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Não preciso de comprar jornais para estar informad...
De Joaquim Cosme a 5 de Abril de 2020 às 22:47O no...
Nem os apelos do Papa são levados a sério. Vejo na...

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Quarta-feira, 8 de Abril de 2020

JORNAIS EM QUEDA LIVRE

Perda da consciência colectiva

“Corremos Ceca e Meca e não encontramos ninguém”, corremos os pontos de venda de jornais e quiosques e tudo mais parece um deserto. Os jornais estão amontoados, nalguns locais até há movimento mas para registar o euromilhões e outros jogos da Santa Casa da Misericórdia. Os pacotes de jornais chegam amarrados e amarrados são devolvidos, “não trazem nada de novo”.

Os jornais portugueses há muito que estão em falência financeira, por variadíssimas razões, mas é neste tempo de pandemia (coronavírus) que as perdas e os ganhos mais veem ao de cima. Os jornais (a comunicação social, em geral) há muito que deixaram-se ficar na sombra dos poderes políticos, económicos e financeiros, dependendo desta tríade a sua sobrevivência, chegando ao ponto de hipotecar a tão apregoada liberdade de imprensa que verdadeiramente nunca existiu, pelo menos no nosso país. Os jornais estatutariamente livres na alvorada da democracia cedo desapareceram por falta de meios financeiros.

Quando um jornal não é capaz de gerar receitas próprias para suportar as despesas ou acaba ou continua mas à custa de subsídios e disfarçadas mais-valias em acordos promocionais de quem os suporta. São sempre os mesmos a aparecer nos palcos da comunicação social (CS) como se os mais de dez milhões de portugueses não existissem. O jornalismo português está prisioneiro, não é livre nem nada tem de novo, não representa uma consciência colectiva nem é capaz de acompanhar a mudança social em curso. Nas últimas semanas temos assistido a ataques da CS às redes sociais, apontando os blogues, sites, facebook e outras vias de opinião livre como difusoras de notícias falsas.

Quando se pergunta: como distinguir as notícias falsas das verdadeiras notícias? Ficam mudos. Até o impoluto polígrafo muda de cor consoante o caso em análise. O jornalismo tradicional não se renovou, está velho, perdeu potência e credibilidade noticiosas, perdeu-se no tempo e no espaço. O golpe de estado de 1974 não deu lugar à revolução democrática plena nem veio a dar responsabilidade à liberdade de informação. Os jornais não morrem mas, como dizia Almada Negreiros: “Para salvar o passado já todas as palavras foram ditas, falta salvar a humanidade”.jor.jpg

publicado por j.gouveia às 12:36

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Terça-feira, 7 de Abril de 2020

CINEMA, MEMÓRIA DE DINA TERESA

O primeiro filme sonoro português

Fadista e actriz, Dina Teresa foi protagonista da "A Severa" - o primeiro filme sonoro português. realizado por Leitão de Barros, em 1931; uma película vista em Portugal e no Brasil por milhares de espectadores... De muito conhecida e aplaudida no seu tempo, passou a quase "anónima" e sem contratos para continuar a representar, na sequência dos muitos êxitos obtidos... Natural de Vila Nova de Gaia (n. em Novembro de 1902), faleceu em São Paulo (Brasil), no dia 7 de Abril de 1984.d.jpg

Dina Teresa fez teatro de Revista e era aclamada por diversos palcos... Mas as dificuldades travaram a sua carreira então promissora e viu-se obrigada a emigrar para o Brasil... Numa das últimas entrevistas que deu a Reinaldo Varela, correspondente da RTP no Brasil, manifestou o seu grande desejo de regressar a Portugal, à sua terra natal e sobretudo à sua "querida Lisboa"..., mas não tinha "dinheiro" para a viagem e a estadia..., a parca pensão que recebia não lhe deu direito a sonhar..., vivia modestamente com uma família, uns compadres, que muito a ajudaram na velhice.

Video "A Severa> https://www.youtube.com/watch?v=xHU2bLZmNMw

publicado por j.gouveia às 16:33

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ÁRVORE DA VIDA PARA EDUARDO LOURENÇO

O mais reputado pensador da actualidade

O ensaísta Eduardo Lourenço foi distinguido com o Prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes 2020, atribuído pela Igreja católica, através do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (snpcultura), para destacar um percurso ou obra que, além de atingirem elevado nível de conhecimento ou criatividade estética, refletem o humanismo e a experiência cristã.

«Numa atenção compreensiva e crítica aos problemas culturais e sociais emergentes no mundo contemporâneo e numa renovadora mitografia do ser lusíada, desde há meio século Eduardo Lourenço constituiu-se no mais reputado pensador português da atualidade», destaca a justificação do júri, que atribuiu o Prémio por unanimidade (texto integral nos artigos relacionados).

«Foi para mim uma grande surpresa. Já não estou em idade para receber prémios, mas tive uma grande satisfação e honra, não tanto por mim, mas pela grande admiração que tenho pelo Padre Manuel Antunes, velho amigo que sempre cultivou a exigência crítica e deixou-nos uma obra notável a que volto sempre com grande proveito», afirmou o Professor Eduardo Lourenço à Renascença.

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Os jurados destacam que Eduardo Lourenço «nunca renegou os princípios e os ditames do humanismo cristão», mantendo-se «fiel aos seus fundamentos antropológicos, axiológicos e éticos, bem como à consequente “obrigação de suportar a liberdade humana” em todos os domínios.

«Tão oposto às panaceias ideológicas, prontas a cativarem ou alienarem a liberdade da vontade intelectual, quanto avesso à desolação do “niilismo spiritual” e à demissão das doutrinas relativistas, Eduardo Lourenço sustentou sempre, com desassombro e brilho, que a sua demanda de Conhecimento se queria coerente com o horizonte da “vivência mesma da Verdade”», acentua a declaração.

De acordo com o júri, Eduardo Lourenço obedeceu «“por temperamento e por formação espiritual", à “única motivação radical» que “finalmente é como decisão de ordem ‘religiosa’ e mesmo ‘mística’ [...] que melhor se compreenderá”».

«A incomensurável Transcendência divina» tem, para o ensaísta, «o Mediador imprescindível em Cristo, arquétipo da abertura amorosa do Eu ao Outro e de um sentido redentor para o Tempo», aponta o júri, composto pelos bispos D. João Lavrador e D. Américo Aguiar, P. António Trigueiros, S.J., Maria Teresa Dias Furtado, Guilherme d’Oliveira Martins e José Carlos Seabra Pereira.l.jpg

Professor Eduardo Lourenço, 97 anos.

Nascido a 29 de maio de 1923, em S. Pedro de Rio Seco, Almeida (distrito da Guarda), Eduardo Lourenço formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, onde foi professor entre 1947 e 1953, lecionando depois depois em várias universidades, no Brasil e na Europa. Foi, durante mais de dez anos, administrador não-executivo da Fundação Calouste Gulbenkian.

"Heterodoxia I" (1949), "Fernando Pessoa Revisitado: Leitura Estruturante do Drama em Gente" (1973), "Tempo e Poesia" (1974), "O Labirinto da Saudade - Psicanálise Mítica do Destino Português" (1978), "O Espelho Imaginário" (1981), "A Europa Desencantada: para uma Mitologia Europeia" (1994), "O Esplendor do Caos" (1998) e "A Nau de Ícaro, seguido de Imagem e Miragem da lusofonia (1999) são alguns dos títulos da sua vasta obra.

Entre as distinções recebidas inclui-se o Prémio Camões (1996), Officier de l’Ordre de Mérite (1996) e Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres (2000), ambas pelo Governo francês, Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2003), Medalha de Mérito Cultural pelo Governo português (2008) e Prémio Pessoa (2011). É doutor "Honoris Causa" pelas Universidades Nova, Coimbra, Bolonha e Rio de Janeiro.

O reconhecimento da Igreja católica consiste na atribuição da escultura “Árvore da Vida”, de Alberto Carneiro, acompanhada pelo valor pecuniário de 2500 euros, patrocinado pela Renascença.

> In www.snpcultura.org

publicado por j.gouveia às 10:46

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Segunda-feira, 6 de Abril de 2020

O VÍRUS E A VIDA

Sempre houve pandemias

De entre as muitas mensagens que recebi sobre a pandemia do Covid-19, uma reteve especialmente a minha atenção: a melhor forma de honrar as vítimas mortais desta pandemia é colher dela as melhores lições para a nossa vida futura. Isto não significa que tenhamos algo a agradecer a este vírus, como se ele fosse um bem. Mas tentar colher de um mal terrível algum bem. Na verdade, são várias e importantes as realidades que este mal nos faz redescobrir.

Uma delas é o do valor supremo da vida humana. Todas as mudanças do nosso quotidiano, todo o caos económico e social que se está a gerar, só têm justificação porque todos queremos salvar vidas humanas. Esperam-se danos económicos de valor incalculável, que não são apenas lucros de grandes empresas e de clubes de futebol, são salários e empregos de pessoas comuns. Mas acima desses danos está o valor da vida humana.

Esse valor é também o da vida de pessoas idosas, a maioria das vítimas mortais desta pandemia. O valor da vida não se mede pelo número de anos de “expectativa de vida com qualidade” ou pela sua “importância social” (por isso, não aceito que estes possam ser critérios de seleção das vidas a salvar). Esse valor é sempre o mesmo, para novos ou velhos.

Diante desta tragédia, vem também em particular evidência a importância do bem comum, isto é, do bem de todos e de cada um. É impossível negar essa importância diante deste caso, que justifica severíssimas limitações da autonomia individual. Nenhuma pessoa é uma ilha e todos dependemos de todos, para o bem e para o mal.

O que não significa que a limitação da liberdade individual que esta situação reclama se deva estender para além deste caso excecional. Se podemos colher alguma lição do modo como a China lidou com esta pandemia, tal não implica que o seu regime de controlo social que abrange todos os âmbitos da vida social (não muito longe da figura do Big Brother do livro 1984, de Orwell) tenha algo de positivo.

Só uma consciência ampla, nítida e forte do bem comum permitirá superar esta pandemia e todas as suas consequências. Um bem comum que tem uma dimensão nacional e universal.vi.jpg

Não partilho a ideia de que esta pandemia nos deve levar a travar a globalização (o comércio internacional, o turismo, as migrações), com o regresso das fronteiras que se foram abolindo. Poderão ser limitadas as viagens aéreas (com as vantagens ecológicas daí decorrentes), muitas das quais, com o recurso a reuniões por videoconferência, se revelam agora dispensáveis.

Mas não podem perder-se as vantagens da globalização, que tem contribuído para a redução da pobreza e para a aproximação dos povos e culturas. Sempre houve pandemias, muitas bem mais mortíferas, antes desta era da globalização. Urgente é, como de há muito se diz sem que tal se concretize, implementar, para além da globalização económica, a globalização da solidariedade.

Há que conjugar esforços, mais do que erguer muros. A este respeito, veja-se a repulsa que causou a tentativa de Donald Trump de comprar o exclusivo dos direitos de exploração de uma eventual vacina, que o laboratório alemão em causa recusou, por a querer destinar a toda a humanidade.

Mas o que, mais do que tudo, esta tragédia nos faz redescobrir é a vulnerabilidade do ser humano diante da doença e da morte. Um minúsculo vírus põe de rastos todo um sistema económico e social. Que lição de humildade a aprender! Vem à memória a célebre frase de São João Crisóstomo: «Tudo é vaidade das vaidades!»

Diante desta experiência mais forte e evidente da precariedade da vida, temos uma ocasião propícia para redescobrir Deus, a quem devemos a vida e que nos chama à Vida eterna.

> Pedro Vaz Patto

publicado por j.gouveia às 10:47

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Domingo, 5 de Abril de 2020

SEMANA SANTA CONTRA TODOS OS PERIGOS

Inicia-se neste Domingo, 5 de Abril, a tradicional Semana Santa, para a celebração da Morte e Paixão de Jesus Cristo. O início desta Semana tem como referência o chamado Domingo de Ramos, em que o Messias entrou na cidade de Jerusalém, entre uma multidão que o aclamava com ramos de oliveira. A entrada era triunfal, mas logo acabou em despedidas dramáticas,  em julgamento, via sacra, até ao Calvário, onde Jesus foi crucificado. Era então governador da Palestina Pilatos, nomeado por Roma. A memória deste tempo histórico continua a celebrar-se ainda hoje, por ocasião da Páscoa. 

A Páscoa deste ano, entretanto, tem características inéditas em relação a celebrações de séculos passados... O mundo vive em "pandemia" e permanece em "quarentena" por tempo indeterminado... Tudo acontece ao mesmo tempo e ninguém se livra de todos os perigos... O que era simbolismo natural da alegria, do encontro familiar, da festa comunitária em larga escala, transformou-se em medo e afastamento social, num cenário de realidades dramáticas, por causa do "coronovírus 19"...

Nem tudo, porém, acaba com a morte. Mais forte do que as ameaças causadas pelos "vírus", há uma consciência que continua a fazer sentido, porque naquela Semana Santa de há mais de dois mil anos, Cristo guiou a humanidade para a Ressurreição eterna... Aquela Semana Santa "vacinou" os homens crentes contra todos os perigos, os de hoje e os de todos os tempos.

Video (trailer) > https://www.youtube.com/watch?v=xYZxvlBE9H0do.jpg

publicado por j.gouveia às 10:40

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Sábado, 4 de Abril de 2020

VÍRUS, PAPA FALA EM TRAGÉDIA

Pandemia não conhece fronteiras

 O Papa Francisco deseja que “o esforço conjunto contra a pandemia possa levar todos a reconhecer a nossa necessidade de reforçar laços fraternos” e pede aos governantes que, na actual situação, assumam “um renovado compromisso pela superação das rivalidades; os conflitos não de resolvem através da guerra. É necessário superar as diferenças e os oposições, através do diálogo e de uma construtiva procura da paz”, abserva.
Francisco manifesta, uma vez mais, a sua preocupação pelos que estão confinados em grupos, altamente vulneráveis, como são as pessoas que vivem nos lares, nos quartéis e nas prisões. “A Comissão dos Direitos Humanos refere-se aos problemas das prisões sobre-lotadas que podem tornar-se uma tragédia. Peço às autoridades que sejam sensíveis a este grave problema e tomem medidas necessárias para evitar tragédias”, sublinha.C.jpg

publicado por j.gouveia às 11:07

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Sexta-feira, 3 de Abril de 2020

MEMÓRIA DE ALBERT EINSTEIN

Lisboa bonacheirona e da cultura antiga

Neste no mês de Abril (dia 18), passam 65 anos da morte de Albert Einstein (1879-1955), um dos maiores cientistas do século XX e o grande teórico da Teoria da Relatividade Geral, publicada em 1915, e que constitui a descrição actual da "gravitação na física moderna". Segundo Einstein, "a gravitação não é uma força, mas uma curvatura no espaço-tempo provocada por uma massa como o Sol."

De nacionalidade alemã e de origem judia,  Albert Einstein deixou a Alemanha em tempo da ascensão do nazismo e rumou para os EUA, onde permaneceu até ao final da vida. Mas, há uma "relação de  Einstein com Portugal", lembra o Prof. Carlos Fiolhais num livro de 2007. "Com efeito, embora por pouco tempo, Einstein esteve entre nós, em 1925. Ia o físico a caminho da América Latina, correspondendo ao convite de académicos argentinos, quando o paquete em que seguia, desde Hamburgo, fez escala em Lisboa.

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Albert Einstein desembarcou em Lisboa a 11 de Março de 1915 para fazer uma visita de um dia à capital portuguesa. Do seu diário de viagem conclui-se que esteve não só no Castelo de São Jorge como no Mosteiro dos Jerónimos. Escreveu sobre Lisboa: “Dá uma impressão maltrapilha, mas simpática. A vida parece correr confortável, bonacheirona, sem pressa ou mesmo objectivo ou consciência. Por toda a parte nos consciencializamos da cultura antiga.”

publicado por j.gouveia às 10:59

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Quinta-feira, 2 de Abril de 2020

VÍRUS, QUARENTENA EM HOTÉIS DE LUXO

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A decisão de mandar para quarentena, em hotéis, todos os passageiros desembarcados nos aeroportos da Madeira e dos Açores está a provocar certa revolta por parte de madeirenses e açorianos. Não pela quarentena obrigatória mas pela despesa brutal que tal acarreta ao erário público (são todos os contribuintes a pagar). São isolamentos em hotéis de “luxo”, cuja diária é cara, beneficiando de todas as refeições, roupas desinfetadas, telefone, internet e outros meios disponíveis, tudo de borla.

Se sabem que os aeroportos dos dois arquipélagos estão encerrados, exceto para situações muito excecionais, não deviam fazer a viagem. Sejam portugueses ou estrangeiros. Se não cumprem, quando sabem o que está em vigor devido ao coronavírus, deviam ser devolvidos à procedência no mesmo avião. Caso quisessem ficar em quarentena nos hotéis tinham que assumir todas as despesas.

Um dos muitos “gritos de revolta” vem dos Açores e é dado por João Araújo, chefe da Polícia de Segurança Pública (PSP): “É verdade que fiz um juramento de bandeira, onde jurei dar a vida pela pátria, mas não jurei dar a minha vida por Gente Burra do meu país, também não jurei dar a vida por uma dúzia de imbecis que querem os aeroportos abertos para irem gozar férias”, observa.po1.jpg

Tendo como área de serviço a Ilha Terceira, Angra do Heroísmo (antiga capital portuguesa), João Araújo é direto e cáustico no seu Facebook quando diz: “É preciso não ter vergonha nenhuma, enquanto existem gente a trabalhar na linha da frente, doze e mais horas por dia, arriscando as suas vidas, sem terem feito tal juramento, esses imbecis querem férias”. E desabafa: “Tenham vergonha e respeito por quem trabalha, os profissionais que estão na linha da frente não querem palmas, querem e exigem respeito, porque também têm famílias”.

NB: Dados oficiais indicam que na Madeira estão cerca de 100 (estrangeiros e portugueses) em quarentena de 14 dias e, nos Açores, mais de duas centenas. Saliente-se, em hotéis de luxo.

publicado por j.gouveia às 16:43

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VÍRUS, REFLEXÕES EM TEMPO DE "QUARENTENA"

A ordem dos Carmelitas em Portugal disponibilizou conteúdos online para “alimentar a mente e o espírito”, em tempo de "quarentena", dado que se vive também um "tempo de maior recolhimento nas nossas casas e comunidades".

Através do site dos Carmelitas: www.carmelitas.pt, na parte onde diz Notícias "Ofertas Online de Formação Espiritual" -  podem ser consultados alguns números da "Revista de Espiritualidade” e vários outros conteúdos dos Congressos de Espiritualidade que os Institutos Religiosos de inspiração carmelita e teresiana promovem: Ordem do Carmo, Ordem dos Carmelitas Descalços, Companhia de Santa Teresa, Carmelitas Missionárias e Instituição Teresiana.

"Desejamos que possam aproveitar bem estes conteúdos a fim de nos formarmos e criar uma nova grelha de leitura da realidade que nos envolve e da qual também somos actores e não apenas espectadores”, sublinham os carmelitas.

Assim, à distância de um clique ou dedo no computador, podemos usufruir de profundas reflexões espirituais que, eventualmente,  ainda não tivemos possibilidade de conhecer ou ficar a par, independentemente de sermos crentes ou não. É uma boa sugestão de diálogo nestes tempos de "confinamento doméstico", a par dos clássicos da Literatura, entre outros.

publicado por j.gouveia às 10:59

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Quarta-feira, 1 de Abril de 2020

VÍRUS, COMO VIVER NA "CELA" DE CASA (II)

Conselhos de uma monja de clausura

As monjas de clausura sabem de confinamento e reclusão mais do que ninguém: as carmelitas descalças de Cádiz oferecem os seus conselhos baseados na sua experiência de vida aos que, agora, se veem obrigados a ficar em casa. Na primeira publicação reproduzimos os cinco primeiros conselhos, hoje, concluimos com os restantes conselhos (de 6 a 10). Uma benção.ir.jpg

  1. Alargue as suas fronteiras

Quantas vezes se deixou de fazer o que se devia por falta de tempo. Pois bem, agora temo-lo! Esse livro que lhe ofereceram há três anos e que não leu, aquele que ainda não devolveu porque ficou pela metade. Se gosta de música, procure novos artistas, descubra novos géneros. Apetece-lhe uma viagem? Pense num país exótico e aprenda sobre a sua cultura e tradições… temos internet também para isso. Se é pessoa de fé e oração, talvez não saiba o que rezar porque já esgotou tudo o que sabia. Por que não experimenta a liturgia das horas? Descarregue-a no seu telemóvel; procure os escritos de algum santo, seguramente vai encontrar muitas coisas que lhe encherão a alma de novas luzes. Não se conforme com o que conhece e sabe… agora que há oportunidade, abra-se a novidades que lhe acrescentem sabedoria e a encham de alegria.

  1. Para as mais sensíveis

Nem todos dominam as emoções de igual maneira. Haverá pessoas para quem, pela sua psicologia, lhes custará muito mais este confinamento do que a outras. As emoções não só provêm do interior; também aquilo que se vê, escuta, toca, etc. influencia. Por isso, é preciso ser-se seletivo com aquilo que se recebe do exterior, para evitar entrar em círculos viciosos que envolvam em desespero ou façam perder o controlo. Evite-se, na medida do possível: conversas pessimistas, discussões, más caras, excesso de informação, filmes de terror ou intriga, desordem dentro de casa. Como não há muitas evasões que façam mudar de “chip”, tudo o que entra no cérebro nele permanecerá mais tempo do que o habitual; por isso, é preciso ter cuidado para não se ficar obcecado, ou permitir aninhar uma emotividade negativa no interior. O excesso de ecrãs também é mau porque estimula em demasia e o cérebro, e provoca mais nervosismo. Há que dormir bem, mas em excesso pode causar a sensação de fracasso ou derrota. Um remédio muito bom para canalizar a energia e relaxar é dançar. Ponha boa música e divirta-se a dançar. Nada como rir e divertir-se para reiniciar o sistema interior.

  1. Não está isolado

É importante compreender que não há motivo para se sentir só, pois não se está. O amor e o carinho dos teus continua, mesmo que o contacto físico se tenha distanciado. Esta é uma oportunidade para viver a comunicação a um nível mais profundo, mais íntimo. Fale com quem está em casa com tranquilidade, sem pressas, escute-os até que terminem, deixe que o diálogo faça crescer a confiança e as confidências construam cumplicidade. Diga aquilo que nunca tem tempo de dizer, conte o que sempre quis contar, fale de tudo e de nada, mas com carinho, que é o que chega à alma e nela se aninha. Responda àquela mensagem de Natal que não agradeceu, a carta que a emocionou e à qual estava a preparar uma resposta, àquele “e-mail” de uma velha amizade. Procure palavras com beleza, tente dar expressão aos seus sentimentos mais nobres… Fale com o coração e crie laços muito mais profundos com os seus. Descobrirá que a distância não é ausência.

  1. Dia de reflexão

Para não se angustiar, também é conveniente procurar momentos de silêncio e solidão. Na organização do tempo para estes dias, inclua espaços de “oxigenação” individual. Quantas pessoas já alguma vez disseram: «Como gostaria de me retirar alguns dias para um mosteiro». Pois bem, a ocasião está aqui, em casa. Habitualmente as pessoas cansam-se por causa da aceleração das suas horas, como se a rotina diária não desse tempo para assimilar o que se vive. Esperamos mudanças substanciais na sociedade, «isto não pode continuar assim». Agora temos esta oportunidade para nos metermos num casulo como a lagarta que se converte em borboleta. Reflita, pense, medite… Que posso mudar em mim para ser melhor depois destes dias?... A separação das coisas que normalmente temos entre mãos ajudará a ver se realmente se está a pôr o acento naquelas que importam, em vez daquelas que podem ser secundarizadas, quais são as insubstituíveis, etc. Um bom discernimento para melhorar fará com que estes dias sejam de muito proveito. Homens e mulheres novos depois desta crise.

  1. Reze

Só a oração (que é o vínculo de amizade com Deus) pode sustentar a vida em todas as situações, especialmente nas adversas. Oração, que como diria Santa Teresa, «ainda que a diga à sobremesa, é o principal». Orar é abrir-se a esse “Outro” que pode sustentar-nos quando se precisa de ajuda; mas também quando se está bem, orar é sustentar outros que precisam. É a experiência mais universal do amor. Ore, fale com Deus, as horas passarão sem que se dê conta: fale-lhe de tudo, Ele não se cansa de a escutar, desafogue-se com Ele quando necessitar, e, porque não?, deixe que também Ele se desafogue consigo, é o seu Pai, seu Irmão, seu Amigo. Exercite a sua fé e a sua confiança. Se deixou a relação com Deus no vestido da sua primeira comunhão, volte a experimentá-lo, agora há tempo e serenidade para conversar com Ele. Talvez não acredite porque nunca o experimentou. E se tentar?...

> In Carmelitas Descalças de Cádizviru.jpg

publicado por j.gouveia às 11:39

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Terça-feira, 31 de Março de 2020

VÍRUS, QUANDO HOJE FOR AMANHÃ

Quando hoje for amanhã

João Carlos Abreu (n. 1935), o poeta-escritor madeirense que se notabilizou na abordagem à temática humanista, com vários livros publicados, estará na esteira de Herberto Hélder, Tolentino Mendonça, entre outros insignes da arte poética, porém a sua obra e o seu museu são testemunhos vividos do mundo que bem conhece de lés-a-lés. João Carlos Abreu foi dos poucos jornalistas portugueses destacados em Roma para reportar o Concílio Ecuménico II, entre 1962 – 1965, por iniciativa do Papa João XXIII, no qual participaram cerca de 2 500 cardeais.

Dono de uma vasta cultura, católico praticante, escreveu por estes dias o poema "Quando Hoje For Amanhã" do qual divulgamos algumas estrofes, como oportunidade de reflexão para o período de "quarentena":jca.jpgAmanhã
quando este vírus maldito
deixar de voar
voltaremos aos braços
uns dos outros

Amanhã
encheremos de luz
as madrugadas escuras
das nossas inquietações
e dúvidas...

Amanhã
valorizaremos ainda mais
as flores dos jardins
o sol, a chuva, os abismos
e
calcorrearemos os caminhos
íngremes das nossas montanhas
aperceber-nos-emos
que a felicidade
não é a riqueza

Olharemos uns para os outros

com mais respeito e consideração
e
construiremos novamente
os sonhos e castelos
do nosso contentamento
por fim verificaremos
que é na fragilidade
das nossas vidas
que residem as razões
do nosso viver...
> João Carlos Abreu

publicado por j.gouveia às 12:20

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Segunda-feira, 30 de Março de 2020

VÍRUS: DEPOIMENTO DO PE. AIRES GAMEIRO

Um  homem sábio, com 90 anos de idade

Estamos de “quarentena” obrigatória, com mudanças de vida forçadas, com as devidas distâncias em termos físicos e receios de toda a espécie… mas, nada pode impor o silêncio ou a ausência de comunicação. As redes digitais, no atual contexto do “coronavírus”, são preciosas e potenciam a proximidade, a vizinhança, a partilha de testemunhos que estão a acontecer neste momento.

Com base nesta realidade, fomos ao encontro de uma pessoa que muito admiramos e que é também especialmente considerada por muitos dos nossos leitores: o P. Dr. Aires Gameiro (da Ordem Hospitaleira de São João de Deus); um especialista em pastoral de saúde, psicólogo, autor de livros e numerosos artigos, conferencista em várias partes do mundo…; um  homem sábio, com 90 anos de idade, e que nesta ocasião está a cumprir a “quarentena”, na sequência de uma viagem que fez à Irlanda para participar num congresso internacional sobre o problema do alcoolismo no mundo… 

Quisemos registar a sua presente situação, através de uma breve entrevista feita por e-mail, e que agora damos a conhecer neste blog: https://roinesxxi.blogs.sapo.ptP.AIRES GAMEIRO.jpg

Pe. Aires Gameiro

> Entrevista conduzida pela jornalista Vera Luza

VL - Como está a encarar esta situação de "isolamento" físico forçado?

AG - Antes de responder à sua pergunta gostaria de dizer o que me ocupa nestes dias de quarentena. Comecei a 19, mas já desde o dia 9 em Dublin e depois em Londres de 14 a 19. Comecei a praticar no congresso a vida em tempo de pandemia.

Agora o isolamento é rigoroso. Tive que me organizar e tenho sempre o tempo cheio. Descansar bem, ler bastante, jornais, boletins, em papel e online, escrever muito. Inventei a ocupação de escrever o diário, rezo muito por todos (de perto e de longe, amigos e conhecidos, doentes (alguns contatam-me) e profissionais de saúde, familiares e desconhecidos, infetados e ameaçados pelo vírus esperto que exige rigor na defesa, pelos vivos e falecidos.

Rezo e celebro a missa sozinho, mas com todos e por todos, também com todos os que rezam para que Jesus, o médico de doentes e pecadores, nos liberta desta peste. Unido ao Papa, aos bispos, aos padres e a todos os que rezam. Passo cada dia bem e relativamente contente, até agora. Não estou sozinho, apesar de as companhias serem virtuais. Passo agora às questões que me põe.

É difícil resumir tantas experiências. Encaro a quarentena com uma certa curiosidade; é uma experiência muito dinâmica que vai mudando a cada momento com as notícias. O meu bom estado de saúde ajuda a estar atento. Até me obrigou a criar um horário. E aventurei-me no desafio de escrever o diário de quarentena que penso partilhar, ainda não sei como. Repare que esta decisão de fazer um diário aberto aumentou a ocupação, as frentes de observação e de reflexão. Ajuda a viver melhor esta reclusão.

Desse diário fazem parte as reflexões e trocas virtuais. O facto de manter os tempos de oração, as Horas do Breviário rezadas pelos textos da Internet, alternando várias línguas, como faço também com o terço e a missa que celebro no meu gabinete, é enriquecedor e gratificante. Sempre pelas intenções de todos os envolvidos na epidemia, mesmo todos.

VL - No seu caso, esta "quarentena" surge como necessária e obrigatória, devido à sua recente participação num congresso internacional na Irlanda... Pode-nos relatar um pouco como foi essa participação e a importância desse congresso?

 

Os alarmes diários

AG - Sim é obrigatória. Faz parte da emergência. Não estou contrariado, talvez por estar sempre muito ocupado e as evidências mostrarem que é fundamental. Incluí no diário o relato da decisão difícil de participar no congresso em Dublin. A saída da Madeira para a Irlanda, já com a epidemia a avançar foi decidida com apoio de várias pessoas. As experiências nesse grande congresso com mais de 500 participantes de todo o mundo, o quarto desta organização, resultaram bem. Os alarmes diários para os rituais de lavar as mãos, de usar gel, de não apertar a mão nem dar abraços, mas usar os cotovelos, foi um treino importante para evitar o contágio (estou quase a saber se consegui).

O congresso destinava-se a apresentar evidências de alarmes sobre os danos do álcool em todo o mundo e propor políticas para os reduzir; por isso girou à volta de duas globalidades: reduzir os 3 milhões de mortes, por ano, em todo o mundo, devidos ao álcool consumido; e reduzir as vítimas do coronavírus que alastrava e causava medo e pânico. 

VL - A situação de pandemia é motivo de muitos medos e milhares de mortes... Na sua opinião, há outros "vírus" do nosso tempo que estão a matar mais?  Por exemplo, "vírus" sociais, bélicos, políticos, etc...

 

Há outros vírus

AG - Precisamente, o Codiv-19, pode provocar doença e morte rápida e por isso mete mais medo matando menos (por enquanto e esperemos que assim fique), assusta mais que os três milhões de mortos anuais por álcool, ou os mais de 40 mil anuais por aborto provocado.  O álcool, o tabaco, o aborto, a droga, a fome, não são vírus, mas matam mais cada ano que o coronavirus (esperemos que não se invertam os números).  

Agora o medo afeta mais os idosos doentes e não doentes, contudo as mortes do “virus” da eutanásia estão em aumento. Será que agora os idosos infetados já não vão morrer de eutanásia? Há outros vírus inimigos e perigosos no tecido social: as dissensões entre os países do norte e os do sul da Europa; ou entre as grandes economias e os países da fome e miséria. Não falta quem especule, e oxalá que sejam fake news, que este vírus terá sido espalhado como guerra biológica entre blocos políticos e como meio para reduzir a população mundial.

Não se exclui que alguns destes conflitos políticos tenham motivações económicas, religiosas e ideológicas: os latinos católicos para um lado, os nórdicos protestantes para outro; a fé cristã, a ciência e as religiões não cristãs, cada uma para seu lado, em vez de colaboração para vencer este inimigo. É certo que apesar de se insistir no alvo dos mais idosos e doentes, funciona também o duplo travão da discriminação, a globalidade e a democracia do coronavírus. O Codiv-19 tem atacado de forma muito democrática; não faz aceção de pessoas de poder político e de alto nível de vida.

VL - Escreveu num artigo que como está de "quarentena" está a servir de "cobaia espiritual"... Pode explicar um pouco mais o que quer dizer com isto?

 

Níveis de esperança

AG - Bem, foi um nome que me ocorreu sobre a esperança em situação de isolamento por razões científicas e perigo de morte. Tem uma certa razão de ser. Poderia servir para avaliar dois níveis de esperança na linha da frente dos que vão ficando infetados e dos que, com generosidade e motivações morais, não os abandonam.

Enfim, avaliar o que chamei de esperança a prazo e esperança baseada na fé teologal, isto é, uma, enquanto há a saúde, outra, quando a doença se torna mortal. Aplico a mim essa distinção em situação de quarentena obrigatória para meu bem e bem dos outros. Duas esperanças, ambas válidas, uma decisiva quando a outra acaba; uma avalia a importância dos recursos da ciência e técnicas, a outra os recursos da fé com confiança.

VL - Com a sabedoria dos seus 90 anos de idade - e já passou por outras "guerras" e grandes dificuldades, qual acha ser a lição que podemos e devemos tirar de tudo isto, destas ameaças e provações? Ficaremos mais próximos de Deus e acolheremos melhor a mensagem de Jesus Cristo?

AG - Os homens são livres de dizer sim e não a Deus. Para uns, esta pandemia pode melhorar ou agravar-se, e pode estimular mais fé e oração, associadas à ciência e técnicas de curar. Está a mudar muito os modos de viver. Para outros, pode estimular atitudes religiosas de fé em Deus e em Jesus Cristo; num terceiro grupo, pode ainda levar à fé e práticas religiosas, mas excluir Cristo e a Igreja. Jesus Cristo, sim, Igreja, não. E porquê?

 

O homem é livre

O homem é livre e não quer ou não consegue aceitar uma Igreja com defeitos e pecados. Vê nela as “torturas” das linhas tortas dos homens e não o bem que Deus escreve direito nas linhas. Ou ainda, aceitam a Igreja e as palavras de Cristo, mas não como mãe. Talvez por terem outra mãe em termos de compromissos e afiliações religiosas.

Os pecados da Igreja seriam ao mesmo tempo barreiras e confirmações de que os homens são livres. Fidelidades laicas ou talvez compromissos solenes noutras afiliações “religiosas” (maçónicas, “protestânticas”,…) fazem sentir que já têm a sua “Mãe” e a consideram mais bonita e credível. Ficarão simultaneamente mais ligados à ciência e a outras afiliações cristãs ou religiosas, não católicas. Afiliar-se ao cristianismo católico pode estar condicionado por certa ligação a outros países, sistemas religiosos e políticos.

Será que esta pandemia vai trazer conversões no sentido de aproximar mais de Deus, de Cristo, da Igreja? Uma pandemia destas com tantas mudanças e sofrimentos temporários vai levar a conversões? Não sei. As conversões acontecem frequentemente de surpresa para os próprios e os que os rodeiam. Nem os próprios fazem ideia se irá acontecer. Não é proibido fazer especulações contando sempre com a liberdade de cada pessoa.

 > roinesxxi - Vera Luza, 30 de março de 2020.

publicado por j.gouveia às 13:19

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POR QUEM OS SINOS DOBRAM

Nenhum homem é uma ilha

Vivemos tempos de angústia e de choro... Algo parecido com a situação actual de pandemia aconteceu com a "gripe pneumónica" que assolou o mundo entre 1918 e 1919, com diversos surtos, um "vírus" devastador que se "aproveitou" das imensas fragilidades causadas pela I Grande Guerra... Antes deste, noutros séculos, outros "vírus" altamente mortíferos deitaram por terra os poderes da humanidade...

Em todos os momentos, porém, restaram sempre a esperança e a consciência de que ninguém está imune aos contágios, porque "ninguém é uma ilha"  e os "sinos dobram" por todos, como bem nos lembra uma meditação do poeta inglês John Donne (1572-1631), que ainda hoje nos desafia a defender a vida por todos os meios e a olhar os outros com todo o respeito, como se fossem um espelho a reflectir a nossa própria imagem... 

Eis então um excerto da meditação que John Donne fez no século XVI:
“Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado, todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do género humano. E por isso não perguntai: Por quem os sinos dobram; eles dobram por vós”.

Nota: Foi  neste texto que o escritor norte-americano Ernest Hemingway (1899-1961), Prémio Nobel de Literatura em 1954, se inspirou para escrever o romance “Por Quem os Sinos Dobram” (1940).

publicado por j.gouveia às 11:21

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Domingo, 29 de Março de 2020

CODIV-19: ESPERANÇA, SINAIS E EFEITOS

Como ler os sinais

Há várias alternativas para ocupar o tempo de quarentena. Refletir sobre os efeitos secundários da pandemia Codiv-19; sobre vários efeitos diretos indesejáveis: sofrimento, ansiedades, pânico e perspetiva de morte. E desejáveis, haverá? Este inimigozinho obriga a muitas batalhas. Decifrar os seus inúmeros sinais não é fácil. Como fenómeno global dá sinais do tamanho do mundo e para lá dele. E pedem leitura sábia, hoje. Até parecia que quase tudo corria bem.

Afinal… Atribuem aos judeus, talvez a partir da Bíblia, o ditado português: “Deus escreve direito por linhas tortas ou curvas”. Usa tudo com amor; é pai educador, usa os males da natureza e dos homens, não castiga, dá-nos leituras dos sinais para nos fazer melhores. As dores, incómodos, doenças e mortes tornam a leitura dos sinais difícil como se Deus jogasse ao esconde-esconde e, nas crises seus filhos, só vejam as torturas das linhas.

Marcas de luto 

Se os mais idosos são um dos alvos primeiros do contágio; se o sistemas de saúde entram em colapso; se a economia entra em crise; se os sistemas da produção de recursos, de formação, das práticas religiosas entram em desorganização, como ler esses sinais como coisas boas? Os vírus contagiosos, aluviões, derrocadas, terramotos, tsumanis, matam aos milhares, desorganizam, deixam marcas de luto doloroso…Podem lá ser mais que desgraças? Será? Tentar negar ou dar-lhe a volta só pode indispor quem está a sofrer esses males.

Contudo os jornais, rádios, tvs e mais redes de comunicação enchem-se de leituras de efeitos bons: unidade, mais coesão social, mais colaboração, menos guerras. Sem negar os seus males, esta pandemia convida a ler o positivo nas linhas tortas dos seus efeitos.

 co.jpg

A pandemia leva tanta gente a abraçar e fazer coisas diferentes e melhores. Os estudiosos têm campo imenso para avaliar esses efeitos sobre os indicadores da saúde, poluição, corrupção, prática religiosa, progresso progressista mal parado e mais mortífero, questões fraturantes. Como alguma conspiração atrevida sugere, será que alguns esfreguem as mãos por ver reduzir a população mais doente, fraca e idosa como auguraram Darwin, Friedrich Nietzsche, Hitler, estalinistas e outros donos do mundo, para atingir a estética mundana e o paraíso de super-homens?

Em concreto, espera-se a redução dos níveis de consumismo e desperdício, do CO2, dos danos das bebidas alcoólicas, do tabaco, drogas, obesidade. E não só. Vai crescer a prática das virtudes (se ainda se pode falar delas): a solidariedade, voluntariado, ajuda, inteireza moral, partilha e distribuição mais justa dos bens comuns? E as teologais de fé, esperança e caridade que nos ligam a Deus? Bom efeito já é que alguns ajudem outros a ver com os olhos do coração como ensina o Principezinho.

O alastrar dos efeitos pedagógicos leva a ganhos preciosos, reduzem-se egoísmos, individualismos egocêntricos, cultura do vazio, consumismos destruidores, indiferença pelos pobres e miseráveis. Ganhos preciosos seriam ainda a cultura da esperança perante o desespero, medos e pânico dos infetados.

Como viver a esperança?

 Mas, atenção, há esperanças a prazo. Como viver a esperança quando a morte bate à porta com este vírus maldito? Importa esperar sempre. E se vem a morte de cada um, não a dos outros, não fica mais nada? A saúde, bem humano precioso, mantém a esperança, como a deste em quarentena assintomática. Quando um dia se aproximar o fim da vida terrena, só outro nível de esperança pode valer, se a pessoa o quer, como dizia a agência Zenit: “nós desejamos transmitir uma mensagem de esperança e fé para também levar a fé a florescer e a “espalhar-se”, se cada um quiser” (cf.26.03.2020).

Os discursos sobre a esperança de literatos, por bem escritos que sejam, com estilo e rodeios esquivos, podem ou não ser passos para uma esperança mais duradoira, caso signifiquem que mesmo morrendo nem tudo é desgraça porque nada de essencial se perde. Para isso somos convidados a alimentar-nos com fontes de esperança resistente a contingências.

Não há fontes como os evangelhos e o seu autor. Sem Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, os caminhos de desgraças atacam cada homem e cada mulher, a ti e a mim, como vírus mortal que também mata a esperança a prazo. Só resiste aquela que se fundamenta em Cristo, morto e ressuscitado, e ressuscitador. Qualquer outra esperança é 0=Z-E-R-O, como já S. Paulo testemunhava a sua fé (I Cor 15).

Amanhã como?

Como cobaia espiritual em quarentena legal, penso: agora sem sintomas; amanhã, como? Pode vir a doença e a morte. Por isso volto uma e outra vez à oração: Pai, estou nas tuas mãos, como a criança se sente ao colo dos pais, cheia de paz. Hoje (26) um hino de Laudes, em francês, dizia: “quando morreis, perdeis tudo… mas Deus vos dá [novo) nascimento”. Esta a minha esperança,

Funchal, 6º dia de quarentena, 26.03.20

> Aires Gameiro

publicado por j.gouveia às 11:56

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Sábado, 28 de Março de 2020

VÍRUS, ISOLADOS EM LIBERDADE (I)

Como viver na "cela" de casa

Sabem de confinamento e reclusão mais do que ninguém: as carmelitas descalças de Cádiz (Espanha) oferecem os seus conselhos baseados na sua experiência de vida aos que, agora, se veem obrigados a ficar em casa. São conselhos de uma monja de clausura para quem, por causa do coronavírus, tem de viver na "cela" de casa.

1. Atitude de liberdade

O mais importante é a atitude com que se vive, a interpretação pessoal que se faz da situação, a consciência de que não se trata de uma derrota. Paradoxalmente, esta pode ser uma oportunidade para descobrir a maior e mais genuína liberdade: a liberdade interior que ninguém pode tirar, e que procede da própria pessoa. Num contexto em que as autoridades “obrigam” a estar em casa, a liberdade consiste na adesão voluntária, sabendo que é por um bem superior. É livre aquele que tem a capacidade de assumir a situação porque quer fazer o correto. Não se está encerrado em casa, antes, optou-se por nela permanecer “livremente”.

2. Paz onde a alma se amplia

Olhe para dentro de si próprio, o espaço mais amplo para a pessoa se expandir e ser feliz está no seu coração. Não são necessários espaços exteriores, mas andar folgadamente no próprio mundo. Dê asas à criatividade, escute as suas próprias inspirações, e encontre a beleza de que é capaz. Talvez ainda não tenha descoberto que da paz da alma brota vida… a vida é criação de mais vida, comunicação de alegria e amor. Quando se acostumar a viver em si, já não quererá sair.

3. Não se descuide, a paz requer trabalho

Exercite virtudes que requerem concentração e autoconhecimento, essas que normalmente se descuidam quando se está ocupado nos mil e um afazeres “externos”. De como se encara as próprias emoções e pensamentos, da gestão dos sentidos e paixões, depende se se vive no céu ou no inferno. Observe-se e domine-se, porque se se deixar levar pelo medo, pela tristeza ou pela apatia, dificilmente se sairá delas, já que não há muitas evasões. Exerça disciplina sobre o seu coração: quando algum pensamento não lhe fizer bem, rejeite-o. Procure inclinar-se para tudo aquilo que note que lhe dá paz e alegria... a harmonia tem de trabalhar-se.

4. Ame

A questão de fogo destes dias será a convivência. Perante a crise causada pela pandemia as pessoas ficam mais suscetíveis e, inclusive, irritáveis. É preciso ser-se muito paciente e usar muito o senso comum. Somos diferentes, cada qual tem uma sensibilidade distinta por múltiplas circunstâncias. Aceite e respeite as opiniões e sentimentos dos outros. É muito normal, quando se está em casa, a tendência para querer controlar tudo… Procure não o fazer, seria causa de muitos conflitos e frustrações. Não dê importância às diferenças, potencie as coisas que unem. O único terreno que realmente lhe pertence é a sua própria pessoa: os seus pensamentos, palavras e emoções; não controle, controle-se. A partir do amor extrairá compreensão e empatia, vontade de dar e agradecimento ao receber. Respeite, acolha a fragilidade, desdramatize, viva e deixe viver.

5. Não mate o tempo

Nada poderá criar-lhe uma sensação tão grande de vazio e fastio como passar o tempo inutilmente. É um inimigo gravíssimo que lhe poderá roubar a paz, e até colocá-la em depressão. Faça um plano para estes dias, e tente vivê-lo com disciplina. Descanso e ocupação não são antagónicos, aproveite para descansar realizando atividades que a relaxem ou que estimulem um ânimo positivo. Dê tempo nas coisas simples: que o grão-de-bico se torne tenro, que o assado demore a ficar cozinhado… temos tempo! Mesmo que um guisado lhe leve duas horas, desfrute de o fazer, e empenhe-se em que as coisas que faz, por simples que sejam, tenham valor e uma finalidade. Nada de perder tempo sem sentido, “matar o tempo” é matar a vida.

> In Carmelitas Descalças de Cádiz

publicado por j.gouveia às 10:30

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Sexta-feira, 27 de Março de 2020

ALEXANDRE HERCULANO, LER PARA NÃO ESQUECER

A felicidade está na educação

Neste mês de Março, dia 28, passam 210 anos do nascimento de Alexandre Herculano (1810-1877), historiador, romancista e político liberal, autor de "Eurico, o Presbítero", "Lendas e Narrativas", "O Monge de Cister", entre outras obras de grande referência, e renovador da historiografia portuguesa.

Alexandre Herculano (de Carvalho Araújo) foi, na opinião de Mário Gonçalves Viana, "um dos vultos mais notáveis da literatura portuguesa". Nasceu em Lisboa, de uma família de parcos recursos materiais; fez os primeiros estudos no Colégio da Congregação do Oratório (Oratorianos) e cedo se familiarizou com os grandes autores, frequentando as bibliotecas públicas, o Arquivo da Torre do Tombo, entre outras instituições.

Participou activamente nas "lutas liberais" e conheceu o exílio em França e Inglaterra, onde aproveitou para fazer investigação histórica. Reuniu-se com os melhores do seu tempo (Almeida Garrett, Antero de Quental, Oliveira Martins...), entre escritores e políticos; chegou a desempenhar cargos de direcção oficial, foi membro da Academia Real das Ciências, mas o seu maior empenho centrou-se na publicação dos "Portugaliae Monumenta Historica", onde apareceram pela primeira vez os "mais valiosos manuscritos e velhas crónicas da nossa História".

Para tal, o historiador viajou pelas bibliotecas, os arquivos seculares e eclesiásticos do território nacional, enfrentando dificuldades de toda a ordem. É considerado "o primeiro historiador moderno português, tendo-se dedicado, sobretudo, ao estudo das origens de Portugal e dos problemas políticos e sociais da Idade Média".AH aldeia.JPG

Nos últimos anos de vida, "refugiou-se"  na sua Quinta de Vale de Lobos (Azoia de Baixo, em Santarém), onde se dedicou à agricultura e morreu em 1877, sendo transladado para o Mosteiro dos Jerónimos em 1888.

Alexandre Herculano publicou dois romances de temas religiosos: “Eurico, o Presbítero” (1844), que aborda "a invasão de Portugal pelos árabes durante a Idade Média" e em que  Herculano analisa o "celibato clerical",  provocando polémicas; o outro romance foi “Monge de Cister” (1848), cujo enredo se passa no final do século XVI. Em 1851, publicou as "Lendas e Narrativas", com episódios inesquecíveis de heróis e situações particulares da nossa História. Também não se pode esquecer a  "Harpa do Crente" (1838), onde o autor se descobre como um profundo poeta. Obras muito interessantes que importa continuar a ler, para que Alexandre Herculano jamais seja votado ao esquecimento.        

"Não é da abertura de canais e estradas, do acréscimo das exportações, do fomento da indústria, que depende a felicidade futura do povo: é da educação. Ilustre-se, civilize-se, aprenda a conhecer o que lhe convém, renasça nele a boa moral, e a antiga virtude portuguesa, que depois será o próprio povo quem, sem socorro do governo, e até apesar do governo se preciso for, abrirá canais e estradas, melhorará a agricultura, aumentará o comércio, aperfeiçoará a indústria", Alexandre Herculano.

publicado por j.gouveia às 11:27

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VÍRUS, VISTO COM HUMOR (II)

O que diriam os filósofos sobre o coronavírus? (II)

UDWIG WITTGENSTEIN
Aquilo que não se pode contrair, não se pode transmitir.
JACQUES DERRIDA
O objetivo de todo vírus deve ser a desconstrução do corpo infectado.
ZYGMUNT BAUMAN
A maior evidência da sociedade líquida é sua dependência do álcool.
VILÉM FLUSSER
O DNA do vírus não pode ser decodificado porque a escrita acabou.
MICHEL FOUCAULT
Esses métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo são o que podemos chamar vírus.
WALTER BENJAMIN
A reprodutibilidade excessiva e sem freios do vírus traz como consequência a perda de sua aura de sacralidade.
SIMONE DE BEAUVOIR
Não se nasce infectado, se torna infectado.
JEAN PAUL SARTRE
Nada a retificar, o inferno são os outros.
KARL MARX
Trabalhadores do mundo, separai-vos.
CRISTO
Amai-vos uns aos outros ficando longe uns dos outros.
OLAVO DE CARVALHO
O vírus é um idiota, eu sou um idiota. Na verdade nem sei o que estou fazendo aqui nesta lista, nunca fui filósofo.
JUDITH BUTLER
O fato de esta lista ser composta por 95% de homens revela como a história da humanidade é a história da dominação patriarcal. Homens são o verdadeiro vírus.

Posted by Carlos Fiolhais, in http://dererummundi.blogspot.com

publicado por j.gouveia às 11:18

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Quinta-feira, 26 de Março de 2020

VÍRUS, VISTO COM HUMOR (I)

O que diriam os filósofos sobre o Coronavírus? (I)
PLATÃO
Fiquem na caverna, porra!
FRIEDRICH NIETZCHE
Fique em casa, por mais difícil que seja suportar sua própria presença.
RENÉ DESCARTES
Habito, ergo sum.
HEGEL
Tese: fique em casa;
Antítese: fique em casa;
Síntese: fique em casa.
HERÁCLITO
Não se pega duas vezes o mesmo vírus, na segunda vez o vírus e você já são outros.
JEAN JACQUES ROUSSEAU
O homem é bom por natureza, mas o vírus o corrompe.
ARISTÓTELES
O vírus está apenas cumprindo seu papel no Cosmos ao infectar corpos.
SANTO AGOSTINHO
A medida de amar é amar longe.
SÃO FRANCISCO DE ASSIS
Onde houver vírus, que eu leve álcool em gel.
PROTÁGORAS
O vírus é a medida de todas as coisas.
HANNAH ARENDT
Para o vírus, matar é uma tarefa banal e cotidiana.
IMMANUEL KANT
Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado lá fora e eu aqui dentro.
SIGMUND FREUD
O vírus dá plena vazão a suas pulsões reprodutivas porque não é reprimido sexualmente, na infância, pela civilização.

Posted by Carlos Fiolhais, in http://dererummundi.blogspot.com

publicado por j.gouveia às 10:07

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Pe. ANTÓNIO VIEIRA, SERMÃO DE SÃO ROQUE

A desgraça geral de uma peste

As “pandemias” já entraram há muito na História da humanidade, com várias designações e medidas de cura, em correspondência com os tempos e as épocas… Esta realidade poderá ser constatada, por exemplo, através de preciosas páginas da Literatura, como a que nos deixou o “imperador da língua portuguesa” (no dizer de Fernando Pessoa), padre António Vieira (1608-1697). Autor prolífico, Vieira escreveu Sermões que constituem verdadeiras lições para todos, poderosos, pobres, ricos, marginalizados… Nada escapou à reflexão deste grande prosador e nenhum dos temas que abordou dizem apenas respeito ao passado.

Vemos isso, por exemplo, no Sermão sobre São Roque (natural da cidade francesa de Montpellier, viveu entre 1295 e 1327, considerado o protector das vítimas da peste), proferido na capela real, em 1659, por ocasião da peste no Algarve. Os conselhos e as atitudes apresentados então por Vieira, são como um retrato do que se passa actualmente no mundo com o “coronavírus”…

Transcrevemos (abaixo) alguns parágrafos deste Sermão (Edição Lello & Irmão Editores, 1959):sr.jpg

São Roque

> “Não sei maior encarecimento da peste, enquanto mal particular e enfermidade de um homem, como era em S. Roque; mas enquanto mal comum, e enfermidade das cidades, das províncias, dos reinos, quem poderá bastantemente considerar, nem compreender as infelicidades, as misérias, as lástimas, os horrores que em si contém a desgraça geral de uma peste?

Os portos e as barras fechadas, e os navegantes alongando-se ao mar, e não só fugindo da costa, mas ainda dos ventos dela: os caminhos por terra tomados com severíssimas guardas: as ruas desertas e cobertas de erva e mato, como nos contavam e viram nossos maiores nesta mesma cidade de Lisboa: as portas trancadas com travessas e almagradas: as sepulturas sempre abertas, não já nas igrejas nem nos adros, senão nos campos, e talvez caindo nessas sepulturas mortos, os mesmos vivos que levam a enterrar os outros defuntos  (…).”

“E como mata, ou como costuma matar a peste? O modo de matar da peste é por contágio, crescendo, e continuando-se a corrupção pela comunicação das partes. Corrompe o veneno da peste a primeira parte do ar, e estando uma parte do ar corrupta, pega-se a corrupção à outra parte, e assim de parte em parte se vai corrompendo tudo. Dá na casa, e leva a rua, e leva a cidade, dá na cidade, e leva o reino <” (…)

publicado por j.gouveia às 09:39

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Quarta-feira, 25 de Março de 2020

MUNDO, HISTÓRIA DAS PANDEMIAS

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publicado por j.gouveia às 11:54

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