partido Livre que a 5 de outubro se estreou na Assembleia da República ou um querer dar nas vistas através de um protagonismo primário.

Cada um usa o que quer mas há princípios que não tendo normas estão consagrados ao meio ambiente. Algo está em contramão com o que representa uma Assembleia da República. Não são totós nem livres para o que bem entendem fazer apesar da liberdade que a democracia basicamente concede. Isto, salvo outros itens, deixa transparecer um arrufar a opinião pública e deslustrar a dignidade da função.

Deputada gaga, eleita em democracia, nada a dizer, assiste-lhe exercer as funções com todo o seu brilho culto e intelectual; assessor de saia, num país de homens com calças, só pode ser trocadilho. A legislatura (2019 – 2023) só agora começou. Em pontuação marketing começaram a ganhar!

publicado por j.gouveia às 11:52

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LÍNGUA PORTUGUESA, DESDE 1214

Assinala-se, hoje, o Dia Nacional da Língua Portuguesa. Tempos que já lá vão, há mais de oito séculos, deram corpo a uma língua que veio a ganhar estatuto entre as línguas mais faladas na Europa e no Mundo. O português é língua oficial em vários países, para além de Portugal: Brasil, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e Timor.

Um idioma com muitas linguas como diz José Saramago: "Não há uma língua portuguesa, há línguas em português". 

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> Fernando Pessoa

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> José Saramago

NB: Não há uma data precisa sobre a criação oficial da Língua Portuguesa, porém a data mais citada seja - 27 de Junho de 1214. Foi nesta data que ocorreu o testamento de D. Afonso II, o terceiro rei de Portugal, cujo documento régio é considerado como o mais antigo texto em língua portuguesa.

Na presente data (Novembro de 2019), estima-se que haja no mundo cerca de 290 milhões de falantes em português. A Guiné Equatorial, é um dos países que adoptou o português como língua oficial bem como Macau, região sob administração chinesa.

publicado por j.gouveia às 10:05

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Segunda-feira, 4 de Novembro de 2019

PORTO, DOCUMENTÁRIO DO SÉCULO XX

Exposição de gente famosa

A Alfândega do Porto acolhe, até 12 de Abril de 2020,  mais de uma centena de 121 trabalhos do celebrado fotógrafo  Cartier-Bresson (1908-2004), um dos fundadores da  agência Magnum. Nesta mostra podem ser apreciados retratos de gente famosa como  Marilyn Monroe, Coco Chanel, Pablo Picasso, Simone de Beauvoir, Robert Kennedy ou Martin Luther King. Em exposição está também a "grande companheira” do fotógrafo, a máquina Leica, que “parecia sempre invadir a intimidade dos retratados, oferecendo uma sensação invulgar de familiaridade”.

A cantora Edith Piaf, o cineasta John Huston, o poeta Ezra Pound, o pintor Henri Matisse, o psiquiatra Carl Gustav Jung, o artista plástico Alberto Giacometti, o compositor Igor Stravinsky, a pensadora Susan Sontag, o dramaturgo Arthur Miller, o guerrilheiro Ernesto "Che" Guevara, os fotógrafos Alfred Stieglitz e Robert Doisneau ou os escritores William Faulkner, Albert Camus, Jean Paul-Sartre, Truman Capote e Samuel Beckett são mais algumas das figuras públicas que posaram para a arte fotográfica Cartier-Bresson.

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Cartier-Bresson, considerado um dos maiores fotógrafos do século XX e intitulado por muitos como  "pai do fotojornalismo" nasceu na cidade de Chanteloup, distrito de Seine-et-Marne, França, descendente de uma próspera família ligada aos têxteis. O seu negócio, porém seria outro, bastou a prenda de uma  máquina fotográfica ainda criança para lhe traçar o rumo da vida em termos profissionais e da cultura artística.

Esta exposição na Alfândega do Porto é a primeira que se realiza em Portugal e já é conhecida como um documentário do século XX, tantas são as personalidades de grande influência e prestígio a nível mundial que ficaram registadas na objectiva de Cartier-Bresson.

publicado por j.gouveia às 12:06

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Domingo, 3 de Novembro de 2019

BETTER OFF DEAD

Eutanásia, erros e abusos

Logo no primeiro dia da nova legislatura, foi apresentado um projeto de lei de legalização da eutanásia e do suicídio assistido, como se fosse esta a “prioridade das prioridades” da nova legislatura, o que de modo algum transpareceu da campanha eleitoral, em que os dois partidos mais votados nem sequer tomaram posição sobre o assunto.

Seja como for, a discussão que será reaberta não pode ignorar as lições dos países que já seguiram essa via, as que já de há muito são conhecidas e as que vão sendo conhecidas continuamente. Quem acompanhe a situação desses países regularmente poderá verificar como se sucedem notícias que invariavelmente confirmam os alertas de quem se opõe a essa legalização.

Merece destaque, a esse respeito, um estudo recentemente publicado pelo National Council of Disability, um organismo independente de âmbito federal norte-americano dedicado à proteção e promoção das pessoas com deficiência. Esse estudo afirma com veemência (e indicando exemplos concretos) os malefícios que a legalização do suicídio assistido provoca nessas pessoas, não só as que a ele recorrem, como todas elas em geral. Afirma, por isso, a oposição clara a tal legalização.

Em face da multiplicação dos Estados federados que optaram por essa legalização (são hoje em número de dez, sendo que em muitos outros Estados propostas no mesmo sentido têm sido rejeitadas), esse estudo confirma e reforça as tomadas de posição desse organismo já assumidas anteriormente por duas vezes, em 1997 e em 2005. Nele se afirma também que essa legalização tem a oposição de todas as associações de defesa das pessoas com deficiência que, nos Estados Unidos, se pronunciaram sobre a questão.

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De acordo com esse estudo, o maior dos malefícios que a legalização do suicídio assistido provoca nas pessoas com deficiência em geral, tem a ver com a mensagem cultural que essa legalização veicula e o que essa mensagem provoca no ambiente cultural da sociedade em geral e na mente de cada uma dessas pessoas, em especial as que sofrem de alguma deficiência que, de uma ou de outra forma (porque qualquer doente em fase terminal padecerá de algum tipo de deficiência), possam estar abrangidas por essa legalização.

Esse efeito é o da desmoralização e do desencorajamento das pessoas com deficiência quando o Estado, a ordem jurídica e os serviços de saúde dão a entender (e é isso que decorre da legalização do auxílio ao suicídio) que as pessoas com certas doenças ou deficiências (e, por isso, dependentes dos cuidados de outrem)) estariam melhor se morressem («better off dead»), que a sua vida nessas condições deixa de ser digna, que a doença e a deficiência são incompatíveis com a qualidade de vida e que a morte provocada é resposta para os seus problemas.

É de esperar que essas pessoas se sintam desmoralizadas, desencorajadas e, por outro lado, também como um peso para a família e para a sociedade em geral. E é de esperar que todo o clima social e cultural reflita isso mesmo.

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Consequentemente, as pressões, mais ou menos diretas e mais ou menos conscientes, a que essas pessoas estão sujeitas vão no sentido da aceitação do suicídio assistido como uma forma de evitar a suposta indignidade da sua situação, e também o peso que representam para a família e para a sociedade.

Há que salientar que o auxílio ao suicídio não tem os custos de muitos tratamentos úteis e justificados para a salvaguarda da vida e que, nos Estados Unidos, na sequência da legalização, muitos contratos de seguro passaram a incluir o suicídio assistido de modo preferencial em relação a esses tratamentos Por tudo isso, deve duvidar-se da autenticidade dos pedidos de auxílio ao suicídio formulados por essas pessoas.

Outro aspeto salientado por esse estudo diz respeito à repercussão da legalização do suicídio assistido na prática do suicídio em geral. No Estado de Oregon, o primeiro a legalizar o suicídio assistido, a taxa de suicídios em geral teve um incremento de 41% desde essa legalização até hoje. Calcula-se que esse incremento tenha sido de 6%, em média, nos Estados que mais recentemente optaram por essa legalização.

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Há uma explicação lógica para que assim suceda. Desde há muito se fala no efeito contagiante da publicidade da prática do suicídio (o chamado efeito Werther, que evoca a influência do célebre romance de Goethe). É contraditório que se adote uma política de prevenção do suicídio para algumas pessoas e se adote uma política de auxílio ao suicídio para outras. Como é que o Estado e os serviços de saúde podem pretender desencorajar o suicídio de algumas pessoas quando, ao mesmo tempo, auxiliam o suicido de outras? Este duplo padrão é contraditório. O efeito de contágio do auxílio ao suicídio legalizado sobre a prática do suicídio em geral é, por isso, expectável.

Sendo certo que aquelas pessoas em relação às quais o Estado e os serviços de saúde optam pelo auxílio ao suicídio, e não a sua prevenção, são, precisamente, as mais vulneráveis, porque atingidas pela doença e pela deficiência. O que também contribui para agravar a situação destas.

O estudo em apreço salienta, ainda, as dificuldades, ou mesmo a prática impossibilidade, de controlo de erros e abusos de aplicação da lei, a começar pelos erros de diagnóstico a respeito da irreversibilidade da doença e de prognóstico do tempo de vida futura (que, de acordo com a legislação em vigor nos Estados em questão, normalmente condiciona a legalidade do auxílio ao suicídio). Tudo está, em grande medida e praticamente, nas mãos dos médicos que prestam auxílio ao suicídio e não é de esperar que sejam eles próprios a denunciar os seus próprios erros e abusos.

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Não é demais relembrar a deputados que se preparam para debater de novo a legalização da eutanásia e do suicídio assistido: está em jogo um alicerce estruturante da civilização e da ordem jurídica; quando se derruba esse alicerce o edifício acabará por cair.

Se se admite que a vida de pessoas com deficiência perde dignidade, que elas estariam melhor se morressem («better off dead»), que a morte provocada pode ser resposta para os seus problemas, é certo que assim se comprometem todos os esforços no sentido da sua defesa, inclusão social.

> Pedro Vaz Patto, Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz.

publicado por j.gouveia às 13:50

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Sábado, 2 de Novembro de 2019

À BOLEIA DOS LIVROS

Literatura de viagens

 "Viajar! Perder países! Viajar! Perder países! Ser outro constantemente", (...), dizia Fernando Pessoa (1888-1935) que raras vezes saiu da sua cidade natal, Lisboa, para viajar fisicamente por outras paragens, a não ser a conhecida viagem que teve de fazer para a África do Sul, ainda criança, aquando do casamento da sua mãe com o então cônsul português em Durban.

"Viajar!", através do automóvel, do avião ou do barco, também pelos meios digitais e pelos livros. Com os livros, podemos estar em toda a parte e conhecer imensa gente, tradições únicas, patrimónios inimagináveis. Ler, é uma espécie de boleia que se consegue a custo acessível, com guias excepcionais e poucos incómodos. Basta referir o que se pode ver e saber por intermédio da chamada literatura de viagens. É um nunca mais acabar de conhecimentos sobre lugares, países, temas de vária ordem.

Há quem diga, por exemplo, que Lisboa ou Paris não seriam cidades tão famosas se não fossem os escritores e os artistas que registaram nas telas e nos livros o melhor que são, têm e podem oferecer, influenciando pela observação e pela leitura visitantes do mundo inteiro.

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Na opinião de um respeitado sénior e notável homem de letras contemporâneo - Eugénio Lisboa (nasceu em Maio de 1930), em relação aos livros: "há que tê-los, lê-los e amá-los".  Haja ou não possibilidades, ou vontade espontânea, é preciso ler para ser e agir, mesmo que isso traga eventuais contrariedades ou dê trabalho, porque a sua importância é fundamental, permite ir cada vez mais longe e supera tudo.

Como escreveu o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626): "alguns livros são para serem saboreados, outros, para serem engolidos depressa e alguns poucos para serem mastigados e digeridos". É a palavra da sabedoria e a experiência da vida. "Ler, ler e ler", é uma máxima que não ninguém deve menosprezar, desde os normais cidadãos até aos políticos mais atarefados. 

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A viagem que a leitura (sobretudo de livros e jornais) proporciona torna-se numa permanente oportunidade de revelações e encontros inesperados. Por exemplo, há poucos dias, através de um jornal, conhecemos um poema do escritor francês Alexandre Blokh - grande sénior, de origem russa, actualmente com 96 anos de idade, dedicado à Madeira (a nossa ilha, situada no Atlântico Norte), onde o escritor esteve certa vez por alturas do Natal, segundo diz o também poeta e diplomata José Augusto Seabra (1937-2004) que traduziu o poema:

MADEIRA

Companheira da lua e do silêncio ela ia 
com a asa do vento luminosa no andar.
Nos seus ouvidos e grito da gávea gemia
e a dança das gaivotas dourava-lhe o olhar

A seus pés o Atlântico era um tapete liso
rolando até o sol emudecido no ar.
No penedo sob a vaga rebentando, vínea,
o cipreste um só ponto de exclamação do mar.

Acolher o que a espuma de longe lhe trazia
envolto no oiro pálido da África, a brilhar.
A palmeira roçava contra o céu a carícia.

A cidade, uma escada até às nuvens, via
o teu olhar quebrar-se na areia, solitário
desde o aquém com que sonhas, o além que te ouve.

publicado por j.gouveia às 11:10

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Sexta-feira, 1 de Novembro de 2019

DIA DE TODOS OS SANTOS, FERIADO NACIONAL

Dia do ‘Pão por Deus’

A Igreja celebra anualmente a 1 de novembro a solenidade litúrgica de Todos os Santos, na qual lembra conjuntamente “os eleitos que se encontram na glória de Deus”, tenham ou não sido canonizados oficialmente.

As Igrejas do Oriente foram as primeiras (século IV) a promover uma celebração conjunta de todos os santos quer no contexto feliz do tempo pascal, quer na semana a seguir.

No Ocidente, foi o Papa Bonifácio IV a introduzir uma celebração semelhante em 13 de maio de 610, quando dedicou à Santíssima Virgem e a todos os mártires o Panteão de Roma, dedicação que passou a ser comemorada todos os anos.

A partir destes antecedentes, as diversas Igrejas começaram a solenizar em datas diferentes celebrações com conteúdo idêntico.

A data de 1 de novembro foi adotada em primeiro lugar na Inglaterra do século VIII acabando por se generalizar progressivamente no império de Carlos Magno, tornando-se obrigatória no reino dos Francos no tempo de Luís, o Pio (835), provavelmente a pedido do Papa Gregório IV (790-844).

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Segundo a tradição, em Portugal, no dia de Todos os Santos, as crianças saíam à rua e juntavam-se em pequenos grupos para pedir o ‘Pão por Deus’ de porta em porta: recitavam versos e recebiam como oferenda pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocavam dentro dos seus sacos de pano; nalgumas aldeias chama-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’.

Em contraponto surge, o Halloween, assinalado na noite de 31 de outubro, ligado à tradição celta de celebração do novo ano, o fim das colheitas, a mudança de estação e a chegada do inverno.

De acordo com esta tradição, nessa noite os fantasmas dos mortos visitavam os vivos; a festa foi conservada no calendário irlandês após a cristianização do país e implantou-se mais tarde nos EUA.

Já no dia 2 de novembro tem lugar a ‘comemoração de todos os fiéis defuntos’, que remonta ao final do primeiro milénio: foi o Abade de cluny, Santo Odilão, quem no ano 998 determinou que em todos os mosteiros da sua Ordem se fizesse nesta data a evocação de todos os defuntos ‘desde o princípio até ao fim do mundo’.

Este costume depressa se generalizou: Roma oficializou-o no século XIV e no século XV foi concedido aos dominicanos de Valência (Espanha) o privilégio de celebrar três Missas neste dia, prática que se difundiu nos domínios espanhóis e portugueses e ainda na Polónia.

Durante a I Guerra Mundial, o Papa Bento XV generalizou esse uso em toda a Igreja (1915). OC, in “Ecclesia”

publicado por j.gouveia às 09:49

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Quinta-feira, 31 de Outubro de 2019

PARLAMENTO, DEPUTADA GAGA

A primeira intervenção da deputada Joacine Katar Moreira, do partido “Livre”, na Assembleia da República, deixou-nos, humanamente perturbados. Se há situações que não nos deixam ficar indiferentes é ver alguém querer expressar as suas ideias e não conseguir como tanto desejava que acontecesse. Joacine Moreira é gaga (sofre de gaguez) desordem da fala que atinge mais de um milhão de pessoas no mundo.

É verdade que todas as pessoas têm direito à igualdade, a terem os mesmos acessos e a não serem desconsideradas por qualquer motivo, sobretudo de ordem física. Porém, há funções que requerem condições, que não apenas qualidades, para que o exercício tenha efeito cabal. Joacine Moreia, à parte a sua idoneidade intelectual e cultural, vê-se em notórias dificuldades nos seus discursos, o que muito a penaliza e deixa o parlamento em estado de alguma estupefação.a.png

Não sabemos se algum outro parlamento no mundo tem deputados com disfemia, pelo menos com a limitação que a deputada do partido “Livre” revela, o certo é que tal gaguez influencia as suas intervenções. Até agora fez-se silêncio, surpresa e respeito, mas todos sabemos quanto o estranho é perturbador.

A Joacine merece o lugar de deputada, foi eleita, é personagem culta, irradia simpatia, resta esperar pelas próximas intervenções parlamentares. Ao revés dos outros deputados tem pela frente um caminho que exige muita oratória acutilante e na hora. Sem hesitações… está em desvantagem.

 Video > https://www.youtube.com/watch?v=4LGQBK4pw24

publicado por j.gouveia às 16:42

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E DEPOIS... MEDO OU COMUNHÃO DOS SANTOS?

Halloween... Num país da utopia

Neste tempo de pensar líquido e politicamente correto é frequente não dar pela questão: e depois? A transição do mês de outubro para o de novembro funciona como um “não esqueças”. Ainda recentemente um amigo que até se declarou cristão dizia que Deus era tão bom e misericordioso que era impossível haver inferno. Não valia a pena argumentar perante convicção tão firme. A luz poderá vir de Jesus na oração; todos podem sobrevir dúvidas de fé. Para outros, quase a dizer que a vida não é para ser vivida a sério, uma parábola.

Num certo país da utopia o ministro da educação reuniu-se com os secretários, diretores e representantes dos sindicatos e decidiram que nas escolas deixaria de haver qualquer avaliação, exames ou reprovações. Os alunos estudassem ou não, fossem à escola ou preferissem distrair-se em discotecas, a destruir montras e a queimar os livros, todos teriam 20 valores no fim do ano. Era preciso, diziam, ser compreensivo com todos e não discriminar entre bons e maus estudantes.hesco.jpg

Ao saber desta decisão, também o ministro do trabalho decidiu pagar o salário máximo a todos os trabalhadores mesmo que não pusessem os pés no emprego para se ocuparem de tudo e até roubar no emprego. A Igreja para ser fiel ao Evangelho e a Jesus seu autor renova, ano a ano, no mês de novembro, que a vida é mesmo para ser vivida a sério. Para as falhas lembra o que Jesus repetiu: arrependei-vos, amai o Pai e todos os vossos irmãos. Amai e adorai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com ações de bondade alimentando e vestindo os mais necessitados.

É dado tempo, até ao último instante, antes do julgamento final, ao arrependimento pelo mal feito e o perdão para ser aceite em comunhão de santos no banquete da festa eterna. A seriedade no viver encontra muitos obstáculos. As fraquezas são frequentes, diárias, mas não são problema. O Senhor é misericordioso e compassivo e perdoa até mil vezes por dia os que se arrependem de coração. O maior obstáculo é o orgulho de se pôr no lugar do Criador e Pai.

O orgulho pode arrastar um cortejo de maldades: egoísmo avarento, adoração dos prazeres destrutivos, violências homicidas. Mas o pior de tudo é não se arrepender até o último instante. A falsidade interior, para Deus e para os outros provoca angústias e gera tabús, a recalcamentos e desvios de esconjuração.

Enquanto a fé cristã propõe a oração pelos fiéis defuntos, louvores por todos os santos e o temor de Deus em relação ao inferno; os recalcamentos sem arrependimento nas angústias do pecado arrastam a tabús de medo sobre a morte, a falsos exorcismos, a bruxarias e crendices sobre as almas do purgatório que esperam as orações dos cristãos. São tentativas de justificar a falta de crença na vida eterna e nas palavras e divindade de Cristo.

Bruxarias e fantasmas de palhaçadaha.jpg

Enquanto inúmeras revelações de místicos, embora não de fé obrigatória, apelam à fé cristã do valor das orações pelas pessoas falecidas; os ritos supersticiosos pagãos dos Halloween tendem a substituir a crença na vida eterna dos santos e das almas do purgatório com bruxarias e fantasmas de palhaçada para afugentar o medo da morte. Os filmes de terror e horror, apesar de ficção, funcionam como esconjuros ao medo da morte.

O terror, horror e loucura como que se associam na cultura secularizada e pagã para preencher o vazio cada vez mais angustiante que se respira. Morte, nem pensar; terror de esquartejamento de vivos como espetáculo, sim. As produções de terror e horror são procuradas para esconjurar ansiedades quase (?) delirantes. Em vão. Satanás não expulsa satanás. Antes faz passar os mortos vivos a vivos mortos e a robots satânicos. Será saudável brincar aos demónios?

Quão diferentes são as experiências de fé em Cristo ressuscitado, que morreu pelos pecadores e pode dar paz e confiança no perdão cultivada na oração e celebrações de comunhão nestes dias de todos os santos e dos fiéis defuntos. Nada substitui a crença confiante na vida eterna e n’Aquele que a garante.

> Aires Gameiro, Funchal, Fiéis Defuntos, 2019

publicado por j.gouveia às 11:09

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Quarta-feira, 30 de Outubro de 2019

LISBOA, MARCAS DA ESCRAVATURA

Mais de 12 milhões de pessoas traficadas

"As marcas da escravatura e da segregação, e também da tolerância e miscigenação na convivência cultural e religiosa em Lisboa, ao longo de 700 anos", estão patentes ao público numa exposição no Museu de Lisboa - Palácio Pimenta,  até ao próximo dia 22 de Dezembro.

A mostra consta de pinturas, desenhos, lápides, documentos, esculturas, ex-votos e outros objectos provenientes do acervo do próprio Museu de Lisboa, e de várias outras entidades. Há peças raras, ou nunca mostradas antes em contexto museológico, segundo os curadores, como as lápides moçárabes, ou um ex-voto do século XVII, com uma pintura que representa Nossa Senhora do Rosário com dois negros a seus pés.

A história de Lisboa, a sua construção e identidade, tem por base uma multiplicidade de contributos, desde a inclusão dos povos que a habitaram, até  à rejeição, segregação, expulsão e escravatura, que também acolheu ao longo de séculos.esc.jpg

"Esta Lisboa multicultural - retratada desde a Idade Média - foi criada por muçulmanos, cristãos e judeus, e também por espanhóis, franceses, ingleses, italianos, flamengos, alemães e galegos, e por africanos da era da escravatura", explicam os historiadores que a propósito desta exposição se referem a um vasto mapa com "rotas da escravatura entre África, Américas e Europa, traçadas por portugueses, ingleses, espanhóis e holandeses, entre outros povos.

Estas rotas contabilizam mais de 12,5 milhões de pessoas traficadas durante cerca de 400 anos, do século XVI ao século XIX, segundo as estimativas do Trans-Atlantic Slave Trade Database (Banco de Dados do Tráfico Transatlântico de Escravos), iniciativa da Universidade de Emory, em Atlanta, nos Estados Unidos, com apoio do National Endowment for the Humanities, de Washington, do Instituto Hutchins, da Universidade de Harvard, e do Instituto Wilberforce, da Universidade de Hull, no Reino Unido.

De acordo com estes dados, Portugal e Brasil (após a independência, em 1822) foram responsáveis pelo tráfico de 5,8 milhões de africanos, o que representa quase metade do total".

O processo da abolição da escravatura em Portugal estendeu-se por mais de cem anos, dos primeiros decretos, com proibição no continente e na Índia, que remontam a 1761, até à abolição total, em todo o território português, proclamada em 1869.

publicado por j.gouveia às 13:05

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LIVRO, ALDEÃO EM CONVERSAS GLOBAIS

“Sinto-me bem centrado neste tempo, o atual, mas dizem-me com bastante frequência, que ando adiantado. Talvez isso seja devido à minha grande curiosidade inata e cultivada de saber”, revela o Pe. Dr. Aires Gameiro no livro-conversas com a jornalista Vera Luza. Narrativas que nos levam a conhecer o mundo na sua plenitude humana, solto de sentimentos turvos, sem tabus.  

A obra intitulada “Aldeão em Conversas Globais” dá-nos a conhecer a sábia vida de quem está com meses além dos 90 anos de idade e que continua à descoberta da universalidade! Sem ficção e muito realismo, a obra surge contemplada em conversas entre Aires Gameiro e a jornalista Vera Luza, depositária de uma vasta cultura geral nas áreas das humanidades e da literatura, com frequência em direito na Universidade clássica de Lisboa.Livro VL 2.JPGLivro VL G4.JPG

Um encontro de culturas que Aires Gameiro pontifica no seu lema “continuar a aprender”. "Aldeão em Conversas Globais" é "um conjunto de conversas, diálogos diversificados... de uma memória prodigiosa, insaciável na busca do saber profundo ou sabedoria".

publicado por j.gouveia às 12:46

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Terça-feira, 29 de Outubro de 2019

PORTUGAL: SUPER GOVERNO, FRACA VOTAÇÃO

O slogan universal que diz que “o povo é quem mais ordena” já deu o que tinha a dar. Fez eco e furor nos anos dos sonhos revolucionários tanto pela classe operária como pelos que acreditavam que “o povo unido jamais será vencido”. Hoje nem “ordena” (não ordena nada) e é “vencido” às claras sem ter a mínima hipótese de regressão. Pelo menos em Portugal. Ontem, a esquerda peronista ganhou as eleições na Argentina (país do papa Francisco), ouviram-se os slogans pelas ruas de Buenos Aires. Será que os slogans vão vingar?

Sem entrar em análises para inglês ver, isto é, sem recorrer ao blá-blá-blá dos políticos e comentaristas do “sabem tudo”, vamos aos factos concretos, objectivos e de forma sucinta. Em 2019, a Assembleia da República gastou (de janeiro a dezembro) 83 milhões de euros, com 25,3 milhões de euros para os partidos. Os actos eleitorais custaram cerca de 11 milhões, mais 14,4 milhões de subvenções para os partidos.

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Os 19 ministros do governo socialista liderados por António Costa.

Estes números passam à margem dos eleitores e mais ainda dos portugueses. Em eleições legislativas em Portugal nunca houve tantos governantes, nem tão fraca votação elegeu 230 deputados. O governo que tomou posse no passado dia 26 de outubro 2019 (sábado), é composto por 69 membros (19 ministros e 50 secretários de estado), o maior elenco governamental de sempre.

Amanhã e depois (30 e 31 de outubro) decorre o debate do programa do governo, para cumprir calendário. É difícil interpretar toda esta grandeza governamental num país com mais de dois milhões de pobres (segundo as estatísticas) e com os mais baixos salários da zona euro (União Europeia).

publicado por j.gouveia às 11:14

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Segunda-feira, 28 de Outubro de 2019

MEMÓRIA DE JOSÉ BENTO

Autor de poucas palavras

A morte do poeta e tradutor José Bento (no passado dia 26) quase passou despercebida da maioria e, no entanto, o seu nome é citado de forma incontornável como um dos melhores tradutores portugueses de todos os tempos. Intelectual de primeira água, como se costuma dizer, sempre preferiu a discrição, a sombra, em vez dos palcos das notícias, da fama mediática e efémera. Interessava-se mais pelo essencial dos autores e das obras, a quem se ligava de forma familiar, tal os laços da linguagem profunda e bela que pretendia construir e dar a conhecer.

Aquando da recepção do Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura, que lhe foi atribuído em 2006, ele que não gostava de aparecer em público, remeteu em poucas palavras a sua gratidão para quem tinha traduzido e não pelo seu próprio mérito: ""Os autores que traduzi nada me devem e eu, sem dúvida, devo-lhes muito".
José Bento morreu silenciosamente, aos 86 anos de idade (n. em Pardilhó, Aveiro, a 17 de Novembro de 1932). Formou-se em Contabilidade, mas foi na escrita e na tradução da língua espanhola que mais se notabilizou. Na década de 1950 fundou a revista literária Cassiopeia e tornou-se num dos principais divulgadores de grandes poetas e autores como Jorge Luís Borges, Garcia Lorca, Miguel de Unamuno, Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz, Miguel de Cervantes, Vicente Alexandre, Luís Cernuda, Pablo Neruda, Ortega y Gasset, María Zambrano, Octavio Paz, Calderón de la Barca, Francisco de Quevedo, entre outros. Foi também um poeta muito premiado, autor de livros como "Sítios" e "Um Sossegado Silêncio".

Em 1991 foi condecorado pelo rei Juan Carlos de Espanha com a Medalha de Ouro de Mérito das Belas Artes e, no ano seguinte, foi distinguido com a Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República Mário Soares.

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José Bento (1932-2019) ficará na memória de muitos como uma referência de incomparável humildade, como lembrança de quem busca o mais profundo e procura o essencial através de outros grandes, numa incessante caminhada que só a morte física pôs fim, mas cuja obra jamais cessará por ser um lugar, um "espaço",  onde o autor vai continuar a estar acessível aos seus leitores, como se poderá parafrasear a partir de um dos seus poemas: 

"Um só espaço em verdade me pertence - meu berço, meu texto, meu legado: a casa que é a mãe e viverá", escreveu José Bento em "Este É Um Dos Lugares". "Lá estou e serei: sou as paredes, a escuridão que a procura (...). Batei à porta, chamai do seu jardim devastado até não me ser senão lembrança: lá dentro, responderei, embora aqui, desde sempre à espera de ninguém".

publicado por j.gouveia às 10:32

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